Criador de Supernatural desenvolve série de viagem no tempo
A rede NBC encomendou o piloto de uma nova série sci-fi, “Time”, desenvolvida pela dupla Shawn Ryan (criador das séries “The Shield” e “Last Resort”) e Eric Kripke (criador de “Supernatural” e “Revolution”), informou o site The Hollywood Reporter. A trama vai seguir um trio improvável de viajantes do tempo em perseguição a um criminoso que planeja alterar a história com resultados potencialmente catastróficos. Se a trama parece conhecida é porque ela lembra a série canadense “Continuum”, recentemente finalizada. Ryan e Kripke vão assinar o roteiro do piloto e, caso a série seja aprovada, dividirão a produção com a dupla John Davis e John Fox, produtores de “The Black List”.
A Série Divergente: Convergente tem estreia antecipada no Brasil
O filme “A Série Divergente: Convergente” teve sua data de estreia antecipada no Brasil. Anteriormente previsto para 17 de março, o filme será lançado uma semana antes, em 10 de março. Com isso, o Brasil receberá o longa oito dias antes dos EUA, onde a estreia está marcada para 18 de março. “Convergente” representa uma grande mudança de rumos para a trama da franquia distópica, colocando todos os personagens que sobreviveram até aqui do mesmo lado. Além da estrela Shailene Woodley, a continuação traz de volta Theo James, Zoë Kravitz, Miles Teller, Ansel Elgort, Maggie Q, Keiynan Lonsdale e Naomi Watts, e ainda adiciona Jeff Daniels (série “The Newsroom”), Jonny Weston (“Projeto Almanaque”), Nadia Hilker (“Spring”) e Bill Skarsgård (série “Hemlock Grove”) ao elenco. A direção está a cargo de Robert Schwentke, que já assinou “A Série Divergente: Insurgente” e voltará para o capítulo final, “A Série Divergente: Ascendente”, prevista para 2017.
Paramount tira sequência de O Exterminador do Futuro: Gênesis do calendário de lançamentos
Confirmando rumores, a Paramount Pictures tirou a continuação de “O Exterminador do Futuro: Gênesis” de seu calendário de lançamentos futuros. A data reservada para o filme foi preenchida por “Baywatch”, versão de cinema da série “SOS Malibu”. O fracasso comercial inviabilizou a produção de mais filmes da franquia sci-fi. Nos EUA, o desempenho foi considerado pífio, com faturamento de US$ 89 milhões. Graças ao sucesso na China, o filme chegou a US$ 350 milhões em todo o mundo. Mas isso não foi o suficiente para justificar os gastos – US$ 155 milhões apenas em produção. Para completar, a critica odiou o filme, que teve apenas 26% de aprovação na média apurada pelo site Rotten Tomatoes. Por isso, o cancelamento pode ser considerado, na verdade, um presente para os fãs dos filmes que iniciaram a história. Os direitos dos personagens serão revertidos para seu criador, o cineasta James Cameron, em 2019 – 20 anos após sua venda original – , possibilitando ao “Exterminador” um futuro potencialmente melhor. Entretanto, a produtora Dana Goldberg ameaça lançar um novo filme antes de Cameron assumir a produção. Ela afirmou ao site da revista Variety que a sequência está apenas se “readaptando”.
Adiamento de Star Wars: Episódio VIII causa efeito dominó nas estreias de 2017
O adiamento de sete meses na estreia de “Star Wars: Episódio VIII”, anunciado na quarta-feira (20/1) pela Disney, causou um efeito dominó no calendário dos lançamentos de Hollywood. Com a saída de “O Despertar da Força” do verão americano de 2017 – seria lançado em 26 de maio de 2017, mas agora só chegará em 15 de dezembro – , vários filmes mudaram de data, buscando se beneficiar da menor concorrência. A primeira mudança foi anunciada pela própria Disney, que deslocou “Piratas do Caribe: Os Mortos Não Contam Histórias” para a data desocupada por “Star Wars”. O quinto filme da franquia estrelada por Johnny Depp, que iria chegar aos cinemas em julho, agora estreará em 26 de maio de 2017. Com isso, o novo “Homem-Aranha”, originalmente programado para 28 de julho, agarrou a data disponibilizada pelos “Piratas”, antecipando seu lançamento em duas semanas, para 7 de julho. O filme marcará a estreia da parceria entre a Sony e a Marvel, trazendo Tom Holland no papel principal. No lugar do “Homem-Aranha”, em 28 de julho, a Sony acomodou a nova versão de “Jumanji”, tirando a produção de perto de “Star Wars: Episódio VIII”. A data anterior do remake da aventura estrelada por Robbin Williams era 25 de dezembro. Com isso, a produção precisará acelerar seu ritmo e contará com menos tempo para realizar seus efeitos visuais. Por fim, “Baywatch”, o filme baseado na série “SOS Malibu”, produzido pela Paramount, foi encaixado em 19 de maio, uma semana antes de “Piratas do Caribe” – data anteriormente reservada para a continuação de “O Exterminador do Futuro: Gênesis”, que saiu do calendário. Uma última mudança ainda está sendo esperada. A nova data escolhida por “Star Wars: Episódio VIII” é a mesma reservada para “Ready Player One”, a volta de Steven Spielberg à sci-fi. Ainda não houve manifestação da DreamWorks e da Warner Bros., mas enfrentar “Star Wars” não deve agradar nenhum dos envolvidos.
Star Wars: Episódio VIII tem estreia adiada em sete meses
A Disney anunciou o adiamento na estreia de “Star Wars: Episódio VIII”. Anteriormente previsto para maio de 2017, o filme só chegará aos cinemas sete meses depois, em 15 de dezembro de 2017. Assim, a continuação fará sua estreia dois anos após o lançamento de “Star Wars: O Despertar da Força”, que estreou em 17 de dezembro de 2015, batendo recordes de arrecadação em todo o mundo – US$ 1,87 bilhão e contando – para se tornar a 3ª maior bilheteria da história, atrás apenas de “Titanic” e do campeão “Avatar”. O “Episódio VIII” está atualmente em pré-produção. As filmagens vão começar em fevereiro, continuando a história da catadora de lixo Rey (Daisy Ridley), do stormtrooper desertor Finn (John Boyega) e do piloto da resistência Poe Dameron (Oscar Isaac). Rian Johnson (“Looper: Assassinos do Futuro”) assina a direção e o roteiro, enquanto J.J. Abrams, que dirigiu “O Despertar da Força”, volta apenas como produtor executivo. Na data originalmente prevista para a continuação da saga espacial, o estúdio agora vai lançar “Piratas do Caribe: Os Mortos Não Contam Histórias”, que iria chegar aos cinemas em julho. Com o adiantamento, o quinto “Piratas do Caribe” estreará em 26 de maio de 2017. No filme, Johnny Depp volta ao papel do capitão Jack Sparrow, ao lado de Geoffrey Rush e Orlando Bloom como Barbossa e Will Turner, respectivamente. Javier Bardem estreia na franquia como o novo vilão, capitão Salazar. A direção é da dupla Joachim Rønning e Espen Sandberg (“Expedição Kon Tiki”).
Valérian: Cara Delevingne divulga vídeo dos bastidores da nova sci-fi de Luc Besson
A atriz Cara Delevingne (“Cidades de Papel”) publicou em seu Instagram um vídeo dos bastidores da produção de “Valérian and the City of a Thousand Planets”. As filmagens começaram oficialmente na terça (5/1), marcando o retorno do cineasta francês Luc Besson à ficção científica, duas décadas após “O Quinto Elemento” (1997). O vídeo mostra Besson atrás das câmeras e dando instrumentos ao elenco e sua numerosa equipe técnica da produção, entre eles o jazzista Herbie Hancock e o veterano ator Rutger Hauer (“Blade Runner”). Adaptação dos cultuados quadrinhos franceses do herói espacial Valérian, criado por Pierre Christin e Jean-Claude Mézières em 1967, o filme vai acompanhar os exploradores espaciais Valérian (Dane DeHaan, de “O Espetacular Homem-Aranha 2”) e Laureline (Cara Delevingne) em missão no planeta Sirte, para descobrir se seus habitantes representam um risco para a Terra. O elenco também inclui Clive Owen (série “The Knick”), Ethan Hawke (“Boyhood”) e a cantora Rihanna (“Battleship”). Além de dirigir, Besson assina o roteiro do filme, que será o mais caro já produzido por sua empresa, a EuropaCorp, responsável pela franquia “Busca Implacável”. A estreia está prevista para 21 de julho de 2017 na França e nos EUA. Um vídeo publicado por Cara Delevingne (@caradelevingne) em Jan 16, 2016 às 6:18 PST
The 100: Comercial australiano revela diversas cenas inéditas da 3ª temporada
A 3ª temporada de “The 100” ganhou um comercial australiano repleto de cenas inéditas. Centrado na protagonista Clarke (Eliza Taylor), o vídeo a mostra pintada como uma terra-firme, mas também afirmando que jamais se submeterá à liderança de Lexa (Alycia Debnam-Carey, que deve sair da série devido a seu envolvimento em “Fear the Walking Dead”). A prévia também apresenta, pela primeira vez, o personagem Roan, de Zach McGowan (série “Black Sails”), que ameaça Clarke e aparece numa luta tribal contra Lexa. A série sci-fi juvenil retorna no dia 21 de janeiro na rede americana CW. No Brasil, a série é exibida pelo canal pago MTV.
Rumor promove volta de Darth Vader no próximo Star Wars
Um boato disseminado pelo site MakingStarWars diz que Darth Vader deve aparecer em “Rogue One: A Star Wars Story”, o próximo “Star Wars” a estrear nos cinemas – e primeiro filme derivado da trama central da saga. De acordo com o site, a Disney teria montado um “dream team”, liderado por Brian Muir, o criador do capacete de Vader, para recriar o uniforme do vilão, introduzido no primeiro “Guerra nas Estrelas”, de 1977. Além disso, James Earl Jones, dublador original do vilão, retornaria para marcar o tom grave e imponente da voz de Vader. Não há pistas, porém, de quem seria o ator que vestiria o uniforme negro, ou como ele aparecerá no filme. De todo modo, não é a primeira vez que o nome de Darth Vader é ligado a rumores sobre a produção de “Rogue One”. Em julho do ano passado, já se falava de uma provável participação, ainda que indireta. A trama se presta a sua presença, já que mostrará um ataque dos rebeldes à instalação que fabrica a terrível Estrela da Morte, nave destruída por Luke Skywalker no longa de 1977. Recentemente, um boato também alertou para a possibilidade da participação de Han Solo em “Rogue One”. A estreia do spin-off está marcada para o próximo dia 15 de dezembro.
Orphan Black: Novo teaser traz citações de Alice no País das Maravilhas
O canal BBC America divulgou um novo teaser da 4ª temporada de “Orphan Black”, que traz as diversas clones interpretadas por Tatiana Maslany citando trechos de “Alice no País das Maravilhas”. Além disso, o vídeo mostra uma nova personagem misteriosa, que aparece com a identidade escondida sob uma máscara de ovelha. A sinopse divulgada revela que, nos próximos episódios, Sarah (Maslany) vai sair do seu esconderijo para rastrear um elusivo e misterioso aliado, ligado à clone que começou toda a trama – Beth Childs (também vivida por Maslany). Sarah vai seguir os passos de Beth em uma relação perigosa com um novo inimigo em potencial, caminhando para uma nova e assustadora direção. Enquanto suas irmãs são levadas para diferentes direções, Sarah se distancia dos relacionamentos que a mudaram para melhor. Os novos episódios só começam a ser exibidos em abril nos EUA. No Brasil, a série pode ser assistida no canal A&E ou no Netflix, onde as primeiras duas temporadas estão disponíveis.
Diretor que finalizará nova trilogia Star Wars diz que Rey será importante para toda a saga
O diretor Colin Trevorrow (“Jurassic World”), responsável por “Star Wars: Episódio IX”, terceiro e último filme da nova trilogia aberta por “Star Wars: O Despertar da Força” disse, em entrevista ao programa Entertainment Tonight que a personagem Rey (vivida por Daisy Ridley) será importante não só para os três filmes, mas para todo o universo da saga, e faz sentido que os fãs fiquem intrigados a respeito de quem são seus pais. “Rey é uma personagem importante nesse universo, não somente no contexto de ‘O Despertar da Força’, mas na galáxia inteira. Ela merece isso. Teremos certeza que a resposta [quem são seus pais] seja algo que você sinta que aconteceu há muito tempo atrás, e estamos apenas contando o que aconteceu”. O diretor também ressaltou que pretende honrar as histórias anteriores da série. “O interessante é que não estou criando uma série de personagens. Tenho vários que as pessoas realmente amam e vamos ter certeza de honrar todos eles. Ninguém será deixado para trás. [O Episódio IX] é algo que precisa honrar uma história contada durante 40 anos… Eu não quero ignorar nada disso, e realmente respeito tudo. Acho que é algo que os fãs vão abraçar”. O final da história, “Star Wars: Episódio IX”, só vai chegar aos cinemas em 24 de maio de 2019.
The 100: Novo comercial mostra Clark caçada como criminosa de guerra
A rede americana CW divulgou um novo comercial da 3ª temporada de “The 100”, que revela como os personagens estão lidando com o massacre do Monte Weather. O principal desenvolvimento diz respeito à protagonista Clarke (Eliza Taylor), que reaparece ruiva e, segundo Indra (Adina Porter), caçada por todos, como uma criminosa de guerra. A série sci-fi juvenil retorna no dia 21 de janeiro na televisão norte-americana. No Brasil, a série é exibida pelo canal pago MTV.
Versão jovem de Han Solo pode estrear em Rogue One, próximo filme de Star Wars
Os fãs de “Star Wars” podem conhecer a versão juvenil de Han Solo antes do esperado. Ao publicar uma lista de candidatos ao papel no futuro spin-off dedicado ao personagem, previsto apenas para 2018, a revista Variety revelou que a razão para a escolha acontecer com tanta antecedência seria a participação do herói no filme que estreia já neste ano, “Rogue One – A Star Wars Story”. De acordo com a Variety, o jovem Han Solo deverá ser introduzido na trama, numa pequena aparição, o que faz com que o estúdio precise definir o ator antes de iniciar a produção de seu filme, com o perdão do trocadilho, solo. Aproximadamente 12 atores estariam na lista final de candidatos, dentre eles Miles Teller (“Quarteto Fantástico”), Ansel Elgort (“Divergente”), Dave Franco (“Vizinhos”), Jack Reynor (“Transformers – Era da Extinção”), Scott Eastwood (“Uma Longa Jornada”), Logan Lerman (“Corações de Ferro”), Emory Cohen (“Brooklyn”) e Blake Jenner (série “Glee”). “Rogue One – A Star Wars Story” será a primeira produção de uma série de spin-offs programados com o objetivo de explorar histórias independentes da franquia, sem ligação direta com os filmes principais, chamados de Episódios. Por sinal, a época em que se passa a trama, entre os eventos mostrados entre “Star Wars: A Vingança dos Sith” (2005) e “Guerra nas Estrelas” (1977), coincide com o período que será abordado no próximo spin-off, dedicado a Han Solo. A estreia do primeiro spin-off está marcada para o dia 15 de dezembro deste ano, enquanto o próximo terá lançamento apenas em 25 de maio de 2018.
David Bowie (1947 – 2016)
Morreu o cantor David Bowie, um dos artistas mais importantes do século 20, que além de um inestimável legado musical também se destacou no cinema, ao estrelar filmes cultuados como a sci-fi “O Homem que Caiu na Terra” (1976) e o terror “Fome de Viver” (1983). Ele faleceu no domingo (10/8) após uma batalha de 18 meses contra um câncer, informou sua assessoria de imprensa. Nascido David Robert Jones em Londres em 8 de janeiro de 1947, Bowie adotou o nome artístico com o qual ficou famoso em 1966, para não ser confundido com Davy Jones, cantor da banda The Monkees. Ele tocou saxofone, trabalhou com mímica e passou por várias bandas até iniciar sua carreira solo. Seu primeiro hit, lançado em 1969, foi a música “Space Oddity”, uma ode ao astronauta perdido no espaço Major Tom, que consagraria sua ligação com a sci-fi. Este elo seria ainda mais fortalecido com o lançamento, em 1972, do álbum “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”, em que Bowie concebeu sua persona de rock star alienígena. Foi esta relação que levou o cineasta Nicolas Roeg a convidá-lo a estrelar seu primeiro longa-metragem. Mas Bowie já vinha atuando desde o início da carreira musical, fazendo teatro e mímica, tendo iniciado no cinema com um curta de terror de 1967, “The Image”. Em “O Homem que Caiu na Terra” (1976), Bowie deu vida a um alienígena disfarçado de cientista visionário, que vem à Terra em busca de água para salvar seu planeta natal. Com imagens marcantes, o filme ganhou status de cult e influenciou os próximos passos estéticos da carreira do cantor. Além de se dedicar a uma sonoridade mais “futurista”, que viria a influenciar a new wave, Bowie usou fotos do filme nas capas de dois de seus discos mais célebres, “Station to Station” (1976) e “Low” (1977). Ele teve outro papel marcante em “Apenas um Gigolô” (1978), como um gigolô de mulheres ricas na Berlim dos anos 1920. Na época da produção, Bowie vivia justamente em Berlim, absorvendo influências do kraut rock para seus discos mais inovadores. E apesar da música-tema ter sido gravada por Marlene Dietrich (em seu último longa-metragem), a trilha de “Apenas um Gigolô” registrou a primeira música composta por Bowie para o cinema, “Revolutionary Song”. Sua ligação com Berlim voltou a ser explorada em outro filme cult, “Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída” (1981), no qual interpretou a si mesmo, cantando seus sucessos durante um show visto pela jovem protagonista (Natja Brunckhorst). A ênfase em suas músicas dividiu espaço na trama com cenas sórdidas, de consumo de drogas e sexo em banheiros imundos da cidade que, na época, era considerada a capital mais punk do mundo. Bowie voltou a Londres, mas manteve sua ligação com a cultura alemã ao interpretar um texto do grande dramaturgo bávaro Bertolt Brecht no telefilme “Baal” (1982), produção da BBC em que viveu o papel-título. Fã de Brecht, o cantor já havia gravado “Alabama Song” em 1980 e, após “Baal”, lançou um disco com cinco músicas da peça. A paixão pelo teatro também o levou a estrelar uma montagem de “O Homem Elefante” na Broadway. E essa performance acabou convencendo o grande mestre Nagisa Ôshima (“O Império dos Sentidos”) a lhe dar o papel principal, como um prisioneiro de guerra, em “Furyo, Em Nome da Honra” (1983). “Furyo” chegou a causar polêmica por mostrar a tensão homossexual exercida por Bowie sobre seu captor, um oficial japonês vivido por outro músico, Ryuichi Sakamoto – premiado, inclusive, pela trilha sonora do filme. E para evitar censura do estúdio em sua primeira incursão ocidental, Oshima assumiu riscos, recusando-se a fazer cópias para enviar a película original pelo correio, para ser editada no Japão, longe dos executivos da Recorded Picture Company, enquanto conduzia as filmagens. No mesmo ano, Bowie ainda incorporou um vampiro em outro trabalho cult: “Fome de Viver” (1983), primeiro filme do diretor inglês Tony Scott (“Top Gun”). O terror abria com um show underground da banda Bauhaus (que já havia gravado um cover de “Ziggy Stardust”) e, com sua estética próxima dos videoclipes, ajudou a popularizar o som e o visual da juventude gótica. O próprio Bowie tinha antecipado esta tendência com a faixa-título do disco “Scary Monsters”, em 1980, e consolidou sua influência sobre aquela era com a composição da música-tema do terror “A Marca da Pantera” (o hit “Putting Out the Fire”), também lançado em 1983. Com a experiência adquirida no cinema, ele começou a dirigir seus primeiros clipes no começo dos anos 1980, como o célebre “Ashes to Ashes” e “Loving the Alien”. Mas um clipe mais elaborado, para a música “Blue Jean”, o levou a trabalhar com o diretor Julien Temple (do filme dos Sex Pistols, “The Great Rock ‘n’ Roll Swindle”). Os dois ficaram amigos e Bowie topou estrelar o próximo longa do cineasta, o musical “Absolute Beginners” (1986). Adaptação do romance de Colin MacInnes, Absolute Beginners era uma homenagem à juventude londrina do final dos anos 1950, basicamente pré-mod, e trazia Bowie, como um guru motivacional, cantando duas músicas, inclusive a faixa-título. Ambicioso, o filme acabou decepcionou nas bilheterias, mas ganhou sobrevida como artefato dos anos 1980, graças às participações de artistas como Patsy Kensit, Sade, Jerry Dammers e o grupo Style Council. A impressionante lista de cults de sua filmografia ainda inclui outro projeto repleto de celebridades, a comédia “Um Romance Muito Perigoso” (1985), do diretor John Landis (que fez “Um Lobisomem Americano em Londres” e o famoso clipe de “Thriller”, de Michael Jackson). No filme, Bowie vivia um assassino profissional no encalço da ladra de jóias interpretada por Michelle Pfeiffer (“Batman 2”), mas o elenco era praticamente submerso pela quantidade de figurantes notáveis, a maioria deles cineastas, como Roger Vadim, David Cronenberg, Jonatham Demme, Lawrence Kasdan, Don Siegel, Jack Arnold, Paul Mazursky, Jim Henson, etc. O cantor acabou trabalhando com um desses diretores logo em seguida, ao viver o rei duende de “Labirinto – A Magia do Tempo” (1986), clássico infantil de Jim Henson. Último longa do criador dos “Muppets”, o filme trazia Bowie sob a maquiagem de uma criatura mágica, que, ao atender a um desejo da jovem Jennifer Connelly (vencedora do Oscar por “Uma Mente Brilhante”), então com 16 anos de idade, gera consequências terríveis. Infelizmente, nem a atração de novos bonecos fantoches impediu seu fracasso nas bilheterias. Henson ficou tão abatido que nunca mais filmou novamente, mas a passagem do tempo também fez deste mais um cult na filmografia de Bowie. De fato, o artista tinha uma forte intuição a respeito de que papeis deveria interpretar, causando frisson pelo simples fato de aparecer em cena em determinado contexto. Isto o levou a viver desde um tubarão na comédia “O Pirata da Barba Amarela” (1983) até Pôncio Pilatos em “A Última Tentação de Cristo” (1988), o retrato polêmico da crucificação de Jesus dirigido por Martin Scorsese. Também o colocou com um distintivo do FBI no filme derivado da série “Twin Peaks”, “Os Últimos Dias de Laura Palmer” (1992), e até sob a peruca de Andy Warhol na cinebiografia “Basquiat – Traços de Uma Vida” (1996). Nem todos os seus filmes, porém, resistiram para a posteridade. Embora simpático, “Romance por Interesse” (1991) não causou a menor repercussão. E a curiosidade tinha limites, como demonstraram suas participações em alguns filmes B do final de sua carreira: o spaghetti western “Duelo de Forasteiros” (1998), única chance de ver Bowie como cowboy, o policial “Everybody Loves Sunshine” (1999), no qual contracenou com o DJ Goldie, a fantasia “Mr. Rice’s Secret” (2000) e o thriller “Reação Colateral” (2008), grandes desperdícios de seu talento. Ele também serviu de anfitrião para a série de terror “The Hunger”(1997–2000), produção de Tony Scott, que evocava o título original de “Fome de Viver”. E encerrou sua filmografia com dois grandes personagens finais. Além de interpretar o inventor Nikola Tesla na fantasia “O Grande Truque” (2006), de Christopher Nolan, ele se dedicou a seu último e grande papel, como o cantor David Bowie. Bowie viveu Bowie na comédia “Zoolander” (2001), nas séries “Full Stretch” (em episódio de 1993), “Nathan Barley” (em 2005) e “Extras” (em 2006), e no musical adolescente “High School Band”, seu último filme, lançado em 2009, dedicando, desde então, suas interpretações finais aos clipes de seus últimos álbuns, “The Next Day” (2013) e o recém-lançado “Blackstar” (2016). Em seu último vídeo, “Lazarus”, lançado três dias antes de sua morte, ele aparecia numa cama de hospital, saindo de cena num armário escuro, similar a um caixão, vestindo a roupa da contracapa do disco “Station to Station”. O produtor Tony Visconti, responsável por “Blackstar” e parceiro de Bowie desde os anos 1960, disse que o cantor fez de seu último disco uma cerimônia de despedida. Segundo ele, o disco foi concebido para ser uma espécie de adeus aos fãs. “Sua morte não foi diferente da sua vida: uma obra de arte. Ele fez ‘Blackstar’ para nós, foi um presente de despedida. Eu sabia, há um ano, que seria assim. No entanto, não estava preparado”. Distante da mídia nos últimos anos, Bowie já vinha se despedindo dos amigos há tempos. Segundo sua biógrafa Wendy Leigh, ele sofreu seis ataques cardíacos nos últimos anos. “Ele estava muito perto do limite, mas eu acredito que David dirigiu sua vida e sua morte”, disse a escritora em entrevista à BBC. “Acredito que Iman (mulher do músico), por mais trágico que seja para ela, que Duncan (filho do músico), por mais trágico que seja, estavam preparados dia a dia, mês a mês, ano a ano para o dia de sua passagem”. A modelo Iman era a mulher de Bowie desde 1992. Duncan é o filho do primeiro casamento do cantor, com Angela Bowie (que soube da morte de Bowie de forma horrível, pela produção do reality show “Celebrity Big Brother”, onde está confinada). O jovem herdeiro do sobrenome Jones é diretor de cinema e se especializou no gênero que projetou o pai, a ficção científica, tendo dirigido os elogiados filmes “Lunar” (2009) e “Contra o Tempo” (2011). Os fãs, porém, não sabiam a luta que o cantor travava, especialmente diante da qualidade artística de “Blackstar”. “Talentoso. Único. Genial. Inovador. O homem que caiu na Terra. Seu espírito viverá eternamente”, resumiu Madonna, em meio a a onda de comoção mundial, que inundou as redes sociais.











