João Vicente de Castro vai viver o próprio pai em série sobre O Pasquim
O ator e apresentador João Vicente de Castro (da novela “Espelho da Vida” e do programa “Papo de Segunda”) vai viver o próprio o pai, Tarso de Castro, numa série dramática da Paramount+ sobre a história do jornal O Pasquim. Tarso foi um dos fundadores da famosa publicação de humor, comportamento e política que marcou o Brasil nos anos 1970. João Vicente é um dos produtores do projeto, atualmente em fase de piloto. Se tudo der certo, será sua segunda produção para o streaming, após a série de comédia e suspense “As Seguidoras”, lançada em março. Ele vai trabalhar na produção com a equipe do Porta dos Fundos. A atração terá seis episódios escritos por Murilo Hauser. “Vai ser uma loucura”, disse o ator-produtor ao jornal O Globo. “Ainda não sabemos quando vamos gravar. E estamos fazendo convites para o elenco”. “O Pasquim” foi fundado por Tarso de Castro, Jaguar e Sérgio Cabral em 1969 para enfrentar a ditadura militar com uma revolução comportamental. A publicação, editada até 1991, abordava temas como sexo, drogas, feminismo e trazia muitas tiras de humor, incomodando para valer a dita “moral e os bons costumes” que a ditatura pretendia impor com a força da censura no Brasil. De fato, em função de uma entrevista lendária feita por Tarso, Jaguar e Cabral com Leila Diniz em 1969, foi instaurada a censura prévia aos meios de comunicação no país, a infame Lei de Imprensa, que por um tempo se tornou popularmente conhecida pelo nome da atriz. Em novembro de 1970, a maior parte da redação de O Pasquim foi presa porque o jornal ousou satirizar o célebre quadro da Proclamação da Independência, de Pedro Américo. Mas Millôr Fernandes, que escapou da prisão, manteve o jornal funcionando com colaborações de Chico Buarque, Antônio Callado, Rubem Fonseca, Odete Lara, Glauber Rocha e diversos intelectuais cariocas, vendendo cerca de 100 mil exemplares por semana, mais do que as revistas Veja e Manchete somadas. Ao longo de sua trajetória icônica, O Pasquim também contou com colaborações de Ziraldo, Manoel “Ciribelli” Braga, Miguel Paiva, Prósperi, Luiz Carlos Maciel, Henfil, Paulo Francis, Ivan Lessa, Carlos Leonam, Sérgio Augusto, Ruy Castro, Fausto Wolff, Claudius e Fortuna. Tarso foi editor de 80 edições do jornal e morreu de cirrose hepática em maio de 1991, aos 49 anos. Seis meses depois, O Pasquim fechou.
Roteirista de “Democracia em Vertigem” fará série sobre a Democracia Corintiana
A Democracia Corintiana será tema de uma série da diretora e roteirista Moara Passoni, que ajudou a escrever “Democracia em Vertigem” (2019), de Petra Costa. O movimento nasceu nos anos 1980, quando atletas se juntaram para ter direito a opinar sobre detalhes de seu trabalho e nos rumos do clube paulista, além de defenderem o direito a liberdade expressão sem sofrer censura. Na época, jogador de futebol não costumava ter opinião política. Mas os jogadores Walter Casagrande, Sócrates, Wladimir, Zenon, Adilson, Biro Biro e Zé Maria, entre outros, acabaram se tornando exemplos. Batizado por Juca Kfouri e marketado por Washington Olivetto, que na época trabalhava com o Corinthians, a Democracia Corinthiana foi um período da história do clube no qual decisões importantes como contratações, regras de concentração, direito ao consumo de bebidas alcoólicas em público, liberdade para expressar opiniões políticas e outros, eram decididas através do voto igualitário de seus membros, de modo que o voto do técnico, por exemplo, valia tanto quanto o de um funcionário ou jogador. Isso criou uma espécie de “autogestão” do time, algo completamente revolucionário, que rendeu títulos como o Campeonato Paulista de 1982. Além disso, o Corinthians se tornou o primeiro clube a utilizar a camisa para fazer propaganda de slogans publicitários. Por iniciativa de Washington, o uniforme passou a estampar frases de cunho político, como “Diretas Já” e “Eu quero votar para presidente”. Isso ainda no período da ditadura militar, quando os movimentos sociais começavam a se rearticular para conclamar a volta da democracia. A Democracia começou a minguar em 1984, quando Sócrates foi para a Itália e Casagrande para o São Paulo, e acabou em 1986 quando o então presidente do Corinthians, Waldemar Pires, não conseguiu eleger seu sucessor. A história foi contada no livro “Democracia Corintiana – A Utopia em Jogo”, de Sócrates e Ricardo Gozzi, e já ganhou um documentário, “Ser Campeão é Detalhe – Democracia Corinthiana”, uma produção de média metragem de 2011, que pode ser encontrada no YouTube. A série tem produção da Maria Farinha Filmes e, de acordo com a coluna de Patricia Kogut, no jornal O Globo, está sendo negociado com canais e plataformas de streaming.
Justiça aceita processo de Marcelo Adnet contra Mario Frias
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios aceitou a denúncia feita pelo humorista Marcelo Adnet contra o ex-secretário especial de Cultura Mario Frias por injúria e difamação. A ação foi motivada por ataques do ex-integrante do governo Bolsonaro contra o humorista após a publicação de uma paródia do vídeo “Um Povo Heroico”. A campanha do Governo Federal, estrelada por Mario Frias, foi veiculada às vésperas de 7 de setembro do ano retrasado em comemoração à Independência do Brasil. Mário Frias reagiu ao víde chamando Adnet de “criatura imunda”, “crápula”, “frouxo”, “sem futuro”, “palhaço”, “idiota”, “egoísta”, “fraco”, frouxo” e “bobão”, além de atacar sua vida privada, comentando sua infidelidade no casamento com a ex Dani Calabresa. “Um Judas que não respeitou nem a própria esposa, traindo a pobre coitada em público por pura vaidade e falta de caráter”. Na época, Adnet respondeu com nova piada, dizendo que Frias “recomendou” o esquete. “Até o Secretário Frias recomendou no Instagram dele! Vale conferir o post! A Secom deve replicar em suas redes!”, postou o humorista. O tom agora é outro. Na petição, os advogados de Adnet alegam que Frias “explodiu em fúria, com ameaça, injúria e difamação depois de tomar ciência de uma singela e inofensiva paródia feita pelo autor, em que ele imita o discurso feito pelo demandado, num vídeo oficial da Secretaria Especial de Comunicação do Governo Federal”. Ainda segundo a equipe de Adnet, o autor da ação não fez nenhuma ofensa ou ataque em sua paródia. “Não existe discurso de ódio ou intolerância que justifique a reação do secretário especial de Cultura do Governo Federal”. Já a defesa do bolsonarista argumentou que não não houve demonstração de dolo específico de ofender e que os fatos eram atípicos. O juiz Fernando Brandini Barbagalo, no entanto, determinou o prosseguimento da ação penal — proposta pelos advogados Guilherme Furniel e Maíra Fernandes em nome de Adnet. Afirmou que as expressões inseridas na publicação em seu perfil pessoal indicam, em tese, o animus de ofender a honra da vítima. O magistrado designou ainda uma audiência por videoconferência para oitiva dos envolvidos. Confira abaixo o vídeo que fez Frias ofender Adnet. Arquivo Confidencial com o presidente no #SintaSeEmCasa Pgm completo https://t.co/t26nDkk4gq pic.twitter.com/t3jPIJhhE5 — Marcelo Adnet (@MarceloAdnet) September 5, 2020
Fabrício Queiroz vai à polícia contra Fábio Porchat
A Polícia Civil do Rio pretende intimar o comediante Fábio Porchat a dar depoimento na próxima quarta-feira (24/8), após queixa de Fabrício Queiroz. O aliado de Bolsonaro, que é o principal nome ligado às acusações de “rachadinhas” da família, foi chamado de miliciano por Porchat durante participação num podcast. Em entrevista de julho ao Cara a Tapa, de Rica Perrone, Porchat fez duras críticas a Queiroz e até o acusou de supostos assassinatos. “É um miliciano, é um cara que matou gente, foi preso”, disparou o humorista, que ainda citou a investigação em que o ex-funcionário dos Bolsonaros foi apontado por ter feito um repasse de R$ 89 mil à conta da mulher do presidente da República, Michelle Bolsonaro. Queiroz foi assessor de Bolsonaro quando ele ainda era vereador do Rio de Janeiro, mas manteve vínculo com a família até recentemente. Como homem forte do gabinete de Flávio, virou alvo de uma investigação do Coaf no caso das rachadinhas. As acusações são de que comandava um esquema para obrigar os funcionários do gabinete a devolverem parte do salário ao filho do presidente. Nesta semana, ele foi à 32ª DP denunciar que teve a honra atingida por Porchat, ressaltando na queixa seu passado como policial militar. Um inquérito foi instaurado na delegacia para apurar o caso. Em suas redes sociais, Queiroz postou um vídeo sobre o assunto: “O registro está feito. Nós vamos nos encontrar nos corredores da justiça. Calúnia e injúria se combatem assim. Fake news é crime tipificado no Código Penal. Se você foi caluniado ou se sofreu injúria, faça o registro e a justiça toma conta do caso”. Horas após a polícia informar que tenta levar o humorista para um depoimento, o próprio Porchat se manifestou em suas redes sociais. Ele deu RT na notícia e, em tom de brincadeira, escreveu. “Achei o Queiroz”, se referindo ao período em que o atual candidato ficou foragido, após ter um mandado de prisão contra ele. O possível crime de Porchat, considerado de baixo potencial ofensivo, será julgado no 16º Juizado Especial Criminal de Jacarepaguá, onde deverá ser proposto, inicialmente, um acordo entre os envolvidos.
Antonio Tabet ensina como lidar com lacração de Bolsonaro
Depois de Anitta chamar atenção para o estilo lacrador assumido pelas redes sociais de Jair Bolsonaro, que tem tentado pegar carona em posts de influenciadores com comentários irônicos para chamar atenção, o comediante Antonio Tabet, do Porta dos Fundos, aproveitou uma tentativa de zoação do político de direita para ensinar como lidar com essa intrusão. O caso aconteceu no Twitter durante a segunda-feira (1/8), após Tabet fazer uma piada em relação ao resultado da última pesquisa Datafolha. “DataTabet: 98% dos cornos que defendem Bolsonaro no Twitter têm foto de perfil cafona com óculos escuros dentro do carro”, escreveu o comediante. O perfil de Bolsonaro, que não é escrito por ele, imediatamente se manifestou. “Boa piada, Tablet”, iniciou o texto, errando propositalmente o nome do humorista. “Falando em carro, publicamos nosso decreto que reduz o IPI (IMPOSTO) sobre mais de 4000 itens, incluindo automóveis”, lembrou, antes de partir pro lacre. “O bom dessa medida é que ela não contempla apenas aqueles que você diz me apoiarem, mas a todos, inclusive os cornos com a sua ideologia”, acrescentou. Enquanto bolsonaristas repercutiam rolando de rir, Tabet resolveu o assunto de forma simples e direta. “Já que o presidente se importa mais comigo que com a vacina e a fome, aproveito para perguntar”, escreveu antes de listar: “Por que o Queiroz depositou 89 mil na conta da Michelle? Cadê o dinheiro do MEC? A PF sabe quem mandou seu vizinho matar Marielle? O que é golden shower?”. Por fim, Tabet incorporou a piada e fez questão de assinar com o nome escrito errado, exatamente como Bolsonaro havia feito para provocá-lo. “Grato, Tablet”. Bolsonaro encerrou o assunto, mas a postagem viralizou. Para completar, o termo “Cornos com Bolsonaro” entrou na lista de tópicos mais comentados do Twitter nacional. Além de divertir de graça nas redes sociais, Tabet poderá ser visto nos cinemas a partir de quinta (4/8), integrando o elenco da comédia “O Palestrante”, estrelada por seu colega de Porta dos Fundos Fábio Porchat e a comediante Dani Calabresa. Já que o presidente se importa mais comigo que com a vacina e a fome, aproveito para perguntar: – Por que o Queiroz depositou 89 mil na conta da Michelle?– Cadê o dinheiro do MEC?– A PF sabe quem mandou seu vizinho matar Marielle?– O que é golden shower? Grato,Tablet. https://t.co/z4v5KklgmG — Antonio Tabet (@antoniotabet) August 2, 2022
O Debate: Primeiro filme dirigido por Caio Blat ganha trailer
A Paris Filmes divulgou o pôster e o trailer de “O Debate”, drama político que marca a estreia do ator Caio Blat (“Califórnia”) como diretor de cinema. O ator conta com padrinhos fortes para iniciar a nova função: o filme foi escrito pelos cineastas Guel Arraes (“O Auto da Compadecida”) e Jorge Furtado (“Real Beleza”), adaptando um livro/peça de mesmo nome que os dois escreveram. A trama se passa durante o último debate presidencial antes do segundo turno das eleições no Brasil e acompanha o ponto de vista conflitante de dois jornalistas casados, que trabalham juntos numa emissora de televisão e estão se separando após quase 20 anos. Os protagonistas são vividos por Débora Bloch (“Segunda Chamada”) e Paulo Betti (“Órfãos da Terra”), e, além de dirigir, Blat também faz uma participação diante das câmeras. A separação serve de pano de fundo para debates intensos sobre amor, liberdade, política e a vida do país nos últimos anos. Ele é editor-chefe e ela apresentadora do mesmo telejornal, e suas visões distintas sobre como devem conduzir a edição dos melhores momentos do debate que a TV vai exibir pode interferir na escolha de centenas de milhares de eleitores indecisos. Vale observar um clima de encenação teatral na prévia, totalmente centrada em diálogos dos dois personagens centrais, e um viés “militante”, que lembra que o co-roteirista Jorge Furtado já usou uma peça como ponto de partida de um documentário para questionar a cobertura política da imprensa, “O Mercado de Notícias” (2014). “O Debate” será lançado nos cinemas de todo o país no dia 25 de agosto. A produção é da Giros Filmes, que já prepara o segundo filme de Caio Blat como diretor: “Cacilda Becker em Cena Aberta”, que trará Marjorie Estiano (“Sob Pressão”) como a lendária Cacilda Becker, uma das maiores atrizes da história do teatro no Brasil.
Regina Duarte terá que devolver mais de R$ 300 mil de Lei Rouanet
A bolsonarista Regina Duarte foi enquadrada pelo governo Bolsonaro e terá que devolver R$ 319,6 mil aos cofres públicos após ver recusada a prestação de contas de um projeto financiado pela Lei Rouanet. Uma publicação do Diário Oficial da União de quinta-feira (21/7) revelou que secretário especial da Cultura Hélio Ferraz negou um recurso protocolado pela empresa da atriz sobre as contas da peça “Coração Bazar”. Segundo informações divulgadas pela revista Veja, a área técnica do então Ministério da Cultura já havia reprovado as contas da peça em 2018. A empresa da atriz captou R$ 321 mil para o espetáculo e, por causa da decisão, foi obrigada a restituir R$ 319,6 mil ao Fundo Nacional da Cultura. No entanto, a dívida ainda não tinha sido cobrada por causa da apresentação do recurso, que foi negado nesta semana. Na ocasião, André Duarte, filho de Regina e sócio da empresa, havia dito à Veja que a prestação de contas tinha sido reprovada por causa de um “descuido”, a falta dos comprovantes de que o monólogo tinha sido exibido sem a cobrança de ingressos entre 2004 e 2005, como determinava o contrato assinado pela produtora. Regina foi secretária especial da Cultura do governo Bolsonaro, mas ficou apenas dois meses e meio no cargo, saindo após acumular polêmicas e desgaste. Mesmo tendo saído do cargo, continuou apoiando o governo e chegou a comemorar mudanças da Lei Rouanet que reduziram incentivos para salários de artistas em 93,4%. Ela publicou um texto no Instagram em que grifou: “Não haverá exceções para celebridades”.
Caio Blat vai estrear como diretor em filme sobre eleições presidenciais
Caio Blat já atuou em muitos filmes premiados, de “Lavoura Arcaica” (2001) a “BR 716” (2016), e agora se encaminha para uma nova fase de sua carreira. Ele vai estrear na direção com o lançamento em agosto de “O Debate”. O ator conta com padrinhos fortes para iniciar a nova função: o filme foi escrito pelos cineastas Guel Arraes (“O Auto da Compadecida”) e Jorge Furtado (“Real Beleza”). A trama se passa durante o último debate presidencial antes do segundo turno das eleições no Brasil e acompanha o ponto de vista conflitante de dois jornalistas casados, que trabalham juntos numa emissora de televisão e estão se separando após quase 20 anos. Os protagonistas são vividos por Débora Bloch (“Segunda Chamada”) e Paulo Betti (“Órfãos da Terra”), e Blat também fará uma participação diante das câmeras. A separação serve de pano de fundo para debates intensos sobre amor, liberdade, política e a vida do país nos últimos anos. Ele é editor-chefe e ela apresentadora do mesmo telejornal, e suas visões distintas sobre como devem conduzir a edição dos melhores momentos do debate que a TV vai exibir pode interferir na escolha de centenas de milhares de eleitores indecisos. “O Debate” será lançado nos cinemas de todo o país no dia 25 de agosto, com distribuição da Paris Filmes. A produção é da Giros Filmes, que já prepara o segundo filme de Caio Blat como diretor: “Cacilda Becker em Cena Aberta”, que trará Marjorie Estiano (“Sob Pressão”) como a lendária Cacilda Becker, uma das maiores atrizes da história do teatro no Brasil.
Produção confirma que imagens de atentado a Bolsonaro são de filme
Após o vazamento de imagens do filme “A Fúria”, que mostra um personagem semelhante ao presidente Jair Bolsonaro caído e ensanguentado ao lado de uma moto, a produção emitiu um comunicado, em que afirma que a cena foi divulgada sem autorização e fora de contexto. O longa-metragem, do cineasta Ruy Guerra, será lançado em 2023. “Circula na internet uma imagem captada sem autorização de uma filmagem à qual atribui-se suposto e infundado discurso de ódio. Ruy Guerra filmou um longa-metragem de ficção que será lançado no final de 2023, portanto não há qualquer relação com o processo eleitoral e, muito menos, forjar fake news simulando um fato real”, diz a nota da produção. “O fato ilegal neste caso é a divulgação de uma cena retirada do contexto da história que será contada. Esclarecidos estes fatos, o diretor Ruy Guerra avisa que só fala de seu filme quando estiver pronto, como ele sempre faz.” Durante o sábado (16/7), vários apoiadores de Bolsonaro publicaram as imagens, afirmando que se tratava de um incentivo à violência contra o presidente. Alguns pregaram censura – “Cenas como estas são repugnantes e não podem ser toleradas!”, comandou a ministra Damares Alves, fazendo propaganda das cenas. Mario Frias aproveitou para atacar a Globo com fake news ao dizer que era “lamentável, mas não inesperado, que o grupo Globo esteja por trás disso”. E o Ministro da Justiça, Anderson Torres, que anteriormente tentou restaurar a censura no Brasil, informou ter determinado que a Polícia Federal investigasse a produção. “Circulam nas redes fotos e vídeos de um suposto atentado contra a vida do presidente Bolsonaro. Produção artística??? Estamos estudando o caso para avaliar medidas cabíveis e apurar eventuais responsabilidades. As imagens são chocantes e merecem ser apuradas com cuidado”, afirmou Torres, durante o sábado. “A Fúria” faz parte da trilogia composta por “Os Fuzis” (1964) e “A Queda” (1977), e acompanha o personagem dos dois filmes anteriores, Mario, originalmente vivido pelo falecido Nelson Xavier. Preso durante a ditadura militar, ele “sai da cadeia já velho, para ajustar contas com sua história, de acordo com a sinopse. O elenco conta com Lima Duarte, que apareceu em “A Queda”, e Paulo César Pereio, integrante de “Os Fuzis”, entre outros. Clássicos do Cinema Novo, “Os Fuzis” (1964) e “A Queda” (1977) foram ambos premiados com o Urso de Prata no Festival de Berlim. Além destes filmes, Ruy Guerra também dirigiu “Os Cafajestes” (1962), famoso por inaugurar o nu frontal no Brasil, sem esquecer adaptações de obras de Chico Buarque (“Ópera do Malandro” e “Estorvo”), Gabriel Garcia Marquez (“Erêndira”) e Antonio Callado (“Kuarup”), entre muitas outras produções. Sua longa carreira continua a ser premiada até hoje. O lançamento mais recente do cineasta de 90 anos, “Aos Pedaços”, recebeu três prêmios, inclusive o de Melhor Direção no Festival de Gramado de 2020. Encenação ou estímulo para um atentado contra a vida do Chefe de Estado brasileiro? O MP precisa investigar isso a fundo! Cenas como estas são repugnantes e não podem ser toleradas! pic.twitter.com/tt4lBljtxo — Damares Alves (@DamaresAlves) July 16, 2022
Ministro da Justiça manda PF investigar filme com cena de morte de Bolsonaro
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, determinou que a Polícia Federal investigue um filme em que um personagem semelhante a Jair Bolsonaro participa de uma motociata e sofre um atentado. Fotos e vídeos de um ator trajado como Bolsonaro, caído ensanguentado sobre uma moto, dominaram as redes bolsonaristas durante o sábado (16/7), acompanhadas por protestos. “As imagens são chocantes e merecem ser apuradas com cuidado”, disse o ministro. Segundo os apoiadores de Bolsonaro, trata-se de discurso de ódio da esquerda e de incentivo à violência contra o presidente. “Essa ideologia esquerdista mata e quer matar ainda mais! Tentaram matar Bolsonaro uma vez e não conseguiram, agora, até ensinam como fazer”, publicou o senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair. A acusação de que a esquerda promove discurso de ódio ocorre poucos dias após o bolsonarista Jorge Guaranho assassinar o petista Marcelo de Arruda em Foz do Iguaçu, invadindo armado sua festa de aniversário temática, decorada com pôsteres de Lula. As cenas de ficção de um suposto ataque ao presidente também foram repudiadas pelo vice-presidente Hamilton Mourão e pelo ex-juiz Sergio Moro. “Repudio veemente qualquer ato que possa estimular a violência a quem quer que seja. Está circulando nas redes um ‘filme’ que demonstra o suposto assassinato do nosso presidente. Isso não é arte! Isso é um ato imoral à nação e ao governo federal”, publicou Mourão nas redes sociais. “Inadmissível tratar de forma jocosa ou figurativa a morte de uma pessoa, ainda mais de um presidente da República. Esse tipo de comportamento acirra os ânimos e não contribui em nada para o debate político”, disse Moro. Há dois meses, bolsonaristas se diziam os maiores defensores da liberdade de expressão do Brasil. O próprio Bolsonaro afirmou que “a liberdade de expressão é pilar essencial da sociedade em todas as suas manifestações”, ao indultar o deputado Daniel Silveira, condenado à prisão por promover ataques verbais contra o STF. Bolsonaro considerou “injustiça” condenar alguém apenas por ameaças, como esta sobre o ministro Edson Fachin do STF: “Uma surra bem dada nessa sua cara com um gato morto até ele miar”. Ou essa: “Quantas vezes eu imaginei você e todos os integrantes dessa Corte. Quantas vezes eu imaginei você, na rua, levando uma surra. O que você vai falar? Que eu tô fomentando a violência? Não. Eu só imaginei. Ainda que eu premeditasse, ainda assim não seria crime”. Isto é um discurso de ódio. Filmes são obras de ficção. Indignado com as cenas do longa, o bolsonarista Mário Frias chegou a culpar a rede Globo. Mas a emissora negou ser responsável pela produção. Em nota, a Globo afirmou não ter “nenhuma série, novela ou programa com esse conteúdo”. Apesar disso, a própria Globo identificou a origem das imagens. “Segundo foi informada, a gravação seria de um filme do cineasta Ruy Guerra chamado ‘A Fúria'”, diz o comunicado da empresa. A nota ainda esclarece que o Canal Brasil, do grupo Globo, tem uma participação de 3,61% nos direitos patrimoniais desse filme, “mas jamais foi informado dessas cenas e, como é praxe em casos de cineastas consagrados, não supervisiona a produção”. “Embora tenha participação acionária no Canal Brasil, a Globo não interfere na gestão e nos conteúdos do canal”, acrescentou o texto. Questionado pela Folha, Guerra confirmou que está filmando “A Fúria”, mas disse não saber se as cenas compartilhadas nas redes pertencem a sua obra. Mesmo após a descrição das cenas pela reportagem, recusou-se a falar sobre o assunto. “Não sei dizer porque não vi, não vi o material”, disse. Ele afirmou que não falaria sobre o filme até o seu lançamento e não revelou quando isso ocorrerá. Nascido em Moçambique, Ruy Guerra faz parte importante da história do cinema brasileiro, tendo se destacado com clássicos como “Os Cafajestes” (1962), famoso por inaugurar o nu frontal no Brasil, e os marcos do Cinema Novo “Os Fuzis” (1964) e “A Queda” (1977), ambos premiados com o Urso de Prata no Festival de Berlim. A carreira longa continua prestigiada. O lançamento mais recente do cineasta de 90 anos, “Aos Pedaços”, recebeu três prêmios, inclusive o de Melhor Direção no Festival de Gramado de 2020. “A Fúria” faz parte da trilogia composta por “Os Fuzis” e “A Queda”, e acompanha o personagem dos dois filmes anteriores, Mario, originalmente vivido pelo falecido Nelson Xavier. Preso durante a ditadura militar, ele “sai da cadeia já velho, para ajustar contas com sua história e com os dois homens que, a seu ver, traíram a ele e ao país: Salatiel, seu sogro, e hoje rico empreiteiro, e Ulisses, seu antigo companheiro de militância, hoje um poderoso político” – de acordo com a sinopse. O elenco conta com Lima Duarte, que apareceu em “A Queda”, e Paulo César Pereio, integrante de “Os Fuzis”, entre outros. Um vídeo foi feito encenando a morte do Presidente @jairbolsonaro em um “acidente de moto”. Há rumores de que o vídeo foi feito no Projac. Isso eu não posso afirmar, mas pelo tamanho do estúdio, é alguém que tem uma produtora muito grande! pic.twitter.com/9RGMSbJtRo — MarioFrias (@mfriasoficial) July 16, 2022
Congresso derruba vetos de Bolsonaro contra incentivos à Cultura
O Congresso Nacional derrubou os vetos de Jair Bolsonaro às leis de incentivo à Cultura, criadas pelo legislativo para ajudar o setor a superar os efeitos da pandemia. As leis Aldir Blanc 2 e Lei Paulo Gustavo foram aprovadas em votação no plenário nesta terça-feira (5/7), após adiamentos e sob pressão da classe artística. As duas leis são homenagens a artistas brasileiros que morreram em consequência da contaminação por covid-19. Um dos maiores compositores do país, Aldir Blanc faleceu em maio de 2020 aos 73 anos, enquanto o ator, roteirista e produtor Paulo Gustavo morreu em 4 de maio de 2021, aos 42 anos. A Lei Aldir Blanc 2 prevê repasses anuais de R$ 3 bilhões da União para estados e municípios durante um período de cinco anos, começando em 2023. Ela é inspirada na lei aprovada pelo Congresso em 2020 que garantiu recursos para o setor durante a pandemia, momento em que os espaços culturais fecharam completamente. Já a Lei Paulo Gustavo tem caráter emergencial e destina R$ 3,86 bilhões para estados e municípios, dos quais R$ 2,79 bilhões seriam voltados à área audiovisual, setor que consagrou Paulo Gustavo. As duas leis contaram com apoio, desde sua concepção, de secretários estaduais e municipais de cultura, além de artistas, que colaboraram com o Congresso desde a elaboração dos projetos. Elas se tornaram necessárias após o governo criar dificuldades nunca vistas no setor, numa política de desmonte que passou, inclusive, por uma reformulação da Lei Rouanet, visando explicitamente aumentar as dificuldades para o acesso às verbas, com filtros (potencialmente ideológicos) e novas restrições em plena pandemia. Desde segunda (4/7), atores, secretários de Cultura, produtores e outros agentes do setor mobilizaram uma agenda de debates e manifestações em Brasília para pressionar os parlamentares a derrubarem os vetos. Entre os artistas que estão na capital incluem-se Amir Haddad, Johnny Massaro, Vera Fischer, Babu Santana e Letícia Spiller. “Estamos aqui pelo reconhecimento de que, sem o compromisso político com direito à cultura e à arte, o nosso povo está em risco”, disse Vera Fischer, em evento da Comissão de Cultura, enquanto colegas puxavam a hashtag “DerrubaVetosdaCultura” para pedir a derrubada dos vetos — caso das cantoras Marina Lima e Daniela Mercury. Além das celebridades, servidores de diversos estados trouxeram relatos emocionados de artistas de pequeno porte que puderam colocar comida na mesa com a aprovação da primeira rodada da Lei Aldir Blanc. “Tornar perene a experiência federativa da Lei Aldir Blanc pode levar a cultura brasileira a patamares nunca antes sonhados”, afirmou Fabrício Noronha, secretário de Cultura do Espírito Santo e presidente do Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Cultura, sobre a Lei Aldir Blanc 2. “Está pavimentado um futuro na força da nossa diversidade e resistência e tudo isso no momento mais tenebroso e violento na condução da pasta no governo federal”, acrescentou.
Como os simpáticos Minions viraram bolsominions no Brasil
A chegada de “Minions 2 – A Origem de Gru” aos cinemas nesta quinta (30/6) traz de volta as pequenas e atrapalhadas criaturas amarelas, que se popularizaram após surgirem como coadjuvantes em “Meu Malvado Favorito” (2010). O sucesso tornou os Minions parte da cultura pop do século 21, motivando a criação de brinquedos, jogos, roupas, acessórios e uma série de filmes próprios, além de um “movimento político”. No Brasil, as simpáticas criaturinhas originaram o termo “bolsominion” para denominar os seguidores não tão agradáveis de Jair Bolsonaro. Nos filmes, os Minions são devotados seguidores de seu mestre, um vilão com planos para conquistar o mundo. Eles já seguiram Drácula, Napoleão e, na história que se desdobra desde “Meu Malvado Favorito”, o vilão Gru. A analogia com os seguidores de Bolsonaro também acontece por conta da cor dos pequenos, amarela como a camisa da CBF, usada em larga escala em manifestações a favor de Bolsonaro. Além disso, a devoção dos Minions é tão grande que não há qualquer contestação, mesmo diante de situações absurdas e altamente questionáveis. O termo “bolsominion” não tem autoria definida, mas depois que surgiu virou meme imediato e foi rapidamente incorporado ao vocabulário cotidiano do país, sendo adotado por pessoas de todos os espectros políticos – inclusive pelo próprios bolsominions, orgulhosos pela denominação. Se os opositores se valem da devoção incondicional dos Minions para expor uma postura acrítica e conivente, os partidários de Bolsonaro fazem questão de exaltar justamente a devoção à causa de seu líder. Uma olhada rápida na timeline do Twitter desta quinta (30/6) aponta o uso do termo por várias pessoas, entre elas o cantor Otto, o influenciador Felipe Neto, o jornalista Guga Noblat, entre muitos outros, para criticar o governo. Por outro lado, muitas outras pessoas se assumem “bolsominions com muito orgulho”, como a vereadora Jessicão, de Londrina/PR, que no domingo (26/6) postou um tuite saudando todos os bolsominions e obteve mais de 2 mil curtidas, 60 respostas e 200 retuítes à interação. Seja como for, em “Minions 2 – A Origem de Gru”, está em cartaz com mais motivos para os Minions seguirem como sucesso de todos os públicos, independente de predileção política.
Artistas se revoltam contra “manual do aborto” que propõe investigar vítimas de estupro
Artistas brasileiras estão fazendo um apelo urgente nas redes sociais contra uma audiência pública do Ministério da Saúde, marcada para a manhã de terça-feira (28/6) para discutir um “manual do aborto”. Uma versão preliminar do tal documento, divulgada no dia 7, afirmava que todo aborto é crime. Mais que isso: todo abordo precisaria ser investigado criminalmente para comprovar que ele foi realizado nos casos de “excludente de ilicitude” previstos em lei – se foi fruto de estupro, se representa risco à vida da gestante ou se há anencefalia do feto. Uma campanha online contra o manual está sendo divulgada nas redes sociais, com links para uma petição já assinada por cerca de 40 mil pessoas, algumas bem famosas. “URGENTE: amanhã de manhã vai rolar uma audiência pública para discutir o novo manual do aborto do Ministério da Saúde, que prevê que pessoas que sofreram violência sexual e fizeram um aborto legal sejam investigadas pela polícia”, informaram Dira Paes, Camila Pitanga, Ana Hikari e muitas outras, num texto coletivo feito para divulgar a campanha. As postagens também lembraram o caso recente da menina de 11 anos que foi estuprada e teve seu direito ao aborto legal negado. “Não podemos permitir que casos como o da menina de Santa Catarina se repitam. Pessoas que engravidaram em decorrência de estupro, que gestam fetos anencéfalos ou que correm risco de morrer, caso levem adiante a gestação, precisam acessar o serviço de abortamento de forma segura e humanizada”, disse. As artistas convidaram seus seguidores a pressionarem o Ministério da Saúde para que o projeto não siga adiante: “O Ministério abriu um canal para que pessoas como eu e você se manifestem sobre o manual. Vamos lotar a caixa de email deles com um só coro – não vamos ‘aguentar mais um pouquinho’ [frase dita à menina de Santa Catarina]! Exija que eles cuidem de nossas meninas”. Marcela McGowan acrescentou outro protesto: “Vítima não é suspeita! É inadmissível que um manual do Ministério da Saúde incentive a investigação de vítimas de violência sexual que tentam acessar o serviço de aborto legal!” As cantoras Teresa Cristina e Maria Rita, o diretor Kleber Mendonça Filho e o comediante Gregorio Duvivier, também participaram da divulgação, entre muitos outros. O texto preliminar foi desenvolvido pelo secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde e militante antiaborto Raphael Câmara. “Não existe aborto ‘legal’ como é costumeiramente citado, inclusive em textos técnicos”, diz o esboço do manual. “O que existe é o aborto com excludente de ilicitude. Todo aborto é um crime, mas quando comprovadas as situações de excludente de ilicitude após investigação policial, ele deixa de ser punido, como a interrupção da gravidez por risco materno.” A iniciativa gerou repúdio de especialistas. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) lamentou que haja um esforço para produzir um “manual” com “inúmeros equívocos e incoerências”, enfatizando recomendações que vão contra todas as definições de organizações internacionais do setor, em defesa da vida das mães. “A Febrasgo reafirma que sim, existe aborto legal no Brasil, devendo ser o aborto tratado como uma questão de saúde pública e que, a construção de documentos e normativas assistenciais devam contar com a participação das sociedades científicas que representam os profissionais envolvidos na atenção à saúde”, diz a Febrasgo em comunicado oficial sobre o tema. A audiência do “manual do aborto” deve começar às 9h e será transmitida pelo YouTube do Ministério da Saúde. 🚨 URGENTE: amanhã de manhã vai rolar uma audiência pública para discutir o novo manual do aborto do Ministério da Saúde, que prevê que pessoas que sofreram violência sexual e fizeram um aborto legal sejam investigadas pela polícia. — Dira Paes (@DiraPaes) June 27, 2022 🚫 Não podemos permitir que casos como o da menina de SC se repitam. Pessoas que engravidaram em decorrência de estupro, que gestam fetos anencéfalos ou que correm risco de morrer caso levem adiante a gestação precisam acessar o serviço de abortamento de forma segura e humanizada — Ana Hikari (@_anahikari) June 27, 2022 📣 O Ministério abriu um canal para que pessoas como eu e você se manifestem sobre o manual. Vamos lotar a caixa de email deles com um só coro – não vamos "aguentar mais um pouquinho"! Exija que eles #CuidemDeNossasMeninas em: https://t.co/EVBxJSsoIO — Camila Pitanga (@CamilaPitanga) June 27, 2022 VÍTIMA NÃO É SUSPEITA! É inadmissível que um manual do Ministério da Saúde incentive a investigação de vítimas de violência sexual que tentam acessar o serviço de aborto legal! Pressione agora pela revogação: https://t.co/vBEufXxmIf #CuidemDeNossasMeninas — Marcela Mc Gowan 🔮 (@marcelamcgowan) June 27, 2022 Acabei de assinar a campanha #CuidemDeNossasMeninas, que pressiona o Ministério da Saúde pela derrubada do novo manual sobre aborto, que quer investigar criminalmente as vítimas de violência sexual que fazem um aborto legal. https://t.co/4bV30r4lw7 — Maria Rita (@MariaRita) June 27, 2022 Para assinar a campanha #CuidemDeNossasMeninas, que pressiona o Min da Saúde pela derrubada do novo manual sobre aborto, que quer investigar criminalmente vítimas de violência sexual que abortam legalmente. Temos 24h pra agir, eu assinei, faça vc também: https://t.co/qSFHTHsmZX — Kleber Mendonça Filho (@kmendoncafilho) June 27, 2022











