Globo pede renovação da concessão. Bolsonaro vai acatar?
A rede Globo pediu oficialmente na terça-feira (20/9) a renovação de sua concessão para continuar operando na TV aberta. A empresa fez a solicitação no Ministério das Comunicações para cinco emissoras espalhadas pelo Brasil, localizadas em Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Recife. Em outras cidades, o canal é retransmitido através de empresas parceiras – afiliadas do canal. De acordo com a Lei Federal, emissoras de TV têm concessões válidas por 15 anos, podendo ser renovadas após esse período. A última vez que a Globo teve sua concessão aprovada foi por meio de um decreto assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O detalhe é que, pela primeira vez na História, um presidente ameaça publicamente não renovar a concessão de um canal em funcionamento. Jair Bolsonaro apontou repetidas vezes que a Globo sofrerá dificuldades com a renovação. Bolsonaro começou a ameaçar pela primeira vez tirar a Globo do ar em outubro de 2019, numa live exibida logo após uma reportagem do “Jornal Nacional” vincular seu nome às investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco. Em meio a várias ofensas, dirigiu-se à emissora em seu melhor estilo truncado: “Temos uma conversa em 2022. Eu tenho que estar morto até lá. Porque o processo de renovação da concessão não vai ser perseguição. Nem pra vocês nem pra TV nem rádio nenhuma. Mas o processo tem que estar enxuto, tem que estar legal. Não vai ter jeitinho pra vocês, nem pra ninguém”. Em seguida, reforçou em entrevista para a rádio Tupi: “Da minha parte, para todo mundo, você tem que estar em dia (com a documentação exigida para obter a concessão). Não vamos perseguir ninguém, nós apenas faremos cumprir a legislação para essas renovações de concessões. Temos informações de que eles vão ter dificuldades”. Em maio de 2020, irritado com a cobertura que a Globo vinha fazendo da pandemia do coronavírus, voltou à carga. “Não vou dar dinheiro para vocês. Globo, não tem dinheiro para vocês. Em 2022… Não é ameaça não. Assim como faço para todo mundo, vai ter que estar direitinho a contabilidade, para que você [Globo] possa ter sua concessão renovada. Se não tiver tudo certo, não renovo a de vocês nem a de ninguém”. Ele repetiu a fala em 2021, usando tom de ameaça: “A Globo tem encontro comigo ano que vem. Encontro com a verdade”. E voltou a dizer, no seu jeito de fazer uma afirmação para afirmar o oposto em seguida: “Não vou perseguir ninguém. Tem que estar com as certidões negativas em dia, um montão de coisas aí”. Apesar de insistir naquilo que “não é ameaça não”, Bolsonaro precisa do Congresso para tirar a concessão de funcionamento da Globo. Caso o Ministério da Comunicação, que é genro de Silvo Santos, rival direto da Globo, decida-se pela não-renovação, o fim da concessão ainda precisará de ser autorizado por dois quintos do Congresso em votação nominal. E o contestado ainda pode recorrer na Justiça. De todo modo, a insinuação serve de alerta para quem gosta de novela da Globo e ainda não decidiu em quem votar.
Atriz de “Killing Eve” participa do velório da Rainha Elizabeth II
A atriz Sandra Oh (“Killing Eve”) chamou atenção de todo mundo por participar do velório da Rainha Elizabeth II. Muitos se perguntaram porque a estrela, que não é britânica, decidiu prestigiar a cerimônia. Mas há uma explicação. Ela foi convidada a integrar a delegação oficial canadense liderada pelo primeiro-ministro Justin Trudeau. A participação de Oh se deu após ela ter sido nomeada oficial da Ordem do Canadá, em junho. A Ordem do Canadá é um sistema de honras que reconhece canadenses que fizeram “contribuições extraordinárias à nação”. Oh, que tem nacionalidade canadense/americana, foi reconhecida por causa da “sua carreira artística repleta de papéis memoráveis no palco, na televisão e no cinema, no Canadá e no exterior”. Por conta disso, ela foi escalada para participar do funeral, ao lado de um grupo de colegas que receberam as mesmas honras nacionais, incluindo o ex-atleta olímpico Mark Tewksbury, o músico Gregory Charles e Leslie Arthur Palmer, membro da guarda costeira do país condecorado depois de salvar um pescador em meio a uma tempestade. Além de “Killing Eve”, Sandra Oh também é conhecida por sua participação na série “Greys Anatomy”. Seu novo projeto é um filme ainda sem título de Jessica Yu (“Ping Pong Playa”), em que vive a irmã de Awkwafina (“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”). Vídeos da participação da atriz no velório já estão circulando nas redes sociais. Confira. SANDRA??? WHAT IS SHE DOING THERE😭😭 pic.twitter.com/peFswPk0wN — cola (@evclynwang) September 19, 2022
Artistas lançam o “Hino ao Inominável”, música feita com as piores frases de Bolsonaro
Os atores Wagner Moura, Bruno Gagliasso, o Professor Pasquale e vários cantores e músicos lançaram o “Hino ao Inominável”, uma música que relembra diversas frases e atitudes polêmicas do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro. O hino, que é na verdade um manifesto musical de 13 minutos, ganhou um clipe publicado no YouTube neste sábado (17/9). A letra, escrita por Carlos Rennó, resgata frases horripilantes, desde a negação de que houve ditadura no Brasil, a preferência por ter um filho morto a um filho homossexual, falas racistas, a favor do assassinato de “bandidos”, ataques à imprensa e a recusa de dados científicos sobre a pandemia e o desmatamento na Amazônia. “Ao som raivoso de uma voz inconfiável que diz e mente, e se desmente e se desdiz”, como ressalta o trecho cantado por Wagner Moura. “Os versos citam literalmente ou se baseiam em declarações dadas pelo ‘inominável’ e encontradas na internet e em jornais”, descreveu Rennó. A música foi composta por Chico Brown e Pedro Luís e seus múltiplos intérpretes incluem André Abujamra, Arrigo Barnabé, Bruno Gagliasso, Caio Prado, Cida Moreira, Chico Brown, Chico César, Chico Chico, Dexter, Dora Morelenbaum, Héloa, Hodari, Jorge Du Peixe, José Miguel Wisnik, Leci Brandão, Lenine, Luana Carvalho, Marina Íris, Marina Lima, Monica Salmaso, Paulinho Moska, Pedro Luís, Péricles Cavalcanti, Preta Ferreira, Professor Pasquale, Ricardo Aleixo, Thaline Karajá, Vitor da Trindade, Wagner Moura e Zélia Duncan. Numa das passagens mais polêmicas, os cantores Caio Prado e Marina Íris relembram quando Bolsonaro disse que as pessoas negras de um quilombo pesavam “sete arrobas” e não serviam para procriar: “Como se fôssemos, nós negros, animais. E ainda insiste que não é racista e que racismo não existe no país”, acrescentam. No Youtube, a descrição do vídeo diz: “Feito pra lembrar, pra sempre, esses anos sob a gestão do mais tosco dos toscos, o mais perverso dos perversos, o mais baixo dos baixos, o pior dos piores mandatários da nossa história. E pra contribuir, no presente, pra não reeleição do inominável”.
Quebrando Mitos: Veja o documentário sobre Jair Bolsonaro
O cineasta Fernando Grostein Andrade (“Abe”) disponibilizou nesta sexta (16/9) no YouTube o seu novo documentário, “Quebrando Mitos”. O título indica uma continuação conceitual de “Quebrando o Tabu” (2011), em que o diretor abordou a política do combate às drogas com depoimentos de ex-presidentes, como Fernando Henrique Cardoso, Jimmy Carter e Bill Clinton. Desta vez, o tema é a ameaça da extrema direita. O longa, que tem roteiro de Carol Pires, traz o ponto de vista de um casal LGBTQIAP+ – o próprio diretor e o ator-cantor Fernando Siqueira – sobre a “masculinidade catastrófica e frágil de Jair Bolsonaro”, de acordo com a sinopse oficial. A produção foi motivada por ameaças anônimas recebidas por Andrade, após fazer críticas à homofobia de Bolsonaro. Assim, o filme reúne falas violentas do presidente e reflete sobre o impacto de suas políticas sobre o povo brasileiro, ressaltando, novamente segundo a sinopse, “a resistência ao fascismo no Brasil”. “Quebrando Mitos” pode ser visto integralmente aqui abaixo.
Filme de Godard foi última vítima da censura nos cinemas do Brasil
O Brasil já tinha encerrado a ditadura militar quando “Eu Vos Saúdo, Maria” se tornou o último filme censurado nos cinemas do país. Premiado no Festival de Berlim, o longa-metragem de Jean-Luc Godard, falecido nesta terça (13/9), teve sua exibição proibida pelo então presidente José Sarney. A censura foi resultado de pressão da Igreja católica, “para assegurar o direito de respeito à fé da maioria da população brasileira”. No filme, Godard contava a história de uma mulher chamada Maria, estudante que trabalhava num posto de gasolina e namorava um taxista chamado José. Mas um estranho chamado Tio Gabriel revela que ela ficará grávida, mesmo sendo virgem. Além da trama, as cenas de sexo de Maria também revoltaram católicos na época, que viram a intenção de Godard de subverter a história da Virgem Maria. Lançado em 1985 na França, o filme chegaria ao Brasil no ano seguinte. Mas Sarney proibiu seu lançamento, justificando a censura dizendo que ela tinha “base na Constituição”. Como a imposição de censura ocorreu antes da promulgação de Constituição de 1988, Sarney usou a legislação da ditadura para proibir o filme. O presidente afirmou ainda que levou em consideração as orientações do Papa João Paulo II e da CNBB, que já tinham condenado o filme por afrontar “temas fundamentais da fé cristã, deturpando e vilipendiando a figura sagrada da Virgem Maria”. Bispos e cardeais proeminentes, como dom Ivo Lorscheiter e dom Eugênio Salles, aplaudiram. Roberto Carlos fez questão de cumprimentar Sarney, dizendo que o filme não era “obra de arte ou expressão cultural”. Mas até o próprio ministro da Justiça, Fernando Lyra, e o diretor do ainda existente departamento de Censura, Coriolano de Loiola de Cabral Fagundes, foram contra a proibição. Na ocasião, a cineasta Tizuka Yamazaki disse ao jornal O Globo achar “um absurdo que a Censura, declarada extinta pelo ministro da Justiça, tenha se manifestado mais uma vez contra uma obra que não tem apelo popular” e seria, segundo ela, “assistida por meia dúzia de intelectuais”. De fato, quando finalmente foi liberado, dois anos depois, o filme atraiu cerca de 100 pessoas em sua estreia, em quatro cinemas do Rio. Veja abaixo o trailer de “Eu Vos Saúdo, Maria”.
Jafar Panahi envia carta da prisão para o Festival de Veneza
O cineasta iraniano Jafar Panahi, que se encontra preso pelo regime ultraconservador de seu país, enviou uma mensagem em desafio à censura do Irã, que foi revelada no Festival de Veneza neste sábado (3/9). Um dos diretores mais premiados do Irã, que já venceu o Leão de Ouro de Veneza com “O Círculo” (2009), Panahi participa do festival deste ano com seu novo filme, “No Bears”, apesar de estar preso desde o mês passado, condenado a seis anos de encarceramento por fazer “propaganda contra o governo”. A propaganda consiste em filmes de temática social e o apoio do diretor aos protestos de 2009 contra a reeleição do ultraconservador Mahmud Ahmadinejad como presidente da República Islâmica. Detido por dois meses em 2010, ele já tinha passado 12 anos em prisão domiciliar e proibido de filmar por 25 anos. Apesar da sentença, ele conseguiu enviar a carta de sua cela na prisão, que o diretor do festival, Alberto Barbara, leu no início de um painel do festival intitulado “Cineastas sob ataque: fazendo um balanço, agindo”. “Somos cineastas, para nós viver é criar”, escreveu Panahi. “O trabalho que criamos não é encomendado [portanto] alguns de nossos governos nos veem como criminosos… alguns [cineastas] foram proibidos de fazer filmes, outros foram forçados ao exílio ou reduzidos ao isolamento. E, no entanto, a esperança de criar novamente é uma razão de existência.” Panahi foi o terceiro cineasta iraniano a ser preso no país em agosto. Além dele, também foram jogados em prisões Mohammad Rasoulof, que venceu o Urso de Ouro de Berlim com “Não Há Mal Algum” (2020), e Mostafa Aleahmad (“Poosteh”), em meio a uma onda de repressão aos artistas em todo o país. Panahi foi preso depois de protestar contra as prisões de Rasoulof e Aleahmad. O produtor de “Não Há Mal Algum”, Kaveh Farnam, disse no painel de Veneza, que o governo do Irã realiza “um grande ataque ao cinema iraniano independente, aos cineastas e tudo que não compartilha 100% da mesma ideologia do governo”. Fazer cinema no Irã, disse Farnam, “não é um direito, é um privilégio. O governo dá o privilégio a quem faz propaganda ou apresenta outra imagem [positiva] do país”. Quem não se sujeitar a isso ou não faz cinema ou é preso. Ele agradeceu à comunidade internacional por “fazer barulho” em apoio aos cineastas iranianos, mas alertou que a repressão “ainda não terminou” e outros cineastas correm riscos. Além da situação no Irã, o painel discutiu a perseguição de cineastas em outros países, com destaque para a repressão na Turquia, Egito e Mianmar. Um dos casos mais absurdos lembrados foi o do cineasta turco Cidgem Mater, que não foi preso por fazer um filme, mas “por pensar em fazer um filme” sobre um assunto proibido. Mater também enviou uma carta a Veneza, escrita de sua cela na prisão, agradecendo à comunidade cinematográfica internacional por seu apoio. Vanja Kalurdjercic, diretora do Festival Internacional de Cinema de Roterdã e uma das fundadoras da Comissão Internacional de Cineastas em Risco (ICFR, na sigla em inglês), disse que é necessário que a comunidade cinematográfica global “soe um alarme muito alto” sobre o “aumento dramático” de censura, prisão e abuso de cineastas em todo o mundo. Até agora, o ICFR arrecadou 420 mil euros para ajudar cineastas na Ucrânia e conseguiu ajudar centenas de integrantes da indústria cinematográfica do Afeganistão a fugir do país em segurança, após a nova ascensão do Talebã.
Patricia Pillar vai processar quem usar seu nome em fake news política
A atriz Patricia Pillar virou assunto no Twitter após Jair Bolsonaro citar seu nome para atacar Ciro Gomes no debate entre candidatos à presidente realizado na noite de domingo (28/8) e exibido na Band. Aproveitando a deixa, vários apoiadores do político de direita resolveram espalhar que ela sofreu violência do ex-marido. Mas quando o vereador sorocabano Vinicius Aith escreveu “Eu não esqueci das pancadas em Patricia Pillar”, recebeu uma invertida da atriz. “Você tem advogado? É bom arranjar um porque vai precisar”, escreveu Patricia. Aith imediatamente deletou o post, mas seguidores da atriz trataram de encaminhar para ela um print do tuite para uma ação de difamação. Os seguidores também apontaram outros políticos que decidiram alimentar a fake news de violência contra ela. Patricia também se manifestou contra os boatos em suas redes sociais, além de afirmar já ter “desculpado” Ciro por uma frase infeliz dita em 2002 e declarar seu voto no político pedetista nas eleições presidenciais de 2022. Bolsonaro explorou a antiga frase ao rebater Ciro no tema de machismo que pautou o debate. “Você falou que a missão mais importante de tua esposa era dormir contigo. Pelo amor de Deus, Ciro. Peço que você peça desculpas também aí”, disse o atual presidente. Em uma série de postagens, a atriz condenou a ação coordenada de bolsonaristas para aumentar a história e espalhar fake news. “Há 20 anos, Ciro Gomes, meu ex-marido, disse uma frase infeliz em entrevista e imediatamente me pediu desculpas, que foram aceitas já naquela época”, ela escreveu. “A partir dessa entrevista, adversários sem caráter criaram uma mentira sórdida sobre uma agressão que NUNCA ACONTECEU. Quem insistir em disseminar essa fake news perversa, sofrerá as devidas medidas judiciais”, ameaçou. A atriz ainda afirmou que quem tentar distorcer os fatos, sem levar em consideração o que ela mesma diz sobre o caso, estará “desrespeitando todas as mulheres”. Ela também aproveitou para prestar solidariedade à jornalista Vera Magalhães, que foi alvo de grosserias de Bolsonaro durante o debate. “Por fim, minha solidariedade a todas as outras mulheres já desrespeitadas por Bolsonaro, como a jornalista Vera Magalhaes no debate na Band”. Portanto, Ciro não me deve absolutamente nada, e até hoje tenho por ele grande admiração e respeito. E por acreditar em seu projeto para o futuro do Brasil, terá meu voto. — Patricia Pillar (@patriciapillar) August 29, 2022 3. Quem tenta obter vantagens a partir da história pessoal de uma mulher, desconsiderando o que ela mesma diz, está desrespeitando TODAS AS MULHERES. — Patricia Pillar (@patriciapillar) August 29, 2022 4. Por fim, minha solidariedade a todas as outras mulheres já derespeitadas por Bolsonaro, como a jornalista @veramagalhaes no debate na Band. — Patricia Pillar (@patriciapillar) August 29, 2022 Vc tem advogado? É bom arranjar um pq vai precisar. https://t.co/lRjIi3J6fd — Patricia Pillar (@patriciapillar) August 30, 2022
João Vicente de Castro vai viver o próprio pai em série sobre O Pasquim
O ator e apresentador João Vicente de Castro (da novela “Espelho da Vida” e do programa “Papo de Segunda”) vai viver o próprio o pai, Tarso de Castro, numa série dramática da Paramount+ sobre a história do jornal O Pasquim. Tarso foi um dos fundadores da famosa publicação de humor, comportamento e política que marcou o Brasil nos anos 1970. João Vicente é um dos produtores do projeto, atualmente em fase de piloto. Se tudo der certo, será sua segunda produção para o streaming, após a série de comédia e suspense “As Seguidoras”, lançada em março. Ele vai trabalhar na produção com a equipe do Porta dos Fundos. A atração terá seis episódios escritos por Murilo Hauser. “Vai ser uma loucura”, disse o ator-produtor ao jornal O Globo. “Ainda não sabemos quando vamos gravar. E estamos fazendo convites para o elenco”. “O Pasquim” foi fundado por Tarso de Castro, Jaguar e Sérgio Cabral em 1969 para enfrentar a ditadura militar com uma revolução comportamental. A publicação, editada até 1991, abordava temas como sexo, drogas, feminismo e trazia muitas tiras de humor, incomodando para valer a dita “moral e os bons costumes” que a ditatura pretendia impor com a força da censura no Brasil. De fato, em função de uma entrevista lendária feita por Tarso, Jaguar e Cabral com Leila Diniz em 1969, foi instaurada a censura prévia aos meios de comunicação no país, a infame Lei de Imprensa, que por um tempo se tornou popularmente conhecida pelo nome da atriz. Em novembro de 1970, a maior parte da redação de O Pasquim foi presa porque o jornal ousou satirizar o célebre quadro da Proclamação da Independência, de Pedro Américo. Mas Millôr Fernandes, que escapou da prisão, manteve o jornal funcionando com colaborações de Chico Buarque, Antônio Callado, Rubem Fonseca, Odete Lara, Glauber Rocha e diversos intelectuais cariocas, vendendo cerca de 100 mil exemplares por semana, mais do que as revistas Veja e Manchete somadas. Ao longo de sua trajetória icônica, O Pasquim também contou com colaborações de Ziraldo, Manoel “Ciribelli” Braga, Miguel Paiva, Prósperi, Luiz Carlos Maciel, Henfil, Paulo Francis, Ivan Lessa, Carlos Leonam, Sérgio Augusto, Ruy Castro, Fausto Wolff, Claudius e Fortuna. Tarso foi editor de 80 edições do jornal e morreu de cirrose hepática em maio de 1991, aos 49 anos. Seis meses depois, O Pasquim fechou.
Roteirista de “Democracia em Vertigem” fará série sobre a Democracia Corintiana
A Democracia Corintiana será tema de uma série da diretora e roteirista Moara Passoni, que ajudou a escrever “Democracia em Vertigem” (2019), de Petra Costa. O movimento nasceu nos anos 1980, quando atletas se juntaram para ter direito a opinar sobre detalhes de seu trabalho e nos rumos do clube paulista, além de defenderem o direito a liberdade expressão sem sofrer censura. Na época, jogador de futebol não costumava ter opinião política. Mas os jogadores Walter Casagrande, Sócrates, Wladimir, Zenon, Adilson, Biro Biro e Zé Maria, entre outros, acabaram se tornando exemplos. Batizado por Juca Kfouri e marketado por Washington Olivetto, que na época trabalhava com o Corinthians, a Democracia Corinthiana foi um período da história do clube no qual decisões importantes como contratações, regras de concentração, direito ao consumo de bebidas alcoólicas em público, liberdade para expressar opiniões políticas e outros, eram decididas através do voto igualitário de seus membros, de modo que o voto do técnico, por exemplo, valia tanto quanto o de um funcionário ou jogador. Isso criou uma espécie de “autogestão” do time, algo completamente revolucionário, que rendeu títulos como o Campeonato Paulista de 1982. Além disso, o Corinthians se tornou o primeiro clube a utilizar a camisa para fazer propaganda de slogans publicitários. Por iniciativa de Washington, o uniforme passou a estampar frases de cunho político, como “Diretas Já” e “Eu quero votar para presidente”. Isso ainda no período da ditadura militar, quando os movimentos sociais começavam a se rearticular para conclamar a volta da democracia. A Democracia começou a minguar em 1984, quando Sócrates foi para a Itália e Casagrande para o São Paulo, e acabou em 1986 quando o então presidente do Corinthians, Waldemar Pires, não conseguiu eleger seu sucessor. A história foi contada no livro “Democracia Corintiana – A Utopia em Jogo”, de Sócrates e Ricardo Gozzi, e já ganhou um documentário, “Ser Campeão é Detalhe – Democracia Corinthiana”, uma produção de média metragem de 2011, que pode ser encontrada no YouTube. A série tem produção da Maria Farinha Filmes e, de acordo com a coluna de Patricia Kogut, no jornal O Globo, está sendo negociado com canais e plataformas de streaming.
Justiça aceita processo de Marcelo Adnet contra Mario Frias
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios aceitou a denúncia feita pelo humorista Marcelo Adnet contra o ex-secretário especial de Cultura Mario Frias por injúria e difamação. A ação foi motivada por ataques do ex-integrante do governo Bolsonaro contra o humorista após a publicação de uma paródia do vídeo “Um Povo Heroico”. A campanha do Governo Federal, estrelada por Mario Frias, foi veiculada às vésperas de 7 de setembro do ano retrasado em comemoração à Independência do Brasil. Mário Frias reagiu ao víde chamando Adnet de “criatura imunda”, “crápula”, “frouxo”, “sem futuro”, “palhaço”, “idiota”, “egoísta”, “fraco”, frouxo” e “bobão”, além de atacar sua vida privada, comentando sua infidelidade no casamento com a ex Dani Calabresa. “Um Judas que não respeitou nem a própria esposa, traindo a pobre coitada em público por pura vaidade e falta de caráter”. Na época, Adnet respondeu com nova piada, dizendo que Frias “recomendou” o esquete. “Até o Secretário Frias recomendou no Instagram dele! Vale conferir o post! A Secom deve replicar em suas redes!”, postou o humorista. O tom agora é outro. Na petição, os advogados de Adnet alegam que Frias “explodiu em fúria, com ameaça, injúria e difamação depois de tomar ciência de uma singela e inofensiva paródia feita pelo autor, em que ele imita o discurso feito pelo demandado, num vídeo oficial da Secretaria Especial de Comunicação do Governo Federal”. Ainda segundo a equipe de Adnet, o autor da ação não fez nenhuma ofensa ou ataque em sua paródia. “Não existe discurso de ódio ou intolerância que justifique a reação do secretário especial de Cultura do Governo Federal”. Já a defesa do bolsonarista argumentou que não não houve demonstração de dolo específico de ofender e que os fatos eram atípicos. O juiz Fernando Brandini Barbagalo, no entanto, determinou o prosseguimento da ação penal — proposta pelos advogados Guilherme Furniel e Maíra Fernandes em nome de Adnet. Afirmou que as expressões inseridas na publicação em seu perfil pessoal indicam, em tese, o animus de ofender a honra da vítima. O magistrado designou ainda uma audiência por videoconferência para oitiva dos envolvidos. Confira abaixo o vídeo que fez Frias ofender Adnet. Arquivo Confidencial com o presidente no #SintaSeEmCasa Pgm completo https://t.co/t26nDkk4gq pic.twitter.com/t3jPIJhhE5 — Marcelo Adnet (@MarceloAdnet) September 5, 2020
Fabrício Queiroz vai à polícia contra Fábio Porchat
A Polícia Civil do Rio pretende intimar o comediante Fábio Porchat a dar depoimento na próxima quarta-feira (24/8), após queixa de Fabrício Queiroz. O aliado de Bolsonaro, que é o principal nome ligado às acusações de “rachadinhas” da família, foi chamado de miliciano por Porchat durante participação num podcast. Em entrevista de julho ao Cara a Tapa, de Rica Perrone, Porchat fez duras críticas a Queiroz e até o acusou de supostos assassinatos. “É um miliciano, é um cara que matou gente, foi preso”, disparou o humorista, que ainda citou a investigação em que o ex-funcionário dos Bolsonaros foi apontado por ter feito um repasse de R$ 89 mil à conta da mulher do presidente da República, Michelle Bolsonaro. Queiroz foi assessor de Bolsonaro quando ele ainda era vereador do Rio de Janeiro, mas manteve vínculo com a família até recentemente. Como homem forte do gabinete de Flávio, virou alvo de uma investigação do Coaf no caso das rachadinhas. As acusações são de que comandava um esquema para obrigar os funcionários do gabinete a devolverem parte do salário ao filho do presidente. Nesta semana, ele foi à 32ª DP denunciar que teve a honra atingida por Porchat, ressaltando na queixa seu passado como policial militar. Um inquérito foi instaurado na delegacia para apurar o caso. Em suas redes sociais, Queiroz postou um vídeo sobre o assunto: “O registro está feito. Nós vamos nos encontrar nos corredores da justiça. Calúnia e injúria se combatem assim. Fake news é crime tipificado no Código Penal. Se você foi caluniado ou se sofreu injúria, faça o registro e a justiça toma conta do caso”. Horas após a polícia informar que tenta levar o humorista para um depoimento, o próprio Porchat se manifestou em suas redes sociais. Ele deu RT na notícia e, em tom de brincadeira, escreveu. “Achei o Queiroz”, se referindo ao período em que o atual candidato ficou foragido, após ter um mandado de prisão contra ele. O possível crime de Porchat, considerado de baixo potencial ofensivo, será julgado no 16º Juizado Especial Criminal de Jacarepaguá, onde deverá ser proposto, inicialmente, um acordo entre os envolvidos.
Gina Lollobrigida vai concorrer ao senado italiano aos 95 anos
A atriz Gina Lollobrigida, ícone do cinema italiano e uma das atrizes mais glamourosas da era de ouro de Hollywood, vai concorrer ao cargo de senadora da Itália por um partido de esquerda, aos 95 anos. Apesar da idade, ela mantém toda a sua energia e agora pretende canalizá-la para convencer os italianos a votarem nela na eleição marcada para 25 de setembro. A atriz concorrerá pelo partido Itália Soberana e Popular, uma nova aliança política que se opõe ao envio de armas para a Ucrânia e ao “atlanticismo belicista” e é apoiada, entre outras forças, pelo Partido Comunista e pela Pátria Socialista. Em entrevista recente publicada no jornal Corriere della Sera, Lollobrigida se disse “farta de ouvir os políticos falarem sem chegar a soluções”. “Enquanto tiver energia, vou usá-la para coisas importantes, principalmente para o meu país. A Itália tem problemas, quero fazer algo bom e positivo”, declarou. A protagonista de clássicos como “O Corcunda de Notre Dame” (1956), “Quando Setembro Vier” (1961) e “Amor à Italiana” (1965) disse ter se decidido a concorrer após conversar com seu advogado, Antonio Ingroia, e ser inspirada por Mahatma Gandhi, a quem elogia por “sua maneira de fazer as coisas, a não-violência”. Lollobrigida já tentou a sorte no mundo da política na década de 1990, quando concorreu ao Parlamento Europeu, mas não foi eleita. Ela disse que recorda aquela derrota como “uma experiência” e, nesse sentido, pondera que “na vida você pode perder e pode ganhar”. As pesquisas para as eleições antecipadas de 25 de setembro dão como favoritas a coalizão conservadora formada pelo Força Itália, liderada por Silvio Berlusconi. Berlusconi, que completará 86 anos quatro dias depois dessas eleições, disse recentemente que também pensa em concorrer a senador, após ter sido expulso do Senado em 2013 devido à condenação por fraude. Este veredito o impediu de ocupar cargos gerenciais e concorrer a eleições por vários anos.
Antonio Tabet ensina como lidar com lacração de Bolsonaro
Depois de Anitta chamar atenção para o estilo lacrador assumido pelas redes sociais de Jair Bolsonaro, que tem tentado pegar carona em posts de influenciadores com comentários irônicos para chamar atenção, o comediante Antonio Tabet, do Porta dos Fundos, aproveitou uma tentativa de zoação do político de direita para ensinar como lidar com essa intrusão. O caso aconteceu no Twitter durante a segunda-feira (1/8), após Tabet fazer uma piada em relação ao resultado da última pesquisa Datafolha. “DataTabet: 98% dos cornos que defendem Bolsonaro no Twitter têm foto de perfil cafona com óculos escuros dentro do carro”, escreveu o comediante. O perfil de Bolsonaro, que não é escrito por ele, imediatamente se manifestou. “Boa piada, Tablet”, iniciou o texto, errando propositalmente o nome do humorista. “Falando em carro, publicamos nosso decreto que reduz o IPI (IMPOSTO) sobre mais de 4000 itens, incluindo automóveis”, lembrou, antes de partir pro lacre. “O bom dessa medida é que ela não contempla apenas aqueles que você diz me apoiarem, mas a todos, inclusive os cornos com a sua ideologia”, acrescentou. Enquanto bolsonaristas repercutiam rolando de rir, Tabet resolveu o assunto de forma simples e direta. “Já que o presidente se importa mais comigo que com a vacina e a fome, aproveito para perguntar”, escreveu antes de listar: “Por que o Queiroz depositou 89 mil na conta da Michelle? Cadê o dinheiro do MEC? A PF sabe quem mandou seu vizinho matar Marielle? O que é golden shower?”. Por fim, Tabet incorporou a piada e fez questão de assinar com o nome escrito errado, exatamente como Bolsonaro havia feito para provocá-lo. “Grato, Tablet”. Bolsonaro encerrou o assunto, mas a postagem viralizou. Para completar, o termo “Cornos com Bolsonaro” entrou na lista de tópicos mais comentados do Twitter nacional. Além de divertir de graça nas redes sociais, Tabet poderá ser visto nos cinemas a partir de quinta (4/8), integrando o elenco da comédia “O Palestrante”, estrelada por seu colega de Porta dos Fundos Fábio Porchat e a comediante Dani Calabresa. Já que o presidente se importa mais comigo que com a vacina e a fome, aproveito para perguntar: – Por que o Queiroz depositou 89 mil na conta da Michelle?– Cadê o dinheiro do MEC?– A PF sabe quem mandou seu vizinho matar Marielle?– O que é golden shower? Grato,Tablet. https://t.co/z4v5KklgmG — Antonio Tabet (@antoniotabet) August 2, 2022












