Donald Trump lembra participação em “Esqueceram de Mim 2”: “Uma honra”
O presidente Donald Trump aproveitou o período de Natal para lembrar que, muito antes de chegar à Casa Branca, fez uma breve aparição na comédia natalina “Esqueceram de mim 2: Perdido em Nova York”, de 1997. O assunto veio à tona nesta terça-feira (24/12), durante uma videoconferência entre o presidente e tropas americanas espalhadas pelo mundo. “Era um pouco mais jovem, digamos”, lembrou Trump, que tinha acabado de comprar o Hotel Plaza em Nova York, onde foram filmadas várias cenas do filme no início da década de 1990. “Obviamente, se tornou um grande sucesso”, continuou. “Um grande sucesso de Natal, um dos maiores. É uma honra ter estado envolvido em algo assim”, completou. Donald Trump fez uma figuração no filme, lançado em 1992, dando uma informação para o pequeno Kevin (Macaulay Culkin) como contrapartida por ceder seu hotel para as filmagens. Em 2017, o ator Matt Damon confirmou, em uma entrevista à revista The Hollywood Reporter, que Trump exigia que todas as filmagens em suas propriedades deveriam lhe render um pequeno papel nos filmes. O primeiro “Esqueceram de Mim” tinha sido lançado dois anos antes e fizera enorme sucesso, e a expectativa era que a sequência tivesse a mesma visibilidade. Trump está nos créditos de cerca de 20 filmes e séries, incluindo “Zoolander” e “Sex & the City”, além de ter ficado bastante conhecido por seu trabalho na TV, como apresentador do reality show “O Aprendiz”. Relembre abaixo a participação em “Esqueceram de Mim 2”, que começa com uma imagem do Hotel Plaza e close em seu logotipo, em tom de marketing assumido.
Fernando Meirelles diz que Bolsonaro está destruindo o cinema brasileiro
O cineasta brasileiro Fernando Meirelles participou de uma mesa redonda da revista The Hollywood Reporter com diretores de filmes celebrados na temporada de premiações. Cotado por “Dois Papas”, ele debateu a arte cinematográfica e o estado do cinema atual com Martin Scorsese (“O Irlandês”), Greta Gerwig (“Adoráveis Mulheres”), Noah Baumbach (“História de um Casamento”), Todd Phillips (“Coringa”) e Lulu Wang (“The Farewell”) Em determinado momento, a conversa acabou chegando no “ambiente político reacionário” no Brasil sob a gestão do presidente Jair Bolsonaro. “Para o cinema brasileiro, é um momento duro. Ele [Bolsonaro] está destruindo tudo o que construímos”, lamentou o cineasta, citando que, nas últimas décadas, o país passou por um boom de produção cinematográfica. “Nos anos 1990, antes de filmarmos ‘Cidade de Deus’, estávamos fazendo nove filmes por ano; no ano passado, foram 150”, citou. “Agora, Bolsonaro está bloqueando tudo. Tem sido difícil”. O diretor, que já assinou diversos filmes em Hollywood, ainda disse que não tem planos de trocar o Brasil pelos EUA. “Eu tenho raízes muito profundas no meu país, e eu amo dirigir em português. Eu entendo inglês, mas não sinto, sabe? Se você diz ‘mango tree’ em inglês, para mim é só uma árvore. Em português, ‘mangueira’ tem outros significados afetivos para mim”, comentou. “Dois Papas”, que foi lançado pela Netflix na sexta-feira (20/12) passada, disputa quatro troféus no Globo de Ouro, inclusive Melhor Filme de Drama, e pode aparecer no Oscar 2020. Veja um trecho da mesa redonda, centrado em Meirelles, no vídeo abaixo.
Juíza refuta pedido de censura ao Especial de Natal Porta dos Fundos: Basta não ver
A 16ª Vara Cível do Rio de Janeiro negou pedido de liminar para tirar do ar o “Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo”, disponível na Netflix. A ação foi movida pela Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura e aceita pelo Ministério Público do Rio. A promotora Barbara Salomão Spier enviou o despacho para a 16ª Vara Cível do Rio, defendendo a censura da produção. Segundo os autos, “Jesus é retratado como um homossexual pueril, Maria como uma adúltera desbocada e José como um idiota traído” no especial de Natal, o que seria um ataque à liberdade religiosa e a dignidade da pessoa humana. Em sua sustentação, a promotora ainda alegou que “fazer troça aos fundamentos da fé cristã, tão cara a grande parte da população brasileira, às vésperas de uma das principais datas do cristianismo, não se sustenta ao argumento da liberdade de expressão”. Ela afirmou que seu posicionamento não pode ser enquadrado como censura, mas de “evitar o abuso do direito de liberdade de expressão através do deboche, do escárnio”. Na decisão, a juíza Adriana Sucena Monteiro Jara Moura citou o artigo 5º da Constituição, que assegura a liberdade de expressão, e abordou o argumento de suposto “abuso desse direito” à luz da jurisprudência do STF (Supremo Tribunal Federal), “a quem compete interpretar e salvaguardar nossa Constituição, seus princípios e garantias”, ponderando ainda “os limites da liberdade de expressão em contraposição a outros direitos de igual hierarquia jurídica, como os da inviolabilidade da honra e da imagem”, que são previstos em lei. “Assim, no exercício do juízo de ponderação entre caros princípios, direitos constitucionais como os que se confrontam neste feito e na linha do entendimento jurisprudencial ao qual me filio,entendo que somente deva ser proibida a exibição, publicação ou circulação de conteúdo, em verdadeira censura, que possa caracterizar ilícito, incitando a violência, a discriminação, a violação de direitos humanos, em discurso de ódio”, escreveu a magistrada em sua decisão. “Ao assistir ao filme podemos achar que o mesmo não tem graça, que se vale de humor de mau gosto, utilizando-se de expressões grosseiras relacionadas a símbolos religiosos. O propósito de muitas cenas e termos chulos podem ser questionados e considerados desnecessários, mesmo dentro do contexto artístico criado com a paródia satírica religiosa. Contudo, há que se ressaltar que o juiz não é crítico de arte e, conforme já restou assente em nossa jurisprudência, não cabe ao Judiciário julgar a qualidade do humor, da sátira, posto que matéria estranha às suas atribuições”, avaliou a juíza. Adriana Sucena Monteiro Jara Moura ainda considerou a hipótese de ataque à liberdade religiosa, afirmando não ter constatado “a ocorrência de qualquer ilícito, nem mesmo o do tipo previsto no artigo 208 do Código Penal”, que prevê crimes contra o sentimento religioso. “Também não verifiquei violação aos Direitos Humanos, incitação ao ódio, à discriminação e ao racismo, sendo que o filme também não viola o direito de liberdade de crença, de forma a justificar a censura pretendida”, acrescentou. A juíza também citou que este foi o mesmo “entendimento do Juiz do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Zoega Coelho, ao decidir caso análogo em referência ao ‘Especial de Natal’ do mesmo grupo humorístico, exibido em 23 de dezembro de 2013, determinando, em acolhimento ao parecer Ministerial, o arquivamento de Representação Criminal e que à época foi amplamente noticiado nas mídias”. Ela conclui dizendo que “o filme controverso está sendo disponibilizado para exibição na plataforma de streaming da ré Netflix, para os seus assinantes. Ou seja, não se trata de exibição em local público e de imagens que alcancem àqueles que não desejam ver o seu conteúdo. Não há exposição a seu conteúdo a não ser por opção daqueles que desejam vê-lo. Resta assim assegurada a plena liberdade de escolha de cada um de assistir ou não ao filme e mesmo de permanecer ou não como assinante”.
Ministério Público do Rio acata ação por censura do Especial de Natal do Porta dos Fundos
A promotora Barbara Salomão Spier, do Ministério Público do Rio, acatou ação de autoria da Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura para que seja realizada a suspensão do “Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo”, disponível para assinantes da Netflix. No despacho para a 16ª Vara Cível do Rio, a promotora afirma que “o que é sagrado para um, pode não ser sagrado para o outro, e o respeito deve, portanto, imperar”. A promotora assume querer estabelecer limites para “liberdade de expressão artística”. Trata-se de tema constitucional com ampla jurisprudência vinculante na esfera do STF (Supremo Tribunal Federal). Mesmo assim, ela tomou liberdade de ponderar na primeira instância: “Fazer troça aos fundamentos da fé cristã, tão cara à grande parte da população brasileira, às vésperas de uma das principais datas do Cristianismo, não se sustenta ao argumento da liberdade de expressão. No caso entelado é flagrante o desrespeito praticado pelos réus, o que não é tolerável, eis que ultrapassam os limites admissíveis à liberdade de expressão artística”. Trata-se do segundo caso de tentativa de censura de expressões artísticas com aval do judiciário do Rio de Janeiro em 2019, após a autorização, posteriormente revertida pelo STF, para que fiscais da prefeitura recolhessem quadrinhos da Marvel e outras obras com conteúdo LBTQ+ da Feira do Livro do Rio. Assim como diziam as autoridades da primeira tentativa, Barbara Spier exercita a novilíngua para afirmar que não está praticando censura ao propor censurar a obra. “Não é [o caso] de censura, mas de evitar o abuso do direito de liberdade de expressão através do deboche, do escárnio”. A justificava não vem apoiada por nenhum artigo de lei, pois “abuso do direito de liberdade de expressão” é geralmente calúnia e injúria objetiva, o que não acontece em expressões artísticas que se utilizam de sátira. Há, ainda, casos de preconceito previstos criminalmente, que, entretanto, não se confundem com “desrespeito” genérico, não cabendo também enquadramento na sustentação. Apesar da argumentação frágil, a promotora recomenda a imediata suspensão da exibição do programa, assim como os trailers, making of e propagandas. E ainda sugere multa diária de R$ 150 mil para o descumprimento. Isto não tem efeito legal, já que precisa ser aprovado por um juiz. Mas vale lembrar que o bispo da Universal/prefeito do Rio Marcelo Crivella teve apoio de um juiz para realizar sua cruzada cristã contra a Feira do Livro. Barbara Salomão Spier conclui sua apreciação do caso citando, em vez de jurisprudência, que inexiste, uma máxima popular, “de que o direito de um termina, onde começa o do outro”. O direito de “um”, no caso, é o direto de todos aqueles interessados em assistir à comédia, que seria prejudicado pela sugestão da promotora. Já o direito do “outro” – isto é, daqueles que não querem ver o Especial de Natal do Porta dos Fundos – , independe de ordem judicial para garanti-lo, bastando-lhes o livre arbítrio.
Política Cultural: Liberação das verbas de 2019 da indústria audiovisual fica para 2020
O governo federal deu, com enorme atraso, o primeiro passo para destravar o financiamento da indústria audiovisual. A duas semanas do fim do ano, o orçamento de 2019 para produções de filmes, séries e games nacionais foi finalmente confirmado e encaminhado, mas teve sua liberação adiada para 2020, em reunião do Comitê Gestor do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), realizada na tarde desta terça-feira (17/12). A decisão permite, ao menos, a alocação de R$ 703,7 milhões do fundo, arrecadado por meio da taxa Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) entre as empresas de cinema, TV e telefonia. O PAI (Plano Anual de Investimento) de 2019, porém, é diferente da versão que teria sido aprovada em regime de urgência, por votação eletrônica, mas com mais votos, em novembro passado. A nova versão é um acordo genérico que não tem iniciativas do texto anterior, como mecanismos de aprovação automática de financiamento por performance artística e interesse comercial, que dava ao mercado a opção de privilegiar algumas produções, independente do tema. Pelo texto aprovado, 47,9% dos recursos (cerca de R$ 336.925 milhões) serão alocados no Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Cinema Brasileiro (Prodecine), 42,4% (R$ 298.075 milhões) no Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro (Prodav) e 9,8% (R$ 68,7 milhões) no Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Infraestrutura do Cinema e do Audiovisual (Proinfra). O Prodecine abarca produções de cinema, o Proav é destinado a obras audiovisuais como um todo e o Proinfra tem foco no investimento em tecnologia, tanto de produção quanto de exibição. Apesar da planilha apresentada, este dinheiro só será liberado a partir da regras que ainda foram definidas. O PAI anterior, que o governo simplesmente está ignorando, já trazia regras para agilizar o acesso aos recursos. Os representantes do comitê confirmaram que as discussões que vão além do destravamento dos recursos ficarão para janeiro, quando serão conhecidos os “filtros” que Bolsonaro planeja implementar na Ancine. “A proposta anterior focava muito no detalhamento de como o dinheiro seria alocado, então. Como houve muita resistência àquela proposta, a gente achou mais inteligente aprovar primeiro a divisão entre Prodecine, Prodav e Infraestrutura”, defendeu André Sturm, que participou da reunião, mas ainda não assumiu oficialmente a Secretária do Audiovisual, em comunicado da Ancine (Agência Nacional de Cinema). A reunião foi realizada no Ministério da Cidadania, em Brasília, apesar de a Secretaria de Cultura ter sido transferida para o Ministério do Turismo, e também contou com a presença do secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, do diretor-presidente da Ancine, Alex Braga, do superintendente da Ancine e do gestor do Fundo Setorial do Audiovisual, o pastor Edilásio Barra “Tutuca”. As fotos oficiais da reunião registraram apenas os quatro (dos seis) integrantes do governo no comitê. Não há informação a respeito da participação dos três representantes da sociedade civil, mas seus nomes não foram citados no comunicado da Ancine. São eles o diretor da rede Record Hiran Silveira, o roteirista de filmes Paulo Cursino (de “Até que a Sorte nos Separe”, cujo pôster ilustra esse texto) e o presidente da programadora Box Brazil, Cícero Aragon. O comitê, que deveria ter sido nomeado no começo de 2019, foi formado apenas em outubro passado, razão pela qual todo o dinheiro encontra-se bloqueado desde o início do ano. Apesar disso, o presidente da Ancine, Alex Braga, aproveitou a reunião para dizer que “a ideia de que a política de fomento ao audiovisual está paralisada é totalmente equivocada”. Braga enfatizou que, em 2019, foram contratados 635 projetos, totalizando mais de R$ 526 milhões em desembolsos. Na verdade, porém, os editais de produção do FSA que foram publicados neste ano eram referentes a investimentos de 2018. A primeira linha referente aos recursos de 2019 foi aprovada nesta terça, mas ainda não liberada, deixando bastante comprometida a capacidade de produção para conteúdos que deveriam chegar às telas em 2020. Na prática, em vez de maior financiamento, o que se viu foram verbas para diversos programas de apoio da Ancine serem cortadas em 2019, inclusive para a campanha do filme escolhido para representar o Brasil no Oscar e para incentivar a participação de filmes brasileiros em festivais internacionais. A justificativa? Falta de dinheiro. Em setembro, a Ancine emitiu comunicado dizendo que “todos os apoios previstos no Programa de Apoio a Festivais Internacionais estão sendo reavaliados”, concluindo que “o apoio condiciona o aporte à disponibilidade orçamentária”. A falta completa de dinheiro, ocasionada pela indefinição do comitê gestor do FSA, também foi evocada pelo ministro Osmar Terra para suspender um edital de séries de temática LGBTQIA+, que o presidente Jair Bolsonaro afirmou que mandaria “para o saco”. O ministro da Cidadania publicou uma portaria no Diário Oficial da União (DOU) em 21 de agosto, afirmando que não poderia cumprir o edital devido a necessidade de recompor o Comitê Gestor do FSA, que até então ainda não tinha sido nomeado, e que só depois do PAI ser aprovado poderia destinar a verba para a produção das séries. Na prática, já era uma confissão do estado de paralisação completa do financiamento do setor audiovisual brasileiro. A falta de investimento não está afetando apenas o lançamento de produções nacionais, como também cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos. A Buriti Filmes, por exemplo, encolheu 30% nos últimos meses, o que causou a demissão de alguns funcionários. O produtor e diretor Luiz Bolognesi (“Ex-Pajé”), dono da Buriti, revelou em agosto que três longas da produtora estavam parados por falta de aporte da Ancine – “Viajantes do Bosque Encantado”, de Alê Abreu (indicado ao Oscar pela animação “O Menino e o Mundo”), “Pedro”, de Laís Bodanzky (diretora de “Como Nossos Pais”), e “Entre Deuses e Inimigos”, do próprio Bolognesi. Segundo ele, as produções receberam a maior parte dos recursos de 2018, foram filmadas, mas aguardavam aportes para finalização que deveriam ter sido liberados no começo do ano. “Não é falta de recurso, o dinheiro está lá parado há cerca de dez meses, não se sabe por qual motivo”, reclamou o cineasta ao UOL. O motivo foi a falta de nomeações para o Comitê Gestor do FSA por parte do governo de Jair Bolsonaro. Levantamento do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual revela que atualmente há cerca de 800 produções à espera da liberação financeira dos editais da Ancine, que, sim, ainda está paralisadas. Por conta disso, existe até um risco real de que as cotas de programação nacionais não possam ser cumpridas pelos programadores de TV em 2020. Infelizmente, isto pode apenas reforça tendência do governo de, conforme adiantou o ministro Osmar Terra, acabar com as cotas que ajudaram a dar impulso ao conteúdo nacional na TV paga – que, ao contrário do que possam afirmar, tem tanta qualidade que é premiado no mundo inteiro.
Netflix é convocada pelo Congresso para esclarecer Especial de Natal do Porta dos Fundos
Chegamos neste ponto. A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça (17/12) requerimento de autoria do deputado federal e pastor Julio Cesar Ribeiro para a realização de audiência pública com a presença de representante da Netflix para esclarecimentos sobre o filme “A Primeira Tentação de Cristo”, especial de Natal do grupo Porta dos Fundos. Na produção exibida pela plataforma de streaming, o grupo Porta dos Fundos encena o retorno de Jesus dos 40 dias no deserto, insinua uma relação amorosa entre Jesus e Satanás e ainda sugere que Cristo, Maria e José formariam um triângulo amoroso. “O filme é uma verdadeira afronta aos valores cristão, ultraje a fé e a figura de Jesus Cristo e dos seus discípulos. Nós entendemos que uma obra de arte pode abordar diferentes aspectos a respeito desse período histórico sem fazer nenhum tipo de caricatura ou ofensa à imagem de Jesus. No entanto, este filme é uma verdadeira afronta aos mandamentos constitucionais, constitui crime previsto no Código Penal e verdadeira afronta religiosa aos valores cristãos”, afirmou Julio Cesar. O deputado, que é pastor da Igreja Universal, caracteriza a produção como vilipêndio, conforme art. 208 do Código Penal. O artigo se refere a ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato religioso e já foi usado para prender um pastor da Universal no famoso caso do “Chute na Santa”, em que o então pastor Sérgio Von Helder foi condenado a dois anos e dois meses de prisão por crimes de discriminação religiosa e vilipêndio a imagem da Nossa Senhora de Aparecida, chutada durante um programa de televisão da Universal, em 1995, como protesto contra o feriado nacional dedicado à santa negra – “boneco feio, horrível e desgraçado”. A expertise em Código Penal também decorre de Julio Cesar Ribeiro ter sido citado em denúncias de corrupção no âmbito da operação Drácon e responder a processo penal por envolvimento em um esquema de propinas na Câmara Legislativa do Distrito Federal. A Netflix já informou que não se manifestará a respeito da convocação para Audiência Pública. Embora este tenha sido o primeiro requirimento aprovado sobre o tema, a Câmera dos Deputados recebeu diversos outros a respeito do Especial de Natal, desde moções de repúdio contra a plataforma até Audiência Pública para saber os critérios utilizados na seleção de conteúdo do serviço. Um abaixo-assinado que pede a remoção do filme do catálogo da plataforma também circula na internet com mais de 2 milhões de assinaturas. Na prática, porém, os deputados nada podem fazer, além de mostrar o pior que a política brasileira tem a oferecer para uma empresa multinacional, que tem investido – sem incentivos – numa das áreas mais prejudicadas pela ineficiência e má vontade do governo federal – a produção de filmes e séries nacionais. Sem outra função além de servir de cortina de fumaça para réus processados por corrupção, de olho em eleitores desavisados, a convocação da Netflix só vai tumultuar e atrasar ainda mais a pauta de votações necessárias ao país, dispersando o Congresso em assuntos que lhe não cabem – lembrando o básico: quem julga questões constitucionais é o STF. Afinal, enquanto o Brasil for uma democracia, a censura federal é proibida pela Constituição. Não deveria mesmo ser preciso lembrar, mas há muito político falando em AI-5 ultimamente. Para decorar, este é o refrão: “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Para completar, talvez o Congresso não saiba que o Porta dos Fundos venceu o Emmy Internacional por seu Especial de Natal do ano passado, que também satirizou Jesus Cristo, com o mesmo tom satírico e na mesma Netflix. Em 25 de novembro, o programa foi eleito a Melhor Comédia de 2019… do mundo.
Meses depois da Pipoca Moderna, grande imprensa “revela” que Bolsonaro paralisou setor audiovisual brasileiro
A grande imprensa brasileira, por meio do jornal Folha de S. Paulo, descobriu nesta segunda (16/12) aquilo que a Pipoca Moderna vem alardeando desde agosto: toda a verba federal de financiamento do setor audiovisual brasileiro está paralisada desde janeiro por ação deliberada do governo de Jair Bolsonaro. Produtores ouvidos pela Folha disseram que os impasses na pasta da Cultura frearam a produção audiovisual do país. Uma das principais causas seria a retenção dos recursos do FSA (Fundo Setorial do Audiovisual), que é especialmente importante para a estímulo de produções independentes. A Pipoca Moderna revelou isso em agosto, sem precisar ouvir terceiros. A constatação veio do argumento usado pelo ministro da Cidadania Osmar Terra para suspender o edital que permitiria a produção de séries LGBTQIA+ atacadas pelo presidente Jair Bolsonaro numa live daquele mês. Para impedir a produção das séries LGBTQIA+, encomendadas pelo governo anterior, o ministro publicou uma portaria no Diário Oficial da União (DOU) em 21 de agosto, dando como justificativa a necessidade de recompor o Comitê Gestor do FSA, que ainda não tinha sido nomeado. Na prática, isto era uma confissão do estado de paralisação completa do financiamento do setor audiovisual brasileiro, causada por ineficiência assumida do governo federal. O impasse foi criado por um paradoxo burocrático: se a decisão sobre a destinação do dinheiro do FSA para a produção de filmes e séries depende de aval do comitê gestor, a formação deste mesmo comitê também dependia de indicações do próprio governo, que não se mobilizou nesse sentido, paralisando todo o financiamento audiovisual por inércia. Uma vez que o edital não poderia ser cumprido por não existir um comitê responsável pela distribuição das verbas do FSA, isso significava que nenhum financiamento tinha sido ou poderia ser autorizado em 2019, ao menos até a regularização deste comitê. Além da Pipoca Moderna, o ex-ministro da Cultura e deputado Marcelo Calero também chamou atenção para a armadilha preparada pelo governo para travar o investimento no audiovisual brasileiro, denunciando o que estava por trás da suspensão do edital. “É uma das justificativas mais estapafúrdias que eles podiam dar porque cabe justamente a eles definir esses comitês”, afirmou Calero ao jornal carioca O Globo. “Estão usando uma inação deles como justificativa para uma medida extrema que estão tomando”. A grande imprensa, porém, concentrou-se no caso específico das séries LGBTQIA+ suspensas, deixando passar batido o problema mais grave da paralisação completa do setor. Mesmo assim, a pressão criada em torno do tema, com direito a processo aberto pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro contra o ministro Osmar Terra, exigindo a conclusão do concurso, acabou fazendo com que o governo se visse forçado a acabar com a pantomina e finalmente nomear, com dez meses de atraso, os integrantes do comitê gestor do FSA. No final de outubro, antes de tirar a Secretaria da Cultura do Ministério da Cidadania – ela foi parar no Ministério do Turismo – , o governo finalmente nomeou seus representantes no Comitê Gestor do FSA – que, ao todo, é composto por seis membros do governo e três representantes da indústria do audiovisual. Uma vez definidos, os membros do Comitê se reuniram em 6 de novembro para destravar o FSA. Marcaram um novo encontro em 25 de novembro para aprovação do PAI (Plano Anual de Investimentos), com as diretrizes para o destino dos R$ 703,7 milhões disponíveis no fundo. O valor é proveniente da taxação do Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional) e já foi arrecadado entre as empresas de cinema, TV e telefonia – ainda cobrada, a taxa renderá mais dinheiro para 2020. No entanto, no dia seguinte à primeira reunião, o presidente Jair Bolsonaro lançou uma nova trava. Com uma canetada, transferiu a Secretaria da Cultura para o Ministério do Turismo, colocando em dúvidas o cargo de presidente do comitê, que pertencia ao Ministro da Cidadania. Com isso, os integrantes do comitê consideraram urgente adiantar o processo e votar o PAI – ou seja, a liberação da verba – antes da oficialização da transferência com publicação no DOU. Para tanto, optaram por uma votação eletrônica, que aprovou o PAI de 2019. E o que fez o governo? Questionou a votação por meio do Conselho Superior de Cinema, comitê presidido pelo Ministro da Casal Civil, Onyx Lorenzoni. Com isso, os recursos permaneceram paralisados. Assim, o governo Bolsonaro está prestes a completar um ano de paralisação no investimento do setor audiovisual, com o dinheiro taxado por meio do Condecine parado e se desvalorizando nos cofres federais. Como a verba não pode ter destinação diferente da prevista na legislação, Bolsonaro encontrou uma solução criativa para impedir seu uso. Levantamento do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual revela que atualmente há cerca de 800 produções à espera da liberação de editais da Ancine, que estão paralisados. Desde que o FSA foi criado, em 2006, seus recursos vinham sendo liberados no máximo até maio, com a aprovação do PAI. Mas o que acontece se o ano virar sem que o PAI seja considerado aprovado? Há o risco de que esses recursos se percam, porque o governo trabalha para aprovar no Senado lei que flexibiliza o uso dos fundos públicos. O Congresso, por outro lado, tem buscado o oposto: controlar os gastos que o executivo pode fazer – ao mesmo tempo em que também busca tirar dinheiro de outros setores para aumentar descabidamente o fundo eleitoral. O fato é que “maldades” estão sendo praticadas contra os produtores de cinema, séries e até games brasileiros que utilizam o FSA para gerar conteúdo – e empregos. É possível especular que Bolsonaro possa estar apostando em quebrar de vez o setor, retirando-lhe toda a verba para sua subsistência – uma tese defendida por “liberais” da extrema direita. Mas também pode estar “apenas” querendo “dobrar” a indústria audiovisual à sua vontade. Em ambos os casos, os planos seriam frustrado pelo PAI aprovado às pressas, que liberava financiamento sem “filtros” conservadores, colocando o mercado como responsável pelas escolhas – 30% da verba, por exemplo, iria automaticamente para obras de performance artística e comercial garantida, independente do tema. O gabinete de Onyx Lorenzoni percebeu e tratou de impedir. Mas a justificativa para a nova paralisação não se sustenta. Em 2009, por exemplo, o PAI também foi aprovado por votação eletrônica. Uma nova reunião foi marcada para terça (17/12) para apreciação de um plano anual diferente, redigido pelo pastor Edilásio Barra, mais conhecido como Tutuca, evangélico recentemente nomeado para a Ancine (Agência Nacional de Cinema). Este PAI substituiria o aprovado, contendo vários “filtros”. Ou seja, o governo aceitaria liberar a verba, desde que nos limites de um novo PAI, com “filtros” já mencionados por Bolsonaro – com o objetivo de não financiar produções com temas LGBTQIA+, que contenham “pornografia”, drogas ou elementos contrários à religião (cristã), às famílias (brancas e heterossexuais) ou ao próprio governo (sem menções negativas ao Estado e suas instituições, inclusive na época da ditadura). Bolsonaro anunciou esse plano em julho, quando disse que pretendia extinguir ou censurar a Ancine. “Vai ter filtro, sim, já que é um órgão federal. Se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos. Não pode é dinheiro público ficar usado para filme pornográfico”, afirmou, na ocasião. Um mês depois, o então secretário da Cultura, Henrique Pires, demitiu-se e acusou o governo de planejar impor censura à expressão artística no Brasil por meio da implantação de “filtros” para a liberação de verbas e incentivos fiscais.
Bolsonaro defende fim de contrato do governo com a TV Escola
O presidente Jair Bolsonaro defendeu o cancelamento de contrato do Ministério da Educação com a TV Escola, que incluiu o despejo da equipe da produção. Bolsonaro alega que os programas do canal eram todos de esquerda e seguiam os pensamentos do premiado educador Paulo Freire, a quem considera um “energúmeno”. “Você conhece a programação da TV escola? Deseduca. Por que a educação do Brasil está lá embaixo? Por causa dessas programações. Agora o pessoal está criticando. Esse tipo de cultura é para acabar mesmo. Queriam renovar o contrato… R$ 350 milhões iam ser jogados no lixo”, afirmou o presidente nesta segunda-feira (16/16), em frente ao Palácio da Alvorada. “Queriam que eu assinasse o contrato, o Abraham Weintraub, de R$ 350 milhões. Quem assiste a TV Escola? Ninguém assiste, dinheiro jogado fora”, continuou Bolsonaro. Embora o morador ilustre do Palácio da Alvorada tenha ressaltado duas vezes o custo de R$ 350 milhões, a renovação do acordo de gestão com a Associação Roquette Pinto, responsável pela programação, estava avaliada em torno de R$ 70 milhões anuais, valor similar ao orçamento deste ano. O montante de R$ 350 milhões equivaleria a um contrato de cinco anos de produção. Não chega a ser nova fake news de Bolsonaro, mas é quase, ao estilo das notícias do site TV Foco. “E outra, era uma programação totalmente de esquerda. Ideologia de gênero. Tem que mudar. Daqui 5, 10 anos vai ter reflexo disso aí. 30 anos em cima dessa ideologia ai desse Paulo Freire, desse energúmeno aí que foi ídolo da esquerda”, arrematou o presidente brasileiro. A decisão de encerrar o contrato para a produção do TV Escola aconteceu após o governo encontrar dificuldades para indicar pessoas sem competência comprovada e politizar o canal com conteúdo ideológico. De acordo com documentos obtidos pelo site de direita O Antagonista, em julho o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, encaminhou ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, nomes que deveriam ser nomeados para a fundação, apesar de não terem nenhuma ligação com a área da Educação ou mesmo com Jornalismo – um era formado em Odontologia e o outro em curso de escolta armada. Os apadrinhados acabaram rejeitados. Apesar disso, o conteúdo da TV Escola, que existe desde 1995 com teor educacional voltado para professores e estudantes, sofreu sim influência do governo. O diretor-geral, Francisco Câmpera, foi indicado ainda na gestão do ex-ministro Ricardo Vélez, e a associação ainda abrigou integrantes da ala mais ideológica do governo, como Eduardo Melo, que é diretor adjunto. Isto aconteceu após o Ministério da Educação atrasar repasses neste ano para a associação, o que vinha dificultando a continuidade das operações do canal. Para completar, na semana passada a emissora passou a transmitir uma série sobre a história do Brasil com visão fortemente ideológica, cujo tom revisionista enfatizava a religião e minimizava a importância dos não brancos para o país, acompanhada por entrevistas com o escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, e outros porta-vozes da extrema direita. Ou seja, o canal tinha programas que não eram “totalmente de esquerda”. Alguns eram até “totalmente de direita”, afinados com o “pensamento” ideológico de Bolsonaro. Com a quantidade de trabalho que normalmente envolve presidir uma república de tamanho continental, é até desculpável que o presidente do Brasil não tivesse tempo para assistir a TV Escola. Mas ao opinar sobre o que não viu e decretar descontinuidade do que desconhece, Bolsonaro obriga a imprensa a trabalhar dobrado para restabelecer a verdade para o público. Importante reparar ainda que o presidente disse que o dinheiro do TV Escola poderia ser usado para outros programas e citou um canal chamado Ines, voltado para surdos. Contudo, a produção de conteúdo desse canal, vinculado ao Ines (Instituto Nacional de Educação de Surdos), também é feita pela Associação Roquette Pinto. A citação pode ser outro caso de desinformação ou parte de um plano maior de “despejo” da associação em seu governo. Neste sentido, vale lembrar que, ao confirmar que o contrato com a Roquette Pinto não seria renovado, o Ministério da Educação afirmou, em nota oficial, que “estuda a possibilidade de as atividades do canal serem exercidas por outra instituição da administração pública”. A declaração sugere que outra empresa deverá assumir as operações do(s) canal(is), possivelmente com novo aporte financeiro (verbas públicas) e, no caso de emplacar um “caráter emergencial”, sem litação, o que possibilitaria a escolha de associação ligada aos interesses do governo – ou de integrantes do governo. A conferir.
José de Abreu escapa há dois anos da Justiça por ofensa a Bia Doria
O ator José de Abreu está dando um baile na Justiça brasileira. Desde outubro de 2017, ele é procurado por oficiais de justiça, que tentam citá-lo num processo aberto pela então primeira-dama da capital paulista, Bia Doria — hoje primeira-dama do estado. Para o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), o ator “se encontra em local incerto e não sabido”. A artista plástica acionou Abreu judicialmente, pedindo R$ 100 mil de indenização por dano moral, por ter ofendido “sua honra e reputação ao compará-la a um animal”. O motivo foi um tuíte do ator, que é petista assumido, do dia 9 de outubro de 2016, em que escreveu: “STF proíbe vaquejada mas permite que a Bia Doria dê entrevista? É um crime contra os animais…”. Naquele dia, a Folha de S. Paulo havia publicado entrevista em que ela falou sobre a eleição do marido João Doria à prefeitura. A repercussão foi catastrófica, a ponto de Bia ser, desde então, blindada de contato com a imprensa. Abreu não foi o único a ridicularizar as declarações da artista, mas foi quem fez a comparação com a vaquejada. “Para um cidadão médio, ao ler o termo vaquejada, no seu sentido literal, inconscientemente e imediatamente é remetido ao termo ‘vaca'”, escreveram os advogados de Bia. A artista se sentiu ofendida e pediu à Justiça que o Twitter fosse obrigado a apagar o post, no que foi atendida. A partir daí, começou uma verdeira saga para intimar o ator no processo. Como ele mora no Rio de Janeiro e o processo corre em São Paulo, a praxe é o tribunal do estado de origem expedir uma carta precatória para a outra jurisdição localizar a parte. Em julho de 2018, a Justiça autorizou buscas nos endereços de Abreu em dois sistemas, um que rastreia dados da Receita Federal e outro que faz cruzamento com registros do Departamento Nacional de Trânsito. O ator foi procurado por oficiais de Justiça nos locais relacionados a seu nome, mas não foi encontrado. Em outra tentativa, foram enviadas correspondências a quatro operadoras telefônicas com a solicitação de compartilhamento de endereços ligados a Abreu. Sem sucesso. A Globo, onde ele trabalha, também foi acionada para fornecer o endereço de seu funcionário. A emissora atendeu à demanda e compartilhou a informação, mas no local apontado a resposta foi: “Mudou-se”. Em maio deste ano, Abreu entrou no ar na novela das nove “A Dona do Pedaço”. Em 13 de novembro, o juiz despachou: “O réu é ator conhecido e atualmente está no elenco da novela da Globo. Portanto, a citação pode se dar no local das gravações”. Só que a trama acabou nove dias depois, sem que o ator fosse contatado. Encerrado o trabalho, Abreu tirou férias. Como contou na rede social, está viajando pelo mundo e acaba de desembarcar na capital francesa, onde comprou em 2014 um apartamento. Na decisão mais recente da ação aberta por Bia, o magistrado Douglas Iecco Ravacci decidiu na terça-feira (10/12) que a citação poderá ser feita por edital, “tendo em vista que restam exauridos todos os meios disponíveis para localização do requerido”. A Folha de S. Paulo não teve a menor dificuldade de encontrá-lo para falar sobre o assunto. Ao comentar o périplo da justiça, Abreu diz estranhar que não consigam achá-lo, já que gravou duas novelas na Globo desde o início do processo. Sobre o fato de não ser encontrado em residência fixa, ele explicou que desistiu de manter casa no Rio “há uns cinco anos” e, desde então, mora em locais alugados via Airbnb. “Eu não tenho endereço fixo. Não moro em lugar nenhum. Eu moro onde me dá na telha.” Abreu diz ainda que seu post sobre a mulher de Doria era uma piada e que, se for preciso, está disposto a ir até o STF (Supremo Tribunal Federal) para garantir seu direito à liberdade de expressão. “Sou um comediante, eu faço piada. Eu tenho direito de me expressar. Não vou perder uma piada por medo de processo. Esses caras estão malucos”. E completou: “A Justiça tem mais o que fazer do que ficar perseguindo ator. Não sei que prejuízo moral eu dei à dona Bia Doria. Eu não vou parar de falar.” Para o advogado de Bia no caso, Jacomo Andreucci Filho, o ator “não atualiza seus endereços nos cadastros justamente para ocultar-se de citações”. Abreu contesta a acusação e diz que seus dados estão em dia na Globo, no banco onde tem conta e na Receita Federal. Neste sábado (14/12), o governador João Doria abordou o caso em sua conta no Twitter. “Vejam até onde vai a covardia do Zé de Abreu. Um notório ativista da esquerda e defensor do Lula. Que desrespeita mulheres, cospe na cara das pessoas e, após condenado, foge covardemente da justiça”, escreveu. Em outro processo recente por abusar de sua “liberdade de expressão”, Abreu foi condenado a pagar R$ 20 mil de indenização ao hospital Albert Einstein. O motivo foi uma teoria conspiratória maluca, em que acusou no Twitter que a instituição apoiou o atentado a faca contra o hoje presidente Jair Bolsonaro. O ator criou uma vaquinha virtual e arrecadou o valor em menos de 24 horas.
Ministério da Educação encerra contrato e despeja TV Escola
O governo Jair Bolsonaro decidiu não renovar o contrato de gestão com a Associação Roquette Pinto, que gerencia a TV Escola. Por conta disso, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, determinou um despejo da TV Escola das dependências do Ministério da Educação . Equipamentos do canal foram recolhidos por um caminhão de mudança na manhã sexta-feira (13/12) e encaminhados para um depósito em Brasília. O fim do contrato aconteceu após o governo encontrar dificuldades para indicar pessoas e politizar ainda mais o canal com conteúdo ideológico. De acordo com documentos obtidos pelo site de direita O Antagonista, em julho o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, encaminhou ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, nomes que deveriam ser nomeados para a fundação, apesar de não terem nenhuma ligação com a área da Educação ou mesmo com Jornalismo – um era formado em Odontologia e o outro em curso de escolta armada. Os apadrinhados acabaram rejeitados. Apesar disso, o conteúdo da TV Escola, que existe desde 1995 com teor educacional voltado para professores e estudantes, sofreu influência do governo. O diretor-geral, Francisco Câmpera, foi indicado ainda na gestão do ex-ministro Ricardo Vélez, e a associação ainda abrigou integrantes da ala mais ideológica do governo, como Eduardo Melo, que é diretor adjunto. Isto aconteceu após o Ministério da Educação atrasar repasses neste ano para a associação, o que vinha dificultando a continuidade das operações do canal. Para completar, nesta semana a emissora passou a transmitir uma série sobre a história do Brasil com visão fortemente ideológica, cujo tom revisionista enfatiza a religião e minimiza a importância dos não brancos para o país, acompanhada por entrevistas com o escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, e outros porta-vozes da extrema direita. Em nota, a Roquette Pinto informou que tentou “inúmeros contatos com assessores do Ministério e com o próprio ministro no sentido de solicitar uma prorrogação do prazo para a desocupação afim de poder achar um local adequado. Não recebeu nenhuma resposta”. Além de gerenciar a TV Escola, a Associação Roquette Pinto também é responsável TV Ines, canal voltado a surdos, e pela Cinemateca. O Ministério da Educação confirma que o contrato não será renovado, mas disse, em nota oficial, que “estuda a possibilidade de as atividades do canal serem exercidas por outra instituição da administração pública”. A declaração sugere que outra empresa deverá assumir as operações do canal, possivelmente com novo aporte financeiro (verbas públicas), e, no caso de emplacar um “caráter emergencial”, sem litação, o que possibilitaria a escolha de associação ligada aos interesses do governo – ou de integrantes do governo. A conferir.
Hugh Grant se engaja na campanha eleitoral britânica contra o Brexit e Boris Johnson
O ator Hugh Grant se engajou na campanha eleitoral britânica contra o primeiro ministro Boris Johnson. Às vésperas da eleição marcada para esta quinta (12/12), que é considerada a mais importante do Reino Unido desde a 2ª Guerra Mundial, por mudar as 650 cadeiras da Câmara dos Comuns e definir se o país vai realmente sair da União Europeia, Grant resolveu bater de porta em porta em alguns bairros de Londres para pedir votos para o partido liberal democrata. Curiosamente, Grant interpretou um Primeiro Ministro britânico no filme “Simplesmente Amor” (2003), que teve uma cena recriada na campanha de Boris Johnson. Trata-se da sequência em que Andrew Lincoln imita Bob Dylan e apresenta uma mensagem com a ajuda de cartazes escritos à mão. Na propaganda dos conservadores, o que era uma declaração de amor virou pedido de voto. “Com alguma sorte, no próximo ano, teremos concluído o Brexit (se o Parlamento não bloqueá-lo novamente)”, mostra o cartaz de um Johnson silencioso na propaganda eleitoral – por sinal, bem diferente do líder conservador da vida real. Grant não deixou passar batido e lembrou que o vídeo de Johnson deixou de fora umas frases mais importantes dos cartazes do filme: “Porque no Natal você diz a verdade”. “Eu me pergunto se os conselheiros do Partido Conservador acharam que o cartaz não ficaria muito bem nas mãos de Boris Johnson”, ironizou o ator, em entrevista à BBC. Ele entrou na campanha em busca do voto dos jovens, pois essa faixa etária foi a que menos se engajou no plebiscito de junho de 2016 em que a opção do Brexit (saída da União Europeia) venceu. Na ocasião, centenas de milhares de jovens teriam deixado de votar. Muitos por não acreditar na classe política. Segundo a Sociedade de Reforma Eleitoral, desde que a eleição foi convocada, foram registrados 3,2 milhões de títulos de eleitor, 38% a mais do que os 2,3 milhões identificados pouco antes do pleito de 2017. Cerca de dois terços dos novos eleitores habilitados têm menos de 34 anos. As estatísticas mostram que a população mais jovem tende a votar nos partidos trabalhista, liberal-democrata e verde.
André Sturm é o novo secretário do Audiovisual
André Sturm, ex-secretário de Cultura da prefeitura de São Paulo (na gestão de João Doria) e ex-diretor do Museu da Imagem e do Som, é o novo secretário do Audiovisual do governo Jair Bolsonaro. Segundo o jornal O Globo, o convite foi feito hoje mesmo pelo secretário da Cultura, Roberto Alvim, em um almoço com produtores culturais na Fiesp. Ele ocupará o lugar de Katiane Gouvêa, exonerada ontem após passar apenas duas semanas no cargo. Em nota, a pasta afirmou que o secretário da Cultura decidiu exonerar Katiane “ao tomar conhecimento de que ocorreram fatos em sua campanha eleitoral que, supostamente, podem configurar irregularidade. Até que esses fatos sejam devidamente esclarecidos pela autoridade competente, o secretário decidiu por bem, em nome da lisura da coisa pública, afastá-la de suas funções de imediato”. A ex-secretária não tinha carreira relacionada ao cinema, mas sim a movimentos de extrema direita que travam guerra cultural permanente. Seu nome é associado a um documento que, meses atrás, fez o presidente cogitar extinguir a Ancine (Agência Nacional de Cinema). Bolsonaro recebeu um relatório de projetos aprovados pela agência que considerou absurdos, como “Born to Fashion”, um reality que se propõe a revelar modelos trans, e séries de temática LGBTQIA+. O tema rendeu uma das lives mais polêmicas de Bolsonaro, levando à suspensão de um edital que aprovava o financiamento de vários projetos. Ao contrário de Katiane, André Sturm tem uma carreira fortemente ligada ao cinema, uma das áreas que tem rendido mais polêmicas no governo Bolsonaro. Ele esteve à frente do Programa Cinema do Brasil, que organiza a exportação de filmes brasileiros. E sua gestão à frente do MIS foi reconhecida por transformar o museu no segundo mais visitado de São Paulo. Retrospectivas com memorabilia e itens pessoais de Stanley Kubrick e David Bowie levaram 80 mil visitantes cada ao local. E a reconstituição do cenário e da história do “Castelo Rá-Tim-Bum”, em 2014, estabeleceu um público de blockbuster para o museu: 410 mil pessoas. Diretor-roteirista de dois longas, “Sonhos Tropicais” (2001) e “Bodas de Papel” (2008), Sturm também trabalhou na distribuição de filmes de arte na Pandora Filmes, comandou a programação da Cinemateca Brasileira e até atuou como exibidor, assumindo o célebre Cinema Belas-Artes entre 2004 e 2011. Sua entrada na política, porém, arranhou essa biografia. Ele é investigado por suspeita de fraude e teve um áudio vazado em que ameaçava “quebrar a cara” de um agente cultural. Em um dos inquéritos, os promotores apuram se houve irregularidade em um processo de concorrência de patrocínio para o Carnaval de São Paulo. Em outro, investiga-se a possibilidade de improbidade no rompimento de um contrato com a Odeon, organização social que estava à frente da administração do Theatro Muncipal de São Paulo.
Bolsonaro volta a atacar o “bonito” Leonardo DiCaprio, a “pirralha” Greta Thunberg e ONGs da Amazônia
O presidente polemista Jair Bolsonaro voltou a atacar o ator Leonardo DiCaprio nesta quarta-feira (11/12), além de criticar a ativista Greta Thurnberg, retomar a fake news das ONGs incendiárias e difamar os quatro brigadistas de Alter do Chão, que foram soltos em novembro após terem sido apontados como suspeitos de terem iniciado incêndios em área de proteção ambiental em contestado inquérito da Polícia Civil. Na conversa com um grupo de eleitores na entrada do Palácio do Alvorada, Bolsonaro repetiu a fake news de que DiCaprio doou recursos a uma ONG que comprou a fotografia do incêndio de Alter do Chão. Mesmo já tendo sido desmentido pela ONG em questão e pelo próprio DiCaprio, o homem com a faixa presidencial segue divulgando a sua versão, agora uma mentira assumida – historicamente, Bolsonaro difama até ser condenado pela Justiça. Para completar, afirmou que a imprensa só apoia o ator porque ele é “mais bonito” que o presidente brasileiro. Em tom ofensivo, ele também atacou a jovem ativista sueca Greta Thunberg, que tem ganhado destaque mundial na luta contra os efeitos das mudanças climáticas e foi recentemente escolhida a Pessoa do Ano pela revista americana Time. “Uma pirralha de 16 anos fala qualquer besteira lá fora, qualquer besteira, falou para dar porrada no Brasil, e o pessoal dá destaque. Ela, inclusive, disse agora que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. Ninguém sabe a causa ainda, estão apurando”, disse, repetindo um insulto que tinha feito na terça. Após a primeira declaração, a palavra “pirralha” foi inserida na descrição do perfil oficial de Greta nas redes sociais. Em agosto, a conta da ativista também tinha sido alterada em uma resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acrescentando os “elogios” que ele lhe prestou. Bolsonaro, porém, não fez apenas “discurso de ódio”. Ele também compartilhou elogios, saudando a prisão dos quatro brigadistas de Alter do Chão, voluntários que combatem incêndios na região amazônica e que foram vítimas de uma das ações mais contestadas do ano. Na investigação federal, diferentemente da realizada pela Polícia Civil, nenhum elemento apontou para a participação deles nas queimadas amazônicas, e após o inquérito ter sido questionado, o governador do Pará, Helder Barbalho, até trocou o delegado que comandava as investigações. A apuração do Ministério Público Federal em Santarém apontou como possíveis responsáveis pelo incêndio o assédio de grileiros, a ocupação desordenada da região e a especulação imobiliária. Desde o mês passado, os quatro brigadistas respondem ao processo em liberdade, enquanto a região queimada é loteada por especuladores não importunados pela polícia local. Ao parabenizar a Polícia Civil por apresentar “provas” do envolvimento dos brigadistas no crime ambiental, Bolsonaro lembrou que, no passado, já havia dito que recursos de ONGs (Organizações Não-Governamentais) poderiam ter relação com os incêndios. “Impressionante o trabalho, no meu entender, bastante objetivo. Pegou pessoal que ganhava dinheiro de ONGs para tocar fogo no Brasil e a imprensa em grande parte defendendo agora esses quatro caras que foram presos e foram postos em liberdade”, disse. Os ataques desta quarta aumentam a lista de ofensas e difamações de Bolsonaro, que já foi condenado na Justiça a pagar multas por declarações homofóbicas e racistas, e por um ataque pessoal à deputada federal Maria do Rosário, quando ainda era deputado.








