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    Vilmos Zsigmond (1930 – 2016)

    3 de janeiro de 2016 /

    Morreu o diretor de fotografia Vilmos Zsigmond, vencedor do Oscar por “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” (1978) e eleito um dos 10 cinematógrafos mais influentes de Hollywood, em pesquisa recente do sindicato da categoria. Ele faleceu no domingo (3/1) aos 85 anos, de causa não revelada. Vilmos nasceu em Szeged, na Hungria, em 16 de junho de 1930, filho de um jogador de futebol, e estudou cinema em Budapeste durante o período de turbulência política do país. Ao lado do colega de aula László Kovács, ele registou os eventos da revolução húngara de 1956, primeira rebelião realizada contra a União Soviética, que foi duramente reprimida. Como resultado, os dois precisaram fugir para a Áustria, de onde embarcaram para os EUA, dispostos a fazer história em Hollywood. Esta aventura, por sinal, foi narrada num documentário, “No Subtitles Necessary: Laszlo & Vilmos”, produzido pelo canal educativo americano PBS em 2009. Ele se naturalizou americano em 1962 e adotou o pseudônimo de William Zsigmond, passando a trabalhar como assistente de câmera e iluminação em diversas produções “psicotrônicas” (além do trash). Seus primeiros créditos incluem o filme de rock “Wild Guitar” (1962) e o terror “The Incredibly Strange Creatures Who Stopped Living and Became Mixed-Up Zombies!!?” (1964), ambos dirigidos por Ray Dennis Steckler, um dos piores cineastas que já existiram. O filme dos zumbis, por sinal, tornou-se cultuadíssimo pela precariedade, consagrando-se como um clássico do cinema trash. “William” foi promovido a cinematógrafo no terror “Tara Diabólica” (1963) e continuou acumulando filmes de classe Z em sua filmografia, como “Passagem para o Futuro” (1964), “Psycho a Go-Go” (1965), “Mondo Mod” (1967), “Sádicos de Satã” (1969) e “O Horror do Monstro Sangrento” (1970), nos quais trabalhou com alguns dos diretores mais lamentáveis do cinema americano. A experiência em filmes de baixo orçamento o levou ao cinema independente, que começava a experimentar surto de criatividade no final dos anos 1960. Para trabalhar nos dramas “The Picasso Summer” (1969), “Céu Vermelho ao Amanhecer” (1971) e no western “Pistoleiro Sem Destino” (1971), dirigido e estrelado por Peter Fonda, ele voltou ao nome de batismo, e começou a ser reconhecido pela qualidade de sua fotografia. Os bons resultados o aproximaram de Robert Altman, que o contratou para fotografar a comédia western “Onde os Homens São Homens”. Vilmos se consagrou ao decidir filmar do filme com iluminação natural, explorando o ar livre e os lampiões da época. As críticas positivas animaram Altman a continuar a parceria no drama “Imagens” (1972) e no noir “Um Perigoso Adeus” (1973), que evidenciaram um cinematógrafo bem diferente daquele “William” que fazia horrores baratos, mostrando um mestre da fotografia, com grande apuro estético. Mas a reviravolta definitiva se deu com uma produção não tão distante de seu filão tradicional. Vilmos registrou seu primeiro clássico entre corredeiras e montanhas, filmando ao ar livre as imagens de tensão de “Amargo Pesadelo” (1972). O filme de John Boorman marcou época pelas cenas chocantes e clima de terror rural, a ponto de inaugurar um subgênero de horror, povoado por caipiras maníacos – a semente que germinaria “O Massacre da Serra Elétrica”, dois anos depois. Os diretores da “Nova Hollywood” se encantaram com o filme, recrutando Vilmos para voos mais ousados, entre eles o jovem Steven Spielberg, para quem o húngaro filmou “Louca Escapada” (1974) e “Contatos Imediados do Terceiro Grau” (1977), Jerry Schatzberg, com quem rodou “O Espantalho” (1973) e “Doce Vingança” (1976), Brian De Palma, seu parceiro em “Trágica Obsessão” (1976), no cultuado “Um Tiro na Noite” (1981), “A Fogueira das Vaidades” (1990) e em “Dália Negra” (2006), Michael Cimino, com quem realizou o clássico “O Franco Atirador” (1978) e “O Portal do Paraíso” (1980), e Mark Rydell, com “Licença Para Amar Até a Meia-Noite” (1973), “A Rosa” (1979), “O Rio do Desespero” (1984) e “Intersection” (1994). A vitória no Oscar por “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” legitimou sua trajetória, após tantos filmes B de efeitos trágicos, com uma fotografia realista de alienígenas e naves espaciais, que não só deram credibilidade ao filme, mas também ao próprio Spielberg, que a partir daí se firmou como um dos principais cineastas do gênero sci-fi. Vilmos voltou a ser indicado ao Oscar pelas imagens impactantes de “O Franco Atirador”, que também fez muitos chamarem Michael Cimino de gênio, antes dele se tornar esquecido por filmes sem o mesmo cinematógrafo. A Academia também o indicou por “O Rio do Desespero”, mas só voltou a referenciar seu trabalho 20 anos depois, pela recriação noir de “Dália Negra”, no qual retomou a antiga parceria com Brian De Palma. Com “Fronteira da Violência (1982), de Tony Richardson, e “As Bruxas de Eastwick” (1987), de George Miller, ele firmou uma duradoura amizade com o ator Jack Nicholson, que o levou a fotografar “A Chave do Enigma” (1990), continuação de “Chinatown” (1974) que o próprio astro dirigiu. Os dois ainda voltaram a trabalhar juntos em “Acerto Final” (1995), sob direção de Sean Penn. Mas o principal parceiro do final de sua filmografia foi outro integrante da “New Hollywood” com quem demorou a se encontrar: Woody Allen. Para o cineasta nova-iorquino, o húngaro filmou “Melinda e Melinda” (2004), “O Sonho de Cassandra” (2007) e “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” (2010). Ao longo da carreira, Vilmos só dirigiu um filme, “The Long Shadow” (1992), drama estrelado por Liv Ullmann e Michael York, mas apareceu diante das câmeras em dois longas que fotografou: como figurante no western “Maverick” (1994) e na cinebiografia “Louis” (2010) – neste, inclusive, em papel autorreferente, como “cineasta húngaro”. E embora tenha produzido pouco para a televisão, venceu um Emmy de Melhor Fotografia pelo telefilme “Stalin” (1992) e ainda foi indicado a outro pela minissérie “As Brumas de Avalon” (2001). Seus últimos trabalhos, por sinal, foram como diretor de fotografia da série “Projeto Mindy”, gravando 24 episódios, entre 2012 e 2014.

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    Wayne Rogers (1933 – 2015)

    1 de janeiro de 2016 /

    Morreu o ator Wayne Rogers, que ficou famoso como um dos protagonistas originais da série clássica “M*A*S*H”. Ele interpretou o médico Capitão John McIntyre, também conhecido como Trapper John – ou Caçador, na tradução brasileira – , ao longo de 73 episódios da série clássica de comédia. Rogers faleceu no dia 31 de dezembro, aos 82 anos de idade, vítima de complicações causadas pela pneumonia. William Wayne McMillan Rogers III nasceu em 7 de abril de 1933, em Birmingham, Alabama. Formou-se em História e serviu na Marinha antes de iniciar sua carreira de ator, em Nova York, onde chegou a dividir o apartamento com outro astro iniciante, Peter Falk (o eterno “Columbo”). Após atuar em diversas montagens teatrais, ele se lançou na televisão em dezenas de participações em séries dos anos 1960, como “Procurado Vivo ou Morto”, “Johnny Ringo”, “Alfred Hitchcock Apresenta”, “Paladino da Justiça”, “Gunsmoke”, “Os Invasores”, “O Fugitivo”, “Combate!”, “Big Valley” e “Lancer”, entre outras. Também fez figurações em alguns filmes famosos, como o western “Assim Morrem os Bravos” (1965), escrito e dirigido por Sam Peckinpah, e o drama de prisioneiros “Rebeldia Indomável” (1967), dirigido por Stuart Rosenberg e estrelado por Paul Newman. Rosenberg, inclusive, voltou a escalá-lo mais duas vezes, nos dramas “A Sala de Espelhos” (1970) e “Meu Nome É Jim Kane” (1972), que igualmente repetiam o protagonismo de Newman. A grande reviravolta em sua carreira ocorreu em 1972, quando ele foi escolhido para interpretar o Dr. John McIntyre na versão televisiva do filme “M*A*S*H” (1970), de Robert Altman, assumindo o papel que foi de Elliott Gould no cinema. A série estendeu por anos a premissa crítica do longa, por sua vez baseado nas experiências reais de um médico na Guerra da Coreia. A trama acompanhava uma unidade médica do exército americano no front da guerra coreana. Os episódios lidavam com o estresse de ter que conviver cotidianamente com a morte de soldados, ao mesmo tempo em que extrapolavam a tensão com piadas, jogos de poder, bullying, camaradagem, corrupção, romance, bebedeiras, crises existenciais e surtos de loucura. Caso raro entre as produções televisivas, “M*A*S*H” conseguiu superar, com folga, o original cinematográfico, mantendo no ar por 11 anos uma crítica qualificada contra a guerra, e isto em pleno período da Guerra do Vietnã. Apesar de passada na Coreia, as referências ao outro conflito asiático eram mais que evidentes na adaptação do roteirista e produtor Larry Gelbart, que também marcou época pela capacidade de injetar humanismo em seus personagens. A atração só saiu do ar em 1983, e ainda assim muito antes de entrar em decadência, com um episódio final que quebrou recordes, ao ser visto por 125 milhões de telespectadores, a maior audiência de uma série em todos os tempos. Rogers interpretou o Caçador apenas nas três primeiras temporadas de “M*A*S*H”, entre 1972 e 1975. Ele antecipou sua saída da produção ao questionar seu contrato, que estabelecia que ele dividiria o protagonismo com Alan Alda. No entanto, Alda, que vivia o Dr. Benjamin Pierce, mais conhecido como Falcão, experimentou um surto inesperado de popularidade, que fez com que se tornasse a figura dominante da série. Considerando-se menosprezado, tendo cada vez menos espaço nos episódios, Rogers decidiu não renovar seu contrato. Reza a lenda que os produtores só ficaram sabendo de sua decisão quando ele não apareceu para filmar o início da 4ª temporada. Com isso, não foi possível registrar a despedida do Caçador que, na história, é simplesmente dispensado do serviço e retorna para casa, nos EUA. Após “M*A*S*H”, Rogers estrelou a série policial “City of Angels”, produzida em 1976, que tinha tom noir, acompanhando as investigações de um detetive particular na Los Angeles da década de 1930. Mas foi um fracasso de audiência, que durou apenas 13 episódios. Em 1979, a rede CBS encomendou o primeiro spin-off de “M*A*S*H”, que recebeu o título de “Trapper John M.D.” (no Brasil, a série se chamou “Hospital”), focada justamente na vida do Caçador, vários anos depois da Guerra da Coreia, como cirurgião-chefe de um hospital em São Francisco. Rogers foi convidado a voltar a interpretar o personagem, mas recusou a oferta. Assim, a série acabou estrelada por Pernell Roberts (série “Bonanza”), ao longo de sete temporadas e 150 episódios. Em vez de voltar à pele do Caçador, Rogers preferiu interpretar outro médico na TV, estrelando três temporadas da série “House Calls”, entre 1979 e 1982. Sem lamentar ter sido substituído como Trapper John, ele comemorou sua primeira e única indicação ao Globo de Ouro por “House Calls”. E, ironicamente, também teve a sua própria experiência como substituto num papel famoso da TV, ao viver o Major Nelson, celebrizado por Larry Hagman, no telefilme “Jeannie É um Gênio: Quinze Anos Depois” (1985), reunião do elenco da série clássica dos anos 1960. No mesmo ano, estrelou seu maior sucesso como protagonista de cinema, “A Banda do Paraíso” (1985), como um dos seis integrantes de uma banda amadora, contratada para duas semanas de show no interior, que sonha com a possibilidade de sucesso, apenas para retornar à sua vida real. Ele ainda apareceu no thriller “A Hora de Matar” (1987), com Kiefer Sutherland (série “24 Horas”) e no drama “Fantasmas do Passado” (1996), sobre a luta pelos direitos civis nos EUA, além de obter destaque em cinco episódios da série “Assassinato por Escrito”, entre 1993 e 1995, mas foi se afastando progressivamente da carreira de ator na década de 2000, quando passou a investir no ramo imobiliário e no mercado de ações. Em 2005, dois anos após seu último trabalho, a comédia “Nobody Knows Anything!” (2003), Wayne Rogers foi homenageado com uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

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    Haskell Wexler (1922 – 2015)

    28 de dezembro de 2015 /

    Morreu o diretor de fotografia Haskell Wexler, que venceu dois Oscar e ficou conhecido como um dos cinematógrafos mais inovadores e engajados de Hollywood. Sua politização, que o fez ser considerado subversivo pelo FBI, também rendeu diversos documentários sobre minorias políticas, entre eles um filme de denúncia contra a ditadura militar brasileira nos anos 1970. Ele faleceu no domingo (27/12), enquanto dormia num centro médico de Santa Monica, na Califórnia, aos 93 anos de idade. Haskell Wexler nasceu em Chicago, em 6 de janeiro de 1922, e começou a trabalhar em cinema após servir na Marinha durante a 2ª Guerra Mundial. Seu começo foi a lado de seu pai. Os dois criaram um pequeno estúdio em Des Plaines, onde produziram filmes educativos sob encomenda até 1947. A experiência o levou a trabalhar com o cineasta John W. Barnes, especialista neste tipo de produção. Os dois codirigiram e coproduziram “The Living City” (1953), que rendeu a Wexler sua primeira indicação ao Oscar, como Melhor Curta de Documentário. A transição para o cinema de ficção aconteceu com “Stakeout on Dope Street” (1958), dirigido por Irvin Kershner (o futuro diretor de “O Império Contra-Ataca”), sobre três adolescentes (um deles Yale Wexler, irmão de Haskell) que encontram pacotes de heroína e tentam vendê-la. Como teve dificuldades para se tornar membro do sindicato, Wexler rodou o filme sob o pseudônimo de Mark Jeffrey (os nomes de seus dois filhos). Usando câmeras manuais pela primeira vez, ele também filmou em locação nas ruas, em vez de em um estúdio. Wexler se especializou em fotografar dramas naturalistas, em sua maioria em preto e branco, voltando a trabalhar com Kershner em “Almas Redimidas” (1961) e “Face in the Rain” (1963), no qual se tornou o primeiro cinematógrafo a correr com câmera na mão, para registrar a fuga de um ator. Por sua ousadia e vontade de experimentar, caiu rapidamente na preferência dos grandes diretores de Hollywood. Ele fotografou para Paul Wendkos em “O Diabo da Carne” (1961), Elia Kazan em “Terra do Sonho Distante” e Franklin Schaffner J em “Vassalos da Ambição” (1964), até finalmente ser reconhecido pela Academia pela fotografia de “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?” (1966). Em “Quem Tem Medo de Virginia Woolf?”, Wexler explorou os rostos das duas estrelas, Elizabeth Taylor e Richard Burton, em grandes closes que não lhes prestavam favores, mostrando suas rugas e caretas, enquanto discutiam sem parar. Mas para conseguir o resultado que visava, Wexler gerou mal-estar entre os demais profissionais, metendo-se na iluminação e optando por câmeras portáteis, que ele manipulava com as próprias mãos, enquanto se amarrava, com cordas, nos atores, para ter sempre a sensação de distância sem precisar tirar os olhos do equipamento. Isto horrorizou os técnicos mais antigos e Wexler só conseguiu sustentar suas demandas porque o diretor era estreante, ninguém menos que Mike Nichols em seu primeiro longa-metragem. Inexperiente, Nichols se deixou levar por Wexler e o Oscar lhe sorriu. O filme foi indicado a nada menos que 13 Oscars, inclusive de Melhor Direção, dando a Wexler sua estatueta de consagração. O reconhecimento o levou a filmes comerciais coloridos. Ele firmou uma parceria bem-sucedida com o cineasta Norman Jewison em “No Calor da Noite” (1967) e “Crown, o Magnífico” (1968), dois clássicos do cinema de ação. O primeiro ainda tinha um fundo realista, como a maioria dos trabalhos do cinematógrafo, o que permitiu a Wexler transformar detalhes do urbanismo em cenografia. Mas o segundo era completamente fantasioso, o que rendeu um surto de criatividade, com multiplicação de imagens, divisões de tela e zooms. Para uma elaborada cena de assalto, Wexler utilizou quatro câmeras para capturar os rostos dos ladrões e a precisão do roubo, sob pontos de vista diferentes. A técnica fez escola e passou a ser copiada em dezenas de filmes que se seguiram. Wexler se impôs mais desafios ao assumir a direção de seu primeiro longa, “Dias de Fogo” (1969), filmado durante a caótica convenção democrata de Chicago em 1968. Escrito pelo próprio Wexler, o filme combinava cenário real com ficção, acompanhando um cameraman de telenoticiário (Robert Forster) em meio à violência campal que acaba se desenrolando. O confronto com a polícia não foi encenado e o próprio diretor foi atingido por gás lacrimogêneo enquanto filmava. A experiência o inspirou a retomar os documentários, influenciado pela onda de protestos do período. Um destes trabalhos marcou época, o curta “Interviews with My Lai Veterans” (1971), que ele fotografou para o diretor Joseph Strick. Vencedor do Oscar de sua categoria, o filme chocou pela forma como veteranos da Guerra do Vietnã descreviam as barbaridades que cometeram ou presenciaram, sob ordens de “atirar em todo o mundo”, inclusive em mulheres e crianças. O trabalho foi fundamental para colocar a opinião pública contra a guerra. Atendo ao mundo, ele se focou até no Brasil, dirigindo um documentário que ficou proibido no país por mais de uma década, “Brazil: A Report on Torture” (1971), em que entrevistou estudantes, exilados e outras vítimas da perseguição política da ditadura brasileira, extraindo depoimentos sobre a tortura que sofreram nos porões do regime. Sua simpatia por movimentos de esquerda ainda rendeu o controverso documentário “Underground” (1976), em que entrevistou integrantes do grupo terrorista Weather Underground, que pregava a derrubada violenta do governo dos EUA. Isto lhe valeu uma ficha no FBI, que o classificava como “potencialmente perigoso por causa de sua instabilidade emocional ou atividade em grupos que exercem atividades hostis aos Estados Unidos”. Ele não se deixou intimidar e, em plena época de vigilância, embarcou rumo ao Vietnã, ao lado da atriz Jane Fonda, para filmar “Introduction to the Enemy” (1974), em que buscou mostrar quem realmente era “o inimigo”, colhendo depoimentos dos chamados vietcongs. Jane Fonda quase implodiu sua carreira na ocasião, sendo considerada por muitos uma traidora dos EUA. Mas os dois também mostraram o outro lado da moeda em “Amargo Regresso” (1978), drama dirigido por Hal Ashby, focado nos traumas físicos e psicológicos dos veteranos americanos. Além de fotografar, Wexler ainda fez uma figuração no longa, entregando medalhas a soldados que retornavam mutilados da guerra. O engajamento político não impediu sua carreira de prosperar. Depois de servir como “consultor visual” de George Lucas em “Loucura de Verão” (1973), ele seguiu fotografando clássicos como “A Conversação” (1974), de Francis Ford Coppola, e “Um Estranho no Ninho” (1974), de Milos Forman, pelo qual foi indicado ao Oscar. E não demorou a vencer outro Oscar. O filme que lhe deu sua segunda estatueta da Academia, “Esta Terra É Minha” (1976), também dirigido por Ashby, era uma cinebiografia do cantor folk Woody Guthrie (que Wexler tinha conhecido durante seu tempo na Marinha), que evocava a miséria americana em cores esmaecidas. Mas o que fez a produção entrar para a história foi o uso pioneiro da steadycam, a câmera manual que não treme. Usada pela primeira vez, a steadycam permitiu ao cinematógrafo realizar uma tomada antológica, que começava em um guindaste e continuava sem cortes no nível do solo, avançando a passos largos em direção ao cenário e fazendo a boca dos técnicos de Hollywood cair em seus colos. A sequência teve impacto profundo e mudou completamente a forma como se faria cinema dali em diante. Ele ainda trabalhou com Terrence Mallick no belíssimo “Cinzas no Paraíso” (1978) e com Ridley Scott no cultuado “Blade Runner” (1982), fazendo fotografia adicional nos dois filmes, que ficaram marcados como visualmente inovadores. Mas preferia ser reconhecido por seus filmes mais politizados. Tanto que voltou a criticar o governo americano em “Latino” (1985), a segunda e última ficção que ele escreveu e dirigiu. O longa atacava o apoio americano aos guerrilheiros que tentavam derrubar o governo sandinista da Nicarágua. Vieram mais duas indicações ao Oscar, por “Matewan – A Luta Final” (1987), sobre a luta de mineiros sindicalizados, dirigido por John Sayles, e “Blaze – O Escândalo” (1989), em que Paul Newman viveu um político que se apaixona por uma stripper, colocando em risco sua carreira. Além disso, Wexler também deixou sua marca no drama policial “As Cores da Violência” (1988), de Dennis Hopper, trazendo grande realismo ao retrato do submundo das gangues de Los Angeles. A idade não lhe impunha restrições físicas, fazendo com que continuasse atarefado após os 70 anos. Mas não é segredo que seus trabalhos nos anos 1990 já não transmitiam a mesma paixão. Nem tanto pela disposição de trabalhar, mas porque muitos eram projetos de encomenda, como a cinebiografia do jogador de beisebol Babe Ruth, “Ânsia de Viver” (1992), e o neonoir “O Preço da Traição” (1996). Nesta fase final, seu principal parceiro foi o cineasta John Sayles, com quem, depois de “Matewan”, ainda filmou “O Mistério da Ilha” (1994), “Limbo” (1999) e “Silver City” (2004), seu último longa de ficção. Paralelamente, Wextler ainda dirigiu mais três documentários politizados, sendo o último bem recente, “Four Days in Chicago” (2013), sobre os protestos do movimento Ocupy, rodado quando ele tinha 91 anos. Eleito um dos dez diretores de fotografia mais influentes da história em uma pesquisa realizada com os membros do Sindicato Internacional de Cinematógrafos, Wexler teve seu nome incluído na Calçada da Fama de Hollywood em 1996 e virou tema de dois documentários, “Tell Them Who You Are” (2004), de seu filho Mark Wexler, e “Rebel Citizen” (2015), de Pamela Yates, lançado há apenas dois meses nos EUA.

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    Brooke McCarter (1963 – 2015)

    22 de dezembro de 2015 /

    Morreu o ator Brooke McCarter, que viveu um vampiro no cultuado filme de terror “Os Garotos Perdidos” (1987). Ele faleceu na terça-feira (22/12), aos 52 anos de idade. McCarter tinha uma doença genética no fígado, segundo nota de sua família postada no Facebook. “Brooke era nosso amado filho, irmão, pai, primo, sobrinho e amigo”, diz a mensagem. “Agradecemos seus pensamentos e orações nesse momento difícil”. Em “Os Garotos Perdidos”, ele viveu Paul, que integrava a gangue de vampiros rebeldes liderada por Kiefer Sutherland (série “24 Horas”). No filme, ele enfrentou os matadores mirins interpretados por Corey Feldman e Corey Haim. Este último morreu em 2010. Além de “Os Garotos Perdidos”, ele participou de mais dois filmes dos anos 1980: “O Desafio” (1986), no qual andou de skate com Josh Brolin (“Evereste”), e “Wired” (1989), cinebiografia do comediante John Belushi. Também apareceu num episódio do revival da série “Além da Imaginação”, em 1987. Mas a carreira de ator não teve prosseguimento, levando-o a arranjar um emprego no setor de serviços de telecomunicações. Brooke só foi ressurgir há seis anos, como apresentador de um game-show macabro na comédia de terror “The Uh-oh Show” (2009), que também marcou o retorno à direção do lendário cineasta Herschell Gordon Lewis, criador do terror gore (sanguinário) nos anos 1970. Em seguida, filmou sua última aparição cinematográfica no terror “Emerging Past”, de Thomas J. Churchill (“Samurai Cop 2”), que ficou cinco anos guardado. Neste período, a obra foi reeditada numa “versão do diretor”, que finalmente virá à tona com um lançamento direto em DVD em janeiro.

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    Rose Siggins (1972 – 2015)

    12 de dezembro de 2015 /

    Morreu a atriz Rose Siggins, que fez parte do elenco de “American Horror Story: Freakshow”. Ela faleceu neste sábado (12/12), aos 43 anos de idade. Em seu único papel como atriz, Siggins interpretou a personagem Legless Suzy nos 13 episódios da 4ª temporada da série, exibida em 2014. Ela não tinha as duas pernas desde os dois anos de idade e, de acordo com informações do site TMZ, sofria de problemas nos rins e no pâncreas. A morte aconteceu durante uma cirurgia em Denver, nos EUA, para retirada de pedras nos rins. Siggins também participou de outros programas de TV, como “Extraordinary People” e “Ripley’s Believe It or Not”, como ela mesmo, dando seu exemplo como sobrevivente. Ela estava filmando um documentário marcado para estréia em 2016, chamado “Schlitzie: One of Us”. Uma campanha foi criada na internet para ajudar seus filhos, Luke e Shelby. A morte da atriz segue outro falecimento recente no elenco de “American Horror Story: Freakshow”: Ben Woolf, o intérprete do anão Meep, morto em fevereiro, aos 34 anos, após ser atropelado por um carro em Los Angeles.

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    Robert Loggia (1930 – 2015)

    7 de dezembro de 2015 /

    Morreu o ator Robert Loggia, especialista em papéis de gângsteres, mas que também se destacou em outros gêneros, recebendo indicações ao Oscar e ao Emmy. Ele faleceu na sexta (4/12), aos 85 anos, após uma luta de cinco anos com o Alzheimer. Nascido em Nova York, em 3 de janeiro de 1930, Salvatore Loggia era filho de um sapateiro italiano e estudou jornalismo, antes de decidir se matricular no Actors Studio e americanizar seu nome para tentar a carreira de ator. Sua estreia aconteceu em “Marcado pela Sarjeta” (1956), cinebiografia do boxeador Rocky Graziano, em que interpretou um gângster que tenta convencer Rocky (Paul Newman) a entregar uma luta. A descendência siciliana, o rosto forte e a voz rugosa lhe renderiam diversos personagens do gênero, fazendo com que Loggia se especializasse em tipos mafiosos. Seu segundo papel refletiu a tendência, ao trazê-lo como líder corrupto de um sindicato, no drama “Clima de Violência” (1957). Mas ele era capaz de muito mais, como demonstrou ao conseguir o papel principal na peça “O Homem do Braço de Ouro”, que foi estrelada por Frank Sinatra no cinema, e na montagem de “As Três Irmãs”, de Anton Chekov, dirigida por Lee Strasberg, o chefão do Actors Studio. Para evitar ficar estereotipado, Loggia fechou contrato com a Disney para viver o mocinho de uma minissérie de faroeste, “The Nine Lives of Elfego Baca”, exibida no programa “Abertura Disneylândia”. A trama se baseava na vida real do cowboy Elfego Baca, que se tornou famoso ao sobreviver sem nenhum arranhão a um tiroteio de 36 horas contra 80 bandidos, façanha que lhe rendeu o cargo de delegado federal e, mais tarde, uma carreira de advogado bem-sucedido e político. Exibida na TV em 1958, a minissérie foi posteriormente reeditada com a duração de um filme e lançada nos cinemas em 1962, sob o título “Elfego Baca: Six Gun Law”. Ele se manteve na TV após o fim da produção, fazendo participações em diversas séries clássicas, mas geralmente como vilão. Ao longo da carreira, apareceu em mais de uma centena de episódios de atrações variadas, como “Cidade Nua”, “Alfred Hitchcock Apresenta”, “Os Intocáveis”, “Os Defensores”, “Couro Cru”, “Rota 66”, “Ben Casey”, “Gunsmoke”, “Combate”, “A Escuna do Diabo”, “Viagem ao Fundo do Mar”, “James West”, “Tarzan”, “Os Audaciosos”, “Chaparral”, “FBI”, “Mannix”, “Cannon”, “Columbo”, “SWAT”, “As Panteras”, “Mulher-Maravilha”, “Police Woman”, “Arquivo Confidencial”, “Justiça em Dobro”, “Havaí 5-0”, “Magnum” e até fez crossover entre as séries “O Homem de Seis Milhões de Dólares” e “A Mulher Biônica”. Além das aparições como “vilão da semana”, o ator também estrelou uma série de ação, “T.H.E. Cat”, exibida entre 1966 e 1967, como um ex-ladrão acrobata que resolve usar suas habilidades contra o crime, para proteger clientes pagantes de situações de perigo. Criada por Harry Julian Fink, roteirista de “Perseguidor Implacável” (1971), que lançou o personagem Dirty Harry, a série antecipou temas posteriormente explorados com mais sucesso por “O Rei dos Ladrões” e “The Equalizer”. Infelizmente, “T.H.E. Cat” durou apenas uma temporada de 26 episódios e jamais foi reprisada. Paralelamente, Loggia passou a interpretar coadjuvantes dos “mocinhos” no cinema. Chegou a se destacar como o capataz de Robert Taylor no western “Pistolas do Sertão” (1963), embarcando, em seguida, como o apóstolo José, em “A Maior Estreia de Todos os Tempos” (1965), superprodução bíblica repleta de astros famosos (Charlton Heston, Max Von Sydow, John Wayne, Carroll Baker, Dorothy McGuire, Roddy McDowall, Sal Mineo, etc). Entretanto, com mais de quatro horas de duração, o filme foi um fiasco de público, e a crítica ainda fez pouco caso do Jesus (Sydow) de olhos azuis do legionário romano (Wayne) com sotaque de cowboy. O ator só foi voltar ao cinema quatro anos depois, e pegou outra bomba pela frente, “Causa Perdida” (1969), a versão hollywoodiana da história de Che Guevara. Mais cinco se passaram antes de nova tentativa, desta vez uma comédia da dupla italiana Bud Spencer e Terence Hill, dos filmes de “Trinity”, chamada “Dois Missionários do Barulho” (1974). Estas escolhas temorosas ajudaram a mantê-lo mais tempo na TV. Sua transição definitiva para o cinema só foi possível devido à amizade cultivada com o diretor Blake Edwards, que o escalou em cinco comédias, a partir de “A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa” (1978), na qual interpretou, claro, um gângster ameaçador. Além de duas outras continuações da franquia “Pantera Cor-de-Rosa”, ele também participou de “S.O.B. Nos Bastidores de Hollywood” (1981), como um advogado da indústria cinematográfica, e “Assim É a Vida” (1986), vivendo um padre alcoólatra. Esse impulso inicial ganhou tração quando Loggia apareceu como o pai alcoólatra de Richard Gere no romance “A Força do Destino” (1982). Mas o que deslanchou sua carreira foi mesmo a volta aos tipos mafiosos, desta vez com apelo glamouroso, a partir do papel do barão do tráfico Frank Lopez, mentor de Tony Montana (Al Pacino) em “Scarface” (1983). Repulsivo e adorável, Loggia fez o público lamentar o destino de seu personagem no clássico de Brian de Palma. O desempenho rendeu convites para interpretar novos chefões do crime, como o mafioso da comédia “A Honra dos Poderosos Prizzi” (1985), seu lançamento seguinte, estrelado por Jack Nicholson. Ele também viveu gângsters em configurações inusitadas: transformado em vampiro em “Inocente Mordida” (1992), como mentor de um assassino relutante na comédia “A Sangue Frio” (1995), na célebre série sobre a máfia “Família Soprano” (em 2004), em telefilmes variados e até numa animação da Disney, “Oliver e sua Turma” (1988). Outro papel marcante foi providenciado pelo suspense “O Fio da Suspeita” (1985), de Richard Marquand. Trabalhando como investigador para a advogada vivida por Glenn Close, ele tenta alertá-la que seu cliente charmoso, interpretado por Jeff Bridges, na verdade era um sociopata manipulativo, que podia mesmo ter matado sua mulher e agora tentava seduzi-la para livra-se da cadeia. Fazendo o público vibrar até com um palavrão (“fuck him”), Loggia acabou reconhecido com uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, a única do filme e de sua carreira. A indicação, porém, não o conduziu a personagens mais dignos. Ao contrário. O ator acumulou produções juvenis, como as comédias “Armados e Perigosos” (1986), estrelada por John Candy e Meg Ryan, “Férias Quentíssimas” (1987), com o então adolescente John Cusack, o filme de ação “Falcão – O Campeão dos Campeões” (1987), com Sylvester Stallone, etc. A diferença é que o trabalho no cinema deixou de ser esporádico para se tornar constante. Poucos, porém, conseguiam críticas positivas, como “Gaby – Uma História Verdadeira” (1987), em que contracenou com Liv Ullmann. Entre a leva de comédias com atores jovens, que coadjuvou nos anos 1980, uma acabou se projetando acima das demais, virando uma “Sessão da Tarde” clássica. “Quero Ser Grande” (1988), de Penny Marshall, seguia uma premissa conhecida dos sucessos juvenis: a troca de corpos. No caso, um menino de 13 anos, inconformado por não poder fazer diversas coisas, deseja se tornar adulto logo e acaba no corpo crescido de Tom Hanks. Melhor ainda, sua vontade de brincar impressiona o dono de uma fábrica que o contrata para o emprego de seu sonhos: testar brinquedos. Loggia viveu o dono da fábrica, compartilhando uma sequência antológica com Hanks, quando os dois dançam sobre um teclado de brinquedo musical. Mas nem todos os filmes do período foram levinhos. Ele também foi o psiquiatra de Norman Bates (Anthony Perkins) em “Psicose – 2ª Parte” (1983), coestrelou o terror “Adoradores do Diabo”(1987), com Martin Sheen. E teve desempenho impactante em “Triunfo do Espírito” (1989), como o pai de Willem Dafoe, um boxeador aprisionado no pior campo de concentração nazista, que, para impedir a execução de sua família, é forçado a lutar contra judeus até a morte. “Triunfo do Espírito” foi a primeira produção inteiramente filmada no terrível campo de extermínio de Auchswitz. Ao retornar à TV, concorreu ao Emmy de 1990 pelo papel-título na série “Mancuso, FBI”, que mesmo assim foi cancelada em sua 1ª temporada. Pouco depois, voltou a se destacar na série “Wild Palms” (1993). Mas, conformado em ser o eterno coadjuvante, decidiu acumular comédias ligeiras em sua filmografia, como “A Sorte Bate à Porta” (1990), “Uma Loira em Minha Vida” (1991), “Tirando o Time de Campo” (1991) e “Adoro Problemas” (1994). Seu grande papel dos anos 1990, porém, foi numa ficção científica: uma participação no blockbuster “Independence Day” (1996), como o general no comando da resistência à invasão alienígena dos Estados Unidos, em meio uma multidão de astros, como Will Smith, Bill Pullman, Jeff Goldblum, Mary McDonnell, Vivica A. Fox e Judd Hirsch. O sucesso de “Independence Day” ajudou a popularizá-lo, evitando um declínio precoce em sua carreira, que já vinha ensaiando um mergulho em filmes B – basta lembrar do western “Quatro Mulheres E Um Destino” (1994), sobre quatro prostitutas pistoleiras. Loggia apareceu a seguir em dois suspenses de diretores cultuados: “Mistério na Neve” (1997), de Bille August, e “A Estrada Perdida” (1997), de David Lynch, onde viveu outro gângster marcante, capaz de surrar um homem até morte enquanto recitava um monólogo. A boa fase, porém, durou pouco e ele logo se viu de volta às comédias inconsequentes, como “Olhos Abertos” (1998), como Rosie O’Donnell, “Santo Homem” (1998), com Eddie Murphy, “The Suburbans – O Recomeço” (1999), com Jennifer Love Hewitt, “Feitiço do Coração” (2000), com David Duchovny, “Dinheiro Fácil” (2006), com Chevy Chase, “O Psicólogo” (2009), com Kevin Spacey, e outras muito piores, até implodir sua filmografia com lançamentos direto em DVD. Ele ainda coestrelou o suspense “Contrato de Risco” (2005), com Christian Slater. Mas nenhum de seus trabalhos de cinema no século 21 conseguiu qualquer destaque. Em compensação, em 2001 voltou a ser indicado ao Emmy, por uma participação na série de comédia “Malcolm”, na qual viveu o sogro do personagem de Bryan Cranston – que dá uma granada de presente para o neto mais hiperativo. É interessante ainda lembrar como, em 1997, o ator interpretou um chefão mafioso, que, em crise de depressão, começa a se tratar com um psicanalista. Foi no telefilme “The Don’s Analyst”. E se a premissa parece conhecida, é porque ela lembra “A Máfia no Divã” e o começo de “A Família Soprano”, lançados dois anos depois. Loggia, por coincidência, acabou entrando na 5ª temporada dos Sopranos, numa participação antológica como o gângster Feech La Manna. Ao final de sua carreira, a passagem pela “Família Soprano” só foi superada por outra participação memorável, como ele próprio, na série animada “Uma Família da Pesada”. Numa referência hilária à sua popularidade, Loggia aparece numa fila, à frente de Peter Griffin, e responde ao balconista como soletrar seu nome, começando com “R de Robert Loggia”, seguindo com “O de Oh meu Deus, é Robert Loggia”, “B de Bom Deus, é Robert Loggia”, e assim por diante, até o “L de Loggia, de Robert Loggia”. E, de fato, embora jamais tenha se firmado como protagonista, vencido prêmios ou emplacado tantos sucessos quanto poderia, Robert Loggia é um nome que merece ser reverenciado por seus papeis marcantes, que entraram para a história do cinema.

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    Marília Pêra (1943 – 2015)

    6 de dezembro de 2015 /

    Morreu a atriz Marília Pêra, que marcou a história do teatro, TV e cinema brasileiros, estrelando obras-primas como “Pixote: A Lei do Mais Fraco” (1981) e “Central do Brasil” (1998), além de coreografar e dirigir diversos espetáculos. Ela sofria de câncer nos ossos e no pulmão, doença que vinha combatendo havia dois anos, vindo a falecer no sábado (5/12), aos 72 anos. Marília Marzullo Pêra nasceu no Rio de Janeiro em 22 de janeiro de 1943, com o teatro no DNA. Ela faz sua estreia como atriz aos 19 dias de vida, numa peça que precisava de um bebê. Seu pai, o português Manoel Pêra, era ator e tinha uma companhia teatral no Rio. A mãe, Dinorah Marzullo, também era atriz. A avó, Antonia Marzullo, fez vários papéis no cinema. E até sua irmã mais nova, Sandra Pêra, seguiu o rumo dos palcos. Aos 4 anos, Marília já fazia parte da companhia teatral de Henriette Morineau, atuando, entre outras, na peça “Medeia”, em que interpretou umas das filhas do personagem principal. Ela se profissionalizou ainda na adolescência, estudando música e dança para participar de espetáculos de revista a partir dos 14 anos. Ao entrar na peça “De Cabral a JK”, de Max Nunes, conheceu o ator Paulo Graça Mello, com quem se casou aos 16 anos. Aos 18, teve o primeiro filho, aos 26 tornou-se viúva – posteriormente, casou-se mais três vezes, com o ator Paulo Villaça, o jornalista Nelson Motta, com quem teve duas filhas, e o economista Bruno Faria. E nada impediu o crescimento de sua carreira. Dois anos depois de dar a luz ao futuro ator Ricardo Graça Mello, atuou em “O Teu Cabelo Não Nega” (1963), biografia de Lamartine Babo, interpretando pela primeira vez Carmen Miranda, papel que a acompanharia por diferentes espetáculos – o mais recente, de 2005. E ela ainda pôde se gabar de ter vencido uma disputa com Elis Regina pelo papel principal no musical “Como Vencer na Vida sem Fazer Força”, em 1964. O teatro acabou ficando em segundo plano quando a TV a descobriu. Marília foi contratada como bailarina na inauguração da TV Globo, em 1965, mas em poucos meses se viu estrelando telenovelas. Sua estreia aconteceu na primeira novela das 19h da emissora, “Rosinha do Sobrado”, em agosto de 1965, já como protagonista, seguida imediatamente pelo papel-título de “A Moreninha” (1965). Bastaram estes dois papeis para ela atingir o estrelato, vendo-se disputada e aceitando participar de duas novelas simultâneas, “Padre Tião”, no horário das 19h, e “Um Rosto de Mulher”, às 22h, ambas exibidas a partir de dezembro de 1965. A maratona se provou exaustiva e ela só foi reaparecer três anos depois na principal novela da década, “Beto Rockfeller” (1968), na TV Tupi. Na trama, viveu uma das coadjuvantes das trapalhadas de Luís Gustavo, intérprete do playboy farsante do título, ajudando o humor corrosivo do escritor Bráulio Pedroso a revolucionar o gênero. Marília permaneceu na Tupi para protagonizar a novela seguinte, “Super Plá” (1969), como uma ex-vedete de teatro que se tornava dona de uma fábrica de refrigerantes. Paralelamente, estreou no cinema, com a comédia “O Homem que Comprou o Mundo” (1968), de Eduardo Coutinho, seguida pelo musical “É Simonal” (1970), de Domingos de Oliveira. Mas a ênfase permaneceu em sua carreira teatral, que a levou a encenar “Se Correr o Bicho Pega”, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht e Kurt Weill, “A Megera Domada”, de William Shakespeare, e “Roda Viva”, de Chico Buarque, pela qual passou a ser perseguida pela ditadura. Foi presa durante a apresentação da peça e, em seguida, teve a casa invadida pela polícia, em busca de provas de sua subversão comunista. Ironicamente, em 1989, ao declarar voto em Fernando Collor para a presidência da república, foi vítima dos tais comunistas com quem tinha sido confundida, que apedrejaram a porta do teatro onde ela se apresentava. Suas manifestações artísticas, em contraste, logo se tornaram unanimidades. O primeiro de seus três prêmios Molière veio em 1969, por seu desempenho como uma virgem solteirona em “Fala Baixo Senão Eu Grito”, de Leilah Assumpção – os outros foram vencidos pelo monólogo “Apareceu a Margarida” (1973), de Roberto Athayde, e “Brincando em Cima Daquilo” (1984), de Dario Fo e Franca Rame. Ela voltou à Globo em 1971, a convite do diretor Daniel Filho, para viver um de seus papeis mais divertidos, a loiraça Shirley Sexy em “O Cafona”, que a tornou ainda mais conhecida. Na sequência, interpretou a taxista Noeli em “Bandeira 2” (1971), romântica atrapalhada Serafina de “Uma Rosa com Amor” (1972) e a “Supermanoela” (1974), até decidir priorizar o cinema. Sua filmografia ganhou impulso a partir de meados dos anos 1970. Após a comédia “O Donzelo” (1974) e o drama “Ana, a Libertina” (1975), Marília irrompeu em seu primeiro grande papel cinematográfico, a cantora de cabaré de “O Rei da Noite” (1975), de Hector Babenco, com quem voltaria a trabalhar no longa mais famoso de sua carreira, “Pixote: A Lei do Mais Fraco” (1981). No filme sobre menores infratores, ela vivia uma prostituta que servia de figura materna para o jovem Pixote. A cena em que amamenta o adolescente tornou-se uma das mais emblemáticas do cinema brasileiro e lhe rendeu projeção internacional. Pelo papel, Marília foi eleita Melhor Atriz do ano pela Associação Nacional dos Críticos de Cinema dos EUA. “Isso me abriu as portas do mundo, mas não fui trabalhar nos EUA porque não dominava o inglês”, contava. Porém, ela fez sim um filme americano, “Mixed Blood” (1984), dirigida pelo cineasta underground Paul Morrissey (“Trash”). A língua acabou não sendo uma dificuldade, pois a trama girava em torno de traficantes brasileiros em Manhattan. Anos mais tarde ainda voltaria aos EUA para rodar o trash “Living the Dream” (2006), estrelado por Danny Trejo (“Machete”). O maior reconhecimento, porém, veio mesmo do Brasil, com novos papeis importantes. Marília foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Gramado por seus dois longas seguintes, “Bar Esperança” (1983), homenagem de Hugo Carvana à boemia, e “Anjos da Noite” (1987), de Wilson Barros. Ao mesmo tempo, acumulou ainda mais reverências no teatro, vencendo seu terceiro Molière e se transformando numa diretora bem-sucedida com a montagem de “O Mistério de Irma Vap” (1987), que ficou 11 anos em cartaz. Tudo isso a manteve afastada das novelas por mais de uma década, só voltando ao gênero em 1987, como a Rafaela de “Brega & Chique”. Ela também viveu a vilã Juliana, na minissérie “O Primo Basílio” (1988), e Genu na novela “Lua Cheia de Amor” (1990), antes de reorganizar sua agenda com outras prioridades. Marília voltou a ter projeção internacional ao ser dirigida por Cacá Diegues. Primeiro, em “Dias Melhores Virão” (1990), pelo qual venceu o troféu de Melhor Atriz no Festival de Cartagena, na Espanha. E, depois, com “Tieta do Agreste” (1996), que lhe trouxe o troféu de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Havana, em Cuba. A década ainda incluiu mais dois filmes marcantes: “Central do Brasil” (1998), grande clássico de Walter Salles, e “O Viajante” (1999), de Paulo César Saraceni, que lhe rendeu indicação ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (o Oscar nacional). Ocupada com cinema e teatro, Marília diminuiu sua presença na TV, preferindo fazer minisséries, como “Incidente em Antares” (1994), “Os Maias” (2001) e “JK” (2006), embora tenha encaixado a novela “Meu Bem Querer” na Globo em 1998. A esta altura, porém, estava tão famosa que podia se dar ao luxo de fazer participação especial como si mesma nas novelas – em “Celebridade” (2003) e “Insensato Coração” (2011). Sua filmografia continuou interessante no século 21. Ela viveu o papel-título de “Amélia”, a camareira de Sarah Bernhardt, durante a visita da célebre atriz francesa ao Brasil em 1905, com direção de Ana Carolina. Também participou de “Seja o Que Deus Quiser” (2002), de Murilo Salles, viveu a cantora Wanderléa na cinebiografia “Garrincha – Estrela Solitária” (2003), de Milton Alencar, a madame de um bordel em “Vestido de Noiva” (2006), adaptação de Nelson Rodrigues dirigida por seu filho Joffre, e voltou a encontrar seu primeiro diretor, Eduardo Coutinho, no premiado documentário “Jogo de Cena” (2007). Ao retornar às novelas, encaixou uma sequência de papeis divertidos, inciada pela hilária hippie Janis Doidona em “Começar de Novo” (2004), retomando a cumplicidade cômica com Luis Gustavo. Foi ainda a perua falida Milu de “Cobras & Lagartos” (2006) e a dama Gioconda de “Duas Caras” (2008). A facilidade para o humor acabou explorada também em filmes como “Acredite, um Espírito Baixou em Mim” (2006), “Polaróides Urbanas” (2008) e “Embarque Imediato” (2009), além de lhe render uma nova carreira como comediante televisiva. As séries cômicas lhe permitiram aprofundar sua parceria com o ator, escritor e diretor Miguel Falabella, que a filmou em “Polaróides Urbanas”. Na Globo, os dois trabalharam juntos em “A Vida Alheia” (2010), na novela “Aquele Beijo” (2011) e em “Pé na Cova” (2013), seu último papel na TV, no qual viveu a mulher de Falabella. Marília continuou interpretando papeis importantes no teatro, vencendo o prêmio Shell por sua atuação em “Mademoiselle Chanel” em 2006. Em 2013, ainda estrelou “Alô, Dolly!”, ao lado do parceiro Falabella. Mas, apesar dos muitos prêmios conquistados, sua homenagem mais singela aconteceu no Carnaval de 2014, quando foi tema do desfile da escola de samba Mocidade Alegre, em São Paulo, com o samba-enredo “Nos Palcos da Vida… Uma Vida no Palco: Marília”. Mesmo com a saúde debilitada, ela dedicou seus últimos esforços ao trabalho, narrando o documentário “Chico – Artista Brasileiro” (2015), sobre Chico Buarque, e dirigindo a peça “Depois do Amor”, cuja estreia estava marcada justamente para o dia de sua morte, em Manaus. Ela também deixou gravado um disco com canções de amor de Tom Jobim, Dolores Duran e outros mestres da MPB, e continuará presente ao longo em 2016 em outros trabalhos finalizados, que incluem uma participação na nova série comédia “Tô Ryca”, que estreia em janeiro, no filme “Dona do Paraíso”, de José João Silva, ainda sem previsão de lançamento, e numa temporada inteira de “Pé na Cova”. “Certas pessoas são escolas, ela era uma escola de vida, uma profissional que deu um padrão para a nossa maneira de representar e colocou o país em outro departamento. Uma profissional genial”, definiu, emocionado, o ator Ney Latorraca, que Marília dirigiu por mais de uma década na peça “O Mistério de Irma Vap”. “Uma mestra”, ecoou o cineasta Cacá Diegues.

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    Setsuko Hara (1920 – 2015)

    29 de novembro de 2015 /

    Morreu Setsuko Hara, lenda do cinema japonês, que estrelou os filmes mais famosos do grande mestre Yasujirō Ozu. Ela faleceu aos 95 anos em 5 de setembro, após passar um mês internada num hospital, mas a notícia só foi divulgada nesta semana pela imprensa japonesa. Seu verdadeiro nome era Masae Aida e ela nasceu em 17 de junho de 1920 em Yokohama, no Japão. Sua irmã mais velha era casada com o cineasta Hisatora Kumagai, o que aproximou sua família da indústria do cinema – até seu irmão virou assistente de fotografia. Sonhando em virar atriz, ela passou num teste no estúdio Nikkatsu e fez sua estreia em 1935, aos 15 anos, no curta “Tama o Nagero”, seguido no mesmo ano pela comédia “Do Not Hesite Young Folks!” O primeiro papel de destaque veio no drama “O Filho do Samurai” (1937), uma coprodução alemã, em que ela interpretou uma donzela que tentava, em sacrifício, jogar-se em um vulcão. O sucesso foi tanto que Setsuko continuou a viver heroínas trágicas em diversos filmes até a 2ª Guerra Mundial, que diminuiu o ritmo de lançamentos do país. Quando a produção cinematográfica foi retomada, Akira Kurosawa a convidou a estrelar o clássico “Não Lamento Minha Juventude” (1946), como a filha de um professor universitário que cai em desgraça política, representando as contradições, angústias e sentimentos de culpa da geração do pós-guerra. Ela também trabalhou com o diretor Kimisaburo Yoshimura em “A Ball at the Anjo House” (1947) e com Keisuke Kinoshita em “Here’s to the Girls” (1949), nos quais foi retratada como a “nova mulher japonesa”, além de voltar a filmar com Kurosawa na adaptação japonesa de “O Idiota” (1951), clássico literário de Fiódor Dostoiévski. No entanto, foi a parceria com Yasujirō Ozu, iniciada em 1949, que teve maior impacto em sua carreira. No primeiro longa da parceria, “Pai e Filha” (1949), ela viveu Noriko, uma mulher adulta que se recusava a se casar e sair de casa, preferindo dedicar sua vida a cuidar do pai, apesar dos esforços da família para convencê-la a noivar. O filme tornou-se um dos maiores clássicos japoneses, considerado um dos mais perfeitos dramas de estudo de personagens já realizados e o 15º melhor filme de todos os tempos (segundo a eleição mais recente do British Film Institute). O sucesso do filme consolidou a imagem de Setsuko como uma filha dedicada a seus pais, inspirando o apelido pelo qual ela ficou conhecida: a Virgem Eterna. Até certo ponto, a realidade espelhava esse papel. Em uma sociedade que considerava o casamento e a maternidade quase obrigatórios, ela permaneceu solteira e sem filhos, sobrevivendo às controvérsias apenas porque era popular o suficiente para evitar as fofocas. Ozu, entretanto, quis mostrar uma Noriko diferente no segundo filme da parceria. Mantendo o nome da personagem em “Também Fomos Felizes” (1951), a atriz mostrou que a relutância em se casar não representava uma devoção paterna equivocada. Era um ato de independência. Na trama, a família se preocupava por Noriko se manter solteira aos 28 anos de idade. Mas a jovem era uma típica representante do Japão do pós-guerra, em que as mulheres trabalhavam e não dependiam de homens para sustentá-las, optando por se casar apenas se quisessem e não por conveniência ou tradição. Setsuko também mostrou que o casamento não era essa maravilha toda, ao estrelar o drama “Vida de Casado” (1951), de Mikio Naruse, no qual se mostrava infeliz ao perceber que, após o matrimônio, sua vida resumira-se a cozinhar e limpar a casa. O terceiro filme que estrelou para Ozu, “Era uma Vez em Tóquio” (1953), ilustrou outro ângulo dos temas anteriormente visitados. Nele, a atriz interpretava uma viúva, também chamada Noriko, cujo marido morreu na guerra. Sua devoção ao falecido, porém, já persistia por mais de uma década, a ponto de preocupar os familiares por sua recusa em se casar novamente. Ela era, entretanto, a única que dava atenção aos pais idosos de seu marido, que viajaram do interior para Tóquio, numa rara visita aos filhos distantes, apenas para serem recebidos com indiferença. Os cunhados de Noriko, tão absorvidos em suas próprias vidas, preferiam ignorar os sentimentos dos pais, enquanto a viúva lhes recebia com o respeito e a devoção de uma filha de verdade, num retrato da degradação das famílias, alimentada pela correria da vida moderna. “Era uma Vez em Tóquio” encerrou a chamada “trilogia Noriko” sob elogios e aplausos ainda mais retumbantes que os de “Pai e Filha”, atingindo status de obra-prima mundial. Considerado um dos trabalhos mais importantes do cinema, ocupa atualmente o 3º lugar na lista do British Film Institute dos melhores filmes de todos os tempos, além de liderar uma lista alternativa do mesmo instituto, com votação exclusiva de cineastas. A atriz ainda estrelou mais três longas de Ozu, “Crepúsculo em Tóquio” (1957), “Dia de Outono” (1960) e “Fim de Verão” (1961), sempre lidando com problemas de família, envolvendo especialmente os pais. O final de sua filmografia também teve espaço para duas aventuras dirigidas por Hiroshi Inagaki, vivendo uma deusa em “A Idade dos Deuses” (1959), sobre a origem do xintoísmo, e seu papel final em “Os Vingadores” (1962), a versão mais bem-sucedida da lenda espadachim dos 47 ronins. Em 1963, logo após a morte de Ozu, ela entrou em depressão e decidiu se afastar da indústria cinematográfica. Aos 43 anos, e no auge de sua popularidade, recusou-se a estrelar novos papeis, irritando seus fãs, a indústria e a imprensa do país, ao declarar que não fazia mais sentido continuar a carreira, pois nos últimos anos só filmava para sustentar seus parentes. Ela se mudou para uma pequena casa no litoral, em Kamakura, antiga capital do Japão, onde permaneceu, vivendo sozinha o resto de sua vida. A imprensa, porém, não se conformou com a decisão e passou a chamá-la de “Greta Garbo do Japão”, pela súbita reclusão. Segundo um sobrinho de 75 anos, ela cultivava a simplicidade e a humildade, e não queria chamar atenção para si, mesmo diante da perspectiva da própria morte.

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  • O Massacre da Serra Elétrica
    Etc

    Gunnar Hansen (1947 – 2015)

    17 de novembro de 2015 /

    Morreu o ator Gunnar Hansen, que ficou conhecido por interpretar o canibal Leatherface no clássico de terror “O Massacre da Serra Elétrica” (1974). Ele faleceu no sábado (7/11) de um câncer no pâncreas, em sua casa, no estado americano do Maine, aos 68 anos de idade. Gunnar Hansen nasceu em 4 de março de 1947 em Reykjavik, capital da Islândia, e se mudou para os EUA com a família quando ainda era criança. Ele passou a maior parte de sua juventude no Texas e estava fazendo pós-gradução em literatura na faculdade, visando virar poeta, quando soube de filmagens na região. Como precisava de dinheiro, procurou o diretor Tobe Hooper e acabou contratado para interpretar o psicopata canibal da motosserra, seu primeiro papel. O teste para viver o personagem foi uma curta entrevista. Em seu livro de memórias, Hansen recorda que o diretor explicou rapidamente o personagem, dizendo que ele tinha problemas mentais e, apesar de parecer aterrador, sofria abusos de sua própria família insana. As sequelas traumáticas de sua infância impediram seu desenvolvimento, a ponto de ele não conseguir falar, apenas grunhir como um porco. “Se eu sei grunhir como um porco? Eu posso aprender”, ele escreveu. “Só mais tarde descobri que não fui contratado pelos meus grunhidos, mas porque eu era o homem mais alto e forte que tinha se candidatado ao papel”. Mesmo assim, Hansen se empenhou para interpretar o monstro, visitando escolas de crianças especiais, para determiner os maneirismos de Leatherface, o assassino que usava uma máscara feita da pele de suas vítimas, como o notório serial killer Ed Gain. Integrante mais assustador de uma família de canibais, ele perseguia com sua motosserra um grupo de amigos, que entrara na estrada errada no interior do Texas. Suas cenas se tornaram antológicas graças à improvisação do ator, que passou a brandir a motosserra de forma perigosa para sua própria segurança. Em busca de realismo, Tobe Hooper filmou até sangue real, quando a atriz Marilyn Burns se cortou inteira ao esbarrar em arbustos durante a perseguição mais famosa da trama, com Leatherface tocando o terror em seu encalço. Em 1999, a revista Entertainment Weekly elegeu “O Massacre da Serra Elétrica” como o segundo filme mais assustador de todos os tempos, atrás apenas de “O Exorcista” (1973). Mas na época em que foi lançado, o filme perturbou muito mais que a superprodução do diabo, sendo proibido em diversos países. No Reino Unido e na Escandinávia, por exemplo, só foi liberado, justamente, em 1999! Após a repercussão de sua estreia, Hansen apareceu em outro terror, “Demon Lover” (1977), num pequeno papel, mas a produção era tão trash que ele decidiu que não valia a pena investir na carreira de ator de filmes de horror. Em vez disso, decidiu seguir seu plano original de se tornar escritor. Hansen se mudou para o Maine e se dedicou a escrever, rejeitando, inclusive, a oferta de um papel em outro clássico, “Quadrilha de Sádicos” (1977), de Wes Craven. Sem sucesso literário, acabou voltando ao cinema em 1988, numa comédia trash de terror rodada em menos de uma semana: “Hollywood Chainsaw Hookers”. Parodiando seu personagem clássico, ele interpretava o líder de um culto de prostitutas adoradoras de motosserras. Desde então, Hansen filmou mais de 20 terrores baratos, alguns feitos diretamente para vídeo e a maioria jamais lançada no Brasil. Sem o pudor de se envolver novamente com motosserras, como em “Chainsaw Sally” (2004) ou em produções intituladas “massacre”, ele enfrentou psicopatas até em sua terra natal, no terror de sobrevivência marítima “Reykjavik Whale Watching Massacre” (2009). Em meio à pilha de lançamentos trash, vale citar ainda “Mosquito” (1995), no qual Gunnar enfrentava mosquitos gigantes com sua motosserra, e “Brutal Massacre: A Comedy” (2007), história de um diretor de terror decadente que tenta realizar sua última obra. Esta produção reuniu o ator com outras lendas do terror, como David Naughton (“Um Lobisomem Americano em Londres”), Ken Foree (“O Despertar dos Mortos”), Mick Harris (criador da série “Masters of Horror”), Ellen Sandweiss e Betsy Baker (ambas de “A Morte do Demônio”). Sua última aparição no cinema acabou sendo, apropriadamente, em “O Massacre da Serra Elétrica 3D – A Lenda Continua” (2013). Ele fez uma pequena participação na sequência, ao lado da colega de elenco Marilyn Burns, além de surgir em cenas extraídas do filme original, usadas como flashback, como o próprio ícone da franquia, o monstro Leatherface.

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    Melissa Mathison (1950 – 2015)

    16 de novembro de 2015 /

    Morreu a roteirista Melissa Mathison, que foi indicada ao Oscar pela história de “E.T. – O Extraterrestre” (1982). Ela faleceu na quarta-feira (4/11), aos 65 anos, de câncer, em um hospital de Los Angeles. Natural de Los Angeles, Melissa nasceu em 3 de junho de 1950, cresceu em Hollywood Hills, perto do emblemático cartaz de Hollywood, e conviveu desde criança com muitos artistas, que frequentavam a casa de seu pai, chefe de redação da revista Newsweek. Essas amizades de infância acabaram mudando seu destino, fazendo com que desistisse de um trabalho na faculdade de Ciências Políticas de Berkeley para trabalhar no cinema. Sua carreira começou por acaso, com o convite de um amigo da família, que precisava de ajuda no set de seu novo filme. O amigo era Francis Ford Coppola, para quem Melissa costumava trabalhar como baby-sitter. Ela foi ao set de filmagem acompanhar a pequena Sofia, então com três anos de idade, que participaria de uma cena do filme, e auxiliou Coppola a lidar com a filha. O diretor acabou lhe passando outras tarefas e, ao final, a convidou a trabalhar na produção. Melissa estreou no cinema aos 23 anos, como sua assistente no set de “O Poderoso Chefão II” (1974). Coppola não esqueceu da jovem auxiliar ao organizar sua produção seguinte. Ela voltou a ser sua assistente na jornada épica de “Apocalypse Now” (1979), filme em que conheceu seu futuro marido, o ator Harrison Ford. Durante a filmagem, ela ainda ajudou a revisar o roteiro. O que inspirou o diretor a lhe aconselhar a escrever para o cinema. Melissa aceitou o desafio e desenvolveu a adaptação do clássico literário infantil “O Corcel Negro”, que Coppola produziu. Lançado em 1979, o filme se tornou um grande sucesso e foi indicado a dois Oscars. O roteiro de “O Corcel Negro” impressionou outro cineasta no auge de sua criatividade. Há anos, Steven Spielberg queria filmar uma história sobre um alienígena abandonado na Terra, mas, sem consegur encontrar a forma de contá-la, sondou a jovem roteirista. Melissa encontrou o caminho ao escrevê-la como uma fábula sobre um menino e seu melhor amigo, que em vez de ser um cachorrinho era um alienígena perdido, usando sua experiência como baby-sitter para criar diálogos inesquecíveis para as personagens crianças. “E.T. – O Extraterrestre” virou um fenômeno. “Era um script que me deu vontade de filmar imediatamente”, disse Spielberg, nos extras do DVD de “E.T.”. “A voz de Melissa fez uma conexão direta com o meu coração”, ele completou. Ela também atuou como produtora assistente e fez uma figuração como enfermeira no filme, que quebrou recordes de bilheteria, faturando US$ 359 milhões só nos EUA – US$ 792 milhões em todo o mundo. Maior sucesso de 1982, ainda foi indicado a nove Oscars, entre eles os de Melhor Filme e Roteiro. Venceu quatro, de trilha (do mestre John Williams) e prêmios técnicos. Consagrada, ela escreveu outro filme infantil produzido por Coppola, “O Pequeno Mágico” (1983), e o segmento dirigido por Spielberg na antologia “No Limite da Realidade” (1984), homenagem cinematográfica à série clássica “Além da Imaginação” (The Twilight Zone). Mas a ascenção fulminante foi interrompida após seu casamento com Harrison Ford e o nascimento de seus dois filhos. A família optou por se afastar de Hollywood para ir morar em 1983 numa fazenda de 700 acres no interior do Wyoming, onde Melissa priorizou cuidar dos filhos. “Eu tenho duas crianças pequenas”, ela disse à Newsweek, na época. “Eu não quero perder a infância delas me ausentando para escrever filmes sobre outras crianças”. A roteirista só foi voltar a trabalhar após mais de uma década, quando os filhos já estavam mais grandinhos. O retorno se deu, para variar, com a história de uma nova fantasia infantil, “A Chave Mágica” (1995), dirigido por Frank Oz, um dos responsáveis pelo sucesso dos Muppets. Mas a essa altura ela já desenvolvia planos mais ambiciosos. Melissa, que era budista, tinha conhecido o Dalai Lama em 1990, por intermédio do ator Richard Gere, e no encontro o convenceu que sua infância daria um belo filme, capaz de ajudar a promover o budismo. A partir dali, foram várias conversas e revelações, com viagens até a Índia, onde o Lama residia, até a escritora se dar por satisfeita. “Eu sou meio que famosa por histórias de meninhos, e esta é uma história fantástica de menininho, cheia de fantasia, mas totalmente real”, ela explicou, em entrevista ao jornal The New York Times em 1996. O roteiro rendeu uma parceria com outro mestre do cinema, o cineasta Martin Scorsese, que dirigiu sua história em “Kundun” (1997). O filme foi indicado a quatro Oscars. E pelos anos seguintes Melissa se dedicaria à causa da libertação do Tibete, participando do comitê internacional pela independência do país, invadido pela China em 1951. Ela se divorciou de Harrison Ford em 2004 e estava curtindo sua aposentadoria quando Spielberg foi procurá-la no ano passado para retomar a parceria. O cineasta lhe encomendou o roteiro de seu próximo filme, apropriadamente uma fantasia infantil, adaptando o livro “The BFG”, de Roald Dahl, sobre a amizade de uma menina e um gigante camarada, que invade os quartos das crianças para soprar-lhes bons sonhos. Juntos, eles partem para a terra dos sonhos, onde encontram outros gigantes, que não são camaradas e só gostam de crianças como jantar. Mas, com a ajuda da Rainha da Inglaterra, conseguem prendê-los e viver felizes para sempre. Spielberg estava no meio do processo de pós-produção quando Melissa faleceu. Emocionado, ele divulgou uma nota em homenagem à velha amiga, dizendo: “Melissa tinha um coração que brilhava com generosidade e amor e viveu com a mesma luz que deu a E.T.”.

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    Colin Welland (1934 – 2015)

    16 de novembro de 2015 /

    Morreu o ator e roteirista britânico Colin Welland, vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original por “Carruagens de Fogo” (1981). Welland , que sofria do mal de Alzheimer há vários anos, faleceu na segunda-feira (2/11), aos 81 anos, durante o sono, anunciou sua família. Ele nasceu Colin Williams em Lancashire, na Inglaterra, em 4 de julho de 1934, filho de um estivador, e estudou para se tornar professor de Artes Dramáticas em Manchester. Após as aulas, costumava ir a um bar frequentado por funcionários da Granada TV, o canal 3 do Norte da Inglaterra, na esperança de conseguir um emprego na produção de séries. Ironicamente, acabou conhecendo e integrando uma trupe de teatro, que lhe rendeu, após aparecer em algumas peças, convite para atuar numa nova e revolucionária série policial exibida no canal. Sua estreia na TV foi como um dos detetives coadjuvantes de “Z Cars”, drama policial passado no Norte da Inglaterra, com sotaques até então pouco ouvidos na televisão britânica. A trama girava em torno de patrulhas de carros da polícia e marcou época por seu realismo social, explorando a criminalidade derivada do desemprego, ao mesmo tempo em que apresentava um retrato pouco simpático das autoridades. Colin participou das cinco temporadas originais da produção, em 87 episódios exibidos entre 1962 e 1965. Logo depois, foi convidado a estrear no cinema por ninguém menos que Ken Loach, encantando a crítica com seu papel em “Kes” (1969), um dos filmes mais célebres do cineasta inglês. Welland venceu o BAFTA (o Oscar britânico) de Melhor Ator Coadjuvante por interpretar o único professor simpático da trama, que incentivava o jovem protagonista, um estudante pobre e vítima de bulling, cujo único amigo era um falcão. Após aparecer como um pastor em outro clássico de outro mestre do cinema, o ultraviolento “Sob o Domínio do Medo” (1971), de Sam Peckinpah, ele passou a escrever roteiros de TV. Assinou muitos teleteatros para a BBC, deixando a carreira de ator um pouco de lado. Ainda assim, pôde ser visto em “O Vilão” (1971), no filme derivado da série “Sweeney!” (1977) e como um dos protagonistas da série de comédia “Cowboys” (1980-1981), entre outras aparições, cada vez mais raras. Logo escreveu seu primeiro roteiro de cinema, “Os Yankees Estão Voltando” (1979), dirigido por John Schlesinger. O drama, sobre relacionamentos entre soldados americanos e a comunidade britânica durante a 2ª Guerra Mundial, rendeu-lhe uma indicação ao BAFTA de Melhor Roteiro. A repercussão positiva o inspirou a escrever outro drama histórico, sobre dois atletas britânicos, que superaram diferenças de classe e religião para formar um time imbatível nos Jogos Olímpicos de Paris em 1924. Dirigido por Hugh Hudson, “Carruagens de Fogo” (1981) foi indicado a sete Oscars. Venceu quatro, incluindo Melhor Filme e Roteiro Original, escrito por Welland. Além disso, consagrou imagens e uma trilha sonora, assinada por Vangelis, que passaram a representar o espírito olímpico dali em diante. Tanto que, 30 anos depois, a abertura dos Jogos Olímpicos de Londres rendeu-lhe homenagem em 2012. Curiosamente, o filme era tido como azarão no Oscar de 1982. Dramas britânicos não venciam o prêmio de Melhor Filme desde “Oliver”, em 1968. Além disso, a crítica estava dividida desde sua première no Festival de Cannes. Na ocasião, Roger Ebert, fã da produção, juntou os críticos americanos para dar ao filme um prêmio especial, separado dos críticos internacionais, que estavam sendo influenciados pelo repúdio dos franceses à forma como o roteiro tratava seu país. Parte das resenhas americanas também preferiu desdenhar a trama, considerada britânica demais. “A reação a ‘Carruagens de fogo’ na América foi a seguinte: quem quer ouvir a história de dois atletas de 1924?”, lembrou Welland, em um artigo de 2001. “Quando exibimos em Twickenham, um produtor de Hollywood deixou a sala depois de dez minutos. No fim, ele voltou e disse que não tinha interesse. Quando nós ganhamos quatro Oscars, não sei onde ele se escondeu”. Welland também fez história ao receber seu prêmio, rendendo, com seu discurso, um dos grandes momentos do Oscar. Com a estatueta nas mãos, ele bradou “Os britânicos estão chegando!”, alusão a uma conhecida frase da revolução americana, mas também um prenúncio certeiro do que viria. Depois da vitória de “Carruagens de Fogo”, os longas britânicos deixaram de ser azarões, tornando-se favoritos a acumular troféus da Academia de Artes e Ciências de Hollywood. O sucesso também cercou seu próximo trabalho de expectativas. Mas Welland experimentou bloqueio criativo e levou anos para materializar seu roteiro seguinte, “Duas Vezes na Vida”, que só chegou aos cinemas em 1985. A história de infidelidade conjugal, estrelada por Gene Hackman, Ellen Burstyn e Ann-Margret, chegou a ser especulada para o Oscar, mas o próprio escritor implodiu suas chances de indicação, ao admitir que tinha adaptado a ideia de um antigo roteiro televisivo feito para a BBC em 1973. Ele nunca mais conseguiu repetir o sucesso de “Carruagens de Fogo”. Pior que isso, dos dez novos roteiros que escreveu, só dois viraram filmes. Para aumentar a injúria, o script de um deles, “Assassinato Sob Custódia” (1989), sobre as crueldades do apartheid em África do Sul, foi totalmente modificado pela diretora, a francesa Euzhan Palcy. Seu último roteiro de cinema foi a versão britânica de “A Guerra dos Botões” (1995) , refilmagem do clássico francês homônimo de 1962, por sua vez baseado no romance de Louis Pergaud, sobre a rivalidade brutal das crianças de duas vilas vizinhas. Sua maior frustração foi nunca ter conseguido tirar do papel o roteiro sobre a história das locomotivas a vapor, uma invenção do engenheiro Robert Stephenson. “Os produtores americanos disseram que era mais ‘Carruagens de Fogo’ e não se interessaram. Mas era um drama histórico fantástico. Robert Stephenson não sabia ler e escrever, mas foi o maior engenheiro de sua geração. Ele tinha o mundo contra ele e precisou lutar contra os esnobes para realizar uma revolução industrial. E quanto mais eu tentava explicar, mais ouvia: ‘É mais ‘Carruagens de Fogo’”. Sem conseguir emplacar seus roteiros, ele voltou a aparecer como ator em algumas produções televisivas dos anos 1990. Sua última interpretação foi ao ar na série “Bramwell”, em 1998. Logo depois, viria o Alzheimer. “Alzheimer é uma doença cruel, e passamos por momentos difíceis. Mas, no fim, Colin morreu em paz durante o sono. Temos orgulho das conquistas dele ao longo da vida, mas — acima de tudo — vamos sentir falta do amigo, marido, pai e avô amoroso”, disse sua esposa Patricia. Os dois eram casados desde 1962.

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  • Filme

    Maureen O’Hara (1920 – 2015)

    15 de novembro de 2015 /

    Morreu a lendária atriz Maureen O’Hara, uma das maiores estrelas da era de ouro de Hollywood, conhecida por papeis de mulheres fortes. Ela faleceu no sábado (24/10), enquanto dormia em sua casa em Boise, no estado americano de Idaho, aos 95 anos de idade. Em seus últimos momentos, os parentes a homenagearam colocando para tocar a trilha de seu filme favorito, “Depois do Vendaval” (1952), no qual protagonizou um dos beijos mais celebrados do cinema. Com uma carreira repleta de sucessos, Maureen chegou a ser chamada de “a rainha do Technicolor”. Seus olhos verdes e cabelo ruivo incandescente marcaram época em clássicos de cores vibrantes. Mas, além de ícone de beleza, ela era reconhecidamente talentosa, tornando-se uma das atrizes favoritas do exigente John Ford, com quem fez cinco filmes. Irlandesa legítima, também tinha um gênio explosivo, que contrastava com o sorriso encantador exibido em seus filmes. Estrelou mais de 60 longas, quase todos campeões de bilheteria. Ela nasceu Maureen FitzSimons em Dublin, na Irlanda, em 17 de agosto de 1920, numa grande família católica. Tinha cinco irmãos, mas nunca passou necessidades. Seu pai era um empresário bem-sucedido do ramo de roupas, que ainda possuía um time de futebol – o Shamrock Rovers. E sua mãe era uma cantora de ópera e também uma costureira renomada. Encantada com a carreira artística da mãe, ela frequentou escolas de representação desde criança, sonhando em virar uma atriz de teatro. Com apoio da família, estudou drama, canto e dança dos 6 aos 17 anos de idade, vencendo diversos prêmios de teatro amador, ao mesmo tempo em que aprendeu contabilidade e datilografia por insistência do pai – para ter uma profissão, caso a vida teatral não desse certo. Curiosamente, estas habilidades se provariam úteis até mesmo no cinema, quando, anos mais tarde, ela precisou transcrever notas de John Ford sobre a adaptação cinematográfica de “Depois do Vendaval”. Aos 18 anos, Maureen viajou para Londres com a mãe, decidida a fazer testes para o cinema. Ela fez sua estreia em 1938, aparecendo em seu primeiro filme, “Kicking the Moon Around”, uma comédia musical em que viveu uma secretária, dizendo apenas uma frase. Este começo modesto seria relançado anos depois, após ela se tornar famosa, com o título “Millionaire Merry-Go-Round” e destacando o nome da mera figurante em exibições na televisão. Após o segundo filme, “My Irish Molly” (1938), outra comédia musical derivativa, Maureen nunca mais usou seu nome real. A obra também foi o fim de sua carreira de figurante. Ela não passou no teste para conseguir novos papeis. Usando maquiagem pesada, um penteado ornamental e um vestido de lamé dourado, com mangas no formato de asas, a atriz se sentiu presa e constrangida diante das câmeras. Chegou a pensar que não servia para aquilo. E o estúdio concordou. O teste infame, porém, não foi destruído. Como de praxe, ele acabou exibido, entre diversos outros, para equipes de produção. Charles Laughton, o primeiro ator inglês a vencer o Oscar por um papel num filme britânico (“Os Amores de Henrique VIII”, de 1933), foi dos curiosos que assistiu ao rolo. Ele tinha capitalizado seu status de celebridade para formar uma sociedade com o igualmente famoso produtor alemão Erich Pommer (de “Metrópolis” e diversos clássicos expressionistas), com quem fundou o estúdio Mayflower Pictures. Em busca de novos talentos para seu estúdio, viu algo sob a maquiagem e a roupa exageradas, convencendo seu sócio de que havia muita expressividade no olhar da atriz, apesar daquele desempenho horrível. Laughton apostou alto, assinando um contrato de sete anos com a jovem, acreditando que ela explodiria assim que aparecesse nas telas. Para distanciá-la ainda mais de seu começo de figurações, convenceu-a ainda a mudar de nome, virando Maureen O’Hara. Era mais sonoro e menor para escrever nas markees (o quadro que costumava ficar na parte superior das fachadas dos cinemas, anunciando a programação). Quando eu cheguei em Hollywood, lamentei não poder ter feito mais papéis dramáticos, porque eu fotografava tão belamente à cores” – Maureen O’Hara O nome Maureen O’Hara já surgiu como estrela das markees, protagonizando o próximo filme estrelado por Laughton, “A Estalagem Maldita” (1939), um suspense de época dirigido por ninguém menos que Alfred Hitchcock. Nos bastidores, ela acabou se envolvendo com um produtor associado, George H. Brown, com quem se casou secretamente. O enlace foi mantido longe da imprensa para criar a ilusão de que ela ainda poderia ser conquistada. Como previsto, sua presença foi um dos destaques da produção e Laughton imediatamente a escalou para coestrelar “O Corcunda de Notre Dame” (1939), vivendo a mais bela cigana Esmeralda do cinema, na adaptação do clássico literário de Victor Hugo. Comprovando que seu casamento tinha sido um impulso, ela se envolveu com o diretor de diálogos do longa, William Houston Price, que virou seu marido em 1941. Seu contrato ainda previa cinco filmes, o que a fez imaginar uma nova vida em Londres. Aos 19 anos, comprou seu primeiro imóvel, uma casa nas imediações do Hyde Park, onde planejava passar os próximos anos. Entretanto, não morou mais do que alguns meses naquela residência. Naquele mesmo ano, explodiu a 2ª Guerra Mundial e, com os bombardeios que se seguiram, filmar em Londres tornou-se cada vez mais difícil. Erich Pommer, o sócio de Laughton, estava negociando a distribuição de seus filmes em Nova York quando a guerra começou. Como era cidadão alemão, viu-se proibido de viajar de volta para a Inglaterra – apesar de ter sido praticamente expulso da Alemanha pelos nazistas. Sem alternativa, fechou um contrato com a RKO Pictures, cedendo sua nova estrela para o estúdio americano, para quem também passou a trabalhar. O próprio Laughton viria logo em seguida, diante da paralização da indústria cinematográfica britânica. E foi assim, por acaso, que Maureen O’Hara desembarcou em Hollywood, fazendo sua estreia americana em “Vítimas do Divórcio” (1940), um melodrama escrito por Dalton Trumbo e dirigido por John Farrow. Como a mudança aconteceu sem muito planejamento, a jovem atriz se sentiu como uma exilada, longe da família, dos amigos e de sua terra natal, compensando a solidão com o acúmulo de trabalho, a ponto de filmar até cinco longas por ano. Muitas dessas produções eram comédias musicais baratas que não mereciam o seu talento – uma delas, “A Vida é uma Dança” (1940), foi um dos dois filmes que Pommer produziu para a RKO. A rotina de mediocriadade foi interrompida pela chegada de John Ford em sua vida. Em 1941, o gênio americano a escalou em um de seus dramas mais bem-sucedidos, “Como Era Verde o Meu Vale”, retrato de uma família de mineiros, que venceu o Oscar de Melhor Filme e rendeu a Ford sua terceira estatueta de Melhor Diretor. O drama teve grande impacto, mas, ao assinar com a 20th Century Fox para participar de sua produção, Maureen acabou sofrendo com a limitação do estúdio. A especialidade da Fox eram filmes de aventura, e a atriz viu sua carreira seguir nessa direção, estrelando diversos longas de capa e espada e westerns nos anos que se seguiram. Ela fez sua estreia em Technicolor com “Defensores da Bandeira” (1941), na qual viveu uma enfermeira militar, e ficou tão bonita a cores que passou a ser requisitadíssima para as produções mais caras do estúdio. Logo, estrelou seu primeiro western, “Dez Cavalheiros de West Point” (1942), de Henry Hathaway, seguido por seu primeiro longa de piratas, “O Cisne Negro” (1942), de Henry King. “Eu sempre fui uma moleca. E me pagaram para continuar sendo por toda a minha vida” – Maureen O’Hara Com os papeis nestas aventuras, ela também estabeleceu sua reputação de não levar desaforo para casa. Quando Tyrone Power lhe roubou um beijo em “O Cisne Negro”, ela o nocauteou. Quando Paul Henreid tentou repetir a ousadia, em “O Pirata dos Sete Mares” (1945), ela conseguiu que ele fosse açoitado. Suas mocinhas não eram donzelas indefesas e nem ela própria se mostrava carente na vida real, mesmo vivendo longe da família e contando apenas consigo mesma para se livrar do assédio de alguns astros, como Errol Flynn, que ela mandou para aquele lugar durante um episódio de atrevimento. Distante da Grã Bretanha, ela encontrou conforto em voltar a contracenar com seu velho amigo Charles Laughton em “Esta Terra é Minha” (1943), sob o comando de outro célebre exilado em Hollywood, o cineasta francês Jean Renoir. Na trama, os dois astros viveram professores determinados a resistir à ocupação nazista de sua cidade. Maureen também estrelou seu primeiro filme noir naquele ano, “Beijo da Traição” (1943), vivendo um raro papel de femme fatale, com o cabelo tingido de preto para completar a estranheza da personagem em sua filmografia. Mas logo voltou à rotina das mocinhas das matinês, coestrelando a cinebiografia do pistoleiro “Buffalo Bill” (1944) e as aventuras marítimas “O Pirata dos Sete Mares” (1945) e “Simbad, o Marujo” (1947). Nesta última, contracenou com Douglas Fairbanks Jr., um dos maiores espadachins do cinema. Ao mudar mais uma vez de gênero e estrelar seu primeiro filme infantil, acabou protagonizando um dos principais blockbusters da década, o clássico natalino “De Ilusão Também Se Vive” (1947), como a dona de uma loja de departamentos que contrata um Papai Noel bom demais para ser verdade. Ele não só se comunica com crianças em vários idiomas, como também parece saber tudo o que elas desejam. O problema é que ele acredita ser realmente Papai Noel, o que leva o psicólogo da loja a interná-lo como louco. E para livrar o simpático velhinho do hospício, a personagem de Maureen e sua filha (a fabulosamente precoce Natalie Wood) precisam abandonar o ceticismo para ajudar a provar num tribunal que ele é realmente quem diz ser: Papai Noel. A história comoveu a América, foi indicada ao Oscar e rendeu ao cineasta George Seaton a estatueta de Melhor Roteiro. Adentrando o imaginário coletivo, tornou-se programa obrigatório da TV americana no período do Natal, sendo reprisada anualmente. Além disso, foi refilmado mais três vezes – duas especificamente para a televisão. O remake mais recente, feito para o cinema, foi lançado no Brasil como “Milagre na Rua 34” (1994), tradução literal do título original. A popularidade da atriz, porém, continuou a ser desperdiçada pelo estúdio em produções de época e comédias inconsequentes. Mas ela ainda tinha a obrigação de fazer um filme por ano para a RKO. E calhou de ser um novo clássico, o noir “O Segredo de uma Mulher” (1949), dirigido por Nicholas Ray. Na trama, a personagem de Maureen assumia a tentativa de assassinato de sua pupila, uma cantora mais jovem, vivida por Gloria Grahame. Mas a ligação com a jovem, que ela tentara transformar em estrela após perder a própria voz, e a insistência em assumir o crime sugeriam uma história mais complexa, assinada por Herman J. Mankiewicz, o roteirista de “Cidadão Kane” (1941). Em 1950, ela assinou contrato com a Universal Pictures e foi estrelar “Bagdad”, aventura romântica do subgênero maldosamente chamado de “areia e seios”, filmes repletos de odaliscas em trajes sumários, que o estúdio explorava desde “As Mil e uma Noites” (1942). A personagem da atriz era uma princesa beduína que voltava a seu reino, após estudar na Grã-Bretanha, para enfrentar um complô de renegados, responsáveis pelo assassinato de seu pai, e o cortejo de um árabe repulsivo, encarnado por Vincent Price. A fórmula voltou a ser evocada em “Paixão de Beduíno” (1951), mais um filme de princesa árabe que a irlandesa protagonizou, com Lon Chaney Jr. na pele do malvado assanhado. Estes filmes alimentaram sua fama de estrela sensual, que ela complementava com papeis de mulheres duronas. Tanto que, para o western “Terra Selvagem” (1950), aprendeu a manejar o chicote, gabando-se de poder apagar um cigarro na boca de quem se arriscasse a duvidar de sua capacidade com o laço de couro. No mesmo ano, ela retornou à pirataria, estrelando “Tripoli” (195O), aventura escrita e dirigida por seu marido Will Price. E, com isso, deu sua missão de esposa por cumprida, divorciando-se logo em seguida. Sobre os bastidores da filmagem, ela registrou em sua biografia...

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    Yoná Magalhães (1935 – 2015)

    14 de novembro de 2015 /

    Morreu a atriz Yoná Magalhães, primeira estrela das novelas da rede Globo e protagonista de um dos maiores clássicos do cinema brasileiro. Ela estava internada desde o dia 18 de setembro na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, e faleceu na terça (20/10) após uma cirurgia para corrigir uma insuficiência cardíaca, aos 80 anos de idade. Yoná Magalhães Gonçalves Mendes da Costa nasceu em 7 de agosto de 1935 no bairro carioca do Lins de Vasconcelos, e virou atriz por necessidade, para ajudar na renda familiar quando o pai ficou desempregado, ainda na década de 1950. Começou fazendo figuração e pequenos papeis na TV Tupi, quando a TV dava seus primeiros passos e, aos 20 anos, integrou o elenco da telenovela “As Professoras” (1955), exibida ao vivo, antes da chegada dos videotapes. Apareceu em teleteatros da emissora e em dois filmes, “Pista de Grama” (1958) e “Alegria de Viver” (1958), antes de uma excursão teatral levá-la para a Bahia, onde se casou com o produtor Luís Augusto Mendes e se estabeleceu. A mudança para Salvador a levou a trabalhar com o grupo de teatro A Barca em produções da TV Itapoã. Mas principalmente a colocou no lugar certo e na hora certa em que Glauber Rocha procurava formar o elenco de sua obra-prima, “Deus e o Diabo na Terra do Sul” (1964) – com a ajuda de seu produtor, casado com Yoná. Por ocasião do cinquentário do filme, Yoná contou que o então marido, Luiz Augusto, foi quem convenceu Glauber a chamá-la para o papel de Rosa, uma personagem que lhe proporcionou umas das atuações mais importantes de sua carreira. “Creio que Glauber teria outra atriz em mente, porém se viu levado a me aceitar, cofiando mais em sua habilidade como diretor do que em meu talento. E ele estava certo: criou a Rosa e conseguiu fazer com que uma atriz iniciante, apesar de já ser profissional, realizasse uma grande performance”, ela contou no ano passado, em depoimento ao UOL. No grande clássico do Cinema Novo, Yoná interpretou a sofrida Rosa, mulher de Manoel (Geraldo Del Rey). Juntos, eles aderem ao bando do cangaceiro Corisco (Othon Bastos), braço-direito de Lampião, após Manoel, trabalhador pobre e explorado, matar o próprio patrão. O filme marcou época e se tornou a obra mais reverenciada do cinema brasileiro de todos os tempos. “Deus e o Diabo na Terra do Sol” deixou a crítica de joelhos e impulsionou a carreira de Yoná. Ela ainda faria a comédia “Society em Baby-Doll” (1965), de Luiz Carlos Maciel, mas logo não teria mais tempo para o cinema. No mesmo ano, assinou contrato de exclusividade com a recém-inaugurada TV Globo e virou a maior estrela da emissora. Yoná formou o primeiro par romântico de sucesso das telenovelas do canal com o ator Carlos Alberto, começando a parceria com “Eu Compro esta Mulher”, exibida em 1966. No mesmo ano, os dois se casaram, permanecendo juntos até 1971. O casal rapidamente se transformou na dupla preferida da novelista cubana Glória Magadan, responsável pela dramaturgia da emissora, o que transformou Yoná na rainha das telenovelas da Globo. Ela encaixou cinco produções seguidas da escritora. Além de “Eu Compro Esta Mulher”, estrelou “O Sheik de Agadir” (1965), “A Sombra de Rebeca” (1966), “O Homem Proibido” (também conhecido como “Demian, o Justiceiro”, 1968) e “A Gata de Vison” (1968). Atuou ainda em “A Ponte dos Suspiros”, de Dias Gomes, consagrando-se no período das adaptações dos folhetins de época por sua versatilidade, que lhe permitiu aparecer na telinha como espanhola, japonesa, indiana, francesa, norte-americana e italiana. Em 1970, Yoná e Carlos Alberto foram contratados a peso de ouro pela TV Tupi, para atuarem na novela “Simplesmente Maria”. Mas com o fim de seu casamento, a atriz retornou à Globo, vivendo sua primeira vilã em “Uma Rosa com Amor” (1972). Ela seguiu aparecendo em produções de sucesso, como “O Semideus” (1973), “Corrida do Ouro” (1974), “Cuca Legal” (1975), “Saramandaia” (1976) e acabou causando controvérsia em “O Grito” (1975), de Jorge Andrade, pela sensualidade de sua personagem, a secretária Kátia. Outro papel importante se materializou em “Espelho Mágico”, novela inovadora, que usava de metalinguagem. Seu personagem era Nora Pelegrine, uma atriz infeliz de novelas, que vivia das glórias e lembranças do passado. A história, porém, refletia de forma muito próxima a vida real, tanto que, após “Sinal de Alerta” (1978), a atriz cansou de viver coadjuvantes e voltou para a Tupi, onde protagonizou “Gaivotas” (1979). Na sequência, foi para a TV Bandeirantes, onde estrelou “Cavalo Amarelo” (1980), contracenando com Dercy Gonçalves, e foi a protagonista feminina de uma das mais ambiciosas produções da TV brasileira, “Os Imigrantes”, de Benedito Ruy Barbosa. Na trama, que se estendia por décadas, ela viveu a espanhola Mercedes, da juventude à velhice, bem como sua filha Mercedita. Os papéis renderam novo show de interpretação. A atriz voltou à TV Globo em 1984, com a novela “Amor com Amor se Paga”. E logo no ano seguinte participou de um dos maiores fenômenos de audiência da emissora, “Roque Santeiro” (1985). Na novela, viveu Matilde, mulher liberal, proprietária da Pousada do Sossego e da boate Sexu’s, o que lhe permitiu a criação de cenas antológicas com a colega Regina Duarte – a Viúva Porcina tinha ciúmes da amizade de Matilde com Sinhozinho Malta (Lima Duarte). Por conta do sucesso da personagem, ela foi convidada a posar nua para a revista Playboy. O detalhe: fez suas fotos sensuais no auge de seus 50 anos de idade. Sem diminuir o ritmo, viveu novos personagens marcantes, como a temperamental Índia do Brasil em “O Outro” (1987), a ex-prostituta milionária Lalá de “Vida Nova” (1988), a madastra de “Tieta” (1989), que fica alegre quando enviúva, e a fogosa e sofisticada Valentina Venturini de “Meu Bem Meu Mal” (1990). Durante a década de 1990, Yoná Magalhães atuou em mais seis novelas, quatro delas do autor Walther Negrão: “Despedida de Solteiro” (1992), “Anjo de Mim” (1996), “Era uma Vez” (1998) e “Vila Madalena” (1999). Esteve ainda em “Sonho Meu” (1993), de Marcílio Moraes, e “A Próxima Vítima” (1995), de Silvio de Abreu. Foi ainda mais ativa nos anos 2000, quando apareceu em sete novelas: “A Padroeira” (2001), “As Filhas da Mãe” (2001), “Agora É Que São Elas” (2003), “Senhora do Destino” (2004), “Paraíso Tropical” (2007), “Negócio da China” (2008) e “Cama de Gato” (2009). Além disso, completou sua participação na terceira minisséries de sua carreira: “Um Só Coração” (2004). As anteriores foram “Grande Sertão: Veredas” (1985) e “Engraçadinha” (1995). Mesmo com mais de 70 anos, a atriz ainda chamava atenção pela boa forma física. Em “Paraíso Tropical”, sua personagem tinha várias cenas em que fazia alongamentos, evidenciando sua silhueta atlética. “Eu sou vaidosa e fico feliz de ouvir as pessoas me elogiando, claro. Mas isso não é um mundo novo para mim. Sempre fiz alguma atividade”, disse em entrevista ao jornal O Globo na época, revelando o segredo de sua eterna beleza. Seus últimos trabalhos na TV foram as novelas da Globo “Tapas & Beijos” (2011) e “Sangue Bom” (2013). Ela deixa um filho, Marco Mendes, fruto do casamento com o produtor cinematográfico Luiz Augusto Mendes.

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