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  • Filme

    Imprensa internacional se manifesta contra cultura do cancelamento após censura de Woody Allen

    8 de março de 2020 /

    A censura sofrida por Woody Allen, que teve o lançamento de seu livro de memórias cancelado após um tuíte de Ronan Farrow iniciar uma onda de protestos, mudou o relacionamento da imprensa internacional com movimentos do tipo #MeToo. Os últimos dias viram surgir diversos editoriais e artigos opinativos condenando a “cultura do cancelamento”, originada nas redes sociais no rastro dos resultados positivos do #MeToo. A nova patrulha ideológica, que age em nome do “politicamente correto”, vinha assumindo grandes proporções sem receber criticas contundentes, mas isso mudou após atacar a liberdade de expressão, no caso emblemático de Woody Allen. O jornal americano New York Post publicou um editorial condenando a pressão exercida por Ronan Farrow, que chantageou o grupo editorial Hachette, ameaçando trocar de editora, e insuflou as redes sociais para conseguir seu objetivo pessoal. “Ronan acredita nas alegações de sua irmã Dylan de que Woody a abusou quando criança em 1992, embora duas investigações (uma pela Agência Estadual de Bem-Estar Infantil, outra pela Clínica de Abuso Sexual Infantil do Hospital Yale-New Haven) concluíram que a garota não havia sido abusado. Tudo é complicado no caso de Woody pelo casamento posterior com Soon-Yi Previn, a filha adotiva da mãe de Ronan (e amante de longa data de Woody). Mas, aparentemente, Woody Allen não pode contar o seu lado da história – ou qualquer história”, escreveu o conselho editorial do jornal. “Ronan Farrow… está errado. Por mais profunda que seja sua raiva, é obsceno que um jornalista esteja silenciando alguém. Ele alega estar contra os abusadores do poder – mas ele flagrantemente abusou do seu próprio poder”, acrescenta o texto. O apresentador Bill Maher também se pronunciou, ao defender outra vítima da cultura do cancelamento – seu colega Chris Matthews. “A cultura do cancelamento é um câncer do progressivismo”, ele apontou. O jornalista britânico Damian Wilson, conselheiro do Parlamento Europeu, publicou um editorial aberto em que chamou atenção contra a seletividade hipócrita dos novos moralistas. “Um protesto contra os editores das memórias de Woody Allen e a proibição do novo filme de Roman Polanski nos EUA são aplaudidos, mas o alegadamente predador sexual Michael Jackson continua a faturar milhões com seu legado”, ele observou. “‘Leaving Neverland’, o documentário de quatro horas que alega que Jacko era um pedófilo que se disfarçava como um amigo de confiança, ganhou grande reconhecimento de uma audiência global. Entretanto, estranhamente, ninguém se mobilizou para queimar suas biografias, discos ou impedir que suas canções sejam cantadas. Mas se você quiser ler as memórias de Woody Allen, aqueles que protestam negarão o seu direito, porque Allen é um conden… er, espere um minuto. Ele não foi condenado por nada… O diretor aclamado pela crítica nunca enfrentou um tribunal criminal por alegações de abuso sexual de sua enteada Dylan”, continuou. “Então, o que valida o protesto, com direito a walk out de funcionários do escritório da editora literária? Os círculos liberais tem certeza que Allen é culpado e se safou. Mas se safou do quê? Nunca saberemos, a menos que seu filho, Ronan Farrow, decida escrever uma reportagem abrangente, semelhante ao seu trabalho para expor o vergonhoso Harvey Weinstein”. Ele ainda lembrou que “Charles Dickens largou sua esposa, mãe de seus 10 filhos, para se casar com uma atriz muito jovem. William Golding admitiu que tentou estuprar uma menina de 15 anos. Norman Mailer esfaqueou a esposa, quase a matando. Paul Gauguin teve relações sexuais com meninas menores de idade no Taiti e transmitiu sífilis antes que as complicações da DST o matassem. Mas, no que diz respeito ao exército politicamente correto, não há problema em ter estantes de livros cheias de Dickens, Golding e Mailer ou reproduções de Gauguin penduradas na parede da sala. Eles recebem um passe livre dos politicamente corretos, assim como Michael Jackson”. Num texto opinativo, publicado na edição dominical do jornal australiano The Sydney Morning Herald, o jornalista Mark Mordue descreve as pessoas que propõe cancelamentos como personagens de desenho animado, que só consideram duas opções, estar do lado certo ou estar do lado errado. “Esses absolutos de desenhos animados são o conteúdo de uma nova moralidade millennial impulsionada por noções como os ‘sem plataforma’ e ‘cancelamento da cultura’. Seus objetivos são cortar as vozes sexistas, racistas, homofóbicas e completamente desagradáveis. Mas o que começa nos domínios da decência rapidamente se transforma em exigências de máfia, com um leve cheiro de neo-stalinismo, mccarthismo e os expurgos forçados da Revolução Cultural da China empestando o ar, à medida que essa cultura cresce em influência”. “Em 1936, F. Scott Fitzgerald observou de passagem: ‘O teste de uma inteligência de primeira classe é a capacidade de manter na mente duas idéias opostas ao mesmo tempo e ainda reter a capacidade de funcionar’… E gostaria de pensar que, como leitor, sou capaz de ter a inteligência de oposição sugerida por Fitzgerald e a capacidade de ler nas entrelinhas, quando olho para os outros e para mim mesmo. Não há necessidade de uma cultura de cancelamento para decidir por mim”. O artigo mais relevante foi publicado pelo jornal The Guardian, escrito por Jo Granville, diretora do English Pen, uma associação internacional de escritores, empenhada em promover e defender a liberdade de expressão em todo o mundo. Para ela, a censura sofrida por Allen “é preocupante para escritores e leitores”. “Os funcionários de Hachette, que protestaram na semana passada, claramente pensavam que estavam fazendo a coisa certa moralmente – protestando contra a publicação de um livro por um homem que foi acusado de abusar de sua própria filha. Mas, como já foi repetido muitas vezes, Woody Allen foi investigado em duas ocasiões e nunca foi indiciado. Embora Dylan e Ronan acusem Woody Allen, ele nunca foi considerado culpado. Nada foi provado. De fato, não há razão aceitável para não publicar o livro de Woody Allen”, apontou Granville. “Os funcionários da Hachette não se comportaram como editores, mas como censores. Eu assisto a filmes de Woody Allen desde criança e gostaria de ler o livro dele. Eu até gostaria de ler o livro dele se ele fosse considerado culpado, porque estou interessada no homem, em seu trabalho e em sua vida. Não checo a pureza moral ou o registro criminal de um escritor antes de lê-lo. Eu teria que despir minhas estantes de livros de alguns dos escritores que mais amo se fosse começar a aplicar os princípios dos funcionários da Hachette como parâmetro para o que pode ou não ser publicado. TS Eliot e Roald Dahl, para começar, eram anti-semitas. De fato, a maior parte do cânone inglês teria que ser jogada na fogueira com essa base”, explicou. “Os editores precisam ter coragem – a coragem de publicar livros que não se encaixem no clima moral e que expressem visões fora de moda. Nos anos 1970, os editores lutaram repetidamente pelo direito de publicar livros que atentavam a moral, enfrentando processos por obscenidade. Foram batalhas que testaram os limites da liberdade de expressão”, continuou. “Na sequência do #MeToo, passamos a ver a indignação moral como uma coisa boa – não a associamos a uma figura reacionária como a censora britânica Mary Whitehouse ou a enxergamos como uma barreira ao progresso. Cancelar as coisas, impedindo manifestações do tipo errado de visão, passou a ser admirado. É notável que um pequeno grupo de pessoas tenha conseguido convencer uma das maiores editoras do mundo a recuar, mas sua causa pode não ser tão moralmente correta quanto eles acreditam. Como editores, de fato, a conduta da equipe que protestou é altamente questionável”. “Não quero ler livros que sejam bons para mim ou que sejam escritos por pessoas cujas opiniões eu sempre concordo ou admiro. Eu sempre tenho medo quando uma multidão, por mais bem intencionada que seja, exerce poder sem qualquer responsabilidade, processo ou reparação. Isso me assusta muito mais do que a perspectiva de uma autobiografia de Woody Allen chegar às livrarias”, concluiu. Suzanne Nossel, diretora da sucursal americana da mesma organização, a PEN America, ainda avaliou, em comunicado, que “o resultado final é que este livro, independentemente de seus méritos, desaparece sem deixar vestígios, negando aos leitores a oportunidade de lê-lo e chegar a seus próprios julgamentos”. Em um balanço da cultura do cancelamento, o site The Post Millennial ainda lembrou que o livro de Woody Allen não foi a primeira vítima editorial das redes sociais. A turnê de divulgação de “American Dirt”, de Jeanine Cummins, foi cancelada devido a “preocupações de segurança”. E o livro “Blood Heir”, de Amélie Wen Zhao, foi recolhido depois que ela foi acusada de descrever a escravidão de forma “descaradamente racista”. O próprio Woody Allen já teve o lançamento de seu filme “Um Dia de Chuva em Nova York” cancelado nos EUA, junto com seu contrato de produção com a Amazon, sem que houvesse qualquer fato novo no caso de 30 anos atrás, do qual foi inocentado, apenas pressão das redes sociais. Quando o primeiro cancelamento aconteceu, porém, nenhum editorial foi escrito em protesto. Os artigos dessa semana são as primeiras reações à fogueira que arde nas redes sociais, onde milhares de posts são disparados por minuto para comemorar a decisão da Hachette de censurar Woody Allen. Eles representam uma mudança de paradigma, apontando que a cultura do cancelamento deixou de ser um movimento “legal”, ao assumir posições fascistas e comportamentos não aceitáveis diante da cultura. Vale observar que, em defesa de seus argumentos, a maioria dos censores voluntários tenta enganar seus seguidores e a si mesma alegando que sua pressão não é censura, já que não é exercida pelo estado. Mas a censura estatal não é a única forma de censura possível. Há censura econômica, quando uma corporação ou um magnata (digamos Harvey Weinstein) impede alguém de trabalhar ou reclamar – ou no mínimo prejudica a carreira para impedir bons contratos, como aconteceu com o diretor Orson Wells após a reação de William R. Hearst a “Cidadão Kane”. Há censura religiosa, autoexplicativa. E há a censura dos militantes, que pode ser violenta – como esquecer que fascistas brasileiros impediram a continuidade das apresentações da peça “Roda Vida” com agressões ao elenco nos anos 1960? – ou pode ser virtual, como a “cultura do cancelamento”. Os censores voluntários também tentam alegar que sua cruzada moral não é censura, porque Woody Allen poderia publicar seu livro em outra editora – como se não fossem fazer o mesmo tipo de pressão outra vez. Ou, então, poderia publicar o livro de graça na internet, garantindo a sua liberdade de expressão. Como se isso provasse ausência de censura. Na prática, impedir um artista de ganhar dinheiro com sua arte é censura. Ainda que Mao Tsé-Tung preferisse chamar de “expurgo”.

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  • Série

    Chuck Norris fará participação especial no final de Hawaii Five-0

    7 de março de 2020 /

    O veterano ator Chuck Norris vai fazer uma participação especial no final da série “Hawaii Five-0”. Na season finale de duas horas de duração, ele vai interpretar um sargento aposentado, chamado Lee Phillips, que ajudará o personagem Lincoln Cole (interpretado por Lance Gross, ex-“MacGyver”) a se esconder das autoridades e proteger seu anonimato. Phillips treinou Lincoln, um sargento condecorado da Marinha dos EUA que trabalha na segurança antiterrorismo da frota. Chuck Norris não aparecia na TV há cinco anos, desde que fez uma pequena participação como ele mesmo na série “Os Goldbergs”, em 2015. Seu último personagem diferente dele próprio tinha sido no filme “Os Mercenários”, O final também trará de volta o vilão do primeiro episódio da série, Victor Hesse, interpretado por James Marsters (o eterno Spike de “Buffy: A Caça-Vampiros”, que recentemente estrelou “Fugitivos”/”Runaways”), além do principal inimigo dos Five-0, Wo Fat, vivido por Mark Dacascos (de “O Pacto dos Lobos” e “Wu Assassins”). O último capítulo da série será exibido em 3 de abril nos EUA. “Hawaii Five-0” é exibida no Brasil pelo canal pago AXN.

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  • Etc

    Stephen King lamenta censura à livro de Woody Allen: “O próximo é sempre mais fácil”

    7 de março de 2020 /

    O escritor Stephen King lamentou a decisão do Hachette Book Group de cancelar o lançamento do livro de memórias de Woody Allen, cedendo aos grupos de pressão da internet. Ele publicou alguns posts sobre o assunto, dizendo que a decisão o fazia se sentir “muito desconfortável”. “A questão não é sobre ele. Não dou à minima para o Sr. Allen. Mas quem será o próximo é que me preocupa”, escreveu o autor de best-sellers. “Uma vez que você começa [a censurar], o próximo é sempre mais fácil”, acrescentou. A posição de King, claro, recebeu críticas. Muitas pessoas se manifestaram, defendendo um ponto de vista “politicamente correto” que justificaria a censura ao livro do cineasta e o cerceamento de sua liberdade de expressão. King respondeu a um dos comentários. “Se você acha que ele é pedófilo, não compre o livro. Não vá aos filmes dele. Não o ouça tocar jazz no Carlyle. Manifeste-se com sua carteira… mantendo-a fechada. Nos EUA, é assim que fazemos”, disse, defendendo o direito do cineasta de escrever e filmar, e também o do público de não pagar para ver. A Hachette anunciou na sexta-feira (6/3) que não lançaria mais o livro do diretor de cinema, previsto para abril, após sofrer pressão do filho do diretor, Ronan Farrow, que renegou seu contrato com a empresa, e protesto de seus funcionários, que abandonaram o trabalho na tarde de quinta para manifestar sua contrariedade com a decisão. A manifestação ganhou apoio de muitos escritores e até de editoras rivais. O caso representa uma importante manifestação no mundo real da prática do “cancelamento” virtual. O repúdio contra Woody Allen se deve à uma acusação de abuso sexual que ele teria cometido contra a filha Dylan Farrow nos anos 1990. As acusações foram verificadas por um tribunal de justiça na época, com direito a duas investigações diferentes de seis meses. Ambas concluíram não ter havido abuso sexual. Allen alega que a denúncia foi fruto de raiva da ex, numa batalha legal pela guarda dos filhos, vencida por Farrow, que a teria manteve viva com o passar dos anos por lavagem cerebral promovida em Dylan Farrow. Outro de seus filhos, Moses Farrow, confirma a versão do diretor. Dez anos mais velho que Ronan Farrow, ele diz se lembrar melhor dos fatos que os irmãos, que eram crianças na época. Dylan, por exemplo, tinha apenas sete anos quando o suposto abuso aconteceu, e Moses, que virou terapeuta de famílias, lembra os fatos de forma muito diferente. Para ele, sua irmã mais nova jamais foi molestada pelo pai, mas isso não a impediu de ter sido uma vítima – da manipulação da mãe, Mia Farrow. Tomando as dores da irmã, Ronan costuma comparar Woody Allen, jamais acusado de abuso ou assédio por nenhuma atriz com quem trabalhou em mais de meio século de carreira, com Harvey Weinstein, denunciado por mais de 100 mulheres e recentemente condenado por crimes sexuais pela justiça de Nova York. Ronan foi um dos responsáveis por essa condenação, ao publicar uma das primeiras reportagens sobre a atividade predadora de Weinstein na revista The New Yorker, que, inclusive, lhe rendeu o prestigioso prêmio Pulitzer e um contrato para livros com o grupo Hachete, que ele decidiu renegar após saber do livro do diretor – iniciando a campanha que resultou na censura. Muito do atual repúdio contra Allen se deve à campanha nas redes sociais comandada por Dylan, que resolveu retomar a acusação de abuso no final de 2017, aproveitando a repercussão da reportagem de seu irmão sobre Weinstein. No auge do #MeToo, ela fez questão de comparar Allen com Weinstein, e suas denúncias conseguiram criar uma reação de “cancelamento” contra o diretor, apesar de não trazerem nenhum fato novo à tona. Mia Farrow tomou ódio de Allen porque ele a trocou pela filha adotiva dela (mas não dele), Soon-Yi Previn. O diretor e Soon-Yi se casaram e estão juntos até hoje. O casal adotou duas filhas, que já são jovens adultas com 20 e 21 anos, e jamais denunciaram Allen por qualquer comportamento. Também vale observar que algumas mensagens raivosas, postadas nas redes sociais nos últimos dias contra a reputação do diretor, aludem ao fato de que uma nova reportagem-denúncia estaria prestes a emergir contra Woody Allen. Pode ser que sim, o que ajudaria a explicar a decisão inesperada da Hachette – o surgimento de fatos mudariam o entendimento da desistência. Entretanto, não seria a primeira vez que fake news viram munição de detratores de Allen, que acusaram até “Um Dia de Chuva em Nova York” de ser uma apologia à pedofilia, antes do mundo poder assistir ao filme. The Hachette decision to drop the Woody Allen book makes me very uneasy. It's not him; I don't give a damn about Mr. Allen. It's who gets muzzled next that worries me. — Stephen King (@StephenKing) March 6, 2020 Once you start, the next one is always easier. — Stephen King (@StephenKing) March 6, 2020 If you think he's a pedophile, don't buy the book. Don't go to his movies. Don't go listen to him play jazz at the Carlyle. Vote with your wallet…by withholding it. In America, that's how we do. https://t.co/znGZu0wJEF — Stephen King (@StephenKing) March 7, 2020

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  • Série

    Ellen Pompeo defende despedida polêmica de Alex Karev: “Melhor história possível”

    6 de março de 2020 /

    Os fãs odiaram a despedida do personagem Alex Karev (Justin Chambers) de “Grey’s Anatomy”, mas a atriz Ellen Pompeo, que interpreta a protagonista Meridith Grey, discordou, em um post do Instagram, onde não só elogiou o desfecho da trajetória do médico na série, como a chamou de “a melhor história possível”. O episódio “Leave a Light On” (“Deixe uma Luz Acesa”, em tradução literal), exibido na noite de quinta (5/3) nos EUA foi considerado “desrespeitoso” para o personagem e “sem sentido” pelos fãs, em vários posts de protesto nas redes sociais, que originaram a hashtag #JusticeForKarev. O ator Justin Chambers não participou de sua gravação. Ele decidiu não renovar seu contrato para continuar na série e sua última aparição foi ao ar em novembro passado, quando Karev optou por voltar para casa para cuidar de sua mãe, após ter ajudado a salvar a carreira de Meredith Grey. Desde então, o destino do personagem estava em suspenso. A solução encontrada pela showrunner Krista Vernoff foi exatamente a mesma que já tinha justificado a saída de outras duas personagens queridas da longeva série, April (Sarah Drew) e Arizona (Jessica Capshaw): o reencontro com um antigo amor. No episódio, Karev envia uma carta e um pedido divórcio para sua mulher, Jo (Camila Luddington), dizendo que não voltaria a Seattle porque decidiu ficar com Izzie Stevens (Katherine Heigl), sua ex-mulher, com quem descobriu ter filhos gêmeos. A personagem de Izzie não aparece em Grey’s Anatomy há dez anos. Seu reencontro com Karev, inclusive, aconteceu “fora das câmeras”, mencionado apenas na correspondência do personagem. Tudo muito improvisado, repentino e vindo de lugar algum. Mas Ellen Pompeo achou o máximo. Ao lado de um vídeo que reúne alguns momentos de Karev, ela fez vários agradecimentos aos profissionais envolvidos nas 16 temporadas da série e engatou elogios ao episódio polêmico. “Obrigada ao nosso tesouro nacional Debbie Allen (intérprete de Catherine Avery e também diretora da séria) e aos escritores por dar a Alex Karev a melhor despedida. Obrigado a Shonda Rhimes (criadora) por criar o personagem mais incrível. Para mim, Karev volta ao início. Foi a melhor história possível. É uma homenagem àqueles incríveis primeiros anos e ao elenco incrível que criou uma base tão forte que permite à série ainda continuar. Então, não vamos ficar tristes”, disse. Ela também ecoou textos de auto-ajuda ao afirmar que a vida é feita de momentos difíceis, mas costuma dizer a seus filhos que “isso nos mostra do que somos feitos, o quanto somos fortes e que podemos enfrentá-los. Sem os momentos ruins, não haveria comemorações por essa experiência incrível que chamamos de vida”. Os fãs voltaram a protestar, desta vez no Instagram da atriz. “Melhor despedida?”, reclamou um. “Falta de criatividade e desrespeito com o personagem, isso sim”, retrucou outro. Mas muitos publicaram apenas coraçãozinhos. “Leave a Light On” deve ir ao ar apenas em abril no Brasil, pelo canal pago Sony. Ver essa foto no Instagram Hi here I go again … Thank YOU! You are truly the best most passionate most loyal fans anyone could ever ask for. Because of you we got to make great tv… because of you we got to make television history! I say often life is hard and thank God it is because like I tell my kids… it shows us what we are made …of how strong we really are and let’s face it… without the lows there would be no dancing it out or celebrating this incredible experience we call life. Thanks to our national treasure @therealdebbieallen and the writers for giving Alex Karev the best send off. Thanks to @shondarhimes for creating the most amazing character. For me personally for Karev to go back to the beginning…. was the best possible storyline. It pays homage to those incredible first years and the incredible cast …that created a foundation so strong that the show is still standing. So let’s not be sad. As our fearless leader DA always says let’s PULL UP and celebrate the actors the writers and the fantastic crew who make this show come to life every week. No matter what the challenge or how tired we all are in the end… you keep us going…..That is worth dancing it out over! So much love and gratitude to you all. Xo E Uma publicação compartilhada por Ellen Pompeo (@ellenpompeo) em 6 de Mar, 2020 às 8:28 PST

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  • Etc

    Editora cede à pressão e cancela lançamento de livro de Woody Allen

    6 de março de 2020 /

    O grupo editorial Hachette anunciou nesta sexta (6/3) que não publicará mais o livro de memórias do diretor Woody Allen, cujo lançamento estava previsto para o próximo 7 de abril. A empresa cedeu à pressão do filho do diretor, Ronan Farrow, e ao protesto de seus funcionários, que abandonaram o trabalho na tarde de quinta para manifestar sua contrariedade com a decisão. “A Hachette Book Group decidiu que não publicará as memórias de Woody Allen, intitulada ‘Apropos of Nothing'” e “devolverá todos os direitos ao autor”, disse Sophie Cottrell, porta-voz da editora, em comunicado. “A decisão de cancelar o livro do Sr. Allen foi difícil. Na HBG, levamos muito a sério nosso relacionamento com os autores e não cancelamos livros por nada. Publicamos e continuaremos a publicar muitos livros desafiadores. Como editores, garantimos que todos os dias em nosso trabalho, diferentes vozes e pontos de vista conflitantes podem ser ouvidos. Também, como empresa, estamos comprometidos em oferecer um ambiente de trabalho estimulante, solidário e aberto para todos os nossos funcionários. Nos últimos dias, a liderança da HBG teve longas conversas com nossa equipe e outras pessoas. Depois de ouvirmos, chegamos à conclusão de que avançar com a publicação não seria viável para a HBG”, completa o texto, repleto de contradições. O cancelamento de “Apropos of Nothing” está sendo comemorado no Twitter como uma vitória do “politicamente correto” e se trata realmente de uma importante manifestação no mundo real da prática do “cancelamento” virtual, que tem acirrado ânimos nas redes sociais. Também é uma manifestação, em pleno século 21, da mentalidade de turba, com foices e forcados – ou fogueiras e forcas – , que ilustram linchamentos públicos em filmes clássicos. Uma caça às bruxas, em outras palavras. Não se deixem enganar, trata-se de uma vitória da censura contra a cultura. Uma censura de esquerda, não menos perigosa que a das ditaduras fascistas. Na prática, uma grupo de pressão conseguiu jogar um livro na fogueira, porque não concorda com seu suposto conteúdo. Algo como os nazistas fizeram nos anos 1930. Além de atacar a liberdade de expressão, os protestos dos justos, que falam em defesa da ética, visam impedir a defesa real de uma pessoa que está sendo atacada por todos os lados por algo que pode nem sequer ter feito. O objetivo é tão somente impedir que se conheça o “outro lado” de uma história, que algumas pessoas não admitem que seja conhecida e, para isso, não medem esforços para impedir a existência do contraditório. A decisão da Hachette abre um precedente assustador, ao demonstrar que fake news capazes de mobilizar a opinião pública podem gerar censura. Não que a denúncia contra Woody Allen seja fake news. Mas não é news, nos dois sentidos da palavra em inglês – notícia e novidade. O repúdio contra Woody Allen se deve à uma acusação de abuso sexual que ele teria cometido contra a filha Dylan Farrow nos anos 1990. As acusações foram verificadas por um tribunal de justiça na época, com direito a duas investigações diferentes de seis meses. Ambas concluíram não ter havido abuso sexual. Allen alega que a denúncia foi fruto de raiva da ex, numa batalha legal pela guarda dos filhos, vencida por Farrow, e se manteve viva com o passar dos anos por lavagem cerebral diária promovida em Dylan Farrow. Outro de seus filhos, Moses Farrow, confirma a versão do diretor. Dez anos mais velho que Ronan Farrow, ele diz se lembrar melhor dos fatos que os irmãos, que eram crianças na época. Dylan, por exemplo, tinha apenas sete anos quando o suposto abuso aconteceu, e Moses, que virou terapeuta de famílias, lembra os fatos de forma muito diferente. Para ele, sua irmã mais nova jamais foi molestada pelo pai, mas isso não a impediu de ter sido uma vítima – da manipulação da mãe, Mia Farrow. Tomando as dores da irmã, Ronan costuma comparar Woody Allen, jamais acusado de abuso ou assédio por nenhuma atriz com quem trabalhou em mais de meio século de carreira, com Harvey Weinstein, denunciado por mais de 100 mulheres e recentemente condenado por crimes sexuais pela justiça de Nova York. Ronan foi um dos responsáveis por essa condenação, ao publicar uma das primeiras reportagens sobre a atividade predadora de Weinstein na revista The New Yorker, que, inclusive, lhe rendeu o prestigioso prêmio Pulitzer e um contrato para livros com o grupo Hachete, que ele decidiu renegar após saber do livro do diretor – iniciando a campanha que resultou na censura. Muito do atual repúdio contra Allen se deve à campanha nas redes sociais comandada por Dylan, que resolveu retomar a acusação de abuso no final de 2017, aproveitando a repercussão da reportagem de seu irmão sobre Weinstein. No auge do #MeToo, ela fez questão de comparar Allen com Weinstein, e suas denúncias conseguiram criar uma reação de “cancelamento” contra o diretor, apesar de não trazerem nenhum fato novo à tona. Mia Farrow tomou ódio de Allen porque ele a trocou pela filha adotiva dela (mas não dele), Soon-Yi Previn. O diretor e Soon-Yi se casaram e estão juntos até hoje. O casal adotou duas filhas, que já são jovens adultas com 20 e 21 anos, e jamais denunciaram Allen por qualquer comportamento. Também vale observar que algumas mensagens raivosas, postadas nas redes sociais nos últimos dias contra a reputação do diretor, aludem ao fato de que uma nova reportagem-denúncia estaria prestes a emergir contra Woody Allen. Pode ser que sim, o que ajudaria a explicar a decisão inesperada da Hachette – o surgimento de fatos mudariam o entendimento da desistência. Entretanto, não seria a primeira vez que fake news viram munição de detratores de Allen, que acusaram até “Um Dia de Chuva em Nova York” de ser uma apologia à pedofilia, antes do mundo poder assistir ao filme. Toda essa polêmica pode até render mais um capítulo no livro de memórias do cineasta, que agora deverá ser oferecido para outra editora – e possivelmente publicado primeiro no exterior. Até o título pode ser mudado. A publicação, que seria lançada com o nome de “Apropos of Nothing” (a propósito de nada), virou “tudo” para seus detratores.

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  • Série

    Grey’s Anatomy: Fãs se revoltam contra explicação da saída de Alex Karev

    6 de março de 2020 /

    Os fãs de “Grey’s Anatomy” não gostaram nada da explicação para a saída do personagem Alex Karev (vivido por Justin Chambers) da série. O episódio de despedida foi ao ar na noite de quinta (5/3) nos EUA, prometendo mostrar o destino de Karev. E isso foi explicado por meio de cartas, que ele enviou para as pessoas com quem tinha maior proximidade. Junto da despedida, também enviou um pedido de divórcio de sua mulher, Jo (Camilla Luddington). A explicação para o sumiço, considerada ridícula pelos fãs, é que ele reencontrou Izzie Stevens (Katherine Heigl), médica que foi sua namorada e que não aparece em “Grey’s Anatomy” há dez anos. Karev teria descoberto que Izzy engravidou dele e teve dois filhos gêmeos. As crianças foram mostradas para ilustrar o texto, mas nem Chambers nem Heigl participaram da produção do episódio, que utilizou flashbacks. A atriz é persona non grata e Chambers decidiu não renovar seu contrato para continuar na série. Sua última aparição foi ao ar em novembro passado, quando ele optou por voltar para casa para cuidar de sua mãe, após ter ajudado a salvar a carreira de Meredith Grey (Ellen Pompeo). “Queria ter tudo o que sempre desejei sem precisar te machucar no processo. Mas não posso mentir para você. E não posso voltar para casa. Não vou voltar para casa, Jo. Não posso te olhar nos olhos porque não seria capaz de ir embora”, escreveu Karev na carta enviada a Jo. No pedido de divórcio, ele afirma querer deixar tudo para a mulher, incluindo suas ações no Hospital Grey Sloan Memorial, onde trabalhavam. “Sei que o que quer que escolha fazer com elas será incrível, assim como você. Você merece tudo de bom nessa vida, Jo. Espero que encontre algo melhor do que eu”, acrescenta. Karev também escreveu cartas para Meredith Grey (Ellen Pompeo), sua melhor amiga, Miranda Bailey (Chandra Wilson) e Richard Webber (James Pickens Jr.) – os três personagens que, como ele até recentemente, estão na série desde o primeiro episódio. “A questão é: não posso voltar. Não posso te encarar. Mereço ser chamado de babaca, mas não quero me endireitar. Não quero que você me diga a coisa certa. Porque a única coisa perfeita não está em Seattle, não mais”, ele escreveu para Grey. Intitulado “Leave a Light On” (“Deixe uma Luz Acesa”, em tradução literal), o episódio foi considerado “desrespeitoso” e “sem sentido” pelos fãs, em vários posts de protesto nas redes sociais, que lembraram que showrunner Krista Vernoff tem o costume de apelar para reconciliações “mágicas” para explicar a saída de personagens – a estratégia já tinha sido usada para justificar as saídas de April (Sarah Drew) e Arizona (Jessica Capshaw) da série. “Da noite para o dia o Alex se apaixona pela Izzie de novo? Na moral, isso não tem nem sentido”, escreveu um perfil. “Este final não é justo. Karev jamais faria isto, reclamou outro. “Sinceramente, eu preferia ver o Karev morrendo do que ver ele largando a Jo pra ficar com a Izzie”, lamentou mais um. E assim por diante, todos lamentando a forma como Vernoff jogou no lixo a evolução do personagem, que, de mais odiado, se tornou num dos favoritos de “Grey’s Anatomy”. A hashtag #JusticeForKarev acabou entrando nos tópicos mais postados do Twitter.

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    Funcionários de editora protestam contra publicação do livro de memórias de Woody Allen

    6 de março de 2020 /

    Funcionários do grupo editoral americano Hachette promoveram um walk out, um protesto em que deixaram seus escritórios na tarde desta quinta-feira (5/3), manifestando seu desacordo com o anúncio da publicação de um livro de memórias do cineasta Woody Allen. A reação dos funcionários aconteceu após as recentes declarações de Ronan Farrow, filho de Allen, que repudiou o contrato da editora, acusando-a de “falta de ética e de compaixão por vítimas de agressões sexuais”. Allen foi denunciado por abusar da filha Dylan Farrow quando ela era uma criança. O diretor sempre negou e o caso tem bastidores conturbados, pois foi trazido à tona durante a separação do diretor e da atriz Mia Farrow. Em comunicado, a Hachette afirmou que respeita a opinião de seus funcionários e que irá “iniciar uma discussão mais profunda sobre o assunto assim que possível”. Dylan foi ao Twitter agradecer a manifestação de solidariedade. “Obrigada do fundo do meu coração”, ela tuitou. Além dos cerca de 75 funcionários, que abandonaram o trabalho e desceram para frente do prédio da Hachette, vários escritores se manifestaram em apoio ao protesto. Até editoras rivais prestaram solidariedade, numa expressiva condenação pública da reputação – o chamado cancelamento social – de Woody Allen. E à favor da censura. O repúdio contra Woody Allen se deve à uma acusação de abuso sexual que ele teria cometido contra a filha Dylan Farrow nos anos 1990. As acusações foram verificadas por um tribunal de justiça na época, com direito a duas investigações diferentes de seis meses. Ambas concluíram não ter havido abuso sexual. Allen alega que a denúncia é fruto exclusivo de lavagem cerebral promovida pela mãe da jovem, Mia Farrow. Outro de seus filhos, Moses Farrow, confirma a versão do diretor. Dez anos mais velho que Ronan, ele diz se lembrar melhor dos fatos que os irmãos, que eram crianças na época. Dylan, por exemplo, tinha apenas sete anos quando o suposto abuso aconteceu, e Moses, que virou terapeuta de famílias, lembra os fatos de forma muito diferente. Para ele, sua irmã mais nova jamais foi molestada pelo pai, mas isso não a impediu de ter sido uma vítima – da manipulação da mãe, Mia Farrow. Tomando as dores da irmã, Ronan costuma comparar Woody Allen, jamais acusado de abuso ou assédio por nenhuma atriz com quem trabalhou em mais de meio século de carreira, com Harvey Weinstein, denunciado por mais de 100 mulheres e recentemente condenado por crimes sexuais pela justiça de Nova York. Ronan foi um dos responsáveis por essa condenação, ao publicar uma das primeiras reportagens sobre a atividade predadora de Weinstein na revista The New Yorker, que, inclusive, lhe rendeu o prestigioso prêmio Pulitzer e um contrato para livros com o grupo Hachete, que ele decidiu renegar após saber do livro do diretor. O repúdio contra Allen se deve à decisão de Dylan de retomar a acusação de abuso no final de 2017, aproveitando a repercussão da reportagem sobre Weinstein do irmão. No auge do #MeToo, ela fez questão de comparar Allen com Weinstein, e suas denúncias conseguiram criar uma reação de repúdio generalizado contra o diretor, apesar de não trazer nenhum fato novo à tona. Mia Farrow tomou ódio de Allen porque ele a trocou pela filha adotiva dela (mas não dele), Soon-Yi Previn. O diretor e Soon-Yi se casaram e estão juntos até hoje. Mas vale observar que algumas mensagens raivosas, postadas nas redes sociais na quinta (5/6) contra o diretor, aludem ao fato de que uma nova reportagem-denúncia estaria prestes a emergir contra Woody Allen. Pode ser que sim. Entretanto, não seria a primeira vez que fake news viram munição de detratores de Allen, que acusaram até “Um Dia de Chuva em Nova York” de ser uma apologia à pedofilia, antes do mundo poder assistir ao filme. Toda essa polêmica deve alimentar o livro de memórias do cineasta, intitulado “Apropos of Nothing” (a propósito de nada) e descrito como “um relato exaustivo da vida de Woody Allen, pessoal e profissional”. Até segunda ordem, a publicação tem previsão de lançamento para abril nos EUA.

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    Filho de Woody Allen diz que livro do diretor é “falta de ética e compaixão por vítimas de agressões sexuais”

    4 de março de 2020 /

    Há alguns anos não há anúncio de projeto de Woody Allen sem manifestação bombástica de seus filhos. E, sem tardar, o jornalista Ronan Farrow criticou a decisão do grupo editoral Hachete de publicar o livro de memórias de seu pai, anunciado na segunda-feira passada (2/3). Fez mais. Em retaliação, afirmou que deixará de publicar suas obras pela Hachette, porque não deseja estar na mesma editora do diretor. “A Hachette não fez as verificações sobre o conteúdo deste livro”, disse Farrow, denunciando o fato de a editora não ter entrado em contato com sua irmã, Dylan Farrow, que acusa Woody Allen de abusos, o que constitui, segundo ele, uma “falta enorme de profissionalismo”. “Isto demonstra a falta de ética e de compaixão por vítimas de agressões sexuais”, acrescentou Farrow. A declaração, entretanto, é digna de atenção pela “vendetta” que embute, não pelo que afirma. Porque as palavras de Farrow não fazem sentido. É preciso dizer o óbvio: um “livro de memórias” não inclui as “memórias” de quem não o escreveu. Não se trata de jornalismo, obviamente, mas de uma obra de cunho pessoal. A única verificação feita pela editora é de ordem jurídica, visando checar trechos que possam render processos. Fora isso, não se “edita” fatos narrados em primeira pessoa com censura prévia. Ronan deveria saber a diferença entre livro de memórias e reportagem, já que é jornalista. Mas também é raro ver jornalista defendendo a censura. Como se trata de uma acusação forte, também é importante ressaltar que, ao contrário do que Ronan Farrow afirma, as acusações contra Woody Allen foram, sim, verificadas: por um tribunal de justiça nos anos 1990, após duas investigações distintas que duraram vários meses e que não encontraram causa para procedimento legal contra o diretor. Mas o porta-voz da ética não aceita esse resultado. Seu tribunal de opinião pública só permite um veredito: culpado, independente das provas. Tomando o caso de forma pessoal, Ronan costuma comparar Woody Allen, jamais acusado de abuso ou assédio por nenhuma atriz com quem trabalhou em mais de meio século de carreira, com Harvey Weinstein, denunciado por mais de 100 mulheres e recentemente condenado por crimes sexuais pela justiça de Nova York. Ronan foi um dos responsáveis por essa condenação, ao publicar uma das primeiras reportagens sobre a atividade predadora de Weinstein na revista The New Yorker, que, inclusive, lhe rendeu o prestigioso prêmio Pulitzer e o contrato para livros com o grupo Hachete. Dylan Farrow, que tem o apoio da mãe adotiva, Mia Farrow, e de Ronan, voltou a acusar Allen no final de 2017, aproveitando a repercussão da reportagem do irmão. No auge do #MeToo, suas denúncias conseguiram criar uma reação de repúdio generalizado contra o diretor, como se houvesse fato novo. Allen sempre negou tudo, retrucando que a denúncia é fruto exclusivo de lavagem cerebral promovida pela mãe da jovem, Mia Farrow. Outro de seus filhos, Moses Farrow, confirma a versão de Allen. Dez anos mais velho que Ronan, ele diz se lembrar melhor dos fatos que os irmãos, que eram crianças na época. Dylan, por exemplo, tinha apenas sete anos quando o suposto abuso aconteceu, e Moses, que virou terapeuta de famílias, lembra os fatos de forma muito diferente. Para ele, sua irmã mais nova jamais foi molestada pelo pai, mas isso não a impediu de ter sido uma vítima de abuso. Vítima de uma campanha de manipulação da mãe, Mia Farrow. O cineasta deve abordar essa polêmica em seu livro, intitulado “Apropos of Nothing” (a propósito de nada) e descrito como “um relato exaustivo da vida de Woody Allen, pessoal e profissional”. A publicação será lançada em abril nos EUA.

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    Woody Allen lança livro de memórias em abril

    3 de março de 2020 /

    A editora Grand Central Publishing, uma divisão do Hachette Book Group, anunciou na segunda (2/3) que vai publicar um livro de memórias de Woody Allen. Envolto em boatos por anos e até considerado impublicável no auge do cancelamento do diretor pelo movimento #MeToo, a obra, batizada em inglês de “Apropos of Nothing” (a propósito de nada), será lançado em 7 de abril nos EUA. “O livro é um relato abrangente de sua vida, pessoal e profissional, e descreve seu trabalho em filmes, teatro, televisão, boates e publicações”, de acordo com comunicado da editora. “Allen também escreve sobre seus relacionamentos com a família, amigos e os amores de sua vida”. Os termos financeiros do acordo editoral entre o cineasta e a Grand Central não foram revelados. Além dos EUA, “Apropos of Nothing” será lançado no Canadá, Itália, França, Alemanha e Espanha, seguido por lançamentos em “países ao redor do mundo”. Ainda segundo o comunicado, Allen fará “várias entrevistas” para promover o livro. A publicações de suas memórias servirão como nova oportunidade para o diretor contar sua versão dos fatos mais polêmicos de sua vida, como o envolvimento com Soon-Yi Previn, a filha de sua então companheira Mia Farrow, com quem é casado até hoje, e a acusação de sua filha adotiva, Dylan Farrow, de tê-la molestado na infância. As acusações não são novas, mas elas ressurgiram em 2017, quando Dylan aproveitou o auge do #MeToo para resgatar a história, conseguindo criar uma reação de repúdio generalizado, como se houvesse fato novo. Allen sempre negou tudo, retrucando que a denúncia é fruto exclusivo de lavagem cerebral promovida pela mãe da jovem, Mia Farrow. Ele não foi condenado quando o caso foi levado a tribunal nos anos 1990, durante a disputa da guarda das crianças, e nunca foi acusado de abuso por nenhuma atriz com quem trabalhou ao longo de meio século de carreira. Dizendo que pretendia acabar com a carreira de Allen, Dylan patrulhou todos os atores que trabalharam com ele e bombardeou as redes sociais até fazer a Amazon renegar seu acordo para distribuir os novos filmes do diretor. Graças a isso, “Um Dia de chuva em Nova York” não foi lançado nos Estados Unidos. O diretor processou a Amazon e chegou a um acordo, lançando o filme no exterior. Ele também decidiu continuar a carreira fora dos EUA, filmando um novo longa na Espanha, “Rifkin’s Festival”, com participação de Christoph Waltz (“007 Contra Spectre”), Elena Anaya (“A Pele que Habito”), Louis Garrel (“Adoráveis Mulheres”), Gina Gershon (“Não Vai Dar”) e lançamento previsto para este ano. Ao fechar com uma empresa do grupo Hachette, Allen passou a compartilhar a mesma editora de um de seus heróis literários, JD Salinger, e também de um de seus maiores detratores, seu filho Ronan Farrow, que ganhou um prêmio Pulitzer por sua reportagem sobre o produtor Harvey Weinstein, que foi responsável por impulsionar o #MeToo. Há anos Ronan se distanciou de seu pai, ao adotar a defesa da irmã.

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    Johnny Depp queria afogar e queimar Amber Heard, revelam mensagens de texto

    1 de março de 2020 /

    Johnny Depp parece gostar de ver seu nome associado a escândalos. Detalhes cada vez mais sensacionalistas da sua separação da atriz Amber Heard continuam a vir à público, em razão de sua insistência em abrir processos públicos contra quem o acusa de violência doméstica. Em julgamento em Londres, a ação de difamação que moveu contra o jornal britânico The Sun, por causa de um artigo que o chama de “espancador de esposa”, acabou revelando ameaças que renderiam títulos piores que o motivo do processo. Na verdade, estão rendendo atualmente, como o deste post. Durante a audiência desta semana, mensagens de texto enviadas por Depp para o também ator Paul Bettany (o Visão dos filmes dos Vingadores) em 2013 foram lidas no Tribunal Superior de Londres. E nelas Depp afirma que gostaria de “queimar” e “afogar” a ex-esposa, entre outros detalhes macabros e de mau gosto. “Vamos queimar Amber”, diz uma mensagem datada de 6 de novembro de 2013. “Depois f**** seu corpo queimado”. Só que ele se arrependeu desse texto. Era pouco. “Vamos afogá-la antes de queimá-la!!! Depois f**** com o cadáver queimado dela para ter certeza de que ela está morta”, corrigiu, em nova mensagem. Estas ameaças são apenas o capítulo mais recente da falta de noção que tem empurrado a carreira de Depp ladeira abaixo, desde o fim de seu casamento em 2016. O casal se conheceu em 2009, quando Heard foi escalada para interpretar o par romântico de Depp em “Diário de um Jornalista Bêbado” (2011). O affair resultou no fim do casamento de 14 anos do ator com a atriz e cantora francesa Vanessa Paradis, mãe de seus dois filhos. Em setembro de 2012 foi noticiado que os dois teriam terminado, mas Depp reconquistou a então namorada com envios diários de flores e poemas. Em maio de 2013, Depp comprou uma fazenda na cidade de Nashville para que os dois morassem juntos. Em janeiro de 2014 ficaram noivos e se casaram em fevereiro de 2015. O pedido de divórcio veio um ano depois, em 2016, em meio a acusações de violência doméstica, acompanhadas por imagens da atriz com o rosto machucado, vídeo de bebedeira de Depp e crise de nervos no tribunal. Ela conseguiu inclusive uma ordem judicial que impediu Depp de se aproximar dela. O divórcio foi assinado no início de 2017, com Heard ganhando US$ 7 milhões da fortuna estimada em mais de US$ 514 milhões que o ator teria na época. A atriz doou todo o dinheiro a organizações beneficentes, inclusive algumas voltadas à assistência de vítimas de agressões domésticas, enquanto Depp torrou quase tudo o que tinha com gastos perdulários, segundo seus ex-empresários, ficando praticamente falido. Após o divórcio, ele foi processado pelos ex-empresários, ex-seguranças, ex-advogados e até por um assistente de produção das filmagens de “City of Lies”, que teria agredido durante as filmagens do longa de 2018, sequer lançado no Brasil. Mas resolveu abrir seus próprios processos, que incluem uma ação contra a ex-esposa, após ela assinar um artigo na imprensa norte-americana sobre sua história como vítima de violência doméstica. Mesmo sem ser citado no texto, Depp vestiu a carapuça e foi à justiça querendo uma indenização de US$ 50 milhões de Heard, afirmando ter perdido oportunidades de trabalho por conta da declaração. Este processo promete revelar mais detalhes da vida particular do ator, que já teve um dos maiores salários de Hollywood e uma carreira invejada. Atualmente, ele só tem um trabalho agendado, como Gellert Grindelwald no terceiro filme da franquia “Animais Fantásticos”. E até isso pode ser alterado para pior. Já Amber Heard está confirmada em “Aquaman 2”, no thriller “Run Away with Me” e na minissérie “The Stand”, baseada no clássico de Stephen King, em produção para a plataforma CBS All Access.

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  • Série

    Hawaii Five-0 é cancelada e último episódio vai ao ar em abril

    29 de fevereiro de 2020 /

    A rede americana CBS anunciou que “Hawaii Five-0” vai acabar na 10ª e atual temporada. Remake da série clássica “Havaí 5-0” dos anos 1960, a atração policial encerrará sua trajetória de 10 anos e 240 episódios com um final de duas horas em 3 de abril. “Nunca é fácil dizer adeus a uma franquia de sucesso, que carregou o legado da original com tanta distinção, enquanto estabeleceu seu estilo próprio”, disse Kelly Kahl, presidente da CBS Entertainment. “Desde o primeiro episódio, ‘Hawaii Five-0’ tem sido um enorme sucesso para nós. Graças aos talentos incríveis dos produtores, escritores, elenco e equipe, ele desempenhou um papel fundamental por uma década em nossa programação. Não podemos estar mais orgulhosos de sua qualidade, longevidade e da devoção apaixonada dos fãs.” Desenvolvida por Peter M. Lenkov, Alex Kurtzman e Roberto Orci, a série foi uma grande geradora de lucros para a CBS. Além de seu sólido desempenho de audiência nos EUA, “Hawaii Five-0” é um sucesso internacional da produtora CBS TV Studios, vista em mais de 200 países. O sucesso foi tanto que Lenkov desenvolveu mais dois remakes de séries clássicas para o canal e o estúdio, “McGyver” (em 2016) e “Magnum” (em 2018), que continuam a ser exibidas. Como a maioria das séries de longa duração, “Hawaii Five-0” passou por várias transições de elenco e já não era a série que começou a ser exibida em 2010, especialmente devido à saída polêmica das co-estrelas originais Daniel Dae Kim e Grace Park na 7ª temporada, após seu pedido de reajuste de salários para o mesmo nível dos protagonistas brancos da atração ser recusado. Agora, a série vai terminar junto do final de contrato de seus dois astros originais, Alex O’Loughlin, que interpreta Steve McGarrett, e Scott Caan como Danny “Danno” Williams. O’Loughlin sofreu uma grave lesão nas costas durante as primeiras temporadas do programa e vem lidando com os efeitos colaterais desde então. Havia especulações de que ele poderia deixar a série há dois anos, mas ele continuou após receber tratamento com células-tronco. Fontes do site Deadline afirmam que desta vez ele sentiu que não poderia continuar, o que fez os produtores perceberem que era o momento certo para terminar a série. “Esse programa tem sido praticamente toda a minha vida nos últimos 10 anos”, disse O’Loughlin, em comunicado. “Onde quer que eu vá neste planeta, em todas as línguas, eu sou McGarrett para as mais diferentes pessoas. O que fizemos, o que realizamos, é extraordinário. Eu realmente não posso traduzir em palavras meu nível de gratidão. Estou feliz por ter feito parte disso, parte desta história e vou sentir falta disso. Obrigado por nos seguir. Vou ter saudades. Aloha”. “‘Hawaii Five-0’ tem sido uma bênção para mim e para todas as pessoas que trabalharam nesse show incrível”, acrescentou Lenkov, showrunner da série. “Eu realmente aprendi o significado de ‘ohana’ quando os espectadores nos abraçaram e o povo do Havaí nos recebeu com o privilégio de filmar em suas praias. Sou eternamente grato ao gênio criativo que foi Leonard Freeman, que nos deu uma história tão bonita para começar. E minha eterna gratidão ao nosso elenco, liderada por nosso herói Alex O’Loughlin, os roteiristas, a equipe de produção, nossa CBS ohana e, o mais importante: os fãs, que nos permitiram trabalhar com orgulho e fizeram nossa série tal sucesso. Mahalo”. “Por 10 temporadas, Alex, Scott e o restante do talentoso elenco Five-0 trouxeram aos fãs aventuras emocionantes em um paraíso tropical espetacular”, concluiu David Stapf, presidente da CBS Television Studios. “Queremos agradecer especificamente a Peter e à equipe de produção incrivelmente talentosa por 10 anos de televisão consistentemente destacada. O drama tem sido um grande sucesso para o estúdio e a rede, e uma franquia global para nossa empresa. Teremos o prazer de fazer uma grande despedida para os telespectadores terem a oportunidade de dizer adeus a seus personagens favoritos quando a temporada final terminar”. A série é exibida no Brasil no canal pago AXN.

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  • Filme

    César 2020: Polanski é premiado e atrizes abandonam evento em protesto

    28 de fevereiro de 2020 /

    O diretor Roman Polanski saiu premiado do César, evento considerado o Oscar da França, alimentando ainda mais a controvérsia em torno da premiação, precipitada pelo anúncio de que “O Oficial e o Espião” (J’Accuse), novo filme do diretor, era a obra com maior quantidade de indicações. Mesmo diante de protestos de feministas e após a renúncia coletiva da diretoria da Academia das Artes e Técnicas Cinematográficas da França, Polanski venceu o César de Melhor Direção. O diretor não foi ao evento, tendo anunciado na véspera que sabia que se tratava de um linchamento público. E quando seu nome foi anunciado, várias atrizes saíram da cerimônia em protesto. Entre as que deixaram o evento prematuramente estava Adèle Haenel (de “Retrato de uma Jovem em Chamas”), que no ano passado disse ter sido abusada quando menor por outro diretor. Antes da premiação, a polícia francesa entrou em confronto com manifestantes com placas contra Polanski do lado de fora da casa de shows Pleyel, e o gás lacrimogêneo ainda pairava no ar quando as atrizes abandonaram o recinto. A consagração no César foi o segundo troféu de Melhor Direção importante conquistado por Polanski com “O Oficial e o Espião”. O cineasta também venceu a mesma categoria no Festival de Veneza no ano passado, durante a première mundial do filme. “O Oficial e o Espião” ainda venceu outras duas categorias no César: Melhor Roteiro Adaptado e Figurino. Graças à polêmica, todo o evento foi focado em Polanski, das placas do lado de fora às piadas da apresentadora Florence Foresti, o que fez o diretor eclipsar até a vitória de “Os Miseráveis”, o candidato francês ao Oscar, com o César de Melhor Filme do ano. A principal razão dos protestos se deve ao fato de Polanski ser considerado foragido da Justiça dos Estados Unidos desde 1977, quando foi condenado por estuprar uma menina de 13 anos. Apesar disso, apenas em 2018 foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA, depois que o movimento #MeToo relembrou seu histórico e incentivou o surgimento de novas acusações de abusos da mesma época. Na ocasião, o diretor chamou a atitude de hipocrisia, lembrando que sua condenação por abuso de menor era pública desde os anos 1970 e isso não impediu a Academia americana de lhe consagrar com um Oscar em 2003, por “O Pianista”. O lançamento de “O Oficial e o Espião” ainda coincidiu com o surgimento de mais uma acusação de estupro contra o diretor, a 12ª, que como as demais teria acontecido há várias décadas, mas nem isso impediu a consagração crítica do filme, muito menos seu sucesso comercial. “O Oficial e o Espião” virou a estreia mais bem-sucedida da carreira de Polanski, batendo o recorde de público de sua trajetória como cineasta, mesmo com piquetes de feministas nas portas de alguns cinemas. O filme será exibido no Brasil a partir de 13 de março. Veja abaixo cenas do protesto feminista diante do evento e a debandada das atrizes após o anúncio da vitória de Polanki. Des militantes féministes foncent sur sur des CRS qui sécurisent la salle où se déroule la cérémonie des #Césars. Elles réclament la libération de deux de leurs camarades interpellées un peu plus tôt. pic.twitter.com/6SjmfQktOO — Taha Bouhafs (@T_Bouhafs) February 28, 2020 A l'annonce du César de la Meilleure Réalisation pour Roman Polanski ("J'accuse"), Adèle Haenel quitte la salle. Le meilleur des #César2020 > https://t.co/ipnVwouBeV pic.twitter.com/7xa0CTbU3H — CANAL+ (@canalplus) February 28, 2020

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  • Filme

    César 2020: Polanski diz que não vai ao “Oscar francês” para não ser linchado

    27 de fevereiro de 2020 /

    O cineasta franco-polonês Roman Polanski anunciou que não irá à 45ª cerimônia do César, o “Oscar francês”, marcada para esta sexta (28/2), apesar de seu novo filme, “O Oficial e O Espião” (J’accuse), liderar as indicações ao prêmio e concorrer em 12 categorias. “Há vários dias, me perguntam: você vai ou não à cerimônia do César? E eu respondo com a seguinte pergunta: como eu poderia?”, questionou Polanski, em comunicado. “Já sabemos o que vai acontecer nesta noite. As ativistas me ameaçam de um linchamento público. Algumas anunciam protestos, outras querem fazer de seu combate uma tribuna. Tudo isso promete mais ser um simpósio do que uma festa do cinema que deveria recompensar seus maiores talentos”, afirmou o cineasta. Polanski disse ainda que a decisão foi tomada “com pesar”, visando “não apoiar um tribunal de opinião autoproclamado pronto para ‘chutar’ os princípios do Estado de Direito para que o irracional triunfe novamente”, mas principalmente porque sua ausência vai proteger sua esposa e filhos, que, segundo ele, “são vítimas de injúrias e ataques”. De fato, feministas programaram uma manifestação diante da sala Pleyel, em Paris, onde o evento será realizado, para protestar contra a aclamação de um homem acusado de diversos estupros e agressões sexuais. Um grupo de mulheres também colou cartazes nas paredes externas do prédio nesta semana com os dizeres “Violanski: o César da vergonha”, em um trocadilho com a palavra “viol” (estupro em francês) e o sobrenome Polanski. Graças à essa reação às indicações do filme de Polanski ao prêmio, toda a diretoria da Academia das Artes e Técnicas Cinematográficas da França, responsável pelo César, anunciou sua renúncia há duas semanas (em 13/2). O detalhe é que decisão não foi lamentada, mas comemorada por vários astros e cineastas franceses, que consideram a direção da Academia muito velha e ultrapassada, além de preconceituosa. Um manifesto de algumas das principais estrelas da França também criticou a Academia por privilegiar artistas brancos e não reconhecer imigrantes e profissionais de colônias francesas. Desde sua exibição, “O Oficial e o Espião” vem enfrentando protestos feministas na França, estimulados pelo surgimento de mais uma acusação de estupro contra o diretor, que, como as demais, teria acontecido há várias décadas. Mas isso não impediu o lançamento de “O Oficial e o Espião” de se tornar a estreia mais bem-sucedida da carreira de Polanski, batendo o recorde de público de sua trajetória como cineasta. A crítica também aprovou o filme. Mesmo com vários jornalistas se recusando a avaliar o filme, ele atingiu 71% de aprovação no Rotten Tomatoes. A principal razão dos protestos se deve ao fato de Polanski ser considerado foragido da Justiça dos Estados Unidos desde 1977, quando foi condenado por estuprar uma menina de 13 anos. Apesar disso, apenas em 2018 foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA e isto somente depois que o movimento #MeToo relembrou seu histórico e incentivou o surgimento de novas acusações de abusos da mesma época. Na ocasião, o diretor chamou a atitude de hipocrisia, lembrando que sua condenação por abuso de menor era pública desde os anos 1970 e isso não impediu a Academia americana de lhe consagrar com um Oscar em 2003, por “O Pianista”. Entretanto, houve uma mudança significativa de comportamento em relação à tolerância de agressões sexuais. O silêncio em torno de abusos também diminuiu, o que fez com que supostas vítimas se manifestassem pela primeira vez. Polanski chegou a ser acusado por cerca de 12 mulheres, que se apresentaram como vítimas de abusos cometidos entre os anos 1970 e 1980. Além das indicações ao César, “O Oficial e o Espião” também concorreu ao prêmio da Academia Europeia, mas perdeu. Em compensação, venceu o Grande Prêmio do Júri do Festival de Veneza no ano passado. O filme será exibido no Brasil a partir de 13 de março.

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