O Regresso lidera indicações ao Oscar mais branco do século
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou a lista dos indicados ao Oscar 2015. E o novo filme do diretor Alejandro González Iñárritu repetiu a façanha do ano passado. Assim como aconteceu com “Birdman”, “O Regresso” lidera a relação. Foram 12 indicações, três a mais que o longa anterior, que acabou vencendo o Oscar 2015. Entre os prêmios a que concorre o western de sobrevivência e vingança, o que recebe mais torcida é o Oscar de Melhor Ator, que parece finalmente encaminhado para Leonardo DiCaprio. Ele disputa o troféu pela quinta vez, mas, diferente das oportunidades anteriores, é considerado franco favorito. Já o que desperta mais apreensão é o de Melhor Fotografia, pois estabeleceria um recorde de três vitórias consecutivas para Emmanuel Lubezki. O detalhe é que ele também é favoritíssimo. “O Regresso” é um dos oitos candidatos ao Oscar de Melhor Filme, ao lado de “A Grande Aposta”, “Brooklyn”, “Mad Max: Estrada da Fúria”, “Perdido em Marte”, “O Quarto de Jack”, “Spotlight – Segredos Revelados” e “Ponte dos Espiões”. A propósito, Steven Spielberg entrou para a história, atingindo nove indicações, como o diretor que mais filmes emplacou entre os nomeados ao prêmio máximo da Academia. Em todos os tempos. As regras da Academia permitem até dez indicações nesta categoria, e a presença do mediano “Ponte dos Espiões”, para incensar Spielberg, não justifica a ausência de “Divertida Mente”, “Straight Outta Compton: A História do N.W.A.”, “Carol” e alguma outra sci-fi, como “Ex Machina” e até “Star Wars: O Despertar da Força”. A opção por oito filmes dá margem à controvérsias. Afinal, a lista já inclui duas ficções científicas e talvez isso tenha sido considerado excessivo. Mas, convenhamos, tanto “Divertida Mente” quanto “Ex Machina” e “Compton” foram considerados bons o suficiente para concorrerem ao Oscar de Melhor Roteiro Original, enquanto “Carol” aparece na disputa do Melhor Roteiro Adaptado. O que pode fazer um filme ser melhor do que partir de uma excelente história? Por falar em sci-fi, “Mad Max: Estrada da Fúria” também se destacou bastante, com dez indicações. A maioria, porém, em categorias técnicas, nas quais deve travar disputa acirrada com “Star Wars: O Despertar da Força” e “Perdido em Marte”. Por outro lado, George Miller ganhou o reconhecimento que Ridley Scott, diretor de “Perdido em Marte”, não teve, aparecendo na lista de Melhor Direção. Mas a ausência de Ridley Scott não é a que alimenta mais decepção. Como no ano passado, a Academia voltou a ignorar obras sobre minorias. O caso mais evidente é “Carol”, que foi premiado por diversas associações de críticos de cinema e liderou as indicações do Bafta, o “Oscar inglês”. Apesar de emplacar suas atrizes, o roteiro, a fotografia, o figurino e a trilha sonora, por algum motivo inexplicado a Academia vetou a principal obra homossexual do ano a concorrer como Melhor Filme. Por sinal, fez o mesmo com “Garota Dinamarquesa”. Isto, porém, não é tão injusto quanto a completa segregação dos integrantes negros do filme “Creed: Nascido para Lutar”. A obra rendeu a terceira indicação da carreira do ator Sylvester Stallone, que concorre como Melhor Coadjuvante, 39 anos após disputar como Ator e Roteirista pelo mesmo personagem, Rocky. Mas claramente isto não seria possível sem o roteiro e a direção de Ryan Coogler, que já tinha mostrado com “Fruitvale Station” (2013) ser um dos melhores realizadores de sua geração. Ou será que Stallone decidiu apresentar o talento, que escondeu em praticamente toda a carreira, por inspiração divina? A propósito, a única indicação a “Straight Outta Compton: A História do N.W.A.”, também foi para integrantes brancos de sua equipe: os roteiristas. E obviamente não há negros representados entre os melhores intérpretes selecionados pela Academia. Nada de Michael B. Jordan e Tessa Thompson (“Creed”), Idris Elba e Abraham Attah (“Beasts of No Nation”), Will Smith e Gugu Mbatha-Raw (“Um Homem entre Gigantes”) ou as revelações de “Straight Outta Compton”. No ano passado, isso gerou furor nas redes sociais. A reprise vai exigir mais que um mea culpa da Academia. A surpresa positiva ficou por conta da internacionalização da categoria de Melhor Animação. Em vez das produções bobinhas da DreamWorks, acompanham “Divertida Mente” um filme indie (“Anomalisa”) e produções do Reino Unido (“Shaun, o Carneiro”), Japão (“Quando Estou com Marnie”) e até do… Brasil! “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, emplacou a primeira indicação de um filme 100% brasileiro no Oscar desde que “Cidade de Deus” surpreendeu em 2004. O mais difícil era superar o lobby dos grandes estúdios, pois qualidade “O Menino e o Mundo” já havia demonstrado, ao vencer diversas premiações internacionais, inclusive o Festival de Annecy, principal evento de animação no mundo. E este é o maior reconhecimento que o filme poderia aspirar. Porque não há torcida que impeça a vitória de “Divertida Mente”, provavelmente o Oscar mais garantido de 2016. Entre as curiosidades das indicações, também é divertido ver que Lady Gaga terá nova chance de esbarrar em Leonardo DiCaprio. Sua música para o documentário “The Hunting Ground”, que aborda a violência sexual nas universidades americanas, vai concorrer ao Oscar de Melhor Canção contra o fraco tema de Sam Smith para “007 Contra Spectre” e a faixa de The Weeknd para “Cinquenta Tons de Cinza”. The Weeknd, porém, tem um certo favoritismo por ser o único negro indicado a qualquer coisa no Oscar 2016. No ano passado, foram dois, e John Legend levou a estatueta de Melhor Canção pelo tema do filme “Selma”. Infelizmente, The Weeknd também representa a única indicação do pior filme do ano. Mais lamentável que ver essa seleção fraca é saber que o rapper Wiz Khalifa ficou de fora. A Academia ainda barra o rap, mesmo indicando roteiristas brancos de cinebiografia de rappers. Afinal, a melhor música de cinema de 2016 foi, disparada, “See You Again”, da trilha de “Velozes e Furiosos 7”, que emocionou tanto quanto o incensado tema de “Titanic”, cantado por Celine Dion. A boa música, na verdade, ficou restrita às indicações de documentário, com “Amy”, sobre Amy Winehouse, e “What Happened, Miss Simone?”, produção do Netflix sobre Nina Simone. Justos ou injustos, os vencedores do Oscar 2016 serão conhecidos na cerimônia marcada para o dia 28 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles, com transmissão para o Brasil pelos canais TNT e Globo. INDICADOS AO OSCAR 2016 FILME “A Grande Aposta” “Ponte dos Espiões” “Brooklyn” “Mad Max: Estrada da Fúria” “Perdido em Marte” “O Regresso” “O Quarto de Jack” “Spotlight – Segredos Revelados” DIREÇÃO Adam McKay, “A Grande Aposta” George Miller, “Mad Max: Estrada da Fúria” Alejandro G. Iñarritu, “O Regresso” Lenny Abrahamson, “O Quarto de Jack” Tom McCarthy, “Spotlight: Segredos Revelados” ATOR Bryan Cranston, “Trumbo – Lista Negra” Leonardo DiCaprio, “O Regresso” Eddie Redmayne, “A Garota Dinamarquesa” Michael Fassbender, “Steve Jobs” Matt Damon, “Perdido em Marte” ATOR COADJUVANTE Christian Bale, “A Grande Aposta” Tom Hardy, “O Regresso” Mark Ruffalo, “Spotlight – Segredos Revelados” Mark Rylance, “Ponte dos Espiões” Sylvester Stallone, “Creed: Nascido Para Lutar” ATRIZ Cate Blanchett, “Carol” Brie Larson, “O Quarto de Jack” Jennifer Lawrence, “Joy: O Nome do Sucesso” Charlotte Rampling, “45 Anos” Saoirse Ronan, “Brooklyn” ATRIZ COADJUVANTE Jennifer Jason Leigh, “Os Oito Odiados” Rooney Mara, “Carol” Rachel McAdams, “Spotlight” Alicia Vikander, “A Garota Dinamarquesa” Kate Winslet, “Steve Jobs” ROTEIRO ORIGINAL “Ponte dos Espiões” – Matt Charman, Ethan Coen e Joel Coen “Ex-Machina: Instinto Artificial” – Alex Garland “Divertida Mente” – Pete Docter, Meg LeFauve, Mark Cooley e Ronnie del Carmen “Spotlight: Segredos Revelados” – Josh Singer e Tom McCarthy “Straight Outta Comptom – A História de N.W.A” – Jonathan Herman, Andrea Berloff, S. Leigh Savidge e Alan Wenkus ROTEIRO ADAPTADO “A Grande Aposta” – Charles Randolph e Adam McKay “Brooklyn” – Nick Hornby “Carol” – Phyllis Nagy “Perdido em Marte” – Drew Goddard “O Quarto de Jack” – Emma Donoghue DOCUMENTÁRIO “Amy” “Cartel Land” “The Look of Silence” “O Que Aconteceu, Miss Simone?” “Winter on Fire” ANIMAÇÃO “Anomalisa” “O Menino e o Mundo” “Divertida Mente” “Shaun, o Carneiro” “Quando Estou com Marnie” FILME ESTRANGEIRO “O Abraço da Serpente” (Colômbia) “Cinco Graças” (França) “O Filho de Saul” (Hungria) “Theeb” (Emirados Árabes) “A War” (Dinamarca) FOTOGRAFIA “Carol” – Ed Lachman “Os Oito Odiados” – Robert Richardson “Mad Max: Estrada da Fúria” – John Seale “Sicário: Terra de Ninguém” – Roger Deakins “O Regresso” – Emmanuel Lubezki EDIÇÃO “A Grande Aposta” – Hank Corwin “Mad Max: Estrada de Fúria” – Margaret Sixel “O Regresso” – Stephen Mirrione “Spotlight: Segredos Revelados” – Tom McArdle “Star Wars: O Despertar da Força” – Maryann Brandon e Mary Jo Markey TRILHA SONORA ORIGINAL “Ponte dos Espiões” – Thomas Newman “Carol” – Carter Burwell “Os Oito Odiados” – Ennio Morricone “Sicário: Terra de Ninguém” – Jóhann Jóhannsson “Star Wars: O Despertar da Força” – John Williams CANÇÃO ORIGINAL “Earned It”, de “Cinquenta Tons de Cinza” (Abel Tesfaye/Ahmad Balshe/Jason Daheala/Stephan Moccio) “Manta Ray”, de “A Corrida contra a Extinção” (J. Ralph/Antony Hegarty) “Simple Song #3”, de “Juventude” (David Lang) “Til It Happens To You”, de “The Hunting Ground” (Diane Warren/Lady Gaga) “Writing’s On The Wall”, de “007 contra Spectre” (Jimmy Napes/Sam Smith) EFEITOS VISUAIS “Ex Machina” “Mad Max: Estrada da Fúria” “Perdido em Marte” “O Regresso” “Star Wars: O Despertar da Força” DESIGN DE PRODUÇÃO “Ponte dos Espiões” “A Garota Dinamarquesa” “Mad Max: Estrada da Fúria” “Perdido em Marte” “O Regresso” FIGURINO “Carol” – Sandy Powell “Cinderella” – Sandy Powell “A Garota Dinamarquesa” – Paco Delgado “Mad Max: Estrada da Fúria” – Jenny Beavan “O Regresso” – Jacqueline West MAQUIAGEM E CABELO “Mad Max: Estrada da Fúria” – Lesley Vanderwalt, Elka Wardega and Damian Martin “The 100-Year-Old Man Who Climbed out the Window and Disappeared” – Love Larson and Eva von Bahr “O Regresso” – Siân Grigg, Duncan Jarman and Robert Pandini EDIÇÃO DE SOM “Mad Max: Estrada da Fúria” “Perdido em marte” “O Regresso” “Sicário: Terra de Ninguém” “Star Wars: O Despertar da Força” MIXAGEM DE SOM “Ponte dos Espiões” “Mad Max: Estrada da Fúria” “Perdido em Marte” “O Regresso” “Star Wars: O Despertar da Força” CURTA-METRAGEM “Ave Maria” “Day One” “Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut)” “Shok” “Stutterer” CURTA DE ANIMAÇÃO “Bear Story” “World of Tomorrow” “Prologue” “We Can’t Live Without Cosmos” “Os Heróis de Sanjay” DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM “Body Team 12” “Chau, beyond the Lines” “Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah” “A Girl in the River: The Price of Forgiveness” “Last Day of Freedom”
Globo de Ouro: Esbarrão de Lady Gaga em Leonardo DiCaprio teria sido “calaboca” proposital
Meme mais popular do Globo de Ouro, o esbarrão de Lady Gaga em Leonardo DiCaprio pode não ter sido um acidente inocente, como muitos pensavam. O assunto ganhou proporção tão descabida quanto os comentários do apresentador do prêmio, Ricky Gervais, e levaram o próprio DiCaprio a comentar sua cara feia na ocasião. Em entrevista ao programa “Entertaiment Tonight”, o ator disse que sua reação não havia sido intencional. “Eu apenas não sabia quem estava passando por mim, foi só isso”, justificou. Ele pode não ter previsto o “acidente”, mas começou a circular uma versão da história que alega que DiCaprio foi alvo premeditado de Gaga. Segundo o site de fofocas Radar Online, não só a cantora esbarrou no astro de propósito como, depois do prêmio, o noivo dela, o ator Taylor Kinney (série “Chicago Fire”), teria ido tirar satisfação com ele. O motivo de tanta cara feia, além da bebida exagerada, foi que DiCaprio teria feito uma piada sobre a indicação de Gaga antes dela ser anunciada como vencedora na categoria de Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme, por “American Horror Story: Hotel”. “Ele estava falando muito dela antes mesmo da cerimônia começar”, disse uma fonte que estava na mesa do casal ofendido. “Ele achava que ela não deveria ser indicada e, claro, que esses comentários chegaram até ela. Ela deveria ter ignorado, mas quando o nome dela foi anunciado como ganhadora, Leo estava rindo muito alto. Gaga não ia deixar ele roubar seu momento e quis calá-lo”, disse a testemunha secreta. Mas não ficou aí. Depois do “calaboca” pitoresco, Taylor Kinney teria ficado irritado com a reação de DiCaprio, que fez uma careta após o encontrão. “Taylor disse que Leonardo deveria se desculpar com Lady Gaga porque ele teve uma atitude rude e totalmente antiprofissional. Ele não ia deixar ninguém fazer piada com a sua futura esposa, nem mesmo um ator do escalão A de Hollywood. Foi o momento dela brilhar e ela trabalhou muito por isso”, acrescentou a fonte. Veja abaixo no detalhe como DiCaprio morre de rir, leva uma enquadrada visual de Gaga, que muda ligeiramente a direção para esbarrar no ator. Após o toque, DiCaprio faz cara irônica de nojinho, enquanto Gaga exibe sorriso de vingança, seguindo rumo a seu prêmio. Conforme ela se afasta, ele volta a rir, dirigindo-se aos demais integrantes de sua mesa. Sim, é possível ter claramente essa leitura da situação.
Chris Rock lembra que atrizes negras ganham muito menos que Jennifer Lawrence
O comediante Chris Rock (“Gente Grande”), que será o apresentador do Oscar 2016, não deixou passar uma declaração de Jennifer Lawrence sobre o sexismo e as diferenças salariais entre homens e mulheres em Hollywood. “Você ouve Jennifer Lawrence reclamando sobre receber menos por ser mulher, mas se ela fosse negra, aí ela realmente teria algo pra reclamar”, ele apontou, complementando: “Mulheres negras enfrentam o maior problema salarial no ramo do entretenimento”. Os comentários foram feitos para a revista New Yorker, em entrevista para um perfil da atriz negra Leslie Jones, uma das estrelas do vindouro “As Caça-Fantasmas”. Os dois se conheceram durante um show de comédia e foi o ator que ajudou Jones a entrar para o humorístico “Saturday Night Live”. Jennifer Lawrence foi considerada a atriz mais bem paga do mundo em 2015, segundo a revista Forbes, e ganhou cerca de US$ 52 milhões no ano. Mesmo assim, a divulgação dos emails hackeados da Sony, em 2014, revelaram que ela recebeu menos que os atores masculinos de seu filme “Trapaça”. “Quando a Sony foi hackeada e eu descobri o quanto ganhava menos em relação às sortudas pessoas com pênis, eu não fiquei zangada com a Sony. Eu fiquei com raiva de mim mesmo por aceitar a situação”, ela proclamou na época.
George Lucas pede desculpas à Disney por comentários ofensivos
Os comentários de George Lucas, que taxou “Star Wars: O Despertar da Força” de filme “retrô” e comparou a Disney a “escravagistas brancos” repercutiram tanto que o cineasta decidiu emitir um comunicado se retratando. As declarações foram feitas durante uma entrevista à revista The Hollywood Reporter, e foram consideradas ofensivas. “Eu me expressei mal e usei uma analogia inapropriada, e por isso peço desculpas”, disse George Lucas em seu comunicado, emitido nesta quinta (31/12). “Tenho trabalhado com a Disney por 40 anos e a escolhi como zeladora de ‘Star Wars’ devido a meu grande respeito pela companhia e pela liderança de Bob Iger.” Ele também afirmou que a Disney “está fazendo um trabalho incrível de cuidar e expandir a franquia”. O que fica dessa confusão é que Lucas está se mordendo de inveja pelo sucesso de “Star Wars: O Despertar da Força”. Em duas semanas, o filme faturou mais que todos os filmes anteriores da franquia, inclusive os quatro que ele próprio dirigiu.
George Lucas não gostou do novo Star Wars: “um filme retrô”
O cineasta George Lucas, aparentemente, foi uma das poucas pessoas do mundo que não gostou de “Star Wars: O Despertar da Força”. Em entrevista à revista americana The Hollywood Reporter, ele criticou o estilo “retrô” do filme, acrescentando que tinha vendido os direitos da saga a “escravistas brancos”. “Quiseram fazer um filme retrô. Eu não gosto disso. Em cada filme, trabalhei muito duro para torná-los diferentes”, disse Lucas ao jornalista Charlie Rose. “Eu os fiz completamente diferentes: planetas diferentes, naves espaciais diferentes, para transformá-los em novos.” Para completar, Lucas se referiu aos filmes como suas “crianças”, às quais havia “amado” e “criado”, e declarou que agora os tinha vendido a “escravistas brancos”. Depois disso, que ficou em silêncio e começou a rir. O diretor vendeu a franquia de “Star Wars” aos estúdios Disney em 2012 por US$ 4 bilhões. Depois disso, viu seu roteiro para a continuação ser rejeitado. Frustrado ao verificar que os novos donos não estavam interessados em suas ideias para uma nova trilogia, ele preferiu se afastar da produção. “Se eu chegasse lá, eu estaria indo apenas para causar problemas, porque eles não iram fazer o que eu queria que eles fizessem. E então eu disse: ‘OK, eu vou seguir meu caminho, e eu vou deixá-los ir por seu caminho'”, comentou o cineasta. Vale observar que aquilo que Lucas chama de “retrô” é o que tem sido mais elogiado na produção: o uso de objetos reais, como naves e robôs que podem ser efetivamente tocados, e locações externas em diferentes países, que conferem maior realismo à história. Já aquilo que o diretor chama de “diferente” é justamente o ponto mais lamentado de toda a saga, a inclusão de alienígenas cômicos e o artificialismo obtido pelo abuso da computação gráfica na segunda trilogia. Dirigido por J.J. Abrams, “Star Wars: O Despertar da Força” é um fenômeno de público e crítica. Além de integrar as listas dos melhores filmes de 2015, também vem derrubando recordes atrás de recordes de arrecadação, enquanto se encaminha para se tornar o filme mais bem-sucedido de todos os tempos.
Ator de Deuses do Egito detona filme e o racismo de Hollywood
O ator Chadwick Boseman (“James Brown”), que vai interpretar o Pantera Negra nos filmes da Marvel e está no elenco de “Deuses do Egito”, colocou mais lenha na fogueira desta produção. Envolvido em polêmica desde a divulgação de seu primeiro trailer, “Deuses do Egito” se passa no Egito antigo, mas é estrelado por diversos atores loiros. A controvérsia ganhou tamanha proporção que o estúdio Lionsgate e o diretor Alex Proyas divulgarem um comunicado em que pedem desculpas. Em entrevista à revista GQ, Boseman revelou que ficou feliz pelos protestos do público, contando que também ficou pasmo quando leu o roteiro. Na trama, ele interpreta o deus Thoth e é um dos poucos atores negros em cena. “Eu geralmente tento me manter fora das controvérsias da imprensa, mas alguns amigos me disseram: ‘Ei… Você precisa dar uma olhada nisso’”, disse, sobre a repercussão do trailer. “Quando me abordaram com o roteiro do filme, eu rezei para que essa polêmica acontecesse. E eu sou grato que aconteceu, porque, na verdade, eu concordo com isso”. Ele justifica sua participação no filme como forma de mostrar que a linguagem escrita e a matemática foi criada por um negro. “Eu topei fazer o filme porque assim você iria ver alguém de ascendência africana interpretando Tot, o pai da matemática, astronomia, criador dos papiros e Deus da sabedoria. E no filme, eu realmente supero os outros Deuses, literal e figurativamente. Mas, sim, as pessoas não fazem filmes de US$ 140 milhões estrelados por negros e pardos”, afirmou. Em seu pedido oficial de desculpas, a Lionsgate fez um mea culpa. “Nós reconhecemos que é nossa responsabilidade ajudar a garantir que as decisões de elenco reflitam a diversidade e a cultura dos períodos retratados. Neste caso, nós não conseguimos fazer jus aos nossos próprios padrões de sensibilidade e diversidade, pelo qual pedimos sinceras desculpas. A Lionsgate está profundamente empenhada em fazer filmes que refletem a diversidade das nossas audiências. Na próxima, faremos melhor”. “Deuses do Egito” estreia em 25 de Fevereiro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Esconder identidade do vilão de Além da Escuridão – Star Trek foi um erro, admite roteirista
O roteirista Damon Lindelof finalmente admitiu que foi um erro tentar enganar o público, escondendo a verdadeira identidade do vilão de “Além da Escuridão – Star Trek”. Em entrevista ao site Variety, ele assumiu que este equívoco prejudicou o filme, já que ninguém comprou o mistério. “Quando nós fizemos ‘Além da Escuridão – Star Trek’, decidimos que não íamos contar às pessoas que Benedict Cumberbatch estava interpretando Khan. E isso foi um erro, porque o público disse: ‘Nós sabemos que ele esta interpretando o Khan’. Por isso que foi um erro”. Como Hollywood não aprende com seus erros, o mesmo aconteceu recentemente com “007 Contra Spectre”, a respeito da identidade do vilão interpretado por Christoph Waltz. Por outro lado, Lindelof defende que, em alguns casos, manter segredo sobre um detalhe importante da trama pode funcionar. Como, por exemplo, o destino de Luke Skywalker (Mark Hamill) no vindouro “Star Wars – O Despertar da Força”, dirigido por JJ Abrams, o mesmo diretor de “Além da Escuridão – Star Trek”. “JJ não está contando nada sobre o novo filme de ‘Star Wars’ e nós amamos isso”, avalia o roteirista. “Nós não encontramos ninguém que diga: ‘Eu gostaria de saber mais’. Nossa reação é: ‘Graças a Deus que ele está nos protegendo de todas as coisas que serão reveladas na sala de cinema'”. Lindelof, felizmente, não escreveu “Star Wars – O Despertar da Força”. O roteiro é do próprio Abrams em parceria com o veterano da franquia Lawrence Kasdan (“O Império Contra-Ataca”). A estreia está marcada para 17 de dezembro no Brasil.
Após polêmica, diretor e estúdio pedem desculpas por Deuses do Egito
O trailer de “Deuses do Egito” pegou tão mal que diretor e estúdio vieram à publico pedir desculpas. A Lionsgate, inclusive, praticamente assumiu que o filme dará prejuízo, desejando a si mesma melhor sorte no próximo. A polêmica se deu por conta da escalação de um elenco majoritariamente branco para encenar uma trama passada no Egito antigo. A mesma controvérsia já havia sido ensaiada na época do lançamento de “Êxodo: Deuses e Reis” (2014), mas “Deuses do Egito” chamou ainda mais atenção pela predominância de atores loiros e ruivos – Brenton Thwaites (“O Doador de Memórias”), Nikolaj Coster-Waldau (série “Game of Thrones”), Abbey Lee (“Mad Max: A Estrada da Fúria”), Bryan Brown (“Austrália”), Emma Booth (“Parker”), Goran D. Kleut (“Frankenstein: Entre Deuses e Demônios”), entre outros. O diretor Alex Proyas fez seu mea culpa em comunicado endereçado à revista Forbes. “O processo de lançar um filme tem muitas variáveis complicadas, mas é claro que as nossas escolhas de elenco deveriam ter sido mais diversas. Eu sinceramente peço desculpas aos que estão ofendidos com as decisões que tomamos”, afirmou. O mesmo tom permeou a nota oficial do estúdio Lionsgate. “Nós reconhecemos que é nossa responsabilidade ajudar a garantir que as decisões de elenco reflitam a diversidade e a cultura dos períodos retratados. Neste caso, nós não conseguimos fazer jus aos nossos próprios padrões de sensibilidade e diversidade, pelo qual pedimos sinceras desculpas. A Lionsgate está profundamente empenhada em fazer filmes que refletem a diversidade das nossas audiências. Na próxima, faremos melhor”. “Deuses do Egito” estreia em 25 de Fevereiro no Brasil, um dia antes do lançamento nos EUA.
Petição online pede boicote a Zoolander 2
Uma petição online pretende convencer o público a boicotar a comédia “Zoolander 2”, novo filme estrelado e dirigido por Ben Stiller, por praticar a transfobia. A iniciativa é uma reação ao personagem do ator Benedict Cumberbatch (“O Jogo da Imitação”), que na trama vive o modelo andrógino All. Segundo a idealizadora da campanha, Sarah Rose, a caracterização do personagem é ofensiva a pessoas transgênero. “O personagem de Cumberbatch é claramente representado como uma chacota exagerada e cartunesca de pessoas andróginas/trans/não-binárias”, afirma o texto da petição. “Este é o equivalente moderno a usar ‘blackface’ para representar uma minoria”, completa a acusação, que já conta com mais de 6 mil assinaturas de apoio. Embora a petição pareça algo saído do roteiro do próprio filme, aparentemente nem o roteirista Justin Theroux nem o diretor e astro Ben Stiller estão por trás dessa iniciativa politicamente hilária, que questiona um detalhe inadequado de um filme sobre modelos masculinos estúpidos transformados em espiões da CIA. O filme é continuação da cultuada comédia “Zoolander” (2001), que aborda a superficialidade da indústria da moda e a obsessão pela beleza, e conta em seu elenco com os retornos de Ben Stiller, Owen Wilson e Will Ferrel, além de ganhar o reforço de Penélope Cruz (“O Conselheiro do Crime”) e Cumberbatch. Com direção do próprio Stiller, “Zoolander 2” estreia no Brasil em 11 de fevereiro. O trailer do filme, em que aparece o modelo andrógino All, pode ser visto neste link.
Quase uma lenda, Chatô sobrevive a polêmicas e se prova atual
Não é sempre que se tem a oportunidade de assistir a um filme mítico, quase uma lenda do cinema brasileiro, como “Chatô – O Rei do Brasil”. O lançamento, que finalmente estreia em circuito comercial, comprova que assombrações existem. Pois enquanto permaneceu invisível para o público, “Chatô” assombrou a carreira de Guilherme Fontes de forma tortuosa. Adaptação do livro homônimo de Fernando Morais sobre o empresário das comunicações Assis Chateaubriand, responsável pela inauguração do primeiro canal de TV do Brasil e um dos brasileiros mais poderosos do século 20, a produção se estendeu por duas décadas completas, consumiu milhões e rendeu diversos processos por má gestão financeira. Numa das contas recentes do Ministério Público, Fontes foi apontado como devedor de cerca de R$ 72 milhões em verbas incentivas sem comprovação, somadas a multas e juros. Primeiro e único longa-metragem dirigido por Fontes, “Chatô” teve a filmagem mais tumultuada já registrada no país, com cenas rodadas conforme o então ator de novelas conseguia negociar verbas, desde 1995, recebendo retoques até à véspera do lançamento, com a inclusão de uma narração de Marco Ricca (intérprete de Chateaubriand) para amarrar a trama. O mais impressionante nessa epopeia toda é o filme ter coesão. Não virou um desastre épico, consegue entreter e tem marca autoral. Um filme sobre seus bastidores não teria dificuldades em mostrar Fontes como um Howard Hughes brasileiro, rodando infinitamente o mesmo projeto, muito além do limite aceitável, em busca da perfeição ilusória – megalomania que vai além das filmagens, na criação de uma distribuidora própria para levar o longa às telas. Mas Fontes pode preferir se ver como um Orson Welles nacional, apostando que seu primeiro longa viraria a obra-prima que definiria toda a sua carreira. E, de certa forma, definiu mesmo. São claros os paralelos entre o Chateaubriand do cinema e “Cidadão Kane” (1941), tanto pelo tema quanto pela estrutura do filme, que começa com os suspiros finais do protagonista. A diferença é que, em seu delírio de morte, Chatô se vê em uma espécie de julgamento televisivo, comandado por um apresentador feérico (o próprio Fontes, emulando Chacrinha), que desfila todas as pessoas que passaram por sua vida, tendo Getúlio Vargas como seu advogado e Carlos Rosemberg como promotor. A narrativa picotada, que mergulha em flashbacks e delírios, é ousada, demonstrando outra semelhança com “Cidadão Kane”, mas também destaca a principal diferença entre os dois longas. Fontes não é Welles, e o vai e vem de imagens se mostra desconexo, cansativo, levando à dispersão. Num filme assumidamente alegórico, isto pode ser um problema grave. Entretanto, há um fio condutor que, bem ou mal, consegue amarrar as pontas. A estrutura também permite romper com o padrão de realismo e interpretação naturalista que se espera de uma cinebiografia. Graças à dramatização exótica, centrada num programa onírico de auditório, o exagero cênico se torna aceitável. Os personagens caricatos não causam mais estranhamento que o contexto. Assim, Marco Ricca pode aparecer afetadíssimo, exagerando em tudo – no sexo, no cinismo e na ganância. Do mesmo modo, os coadjuvantes que o cercam viram projeções arquetípicas: Getúlio Vargas (Paulo Betti) surge como uma caricatura populista, Lola Abranches (Leandra Leal) como a esposa histérica, etc. Até a única personagem fictícia da história, Dona Vivi (Andréa Beltrão), manifesta-se em registro extremo, como femme fatale. Isto não tira o mérito dos intérpretes. Ao contrário, Marco Ricca dá sangue e pulsação a seu Chatô, numa performance febril, adequada à opção narrativa. Outra qualidade encontra-se na reconstituição de época, que é realista quando precisa, mas também embarca na proposta surreal, como na cena de avião em meio a uma tempestade, realizada como num filme dos anos 1940. Ironicamente, graças a estes maneirismos, “Chatô – O Rei do Brasil” resistiu melhor à passagem de tempo de sua produção, chegando as telas sem o desgaste esperado de um filme supostamente datado. O longo processo de gestação, porém, criou um apego maior que o recomendável entre o diretor e seu material. A projeção se beneficiaria muito de uma montagem mais enxuta, eliminando sobras de roteiro e cenas que parecem supérfluas. O corte já é irregular o suficiente, levando a duração a parecer muito maior que seus 102 minutos. Embora os bastidores conturbados e eventuais defeitos de execução jamais se dissociem da obra final, também se deve reconhecer o esforço e o resultado total. “Chatô” consegue cobrir os momentos mais polêmicos da história do Brasil, da revolução de 1930 ao golpe militar de 1964, contando ao mesmo tempo a história das comunicações no país, com ênfase na corrupção com que foram conduzidos a política e os negócios do período. A produção pinta Chateaubriand como uma espécie de jagunço da mídia, um visionário chantagista, capaz de usar jornais, rádios e TV para manipular e dobrar poderosos, impondo sempre a sua vontade. Ao mesmo tempo, foi quem deixou, como legado, a TV brasileira e o MASP, um dos museus mais importantes do país. Não era mesmo fácil contar sua história num único filme. Nem que este filme durasse 20 anos para ganhar forma. Ao final, é até possível encontrar um lado positivo na demorada gestação. Tropicalista tardio, “Chatô” destoa do convencionalismo das últimas cinebiografias brasileiras, concebidas como minisséries televisivas, com começo, desenvolvimento e conclusão lineares, além de extirpadas de qualquer indício de polêmica. “Chatô” nasceu polêmico e assume ainda mais polêmicas na tela, servindo de analogia para situações que ainda existem, perpetuando-se no país em pleno século 21. Neste sentido, quem diria, “Chatô” acaba se revelando um filme bem atual.









