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  • Filme

    Em Trânsito transforma Europa numa distopia de extrema direita

    4 de maio de 2019 /

    Alguns dos grandes autores do cinema já trazem em sua primeira obra a semente da grandeza. É o que acontece, por exemplo, com o alemão Christian Petzold, que desde “Pilotinnen” (1995), feito para a televisão, já antecipava temas de suas obras mais consagradas, como a trilogia do amor em tempos de opressão, composta por “Barbara” (2012), “Phoenix” (2014) e o novo “Em Trânsito” (2018). O novo filme, inclusive, retoma a encenação de personagens tristes e largados em cafés como ponto de partida – também presente no segundo filme do diretor, “Cuba Libre” (1996). E busca o mesmo aspecto mais ensolarado, no modo como destaca as principais cenas à luz do dia, para servir de contraste à tramas influenciadas pelo cinema noir, inclusive com o uso de voice-overs, dando um ar de fábula às narrativas. O mais curioso na trama de “Em Trânsito” é que sua sinopse sugere um drama de época. Mais especificamente dos tempos da ocupação alemã na França, durante a 2ª Guerra Mundial. Afinal, a história é baseada no romance homônimo de Anna Seghers, escrito em 1944. Mas Petzold fez um filme contemporâneo, em clima de distopia, passada num presente possível ou futuro muito próximo da França, repleto de detalhes modernos, como carros e tecnologia do século 21. A escolha busca refletir o período de ascensão da extrema direita e do neonazismo em todo o planeta, além da falta de sensibilidade de muitos governos sobre a situação dos refugiados, vistos como ameaças. É fácil estabelecer uma conexão entre o mundo ensolarado em que uns vivem e a realidade sombria dos demais, endurecida por abusos diários. Há uma cena no filme em que alemães buscam uma mulher refugiada num apartamento e a arrastam pelo corredor enquanto várias pessoas apenas testemunham, de certa forma aliviadas por aquilo não estar acontecendo com elas. Ninguém protesta. A violência estatal se tornou a norma. A trama acompanha Georg (Franz Rogowski, ator que lembra fisicamente Joaquin Phoenix), um homem que vive uma vida despida de muito sentido. Quando ele entra em um apartamento e se apossa dos manuscritos e dos documentos de um escritor que cometeu suicídio, consegue a chance de mudar de identidade e finalmente escapar para outro lugar do mundo – o México ou os Estados Unidos. Até que Georg conhece e se apaixona por uma mulher (Paula Beer, de “Frantz”), que embora viva com outro homem, busca encontrar o marido desaparecido – justamente a identidade roubada pelo protagonista. O triângulo amoroso confere à obra um tom mais universal, embora se distancie bastante das histórias de amor mais usuais. Petzold prefere apostar na melancolia dos personagens à deriva no velho novo mundo, pouco admirável, desse início de milênio.

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  • Filme

    Transit: Nova obra-prima do diretor de Fênix e Barbara ganha trailer americano

    13 de janeiro de 2019 /

    A Music Box divulgou o pôster e o trailer americanos de “Transit”, descrito no cartaz como “a nova obra-prima de Christian Petzold”. Trata-se realmente de um dos melhores diretores alemães de sua geração, que em “Transit” dá sequência aos temas de “Fênix” (2014) e “Barbara” (2012) – como identidades trocadas, falência da nação e desejo de fuga. A história é baseada no romance homônimo de Anna Seghers, escrito em 1944 e lançado no Brasil com o título de “Em Trânsito”. A obra original acompanha um alemão em fuga de seu país durante a 2ª Guerra Mundial, que se esconde na França, onde adota a identidade de um escritor morto, apenas para ser descoberto pela mulher do homem por quem se passa, também desesperada em escapar da Europa. Os protagonistas são vividos por Franz Rogowski (de “Victoria”) e Paula Beer (de “Frantz”). O detalhe é que Petzold transportou a trama para os dias atuais, dando à sua adaptação uma aura de sci-fi distópica, já que o fascismo que persegue os protagonistas deixa de ser referências históricas. Com 93% de aprovação no Rotten Tomatoes e elogios rasgados da crítica, o suspense dramático estreia em 1 de março nos Estados Unidos e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.

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  • Filme

    Coprodução brasileira e novo filme de Robert Pattinson entram na competição do Festival de Berlim

    15 de janeiro de 2018 /

    A organização do Festival de Berlim 2018 acrescentou mais dez filmes em sua mostra competitiva nesta segunda-feira (15/1), e um deles é uma coprodução brasileira. Trata-se de “Las Herederas”, do paraguaio Marcelo Martinessi, curtametragista premiado que assina seu primeiro longa. A trama gira em torno de mulheres sexagenárias que recebem uma herança, mas se dão conta de que o dinheiro não pode mais melhorar significativamente suas vidas. Outros destaques da nova lista são o western americano “Damsel”, dos irmãos David e Nathan Zellner (“Kumiko, a Caçadora de Tesouros”), que traz no elenco Robert Pattinson (“Bom Comportamento”) e Mia Wasikowska (“Alice Através do Espelho”), e o alemão “Transit”, novo drama do cineasta Christian Petzold (de “Phoenix” e “Barbara”). O 68º Festival de Berlim começa no dia 15 de fevereiro, com a exibição de “Isle of Dogs”, animação de Wes Anderson, e termina dia 25, com a entrega dos Ursos de Ouro e Prata. O júri da competição deste ano é presidido pelo cineasta alemão Tom Tykwer (do cultuado “Corra, Lola, Corra” e “A Viagem”). Confira abaixo a lista dos dez novos filmes anunciados no evento. E veja aqui os títulos anteriormente anunciados. “3 Days in Quiberon”, de Emily Atef (Alemanha, Áustria e França) “Black 47”, de Lance Daly (Irlanda e Luxemburgo) “Damsel”, de David Zellner e Nathan Zellner (EUA) “Eldorado”, de Markus Imhoof (Suíça e Alemanha) “Las Herederas”, de Marcelo Martinessi (Paraguai, Alemanha, Uruguai, Noruega, Brasil e França) “Pig”, de Mani Haghighi (Irã) “La Prière”, de Cédric Kahn (França) “The Real Estate”, de Måns Månsson e Axel Petersén (Suécia e Reino Unido) “Touch Me Not”, de Adina Pintilie (Romênia, Alemanha, República Checa, Bulgária e França) “Transit”, de Christian Petzold (Alemanha e França)

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