Fernando Birri (1925 – 2017)
Morreu o cineasta, escritor e poeta argentino Fernando Birri. Considerado o pai do novo cinema latino-americano, ele faleceu na quarta-feira (27/12), aos 92 anos, em Roma. Birri fundou a Escola Latino-Americana de Documentários de Santa Fé, na Argentina, e da Escola Internacional de Cinema e Televisão de San Antonio de los Baños, em Cuba. Ele rodou um de seus filmes mais famosos na cidade em que nasceu, Santa Fé. No curta “Jogue uma Moeda” (1958), mostrou a situação de miséria em que viviam as crianças de sua província natal. Seu primeiro longa de ficção foi “Los Inundados” (1961), comédia com toques dramáticos sobre uma família pobre forçada a fazer várias viagens de trem durante um período de inundações, a fim de alcançar um refúgio seguro, enquanto burocratas corruptos transforam a vida do povo num inferno. Muito ligado ao Brasil, deu aulas para Maurice Capovilla e Vladimir Herzog na escola de Santa Fé. E também viu o nascimento do Cinema Novo, ao lado dos amigos Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha, quando desembarcou no Rio para fugir da ditadura argentina. Birri foi forçado a se exilar após o golpe militar na Argentina, e foi na Itália que filmou sua obra mais experimental, “Org” (1979), que ele descrevia como um pesadelo de três horas de duração. Sua filmografia inclui dois documentários distintos sobre Che Guevara, além de uma colaboração com o escritor Gabriel García Márquez, com quem escreveu o roteiro de “Un Señor Muy Viejo Con unas Alas Enormes” (1988), clássico cinematográfico do realismo fantástico. Seu último filme foi “El Fausto Criollo” (2011), adaptação de um poema de Estanislao del Campo. Em 2015, a ex-presidente argentina Cristina Kirchner o homenageou por “sua inestimável ajuda ao cinema argentino e latino-americano” e anunciou um projeto de recuperação digital de todas as suas obras.
Aracy Cardoso (1937 – 2017)
Morreu a atriz Aracy Cardoso, que participou de várias novelas na TV Globo. Ela estava internada há um mês no Hospital São Lucas, no Rio de Janeiro, tratando de vários problemas no coração e nos rins, e faleceu nesta terça-feira (26/12), aos 80 anos. Nascida no Rio em 17 de junho de 1937, filha de uma cantora de ópera, Aracy seguiu a carreira artística desde cedo, primeiro nos palcos, depois no cinema, com o drama “Fatalidade” (1953) e várias chanchadas – “Sai de Baixo” (1956), “Depois do Carnaval” (1959), etc. Mas foi se destacar mesmo na televisão. A atriz interpretou as principais “mocinhas” das novelas dos anos 1960 da TV Excelsior, como “Os Quatro Filhos” (1965), “A Indomável” (1965) e “Sublime Amor” (1967), antes de estrear na Globo com “Anastácia, a Mulher sem Destino”, em 1967. Após uma breve passagem pela Tupi na década seguinte, voltou à Globo para se destacar em novelas que marcaram as décadas de 1970 e 1980, entre elas “Fogo sobre Terra” (1974), “Vejo a Lua no Céu” (1976), “O Pulo do Gato” (1978), “Água Viva” (1980), “Final Feliz” (1982), “Selva de Pedra” (1986) e “Mandala” (1987). Foi nesta época que viveu uma de suas personagens mais lembradas, a governanta Zazá, de “A Gata Comeu” (1985). Após três décadas dedicadas à televisão, ela retomou a carreira cinematográfica em “O Homem Nu” (1997), de Hugo Carvana, e fez ainda “Nosso Lar” (2010), de Wagner de Assis. Bastante ativa, acumulou trabalhos em minisséries, séries e novelas nos últimos anos, inclusive na Record, onde integrou “Bela, a Feia” (2009) e “Dona Xepa” (2013). Sua última aparição na TV aconteceu neste ano, numa participação especial em “Sol Nascente”, da Globo. Discreta em relação à sua vida pessoal, Aracy Cardoso foi casada com o diretor e produtor Ibañez Filho, e deixa duas filhas.
Heather Menzies-Urich (1949 – 2017)
Morreu a atriz Heather Menzies-Urich, que se tornou conhecida ainda adolescente como a personagem Louisa von Trapp no musical clássico “A Noviça Rebelde” (1965), filme vencedor do Oscar. Ela tinha 68 anos e faleceu de câncer no domingo (24/12). A atriz canadense havia recebido recentemente um diagnóstico de câncer no cérebro, informou o seu filho Ryan à revista Variety. “Ela foi uma atriz, uma bailarina, e amou viver sua vida ao máximo. Ela não estava com dor, mas, quase quatro semanas depois de seu diagnóstico com câncer cerebral, estava cansada”, disse Ryan. Depois de ter Julie Andrews como babá/governanta em “A Noviça Rebelde”, Heather voltou a atuar com a atriz em “Havaí” (1966), e seguiu carreira com papéis de destaque em “O Protesto” (1969), com Michael Douglas, no terror “O Homem Cobra” (1973) e em “Piranha” (1978), de Joe Dante, entre outros, além de viver a protagonista da série sci-fi “Fuga das Estrelas” (Logan’s Run, 1977-78). Seu último filme foi o thriller “A Morte Vem do Céu” (1982), no qual contracenou com o marido Robert Urich (série “Vega$”). Desde a morte de Urich em 2002, ela se dedicava integralmente à Robert Urich Foundation, dedicada a arrecadar fundos para pesquisas sobre o câncer e para o tratamento de pacientes.
Dominic Frontiere (1931 – 2017)
Morreu Dominic Frontiere, compositor de temas clássicos de séries televisivas, como “Quinta Dimensão”, “A Noviça Voadora” e “Patrulha do Deserto”. Ele faleceu aos 86 anos na quinta-feira (21/12) em Tesuque, Minnesota, mas só agora a notícia chegou à imprensa americana. Frontiere marcou época como compositor televisivo entre os anos 1960 e 1980, sendo responsável por centenas de horas de músicas inesquecíveis. Além de trabalhar em séries, ele também criou trilhas para muitos filmes do período. A carreira do músico, nascido em Connecticut em 17 de de junho de 1931, incluiu ainda passagens pela big band de Horace Heidt, no final da década de 1940, e um disco solo cultuadíssimo de 1959, “Festival Pagano”, considerado um clássico do gênero conhecido como exotica. Ele se mudou para Hollywood no início da década de 1950, ao ser contratado por Alfred Newman, então diretor musical da 20th Century Fox, para trabalhar como músico na orquestra do estúdio. Os dois forjaram grande amizade e Newman incentivou Frontiere a começar a compor no começo dos anos 1960. Ao fazer sua terceira trilha, para a comédia “Eu, Ela e o Problema” (1961), Frontiere encontrou outro parceiro importante, o roteirista e produtor Leslie Stevens, que em 1962 o convocou para compor o tema de sua primeira produção televisiva: o western “Stoney Burke”, estrelado por Jack Lord (o futuro Steve McGarrett de “Havaí 5-0”). Mas foi a segunda série da parceria, “Quinta Dimensão” (The Outer Limits), que determinou o rumo da carreira do compositor. A música da abertura era bastante experimental, criando “white noise” e ambiências para sugerir que a TV estava fora do ar – “Não há nada de errado com sua TV”, alertava a narração – , alimentando um clima crescente de mistério e tensão. Vieram outras séries que ajudaram a definir a época, como “Os Invasores”, “Noviça Voadora”, “Patrulha do Deserto”, “Cavalo de Aço”, “Que Garota”, “Os Audaciosos”, “O Imortal”, “Missão Heroica”, “Controle Remoto” e “Vega$”. Ele também compôs a trilha do western “A Marca da Forca” (1968), primeiro western americano de Clint Eastwood, e conseguiu a proeza de manter o nível estabelecido por Ennio Morricone na trilogia spaghetti do ator. A façanha fez com que John Wayne o convidasse a orquestrar seu especial televisivo de cunho patriótico, “Swing Out, Sweet Land” (1970), que rendeu um Emmy para Frontiere e uma nova amizade importante em sua carreira. A parceria acabou se estendendo a mais três filmes de Wayne: “Chisum, Uma Lenda Americana” (1970), “Os Chacais do Oeste” (1973) e “A Morte Segue Seus Passos” (1975). O compositor continuou fazendo trilhas diversas para filmes de ação e comédia e até venceu o Globo de Ouro pela música do cultuadíssimo thriller “O Substituto” (1980), de Richard Rush. Mas sua trajetória foi bruscamente interrompida em 1986, quando foi sentenciado a um ano de prisão por sonegação fiscal, efeito colateral de seu casamento com a enrolada proprietária do time de futebol americano Los Angeles Rams. Além de trilhas de cinema, ele também produziu discos de Gladys Knight, Dan Fogelberg, Chicago e The Tubes, até encerrar a carreira com a composição do filme “A Cor da Noite” (1994), que lhe rendeu nova indicação ao Globo de Ouro. Relembre abaixo 15 temas e trilhas da carreira de Dominic Frontiere.
Bruce Brown (1937 – 2017)
Morreu o diretor Bruce Brown, especialista em documentários de surfe, que ganhou ficou famoso pelo clássico “Alegria de Verão” (Endless Summer), de 1966. Ele faleceu no domingo (10/12) aos 80 anos, de causas naturais na cidade de Santa Bárbara, na Califórnia. O documentário lançado em 1966 foi na verdade o sexto filme sobre surfe de Brown, que filmava o esporte desde 1958, tornando-se o primeiro expert cinematográfico na modalidade. Em todos eles, o cineasta foi responsável por diversas funções da produção, da câmera à narração. A experiência nas produções anteriores permitiu a Brown realizar um filme perfeito para conjurar o “verão sem fim” que encapsulou o espírito da época. Para materializar seu filme mais famoso, ele decidiu acompanhar dois surfistas em uma viagem por diversos países, incluindo Austrália, Nova Zelândia e Havaí, em busca de ondas perfeitas, num verão que as viagens por diferentes hemisférios estendiam infinitamente. O filme de baixo orçamento ganhou grande repercussão e foi responsável por mudar a imagem dos surfistas, transformando sua viagem numa missão quase espiritual. Além de imortalizar a música-título da banda The Sandals, um dos mais belos instrumentais da surf music, o filme aposentou de vez o clichê do surfista-palhaço-vagabundo, popularizado nos filmes da “Turma da Praia” (estrelados por Frankie Avalon e Annette Funicello). Cultuadíssimo, “Alegria de Verão” ainda ganhou uma continuação em 1994, quase trinta anos depois do lançamento original. Foi o último trabalho do diretor, que também fez um famoso filme sobre motocross, “Um Domingo Sobre Moto” (1971), que incluía o ator Steve McQueen (“Bullit”). Recentemente, o clássico de Brown foi remasterizado e lançado em versão digital. Veja os vídeos da produção abaixo.
Eva Todor (1922 – 2017)
A atriz Eva Todor morreu na manhã deste domingo (10/12) em sua casa de pneumonia, aos 98 anos. Ela sofria de Mal de Parkinson e chegou a ficar dez dias internada em março deste ano. A atriz estava longe da TV desde a novela “Salve Jorge”, exibida em 2012, e sua última aparição pública foi em novembro de 2014, quando recebeu uma homenagem feita por amigos artistas no Teatro Leblon. Com mais de 80 anos de carreira, ela começou a carreira no balé, ainda na infância. Húngara de nascimento, Eva Fódor Nolding chegou a dançar na Ópera Real de Budapeste. Filha de uma estilista e de um comerciante de tecidos, ela já mostrava talento para a vida artística, mas a realidade complicada do período entre guerras na Europa fez sua família vir para o Brasil, em 1929. Ao chegar no país, continuou a se dedicar ao balé, tendo aula com a renomada Maria Olenewa. Em entrevista ao site Memória Globo, Eva contou que seus pais, “como bons húngaros”, achavam que toda criança deveria ter uma educação ligada à arte. Seguiu no balé até ser convidada, ainda adolescente, para fazer teatro de revista no Teatro Recreio. Nessa época, adotou o nome Todor, uma versão aportuguesada de seu sobrenome. “Fiz um sucesso muito grande. Fiquei quatro ou cinco anos. E foi onde conheci meu primeiro marido, que era o diretor da companhia (Luis Iglesias). Eu me casei aos 14 anos. Depois, ele achou que aquilo não tinha futuro e montou uma companhia de comédia para mim. Todo mundo disse que ele era louco, porque eu era uma menina que não tinha experiência nenhuma e, além do mais, falava português pessimamente. Mas, deu certo. E a companhia ficou sendo Eva e seus Artistas, durante muitos anos. Só de Teatro Serrador, fiquei 23 anos”, relatou ela ao Memória Globo. Ela ganhou muitos admiradores por sua beleza e talento. Entre eles, o então presidente Getúlio Vargas, o que facilitou o processo para se naturalizar brasileira nos anos 1940. Dos palcos, pulou para o cinema, em plena era da chanchada. Fez seu primeiro longa-metragem em 1960, “Os Dois Ladrões”, de Carlos Manga, demonstrando sua veia humorística ao lado de Oscarito. A versatilidade lhe rendeu convite para comandar um programa na TV Tupi, chamado “As Aventuras de Eva” (1961), em que explorava sua aptidão para o humor. Sua estreia em novelas aconteceu na década seguinte, em “E Nós, Aonde Vamos?”, última novela da célebre autora cubana Glória Magadan escrita no Brasil, exibida em 1970. Mas foi só na Globo que sua carreira deslanchou, a partir da aparição na novela “Locomotivas”, de Cassiano Gabus Mendes, um fenômeno de audiência em 1977, no papel de Kiki Blanche, personagem tão marcante que Eva voltou a vivê-lo em 2010 na novela “Ti Ti Ti”. Dali para frente, a televisão se tornou seu foco. Foram dezenas de novelas, como “Te Contei?” (1978), “Coração Alado” (1980), “Sétimo Sentido” (1982), “Partido alto” (1984), “Top Model” (1989), “De Corpo e Alma” (1992), “Suave Veneno” (1989), “O Cravo e a Rosa” (2000), “América” (2005), “Caminho das Índias” (2009) e “Salve Jorge” (2012). E, entre uma e outra, ainda emplacou diversas aparições em séries e minisséries. Dedicada à TV, acabou fazendo poucos filmes. Foram apenas cinco, entre eles “Xuxa Abracadabra” (2003) e “Meu Nome Não É Johnny” (2009). Lucélia Santos, que contracenou com a atriz em “Locomotivas”, lembrou com saudades da atriz em depoimento ao Globo News. “Dona Eva era um ser humano iluminado. Ela se autochamava de ‘estilo Eva’, ninguém podia fazer o que ela fazia, era um jeito engraçado. Ela era contagiante”, definiu.
Johnny Hallyday (1943 – 2017)
O cantor e ator Johnny Hallyday, considerado o “Elvis Presley francês”, faleceu aos 74 anos de um câncer no pulmão, na madrugada desta quarta-feira (6/12). “Johnny Hallyday partiu. Escrevo estas palavras incrédula, mas foi assim. Meu marido já não está mais aqui. Nos deixou esta noite como viveu sua vida: com valentia e dignidade”, escreveu sua mulher Laeticia. “Até o último momento, se manteve firme diante desta doença que o corroía há meses, dando a todos lições de vida extraordinárias”. Jean-Philippe Léo Smet, seu verdadeiro nome, nasceu em 1943. Filho da modelo Huguette Clerc e do cantor belga Léon Smet, viveu em Londres com o tio, um artista de variedades de quem “roubou” o nome artístico para lançar seu primeiro álbum em 1960, “Hello Johnny”. O sucesso veio no ano seguinte, com o lançamento da música “Viens Danser le Twist”, uma versão de “Let’s Twist Again”, de Chubby Checker, que o estabeleceu como o roqueiro mais bem-sucedido da França. Em 50 anos de carreira, ele entusiasmou três gerações francesas, gravando cerca de 40 álbuns, mais de mil músicas, e vendeu mais de 100 milhões de discos. Tornou-se um fenômeno desde jovem, a ponto de não poder sair de casa sem correr de multidões de fãs enlouquecidos, como numa cena da Beatlemania. Cidades da França proibiram seus shows, acusando-o de corromper a juventude. Foi chamado de belga infiltrado na França. Pior: quinta-coluna imperialista, responsável por contaminar a cultura francesa com o rock, nas palavras do presidente francês Charles de Gaulle, que o odiava. Mas nem o maior hit, “Noir c’est Noir” (1966), conseguiu ser ouvido fora da França, apesar das aparições no célebre programa de variedades “The Ed Sullivan Show”, que estourou as carreiras de Elvis e dos Beatles nos EUA. Isto o tornou uma figura cult nos mercados internacionais, marcando-o com o apelido de “a maior estrela do rock que você nunca ouviu falar”, maldosamente conferido pelo jornal USA Today. No Brasil, por sinal, poucos sabem que “Noir c’est Noir” é a versão original do sucesso “Quem Não Quer”, música gravada por Jerry Adriani no auge da Jovem Guarda. A comparação com Elvis Presley não se resumia ao rock. Assim como o cantor americano, ele se lançou no cinema numa série de comédias musicais, como “As Parisienses” (1962), em que cantou uma balada romântica para Catherine Deneuve, “D’où viens-tu… Johnny?” (1963), como par da cantora Sylvie Vartan, com quem formou um dos casais mais poderosos do rock francês, “Cherchez l’idole” (1964) e o psicodélico “Les Poneyttes” (1967). Também como o ídolo, optou por estrelar westerns como alternativa aos filmes em que vivia versões de si mesmo. Assim, virou o personagem-título de “O Especialista – O Vingador de Tombstone” (1969) no spaghetti-western de um especialista, o cineasta Sergio Corbucci, criador de “Django” (1966). Mas acabou se destacando em outro gênero: os filmes de crime. Ele surpreendeu a crítica ao estrelar “Point de Chute” (1970), do ator-diretor Robert Hossein, e “Détective” (1985), de ninguém menos que Jean-Luc Godard. Contudo, os melhores papéis vieram na fase final de sua carreira, quando grandes cineastas recorreram à sua presença icônica para humanizar personagens sinistros, como o ladrão de “Uma Passagem para a Vida” (2002), de Patrice Leconte, o suspeito de “Rios Vermelhos 2 – Anjos do Apocalipse” (2004), de Olivier Dahan, e o assassino de “Vingança” (2009), um dos melhores filmes do mestre do cinema criminal chinês Johnny To. Ele também chegou a filmar nos Estados Unidos, participando da comédia “Procurados” (2003), como um dos ladrões de uma gangue francesa em Chicago, além de “A Pantera Cor de Rosa 2” (2009). Enquanto rodava a continuação estrelada por Steve Martin, seus problemas de saúde se tornaram evidentes, levando-o a ser hospitalizado em Boston. Ele chegou a entrar em coma devido a um grave problema respiratório. Mesmo com o diagnóstico de câncer confirmado, ele continuou fazendo filmes. Suas últimas aparições no cinema foram nas comédias “Rock’n Roll: Por Trás da Fama”, de Guillaume Canet, e “Chacun sa Vie”, de Claude Lelouch, ambas lançadas neste ano. É tão difícil imaginar a França sem Johnny Hallyday que um cineasta, fã assumido, tentou visualizar exatamente isso, num filme em que Jean-Philippe Léo Smet nunca se tornou um roqueiro famoso. Intitulado “Jean-Philippe” (2006), o longa de Laurent Tuel deixa claro a influência colossal de Hallyday na cultura francesa do século 20. “Nós todos temos algo de Johnny. Nós não esqueceremos nem o nome, nem o rosto, nem a voz, sobretudo, nem as interpretações que, com um lirismo seco e sensível, pertencem hoje à história da música francesa. Ele fez entrar uma parte da América em nosso panteão nacional”, declarou o presidente da França, Emmanuel Macron.
Ana Maria Nascimento e Silva (1952 – 2017)
Morreu a atriz Ana Maria Nascimento e Silva, que foi musa do cinema nacional, participou de novelas e minisséries de sucesso da Globo e era viúva do cineasta Paulo César Saraceni. Ela tinha 65 anos e faleceu na noite de quinta-feira (30/11), em decorrência de complicações geradas por um câncer de mama. Filha do grego Harry Anastassiadi, ex-presidente da Fox Film para a América Latina, Ana Maria nasceu no Rio de Janeiro em 12 de abril de 1952, formou-se em História da Arte e acumulou vários cursos de extensão na Europa, antes de estrear no cinema em 1976 no drama “Marcados para Viver”. No ano seguinte, fez sua primeira novela, “Nina”, de Walter Durst. Mas em vez de seguir carreira na TV, opção de maior visibilidade, ela optou pelo cinema, aparecendo em vários filmes dos anos 1970, entre eles o clássico “Ladrões de Cinema” (1977), de Fernando Cony Campos, e “Os Trombadinhas” (1979), de Anselmo Duarte, estrelado por Pelé. Sua beleza marcou o final da década, quando ela passou a atuar nos filmes da Boca do Lixo, durante o boom da pornochanchada. Fez diversos filmes do gênero, como “A Força do Sexo” (1978), “Desejo Violento” (1978), “A Mulher Sensual” (1981) e o hilário “Bem-Dotado – O Homem de Itu”, em que tentava seduzir o personagem-título, vivido por Nuno Leal Maia. A carreira teve uma grande virada nos anos 1980, após ela encontrar o cineasta Paulo César Saraceni, um dos criadores do Cinema Novo. Encantado por sua beleza, o diretor criou um filme especialmente para que ela protagonizasse, “Ao Sul do Meu Corpo” (1982). A atração virou casamento. E a partir daí Ana Maria passou a ter participação importante na obra de Saraceni, atuando em “Natal da Portela”, em 1988, e, sobretudo, virando sua grande parceira, ao assumir outro aspecto do trabalho cinematográfico: a produção. Paralelamente, passou a se focar na carreira televisiva. Seu retorno à Globo se deu na minissérie “Quem Ama Não Mata” (1982), uma das mais comentadas dos anos 1980, que questionava a justificativa machista dos crimes passionais. E emendou diversas novelas, como “Jogo do Amor” (1985), “Tudo ou Nada” (1986), “O Salvador da Pátria” (1989), “Gente Fina” (1990), “Quatro por Quatro” (1994) e “Zazá” (1997), nas quais ofuscou muitos protagonistas com seu sorriso largo, olhos azuis intensos e porte aristocrático que iluminavam os cenários. Ela também comandou um programa de entrevistas na CNT e fez parte do time de jurados de calouros do “Cassino do Chacrinha”. E se toda esta exposição televisiva a tornou mais conhecida, não a afastou de sua paixão cinematográfica. Ana Maria valorizou sua filmografia com três filmes do diretor Djalma Limongi Batista, “Asa Branca – Um Sonho Brasileiro” (1980), “Brasa Adormecida” (1987) e “Bocage – O Triunfo do Amor” (1997). Participou ainda de “A Terceira Margem do Rio” (1994), de Nelson Pereira dos Santos, e da co-produção Brasil/Portugal “Eternidade” (1995), de Quirino Simões. E, além de atuar, ajudou o marido a produzir seu projeto dos sonhos, “O Viajante” (1998), final de uma trilogia dedicada aos romances de Lúcio Cardoso (1912–1968), iniciada em 1963 com o clássico “Porto das Caixas”. Assinou ainda a produção de mais dois filmes de Saraceni: o documentário “Banda de Ipanema – Folia de Albino” (2003) e “O Gerente”, o último e mais belo filme do cineasta, que veio a falecer em 14 de abril de 2012. “O Gerente” marcou também a última aparição da atriz nas telas, que mergulhou num longo luto e se afastou definitivamente das câmeras. Sua passagem pelo cinema brasileiro deixa saudades pela paixão que dedicou à arte, chegando inclusive a idealizar um festival, o Paracine, primeira mostra cinematográfica realizada em Paraty, no litoral fluminense, em 2002 – evento que abriu caminho para um festival anual, realizado até hoje.
Jim Nabors (1930 – 2017)
O ator Jim Nabors, que viveu o personagem Gomer Pyle em “The Andy Griffith Show” e em sua própria sitcom, morreu na manhã desta quinta (30/11) em sua casa no Havaí, aos 87 anos. James Thurston Nabors nasceu em 12 de junho de 1930, no Alabama. Filho de um policial, ele se formou em administração de empresas e trabalhou até como telefonista para a ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, antes de se mudar para a California, onde o clima era melhor para sua asma. Ele arranjou emprego como editor de imagens da rede NBC em 1960, mas à noite se apresentava como comediante amador. Nabors fazia uma show num teatro de cabaré em Santa Monica, quando foi “descoberto” por Andy Griffith, que o considerou perfeito para interpretar um novo personagem em sua série na CBS: Gomer Pyle, um mecânico afável, pouco inteligente e extremamente feliz, que trabalhava no posto de gasolina de Wally (Norman Leavitt) em Mayberry. O personagem iria aparecer em apenas um episódio, que foi exibido no meio da 3ª temporada do “Andy Griffith Show”, em dezembro de 1962, mas surpreendeu os produtores por agradar ao público, que pediu seu retorno. Diante da repercussão, Nabors foi contratado para integrar o elenco fixo da atração. Mas o ator não ficou muito tempo na série. Gomer Pyle fez tanto sucesso que os produtores resolveram dar-lhe seu próprio programa. Gomer Pyle se alistou nos fuzileiros navais americanos no final da 4ª temporada, num episódio que serviu de piloto para o spin-off centrado no personagem. A mudança deu mais que certo. “Gomer Pyle: USMC” tornou-se um dos maiores sucessos da TV americana nos anos 1960. Durou cinco temporadas, entre 1964 e 1969, e chegou a ser exibida no Brasil com o título “Fuzileiro das Arábias”. Na trama, o recruta atrapalhado Pyle era invariavelmente perseguido pelo sargento esquentado Vince Carter (Frank Sutton). A interação dos personagens acabou inspirando um dos quadros mais populares do programa “Os Trapalhões” na Globo, ainda que sem os devidos créditos. Apesar de retratar militares em plenos anos 1960, a série nunca abordou a guerra do Vietnã. Mas o ator confessou que a presença do conflito era evidente nos créditos de abertura e o assombrava, pois muitos dos fuzileiros reais com quem marchava no começo dos episódios morreram no conflito asiático. Em 1969, quando a série estava em 2º lugar na audiência geral da TV americana, Nabors resolveu sair da produção, alegando que buscava novos desafios. Ele dizia que nem sequer se considerava ator, porque só tinha interpretado um único personagem em sua carreira inteira. Assim, virou apresentador de programa de variedades. Embora “The Jim Nabors Hour” tenha durado só dois anos, a atração revelou seu talento como cantor. Ele acabou gravando mais de duas dúzias de discos com sua voz de barítono, que costumava surpreender aqueles que se acostumaram a ouvi-lo exclamar “Gawleleee!” (“golly”, ou nossa!, com sotaque sulista), seu bordão televisivo. Ele tentou emplacar uma nova série em 1975, a comédia sci-fi “The Lost Saucer”, mas a produção foi cancelada após 15 episódios e Nabors nunca mais protagonizou nenhuma outra produção. Curiosamente, ele não se aventurou muito no cinema. A culpa é de sua estreia como um beatnik na comédia “Papai Não Sabe Nada” (1963), estrelada por James Stewart e Sandra Dee. Sua voz carregada de sotaque, que se tornaria famosa, desagradou tanto aos produtores que acabou dublada por outro ator. A experiência negativa o afastou do cinema por duas décadas. Ele só fez mais três filmes, todos consecutivos e ao lado do amigo Burt Reynolds, aparecendo como o antagonista da comédia clássica “A Melhor Casa Suspeita do Texas” (1982), voltando a ser mecânico em “O Imbatível” (1983) e reciclando o recruta “Homer Lyle” em “Um Rally Muito Louco” (1984). Nesta época, seus trabalhos já se resumiam a participações eventuais em séries como “O Barco do Amor”, “Supermáquina” e “The Carol Burnett Show”. Sem muitas opções, ele acabou voltando a viver Gomer Pyle. Primeiro, num telefilme de reencontro do elenco de “The Andy Griffith Show”, “Return to Mayberry”, exibido em 1986. Depois, num episódio de “Hi Honey, I’m Home” exibido em 1991, quando encerrou a carreira. Embora seu personagem mais famoso fosse fictício, a Marinha americana reconheceu a importância de Gomer Pyle para a imagem da corporação e resolveu oficializar sua promoção, passando-o de soldado raso para cabo num evento de marketing militar nos anos 2000. A ironia é que se o verdadeiro Jim Nabors quisesse ser fuzileiro, seria impedido, já que ele era homossexual. Gays declarados não podiam ter carreira militar nos Estados Unidos até 2011. Nabors manteve sua vida particular privada enquanto esteve em atividade, embora rumores de homossexualidade tenham sugerido até um casamento secreto com Rock Hudson nos anos 1970. Mas após se afastar do showbusiness, ele saiu do armário e se casou oficialmente com Stan Cadwallader, após três décadas de relacionamento, em janeiro de 2013, um mês após o casamento entre pessoas do mesmo sexo ser considerado legal em Washington.
David Cassidy (1950 – 2017)
O ator, cantor e ex-ídolo adolescente David Cassidy morreu na tarde de terça-feira (21/11), aos 67 anos, após ter sido internado na semana passada num hospital da Flórida, com falência generalizada de órgãos. No início do ano, Cassidy revelou que estava lutando contra os primeiros sintomas de demência. Ele assumiu a doença um dia após esquecer letras de música e cair durante um show, preocupando os fãs. Na ocasião, disse à revista People que a doença era hereditária e também tinha afetado sua mãe. “Eu estava em negação, mas parte de mim sempre soube que isso iria acontecer”, contou. David Cassidy começou a carreira de ator aos 18 anos, aparecendo em peças na Broadway e em pequenos papéis em séries de TV, como “Têmpera de Aço”, “Marcus Welby” e “Mod Squad”, até ser selecionado para atuar e cantar na série “Família Dó Ré Mi” (The Partridge Family). Ele é lembrado até hoje pelo papel de Keith Douglas Partridge, o filho mais velho e galã da família, que acabou lançando sua carreira musical. “Família Dó Ré Mi” girava em torno de uma mãe que embarcava com os filhos, a bordo de um ônibus colorido, em turnês musicais. A Screen Gems encomendou a série visando ocupar o filão musical adolescente que ficou vago com o fim da série dos Monkees. E assim como aquela atração, também transformou sua banda fictícia em sucesso musical. A série durou quatro temporadas de 1970 a 1974, e a participação de Cassidy tinha uma curiosidade: a atriz Shirley Jones, que interpretava a mãe das crianças, era sua madrasta na vida real. A princípio, os atores apenas dublariam as músicas, como nos desenhos dos Archies, mas Cassidy convenceu o produtor musical da atração que poderia cantar de verdade, e logo se tornou o vocalista principal da banda da série – e de quebra, um dos maiores ídolos adolescentes da década de 1970. O primeiro grande sucesso da fictícia The Partridge Family foi a canção “I Think I Love You”, que atingiu o 1º lugar da parada da revista Billboard em 1970, vendendo 5 milhões de cópias e superando até “Let It Be”, dos Beatles. Como a banda não existia de verdade, Cassidy aproveitou para juntar músicos e fazer shows com os hits do programa, fechando contrato para gravar seus próprios discos. O fato de ter iniciado uma bem-sucedida carreira musical e viver um músico fictício na série não demorou a frustrá-lo. Já na 3ª temporada deu entrevista para a revista Rolling Stone afirmando que queria se afastar da imagem de Keith Partridge para ser conhecido como ele mesmo. Após o fim de “Família Dó Ré Mi”, parte do elenco continuou ligado aos personagens, dublando desenhos animados inspirados na série. Mas Cassidy não quis se envolver nesses projetos. Em vez disso, estrelou uma atração que destacava seu nome real, “David Cassidy – Man Undercover”. A trama era um spin-off de “Os Novos Centuriões”, em que Cassidy fez uma participação especial em 1978, e seguia a premissa de “Mod Squad”/”Anjos da Lei”, com um policial infiltrado para investigar crimes entre grupos de jovens. O público alvo achou “careta” demais e a produção foi cancelada com apenas 10 episódios em 1979. A frustração o fez priorizar a música sobre o trabalho como ator, mas mesmo assim ele apareceu em diversos episódios de séries clássicas, como “Ilha da Fantasia”, “O Barco do Amor” e até a primeira versão de “The Flash”, nos anos 1990, na qual viveu o supervilão Mestre dos Espelhos. Em 2009, ele voltou a estrelar uma série adolescente, “Ruby & the Rockits”. Desta vez, como pai e tio de uma família musical, cuja filha adolescente era o maior sucesso. A série foi criada por seu irmão, Shaun Cassidy (criador também de “American Gothic” e “Invasão”) e incluía outro irmão no elenco, Patrick Cassidy. Por sua vez, a banda televisiva ainda destacava os atores Alexa PenaVega (que foi parar na série “Nashville”) e Austin Butler (que hoje protagoniza “The Shannara Chronicles”). Mas a diversão durou pouco. O canal pago ABC Family cancelou a atração após 10 episódios. Desde então, David Cassidy só fez mais uma aparição televisiva, num episódio de 2013 da série “CSI”, e sua vida entrou em parafuso. Ele chegou a ser preso três vezes por dirigir alcoolizado entre 2010 e 2014 e foi obrigado a passar por uma desintoxicação, devido a uma sentença. Há dois anos, também precisou leiloar sua casa na Flórida depois de pedir falência. No final da vida, ele perdeu quase tudo o que tinha conquistado na juventude. Relembre abaixo 10 hits de David Cassidy e The Partridge Family.
Della Reese (1931 – 2017)
A atriz e cantora Della Reese morreu aos 86 anos em sua casa, na Califórnia, no domingo (19/11). Ele ficou conhecida pelo sucesso de sua carreira musical entre os anos 1950 e 1960, e por sua atuação na série “O Toque de um Anjo”, exibida nos EUA entre 1994 e 2003. Reese “faleceu pacificamente em casa na Califórnia, cercada de amor”, disse o marido, Franklin Lett, e a família em um comunicado. Delloreese Patricia Early nasceu em 6 de julho de 1931, em Detroit. Seu pai era operário, sua mãe uma cozinheira e ela tinha cinco irmãs e um irmão. “Minha mãe me dizia que quando eu nasci e eles me bateram, eu não tossi, comecei a cantar e nunca parei”, contou ela em uma entrevista de 2008 para o Archive of American Television. “Quando tinha 6 anos, eu cantei continuamente até deixar todos muito nervosos”. Sua carreira musical começou cedo por conta disso. Um dia, um das cantoras de apoio da lendária Mahalia Jackson, desmaiou na igreja em que se apresentava e foi proibida pelo médico de participar de uma turnê com a cantora gospel mais famosa dos Estados Unidos. Foi quando Mahalia convidou Reese, que tinha 13 anos, para tomar seu lugar. “Eu pensei que ao me distanciar da minha mãe eu poderia me divertir com liberdade, mas Mahalia era ainda mais rígida do que minha mãe”, disse ela. A experiência lhe deu vontade de seguir a carreira. E ao atingir a maioridade se mudou para Nova York, onde trabalhou como vocalista de fundo para mitos do jazz, como Ella Fitzgerald, Billy Eckstine, Sarah Vaughan, Duke Ellington e Miles Davis. Sua primeira turnê foi com Nat King Cole, a quem ela adorava. Ao todo, a artista apareceu 17 vezes no The Ed Sullivan Show, o programa que lançou nacionalmente Elvis Presley e os Beatles, a primeira vez em 1957. Ela apareceu como cantora solo no filme “Let’s Rock” (1958) e conquistou sucesso musical no ano seguinte, com o lançamento do single “Don’t You Know”, que atingiu o 1º lugar da parada de R&B e o 2º lugar entre os hits da música pop da época. Uma década depois, Reese iniciou uma transição profissional, fazendo sua primeira aparição na TV num episódio de “Mod Squad”, de 1968, seguida por participações em “Police Woman”, “Os Novos Centuriões”, “Os Novatos”, “O Barco do Amor”, “McCloud” e “Esquadrão Classe A”. Ela ainda estrelou o primeiro talk show apresentado por uma mulher negra na TV americana, “Della”, em 1969, 17 anos antes do “Oprah Winfrey Show”. Reese também chegou a integrar o elenco de “Chico and the Man”, grande sucesso dos anos 1970, que foi encerrada após quatro temporadas devido ao suicídio do astro, Freddie Prinze, em 1977, aos 22 anos. Dois anos depois, a própria Reese sofreu um aneurisma cerebral que quase a matou. A partir dos anos 1980, passou a alternar a carreira de atriz com a de pastora, até encontrar o programa que conciliou sua fé com a atuação. Lançada em 1994, “O Toque de um Anjo” se tornou um fenômeno de audiência, durando nove temporadas até 2003 e rendendo um spin-off, “Promised Land”, que também teve participação de Reese. Nas duas produções, ela interpretava Tess, supervisora de um anjo (Roma Downey) enviado à Terra para ajudar pessoas com problemas. Pelo papel, a atriz foi indicada a um Globo de Ouro e a dois prêmios Emmy. Além disso, também cantava a música tema da série, “Walk with You”. “O Toque de um Anjo” marcou tanto sua carreira que, anos depois, ela até interpretou uma cantora de jazz aposentada, que uma menina confundia com um anjo no telefilme “O Anjo Mora ao Lado” (2012). Nos últimos anos, Reese vinha participando exclusivamente de produções religiosas, como os filmes “Porque Eu, Senhor?” (2012) e “Meant to Be” (2012) e os telefilmes de Natal “Dear Secret Santa” (2013) e “Miracle at Gate 213” (2013). “Ela foi uma incrível esposa, mãe, avó, amiga e pastora, assim como uma atriz premiada e cantora”, disse sua colega, a atriz Roma Downey, co-estrela de “O Toque de um Anjo”. “Através de sua vida e trabalho, ela tocou e inspirou milhões de pessoas. Ela foi uma mãe para mim e eu tive o privilégio de trabalhar a seu lado por muitos anos em ‘O Toque de um Anjo’. Sei que o céu tem um novo anjo neste dia. Della Reese ficará para sempre em nossos corações”, completou, em nota divulgada pela imprensa americana.
John Hillerman (1932 – 2017)
Morreu o ator John Hillerman, que ficou conhecido pelo papel de Higgins na série “Magnum”, ao lado de Tom Selleck. Ele faleceu nesta quinta-feira (9/11) aos 84 anos, em sua residência, mas a causa não foi revelada. Hillerman começou sua carreira em 1970, como figurante (um repórter) no clássico policial “Noite sem Fim”, uma década antes de virar Jonathan Quayle Higgins III, o mordomo de Magnum, papel que lhe rendeu quatro indicações ao Emmy e uma vitória como Melhor Ator Coadjuvante em 1987. Além de “Magnum”, ele marcou presença em importantes clássicos do cinema da década de 1970, sempre em pequenos papéis. A lista é volumosa e inclui quatro longas de Peter Bogdanovich, “A Última Sessão de Cinema” (1971), “Essa Pequena é uma Parada” (1972), “Lua de Papel” (1973), em que interpretou gêmeos, e “Amor, Eterno Amor” (1975), além de “O Estranho Sem Nome” (1973), de Clint Eastwood, “Banzé no Oeste” (1974), de Mel Brooks, “Chinatown” (1974), de Roman Polanski, “O Dia do Gafanhoto” (1975), de John Schlesinger, e outros filmes menos excelentes. Em 1976, estrelou sua primeira série, “Ellery Queen”, adaptação de um dos grandes detetives da literatura de mistério. Seu personagem nesta série, Simon Brimmer, foi praticamente um ensaio para Higgins. Ambos eram esnobes, arrogantes, rabugentos e chegavam a antagonizar os protagonistas das duas séries. Também participou das séries de comédias “The Betty White Show” e “One Day at a Time”, e apareceu em inúmeras produções televisivas da época, de “Mulher-Maravilha” a “O Barco do Amor”, antes de emplacar seu papel de maior destaque. Após oito temporadas de “Magnum”, exibidas entre 1980 e 1988, em que participou até de crossovers com as séries “Carga Dupla” e “Assassinato por Escrito”, Hillerman só teve mais dois trabalhos de destaque: a minissérie “Around the World in 80 Days” (1989) e a série de comédia “A Família Hogan”, estrelada pelo jovem Jason Bateman (série “Arrested Development”), entre 1990 e 1991. O ator encerrou a carreira com um pequeno papel no filme “A Volta da Família Sol Lá Si Dó”, em 1996.
Ator da série Veronica Mars se suicida aos 34 anos
O ator Brad Bufanda, cujo maior papel da carreira foi uma participação recorrente como Felix Toombs na série “Veronica Mars”, cometeu suicídio, segundo o site TMZ. Um porta-voz do ator confirmou à publicação que ele tirou a própria vida na quarta-feira (1/11), mas não divulgou mais detalhes sobre o assunto. Bufanda tinha 34 anos. Bufanda apareceu nas duas primeiras temporadas da cultuada série protagonizada por Kristen Bell, até ser assassinado na trama. Na mesma época, participou dos filmes “A Nova Cinderela” (2004) e “Debating Robert Lee” (2004), mas sua carreira estagnou. Ele chegou a tentar virar jogador profissional de basquete, mas se feriu e decidiu voltar a trabalhar como ator, indo parar na série erótica “Co-Ed Confidential”, do canal pago Cinemax. Até o cancelamento da atração em 2010 o deixar desempregado. No filme “Veronica Mars”, de 2014, o personagem do ator foi lembrado durante uma reunião de ex-colegas do ensino médio, num vídeo de tributo para os estudantes que morreram. Visando retomar sua trajetória em produções mais convencionais, Bufanda decidiu mudar seu nome, reparecendo como Bradley Joseph numa tentativa de retorno em 2017. Com este nome, filmou uma comédia ainda inédita e estava no meio de outra produção, quando morreu.












