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Divulgação/AMPAS

Etc,  Filme|14 de janeiro de 2016

O Regresso lidera indicações ao Oscar mais branco do século

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou a lista dos indicados ao Oscar 2015. E o novo filme do diretor Alejandro González Iñárritu repetiu a façanha do ano passado. Assim como aconteceu com “Birdman”, “O Regresso” lidera a relação. Foram 12 indicações, três a mais que o longa anterior, que acabou vencendo o Oscar 2015.

Entre os prêmios a que concorre o western de sobrevivência e vingança, o que recebe mais torcida é o Oscar de Melhor Ator, que parece finalmente encaminhado para Leonardo DiCaprio. Ele disputa o troféu pela quinta vez, mas, diferente das oportunidades anteriores, é considerado franco favorito. Já o que desperta mais apreensão é o de Melhor Fotografia, pois estabeleceria um recorde de três vitórias consecutivas para Emmanuel Lubezki. O detalhe é que ele também é favoritíssimo.

“O Regresso” é um dos oitos candidatos ao Oscar de Melhor Filme, ao lado de “A Grande Aposta”, “Brooklyn”, “Mad Max: Estrada da Fúria”, “Perdido em Marte”, “O Quarto de Jack”, “Spotlight – Segredos Revelados” e “Ponte dos Espiões”. A propósito, Steven Spielberg entrou para a história, atingindo nove indicações, como o diretor que mais filmes emplacou entre os nomeados ao prêmio máximo da Academia. Em todos os tempos.

As regras da Academia permitem até dez indicações nesta categoria, e a presença do mediano “Ponte dos Espiões”, para incensar Spielberg, não justifica a ausência de “Divertida Mente”, “Straight Outta Compton: A História do N.W.A.”, “Carol” e alguma outra sci-fi, como “Ex Machina” e até “Star Wars: O Despertar da Força”. A opção por oito filmes dá margem à controvérsias. Afinal, a lista já inclui duas ficções científicas e talvez isso tenha sido considerado excessivo. Mas, convenhamos, tanto “Divertida Mente” quanto “Ex Machina” e “Compton” foram considerados bons o suficiente para concorrerem ao Oscar de Melhor Roteiro Original, enquanto “Carol” aparece na disputa do Melhor Roteiro Adaptado. O que pode fazer um filme ser melhor do que partir de uma excelente história?

Por falar em sci-fi, “Mad Max: Estrada da Fúria” também se destacou bastante, com dez indicações. A maioria, porém, em categorias técnicas, nas quais deve travar disputa acirrada com “Star Wars: O Despertar da Força” e “Perdido em Marte”. Por outro lado, George Miller ganhou o reconhecimento que Ridley Scott, diretor de “Perdido em Marte”, não teve, aparecendo na lista de Melhor Direção.

Mas a ausência de Ridley Scott não é a que alimenta mais decepção. Como no ano passado, a Academia voltou a ignorar obras sobre minorias. O caso mais evidente é “Carol”, que foi premiado por diversas associações de críticos de cinema e liderou as indicações do Bafta, o “Oscar inglês”. Apesar de emplacar suas atrizes, o roteiro, a fotografia, o figurino e a trilha sonora, por algum motivo inexplicado a Academia vetou a principal obra homossexual do ano a concorrer como Melhor Filme. Por sinal, fez o mesmo com “Garota Dinamarquesa”.

Isto, porém, não é tão injusto quanto a completa segregação dos integrantes negros do filme “Creed: Nascido para Lutar”. A obra rendeu a terceira indicação da carreira do ator Sylvester Stallone, que concorre como Melhor Coadjuvante, 39 anos após disputar como Ator e Roteirista pelo mesmo personagem, Rocky. Mas claramente isto não seria possível sem o roteiro e a direção de Ryan Coogler, que já tinha mostrado com “Fruitvale Station” (2013) ser um dos melhores realizadores de sua geração. Ou será que Stallone decidiu apresentar o talento, que escondeu em praticamente toda a carreira, por inspiração divina?

A propósito, a única indicação a “Straight Outta Compton: A História do N.W.A.”, também foi para integrantes brancos de sua equipe: os roteiristas. E obviamente não há negros representados entre os melhores intérpretes selecionados pela Academia. Nada de Michael B. Jordan e Tessa Thompson (“Creed”), Idris Elba e Abraham Attah (“Beasts of No Nation”), Will Smith e Gugu Mbatha-Raw (“Um Homem entre Gigantes”) ou as revelações de “Straight Outta Compton”. No ano passado, isso gerou furor nas redes sociais. A reprise vai exigir mais que um mea culpa da Academia.

A surpresa positiva ficou por conta da internacionalização da categoria de Melhor Animação. Em vez das produções bobinhas da DreamWorks, acompanham “Divertida Mente” um filme indie (“Anomalisa”) e produções do Reino Unido (“Shaun, o Carneiro”), Japão (“Quando Estou com Marnie”) e até do… Brasil! “O Menino e o Mundo”, de Alê Abreu, emplacou a primeira indicação de um filme 100% brasileiro no Oscar desde que “Cidade de Deus” surpreendeu em 2004.

O mais difícil era superar o lobby dos grandes estúdios, pois qualidade “O Menino e o Mundo” já havia demonstrado, ao vencer diversas premiações internacionais, inclusive o Festival de Annecy, principal evento de animação no mundo. E este é o maior reconhecimento que o filme poderia aspirar. Porque não há torcida que impeça a vitória de “Divertida Mente”, provavelmente o Oscar mais garantido de 2016.

Entre as curiosidades das indicações, também é divertido ver que Lady Gaga terá nova chance de esbarrar em Leonardo DiCaprio. Sua música para o documentário “The Hunting Ground”, que aborda a violência sexual nas universidades americanas, vai concorrer ao Oscar de Melhor Canção contra o fraco tema de Sam Smith para “007 Contra Spectre” e a faixa de The Weeknd para “Cinquenta Tons de Cinza”. The Weeknd, porém, tem um certo favoritismo por ser o único negro indicado a qualquer coisa no Oscar 2016. No ano passado, foram dois, e John Legend levou a estatueta de Melhor Canção pelo tema do filme “Selma”. Infelizmente, The Weeknd também representa a única indicação do pior filme do ano.

Mais lamentável que ver essa seleção fraca é saber que o rapper Wiz Khalifa ficou de fora. A Academia ainda barra o rap, mesmo indicando roteiristas brancos de cinebiografia de rappers. Afinal, a melhor música de cinema de 2016 foi, disparada, “See You Again”, da trilha de “Velozes e Furiosos 7”, que emocionou tanto quanto o incensado tema de “Titanic”, cantado por Celine Dion.

A boa música, na verdade, ficou restrita às indicações de documentário, com “Amy”, sobre Amy Winehouse, e “What Happened, Miss Simone?”, produção do Netflix sobre Nina Simone.

Justos ou injustos, os vencedores do Oscar 2016 serão conhecidos na cerimônia marcada para o dia 28 de fevereiro, no Dolby Theatre, em Los Angeles, com transmissão para o Brasil pelos canais TNT e Globo.

INDICADOS AO OSCAR 2016

FILME
“A Grande Aposta”
“Ponte dos Espiões”
“Brooklyn”
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em Marte”
“O Regresso”
“O Quarto de Jack”
“Spotlight – Segredos Revelados”

DIREÇÃO
Adam McKay, “A Grande Aposta”
George Miller, “Mad Max: Estrada da Fúria”
Alejandro G. Iñarritu, “O Regresso”
Lenny Abrahamson, “O Quarto de Jack”
Tom McCarthy, “Spotlight: Segredos Revelados”

ATOR
Bryan Cranston, “Trumbo – Lista Negra”
Leonardo DiCaprio, “O Regresso”
Eddie Redmayne, “A Garota Dinamarquesa”
Michael Fassbender, “Steve Jobs”
Matt Damon, “Perdido em Marte”

ATOR COADJUVANTE
Christian Bale, “A Grande Aposta”
Tom Hardy, “O Regresso”
Mark Ruffalo, “Spotlight – Segredos Revelados”
Mark Rylance, “Ponte dos Espiões”
Sylvester Stallone, “Creed: Nascido Para Lutar”

ATRIZ
Cate Blanchett, “Carol”
Brie Larson, “O Quarto de Jack”
Jennifer Lawrence, “Joy: O Nome do Sucesso”
Charlotte Rampling, “45 Anos”
Saoirse Ronan, “Brooklyn”

ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Jason Leigh, “Os Oito Odiados”
Rooney Mara, “Carol”
Rachel McAdams, “Spotlight”
Alicia Vikander, “A Garota Dinamarquesa”
Kate Winslet, “Steve Jobs”

ROTEIRO ORIGINAL
“Ponte dos Espiões” – Matt Charman, Ethan Coen e Joel Coen
“Ex-Machina: Instinto Artificial” – Alex Garland
“Divertida Mente” – Pete Docter, Meg LeFauve, Mark Cooley e Ronnie del Carmen
“Spotlight: Segredos Revelados” – Josh Singer e Tom McCarthy
“Straight Outta Comptom – A História de N.W.A” – Jonathan Herman, Andrea Berloff, S. Leigh Savidge e Alan Wenkus

ROTEIRO ADAPTADO
“A Grande Aposta” – Charles Randolph e Adam McKay
“Brooklyn” – Nick Hornby
“Carol” – Phyllis Nagy
“Perdido em Marte” – Drew Goddard
“O Quarto de Jack” – Emma Donoghue

DOCUMENTÁRIO
“Amy”
“Cartel Land”
“The Look of Silence”
“O Que Aconteceu, Miss Simone?”
“Winter on Fire”

ANIMAÇÃO
“Anomalisa”
“O Menino e o Mundo”
“Divertida Mente”
“Shaun, o Carneiro”
“Quando Estou com Marnie”

FILME ESTRANGEIRO
“O Abraço da Serpente” (Colômbia)
“Cinco Graças” (França)
“O Filho de Saul” (Hungria)
“Theeb” (Emirados Árabes)
“A War” (Dinamarca)

FOTOGRAFIA
“Carol” – Ed Lachman
“Os Oito Odiados” – Robert Richardson
“Mad Max: Estrada da Fúria” – John Seale
“Sicário: Terra de Ninguém” – Roger Deakins
“O Regresso” – Emmanuel Lubezki

EDIÇÃO
“A Grande Aposta” – Hank Corwin
“Mad Max: Estrada de Fúria” – Margaret Sixel
“O Regresso” – Stephen Mirrione
“Spotlight: Segredos Revelados” – Tom McArdle
“Star Wars: O Despertar da Força” – Maryann Brandon e Mary Jo Markey

TRILHA SONORA ORIGINAL
“Ponte dos Espiões” – Thomas Newman
“Carol” – Carter Burwell
“Os Oito Odiados” – Ennio Morricone
“Sicário: Terra de Ninguém” – Jóhann Jóhannsson
“Star Wars: O Despertar da Força” – John Williams

CANÇÃO ORIGINAL
“Earned It”, de “Cinquenta Tons de Cinza” (Abel Tesfaye/Ahmad Balshe/Jason Daheala/Stephan Moccio)
“Manta Ray”, de “A Corrida contra a Extinção” (J. Ralph/Antony Hegarty)
“Simple Song #3”, de “Juventude” (David Lang)
“Til It Happens To You”, de “The Hunting Ground” (Diane Warren/Lady Gaga)
“Writing’s On The Wall”, de “007 contra Spectre” (Jimmy Napes/Sam Smith)

EFEITOS VISUAIS
“Ex Machina”
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em Marte”
“O Regresso”
“Star Wars: O Despertar da Força”

DESIGN DE PRODUÇÃO
“Ponte dos Espiões”
“A Garota Dinamarquesa”
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em Marte”
“O Regresso”

FIGURINO
“Carol” – Sandy Powell
“Cinderella” – Sandy Powell
“A Garota Dinamarquesa” – Paco Delgado
“Mad Max: Estrada da Fúria” – Jenny Beavan
“O Regresso” – Jacqueline West

MAQUIAGEM E CABELO
“Mad Max: Estrada da Fúria” – Lesley Vanderwalt, Elka Wardega and Damian Martin
“The 100-Year-Old Man Who Climbed out the Window and Disappeared” – Love Larson and Eva von Bahr
“O Regresso” – Siân Grigg, Duncan Jarman and Robert Pandini

EDIÇÃO DE SOM
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em marte”
“O Regresso”
“Sicário: Terra de Ninguém”
“Star Wars: O Despertar da Força”

MIXAGEM DE SOM
“Ponte dos Espiões”
“Mad Max: Estrada da Fúria”
“Perdido em Marte”
“O Regresso”
“Star Wars: O Despertar da Força”

CURTA-METRAGEM
“Ave Maria”
“Day One”
“Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut)”
“Shok”
“Stutterer”

CURTA DE ANIMAÇÃO
“Bear Story”
“World of Tomorrow”
“Prologue”
“We Can’t Live Without Cosmos”
“Os Heróis de Sanjay”

DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
“Body Team 12”
“Chau, beyond the Lines”
“Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah”
“A Girl in the River: The Price of Forgiveness”
“Last Day of Freedom”

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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