Todd Haynes prepara documentário sobre a banda Velvet Underground
O próximo filme de Todd Haynes marcará uma progressão na carreira do cineasta, da ficção para a realidade. Duas décadas após lançar “Velvet Goldmine” (1998), filme sobre artistas fictícios do rock glam, gênero influenciado por Lou Reed, entre outros, ele vai filmar um documentário sobre a pioneira banda Velvet Underground, liderada por Lou Reed nos anos 1960. Ainda sem título, o projeto será o primeiro documentário do diretor, e marcará os 50 anos de lançamento do álbum de estreia do Velvet Underground – “The Velvet Underground and Nico”, com capa exclusiva do artista plástico Andy Warhol. O anúncio foi feito durante a participação de Haynes no Festival de Locarno, onde está sendo homenageado pelas realizações de sua carreira. Em entrevista para a revista Variety, o diretor revelou as dificuldades previstas em sua empreitada, descrendo o documentário como “desafiador”, diante da escassez de registros visuais sobre o grupo. Ele confirmou que irá usar os filmes experimentais de Andy Warhol, que registrou performances da banda, além de outros momentos de seus integrantes, e se disse ansioso pela “emoção da pesquisa e montagem visual”. Haynes também pretende incluir entrevistas dos membros sobreviventes da banda e de seus contemporâneos dos anos 1960. Ele também revelou que, paralelamente a este projeto, está preparando uma minissérie para a Amazon sobre “uma figura intensamente importante e de imensa influência histórica e cultural”, sem dar maiores detalhes.
Garbage lança clipe com estética gótica, repressão, sangue e o apocalipse
A banda Garbage assumiu a estética sombria do rock gótico – e a influência poética de Patti Smith – no clipe de sua nova música “No Horses”, que traz Shirley Manson vestida de noviça diabólica para lavar os pés dos demais integrantes da banda com água ensanguentada. Entre as frases da música, que prometem a chegada do apocalipse, ainda intercalam-se cenas de protestos, em que passeatas por direitos humanos são duramente reprimidas por tropas de choque da polícia. O sangue que escorre, porém, vai ajudar aos que precisam. Todos os lucros obtidos com os downloads da faixa serão doados à Cruz Vermelha Internacional. A inspiração, segundo o guitarrista Butch Vig, foram os Estados Unidos de Donald Trump. O clipe foi dirigido por Scott Stuckey, que já tinha feito o vídeo da música “Magnetized” para a banda, no ano passado, e está em processo de finalizar três documentários sobre o roqueiro paraplégico Vic Chestnutt (1964-2009).
Alexandra Daddario estrela clipe da banda White Reaper
A novo clipe da banda americana White Reaper traz a atriz Alexandra Daddario (“Baywatch”) de guitarra em punho e pose de roqueira, imitando o cantor Tony Esposito diante de um microfone enfeitado por uma bandeira americana. Embora as guitarras namorem o Van Halen dos anos 1980, a melodia é power pop e a letra se resume à descrever a paixão por uma garota de jeans rasgado, a “Judy French” do título, cujo nome nunca é evocado na canção. A música faz parte do segundo álbum da banda, “The World’s Best American Band”. E é este título que justifica o patriotismo do microfone. A direção do vídeo é de Brandon Dermer, que já gravou clipes de Panic! At The Disco, Major Lazer e Wavves, e assina a direção dos episódios da nova série de comédia “What Would Diplo Do?”, em que James Van Der Beek interpreta uma versão maluca do DJ e produtor Diplo (Major Lazer).
Luke Evans e Jemima Kirke estrelam novos clipes de Mick Jagger
Mick Jagger lançou dois clipes de surpresa para músicas inéditas com participações de atores famosos. “England Lost” e “Gotta Get A Grip” são descritas pelo cantor como respostas urgentes para a “confusão e frustração com os tempos em que vivemos”. Ele teria começado a compor as músicas em abril e decidiu lançá-las antes de ter mais material para um disco. As músicas, de fato, parecem mais esboços que canções acabadas, com paradas súbitas e melodias interrompidas. Mas têm uma pegada dançante e uma energia que não parecem vir de um senhor septuagenário. “England Lost” é especialmente contagiante. O clipe desta canção traz o ator Luke Evans (“A Bela e a Fera”) fugindo de tudo e todos ao seu redor, ao perceber que vive em meio a conspiradores. O figurino e o clima paranoico, filmado em preto e branco, que registra o pânico crescente de Evans e a noção de que se encontra cercado e sem saída, remete à “Vampiro de Almas” (1956). A letra poderia ser bobinha, sobre quando Mick Jagger foi ver uma partida de futebol sob a chuva e ficou encharcado só para ver a seleção da Inglaterra perder. Mas ele leva adiante a metáfora boleira, criando paralelos com o Brexit para falar sobre como a Inglaterra se perdeu. Já o clipe de “Gotta Get A Grip” traz Jemima Kirke (série “Girls”) farreando além da conta, numa noitada que descamba para a violência, quando os corpos suados querem avançar pela área VIP ou usar o banheiro ocupado. Na letra, Jagger descreve um mundo de cabeça para baixo, em que ninguém fala a verdade e os corruptos estão no poder. Ambos os vídeos foram dirigidos por Saam Farahmand, que o jornal The Guardian já chamou de “um dos mais talentosos diretores de clipes de sua geração”. Os trabalhos que renderam esse elogio incluem vídeos para as bandas The xx, Klaxons, Soulwax e The Last Shadow Puppets.
Sam Shepard (1943 – 2017)
O ator, roteirista e dramaturgo Sam Shepard morreu na última quinta-feira (26/7), aos 73 anos, em sua casa no estado americano de Kentucky. Ele foi vítima de complicações da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), e estava cercado pela família no momento da morte, segundo anunciou um porta-voz na segunda-feira (31/7). Vencedor do Pulitzer por seu trabalho teatral – pela peça “Buried Child” (1979) – e indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Os Eleitos” (1983), Samuel Shepard Rogers III nasceu em 1943, no estado de Illinois, filho de pai militar. Antes de ficar conhecido em Hollywood, ele tocou bateria na banda The Holy Modal Rounders (que está na trilha de “Sem Destino/Easy Rider”), e decidiu escrever peças num momento em que buscava trabalhos como ator em Nova York. Em 1971, escreveu a peça “Cowboy Mouth” com a então namorada Patti Smith, que marcou sua traumática estreia nos palcos. Já no início das apresentações, Shepard ficou tão perturbado por se apresentar diante do público que abandonou o palco e, sem dar nenhuma explicação, foi embora da cidade. Ele decidiu se concentrar em escrever. Acabou assinando até roteiros de cinema, como o clássico hippie “Zabriskie Point” (1970), de Michelangelo Antonioni, e a adaptação da controvertida peça “Oh! Calcutta!” (1972). Também escreveu, em parceria com Bob Dylan, “Renaldo and Clara” (1978), único longa de ficção dirigido por Dylan. O filme marcou a estreia de Shepard diante das câmeras, numa pequena figuração. Sentindo menos pânico para atuar em estúdio, enveredou de vez pela carreira de ator, trabalhando a seguir no clássico “Cinzas do Paraíso” (1978), de Terrence Malick, como o fazendeiro que emprega Richard Gere e Brooke Adams. Fez outros filmes até cruzar com Jessica Lange em “Frances” (1982). A cinebiografia trágica da atriz Frances Farmer iniciou uma longa história de amor nos bastidores entre os dois atores, que só foi encerrada em 2009. Na época, ele já era casado e o divórcio só aconteceu depois do affair. Shepard finalmente se destacou em “Os Eleitos”, o grandioso drama de Philip Kaufman sobre os primeiros astronautas americanos, no qual viveu Chuck Yeager, que quebrou a barreira do som e sucessivos recordes como o piloto mais veloz do mundo. Sua história corria em paralelo à conquista do espaço, mas chegava a ofuscar a trama central, a ponto de lhe render indicação ao Oscar – perdeu a disputa para Jack Nicholson, por “Laços de Ternura” (1983). Fez seu segundo filme com Lange, “Minha Terra, Minha Vida” (1984), enquanto escrevia o fabuloso roteiro de “Paris, Texas” (1985), dirigido por Wim Wenders, que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Paralelamente, ainda alinhavou a adaptação de sua peça “Louco de Amor” (1986). Dirigido por Robert Altman, “Louco de Amor” foi o filme que consagrou Shepard como protagonista, na pele do personagem-título, apaixonado por Kim Basinger a ponto de largar tudo para encontrá-la num motel de beira de estrada e convencê-la a dar mais uma chance ao amor. O ator e roteirista resolveu também virar diretor, e foi para trás das câmeras em “A Casa de Kate é um Caso” (1988), comandando sua mulher, Jessica Lange, num enredo sobre uma família que passou anos separada até finalmente decidir acertar as contas. O filme não teve a menor repercussão e Shepard só dirigiu mais um longa, o western “O Espírito do Silêncio” (1993), que nem sequer conseguiu lançamento comercial. Por outro lado, entre estes trabalhos ele se tornou um ator requisitado para produções de temática feminina, como “Crimes do Coração” (1986) e “Flores de Aço” (1989), que giravam em torno de vários mulheres e seus problemas, e de histórias de amor, como “O Viajante” (1991), “Unidos pelo Destino” (1994) e “Amores e Desencontros” (1997). Como contraponto a essa sensibilidade, também fez thrillers de ação em que precisou mostrar-se frio e calculista, como “Sem Defesa” (1991), de Martin Campbell, “Coração de Trovão” (1992), de Michael Apted, e “O Dossiê Pelicano” (1993), de Alan J. Pakula. Ele conseguiu o equilíbrio e se manteve requisitado, aparecendo em alguns dos filmes mais famosos do começo do século, como o thriller de guerra “Falcão Negro em Perigo” (2001), de Ridley Scott, e “Diário de uma Paixão” (2004), de Nick Cassavetes. Em 2005, estrelou seu último filme com Lange, “Estrela Solitária”, dirigido por Wim Wenders, como um astro de filmes de cowboy que abandona uma filmagem e tenta se reconectar com a família, apenas para descobrir que tem um filho que não conhece. Dois anos depois, fez um de seus melhores trabalhos como ator, “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford” (2007), de Andrew Dominik, no papel de Frank James, o irmão mais velho de Jesse, interpretado por Brad Pitt. Ele voltou a trabalhar com o diretor e com Pitt em “O Homem da Máfia” (2012). Entre seus últimos trabalhos ainda se destacam o suspense político “Jogo de Poder” (2010), de Doug Liman, o thriller de ação “Protegendo o Inimigo” (2012), de Daniel Espinosa, e os dramas criminais “Amor Bandido” (2012), de Jeff Nichols, “Tudo por Justiça” (2013), de Scott Cooper, e “Julho Sangrento” (2014), de Jim Mickle. Em alta demanda, Shepard permaneceu requisitado e desempenhando bons papéis até o fim da vida. Só no ano passado estrelou três filmes (“Ithaca”, “Destino Especial” e “Batalha Incerta”). Mas depois de tanto viver namorado e amante, no fim da carreira especializou-se em encarnar o pai de família. Eles fez vários filmes recentes nesta função, como “Entre Irmãos” (2009), de Jim Sheridan, como o pai de Jake Gyllenhaal e Tobey Maguire, e “Álbum de Família” (2013), de John Wells, cuja morte volta a reunir a família disfuncional, formada por Julia Roberts, Meryl Streep e muitos astros famosos. A sua última e marcante aparição foi na série “Bloodline”, da Netflix, como o patriarca da família Rayburn, sobre a qual girava a trama de suspense. A atração completou sua trama na 3ª temporada, lançada em maio deste ano. Sam Shepard deixa três filhos — Jesse, Hannah e Walker.
Weezer vira Guns ‘N Roses em seu novo clipe, em homenagem aos 30 anos de Paradise City
A banda Weezer lançou o clipe de “Feels Like Summer”, em que aparece imitando o Guns ‘N Roses na época de “Paradise City”. No vídeo, o cantor Rivers Cuomo encarna Axl Rose de peruca e bandana, enquanto o guitarrista Brian Bell ostenta o chapelão de Slash. Já o baixista Scott Shriner adota apenas os óculos escuros de Duff McKagan, mas não a cabeleira, deixando para o baterista Pat Wilson o papel do… baterista do Weezer, Pat Wilson. A estética da produção usa imagens granuladas em preto e branco para documentar cenas de shows e bastidores, no mesmo estilo de “Paradise City” em 1987. Mas enquanto a música do Guns era uma celebração do estilo de vida roqueiro, a coisa mais louca que o Weezer faz nos bastidores é pular numa piscina infantil inflável. A música faz parte do 11º álbum do grupo, que ainda não tem título e deverá ser lançado só no final do ano. Aproveite e reveja abaixo o vídeo clássico dos anos 1980, que está completando 30 anos.
Em Ritmo de Fuga junta musical e tiroteios num dos filmes mais originais do ano
“Em Ritmo de Fuga” é um filme de assalto tarantinesco concebido como um musical de jukebox por um diretor inglês conhecido por besteiróis deliciosos como “Todo Mundo Quase Morto” (2004), “Chumbo Grosso” (2007) e “Scott Pilgrim Contra o Mundo” (2010). Edgar Wright é cultuado em muitos círculos, mas nunca foi levado a sério como deveria. Após “Em Ritmo de Fuga”, convém prestar mais atenção. Taí um cineasta com um febril e delirante senso de aventura, que nunca resvala no tom cerimonioso. Ao contrário, é ferina a sua inclinação para espinafrar a tradição. Wright sabe que o cinema de Hollywood – reflexo de uma sociedade imatura – acredita em super-heróis, vilões e forças ocultas. Assim, propõe em seus filmes zombar de todo esse sortimento sem medo de medir seus excessos. Para ele, faz sentido que entre todo esse novo mundo de linguagem cifradas, os adolescentes estejam num patamar superior. É uma figura do gênero que ele elege para empreender sua nova aventura. Ansel Elgort, o August de “A Culpa das Estrelas” (2014), faz Wheelman Baby, um motorista de fuga dos sonhos para qualquer assaltante de bancos. O tipo de garoto de poucas palavras, imerso na trilha pulsante de seu fone de ouvido e que dirige como o diabo, safando os ladrões da polícia com seu jeito audacioso e intuito de pilotar máquinas envenenadas. A viagem de Baby sempre é dupla, um delas ocorre na direção de um carro, a outra, introspectiva, acontece dentro da sua bolha musical. Enquanto espera que a quadrilha saia do banco, ele escuta a eletrizante “Bellbottoms” de Jon Spencer Blues Explosion, estalando os dedos, transformando o console do carro numa bateria e repicando o ritmo ao som dos limpadores do pára-brisa. Ao ver isso, um assaltante o chama de retardado, o outro quer matá-lo. Baby é menosprezado e tratado como um insignificante. Acontece que tudo o que os adultos fazem de forma atrapalhada, o garoto refaz com a leveza de um malabarista. Menos atirar. Ah, essa índole destrutiva não faz parte do caráter de Baby. Ele não pertence a essa geração. As escopetas vomitam fogo e ele se enfurna no seu mundinho. A violência alucinada ganha a tela e ele se comporta quase como um autista. Há cenas em que o ra-tá-tá-tás das metralhadoras são usadas como pontuação melódica, proporcionando uma seção de ritmo homicida. Isso até o momento em que Baby começa a levar pancadas, tiros de raspão. O menino não quer ser acordado. No particular, Baby é um dos personagens adolescentes mais comoventes a desfilar nas telas esse ano. Se em princípio parece meio bobo, um homem-criança atrofiado, no decorrer, descobrimos tratar-se de um menino forçado a crescer muito cedo. Um garoto que ficou meio surdo após um acidente de carro que matou seus pais, e que agora está a mercê de Doc (Kevin Spacey, da série “House of Cards”), um líder criminoso, especialista em colocá-lo nas missões mais perigosas. Baby acredita que o próximo assalto será o último. Depois estará fora. Mas quem disse que Doc deixará ele partir? A generosidade de Wright com os atores muitas vezes é subvalorizada. Aqui ele compõe com Elgort, seu protagonista excêntrico. Embora em princípio, a auto-terapia musical de Baby pareça apenas uma muleta estilística para Wright, no prolongamento ele busca uma compreensão no uso da trilha que se traduz num ideal e nas próprias motivações de Baby. A música acrescenta sombras a um personagem que se inclina para um vazio severo. Quando Baby se interessa por uma garçonete chamada Debora (Lily James, a “Cinderela”), seu flerte desajeitado se reafirma de novo pela música, e o diálogo passa a ser tanto sobre a história da canção, como também sobre a história de cada um dos dois. Lily James acaba não fugindo muito da mocinha meiga, mas o resto do elenco integra-se perfeitamente ao enredo. Kevin Spacey condensa em seu líder criminoso tanto a frieza de um assassino, como uma certa ternura: algumas vezes ele trata Baby como filho. E só mesmo Spacey é capaz de combinar essas duas contradições, tornando o personagem convincente. Outro que surpreende é Jamie Foxx (“Annie”). Ele compõe o criminoso mais psicótico da quadrilha. Batts, seu personagem, é um observador inteligente, com uma habilidade para deduzir pensamentos precisa – e acredita que é exatamente esse dom que o mantém vivo. Jon Hamm (da série “Mad Men”) constrói a persona de seu ladrão com uma ilexão avessa a de Foxx. Ele parece afável, controlado, mas basta alguém espetar os olhos gordos sobre sua esposa, Darling (Eiza González, da série “From Dusk Till Dawn”), e o homem se transforma. Num piscar de olhos, ele passa do sujeito equilibrado a uma raiva inquietante e mais assustadora do que a violência de Batts. Há um quinto ator em cena precioso, CJ Jones (“What Are You… Deaf?”). O ator, que é surdo de verdade, interpreta Joseph, o pai adotivo de Baby. A interação de seus personagens, usando a língua de sinais dos surdos-mudos, é cheia de alegria e ternura, e suas advertências contra a profissão de Baby são suavizadas pelos olhares de simpatia e amor incondicional para o menino. Por trás da diversão inconsequente, “Em Ritmo de Fuga” pode ser visto também como sátira à briga pelo poder que existe na atual Hollywood. O garoto nerd, imerso no mundinho do fone de ouvido, e que todo mundo menospreza, está assumindo a chefia dos estúdios. E Wright, muito cáustico, brinca com a ideia da sucessão, ao mostrar que a esperteza de Baby pode levá-lo a dominar as circunstâncias. Num certo momento, no entanto, Wright zomba de Baby, mostrando que ele não deve ficar muito cheio de si. Um garoto ainda mais novo que ele aparece para suplantar sua esperteza. A criança intervém em apenas duas cenas, mas sua presença é suficiente para desarmar o herói nerd, ilustrando como o talento está se tornando algo cada vez mais precoce. Ou seria um infantilismo? “Em Ritmo de Fuga” orbita em torno dessas duas ideias. Botemos alguns defeitos. Na meia hora final, Wright empolga-se tanto com seu tour de force cinemático, que quase desaba no maneirismo estéril. As cenas e sacações de Wright extrapolam a duração do filme, que podia acabar uns 15 minutos antes. O excesso de entusiasmo põe em risco o resultado final. Mas para um diretor tão preocupado com a necessidade de crescer sem perder de vista suas obsessões artísticas, até no exagero Wright continua a aprimorar suas habilidades. Não é definitivamente um diretor fascinado apenas pela pirotecnia. Com “Em Ritmo de Fuga” ele comprova, sim, ser o cineasta de ação mais original de sua geração.
De Canção em Canção exalta obsessão de Terrence Malick pela beleza mundana
O azar de Terrence Malick foi a crítica ter adorado “A Árvore da Vida” (2011), em que ele usou talvez pela primeira vez o uso da câmera-chicote, que trabalha a aproximação e a rejeição ao mesmo tempo. É um tipo de efeito muito interessante, mas imagina só ver uma obra inteira feita dessa maneira, e com cortes rápidos, que impedem que quase nunca possamos ver imagens estáticas, a não ser quando a câmera está dentro de um barco, por exemplo – como na cena com Cate Blanchett (“Carol”) em seu novo trabalho, “De Canção em Canção”. O que se pode perceber também na nova obra é o quanto Malick passou de cineasta existencialista e religioso para um homem interessado nas coisas, digamos, mais mundanas. Ele aborda o amor, algo transcendental em qualquer forma que seja apresentado, mas o diretor está muito interessado em filmar rostos bonitos. Se em “A Árvore da Vida” e também em “Amor Pleno” (2012), Jessica Chastain e Olga Kurylenko pareciam figuras angelicais, esse sentimento é deixado de lado no novo filme. Ou ao menos, é diminuído consideravelmente, já que a personagem de Rooney Mara (“Lion”) parece estar vivendo uma crise de consciência tremenda, ao ficar com dois homens ao mesmo tempo, traindo o namorado vivido por Ryan Gosling (“La La Land”) pela personificação do cafajeste conquistador vivido por Michael Fassbender (“X-Men: Apocalipse”). Os dois atores, é bom dizer, funcionam muito bem dentro desses papéis. Não é uma má escolha no casting. Mas o excesso de voice over e de tentativa de dar profundidade às suas angústias acaba por tirar-lhes a voz. Por causa disso é que uma cena que deveria ser impactante, envolvendo Natalie Portman (“Jackie”), acaba não tendo força. Seria por culpa da edição, que tirou muito de sua personagem no enredo? Quem sabe. Mas o fato é que assistir a “De Canção em Canção” é quase um desafio. Não é todo mundo que entra na sala de cinema e fica até o final. Muitos espectadores vão embora, coisa que aconteceu com “A Árvore da Vida” também. Assim, é preciso entrar na sala esperando ver um filme de Terrence Malick. O Malick dos anos 2010, mais disposto a contar uma história de maneira fragmentada e estilizada, com uma câmera que não para de rodopiar, quase como num cacoete. O filme também gera frustração na questão da música, que é o pano de fundo da trama e está em evidência no título. Algumas das canções são muito boas, mas quando elas começam a tocar e o filme fica parecendo um belo trailer (como são belos os trailers dos filmes do Malick, hein?), são interrompidas, causando mais irritação. Tudo em prol de manter flutuantes os vai-e-vens da câmera do mexicano Emmanuel Lubeski (tricampeão do Oscar). Aliás, uma das melhores coisas do filme e o que mais segura o espectador é a beleza das imagens que Lubeski capta. Mais até que o interesse pelos roqueiros famosos filmados (Patti Smith, Iggy Pop, Red Hot Chilli Peppers, John Lydon, Florence Welch, Lykke Li, Tegan & Sara, etc). E entre as belas imagens está o elenco. Cate Blanchett aparece pouco, mas poucas vezes foi fotografada de forma tão deslumbrante como em “De Canção em Canção”. É até perdoável que Malick tenha se deixado inebriar pela beleza de suas atrizes, entre elas a francesa Bérénice Marlohe (“007 – Operação Skyfall”). Fazer cinema é muitas vezes registrar a beleza dos corpos jovens da melhor maneira possível, a fim de eternizá-los. Em alguns momentos, Malick quase se deixa levar pelo lado mais sensual, com personagens, principalmente as femininas, tocando ou tendo tocado o seu sexo com volúpia. E, nisso, vale destacar também uma cena de amor entre duas mulheres, o que só aumenta o sentimento de fascínio do diretor pela beleza sensual, ainda que seja uma beleza sempre branca, emoldura por filtros e por uma arquitetura luxuosa e envolta pelas coisas que o dinheiro pode comprar.
Documentário do show de despedida do Black Sabbath ganha primeiro teaser
A banda Black Sabbath divulgou o pôster e um teaser do documentário “The End of the End” em seu canal oficial no YouTube. O filme registra o último show do grupo inglês, realizado na cidade em que surgiu, Birmingham. O filme tem direção de Dick Carruthers, que anteriormente fez “Celabration Day”, sobre o show de reencontro do Led Zeppelin em 2007 (com Jason Bonham no lugar de seu pai falecido). “Black Sabbath: The End of the End” será exibido simultaneamente em diversos cinemas ao redor do mundo no dia 28 de setembro. No Brasil, a distribuição ficou a cargo da rede UCI, com salas em 12 cidades do país. Confira aqui os locais e horários.
Queen confirma filme sobre a banda com astro de Mr. Robot e diretor de X-Men
O filme sobre a banda Queen foi confirmado no site oficial dos músicos. “Sim pessoal, está acontecendo finalmente”, abre o texto que confirma os rumores sobre a produção. Intitulado “Bohemian Rhapsody”, como o hit mais popular do grupo, o filme será dirigido por Bryan Singer (“X-Men”) e estrelado por Rami Malek (astro da série “Mr. Robot”) como Freddie Mercury, mas o resto do elenco “é notícia para outro dia”, segundo o comunicado. “Rami tem grande presença e ele está totalmente dedicado ao projeto. Ele está vivendo e respirando Freddie, o que é maravilhoso”, disseram os músicos remanescentes da banda, o guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor. O projeto, que já se arrasta desde 2010, também já chegou a cotar o comediante britânico Sacha Baron Cohen (“Borat” e “O Ditador”) para o papel principal. Ele acabou desistindo de viver o cantor após se desentender com os músicos remanescentes do Queen, que também desaprovaram o roteiro original de Peter Morgan (“A Rainha”). O roteiro atual foi escrito por Anthony McCarten (“A Teoria de Tudo”) e parece ter contornado a principal objeção de May e Taylor: o pudor dos velhos roqueiros em abordar certos aspectos da vida de Mercury, que morreu em decorrência da Aids em 1991. Os dois, por sinal, chegaram a definir Ben Whishaw (“007 Contra Spectre”) como Mercury, Johnny Flynn (“Depois de Maio”) no papel de Taylor e Gemma Arterton (“Gemma Bovary”) como Mary Austin, a namorada/amiga do cantor, mas todo esse elenco ruiu quando o diretor originalmente contratado, Dexter Fletcher (“Sunshine On Leith”), abandonou os trabalhos durante a pré-produção. Agora, segundo o site oficial do Queen, a filmagem está “prestes a começar”. Mais especificamente, o longa já entrou em pré-produção e o início da rodagem está marcado para meados de setembro em Londres.
Arcade Fire procura vida extraterrestre no terceiro clipe de seu novo álbum
A banda Arcade Fire divulgou mais um clipe, o terceiro antes do lançamento de seu novo disco. Intitulada “Signs Of Life”, a música funkeada, que evoca Talking Heads, segue a pegada dançante da anterior, “Creature Confort”, liberada há apenas duas semanas. O clipe conta uma historinha trash, concebida e dirigida pelo coletivo de arte Borscht, baseado em Miami, sobre um casal numa investigação paranormal. A jornada conduz aos pântanos da Flórida em busca de prova de vida extraterrestre, mas também revela serviços de vigilância que mostram o Arcade Fire no deserto em que foi filmado o primeiro clipe da trilogia, “Everything Now”. O novo álbum da banda tem o mesmo nome da primeira música, “Everything Now”, e lançamento marcado para 29 de julho.
England Is Mine: Cinebiografia do cantor Morrissey ganha seu primeiro trailer e imagens
A eOne divulgou o pôster, quatro fotos e o primeiro trailer de “England Is Mine”, a cinebiografia de Steven Patrick Morrissey, ou simplesmente Morrissey para milhões de fãs de rock ao redor do mundo. Para estes, o vídeo se apresenta quase como uma enciclopédia de referências com sons, roupas, cabelos e nomes que reverberam intensamente a história do rock indie britânico. A prévia começa no final da década de 1970, quando Morrissey era um crítico musical de Manchester, que passava o tempo destroçando os roqueiros da época, até alguém lhe sugerir que montasse sua própria banda. Como o vídeo demonstra, a transição não aconteceu da noite para o dia. Antes de seu futuro parceiro dos Smiths, Johnny Marr, surgir na última cena do trailer, Morrissey ainda formou um grupo com Billy Duffy, futuro guitarrista do Cult. O elenco destaca Jack Lowden (“Negação”) como Morrissey, numa profusão de penteados que vão da era glam ao visual indie icônico dos Smiths, e Jessica Brown Findlay (“Downton Abbey”) como a artista plástica Linder Sterling, melhor amiga do cantor e também roqueira da banda pós-punk Ludus. “England Is Mine” marca a estreia em longa-metragens do diretor-roteirista Mark Gill, que já disputou o Oscar de Melhor Curta – por “The Voorman Problem”, em 2014. O lançamento está marcado para 4 de agosto no Reino Unido, mas, como tantos outros filmes sobre o rock britânico, não há previsão para sua distribuição no Brasil.
The Killers volta à ativa com clipe dançante gravado em Las Vegas
A banda The Killers voltou à ativa, cinco anos após o lançamento de seu último disco, e em grande estilo com “The Man”, uma música funkeada, a mais dançante da banda, com influências de Kool & The Gang, Talking Heads e David Bowie – um sample de “Fame”, de Bowie, é evidente na canção. O single ganhou um clipe cinematográfico assinado por Tim Mattia, diretor em alta demanda, que já fez vídeos para Linkin Park, The 1975, The Pretty Reckless, Chris Stapleton e Halsey. Gravado em Las Vegas, o clipe traz o cantor Brandon Flowers como um macho alfa, desfilando em roupas brilhantes e coloridas feito um pavão, apenas para ser humilhado e perder tudo, tanto numa mesa de jogo quanto nos bastidores de um show. A música faz parte de “Wonderful Wonderful”, quinto álbum dos Killers, que começou a ser gravado em setembro do ano passado e só deve chegar às lojas em setembro deste ano.












