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Etc,  Filme,  Série|1 de janeiro de 2016

Wayne Rogers (1933 – 2015)

Morreu o ator Wayne Rogers, que ficou famoso como um dos protagonistas originais da série clássica “M*A*S*H”. Ele interpretou o médico Capitão John McIntyre, também conhecido como Trapper John – ou Caçador, na tradução brasileira – , ao longo de 73 episódios da série clássica de comédia. Rogers faleceu no dia 31 de dezembro, aos 82 anos de idade, vítima de complicações causadas pela pneumonia.

William Wayne McMillan Rogers III nasceu em 7 de abril de 1933, em Birmingham, Alabama. Formou-se em História e serviu na Marinha antes de iniciar sua carreira de ator, em Nova York, onde chegou a dividir o apartamento com outro astro iniciante, Peter Falk (o eterno “Columbo”).

Após atuar em diversas montagens teatrais, ele se lançou na televisão em dezenas de participações em séries dos anos 1960, como “Procurado Vivo ou Morto”, “Johnny Ringo”, “Alfred Hitchcock Apresenta”, “Paladino da Justiça”, “Gunsmoke”, “Os Invasores”, “O Fugitivo”, “Combate!”, “Big Valley” e “Lancer”, entre outras.

Também fez figurações em alguns filmes famosos, como o western “Assim Morrem os Bravos” (1965), escrito e dirigido por Sam Peckinpah, e o drama de prisioneiros “Rebeldia Indomável” (1967), dirigido por Stuart Rosenberg e estrelado por Paul Newman. Rosenberg, inclusive, voltou a escalá-lo mais duas vezes, nos dramas “A Sala de Espelhos” (1970) e “Meu Nome É Jim Kane” (1972), que igualmente repetiam o protagonismo de Newman.

A grande reviravolta em sua carreira ocorreu em 1972, quando ele foi escolhido para interpretar o Dr. John McIntyre na versão televisiva do filme “M*A*S*H” (1970), de Robert Altman, assumindo o papel que foi de Elliott Gould no cinema. A série estendeu por anos a premissa crítica do longa, por sua vez baseado nas experiências reais de um médico na Guerra da Coreia.

A trama acompanhava uma unidade médica do exército americano no front da guerra coreana. Os episódios lidavam com o estresse de ter que conviver cotidianamente com a morte de soldados, ao mesmo tempo em que extrapolavam a tensão com piadas, jogos de poder, bullying, camaradagem, corrupção, romance, bebedeiras, crises existenciais e surtos de loucura.

Caso raro entre as produções televisivas, “M*A*S*H” conseguiu superar, com folga, o original cinematográfico, mantendo no ar por 11 anos uma crítica qualificada contra a guerra, e isto em pleno período da Guerra do Vietnã. Apesar de passada na Coreia, as referências ao outro conflito asiático eram mais que evidentes na adaptação do roteirista e produtor Larry Gelbart, que também marcou época pela capacidade de injetar humanismo em seus personagens. A atração só saiu do ar em 1983, e ainda assim muito antes de entrar em decadência, com um episódio final que quebrou recordes, ao ser visto por 125 milhões de telespectadores, a maior audiência de uma série em todos os tempos.

Rogers interpretou o Caçador apenas nas três primeiras temporadas de “M*A*S*H”, entre 1972 e 1975. Ele antecipou sua saída da produção ao questionar seu contrato, que estabelecia que ele dividiria o protagonismo com Alan Alda. No entanto, Alda, que vivia o Dr. Benjamin Pierce, mais conhecido como Falcão, experimentou um surto inesperado de popularidade, que fez com que se tornasse a figura dominante da série. Considerando-se menosprezado, tendo cada vez menos espaço nos episódios, Rogers decidiu não renovar seu contrato. Reza a lenda que os produtores só ficaram sabendo de sua decisão quando ele não apareceu para filmar o início da 4ª temporada. Com isso, não foi possível registrar a despedida do Caçador que, na história, é simplesmente dispensado do serviço e retorna para casa, nos EUA.

Após “M*A*S*H”, Rogers estrelou a série policial “City of Angels”, produzida em 1976, que tinha tom noir, acompanhando as investigações de um detetive particular na Los Angeles da década de 1930. Mas foi um fracasso de audiência, que durou apenas 13 episódios.

Em 1979, a rede CBS encomendou o primeiro spin-off de “M*A*S*H”, que recebeu o título de “Trapper John M.D.” (no Brasil, a série se chamou “Hospital”), focada justamente na vida do Caçador, vários anos depois da Guerra da Coreia, como cirurgião-chefe de um hospital em São Francisco. Rogers foi convidado a voltar a interpretar o personagem, mas recusou a oferta. Assim, a série acabou estrelada por Pernell Roberts (série “Bonanza”), ao longo de sete temporadas e 150 episódios.

Em vez de voltar à pele do Caçador, Rogers preferiu interpretar outro médico na TV, estrelando três temporadas da série “House Calls”, entre 1979 e 1982. Sem lamentar ter sido substituído como Trapper John, ele comemorou sua primeira e única indicação ao Globo de Ouro por “House Calls”. E, ironicamente, também teve a sua própria experiência como substituto num papel famoso da TV, ao viver o Major Nelson, celebrizado por Larry Hagman, no telefilme “Jeannie É um Gênio: Quinze Anos Depois” (1985), reunião do elenco da série clássica dos anos 1960.

No mesmo ano, estrelou seu maior sucesso como protagonista de cinema, “A Banda do Paraíso” (1985), como um dos seis integrantes de uma banda amadora, contratada para duas semanas de show no interior, que sonha com a possibilidade de sucesso, apenas para retornar à sua vida real.

Ele ainda apareceu no thriller “A Hora de Matar” (1987), com Kiefer Sutherland (série “24 Horas”) e no drama “Fantasmas do Passado” (1996), sobre a luta pelos direitos civis nos EUA, além de obter destaque em cinco episódios da série “Assassinato por Escrito”, entre 1993 e 1995, mas foi se afastando progressivamente da carreira de ator na década de 2000, quando passou a investir no ramo imobiliário e no mercado de ações.

Em 2005, dois anos após seu último trabalho, a comédia “Nobody Knows Anything!” (2003), Wayne Rogers foi homenageado com uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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