Peter Bogdanovich (1939-2021)
O diretor Peter Bogdanovich, de clássicos como “A Última Sessão de Cinema”, “Lua de Papel” e “Marcas do Destino”, morreu nesta quinta (6/1) de causas naturais em sua casa em Los Angeles, aos 82 anos. Filho de um pintor sérvio, ele decidiu estudar para virar ator aos 16 anos, mas já aos 20 fez a transição para a direção, numa montagem teatral off-Broadway de “The Big Knife”, que ganhou muitos elogios em 1959. Seu primeiro contato com o cinema foi por meio de críticas e artigos publicados na revista Esquire. Acabou encorajado a se mudar para Hollywood, onde conheceu Roger Corman, que o colocou a trabalhar como seu assistente no clássico de motoqueiros “Os Anjos Selvagens”, estrelado por Peter Fonda em 1966. A estreia como diretor aconteceu dois anos depois com “Na Mira da Morte”. Escrito pelo próprio Bogdanovich, o filme destacava em seu elenco o astro de terror Boris Karloff (“Frankenstein”), que devia dois dias de filmagem a Corman. Mesmo com esta restrição, virou um clássico de suspense, contando a história de um atirador que começava a disparar num cine drive-in, durante a aparição de um antigo astro de Hollywood (Karloff). Em troca deste filme, ele topou dirigir um trash para Corman, “Viagem ao Planeta das Mulheres Selvagens” (1968), sobre mulheres belíssimas que habitavam o planeta Vênus. Mas usou um pseudônimo para não se queimar. Decidido a virar um diretor sério, conseguiu assegurar produção de um grande estúdio, a Columbia Pictures, para seu longa seguinte. E fez questão de filmar em preto e branco. Lançado em 1971, “A Última Sessão de Cinema” o consagrou com duas indicações ao Oscar, como Melhor Diretor e Roteirista. O drama baseado no romance homônimo de Larry McMurtry acompanhava estudantes do ensino médio que viravam adultos em uma cidade isolada e decadente no norte do Texas em 1951, momento em que o local começava a definhar, tanto cultural como economicamente. O elenco da produção projetou os jovens astros Timothy Bottoms, Jeff Bridges e Cybill Shepherd, e rendeu Oscars de Melhores Atores Coadjuvantes aos veteranos Cloris Leachman e Ben Johnson. Com apenas 31 anos, Bogdanovich viveu o auge e chegou a ser comparado a Orson Welles. “Ele realizou o mais difícil de todos os feitos cinematográficos: tornou o tédio fascinante”, definiu a revista Time ao elogiar sua obra-prima. Bogdanovich ainda conseguiu um novo amor com “A Última Sessão de Cinema”: Cybill Shepherd, que ele transformou em atriz após vê-la como modelo na capa da revista Glamour. O caso levou ao rompimento de seu casamento com a designer de produção Polly Platt, com quem o cineasta teve duas filhas. A fase de ouro de sua carreira continuou com a comédia “Essa Pequena é uma Parada” (1972) e o drama “Lua de Papel” (1973), ambos estrelados por Ryan O’Neal. Também filmado em preto e branco, “Lua de Papel” foi a última unanimidade crítica de Bogdanovich, acompanhando um golpista e uma menina durante a Grande Depressão. Nos papel principal, O’Neal contracenou com sua própria filha, Tatum O’Neal, que pelo desempenho se tornou a atriz mais jovem a vencer um Oscar, aos 10 anos de idade. Depois destes lançamentos, Bogdanovich decidiu rodar mais dois filmes com sua musa. Shepherd estrelou a comédia de costumes “Daisy Miller” (1974) e o musical “Amor, Eterno Amor” (1975), que também trouxe Burt Reynolds cantando e dançando corajosamente músicas de Cole Porter. Mas ambos fracassaram, já que a crítica – que anos antes o elogiava por revigorar a indústria – se voltara contra o cineasta. “Eles ficaram revoltados porque eu estava tendo um caso com Shepherd”, disse Bogdanovich em uma entrevista de 2019 ao site Vulture . “Eu vi fotos nossas em que parecia um cara arrogante e ela uma garota sexy. E éramos ricos e famosos e fazíamos filmes juntos. Nesta época, Cary Grant me ligou. Ele diz: ‘Peter, pelo amor de Deus, você pode parar de dizer às pessoas que está feliz? E pare de dizer que você está apaixonado. Eu disse: ‘Por quê, Cary?’ ‘Porque eles não estão felizes e não estão apaixonados.’ Ele estava certo.” O status de menino dourado durou pouco e os filmes seguintes não foram incensados. Apesar disso, “No Mundo do Cinema” (1976), novamente estrelado por Ryan e Tatum O’Neal, foi exibido no Festival de Berlim. Sua carreira sofreu outro baque quando um novo affair o devolveu aos tabloides. Ele se envolveu com a ex-playmate Dorothy Stratten, ao dirigi-la na comédia romântica “Muito Riso e Muita Alegria” em 1980, e a jovem acabou assassinada por seu marido, Paul Snider, que depois se matou. Diante do crime, o estúdio desistiu de lançar o filme. Abalado, Bogdanovich comprou os direitos da 20th Century Fox e tentou distribuir a comédia sozinho. Mas ninguém encarou as sessões com risos e alegria, e o diretor acabou falindo. Em 1984, ele escreveu o livro “The Killing of the Unicorn: Dorothy Stratten 1960-1980”, no qual atribuiu grande parte da culpa pela morte de Stratten a Hugh Hefner, argumentando que o fundador da Playboy desencadeou a ira de Paul Snider quando o baniu de sua mansão. O cineasta recuperou seu prestígio com o lançamento de “Marcas do Destino” (1985), um drama romântico sobre um adolescente deformado. O filme estrelado pelos jovens Eric Stoltz e Laura Dern também incluiu em seu elenco a cantora Cher e foi um grande sucesso de público e crítica. Revigorado, ele decidiu retomar os personagens de seu principal clássico em 1990, voltando a se juntar com Timothy Bottoms, Jeff Bridges e Cybill Shepherd em “Texasville”, continuação colorida de “A Última Sessão de Cinema”. Mas o revival não teve a repercussão esperada. Sua vida privada voltou a render notícias quando ele se casou com Louise Stratten, irmã mais nova de Dorothy Stratten, em 1988. Ela tinha apenas 20 anos e ele estava com quase 50. Mesmo assim, o casamento durou até 2001 e eles permaneceram amigos depois do divórcio, chegando a morar juntos novamente no final de 2018, quando Bogdanovich precisou de ajuda após quebrar o fêmur. Stratten também escreveu o roteiro de “Um Amor a Cada Esquina”, último filme dirigido pelo cineasta em 2014. Antes disso, ele ainda filmou as comédias “Impróprio para Menores” (1992), com Michael Caine, “Um Sonho, Dois Amores” (1993), com River Phoenix, e “O Miado do Gato” (2001), com Kirsten Dunst, além de vários telefilmes e um documentário sobre a banda Tom Petty and the Heartbreakers. Mas os trabalhos de direção foram ficando cada vez mais escassos e espaçados, o que o fez reconsiderar sua incipiente carreira de ator. Bogdanovich costumava aparecer em seus filmes e tinha participado como ele mesmo de um episódio da série “A Gata e o Rato”, estrelada por Cybill Shepherd e Bruce Willis nos anos 1980. Mas foi só após ser estimulado por Noah Baumbach a coadjuvar em “Louco de Ciúmes” (1997), que passou a levar a sério a ideia de virar ator. Ele virou figura frequente no elenco de diversos filmes e séries dos anos 2000, incluindo o grande sucesso da HBO “Família Soprano” (The Sopranos), no qual viveu o terapeuta Dr. Elliot Kupferberg. A variedade de títulos que contaram com sua presença abrangem do terror blockbuster “It – Capítulo 2” (no papel de um diretor) ao drama indie “Enquanto Somos Jovens” (novamente dirigido por Baumbach), até se despedir da atuação na série “Get Shorty” em 2019. Ele também deu aulas de cinema, publicou diversos livros com entrevistas com os grandes mestres da sétima arte e desenvolveu um show solo chamado “Monstros Sagrados”, no qual contava anedotas sobre sua carreira. Mais recentemente, apresentava um podcast chamado “Plot Thickens”. A notícia de sua morte foi repercutida por dezenas de cineastas, como Guillermo del Toro e Francis Ford Coppola, e os mais variados astros de Hollywood nas redes sociais. “Ele foi meu Céu e meu Chão”, escreveu Tatum O’Neal, emocionada. Veja abaixo o trailer original da obra-prima do diretor.
Kim Mi-Soo (1992-2022)
A atriz sul-coreana Kim Mi-Soo, que integrou o elenco de “Profecia do Inferno”, teve seu falecimento confirmado na manhã desta quarta (5/1), aos 29 anos, pela empresa que administrava sua carreira. “Kim Mi Soo morreu repentinamente no dia 5 de janeiro. A família está de coração partido com essa notícia”, disse a agência de talentos em comunicado, sem revelar a causa da morte da atriz. A nota se encerra com um pedido aos fãs. “Não espalhem rumores ou especulações, respeitando a privacidade da família durante o luto. O funeral de Kim acontecerá de forma privada, como desejado pelos familiares.” Kim Mi Soo participou de um único episódio da série de terror da Netflix, no papel de uma ativista. Ela também atuou nos K-dramas “Uma Segunda Chance” (2020) e “The Ballot” (2020) e estava no ar na TV sul-coreana em “Snowdrop”, em que tinha um dos papéis principais, vivendo a melhor amiga da protagonista – interpretada por ninguém menos que Jisoo, da banda de K-pop Blackpink. “Snowdrop” chegou a concluir as gravações de todos os episódios e deve estrear em breve no catálogo brasileiro do Disney+.
Max Julien (1933–2022)
O ator Max Julien, que estrelou o clássico blaxploitation “The Mack”, morreu no dia de Ano Novo no Hospital de Sherman Oaks, em Los Angeles, aos 88 anos. A causa da morte ainda não foi determinada. Julien começou a carreira em outro famoso título de blaxploitation, como coadjuvante em “The Black Klansman” em 1966, antes do gênero dos filmes criminais com astros negros e trilha funk virar uma vertente cinematográfica. Sua filmografia repleta de cult movies ainda inclui o psicodélico “Busca Alucinada” (Psych-Out, 1968), com Jack Nicholson roqueiro, o sensacional “O Poder Negro” (1968), em que Jules Dassin antecipou “Judas e o Messias Negro” (2021) com roteiro da ativista Ruby Dee, e “À Procura da Verdade” (Getting Straight, 1970), com Elliott Gould e Candice Bergen, sobre os protestos estudantis do período. Mas o filme que o consagrou foi mesmo “The Mack”, em que interpretou Goldie, um ex-presidiário que se tornou um cafetão famoso em Oakland com a ajuda de Slim, personagem vivido pelo jovem comediante Richard Pryor. Com músicas do cantor Willie Hutch, o filme de 1973 virou um dos mais elogiados exemplares da era. Segundo Quentin Tarantino, trata-se do “melhor e mais memorável filme de crime de todo o gênero blaxploitation”. Além disso, a banda eletrônica The Chemical Brothers criou sua própria versão de um dos hits da trilha, “Brothers Gonna Work It Out”, que inclusive batizou um de seus álbuns de discotecagem em 1998. Julien aproveitou o sucesso do longa para escrever o roteiro de “Cleopatra Jones” (1973), que virou outro cult, estrelado por Tamara Dobson. Apesar disso, o filme de gângster de época “Thomasine & Bushrod” (que ele também escreveu), lançado no ano seguinte como um “Bonnie & Clyde negro”, foi seu último trabalho no cinema em décadas. Ele fez algumas produções off-Broadway, incluindo “Shakespeare in the Park” para o famoso produtor Joseph Papp, e participações em séries como “Mod Squad” e “Os Audaciosos”, mas só foi voltar aos cinemas uma última vez em 1997, na comédia “Armadilhas do Amor” (How to Be a Player), como tio do protagonista – que por sinal era fã de “The Mack”. Veja abaixo o trailer da produção cultuada e a cena com diálogo sampleado pelos Chemical Brothers.
Jeanine Ann Roose (1937–2021)
Jeanine Ann Roose, que ficou conhecida por interpretar a versão infantil de Violet Bick no clássico natalino “A Felicidade Não Se Compra” (It’s a Wonderful Life), morreu na noite de sexta-feira (31/12) em sua casa em Los Angeles após lutar contra uma infecção. Ela tinha 84 anos. Roose foi atriz mirim nas décadas de 1940 e 1950, mas seus principais trabalhos aconteceram no rádio, em programas como os humorísticos de Jack Benny e da dupla Phil Harris e Alice Faye (no qual interpretou a filha do casal). Seu único papel cinematográfico se materializou no lendário filme de 1946, dirigido pelo mestre Frank Capra. Foi uma pequena, mas importante participação como a pequena Violet, papel que foi vivido em sua versão adulta pela femme fatale mais perigosa do cinema noir, Gloria Grahame. Ela abandonou a carreira de atriz ao encerrar a adolescência, decidindo se dedicar aos estudos. A jovem se formou como psicanalista na UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) e chegou a dizer que sua escolha profissional foi influenciada pelo filme. “’A Felicidade Não Se Compra’ foi o único filme em que participei e é uma experiência incrível de vida estar em um filme tão significativo coletivamente”, ela disse, anos depois. “Para mim, deixou claro que meu desejo era, especificamente, ajudar pessoas que estavam lutando para encontrar um significado para suas vidas. E isso não era muito diferente do papel do [anjo] Clarence no filme, que ajudava [o protagonista] George a ver o significado de sua vida”. Veja abaixo uma cena do filme com participação de Roose. O ator que interpreta o menino George, Robert J. Anderson, faleceu em 2008.
Betty White (1922–2021)
A atriz americana Betty White, que completaria 100 anos em janeiro, morreu nesta sexta-feira (31/1) em sua casa em Los Angeles. Ela passou o período da pandemia com extrema cautela, permanecendo em sua casa lendo, assistindo TV e fazendo palavras cruzadas. A causa da morte ainda não foi informada. Considerada a atriz de carreira mais longa dos EUA, Betty Marion White Ludden estrelou dezenas de filmes, séries e programas de TV desde os anos 1940, e creditava seu sucesso contínuo a esta exposição prolongada. “Acho que o motivo da longevidade da minha carreira é que várias gerações me conheceram ao longo dos anos, então me tornei meio que parte da família”, disse ela a Larry King, na CNN, em 2010. Seu começo na indústria do entretenimento foi como locutora de rádio em 1939. A experiência a levou a virar apresentadora televisiva em 1945, antes de seu notável bom-humor a transformar em protagonista de séries de comédia, como “A Vida com Elizabeth” (1952-1955) e “Date with the Angels” (1957-1958). Mas sua popularidade perene se deve à geração dos anos 1970, época em que passou a integrar o elenco da primeira série feminista, “Mary Tyler Moore” (1970–1977). Betty entrou na 4ª temporada como Sue Ann Nivens, apresentadora de um programa de dicas culinárias e domésticas, que parecia um doce nas telas, mas longe das câmeras revelava-se uma safada. Pelo desempenho, ela venceu dois Emmys consecutivos como Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia. O sucesso foi tanto que a atriz ganhou sua própria série de comédia, “The Betty White Show”, que só durou uma temporada, exibida entre 1977 e 1978. O detalhe é que ela estava apenas começando. A maior realização de sua carreira só estreou em 1985, quando Betty atingiu 63 anos de idade e marcou época como a simplória Rose Nylund, ao lado das colegas veteranas Bea Arthur, Rue McClanahan e Estelle Getty em “Super Gatas” (The Golden Girls). A sitcom sobre quatro mulheres divorciadas que decidem morar juntas em Miami, em plena Terceira Idade, virou um fenômeno televisivo que durou sete anos, de 1985 a 1992. Betty foi indicada ao Emmy de Melhor Atriz de Comédia durante todas as temporadas, vencendo o troféu em 1986. Ela também conquistou mais dois prêmios da Academia de Televisão ao longo da carreira, como Melhor Atriz Convidada na série de comédia “The John Larroquette Show” em 1996 e no humorístico “Saturday Night Live” em 2010. E ainda foi indicada por participações nas séries “Suddenly Susan” (em 1997), “Yes, Dear” (em 2003), “The Practice” (em 2004) e “My Name Is Earl” (em 2009). Seu último grande destaque nas comédias televisivas foi a sitcom “Calor em Cleaveland” (Hot in Cleaveland), série que durante seis temporadas (de 2010 a 2015) acompanhou um grupo de solteironas em busca de sexo após os 40 (ou bem mais) anos. Mais velha do elenco, ela voltou a ser indicada ao Emmy por seu desempenho em 2011. Depois disso, ainda comandou o humorístico “Só Rindo com Betty White” (Betty White’s Off Their Rockers), que lhe rendeu outras três nomeações ao Emmy – as últimas da carreira – durante sua exibição de 2012 a 2014. Em meio a tantas séries, também fez um punhado de comédias de cinema, como “Santo Homem” (1998), com Eddie Murphy, “A História de Nós Dois” (2002), com Bruce Willis, “A Casa Caiu” (2003), com Steve Martin, “Você de Novo” (2010) com Kristen Bell, e principalmente “A Proposta” (2009), blockbuster com Sandra Bullock e Ryan Reynolds, que deu início a uma piada recorrente do ator sobre sua fixação romântica na veterana. Isto acabou se transferindo para o papel de Deadpool, com várias homenagens do anti-herói vivido por Reynolds à sua musa Betty White. Antes da pandemia, Betty ainda dublou Bitey White, personagem de “Toy Story 4” (2019) criada em sua homenagem, repetindo a participação na série “Garfinho Pergunta” da Disney+. Além disso, sempre encontrou tempo para se dedicar à causa da defesa dos animais. O agente e amigo da atriz Jeff Witjas deu uma declaração na tarde desta sexta-feira, testemunhando sua energia incansável. “Mesmo que Betty estivesse prestes a ter 100 anos, eu pensava que ela viveria para sempre”, comentou.
Astros celebram Jean-Marc Vallée, que morreu no Natal
A morte súbita e inesperada do diretor Jean-Marc Vallée teria sido causada por um ataque cardíaco. Embora ainda não seja oficial, a informação já circula com força em Hollywood. O diretor vencedor do Emmy por “Big Little Lies” morreu repentinamente durante o fim de semana do Natal aos 58 anos, enquanto passava o feriado em sua cabana nos arredores de Quebec City. Familiares e amigos próximos ainda estão em choque. Conhecido por conseguir interpretações premiadas de seus atores, Vallée foi celebrado por vários astros com quem trabalhou, após a notícia de sua morte chegar na mídia na madrugada desta segunda (27/12). Matthew McConaughey e Jared Leto, que conquistaram Oscars por “Clube de Compra Dallas” dirigido pelo canadense, Reese Whiterspoon e Laura Dern, indicadas ao Oscar por “Livre” e vencedoras do Emmy por “Big Little Lies”, foram alguns dos artistas que se manifestaram. “Uma força cinematográfica e um verdadeiro artista que mudou minha vida com um lindo filme chamado ‘Clube de Compra Dallas'”, escreveu Leto, ao lado de uma foto em que aparece com o diretor e seu Globo de Ouro pelo papel. “Muito amor a todos que o conheceram. A vida é preciosa”, completou. “O mundo perdeu um dos nossos grandes e mais puros artistas e sonhadores. E nós perdemos um amigo amado”, disse Laura Dern, também com uma foto em que aparece ao lado do diretor. “Meu coração está partido. Meu amigo. Eu te amo”, tuitou Reese Whiterspoon, compartilhando a notícia da morte do cineasta. Ela ainda acrescentou no Instagram, ao lado de uma galeria de imagens de bastidores de “Livre” e “Big Little Lies”: “Sempre me lembrarei de você enquanto o sol se põe. Perseguindo a luz. Em uma montanha no Oregon. Em uma praia em Monterey. Certificando-nos de que todos nós pegamos um pouco de magia nesta vida. Eu te amo, Jean Marc. Até nos encontrarmos novamente”. “Ele via a vida romântica, da luta à dor, da piscadela ao sussurro, histórias de amor estavam em toda parte em seu olhar”, disse Matthew McConaughey. pic.twitter.com/2L4q8bTNIe — Matthew McConaughey (@McConaughey) December 27, 2021 A filmmaking force and a true artist who changed my life with a beautiful movie called Dallas Buyers Club. Much love to everyone who knew him. Life is precious. pic.twitter.com/2DT0tu9Lbo — JARED LETO (@JaredLeto) December 27, 2021 Beautiful Jean-Marc Vallee. The world has lost one of our great and purest artists and dreamers. And we lost our beloved friend. Our hearts are broken. pic.twitter.com/v9WXikI48e — Laura Dern (@LauraDern) December 27, 2021 My heart is broken. My friend. I love you. https://t.co/dvh63E8K7I — Reese Witherspoon (@ReeseW) December 27, 2021 Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Reese Witherspoon (@reesewitherspoon)
Jaime Osorio Márquez (1975-2021)
O diretor colombiano Jaime Osorio Márquez, que criou e dirigiu a primeira série colombiana da HBO Max, “Mil Colmillos”, morreu na quinta-feira (23/12) na Colômbia, onde a eutanásia é legal. Ele tinha 46 anos e optou pelo suicídio assistido devido a um câncer renal agressivo. Ele venceu um câncer renal agressivo em 2009 e novamente em 2012, mas ele voltou e se espalhou. Devido ao longo tratamento, Márquez desenvolveu intolerância por analgésicos e o aumento da dor se tornou insuportável, levando-o a optar por dar um fim à vida antes que se tornasse um fardo para sua família, informou seu parceiro de produção Federico Duran, da Rhayuela Films, que atuou como showrunner em “Mil Colmillos”. “Meu irmão de alma deixou este plano terreno na quinta-feira passada”, disse Duran em comunicado. “Ele era meu grande amigo, por isso reservo para mim todas as memórias dos quase 15 anos de trabalho com ele, pelo menos enquanto processo a dor de sua saída”. “Todos me perguntaram o que aconteceu com ele, já que parecia tão bem, que o tinham visto muito ativo recentemente e que ele estava em um momento tão importante em sua carreira”, continuou Duran. “A resposta é esmagadora e ele queria que o mundo todo soubesse: Jaime não morreu de câncer. Aquela doença que o atingiu pela primeira vez em 2009, pouco antes de iniciarmos a produção de seu longa-metragem de estreia, ‘El Paramo’ (The Squad, 2011) e que, apesar de todos os tratamentos, se reapresentou impiedosamente na forma de um metástase no fim de semana quando lhe deram o prêmio de melhor diretor no festival de Sitges”, continuou ele. O câncer de Osorio voltou em 2012, na época em que ele ganhou o prêmio de Melhor Roteiro por seu primeiro longa no Festival de Cinema de Guadalajara. No entanto, ele desafiou o prognóstico do médico que lhe deu apenas alguns meses de vida e, em vez disso, viveu uma vida rica e produtiva por quase uma década. “Não, Jaime não foi morto pela doença. Ele sobreviveu, derrotou e dominou. Ele conseguiu escrever e encenar uma peça, dirigir seu segundo filme, ‘7 Cabezas’ (The Sacrifice, 2017) e a série ‘Mil Colmillos’ (A Thousand Fangs, 2021), um esforço titânico que acabou se tornando uma das produções mais destacadas da América Latina. E então, antes que a doença tomasse conta de sua vida novamente, ele foi em frente”, disse Duran. “De alguma forma, ele traçou seu próprio final, como se fosse o escritor de seu próprio roteiro. Em seu momento de maior glória, ele tomou a decisão e colocou as palavras ‘Fim’ em sua própria vida. Voe alto, meu irmão. ” Nascido em Cali, Colômbia, Osorio estudou na Universidade de Rennes, na França. Ele começou a dirigir comerciais para grandes marcas após seu retorno à Colômbia e ganhou vários prêmios por seus trabalhos, incluindo dois Cannes Silver Lions e um Cannes Golden Lion. Seu longa de estreia, o terror ‘El Paramo’, virou um dos maiores sucessos de bilheteria da Colômbia. A ambientação daquele filme, que mostrou um esquadrão militar enfrentando uma ameaça misteriosa, foi ampliada em “Mil Colmillos”, sobre o enfrentamento de soldados desavisados e forças sobrenaturais da floresta. A série obteve muitos elogios da crítica internacional e está disponível no Brasil na plataforma HBO Max. Veja o trailer abaixo.
Jean-Marc Vallée (1963-2021)
O cineasta canadense Jean-Marc Vallée, indicado ao Oscar por “Clube de Compra Dallas” e vencedor do Emmy por “Big Little Lies”, morreu repentinamente durante o fim de semana do Natal aos 58 anos. Os detalhes ainda não foram divulgados, mas ele morreu em sua cabana nos arredores de Quebec City e sua família e amigos próximos estão em choque. “Jean-Marc era sinônimo de criatividade, autenticidade e tentar as coisas de forma diferente”, disse seu parceiro de produção Nathan Ross, ao confirmar o falecimento num comunicado. “Ele era um verdadeiro artista e um cara generoso e amoroso. Todos que trabalharam com ele não puderam deixar de ver o talento e a visão que ele possuía. Ele era um amigo, parceiro criativo e um irmão mais velho para mim. O mestre fará muita falta, mas é um conforto saber que seu belo estilo e o trabalho impactante que ele compartilhou com o mundo vão viver”. Vallée começou a carreira fazendo videoclipes nos anos 1980, mudando para o cinema em 1995 com o lançamento de seu primeiro longa: “Lista Negra”, um suspense envolvendo o assassinato de uma prostituta e uma lista de suspeitos proeminentes, todos juízes. A produção obteve nove indicações ao Genie Awards, o “Oscar” da Academia Canadense de Cinema, que ele finalmente foi vencer dez anos depois, com seu quarto longa. A comédia de época “C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor” consagrou Valée em 2005. O filme venceu quatro Genies, incluindo Melhor Filme e Diretor, e abriu as portas para uma nova fase em sua carreira, rendendo sua primeira produção de grande orçamento. Indicado a três Oscars e vencedor da categoria da categoria de Melhor Figurino, o suntuoso drama de época “A Jovem Rainha Vitória” (2009), estrelado por Emile Blunt, deixou o diretor bem cotado em Hollywood. Mas antes de assumir projetos americanos, ele preferiu rodar primeiro um drama franco-canadense, “Café de Flori” (2011), estrelado por Vanessa Paradis. Foi um breve desvio, antes de Vallée entrar com força em Hollywood e atingir o ápice da carreira com “Clube de Compra Dallas” (2013), baseado na história real de um texano aidético que salvou a sua vida e várias outras ao contrabandear remédios contra Aids barrados pela burocracia nos EUA. Matthew McConaughey perdeu famosamente vários quilos, ficando só pele e osso para desempenhar o papel, e acabou reconhecido com o Oscar de Melhor Ator. Além dele, Jared Leto também conquistou um troféu de Melhor Coadjuvante por viver um transexual aidético. Vallée, porém, foi lembrado apenas na categoria de Edição e não venceu. Ele fez só mais dois longas após a esnobada da Academia: “Livre” (2014), que rendeu indicações ao Oscar para Reese Witherspoon e Laura Dern, e “Demolição” (2014), com Jake Gyllenhaal, premiado no Festival SXSW. A partir daí, voltou sua atenção para a TV paga, com resultados impressionantes. Em 2017, o cineasta venceu tanto o DGA Award, prêmio do Sindicato dos Diretores, quanto o Emmy de Melhor Direção pela série “Big Little Lies”. No total, a produção da HBO levou oito Emmys, mas Vallée não quis dirigir a 2ª temporada quando a minissérie original foi estendida com uma continuação. Em vez disso, foi comandar “Sharp Objects” (também conhecida pelo título nacional do livro em que se baseia, “Objetos Cortantes”), que disputou mais oito Emmys no ano seguinte. Além de dirigir, o cineasta também produziu “Big Little Lies” e “Sharp Objects”, e ficou muitos anos tentando tirar uma cinebiografia de Janis Joplin do papel, que nunca foi realizada por brigas com os detentores dos direitos autorais da cantora. Ele estava desenvolvendo “The Player’s Table”, série que seria estrelada pela cantora Halsey, e um filme sem título quando faleceu. “Jean-Marc Vallée foi um cineasta brilhante e ferozmente dedicado, um talento verdadeiramente fenomenal que infundiu cada cena com uma verdade profundamente visceral e emocional”, disse a HBO em comunicado. “Ele também foi um homem extremamente carinhoso, que investiu todo o seu ser ao lado de cada ator que dirigiu.” Vallée deixa dois filhos adultos, o ator Alex Vallée e o editor Émile Vallée, com quem costumava trabalhar em suas produções.
Joan Didion (1934–2021)
A escritora Joan Didion, uma das maiores expoentes do Novo Jornalismo americano e roteirista do sucesso “Nasce uma Estrela”, morreu nesta quinta-feira (23/12) de Mal de Parkinson em sua casa em Nova York, aos 87 anos. Cronista do caos dos anos 1960, ela se destacou com uma série de artigos na revista Life e no jornal The Saturday Evening Post, que retratavam o cotidiano dos baby boomers. Os textos foram seguidos por livros famosos, como “O Álbum Branco” sobre os hippies, The Doors e a Hollywood dos anos 1970 e, mais recentemente, “O Ano do Pensamento Mágico”, sobre tragédias pessoais, que a estabeleceram como uma das vozes mais críticas da ficção americana. Ela também se dedicou à reportagem política e crônica cultural. Mas foi só após se casar com John Gregory Dunne, jornalista da Time, que se mudou para a Califórnia e se aproximou de Hollywood. Didion virou roteirista em parceria com o marido. Os dois estrearam na ficção de cinema em 1971 com a adaptação de um livro de James Mills, “The Panic in Needle Park”, que virou o filme batizado como “Os Viciados” no Brasil. Considerado um marco da “nova Hollywood”, o drama dirigido por Jerry Schatzberg apresentou ao mundo o talento de Al Pacino, em seu primeiro papel de protagonista. Em seu segundo roteiro, a dupla adaptou um livro de Didion, “Play It as It Lays”, lançado nos cinemas brasileiros como “O Destino que Deus Me Deu” em 1972. A trama dramática acompanhava Tuesday Weld numa viagem sem rumo para esquecer seu casamento fracassado, um aborto e a doença mental da filha. A consagração veio no terceiro trabalho, quando o casal reescreveu a clássica história hollywoodiana de “Nasce uma Estrela” para a era do rock. Estrelado por Barbra Streisand e Kris Kristofferson, o filme estourou nas bilheterias e venceu um Oscar. O roteiro ainda serviu de base para o remake de 2018, com Lady Gaga e Bradley Cooper, garantindo-lhes créditos na nova produção. Eles também escreveram “Confissões Verdadeiras” (1981), versão de um romance de Dunne, que juntou Robert De Niro e Robert Duvall, e “Íntimo e Pessoal” (1996), trama ambientado em um telejornal, com Robert Redford e Michelle Pfeiffer. Dunne morreu de enfarte em 2003, aos 71 anos. Dois anos depois, a filha adotada pelo casal, Quintana Roo, morreu de pancreatite e choque séptico, com 39. Didion escreveu sobre a morte do marido e a doença da filha em “O Ano do Pensamento Mágico”, que foi adaptado para os palcos em 2007 num monólogo com a atriz Vanessa Redgrave. No mesmo ano, ela foi premiada pelo Sindicato dos Roteiristas dos EUA (WGA, na sigla em inglês) com o troféu especial Evelyn F. Burkey, que reconhece aqueles que trouxeram “honra e dignidade” à profissão. Sem o parceiro de vida, Didion nunca mais escreveu outro roteiro, mas seus livros continuam a inspirar filmes, como “A Última Coisa que Ele Queria”, adaptado no ano passado pela diretora Dee Rees (“Mudbound”) e lançado pela Netflix com Anne Hathaway (“Os Miseráveis”) no papel principal. Em 2017, ela também virou documentário, “Joan Didion: The Center Will Not Hold”, produzido e dirigido por seu sobrinho, o ator Griffin Dunne (“Depois de Horas”), também disponibilizado pela Netflix.
Sally Ann Howes (1930–2021)
A atriz e cantora britânica Sally Ann Howes, que estrelou o musical “O Calhambeque Mágico” (1968), morreu no domingo passado (19/12) aos 91 anos, “pacificamente enquanto dormia”, segundo informou seu sobrinho no Twitter. Howes nasceu em Londres numa família de atores, e começou sua carreira aos 13 anos com o papel principal no filme “Thursday’s Child” (1943). Sua juventude foi repleta de sucessos do cinema britânico, mas não se prendeu às comédias infantis. Com 15 anos encarou o terror da célebre antologia “Na Solidão da Noite” (1945). Ela também integrou o elenco da versão de “Anna Karenina” estrelada por Vivan Leigh em 1948, antes de viver a Cinderella de um telefilme de 1950. Após se consagrar no cinema, Howes virou estrela do West End e da Broadway, chegando a concorrer ao prêmio Tony de Melhor Atriz em Musical pela montagem de “Brigadoon”, em 1963. Três anos depois, ela estrelou a versão televisiva da peça. O melhor da experiência com música e dança, porém, foi o convite para estrelar seu filme mais conhecido, “O Calhambeque Mágico”, contracenando com Dick Van Dyke. Algumas músicas daquele filme são lembradas até hoje. O sucesso de “O Calhambeque Mágico”, entretanto, não foi explorado em novos filmes. Ela só fez mais um longa na carreira: o terror “O Navio Assassino” em 1980. E abandonou as telas de vez em 1992 com a minissérie “Segredos”. Sempre convidada a participar de programas televisivas e até a se apresentar em eventos oficiais da Casa Branca, Howes passou a se dedicar cada vez mais aos musicais de teatro, excursionando com montagens de “O Rei e Eu” e “A Noviça Rebelde”, antes de lançar seu primeiro show solo, “From This Moment On”, em 1990. Longe das telas, ela continuou excursionando com montagens teatrais até recentemente. Relembre abaixo uma cena de “O Calhambeque Mágico” com uma das canções mais famosas de sua trilha sonora.
Jack Hedley (1930–2021)
O ator inglês Jack Hedley, que estrelou a série “Colditz” e o filme “007 – Somente para Seus Olhos”, morreu em 11 de dezembro aos 92 anos. Sua morte foi confirmada por um obituário do jornal The Times de Londres nesta quinta (22/12), que mencionou uma “doença enfrentada corajosamente”. Com uma carreira de cinco décadas, ele apareceu em quase uma centena de filmes e séries, além de inúmeras peças de teatro. Nascido em Londres como Jack Hawkins, ele mudou seu sobrenome no início da carreira para evitar confusão com um famoso ator britânico de mesmo nome. Sua estreia no cinema aconteceu em 1958 como um passageiro do Titanic, no filme “Somente Deus por Testemunha”. Ele também figurou nos clássicos “Lawrence da Arábia” e “O Mais Longo dos Dias” (ambos de 1962), mas sua carreira só foi decolar um ano depois. Hedley começou a se destacar com o papel-título de “O Cavaleiro Audaz”, uma aventura de capa e espada de 1963, que também trazia Oliver Reed em seu elenco, estabelecendo-se como herói de produções B. Entre os muitos títulos de sucesso que estrelou nos anos seguintes incluem-se o cultuado terror “Pacto com o Diabo” (1964), o drama “Servidão Humana” (1964), o filme de guerra “O Segredo da Ilha de Sangue” (1965) e a comédia “Como Eu Ganhei a Guerra” (1967), em que contracenou com John Lennon. Ele também integrou o elenco da comédia de suspense “O Aniversário” (1968), encabeçado pela veterana Bette Davis, e o musical de sucesso “Adeus, Mr. Chips” (1969), estrelado por Peter O’Toole e a cantora Petula Clark, antes de passar a priorizar a TV. Embora alternasse trabalhos no cinema com aparições em séries britânicas famosas, como “O Santo” e “UFO”, Hedley só começou a integrar elencos fixos a partir da década de 1970, estrelando a série dramática “Kate” (1970-1971) e principalmente “Colditz” (1972-1974), sobre prisioneiros de guerra, em que interpretou um dos oficiais britânicos mais graduados da prisão nazista da trama, durante as duas temporadas da produção. Outro destaque foi o papel principal na minissérie “Who Pays the Ferryman?”, em 1977. A volta ao cinema só se deu em 1981, com “007 – Somente para Seus Olhos”, no qual interpretou o pai de Carole Bouquet, Sir Timothy Havelock, que é assassinado enquanto tenta localizar um navio naufragado para o Serviço Secreto Britânico. Depois disso, fez apenas mais três filmes, incluindo “O Estripador de Nova York” (1982), do mestre do terror italiano Lucio Fulci. Seu último trabalho foi a minissérie bíblica “Paulo de Tarso”, lançada em 2000.
Bridget Hanley (1941-2021)
Bridget Hanley, estrela das séries clássicas “E as Noivas Chegaram” e “Harper Valley P.T.A.”, morreu na quarta (15/12) de doença de Alzheimer, no lar para idosos de Hollywood em Woodland Hills, na Califórnia. Ela tinha 80 anos. A atriz começou a carreira como convidada em séries populares dos anos 1960, como “Gidget”, “A Feiticeira”, “Jeannie é um Gênio” e “A Noviça Voadora”, antes de conseguir seu primeiro papel fixo regular em “E as Noivas Chegaram”. Criada em 1968 por N. Richard Nash (autor do livro que virou o recente filme “Cry Macho”, de Clint Eastwood), a série de comédia tinha premissa similar ao sucesso de cinema “Sete Noivas para Sete Irmãos” (1954). A trama se passava num acampamento de madeireiros do fim do século 19 que se revoltava pela falta de mulheres na região. Logo, uma centena de noivas em potencial foram levadas para a floresta para impedir uma greve e salvar o negócio. Hanley interpretou a ruiva Candy Pruitt, a líder do grupo de mulheres. O elenco também incluía a famosa estrela de cinema Joan Blondell, o ator David Soul, antes de entrar na série “Justiça em Dobro”, e o então iniciante Bobby Sherman, que virou um ídolo da música pop durante a exibição da série, exibida até 1970. Após o cancelamento das “Noivas”, Hanley voltou a sua rotina de atriz convidada, aparecendo em várias outras séries, incluindo “Nanny”, “O Jogo Perigoso do Amor” e “Um Estranho Casal”. Ela só voltou a um elenco fixo em 1981, quando se juntou a “Harper Valley P.T.A.” como Wanda, filha da rival da personagem principal – a ex-“Jeannie é um Gênio” Barbara Eden, que encarnava uma viúva liberada em luta contra hipócritas puritanos em uma cidadezinha do sul dos EUA. A série de comédia durou duas temporadas, até agosto de 1982. Mas Hanley continuou sua carreira por mais uma década, aparecendo em “Carga Dupla”, “Assassinato por Escrito” e várias outras atrações, vindo a se despedir das telas num episódio do revival de “Kung Fu” de 1996. Ela foi casada com o diretor de TV E.W. Swackhamer (“Jeannie é um Gênio”) de 1969 até a morte dele em 1994.
Tania Mendoza (1979-2021)
A atriz Tania Mendoza, de 42 anos, foi assassinada em Cuernavaca, no estado de Morelos, no México. O crime aconteceu na terça-feira (14/12) enquanto a atriz esperava o filho de 11 anos em um treino de futebol. Duas pessoas encapuzadas passaram em uma moto e dispararam contra ela. A atriz morreu no local. Ela era conhecida por estrelar produções criminais de baixo orçamento, muitas delas lançadas direto em vídeo, como “La Mera Reina de Sur” (2003), história muito parecida com a do romance de Arturo Pérez-Reverte, publicado um ano antes, e que depois ganharia vida por meio de Kate del Castillo na série mexicana “Rainha do Sul” e com Alice Braga na adaptação americana. Antes de virar atriz, Mendoza se lançou como cantora de música regional mexicana e chegou a manter a carreira de forma paralela por alguns anos. Sua trajetória nos filmes e séries se iniciou em 1998 e rendeu ao todo 25 títulos, mas desde 2012 ela já não aparecia mais diante das câmeras, trabalhando em eventos e feiras nos últimos anos. A mudança coincide com a transformação de sua própria vida numa história policial. Em 2010, Tania foi sequestrada com o marido e o filho de seis meses no lava rápido da família. Na época, ela foi mantida em cativeiro por algumas horas por um grupo de homens encapuzados, que lhe pediram uma quantia de dinheiro como resgate e lhe deram o aviso de que deveria sair do estado de Morelos, onde acabou sendo assassinada. Agora, a polícia investiga se seu assassinato tinha alguma ligação com o traficante Arturo Beltrán Leyva, morto pela Marinha mexicana em 2009. Nas redes sociais, Tania fez várias declarações para o traficante, lamentando sua morte. “11 anos de sua partida, te amamos”, escreveu no aniversário de morte de Arturo no ano passado. “Aqui em Acapulco sentimos falta dele, era o único que punha ordem nas coisas”, comentou um seguidor da atriz após uma publicação elogiando o traficante. “Concordo”, ela respondeu. O Ministério Público Estadual de Morelos também não descarta que o assassinato da atriz seja um possível caso de feminicídio. O México é um dos países com maior taxa de assassinato de mulheres do mundo.












