Mulher-Maravilha 1984 tem audiência recorde em streaming nos EUA
Recém-lançada em VOD no Brasil, “Mulher-Maravilha 1984” teve um impacto grandioso em streaming nos EUA, onde foi lançado simultaneamente nos cinemas e na HBO Max. Embora nenhum número tenha sido divulgado oficialmente pela WarnerMedia, após um mês de exibição os primeiros resultados de auditorias independentes começam a vir à tona. Uma pesquisa de público da empresa de pesquisas Screen Engine/ASI descobriu que o filme teve a maior semana de estreia de qualquer filme disponibilizado em plataformas digitais nos EUA em 2020, superando a concorrência direta de “Soul”, animação da Pixar que chegou na Disney+ (Disney Plus) no mesmo dia. A estreia norte-americana aconteceu no Natal e muitas famílias teriam aproveitado o feriado para assistir ao longa da Warner. Quanto a números, a consultoria Nielsen apresentou um relatório contundente, que celebra o recorde de “Mulher-Maravilha 1984” como a maior estreia de filme já medida pelo serviço. Segundo a Nielsen, na semana de 21 a 27 de dezembro, os usuários da HBO Max gastaram 2,25 bilhões de minutos assistindo ao filme da super-heroína. Isso é equivalente a cerca de 14,9 milhões de reproduções completas do filme de 151 minutos. É também 580 milhões de minutos a mais que “Soul” (1,67 bilhões de minutos). Em apenas uma semana. Mesmo assim, não se trata da audiência completa, porque só contabiliza filmes assistidos em aparelhos de TV – deixando de fora computadores, tablets e celulares. Após o lançamento do filme, a HBO Max chegou a comemorar o desempenho, sem revelar muitos detalhes. Entre as afirmações, o serviço disse que metade de seus assinantes assistiram ao longa. A informação é complementada pelo relatório da Screen Engine, que indica que a plataforma aumentou seu número de assinantes em 20% na semana de estreia de “Mulher-Maravilha 1984”. Diante desses revelações, a HBO Max divulgou novo comunicado nesta sexta (29/1), reverberando o bom desempenho. “O impacto da ‘Mulher Maravilha 1984’ na HBO Max não pode ser subestimado”, disse o vice-presidente executivo e gerente geral da plataforma, Andy Forssell. “Como mostram os dados da Nielsen, foi um grande presente de Natal para o consumidor no momento em que ele queria e precisava. Essa parceria com a Warner Bros. é claro que continua ao longo deste ano, mas começou com a chegada da ‘Mulher Maravilha’ no dia de Natal com grande sucesso. ” A Warner, que já tinha definido a estratégia de lançar seus filmes de 2021 simultaneamente nos cinemas e na HBO Max, aperfeiçoou o plano assim que percebeu esse “grande sucesso”, adiantando estreias, enquanto todos os estúdios atrasaram suas títulos para fugir das salas vazias, devido à pandemia de coronavírus. O adiantamento, porém, visa cobrir “buracos” na programação de streaming, de forma a ter pelo menos um grande lançamento de cinema na HBO Max durante todos os meses do ano.
HBO Max desenvolve série de Harry Potter
A plataforma de streaming HBO Max está desenvolvendo a primeira série live-action (com atores) baseada no universo de “Harry Potter”, criado pela escritora J.K. Rowling. O projeto foi revelado pelo site The Hollywood Reporter, após alguns escritores serem sondados para o trabalho. As fontes do THR dizem que ideias gerais foram discutidas e o projeto está em estágio exploratório inicial. O objetivo das primeiras reuniões com roteiristas é encontrar uma premissa que sirva para lançar a série, que, portanto, ainda não definiu se acompanhará os personagens vistos nos filmes, se será uma continuação com os filhos deles ou mesmo um prólogo como “Animais Fantásticos”. Como as conversas estão em estágios extremamente iniciais, nenhum contrato ainda foi firmado. Questionada sobre a produção, a WarnerMedia negou tudo. “Não há série de ‘Harry Potter’ em desenvolvimento no estúdio ou na plataforma de streaming”, disse a empresa em comunicado enviado ao THR. O que não deixa de ser verdade, se contratos não foram assinados. O site, porém, mantém sua versão e aponta que expandir o mundo de “Harry Potter” é uma prioridade para HBO Max e Warner Bros. Há poucos dias, o estúdio mobilizou um executivo, Tom Ascheim, para cuidar especificamente da franquia. Isto só faria sentido diante de planos de crescimento da marca. Ascheim também atua como presidente de produções para crianças, jovens adultos e clássicos da Warner, e se reporta diretamente à chefe da WarnerMedia, Ann Sarnoff. Ao anunciar a nova função de Ascheim na quinta (21/1), a Warner não divulgou nenhum plano contrato para o futuro de “Harry Potter”. O problema para tirar novos projetos do papel é que “Harry Potter” tem complicadas questões de direitos. A escritora J.K. Rowling controla a franquia e tem voz ativa em tudo que envolve a propriedade, e no momento enfrenta crise de popularidade por defender posições transfóbicas em público – e também nas suas obras. Além disso, os filmes do bruxinho estão com a NBCUniversal, que fechou um rico contrato de direitos de sete anos com a Warner Bros por direitos de transmissão na TV paga e no streaming nos Estados Unidos. Esse negócio, que termina em abril de 2025, inclui ainda a exploração de iniciativas digitais, bem como conteúdo e eventos de parques temáticos. Por isso, os filmes passaram apenas brevemente na HBO Max e integrarão a plataforma recém-lançada da NBCUniversal, Peacock, em data a ser determinada ainda este ano. Vale observar também que séries de fantasia demoram geralmente entre três e cinco anos para se materializar. Basta ter, como parâmetro, o spin-off de “Game of Thrones”, na HBO, e a adaptação de “O Senhor dos Anéis” na Amazon. Portanto, qualquer planejamento atual só levaria à produções lançadas após o final do contrato com a NBCUniversal.
Comercial da HBO Max torna filmes inéditos da Warner em atrações de streaming
A HBO Max divulgou um novo comercial, para atrair assinantes para a plataforma, que celebra a programação completa de filmes da Warner Bros. em 2021 como títulos que irá lançar em streaming, simultaneamente aos cinemas nos EUA – e em outros países em que começará a operar neste ano. A decisão polêmica da WarnerMedia azedou as relações do estúdio com os profissionais de cinema e vai cobrar um preço muito maior que os executivos da empresa imaginavam. Neste momento, a Warner realiza reuniões atrás de reuniões com os produtores dos filmes afetados, que não foram avisados antecipadamente sobre esta estratégia. E vai precisar compensar financeiramente todos os parceiros que possuem cláusulas de divisão de lucro de bilheterias pela iniciativa unilateral. Cineastas como Christopher Nolan e M. Night Shyamalan já falaram mal do estúdio publicamente. Nolan chegou a batizar a HBO Max de “pior serviço de streaming” do mundo e sugerir que a Warner traiu o cinema. Mas os cinemas estão inviabilizados pela pandemia de coronavírus. A Warner teria avaliado que 2021 será igual ou pior que 2020, com mais salas fechadas e bilheterias irrisórias. Diante da decisão de adiar tudo para 2022 ou lançar em streaming, optou pela segunda opção e manteve aberta a possibilidade de exibir os filmes nos cinemas que estiverem funcionando. Alguns filmes são caríssimos, como demonstram as primeiras cenas de “Godzilla vs. Kong” e as imagens inéditas de “O Esquadrão Suicida” exibidas no comercial. A lista também inclui “Duna”, “Mortal Kombat” e até “Matrix 4”, num total de 17 títulos previstos para 2021. “Estamos vivendo em uma época sem precedentes que exige soluções criativas, incluindo esta nova iniciativa para a Warner Bros. Pictures Group”, disse a presidente da WarnerMedia Studios, Ann Sarnoff, em comunicado. “Ninguém deseja mais que nós que os filmes voltem às telas grandes. Sabemos que conteúdo inédito é a força vital da exibição cinematográfica, mas temos que equilibrar isso com a realidade de que a maioria dos cinemas nos Estados Unidos provavelmente operará com capacidade reduzida ao longo de 2021. Com esse plano exclusivo de um ano, podemos apoiar nossos parceiros de exibição com um fluxo constante de filmes de nível mundial, ao mesmo tempo que damos aos espectadores, que podem não ter acesso aos cinemas ou não estão prontos para voltar ao cinema, a chance de ver nossos incríveis filmes de 2021.” A WarnerMedia tem planos de expandir o alcance da HBO Max para a América Latina (e o Brasil) já no começo de 2021, de modo que muitos dos 17 títulos de cinema previstos para 2021 também poderão ser vistos simultaneamente em streaming no país.
James Gunn revela começo das gravações da série do Pacificador
O diretor James Gunn, de “Os Guardiões da Galáxia”, anunciou em seu Twitter que começou a gravar a série do Pacificador, derivada de seu vindouro filme do Esquadrão Suicida. No post, o cineasta lembrou que começou a escrever o roteiro do programa de brincadeira, como uma forma de se divertir enquanto trabalhava na edição do filme da DC Comics e no script de “Guardiões da Galáxia Vol. 3” para a Marvel. O primeiro dia de gravação foi na sexta (15/1). Desenvolvida para a plataforma HBO Max, “Peacemaker” será estrelada por John Cena (“Bumblebee”), intérprete do vilão Pacificador no filme “O Esquadrão Suicida”. Produzido por Gunn, Cena e Peter Safran (produtor de “Aquaman”), a atração irá explorar a origem do Pacificador, embora o cineasta aponte que isso não a torna automaticamente um prólogo de “O Esquadrão Suicida”. A série também pode apresentar aparições de outros membros da Força Tarefa X (mais conhecida como Esquadrão Suicida) e tem confirmada a presença do anti-herói Vigilante, que será vivido por Freddie Stroma (“Bridgerton”). O elenco também contará com Danielle Brooks (a Taystee de “Orange is the New Black”), Robert Patrick (até hoje lembrado como vilão T-1000 de “O Exterminador do Futuro 2”), Christopher Heyerdahl (“Van Helsing”), Chukwudi Iwuji (“Cidade Pássaro”), Lochlyn Munro (“Riverdale”), Annie Chang (“Shades of Blue”), Jennifer Holland (“Brightburn: Filho das Trevas”) e Steve Agee (também de “Brightburn”). Os dois últimos aparecerão em “O Esquadrão Suicida”, respectivamente como a agente da NSA Emilia Harcourt e o agente penitenciário John Economos. Com oito episódios, a atração ainda não recebeu uma data de estreia na HBO Max. 5 months ago, while quarantining, I started writing a TV series, mostly for fun, in-between Guardians drafts & cutting #TheSuicideSquad. I wrote the 1st season of #Peacemaker in 8 weeks. & now, here I am, on the 1st day of shooting. Life is surreal. Let’s go (& go safely!) ❤️☮️🕊 pic.twitter.com/dAyAJmwYVB — James Gunn (@JamesGunn) January 15, 2021
Intérprete de Ciborgue retoma briga com a Warner pelo filme do Flash
Ray Fisher e a WarnerMedia continuam em clima litigioso, após o ator denunciar abusos nos bastidores das refilmagens de “Liga da Justiça” e exigir uma investigação independente contra atitudes do diretor Joss Whedon e dos produtores Jon Berg e Geoff Johns. Após acusar o presidente da DC Films, Walter Hamada, de tentar acobertar o caso, o intérprete do herói Ciborgue disse que não trabalharia mais em nenhum filme produzido pelo executivo. Assim, a Warner anunciou o corte de sua participação no vindouro filme do Flash. Isto originou uma nova disputa de versões. Fisher publicou um longo texto de duas páginas em seu Twitter na noite de quarta (13/1), em que confirmou ter sido removido do elenco de “The Flash”. “Eu recebi confirmação oficial de que a Warner Bros. decidiu me remover do elenco de ‘The Flash’. Eu discordo fortemente desta decisão, mas não me surpreendo. Apesar do que havia sido noticiado, o envolvimento do Ciborgue em ‘The Flash’ era muito maior do que apenas uma ponta – e embora eu lamente perder a oportunidade de levar Victor Stone de volta às telas, chamar atenção às ações de Walter Hamada se provarão muito mais importantes para o mundo”. A WarnerMedia, a empresa-mãe da Warner Bros., contestou as alegações de Fisher de que ele foi removido do filme, observando que o ator se recusou a participar do longa ao dizer publicamente que não voltaria a trabalhar com Hamada. “No verão passado, Fisher foi convidado a repetir seu papel como Ciborgue em ‘The Flash’”, disse a WarnerMedia em um comunicado. “Dada sua declaração de que não participará de nenhum filme associado ao Sr. Hamada, nossa produção está agora seguindo adiante”. A WarnerMedia também negou ter rompido com Geoff Johns, o ex-chefe dos filmes da DC, que Fisher alegou que estava saindo da empresa após a investigação de suposta má conduta nos bastidores de “Liga da Justiça”. Johns é um dos roteiristas de “Mulher-Maravilha 1984”, criador e showrunner de “Stargirl”, além de produtor de várias séries da DC Comics. “A Warner Bros. continua a fazer negócios com Geoff Johns, que continua a produzir ‘Stargirl’, ‘Batwoman’, ‘Patrulha do Destino’, ‘Superman & Lois’ e ‘Titãs’ para o estúdio, entre outros projetos”, acrescentou a empresa. Fisher tem feito várias alegações por meio das redes sociais, inclusive apontando que a saída de Joss Whedon da vindoura série “The Nevers”, que o cineasta criou para a HBO, teria sido consequência de sua denúncia e da investigação que se seguiu, apesar da suposta resistência inicial de Hamada em lhe dar ouvidos. Hamada não era o chefe da DC Films durante a produção de “Liga da Justiça”. o ex-diretor da New Line assumiu o cargo em janeiro de 2018, dois meses depois do filme implodir nas bilheterias. No entanto, Fisher diz que Hamada tentou acobertar os supostos maus-tratos cometidos por Whedon, que assumiu a cadeira de diretor depois que o cineasta original, Zack Snyder, deixou a produção devido à morte de sua filha. Ele também teria tentado livrar Geoff Johns das acusações. Agora é Ann Sarnoff, presidente e CEO da WarnerMedia Studios and Networks Group, quem se pronuncia contra as afirmações de Fisher. “Acredito em Walter Hamada e que ele não impediu ou interferiu na investigação”, disse Sarnoff em nota. “Além disso, tenho total confiança no processo e nas conclusões da investigação. Walter é um líder respeitado, conhecido por seus colegas e por mim como um homem de grande caráter e integridade. Como eu disse no anúncio recente de extensão do acordo de Walter, estou animada com o caminho que ele está levando a DC Films e ansiosa para trabalhar com ele e o resto da sua equipe para construir o Multiverso DC”. Apesar disso, Fisher não está recuando. Nas redes sociais, ele se ofereceu para “submeter-se a um teste do polígrafo para apoiar minhas alegações contra [Hamada]”. A investigação das alegações de Fisher foi encerrada em dezembro, com a Warner divulgando um comunicado, dizendo que “medidas corretivas foram tomadas”. A impressão, porém, é que apenas Whedon, que disse estar se afastando de “The Nevers” por vontade própria, e o próprio Fisher foram prejudicados.
Diretor confirma que O Esquadrão Suicida será para maiores
O diretor James Gunn confirmou que “O Esquadrão Suicida” será lançado com classificação etária “R”, o equivalente americano a “proibido para menores”. A confirmação aconteceu numa resposta do cineasta a um fã pelo Twitter. Seguindo a linha dos filmes de super-heróis “Deadpool”, “Logan”, “Coringa” e “Aves de Rapina”, o filme deve conter muita violência e palavrões. Com a classificação “R”, o filme também busca se diferenciar do primeiro “Esquadrão Suicida”, que foi classificado como “PG-13” (para maiores de 13 anos). Gunn já havia sugerido anteriormente que o filme “não era nada contido” e afirmado que a série derivada do longa, “Peacemaker (sobre o vilão Pacificador), seria para maiores. Embora os filmes de super-heróis para maiores tenham se tornado mais comuns desde “Deadpool”, o sucesso da série “The Boys” também pode ter facilitado a decisão da Warner. Soma-se a isso, o lançamento simultâneo em streaming (que não está sujeito às restrições etárias cinema) nos EUA. “O Esquadrão Suicida” tem estreia prevista para em 6 de agosto, tanto nos cinemas quando na plataforma HBO Max, que nesta data já pode estar disponível no Brasil – o plano da WarnerMedia visa um lançamento no segundo trimestre na América Latina.
Ray Fisher se recusa a fazer novos projetos da DC Films
Um dos motivos que explicam a falta de vontade da DC Films em dar continuidade à “Liga da Justiça” manifestou-se no Twitter. Após o chefão do estúdio, Walter Hamada, revelar planos para lançar seis filmes da DC por ano, o ator Ray Fisher, intérprete do Ciborgue, voltou a usar as redes sociais para atacar o executivo. Fisher linkou a entrevista de Hamada (no New York Times) sobre o futuro da DC Films, para declarar que não vai participar de “nenhuma produção associada a ele”. Fisher retomou uma briga que ele iniciou em setembro, ao revelar suposta conversa em que o executivo teria sugerido sacrificar algumas pessoas da produção da “Liga da Justiça” para preservar um dos produtores. Isto aconteceu em meio a várias polêmicas, como a denúncia feita pelo ator contra o diretor Joss Whedon por comportamento “abusivo” durante as refilmagens de “Liga da Justiça” e outras acusações, como racismo ou acobertamento de atitudes racistas – inclusive da parte do chefão da Warner Bros. Pictures, Toby Emmerich. “Para vocês entenderem o quão fundo isso vai: após eu expor o que aconteceu em ‘Liga da Justiça’, o presidente da DC Films [Walter Hamada] me ligou tentando que eu jogasse Joss Whedon e Jon Berg na fogueira e que eu pegasse leve com Geoff Johns. Eu não vou”, Fisher afirmou nas redes sociais, na ocasião. Agora, ele retoma a briga. “Walter Hamada é o mais perigoso tipo de facilitador. Ele mente, e sua tentativa fracassada de relações públicas de 4 de setembro procurou minar as questões reais por trás da investigação dos bastidores de ‘Liga da Justiça’. Não participarei de nenhuma produção associada a ele”, tuitou o ator nesta quarta (30/12). A tempestade de fogo de Fisher contra a WarnerMedia começou em 1º de julho num tuite em que definiu o comportamento do cineasta Joss Whedon no set como “nojento, abusivo, não profissional e inaceitável”. Ele ainda alegou que os produtores Geoff Johns e Jon Berg incentivavam o cineasta, que entrou na produção para fazer refilmagens depois que o diretor Zack Snyder se afastou devido a uma tragédia pessoal. Na primeira sexta de setembro, a WarnerMedia lançou um longo comunicado, o que não é típico do estúdio em situações de crise, disparando contra Fisher. “Em julho, os representantes de Ray Fisher pediram ao presidente da DC Films, Walter Hamada, que conversasse com o Sr. Fisher sobre suas preocupações durante a produção de ‘Liga da Justiça’. Os dois já haviam se falado quando o Sr. Hamada pediu que ele repetisse seu papel como Ciborgue no próximo filme da Warner Bros, do herói Flash, juntamente com outros membros da Liga da Justiça”, dizia o texto. “Em sua conversa de julho, o Sr. Fisher relatou divergências que teve com a equipe de criação do filme em relação à sua interpretação de Ciborgue, e reclamou que as revisões sugeridas do roteiro não foram adotadas. O Sr. Hamada explicou que diferenças criativas são uma parte normal do processo de produção e que o roteirista/diretor de um filme deve, em última instância, ser responsável por esses assuntos”, continuou o comunicado. “Notavelmente, o Sr. Hamada também disse ao Sr. Fisher que levaria suas preocupações à WarnerMedia para que eles pudessem conduzir uma investigação. Em nenhum momento o Sr. Hamada ‘jogou alguém na fogueira’, como o Sr. Fisher falsamente alegou, ou fez qualquer julgamento sobre a produção da Liga da Justiça, na qual Hamada não teve envolvimento, pois as filmagens ocorreram antes do Sr. Hamada assumir sua posição atual”, segue a nota. “Embora o Sr. Fisher nunca tenha alegado qualquer conduta indevida contra ele, a WarnerMedia, no entanto, iniciou uma investigação sobre as preocupações que ele havia levantado sobre a representação de seu personagem. Ainda não satisfeito, Fisher insistiu que a WarnerMedia contratasse um investigador independente. Este investigador tentou várias vezes se encontrar com o Sr. Fisher para discutir suas preocupações, mas, até o momento, o Sr. Fisher recusou-se a falar com o investigador. A Warner Bros. continua comprometida com a responsabilidade e o bem-estar de cada elenco e membro da equipe em cada uma de suas produções. Ela também continua empenhado em investigar qualquer alegação específica e confiável de má conduta, o que até agora o Sr. Fisher não forneceu”, conclui o texto oficial. Em uma entrevista subsequente à Forbes, em outubro, Fisher indicou que as questões raciais desempenharam um papel nas decisões que levaram aos seus alegados maus-tratos no set da “Liga da Justiça”. Outras estrelas de “Liga da Justiça”, como Jason Momoa, o Aquaman, apoiaram a cruzada do colega nas redes sociais, enquanto o ator convocava uma investigação. “Coisas sérias aconteceram”, declarou Momoa. Já Gal Gadot, a Mulher Maravilha, disse ao Los Angeles Times que não participou das refilmagens com Fisher, mas também teve “minha própria experiência com [Whedon], que não foi a melhor, e tomei providências quando isso aconteceu. Eu levei minha denúncia aos chefes [da Warner], e eles deram um jeito”. Na noite de 11 de dezembro, a WarnerMedia divulgou uma declaração vaga e superficial de que sua investigação dos bastidores de “Liga da Justiça” foi “concluída e medidas corretivas foram tomadas”. Nenhum outro detalhe foi fornecido e nem os executivos do cinema da Warner Bros. sabiam que medidas foram estas. Pouco depois desta declaração, Fisher compartilhou um texto oficial que recebeu da WarnerMedia com um agradecimento pela “coragem de se apresentar e ajudar a empresa a criar um ambiente de trabalho inclusivo e mais igualitário para seus funcionários e parceiros”. Ele acrescentou sua própria declaração no Twitter: “Ainda há conversas que precisam acontecer e resoluções que precisam ser encontradas. Obrigado a todos por seu apoio e incentivo nesta jornada. Estamos à caminho.” Fisher ainda informou que a investigação “levou a uma ação corretiva”, afirmando que “já vimos” isso, mas outros desdobramentos “ainda estão por vir”. Na época, especulou-se que o comentário se referia a Joss Whedon, que duas semanas antes tinha abandonado a produção da fantasia “The Nevers”, que ele criou para a HBO, citando exaustão e acontecimentos sem precedentes de 2020 que afetaram sua vida de “maneiras que jamais poderia ter imaginado”. Não houve, até o momento, nenhuma outra repercussão visível da investigação. Por outro lado, a reportagem de domingo passado (27/12) do New York Times sobre os planos ambiciosos da DC Films informou que, apesar de Hamada prometer seis filmes por ano, nenhum deles seria continuação de “Liga da Justiça”. A HBO Max está investindo uma fortuna para relançar o filme como uma minissérie de quatro horas, totalmente reeditada pelo diretor original, Zack Snyder. Mesmo assim, de acordo com o jornal nova-iorquino, o estúdio avalia essa produção “como uma narrativa que não leva a lugar nenhum”.
James Gunn diz que série do Pacificador será para maiores
O cineasta James Gunn resolveu se pronunciar sobre a classificação etária da série “Peacemaker”, spin-off de “O Esquadrão Suicida” focado no vilão Pacificador, vivido por John Cena. Após as redes sociais espalharem rumores de que a série, anunciada em setembro para a HBO Max, poderia ter uma estreia simultânea na rede CW, Gunn disse no Twitter que a produção será voltada para adultos e, portanto, não tem a menor possibilidade de chegar a um canal de TV aberta. Segundo o diretor, que está escrevendo e produzindo a série, caso “Peacemaker” fosse editada para se adequar às restrições etárias de uma rede de TV, ela “teria apenas 40 segundos de duração”. Gunn não explicou porque motivo a produção seria “inapropriada” para menores, mas provavelmente se trata de uma trama com bastante violência. Produzido por Gunn, Cena e Peter Safran (produtor de “Aquaman”), a atração irá explorar a origem do Pacificador, embora o cineasta aponte que isso não a torna automaticamente um prólogo de “O Esquadrão Suicida”. A série também pode apresentar aparições de outros membros da Força Tarefa X (mais conhecida como Esquadrão Suicida), sugeriu Gunn. A série de oito episódios ainda não recebeu uma data de estreia na HBO Max. Lol. No. If we edited it for broadcast TV it would be forty seconds long. https://t.co/cVfKP8iFLz — James Gunn (@JamesGunn) December 28, 2020
WarnerMedia conclui investigação sobre bastidores tóxicos de Liga da Justiça
Cinco meses depois que o ator Ray Fisher, o Ciborgue da “Liga da Justiça”, mencionou publicamente uma alegada má conduta durante as refilmagens do longa de 2017, a WarnerMedia concluiu uma investigação sobre o que teria acontecido nos bastidores da produção. Mas não vai compartilhar suas conclusões. “A investigação da WarnerMedia sobre o filme da ‘Liga da Justiça’ foi concluída e medidas corretivas foram tomadas”, disse resumidamente a WarnerMedia em um comunicado na noite de sexta-feira (11/12). A declaração, assinada pela chefe de comunicações globais da empresa, Christy Haubegger, é tudo o que a WarnerMedia tem a dizer sobre o assunto. A empresa não deu mais detalhes sobre quais medidas foram tomadas nem contra quem. O site Deadline teria apurado que executivos de alto escalão do departamento cinematográfico da Warner Bros foram surpreendidos pelo anúncio desta noite, também sem saber quem especificamente estava recebendo punição nesta situação. Por outro lado, Ray Fisher, o homem que exigiu a investigação sobre a conduta do diretor substituto Joss Whedon no set e os produtores do filme, aparentou estar claramente de bom humor. Pouco depois de a declaração da WarnerMedia ter sido divulgada, Fisher compartilhou um texto oficial que recebeu da WarnerMedia com um agradecimento pela “coragem de se apresentar e ajudar a empresa a criar um ambiente de trabalho inclusivo e mais igualitário para seus funcionários e parceiros”. Ele acrescentou sua própria declaração no Twitter: “Ainda há conversas que precisam acontecer e resoluções que precisam ser encontradas. Obrigado a todos por seu apoio e incentivo nesta jornada. Estamos à caminho.” Fisher ainda informou que a investigação “levou a uma ação corretiva”, explicamos que parte disso “já vimos”, mas outros desdobramentos “ainda estão por vir”. A especulação é que ele se refere a Whedon, que há duas semanas abandonou a produção da fantasia “The Nevers”, que ele criou para a HBO, citando exaustão e acontecimentos sem precedentes de 2020 que afetaram sua vida de “maneiras que jamais poderia ter imaginado”. Em julho, Fisher acusou Whedon no Twitter de tratar atores e outros membros da equipe de “Liga da Justiça” de maneira “nojenta, abusiva, não profissional e inaceitável” durante as filmagens. E alegou que os produtores Geoff Johns e Jon Berg incentivavam o cineasta, contratado para fazer refilmagens depois que o diretor Zack Snyder se afastou devido a uma tragédia pessoal. O ator manteve comportamento litigioso desde que fez a denúncia, envolvendo também outros figurões da Warner, como o próprio chefão do estúdio, Toby Emmerich, e o presidente da DC Films, Walter Hamada, e voltou ao Twitter, logo após o anúncio da saída de Whedon, para afirmar que as mudanças de bastidores em “The Nevers” eram consequências da investigação sobre “Liga da Justiça”, e que a “versão oficial” de exaustão seria uma forma encontrada pela Warner para não queimar o cineasta. Ou, na visão do ator, acobertar o comportamento do cineasta. “Não tenho intenção nenhuma de deixar Joss Whedon usar a velha tática hollywoodiana de ‘sair’, ‘deixar’ ou ‘se afastar’ para acobertar seu comportamento horrível. A investigação da WarnerMedia sobre ‘Liga da Justiça’ está a todo vapor há três semanas. Isso é sem dúvida um resultado disso”, escreveu o ator. Em outubro, ele foi além, chegando a insinuar que as decisões tomadas nas refilmagens de “Liga da Justiça” tiveram motivações racistas. “O apagamento de pessoas de cor da versão cinematográfica de 2017 de ‘Liga da Justiça’ não foi um acidente nem uma coincidência”, afirmou Fisher. “Antes do processo de refilmagem, conversas abertamente racistas foram mantidas e entretidas – em várias ocasiões – por antigos e atuais executivos de alto escalão da Warner Bros. Pictures”, ele acusou. “Os tomadores de decisão que participaram dessas conversas racistas foram Geoff Johns, Jon Berg e o atual presidente do Warner Bros. Pictures Group, Toby Emmerich”, nomeou. Embora não se saiba que consequências a investigação trará para a Warner, a polêmica não impediu Fisher de participar de refilmagens de “Liga da Justiça” sob o comando do diretor original, Zach Snyder, para lançamento como uma minissérie de quatro horas na HBO Max em 2021. Na verdade, Snyder prometeu que sua versão terá muito mais participação do Ciborgue que no filme refeito por Whedon. The following was relayed to me on behalf of @WarnerMedia at 5pm EST today: – The investigation of Justice League is now complete. – It has lead to remedial action. (Some we’ve seen, and some that is still to come.) 1/3 — Ray Fisher (@ray8fisher) December 12, 2020 There are still conversations that need to be had and resolutions that need to be found. Thank you all for your support and encouragement on this journey. We are on our way. More soon. A>E 3/3 — Ray Fisher (@ray8fisher) December 12, 2020
Sony compra a plataforma Crunchyroll da Warner
A AT&T, dona da WarnerMedia, vendeu a plataforma de anime Crunchyroll para a Sony por quase US$ 1,2 bilhão, como parte de seu esforço para aliviar suas dívidas gigantescas. Nem parece que o CEO da AT&T, John Stankey, se disse literalmente contra dar “armas adicionais aos concorrentes” nesta mesma semana – na terça (8/12), para ser exato, ao defender o plano de lançar os filmes da Warner na HBO Max e não aceitar ofertas milionárias da Netflix por seu portfólio. Com a venda da Crunchyroll, a AT&T não está apenas se desfazendo de conteúdo valioso que não vai mais para a HBO Max, num momento em que a Netflix triplica suas apostas em animes. Na verdade, está armando a Sony até os dentes. A ex-plataforma de animes da Warner agora fará parte da Funimation, da Sony, que se passa a ter status de gigante no segmento, tendo apenas a Netflix como concorrente. O acordo dará à Funimation o controle completo sobre a marca Crunchyroll, 3 milhões de assinantes do serviço e mais de 90 milhões de usuários registrados. “A equipe da Crunchyroll fez um trabalho extraordinário não só de fazer crescer a marca Crunchyroll, mas também de construir uma comunidade apaixonada de fãs de anime. O sucesso da Crunchyroll é um resultado direto da cultura da empresa e do compromisso com seus fãs”, disse Tony Gonçalves, diretor financeiro da WarnerMedia, elogiando o que perdeu. “Ao combinar com a Funimation, eles continuarão a nutrir uma comunidade global e levarão mais anime para mais pessoas”, continuou, descrevendo o novo gigante do mercado. “Estou muito orgulhoso da equipe da Crunchyroll e do que eles conseguiram realizar no espaço da mídia digital em um período tão curto de tempo. Eles criaram um ecossistema global de ponta a ponta para essa forma de arte incrível.” E que foi vendido por um preço extremamente desvalorizado pela AT&T. Fundada em 2006, a Crunchyroll foi uma empresas pioneiras de streaming, focando-se em um nicho de público de amantes de anime em vez de tentar competir com a Netflix. O Grupo Chernin adquiriu o controle acionário da empresa em 2013 e mais tarde a envolveu em sua joint venture com a Otter Media. A AT&T adquiriu o controle total da Otter Media em 2018 e os ativos do grupo foram absorvidos pela WarnerMedia. A WarnerMedia, sob a liderança do recém-nomeado CEO Jason Kilar, começou a oferecer uma liquidação da Crunchyroll no verão norte-americano passado. A empresa tem procurado se desfazer ou implodir todas as iniciativas de nicho de seu portfolio para se focar exclusivamente no crescimento da abrangente HBO Max, que oferece programação de todos os seus ativos – algo que o cineasta Christopher Nolan chamou de “pior serviço de streaming” do mundo. Paralelamente, a AT&T também está procurando maneiras de pagar suas dívidas, que cresceram para mais de US$ 180 milhões com a compra da Warner. Após se desfazer da Crunchyroll, a empresa quer tocar para frente o serviço de TV via satélite DirecTV. Enquanto isso, a Sony celebra. “Estamos orgulhosos de trazer a Crunchyroll para a família Sony”, disse o presidente e CEO da Sony, Tony Vinciquerra. “Por meio da Funimation e de nossos fantásticos parceiros da Aniplex e da Sony Music Entertainment Japan, temos um profundo conhecimento dessa forma de arte global e estamos bem posicionados para oferecer conteúdo excepcional para o público em todo o mundo. Junto com a Crunchyroll, criaremos a melhor experiência possível para fãs e maiores oportunidades para criadores, produtores e editores no Japão e em outros lugares. A Funimation tem feito isso há mais de 25 anos e esperamos continuar a alavancar o poder da criatividade e da tecnologia para ter sucesso neste segmento de entretenimento em rápido crescimento.”
Cachê de Gal Gadot para apoiar streaming de Mulher-Maravilha 1984 irrita colegas
Os astros contratados pela Warner estão furiosos com o estúdio e morrendo de inveja de Gal Gadot. Uma reportagem publicada pelo jornal New York Times afirma que Gadot e a diretora Patty Jenkins receberam cada uma US$ 10 milhões do estúdio para aceitar e até elogiar a estreia simultânea de “Mulher-Maravilha 1984” na HBO Max e nos cinemas. De acordo com a reportagem, a Warner Bros. abordou as agências de talentos William Morris Endeavor e a Creative Artists, de Gadot e Jenkins, respectivamente, para colocá-las a par de seus planos para “Mulher-Maravilha 1984” e a HBO Max. As duas agências teriam questionado como suas artistas seriam compensadas pela mudança no tipo de lançamento. As negociações teriam levado ao acordo milionário com as duas, que desde então tem comentado favoravelmente a distribuição do filme em streaming. O problema é que a história vazou e deixou as agências de talentos de Hollywood em pé de guerra. As empresas que representam Denzel Washington, Margot Robbie, Will Smith, Keanu Reeves, Hugh Jackman e Angelina Jolie querem saber se terão o mesmo tratamento que Gadot e Jenkins, uma vez que projetos que os envolvem seguirão o mesmo modelo de distribuição híbrida, estreando simultaneamente no cinema e no streaming. Mas os atores não são os únicos incomodados. Os cineastas ficaram irritadíssimos, como demonstrou o diretor Christopher Nolan (“Tenet”) ao vociferar contra a HBO Max e a estratégia da companhia. A revista The Hollywood Reporter apurou que os diretores de “Duna” e “O Esquadrão Suicida”, respectivamente Denis Villeneuve e James Gunn, estariam muito insatisfeitos ao perceber que suas franquias podem ficar sem novos filmes. Villeneuve só teria topado fazer “Duna” porque Warner e Legendary aceitaram dividir o livro de Frank Herbert em duas produções. Seu longa é apenas a primeira parte da obra. Mas o mais irritado seria Jon M. Chu, que anteriormente tinha recusado ofertas da Netflix por defender que filmes devem ser vistos no cinema. Ele e o compositor Lin-Manuel Miranda dispensaram ofertas de streaming para colocar o musical “Em um Bairro de Nova York” nos cinemas. Ele teria dito a um associado que ficou “chocado” após ser informado da decisão da Warner. Para completar, começou a circular um rumor de boicote contra a Warner Bros. Ainda de acordo com o New York Times, o Sindicado dos Diretores dos EUA (DGU, na sigla em inglês) pode ser um aliado importante nesse movimento.
CEO da AT&T defende plano de streaming da Warner
John Stankey, CEO da AT&T, empresa mãe da WarnerMedia, defendeu a aposta da divisão cinematográfica da empresa, a Warner Bros, de lançar blockbusters simultaneamente nos cinemas norte-americanos e na HBO Max, plataforma de streaming administrada pelo conglomerado. Durante a Conferência Virtual UBS Global TMT, nesta terça (8/12), ele disse que a HBO Max pode usar a decisão para “acelerar ainda mais” seu crescimento e “penetrar no mercado mais rapidamente”. Para ele, a decisão é uma vitória para todos, pois se ajusta às tendências atuais do mercado e à psique dos consumidores em meio à pandemia do coronavírus. Stankey chamou a falta de atividades nos cinemas devido à pandemia de “infeliz”. E se posicionou contra licenciar filmes para outras plataformas – a Netflix quis comprar “Godzilla vs. Kong”. Seria como dar “armas adicionais aos concorrentes”. Diante do quadro atual, “sabíamos que precisávamos tentar algo diferente”. Ele acrescentou: “Lançar o produto no mercado … é importante.” E concluiu que o mercado será “ditado pelo que os consumidores escolherem fazer”. “Ter escolha” é uma coisa boa neste momento, argumentou, sobre disponibilizar filmes no cinema e em streaming ao mesmo tempo, mas prometeu “ajustar” essa decisão se o setor de cinema se recuperar da pandemia. Ciente das recentes críticas do cineasta Christopher Nolan (“Tenet”), e também de grupos de cinema, Stankey disse: “Eu sei que há muito barulho no mercado, pessoas com pontos de vista diferentes”, mas, segundo ele, isso acontece “sempre que você muda um modelo”. Durante a conferência, ele ainda revelou que a HBO Max atingiu a marca de 12,6 milhões de assinantes ativados, de um total de 28,7 milhões de assinantes, incluindo os inativos – em migração da HBO Go.
Crise na Warner: Cineastas revoltam-se com blockbusters na HBO Max
Depois que Christopher Nolan desabafou publicamente contra a decisão da Warner de lançar todos os seus filmes de 2021 simultaneamente nos cinemas norte-americanos e na HBO Max, plataforma de streaming administrada pela empresa, a imprensa americana apurou que o clima está péssimo entre o estúdio e quem faz parte dos filmes listados. A Warner teria irritado cineastas e estrelas ao privilegiar seu negócio online. O site Deadline apurou que a produtora Legendary, parceira da Warner em “Godzilla vs. Kong” e “Duna”, pode entrar com uma ação judicial contra os executivos do conglomerado sobre o destino de suas obras. A empresa já tinha disparado uma notificação anterior, quando a Netflix ofereceu até de US$ 250 milhões pelos direitos de “Godzilla vs. Kong”. Embora a Legendary tenha financiado 75% do filme, a Warner tinha o poder de bloquear a venda e o fez. A Legendary perguntou se o estúdio faria um acordo para transmitir o filme na HBO Max e não obteve uma resposta clara até que seus executivos descobriram que o filme estava indo à plataforma sem o benefício de uma negociação. O que está em jogo são compensações financeiras aos produtores e talentos envolvidos em nada menos que 17 filmes que a Warner pretende lançar simultaneamente em streaming. Segundo o Hollywood Reporter, a empresa já teve que gastar dezenas de milhões para acomodar Gal Godot e outros envolvidos em “Mulher Maravilha 1984”, filme que vai inaugurar o projeto de lançamento híbrido, porque a empresa quer produzir mais uma continuação. Mas não estaria disposta a fazer o mesmo com todas as produções. Ainda de acordo com o THR, os diretores de “Duna” e “O Esquadrão Suicida”, respectivamente Denis Villeneuve e James Gunn, estariam muito insatisfeitos ao perceber que suas franquias podem ficar sem novos filmes. Villeneuve só teria topado fazer “Duna” porque Warner e Legendary aceitaram dividir o livro de Frank Herbert em duas produções. Seu longa é apenas a primeira parte da obra. Mas o mais irritado seria Jon M. Chu, que anteriormente tinha recusado ofertas da Netflix por defender que filmes devem ser vistos no cinema. Ele e o compositor Lin-Manuel Miranda dispensaram ofertas de streaming para colocar o musical “Em um Bairro de Nova York” nos cinemas. Ele teria dito a um associado que ficou “chocado” após ser informado da decisão da Warner. Por enquanto, porém, o único que deu vazão pública a essa insatisfação foi mesmo Christopher Nolan. Ele não está envolvido nesse negócio, já que seu novo longa, “Tenet”, teve um lançamento comercial nos cinemas durante a pandemia, com resultados considerados preocupantes para o mercado. Mesmo assim, ele incorporou a insatisfação dos colegas, ao apontar que “não é assim que você trata os cineastas, estrelas e pessoas que trabalharam muito nesses projetos. Eles mereciam ser consultados sobre o que vai acontecer com seu trabalho.” “Alguns dos maiores cineastas e estrelas de cinema de nossa indústria foram para a cama na noite anterior pensando que estavam trabalhando para o maior estúdio de cinema e acordaram para descobrir que trabalhavam para o pior serviço de streaming”, também disse o cineasta, cuja relação com a Warner vem desde “Insônia”, de 2002.











