Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio retomarão parceria em filme sobre serial killer do século 19
O diretor Martin Scorsese e o ator Leonardo DiCaprio vão retomar a parceria num novo filme, “The Devil in the White City”. Trata-se de uma adaptação do romance homônimo de Erik Larson sobre o serial killer Dr. H. H. Holmes, que usou uma feira no final do século 19 para fazer inúmeras vítimas. O livro narra a trama a partir do ponto de vista de dois homens: Daniel H. Burnham, consagrado arquiteto e urbanista que teve de superar diversos obstáculos para a construção do espaço onde foi realizada a Feira Mundial de Chicago, e H.H. Holmes, que usava seu charme para atraía vítimas em potencial para seu hotel, nas proximidades da exposição, onde construiu crematórios e câmaras de gás para esconder seus corpos. Será o sexto filme da parceria iniciada em “Gangues de Nova York” (2002), mas ainda não há previsão para o início das filmagens.
Ansel Elgort é motorista de criminosos nas primeiras fotos do novo filme de Edgar Wright
A revista Entertainment Weekly divulgou as primeiras duas fotos de “Baby Driver”, próximo filme do diretor Edgar Wright (“Scott Pilgrim Contra o Mundo”). As imagens destacam os protagonistas Ansel Elgort (“A Culpa é das Estrelas”) e Jamie Foxx (“Annie”), presentes em ambas as fotos, além de Jon Hamm (série “Mad Men”) e a mexicana Eiza González (série “From Dusk Till Dawn”), A trama acompanha um motorista de carros de fuga (Elgort) forçado a trabalhar para um chefão do crime, num golpe que ameaça a sua vida e sua liberdade. O elenco também inclui Lily James (“Cinderela”), Jon Bernthal (série Demolidor”), Kevin Spacey (série “House of Cards”), o músico Flea (da banda Red Hot Chili Peppers) e a cantora Sky Ferreira (“Canibais”). “Baby Driver” é o primeiro longa de Edgar Wright desde 2013, quando filmou a comédia “Heróis de Ressaca”, e também seu primeiro trabalho desde que decidiu se afastar da produção de “Homem-Formiga” devido a conflitos criativos, sendo substituído por Peyton Reed. A estreia está marcada para 27 de julho no Brasil, um mês após o lançamento nos EUA.
Jacqueline Bisset vai estrelar novo thriller erótico de François Ozon
A veterana atriz inglesa Jacqueline Bisset, de 72 anos, vai estrelar o novo thriller erótico do cineasta francês François Ozon (“Dentro da Casa”), que será intitulado “L’Amant Double”, informou o site da revista Variety. Ela se juntou a Marine Vacth, a atriz revelada por Ozon no papel-título de “Jovem e Bela” (2013), e ao belga Jeremie Renier, astro dos filmes dos irmãos Dardenne, como “A Criança” (2005), “O Garoto de Bicicleta” (2011) e o ainda inédito no Brasil “A Garota sem Nome” (2016). “L’Amant Double” começou a ser filmado nesta semana em Paris. O roteiro do próprio Ozon não teve detalhes revelados. Lançada em “Armadilha do Destino” (1966), de Roman Polanski, Bisset participou de diversos clássicos do cinema e foi considerada sex symbol nos anos 1960 e 1970. Ainda em plena atividade, ela estrelou recentemente “Bem-Vindo a Nova York” (2014), com Gerard Depardieu, “Já Estou Com Saudades” (2015), com Drew Barrymore, e terminou de filmar dois longas que estrelarão em 2017: “Nine Eleven”, com Charlie Sheen, e “Backstabbing for Beginners” (2017), com Ben Kingsley.
O Círculo: Thriller tecnológico com Emma Watson e Tom Hanks ganha primeiro trailer
A EuropaCorp divulgou o pôster primeiro trailer de “The Circle”, thriller tecnológico estrelado por Emma Watson (“Noé”), Tom Hanks (“Capitão Phillips”), John Boyega (“Star Wars: O Despertar da Força”) e Karen Gillan (“Guardiões da Galáxia”). Adaptação do best-seller “O Círculo”, de Dave Eggers, a trama gira em torno de uma nova rede social, mais intrusiva que todas já existentes, cujo slogan, expresso por seu criador (Hanks) no trailer resume: “Saber é bom, saber tudo é melhor”. A empresa identificada como O Círculo parece o lugar perfeito para se trabalhar, pois oferece alojamento com dormitório para seus funcionários, um ginásio e festas regulares em um campus, e até insiste para que seus empregados interajam mais de 100 vezes por dia em mídias sociais e compartilhem detalhes pessoais na internet. Mas, como descobre uma nova empregada da companhia (Watson), invadir a privacidade das pessoas pode ser um passo para o domínio do mundo. A direção é de James Ponsoldt (“O Maravilhoso Agora”) e a estreia está marcada para 11 de maio no Brasil, duas semanas após o lançamento nos EUA.
Katherine Heigl quer matar Rosario Dawson em trailer de suspense
A Warner divulgou o trailer de “Unforgettable”, um thriller ao estilo dos suspenses dos anos 1990, em que alguém próximo se torna uma ameaça. No caso, o perigo vem da personagem de Katherine Heigl (“A Verdade Nua e Crua”), uma mãe que sente ciúmes mortal de Rosario Dawson (série “Demolidor”), intérprete da nova mulher de seu ex-marido. Naturalmente, ela vira uma bitch psicótica. A prévia parece telefilme e tem direito até a briga histérica entre Heigl e Dawson. O elenco ainda inclui Geoff Stults (série “The Odd Couple”), Robert Wisdom (série “Ballers”), Simon Kassianides (série “Agents of SHIELD”) e a veterana Cheryl Ladd (uma das “Panteras” originais da TV). O filme marca a estreia na direção de Denise Di Novi, produtora dos filmes de Tim Burton dos anos 1980, e estreia em 21 de abril nos EUA. Já no Brasil, a previsão é apenas para 15 de junho.
The Wall: Veja o trailer do primeiro filme da Amazon, dirigido por Doug Liman
A Amazon divulgou a primeira foto e o primeiro trailer de “The Wall”, thriller de guerra dirigido por Doug Liman (“A Identidade Bourne”, “No Limite do Amanhã). O projeto é o primeiro longa-metragem totalmente produzido pelo serviço de streaming Amazon, seguindo um modelo inaugurado pelo Netflix. Passada durante a Guerra do Iraque, a trama, escrita por Dwain Worrell (“Operator”), acompanha um atirador ferido e seu parceiro que são encurralados durante uma tocaia por outro atirador, um lendário sniper iraquiano. A produção é minimalista, e apesar da premissa bélica, a violência é, em grande parte, tortura psicológica. O elenco se limita a Aaron Taylor-Johnson (“Vingadores: A Era de Ultron”) e ao lutador John Cena (“Irmãs”), além da voz de Laith Nakli (que será visto na vindoura série “24: Legacy”). A história foi submetida para a Amazon quando o estúdio decidiu convidar roteiristas aspirantes a submeterem projetos para inaugurar sua divisão de filmes originais. Acabou virando o primeiro roteiro que a Amazon comprou. Liman se envolveu com o projeto em março desse ano, quando ele planejava começar a filme o spin-off de X-Men, “Gambit”, com Channing Tatum, mas o estúdio 20th Century Fox adiou o inicio das filmagens e ele acabou desistindo do longa, optando por fazer este filme rápido. A estreia está marcada para março nos EUA.
Filme brasileiro de suspense radical Motorrad ganha primeiro teaser
A Filmland divulgou o primeiro teaser de “Motorrad”, suspense radical brasileiro que estreia em 2018. A prévia tinha sido antecipada no fim de semana, durante a Comic-Con Experience (CCXP), e não revela muito sobre a trama. O vídeo se concentra em mostrar cenas de motos disparando entre montanhas, areia sendo levantada e corpos caindo. Aparentemente, há dois grupos de motoqueiros, um que perde os capacetes, ao ser perseguido, e outro que nunca tira os capacetes, armados com facões sujos de sangue. O clima é de filme de terror, estilo “Viagem Maldita” (2006). A sinopse oficial descreve “Motorrad” como “um thriller de alta voltagem”: “Um grupo de motoqueiros entra em território proibido e é seduzido a fazer uma trilha onde a beleza da paisagem vai sendo rapidamente substituída pelo medo e pela morte. Enfrentar o que os está caçando vai ser tão difícil quanto a convivência entre eles, marcada por sedução, violência e transformações”. Ao contrário do que circulava extraoficialmente, o filme não é uma adaptação de quadrinhos, mas uma história original concebida por Danilo Beyruth, um dos maiores nomes dos quadrinhos nacionais, que atualmente desenha para a Marvel – justamente a nova série do “Motoqueiro Fantasma”. A história foi roteirizada por LG Bayão (que escreveu coisas tão distintas quanto “Irmã Dulce” e o besteirol “O Último Virgem”, atualmente em cartaz) e filmada pelo diretor Vicente Amorim (de “Corações Sujos” e também “Irmã Dulce”), que rodou as cenas na Serra da Canastra (MG) ao longo de quase dois meses. O elenco inclui alguns ex-integrantes da novela teen “Malhação”, como Carla Salle, Guilherme Prates e Juliana Lohmann. A data de estreia ainda não foi definida.
Jack Reacher – Sem Retorno é o thriller de ação mais genérico da carreira de Tom Cruise
Tom Cruise construiu uma carreira baseada na contínua alimentação de seu ego. Seus personagens, talvez todos ou quase, nunca passam por situações humilhantes ou coisa parecida, tendo geralmente que parecer belos, fortes, ágeis e também jovens. Em “Jack Reacher – Sem Reterno” (2016), por exemplo, seu personagem tem 40 anos de idade, enquanto o astro já está com 54. Tudo bem que sua aparência é a de uma pessoa de 40 ou até menos, mas se a gente se lembrar de Clint Eastwood, e do quanto ele já fazia piada de sua idade quando tinha apenas 50 anos em “Bronco Billy” (1980), por exemplo, vemos o quanto ambos os astros são diferentes em tratar a própria imagem. Talvez esse narcisismo e essa vontade de estar sempre no poder tenha sido o motivo de ele ter se afastado de diretores do primeiro escalão, com quem ele trabalhou do início de sua carreira até mais ou menos 2007, quando foi coadjuvante de um filme dirigido por Robert Redford (“Leões e Cordeiros”). Trabalhar com diretores do segundo escalão lhe confere mais poder como produtor e menos atrito com cineastas com ideias muito particulares, e que certamente terão que lhe dar ordens. Esse momento atual, se às vezes tem rendido filmes ótimos, como foi o caso de “No Limite do Amanhã” (2014), de Doug Liman, na maioria das vezes resulta em trabalhos esquecíveis, como este segundo filme da franquia “Jack Reacher”, que, aliás, deve acabar aqui mesmo. Trata-se do thriller de ação mais genérico que Cruise já estrelou. Ainda assim, ele tem a sorte de poder contar com duas mulheres que ajudam a valorizar a produção: a primeira é Cobie Smoulders (“Os Vingadores”), parceira de porrada no jogo de gato e rato da trama, e a segunda é uma adolescente, a bem jovem Danika Yarosh (série “Heroes Reborn”), que contribui com a única cena terna do filme. E como é bem-vinda esta cena, hein. A trama de “Jack Reacher – Sem Retorno”, dirigido por Edward Zwick, começa um tanto apressada e confusa, com o protagonista mostrando que sabe das coisas para um grupo de policiais que o cercam. Reacher, agora um ex-militar, retorna à base que ele serviu na Virginia, para levar uma major local (Smoulders) para jantar. Mas aí ele descobre que ela está presa, acusada de ter vazado informações confidenciais do exército. Daí ele resolve investigar por conta própria e também descobre que há uma garota que talvez seja a sua filha na jogada, além dos tradicionais inimigos que contribuirão para alguns bons e outros maus momentos de porradaria do filme. Uma das melhores cenas de ação acontece nos telhados de Nova Orleans, lembrando, inclusive, “Um Corpo que Cai”, do Hitchcock, dando até um ar interessantemente anacrônico ao filme. Na maioria das vezes, porém, Cruise é salvo por Smoulders, que rouba as cenas sempre que está presente na ação. Assim como nos filmes de espionagem de Hitchcock, também há que se dar pouca importância a certos detalhes relativos à trama. Mesmo levando isso em consideração, não deixa de ser pouco convincente a cena em que Reacher desmascara o grande inimigo, vivido por Robert Knepper, que desde a série “Prison Break” sempre faz papel de vilão. Mas é a tal coisa: só o tempo dirá o quanto “Jack Reacher – Sem Retorno” ficará marcado na memória do público: se como um filme de ação irregular, mas com sequências bem legais, ou se como aquele filme estrelado por Cruise que mais parece um thriller feito para a TV, desses que passam no Supercine.
Filme da Operação Lava-Jato começa a ser rodado em Curitiba
As filmagens da produção cinematográfica baseada na Operação Lava-Jato já começaram em Curitiba. Intitulado “Polícia Federal — A Lei É Para Todos”, o longa conta com um elenco de novela da Globo e diretor de besteirol nacional. Segundo reportagem do jornal O Globo, as primeiras cenas foram filmadas na sexta-feira (18/11) no interior da Superintendência da Polícia Federal no Paraná, no bairro Santa Cândida, em Curitiba, e a equipe ficará na capital paranaense até o próximo fim de semana. Locais que fazem parte do cotidiano do juiz Sérgio Moro em Curitiba — como o prédio da Justiça Federal e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde leciona — servirão de cenários para o filme, que também será rodado em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Entre as cenas previstas no cronograma de produção está a interceptação de um caminhão, com viaturas das polícias Federal e Rodoviária Federal na estrada PR-510, tiros e outros elementos que dão o tom do filme: um thriller político com ação e entretenimento, mas que também quer humanizar o trabalho dos profissionais envolvidos na operação. A trama vai apelar para a ficção, com protagonistas fictícios da polícia, mas se aterá às fases e aos principais acontecimentos da Lava-Jato. A soltura do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, vivido pelo ator Roney Facchini, foi uma das primeiras cenas gravadas. Ao encontrar a mulher, interpretada por Sandra Corveloni, ele a indaga sobre quem salvará sua reputação. O elenco ainda conta com nomes como João Baldasserini, Flávia Alessandra, Antonio Calloni, Bruce Gomlevsky, Adélio Lima e Ary Fontoura, que viverá Lula. Apesar de anteriormente confirmada, a participação de Rodrigo Lombardi como Sergio Moro não foi mantida pela produção, devido a sua agenda lotada. O roteiro foi escrito por Gustavo Lipsztein e Thomas Stavros (ambos da série de “1 Contra Todos”), e a direção está a cargo de Marcelo Antunez — de blockbusters como “Qualquer Gato Vira-Lata 2” e “Até que a Sorte nos Separe 3″, entre outros besteiróis. Com um orçamento de R$ 13,5 milhões, bancado por recursos de empresas privadas, de acordo com os produtores, o filme deve chegar aos cinemas no segundo semestre de 2017 e abrir uma trilogia sobre o tema. Nos bastidores, porém, brinca-se que o projeto pode vir a ser ser uma tetralogia, por conta do desenrolar da Lava-Jato. A verdade é que pode chegar ultrapassado às telas, atropelado pelos fatos da Lava-Jato real. Vale lembrar que o cineasta José Padilha (série “Narcos”) também está preparando uma série sobre a Lava-Jato para a plataforma de streaming Netflix. Para os mais curiosos, existe até mesmo um vídeo pornô da Lava-Jato.
Ary Fontoura viverá Lula no filme sobre a Lava-Jato
O veterano ator Ary Fontoura (o eterno Nonô Correa, de “Amor com Amor se Paga”) vai viver o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva no filme sobre a Operação Lava-Jato. Intitulado “Polícia Federal – A Lei É para Todos”, o filme tem orçamento de R$ 14 milhões, levantado junto a investidores privados, segundo sua equipe. Apesar de trazer personagens reais, como Lula e o juiz Sérgio Moro, que será vivido por Rodrigo Lombardi (novela “Velho Chico”), os protagonistas serão fictícios, inspirados em agentes da PF encarregados da operação. Na trama, eles serão vividos por Flavia Alessandra, Antonio Calloni e Bruce Gomlevsky. O longa será dirigido por Marcelo Antunez, especialista em besteiróis, que fez “Qualquer Gato Vira-Lata 2” (2015), “Até que a Sorte nos Separe 3: A Falência Final (2015)” e “Um Suburbano Sortudo” (2016). Segundo o produtor Tomislav Blaziac, o filme será o primeiro de uma trilogia e também deve render uma série de televisão. Vale lembrar que o cineasta José Padilha (série “Narcos”) também está preparando uma série sobre a Lava-Jato para a plataforma de streaming Netflix.
Séries Graves e Berlin Station são renovadas
O novo canal pago Epix anunciou a renovação de suas duas primeiras séries, a comédia política “Graves” e o thriller de espionagem “Berlin Station”. As filmagens terão início no primeiro semestre de 2017, gerando mais 10 episódios para cada uma das atrações. Sátira política criada por Joshua Michael Stern (roteirista do filme “Promessas de um Cara de Pau”), “Graves” gira em torno de Richard Graves (Nick Nolte, de “Caça aos Gângsteres”), um ex-Presidente dos EUA que, 20 anos após o término de seu mandato, começa a perceber que seu governo prejudicou o país e resolve iniciar uma cruzada para reverter todo o mal que causou. Enquanto isso, sua esposa Margaret (Sela Ward, da série “CSI:NY”) toma a decisão de entrar para a política. Criada pelo estreante Olen Steinhauer e o veterano Bradford Winters (série “Boss”), “Berlin Station” acompanha as atividades do agente da CIA Daniel Meyer (Richard Armitage, da trilogia “O Hobbit”) numa missão secreta em Berlim, Alemanha. Com a ajuda de um espião veterano (Rhys Ifans, de “O Espetacular Homem-Aranha”), Daniel tenta identificar quem é Thomas Shaw, responsável por divulgar para o público informações secretas do governo. Durante suas investigações, ele se depara com uma conspiração que liga o caso a Washington. A crítica gostou bem mais da segunda, com 70% de aprovação no site Rotten Tomatoes – contra 56% da comédia. Paralelamente, o Epix prepara sua terceira série, uma adaptação do livro/filme “O Nome do Jogo” (1995).
Paul Verhoeven passa longe do politicamente correto com Elle
Desde o início de sua carreira, o holandês Paul Verhoeven provou que não havia meias palavras quando o assunto era sexo. Produzidos nos anos 1970, “Negócio É Negócio” e “Louca Paixão” foram os primeiros indícios da visão despudorada do realizador sobre o tema, atingindo o seu ápice em 1992 ao eletrizar o mundo com “Instinto Selvagem”. É essa credencial que faz de Verhoeven um nome perfeito para a direção de “Elle”, cuja premissa não facilita nem um pouco o julgamento da plateia diante do que testemunha. Adaptação do romance “Oh…”, de Philippe Djian, “Elle” abre somente com os sons de confronto sexual. Segundos depois, nos deparamos com o corpo estirado e violado de Michèle Leblanc (Isabelle Huppert, de “Amor”) em sua própria casa. Sem esboçar qualquer horror ao que acabou de atingi-la, simplesmente limpa as taças e louças que foram quebradas durante o ataque, descarta a sua roupa na lixeira e se banha reagindo somente ao sangue que se mistura com a espuma da banheira. Em um jantar, confidencia ao ex-marido Richard (Charles Berling, de “Qual É o Nome do Bebê”) e aos amigos Anna (Anne Consigny, de “Tudo Acontece em Nova York”) e Robert (Christian Berkel, de “O Agente da UNCLE”) o estupro com a mesma naturalidade que se fala com um estranho na rua sobre uma mudança climática. Diz que não comunicará o crime à polícia e segue naturalmente a sua rotina profissional como chefe de uma empresa de desenvolvimento de games. A excentricidade da personagem, confirmada em seu silêncio e em outras posturas injustificáveis (como a de destruir o para-choque de Richard antes de encontrá-lo e o de se relacionar com o marido de sua melhor amiga), sugere que Verhoeven, a partir do texto de David Birke (“Os 13 Pecados”), não está interessado em fazer um manifesto sobre a violência contra a mulher, uma abordagem que muitos visualizam mais pelo potencial comercial em tempos de empoderamento e menos por sua força discursiva. Isto porque Michèle é uma pessoa tão ou mais perigosa que o seu agressor. A partir de um background fantástico, a protagonista vai saindo da posição de mera vítima. Fatos passados e presentes modelam uma mulher nem um pouco preocupada em externar os seus julgamentos cruéis, o que a faz ganhar desafetos não somente no trabalho, como em seu núcleo familiar. Também é curioso perceber a sua incapacidade de se desvincular das ações criminosas de seu pai, autor de uma barbaridade que o fez pegar prisão perpétua. Não há dúvidas de que Michèle quer vingança, porém, há algo nesse desejo que pode desencadear nela uma maldade reprimida que quase anula o que ainda resta de nossa empatia por sua condição. Com tudo isso, Verhoeven não se vê no compromisso de fazer um filme politicamente correto. Ao contrário, pois há tanto humor ditando as interações de Michèle com os demais personagens que o resultado chega a desconcertar. Isto não impede o fascínio pelo curso da história, ainda que o terceiro ato amorteça consideravelmente toda a tensão arquitetada por uma obra então desprendida de zonas de conforto.
Sem ser memorável, Snowden consegue entreter, informar e provocar
Apesar de um pouco distante da grande mídia, em comparação com seu destaque nas décadas de 1980-90, Oliver Stone segue ativo e perseguindo ainda mais um tipo de cinema militante de esquerda, numa opção ousada, já que são poucos que manifestam tamanha simpatia por medalhões da esquerda. Os documentários “Comandante” (2003), “Ao Sul da Fronteira” (2009), “Castro in Winter” (2012) e “Mi Amigo Hugo” (2014) são exemplos disso. Mas pouca gente viu esses filmes. Em “Snowden – Herói ou Traidor”, ele tenta voltar a ser relevante, deixando o bajulamento de políticos de lado para voltar a se embrenhar na boa luta contra o sistema. No novo filme, Stone denuncia a capacidade e o poder que o governo americano tem de não só vigiar cidadãos de seu próprio país, mas como também de provocar até mesmo apagões em vários outros países com apenas um clique. Stone encontrou em Edward Snowden, vivido na tela por Joseph Gordon-Levitt (“A Travessia”), um prato cheio para fomentar uma nova controvérsia, e sem poupar o Presidente Barack Obama, que não é apenas cúmplice das armações maquiavélicas do Estado, embora percebamos que isto é parte de algo maior e já instituído. Snowden, ex-empregado da NSA (Agência Nacional de Segurança), e testemunha de segredos de estado chocantes, é mostrado inicialmente em 2013, quando decide contar tudo o que sabe para um grupo de jornalistas. A divulgação cairia como uma bomba, mas o rapaz, então com menos de 30 anos, tinha consciência dos riscos que ele e sua esposa sofreriam. A estrutura narrativa é convencional, através de flashbacks que remontam ao tempo em que Snowden era um simples soldado, que acabou se afastando do exército depois de quebrar as duas pernas em um acidente simples. Neste período, foi recrutado para trabalhar em uma agência de espionagem. E é aí que sua história realmente começa. A narrativa não poupa esforços para elevar o protagonista, de delator/traidor, à categoria de herói. Mas isso não chega a ser um problema. O problema é quando o diretor lança mão de artifícios banais para forçar a situação, como a utilização de uma trilha sonora épica e cafona. A personagem da esposa de Snowden também acaba ficando relegada a segundo plano, embora a atriz Shailene Woodley mostre ser, da turma de garotas que protagonizaram filmes para adolescentes recentemente, a que menos tem problema em fazer cenas de sexo ousadas (quem viu “Pássaro Branco na Nevasca”, de Gregg Araki, sabe do que estou falando). No mais, é um filme que se beneficia bastante de seu elenco de apoio. Um luxo poder contar com Melissa Leo, Zachary Quinto, Tom Wilkinson, Joely Richardson e até Nicolas Cage, em papel bem pequeno. E embora não seja tão memorável quanto gostaria de ser, “Snowden” consegue entreter, informar e provocar. Sem falar que, para o público brasileiro, não deixa de ser interessante ver o nome do país sendo citado em um par de vezes, inclusive sobre o caso da Petrobrás.












