Atores de Os 7 de Chicago são eleitos Elenco do Ano pelo Gotham Awards
Os atores de “Os 7 de Chicago” receberão uma homenagem especial do Gotham Awards. O evento indie, que geralmente abre a temporada de premiação cinematográfica dos EUA, escolheu os intérpretes da produção da Netflix como o Melhor Elenco do ano. O IFP (Independent Filmmaker Project), responsável pela premiação, decidiu incluir o novo troféu no evento para destacar “as performances de um grupo dinâmico e notável e celebrar seu esforço coletivo e contribuições para a narrativa do filme”. “Para o nosso 30º aniversário, estamos orgulhosos de apresentar uma nova homenagem, reconhecendo a excelência em um elenco coletivo”, disse o diretor executivo do IFP, Jeffrey Sharp, em um comunicado à imprensa. “A partir deste ano e nos anos que virão, procuraremos celebrar um filme que demonstra a natureza colaborativa de uma performance em grupo e o efeito que tem na elevação de cada indivíduo e da história geral. Cada membro do elenco de ‘Os 7 de Chicago’ oferece uma performance intrincada e poderosa, e temos o prazer de celebrá-los e sua conquista cumulativa.” O filme da Netflix, escrito e dirigido por Aaron Sorkin, dramatiza os eventos que se seguiram a protestos na convenção democrata de 1968 em Chicago e o julgamento que se seguiu, de sete manifestantes contrários à Guerra do Vietnã, e seu elenco é mesmo impressionante. Inclui Sacha Baron Cohen (“Borat: Fita de Cinema Seguinte”), Eddie Redmayne (“Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”), Jeremy Strong (“Succession”), Alex Sharp (“As Trapaceiras”), John Carroll Lynch (“Fome de Poder”), Danny Flaherty (“The Americans”), Noah Robbins (“Evil”), Yahya Abdul-Mateen II (“Watchmen”), Joseph Gordon-Levitt (“Power”), Frank Langella (“Kidding”), Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”), Michael Keaton (“Homem-Aranha: De Volta para Casa”) e Kelvin Harrison Jr. (“Ondas”), Caitlin Fitzgerald (“Masters of Sex”), Alice Kremelberg (“Orange Is the New Black”), Ben Shenkman (“Billions”) e John Doman (“Gotham”). A 30ª edição do Gotham Awards vai acontecer em 11 de janeiro num formato híbrido, como o Emmy Awards, com os apresentadores num palco e os indicados em participação online. O evento também vai homenagear o ator Chadwick Boseman, a atriz Viola Davis e os diretores Steve McQueen e Ryan Murphy. Entre os indicados, “First Cow”, de Kelly Reichardt, se destaca com quatro indicações, mas até o filme brasileiro “Bacurau” está concorrendo a prêmio, na categoria de Melhor Filme Internacional.
Trailer revela os perigos da 2ª temporada de Jurassic World: Acampamento Jurássico
A Netflix divulgou o pôster e o trailer da 2ª temporada de “Jurassic World: Acampamento Jurássico”, série animada derivada da franquia “Jurassic Park”. A continuação foi confirmada após três semanas da estreia da 1ª temporada, disponibilizada em 18 de setembro. A trama de “Acampamento Jurássico” (Jurassic World: Camp Cretaceous) é basicamente a mesma de “Jurassic World” (2015), com crianças correndo perigo após ataques de animais pré-históricos, à solta no parque temático. De fato, a história acontece simultaneamente aos eventos do primeiro filme da nova trilogia, antes do parque da ilha Nublar, mais conhecida como ilha dos dinossauros, ser desativado, evacuado e destruído durante uma explosão vulcânica – em “Jurassic World: Reino Ameaçado” (2018). Na nova prévia, as crianças da série descobrem que não estão sozinhas, sugerindo o aparecimento da versão animada de alguns dos protagonistas da franquia. A animação foi desenvolvida por Scott Kreamer (“Kung Fu Panda: Lendas do Dragão Guerreiro”) e Lane Lueras (“Star vs. As Forças do Mal”), e conta com produção de Steven Spielberg e Colin Trevorrow, respectivamente diretores de “Jurassic Park” (1993) e “Jurassic World” (2015). A 2ª temporada estreia em 22 de janeiro.
Indiana Jones 5 ganha data de estreia em julho de 2022
A chefe da Lucasfilm, Kathleen Kennedy, aproveitou sua participação no Dia do Investidor da Disney, na noite de quinta (10/12), para oficializar a produção do quinto filme de “Indiana Jones”. Ela anunciou que Harrison Ford continuará interpretando o arqueólogo aventureiro e revelou que as filmagens vão começar no segundo trimestre de 2021 para um lançamento em julho de 2022. Outro detalhe confirmado é que “Indiana Jones 5” será o primeiro filme da franquia sem direção de Steven Spielberg. O fato é que Spielberg tem adiado seguidamente os planos dessa produção, sempre colocando outro filme à sua frente. Depois de muito esperar, a Disney/Lucasfilm decidiu não perder mais tempo e fechou com James Mangold (“Logan”, “Ford vs. Ferrari”) para comandar as filmagens. O projeto está em desenvolvimento desde 2015, quando foi anunciado pelo então CEO da Disney, Bob Iger. Os planos originais previam um lançamento em 2019, mas o roteiro escrito por David Koepp não agradou. A trama seria uma continuação direta de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” (2008), também roteirizado por Koepp. O estúdio encomendou um novo roteiro em junho de 2018. O texto foi escrito por Jonathan Kasdan, filho de Lawrence Kasdan – que foi o roteirista do primeiro filme de Indiana Jones, “Os Caçadores da Arca Perdida” (1981). Pai e filho trabalharam juntos recentemente em “Han Solo: Uma História Star Wars”. Além do fato de trazer de volta Harrison Ford ao papel-título, nenhum detalhe sobre a história do filme foi revelado.
Fernanda Montenegro agradece Glenn Close, mas daria o Oscar de 1999 para Cate Blanchett
A atriz Fernanda Montenegro respondeu aos elogios de Glenn Close (“A Esposa”), que lamentou que a brasileira não tenha vencido o Oscar em 1999 por seu desempenho em “Central do Brasil” (1998). A estrela de 90 anos se mostrou humilde diante da declaração da artista norte-americana, dizendo que, na sua opinião, o prêmio deveria ter ficado com a australiana Cate Blanchett. “É uma avaliação dela. Eu teria dado o prêmio para a [Cate] Blanchett, porque ela fez dois papeis de Elizabeth naquele ano extraordinários. Não foi um filme, foram dois, de uma forma maravilhosa”, opinou em entrevista ao Conversa com Bial, que foi ao ar na Globo na noite de sexta-feira (27/11). “Não é que meu trabalho não seja respeitado. Não é isso, mas eu teria votado na Blanchett”, completou a atriz. Cate Blanchett concorria pelo filme “Elizabeth” (1998) e venceu o Globo de Ouro e o BAFTA (o Oscar britânico) pelo papel. Mas só fez um filme naquele ano. Ela, de fato, voltou ao papel de Elizabeth numa continuação, que entretanto só foi realizada em 2007, “Elizabeth: A Era de Ouro”, pela qual foi novamente indicada ao Oscar. Entre um e outro, a australiana venceu seu primeiro troféu da Academia, como Melhor Atriz Coadjuvante por “O Aviador” (2004). Seu Oscar de Melhor Atriz tardou, mas acabou vindo por “Blue Jasmine” (2013), de Woody Allen. Já em 1999, quem levou o troféu foi Gwyneth Paltrow por seu trabalho em “Shakespeare Apaixonado” (1998). Além de superar Fernanda Montenegro e Cate Blanchett, ela concorreu com Meryl Streep (por “Um Amor Verdadeiro”) e Emily Watson (“Hilary e Jackie”). Trata-se de uma das edições do Oscar mais controvertidas de todos os tempos, em que teria vencido a candidata mais fraca. Mas este nem foi o maior escândalo da premiação. Romance de época bem feito, mas sem importância alguma, “Shakespeare Apaixonado”, dirigido pelo inexpressivo John Madden, acabou levando o Oscar de Melhor Filme, superando, entre outros, a obra-prima de Steven Spielberg, “O Resgate do Soldado Ryan”, que não foi só o definitivamente o melhor filme de 1999, mas um dos melhores da década. A controvérsia voltou à tona nesta semana, quando Glenn Close afirmou, em uma entrevista a um programa da rede norte-americana ABC, que, na sua visão, não fez sentido Fernanda Montenegro não ter conquistado a estatueta há 21 anos. No papel mais lembrado de sua carreira, Fernanda deu vida a Dora, uma professora aposentada que trabalha como escritora de cartas para analfabetos na Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Ela acaba conhecendo uma mulher e seu filho, que fica sozinho após a mãe morrer atropelada por um ônibus. A personagem, então, toma como missão levar o garoto até seu pai. Na premiação de 1999, houve outro absurdo. “Central do Brasil”, dirigido por Walter Salles, perdeu o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira para o italiano “A Vida É Bela”, de Roberto Benigni.
Os 7 de Chicago demonstra que a intolerância do passado ainda é muito atual
Aaron Sorkin adora tribunais. Dentre as obras roteirizadas por ele, são comuns tramas passadas de tribunais (como em “Questão de Honra” e “A Grande Jogada”) ou em meio a discussões jurídicas (“A Rede Social” e a série “The Newsroom”). O motivo é simples: a ambientação serve ao objetivo de Sorkin de destilar seus diálogos ácidos, rítmicos, inteligentes e musicalmente compostos. E nesse sentido, “Os 7 de Chicago”, seu trabalho mais recente, mantém a tradição de narrativas desenvolvidas diante de um juiz, mas com uma diferença essencial. O filme narra a história real do julgamento de sete pessoas acusadas de conspiração pelo governo americano. Abbie Hoffman (Sacha Baron Cohen), Jerry Rubin (Jeremy Strong), David Dellinger (John Carroll Lynch), Tom Hayden (Eddie Redmayne), Rennie Davis (Alex Sharp), John Froines (Danny Flaherty) e Lee Weiner (Noah Robbins) estavam entre as milhares de pessoas envolvidas em protestos contraculturais e contra a Guerra do Vietnã ocorridos em Chicago, durante a Convenção Nacional Democrata em 1968. Os protestos culminaram em um conflito violento com a polícia e, como resultado, os sete foram presos, juntamente com Bobby Seale (Yahya Abdul-Mateen II), ativista político e co-fundador dos Panteras Negras, e usados como bodes expiatórios com o intuito de frear qualquer manifestação do tipo em território americano. Os interesses escusos do governo são expostos ao jovem promotor Richard Schultz (Joseph Gordon-Levitt) que aceita, a contragosto, a tarefa de tentar condená-los. Estabelecendo uma aproximação com a contemporaneidade, Sorkin mostra a década de 1960 – e mais especificamente, o ano de 1968 – como um período de constantes conflitos e pouco entendimento. Era uma época divisiva, na qual gerações distintas eram incapazes de estabelecer qualquer tipo de diálogo. Os principais articuladores do protesto, vindos do movimento estudantil e da cultura hippie, eram vistos como um oposto perigoso à cultura conservadora, aqui representada pela figura do juiz do caso (interpretado por Frank Langella), que distorce a lei para atender aos seus próprios preconceitos. Porém, a divisão também acontecia dentro das lideranças. E o diretor/roteirista é hábil ao estabelecer essas diferenças logo de início. Ao apresentar os personagens, Sorkin nos mostra as visões de mundo e o que cada um deles espera daquele protesto. São visões complementares, porém distintas. E nisso se destacam as atuações de Sacha Baron Cohen e Eddie Redmayne. Os dois atores encaram seus personagens como figuras inteligentes, mas opostas. Enquanto Hoffman usa a percepção negativa que as pessoas têm sobre ele a seu favor, Hayden é muito mais pragmático e politizado. Um deseja uma revolução sóciocultural, e o outro uma revolução política. Mais do que o julgamento si, o principal conflito de “Os 7 de Chicago” se dá no confronto entre esses dois. E para priorizar esse conflito, Sorkin manipula a temporalidade do filme, abusando de flashbacks e de uma narrativa fora de ordem. Amplamente utilizados ao longo da sua carreira, esses recursos são um pouco confusos em alguns momentos, mas funcionam ao apresentarem as informações ao público na mesma ordem que elas são introduzidas no tribunal. Além disso, diretor adota um estilo frenético, criando tensão ao misturar imagens reais dos protestos com aquelas captadas em tom igualmente realista. Mas a grande diferença deste filme em relação às demais obras do autor é o tom dos diálogos. Aqui, é visível como o roteirista diminuiu um pouco o seu ritmo, apostando muito mais na compreensão da sua mensagem do que na sonoridade das suas palavras. Os diálogos são mais lentos, pausados e, nem por isso, menos significativos. Embora seja menos objetivo do que Spike Lee (“Destacamento Blood” e “Infiltrado na Klan”) em sua abordagem, Sorkin tem o mesmo alvo: olhar para a década de 1960 como tentativa de compreender o presente. Em particular, os abusos racistas sofridos pelo único réu negro do caso, Bobby Seale, aproximam claramente os protestos de antes e os mais recentes – contra abusos similares que levaram aos assassinatos de George Floyd, Breonna Taylor e outros, fomentando o movimento “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam). Ao incluir neste quadro o abismo de visões de mundo que cercaram a recente eleição presidencial americana, fica bem demonstrado que o passado apresentado na tela ainda é muito atual.
Sean Connery (1930 – 2020)
O ator Sean Connery, o primeiro e melhor James Bond do cinema, morreu neste sábado (31/10) nas ilhas das Bahamas, enquanto dormia, aos 90 anos, após estar “indisposto há algum tempo”. “Um dia triste para todos que conheciam e amavam meu pai e uma triste perda para todas as pessoas ao redor do mundo que gostaram do maravilhoso talento que ele tinha como ator”, disse seu filho Jason à BBC. Lembrado como o espião mais charmoso e elegante do cinema, e fora das telas como um cavaleiro, nomeado pela Rainha Elizabeth II Sir Sean Connery em 2000, ele não podia ser mais diferente da percepção pública de sua imagem. Em contraste, ele não era nenhum pouco refinado – como os atores britânicos de hoje, que estudaram em faculdades de artes para seguir carreira. Ele quase nem estudou. Para virar ator, foram dois dias de aulas de atuação e canto, que lhe renderam uma vaga no coro de uma montagem itinerante do musical “South Pacific”, no início de sua carreira. A busca pelo teatro surgiu da necessidade de pagar de contas, e era apenas mais uma tentativa numa longa lista de empregos temporários do proletário escocês de sotaque carregado, que cresceu na pobreza e fez muitos trabalhos braçais antes de considerar os palcos. Thomas Sean Connery nasceu em 25 de agosto de 1930, o mais velho de dois filhos de pais operários em Edimburgo (seu pai dirigia um caminhão e trabalhava em uma fábrica de borracha). Ele abandonou a escola pouco antes de completar 14 anos e trabalhou em uma variedade de empregos ocasionais, incluindo como leiteiro, pedreiro e salva-vidas. Convocado para servir na Marinha Real, acabou dispensado depois de três anos por ter desenvolvido úlcera e recebeu uma bolsa do governo para se tornar aprendiz de polidor de caixões. Também trabalhou na impressão de um jornal de Edimburgo antes de tentar fazer carreira no fisiculturismo e levantamento de peso. Em 1950, ele competiu no concurso Mr. Universo, terminando em terceiro. Com quase 2 metros de altura e músculos definidos, ainda modelou nu para uma galeria de arte de Edimburgo. A presença imponente e a maneira rude também lhe renderam dinheiro como figurante em peças, séries e filmes. Até que teve a chance de substituir Jack Palance (“Os Brutos Também Amam”) num teleteatro ao vivo da BBC, em 1957. A aclamação recebida por seu desempenho lhe fez perceber que podia viver apenas como ator. Ele estreou no cinema no mesmo ano, como um capanga com problema de dicção no filme de gângster “No Road Back”, e assim assinou seu primeiro contrato com um estúdio, a 20th Century Fox. Em pouco tempo, progrediu para papéis de coadjuvante, contracenando com Lana Turner em “Vítima de uma Paixão” (1958), mas foi a BBC que o lançou como protagonista, no papel-título de “Macbeth” (1960), como Alexandre, o Grande, em “Adventure Story” (1961) e como o Conde Vronsky em “Anna Karenina” (1961). Após interpretar um soldado em “O Mais Longo dos Dias” (1962), a epopeia de Darryl F. Zanuck sobre o Dia D, da 2ª Guerra Mundial, Connery chamou atenção dos produtores americanos Harry Saltzman e Albert Broccoli, que notaram como ele “caminhava como uma pantera”. Durante a conversa inicial, eles ficaram impressionados com seu magnetismo animal, que emanava de sua presunção e falta de filtros. Antes dele, os produtores procuraram David Niven e Cary Grant, atores bem mais velhos, conhecidos por viverem aristocratas e ricos nas telas, mas ambos recusaram um contrato para cinco filmes, que era a oferta inicial. Ao ouvir que o valor era de US$ 1 milhão, Connery aceitou na hora. E embora fosse muito diferente dos intérpretes que Saltzman e Broccoli inicialmente procuravam, transformou James Bond no personagem que todos imaginam agora, quando fecham os olhos: um homem de forte presença física, enorme apelo sexual e carisma de sobra, mas extremamente brutal quando necessário. Connery definiu cada detalhe de James Bond ao estrelar os primeiros cinco filmes produzidos pela United Artists com a superespião britânico do escritor Ian Fleming. Logo após a estreia do primeiro, “007 Contra o Satânico Dr. No” (1962), feito com o orçamento mais baixo de toda franquia, em locações na Jamaica, Connery passou a receber milhares de cartas de fãs por semana. O segundo, “Moscou Contra 007” (1963), foi a única continuação direta de sua fase como James Bond e ele dizia que também era seu favorito. Mas foi o terceiro, “007 Contra Goldfinger” (1964), que transformou a franquia num fenômeno mundial. Ele ainda fez “007 Contra a Chantagem Atômica” (1965) e ao chegar ao quinto longa, “Com 007 Só Se Vive Duas Vezes” (1967), já tinha se tornado um dos maiores astros de cinema do mundo. Os primeiros filmes de Connery como Bond fizeram tanto sucesso que lançaram moda, inspirando imitadores, paródias e influenciaram para sempre a cultura pop com suas frases icônicas, carros cheio de gadgets, Bond girls e supervilões obcecados em dominar o mundo. Mas quando Saltzman e Broccoli lhe ofereceram mais US$ 1 milhão para renovar seu contrato, Connery disse não. Entre os filmes de 007, ele tinha se diversificado, filmando até um clássico do suspense com Alfred Hitchcock, “Marnie, Confissões de uma Ladra” (1964), e outra produção marcante com Sidney Lumet, “A Colina dos Homens Perdidos” (1965). Portanto, não lhe faltavam ofertas de papéis. Enquanto isso, “007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade” (1969) foi rejeitado pelo público, tornando-se um desastre de bilheteria e o único filme do espião estrelado pelo australiano George Lazenby – apesar de, em contraste, ter um dos melhores roteiros da saga. Os produtores voltaram a procurá-lo e Connery então aceitou o maior salário já oferecido para um ator até então, US$ 1,25 milhão por um filme, mais um acordo com o estúdio United Artists para financiar dois outros filmes para ele. E assim James Bond voltou a ser quem era em “007 – Os Diamantes São Eternos” (1971). Com o dinheiro que ganhou para viver 007 mais uma vez, Connery fundou um fundo educacional com o objetivo de ajudar crianças carentes na Escócia. Paralelamente, ele também criou sua própria produtora e retomou sua parceria com Sidney Lumet, estrelando “O Golpe de John Anderson” (1971), “Até os Deuses Erram” (1973) e a adaptação de Agatha Christie “Assassinato no Expresso Oriente” (1974). Mas quando Saltzman e Broccoli lhe procuraram novamente para fazer “Com 007 Viva e Deixe Morrer” (1973), ele disse estar “farto de toda a história de James Bond” e recusou a impressionante oferta de US$ 5 milhões, fazendo com que a franquia trocasse de mãos, para a consagração da versão suave e debochada de Bond, vivida por Roger Moore. Mesmo assim, Connery retrataria 007 uma última vez, aos 52 anos, no apropriadamente intitulado “007 – Nunca Mais Outra Vez”, pelo qual recebeu uma fortuna não revelada da Warner Bros em 1983. O filme só existiu por causa de uma brecha contratual nos direitos do personagem e não foi considerado parte da franquia oficial. O ator continuou sua carreira de sucesso por mais três décadas, variando radicalmente sua filmografia, por meio de títulos como a bizarra e cultuada sci-fi “Zardoz” (1974), de John Boorman, o épico “O Homem que Queria ser Rei” (1975), de John Huston, que lhe valeu uma amizade para toda a vida com Michael Caine, a emocionante aventura medieval “Robin e Marian” (1976), sobre o fim da vida de Robin Hood, dirigida por Richard Lester, o clássico de guerra “Uma Ponte Longe Demais” (1977), de Richard Attenborough, etc. Ele acompanhou os tempos e virou astro de superproduções do cinema hollywoodiano pós-“Guerra nas Estrelas”, repleto de efeitos visuais, estrelando a catástrofe apocalíptica “Meteoro” (1979), de Ronald Neame, o western espacial “Outland: Comando Titânio” (1981), de Peter Hyams, as fantasias “Os Bandidos do Tempo” (1981), de Terry Gilliam, e “Highlander: O Guerreiro Imortal” (1986), mas principalmente “Indiana Jones e a Última Cruzada” (1989), de Steven Spielberg, como o pai do personagem de Harrison Ford. A década também lhe rendeu consagração em dois blockbusters: a adaptação do best-seller “O Nome da Rosa” (1986), dirigida por Jean-Jacques Annaud, pela qual foi premiado com o BAFTA (o “Oscar britânico”) de Melhor Ator, e o célebre filme “Os Intocáveis” (1987), maior sucesso da carreira do diretor Brian de Palma. O papel do policial honesto Jim Malone, integrante da equipe intocável de Elliot Ness (Kevin Costner), marcou seu desempenho mais elogiado e seu primeiro e único Oscar, como Melhor Ator Coadjuvante de 1988. Seu nome continuou a lotar cinemas durante os anos 1990, em sucessos como “A Caçada ao Outubro Vermelho” (1990), que lançou o personagem Jack Ryan nas telas, a aventura “O Curandeiro da Selva” (1992), em que veio filmar no Brasil, e em thrillers como “A Rocha” (1996), ao lado de Nicolas Cage, e “Armadilha” (1999), ao lado de Catherine Zeta-Jones. Mas aos poucos foi se envolvendo em produções que, apesar de extremamente caras, tinham cada vez menor qualidade. “Os Vingadores” (1998), que adaptou a série homônima da TV britânica, e principalmente “A Liga Extraordinária” (2003), baseado nos quadrinhos de Alan Moore, marcaram seu desencanto pelo cinema, levando-o a decidir-se por uma aposentadoria precoce. Connery recusou fortunas e apelos de vários cineastas, ao longos dos anos, para mudar de ideia. Mas sua decisão era final, feito o título de seu último filme de 007. “Nunca mais outra vez”. Fora das telas, ele se casou duas vezes: com a falecida atriz australiana Diane Cilento (“Tom Jones”, “O Homem de Palha”), com quem teve um filho, e a artista francesa Micheline Roquebrune, que permaneceu a seu lado desde 1975 – e em meio a muitos casos bem documentados de infidelidade do ator. Os produtores atuais dos filmes de 007, Michael G. Wilson e Barbara Broccoli, emitiram um comunicado sobre sua morte. “Estamos arrasados com a notícia do falecimento de Sir Sean Connery. Ele foi e sempre será lembrado como o James Bond original, cuja marca indelével na história do cinema começou quando ele pronuciou aquelas palavras inesquecíveis, ‘O nome é Bond … James Bond’. Ele revolucionou o mundo com seu retrato corajoso e espirituoso do agente secreto sexy e carismático. Ele é, sem dúvida, o grande responsável pelo sucesso da série de filmes, e seremos eternamente gratos a ele.”
Tiny Toons vão ganhar revival após 30 anos
Depois de resgatar os “Animaniacs”, a Warner e a Amblin Television, do produtor Steven Spielberg, estão trazendo de volta Perninha, Lilica e companhia, quase 30 anos depois dos “Tiny Toons” saírem do ar. O revival dos “Tiny Toons” foi anunciado nesta quarta (28/10) para a plataforma de streaming HBO Max e também para a TV paga, pelo Cartoon Network. Exibido originalmente em três temporadas, entre 1990 e 1992, a série acompanhava versões mirins dos personagens clássicos dos “Looney Tunes”. Na nova atração, a turma vai começar uma nova fase em suas vidas, ingressando na Acme Looniversity, uma espécie de faculdade onde os desenhos mais novos “aprendem” a ser profissionais, estudando com suas contrapartes adultas, como Pernalonga e Patolino. Batizado de “Tiny Toons Looniversity”, a nova série teve duas temporadas encomendadas e trará a estreante Erin Gibson (do podcast “Throwing Shade”) como showrunner. Ela também vai produzir a atração com Nate Cash (“Hora de Aventura”), Spielberg e os produtores da Amblin. Não está claro como a distribuição funcionará entre o Cartoon Network e a HBO Max, mas o acordo representa uma nova forma encontrada pela WarnerMedia para integrar seus canais tradicionais com a plataforma, visando aumentar seu conteúdo em streaming, sem negligenciar seus outros negócios. Ainda não há previsão de estreia.
Trailer da volta Animaniacs ironiza reboots e inclui Pinky e Cérebro
A plataforma americana Hulu divulgou o pôster e o trailer oficial da volta de “Animaniacs”. Bastante criativo, o vídeo traz os irmãos Warner ironizando os reboots, “sintoma de falta de originalidade”, e mostra o dinheirão que fez os personagens mudarem de discurso para reviver a série. Inspirada nos célebres cartoons “Looney Tunes” da Warner, “Animaniacs” gira em torno de personagens que tinham sido esquecidos nos arquivos do estúdio: os verdadeiros irmãos Warner – o tagarela Yakko, o guloso e sagaz Wakko e a fofa Dot – , estrelas da era de ouro da animação, que após sua fase de sucesso e fama foram trancados no estúdio, por serem considerados perigosamente malucos, e agora moram na famosa torre d’água da sede da Warner Bros. “Animaniacs” também introduziu os populares ratinhos Pinky e Cérebro, que também voltam com a nova animação e, como demonstra a prévia, continuam querendo dominar o mundo. A cultuada série animada dos anos 1990 vai ganhar capítulos inéditos em 20 novembro, data que marca 22 anos da exibição de seu último episódio. A equipe contará com os dubladores originais e o famoso produtor da animação, ninguém menos que Steven Spielberg (“Jurassic Park”).
Quibi fracassa e encerra serviço seis meses após lançamento
A plataforma Quibi está fechando as portas. Depois de levantar quase US$ 2 bilhões em financiamento e prometer reinventar a maneira como as pessoas consomem entretenimento, a startup de Jeffrey Katzenberg (que criou a DreamWorks Animation) e Meg Whitman começou a informar seus investidores sobre a decisão nesta quarta-feira (21/10), encerrando uma luta de seis meses para atrair assinantes para a programação do serviço. “Embora tenhamos capital suficiente para continuar operando por um período significativo de tempo, tomamos a difícil decisão de encerrar o negócio, devolver dinheiro aos nossos acionistas e dizer adeus aos nossos talentosos colegas com graça”, disse Whitman no comunicado que oficializou o final da plataforma. Criada para ser uma alternativa “de bolso” da Netflix, a Quibi atraiu pesos-pesados de Hollywood, de Steven Spielberg a Jennifer López, com sua proposta de produzir programas de curta duração, para se tornar o primeiro serviço de streaming especializado em conteúdo para ser consumido em celulares. Mas ao chegar ao mercado em abril, encontrou um cenário completamente diferente do que previam seus idealizadores. A pandemia de coronavírus deixou seu público-alvo em casa, consumindo conteúdos de longa duração e valorizado a estratégia de maratonas da Netflix. O oposto da proposta do Quibi. O sucesso do Quibi dependia, basicamente, de mudar os hábitos de consumo influenciados pela popularização da Netflix, com os “binges” – ou maratonas – de várias horas dedicadas a um mesmo programa. Já era uma opção arriscada, por ir contra um padrão bem-sucedido, e se tornou impraticável diante da popularidade crescente do consumo de streaming durante a pandemia. Para piorar, a ideia de “filmes em capítulos”, que define a maioria das séries de ficção da empresa, não foi bem aceita. Interromper uma história a cada dez minutos por pelo menos um dia inteiro não se provou uma medida popular, além de criar um problema narrativo, com uma situação de perigo a cada 10 minutos, no fim de cada episódio. Nisso, o Quibi se provou mais retrô que moderno, por evocar os antigos seriados de aventura dos anos 1930 e 1940 – que batizaram o termo “cliffhanger”. A verdade é que a própria ideia do Quibi passava longe de ser pioneira. O Snapchat já tinha ensaiado a produção de conteúdo premium de curta duração para celular anteriormente, fechando parceria até com a Disney para produção de séries de mini-episódios. A inciativa incluiu cineastas indies, algumas franquias cinematográficas e foi lançada em 2018. Dois anos depois, ninguém nem sequer lembra dos Snap Originals. O fato é que, desde junho, o Wall Street Journal apontava que a empresa não conseguiria atingir nem remotamente sua meta de assinantes para seu primeiro ano de operação. A plataforma projetava 7,4 milhões de assinantes até o final do ano, mas atraiu apenas 2 milhões de curiosos durante o período de três meses de degustação inicial do serviço. Não se sabe quantos abandonaram a assinatura após a conta começar a ser cobrada. Segundo reportagem do jornal nova-iorquino, a empresa vinha avaliando suas opções nas últimas semanas, incluindo uma possível venda. O fato de optar pelo simples fechamento, apesar de ainda ter centenas de milhões não dispendidos em sua conta, indica que Katzenberg e Whitman veem poucas soluções de longo prazo para o negócio.
Netflix decora cidade com fotos de 1968 para promover Os 7 de Chicago
A Netflix fez uma campanha diferenciada para promover seu filme “Os 7 de Chicago” na cidade que dá título à produção. A plataforma resolveu decorar Chicago com fotos dos protestos reais que inspiraram o longa, escrito e dirigido por Aaron Sorkin (“A Rede Social”). “Os 7 de Chicago” é baseado no julgamento de ativistas acusados de conspiração após a realização de protestos que, ao serem reprimidos violentamente pela polícia, viraram um tumulto de grandes proporções em Chicago em 1968. Na campanha da plataforma, fotos da época foram colocados nos locais em que ocorreram os eventos registrados no filme, criando um efeito de “viagem no tempo”, em que o passado e o presente se misturam. Veja abaixo. Os organizadores do protesto – incluindo Abbie Hoffman, Jerry Rubin, Tom Hayden e Bobby Seale – foram acusados de conspiração e incitação ao tumulto e o julgamento que se seguiu foi um dos mais notórios da história dos EUA. Os líderes se tornaram o centro de um debate na sociedade americana sobre os limites do direito de protesto e do uso da força policial para conter manifestações pacíficas. O caso também atraiu a atenção da mídia por refletir a repressão dos movimentos que se opunham à Guerra do Vietnã e assumiam posturas pacifistas. Alguns dos ativistas acabaram condenados, enquanto outros foram inocentados – eventualmente, no entanto, todas as sentenças foram suspensas. Primeiro dos quatro dramas que a Netflix vai tentar emplacar no Oscar 2021, “Os 7 de Chicago” reúne um elenco grandioso: Sacha Baron Cohen (“Alice Através do Espelho”), Eddie Redmayne (“Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald”), Jeremy Strong (“Succession”), Alex Sharp (“As Trapaceiras”), John Carroll Lynch (“Fome de Poder”), Danny Flaherty (“The Americans”), Noah Robbins (“Evil”) e Yahya Abdul-Mateen II (“Watchmen”) como Bobby Seale. Além deles, o elenco destaca Joseph Gordon-Levitt (“Power”), Frank Langella (“Kidding”), Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”), Michael Keaton (“Homem-Aranha: De Volta para Casa”) e Kelvin Harrison Jr. (“Ondas”). O filme estreou na sexta-feira (16/10) em streaming. In 1968, during the Democratic National Convention in Chicago, activist groups gathered to demand the end of the Vietnam War. With so many opposing viewpoints assembled, violence was inevitable. pic.twitter.com/B2Btk0tfwq — NetflixFilm (@NetflixFilm) October 17, 2020 On August 26th, activists rallied throughout Chicago. As each side pushed back, activist leader Tom Hayden was arrested. As a response, protesters took this hill in Grant Park and climbed the Logan Monument. pic.twitter.com/OKvnp6BlGD — NetflixFilm (@NetflixFilm) October 17, 2020 On Balbo Drive, tension building for days finally ruptured and Chicago authorities arrested 650 anti-Vietnam war activists and sent 100 to local hospitals. pic.twitter.com/2appx2JLba — NetflixFilm (@NetflixFilm) October 17, 2020 “More Than 7” is an outdoor exhibition by The #TrialOfTheChicago7 taking place in Grant Park, Chicago. Join us as we witness this moment in history when thousands of activists demanded the end of the Vietnam War. pic.twitter.com/ACDs9Qp6jX — The Trial of the Chicago 7 (@trialofchicago7) October 16, 2020
Animaniacs encontra Jurassic Park no novo vídeo da série animada
A plataforma Hulu divulgou um novo vídeo dedicado à volta da série “Animaniacs”. Bastante criativo, o vídeo faz uma recriação animada de “Jurassic Park”, com os irmãos – e a irmã – Warner no lugar dos dinossauros. Além deles – e dos personagens do filme, Grant (Sam Neill), Ellie (Laura Dern) e Malcolm (Jeff Goldblum) – , quem também aparece é Steven Spielberg, mentor das duas criações. Ele substitui na cena o Dr. Hammond (Richard Attenborough), criador do Jurassic Park. A cultuada série animada dos anos 1990 vai ganhar capítulos inéditos em 20 novembro, data que marca 22 anos da exibição de seu último episódio, e voltará a contar com os dubladores originais. Spielberg também retorna à produção, representando a produtora Amblin. Inspirada nos célebres cartoons “Looney Tunes” da Warner, “Animaniacs” gira em torno de personagens que tinham sido esquecidos nos arquivos do estúdio: os verdadeiros irmãos Warner – o tagarela Yakko, o guloso e sagaz Wakko e a fofa Dot – , estrelas da era de ouro da animação, que após sua fase de sucesso e fama foram trancados no estúdio, por serem considerados perigosamente malucos, e agora moram na famosa torre d’água da sede da Warner Bros. A nova série dos “Animaniacs” também resgatará outros dois personagens favoritos da animação original, Pinky e o Cérebro. Confira abaixo o vídeo animado e uma comparação, take a take, com a cena que o inspirou, filmada por Spielberg em 1993.
Série animada de Jurassic World é renovada para 2ª temporada. Veja o teaser
A Netflix divulgou um novo vídeo da série animada derivada da franquia “Jurassic Park” para anunciar sua renovação e o lançamento dos próximos episódios em 2021. A continuação foi confirmada após três semanas da estreia da 1ª temporada, disponibilizada em 18 de setembro. A trama de “Acampamento Jurássico” (Jurassic World: Camp Cretaceous) é basicamente a mesma de “Jurassic World” (2015), com crianças correndo perigo após ataques de animais pré-históricos, à solta no parque temático. De fato, a história acontece simultaneamente aos eventos do primeiro filme da nova trilogia, antes do parque da ilha Nublar, mais conhecida como ilha dos dinossauros, ser desativado, evacuado e destruído durante uma explosão vulcânica – em “Jurassic World: Reino Ameaçado” (2018). A animação foi desenvolvida por Scott Kreamer (“Kung Fu Panda: Lendas do Dragão Guerreiro”) e Lane Lueras (“Star vs. As Forças do Mal”) e conta com produção de Steven Spielberg e Colin Trevorrow, respectivamente diretores de “Jurassic Park” (1993) e “Jurassic World” (2015).
Hillary Clinton e Steven Spielberg farão série sobre luta pelo voto feminino
A política americana Hillary Clinton se juntou ao cineasta Steven Spielberg para contar a história do movimento pelo voto feminino em “The Woman’s Hour”, série inspirada no livro de mesmo nome de Elaine Weiss, que será exibida pela rede americana The CW. A atração vai cobrir o movimento sufragista, nome dado às ativistas que foram à luta pelo direito ao voto feminino, e será comandada pela roteirista Angelina Burnett, que escreveu e produziu episódios de “The Americans”, “Halt and Catch Fire” e “Hannibal”. Ainda sem data de estreia, “The Woman’s Hour” terá formato de antologia, permitindo que outras lutas por avanços sociais sejam abordadas nas próximas temporadas. Para dar noção da dificuldade das mulheres para conquistar o simples direito a votar nos EUA, o pontapé inicial do movimento sufragista aconteceu na Convenção de Seneca Falls, a primeira dedicada aos direitos das mulheres no país, em 1848, mas a conquista só aconteceu em 1920, depois de 72 anos de lutas. Enquanto Weiss estava escrevendo o livro sobre essa história, ela teria ficado impressionada com os paralelos entre o movimento sufragista feminino e a disputa presidencial de 2016 entre Clinton e Donald Trump. Então, transformou em prioridade colocar seu livro nas mãos de Clinton. Eventualmente, Weiss conseguiu que o dono de uma livraria entregasse “The Woman’s Hour” nas mãos da candidata do Partido Democrata. Clinton adorou o livro, procurou conhecer Weiss e foi atrás de seu apoiador Spielberg. Desta troca surgiu o projeto da Amblin TV, a empresa televisiva de Spielberg. Na época, a Amblin planejava adaptar o romance como um telefilme ou uma série limitada. Mas o livro oferece uma infinidade de material de fontes adicionais para temporadas subsequentes, pois a história segue os ativistas que lideraram a luta de décadas para conceder às mulheres o direito de voto e lançaram as bases para o movimento pelos direitos civis, que surgiu décadas depois. “The Woman’s Hour” reforça a ligação de Clinton com produções de TV. A ex-senadora também está produzindo “Hillary”, uma série documental em quatro partes para a Hulu, que traça um perfil de sua vida e carreira. Além disso, a Hulu também está desenvolvendo “Rodham”, adaptação do romance best-seller de Curtis Sittenfeld, que explora uma realidade alternativa em que a ex-primeira-dama nunca se casou com Bill Clinton, virando a primeira mulher a presidir os EUA.












