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  • Reality,  TV

    Neville de Almeida quer filmar Fiuk em adaptação de Nelson Rodrigues

    27 de abril de 2021 /

    Mania nacional, o “BBB 21” também chamou a atenção do veterano cineasta Neville de Almeida. Em entrevista à coluna de Ancelmo Gois no jornal O Globo, o diretor contou que, após assistir o reality show, decidiu convidar Fiuk para encerrar a sua trilogia sobre Nelson Rodrigues. Se aceitar, o ator e cantor interpretará o personagem Osvaldinho, playboy canalha de “Anti-Nelson Rodrigues”, penúltima obra do dramaturgo, lançada em 1971 no teatro — e que Neville adaptará para o cinema. Mimado pela mãe e desprezado pelo pai, ele tenta seduzir pelo dinheiro uma funcionária de sua empresa, mas a moça não se deixa levar e faz o rapaz reavaliar a postura. “Fiquei observando o Fiuk no ‘BBB’ e acho ele a cara do Osvaldinho. Estou esperando o ator sair do programa para entregar o roteiro. Com esse espetáculo, encerro a trilogia de Nelson Rodrigues”, contou o cineasta. A trilogia de Neville de Almeida começou em 1978 com o fenômeno “A Dama do Lotação”, com Sonia Braga, uma das maiores bilheterias do cinema brasileiro até hoje, e teve sequência dois anos depois com “Os 7 Gatinhos, com Regina Casé e Antônio Fagundes. Desde então, o diretor fez só mais quatro longas de ficção. O mais recente foi “A Frente Fria que a Chuva Traz”, com Bruna Linzmeyer e Chay Suede, lançado há seis anos.

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  • Filme

    Boca de Ouro é a versão mais violenta de Nelson Rodrigues

    15 de novembro de 2020 /

    Um filme como “Boca de Ouro”, com um elenco estelar, tempos atrás teria ótimas chances de conseguir uma boa bilheteria. Mas está passando em cinemas vazios. Tempos estranhos estes de pandemia. Há vários motivos para ver o filme. Para começar, o texto de Nelson Rodrigues, que é um autor que costuma garantir o sucesso de suas adaptações. Há também a volta de Daniel Filho na direção, depois de um hiato longo – desde a comédia “Sorria, Você Está Sendo Filmado”, de 2014. E há um elenco muito atraente, que traz outra volta, Malu Mader, e destaca nomes como Marcos Palmeira no papel-título, Guilherme Fontes, Fernanda Vasconcellos, Anselmo Vasconcelos, além do próprio Daniel Filho. Apesar disso, o grande atrativo acaba sendo a revelação da jovem Lorena Comparato, no papel de Celeste, a mulher casada que cai nas graças do gângster de dentes de ouro. Outro ator jovem, mais conhecido pelas telenovelas, Thiago Rodrigues, faz o papel de seu marido, Leleco, personagem que, na adaptação de Nelson Pereira dos Santos, exibida em 1963, tinha sido interpretado pelo próprio Daniel Filho. A estrutura, por sinal, é igual à do filme de Nelson Pereira dos Santos, uma espécie de “Rashomon” (1950), com a personagem de Malu Mader contando três histórias diferentes, ao mesmo tempo contraditórias e complementares sobre o temido Boca de Ouro, bicheiro que acabou de ser encontrado morto. A dupla de repórteres que entra na casa de Guigui (Mader) para colher depoimentos, acaba por ouvir essas histórias, mudadas de acordo com o humor ou a vontade da narradora. As narrativas se equilibram em momentos muito bons e outros menos interessantes, mas todas elas são atraentes e poderosas no uso da violência rodrigueana e que agora pode ser vista de maneira mais explícita. Daniel Filho segue um caminho de sangue e nudez, que já era trilhado pelos melhores especialistas em adaptações de Nelson Rodrigues, como Neville D’Almeida e Braz Chediak. Mas em “Boca de Ouro” ela é mais gráfica, derivada do cinema de horror, e mais bonita plasticamente. É uma violência que vai além do visual, já que Boca de Ouro é um personagem extremamente perturbador, seja quando procura estuprar uma mulher e matar seu marido, quando faz concurso de seios mais bonitos e quando planeja a execução de uma mulher em sua casa. Assim, há espaço para fazer bombear fortemente o coração do espectador diversas vezes, com os atos cruéis desse fascinante personagem da literatura brasileira.

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  • Série

    Obra de Nelson Rodrigues vai virar série da Globoplay

    29 de outubro de 2020 /

    A dupla de roteiristas George Moura e Sergio Goldenberg estão criando uma nova série para a plataforma Globoplay baseada na obra de Nelson Rodrigues. Segundo a coluna de Patricia Kogut, no jornal O Globo, o projeto vinha sendo mantido em sigilo por conta das negociações com a família do escritor, que foram agora concluídas. A atração tem um nome genérico, “Paraíso Perdido”, que batiza dezenas de filmes, inclusive uma produção brasileira de dois anos atrás, e vai adaptar livremente quatro peças do famoso dramaturgo, com direção artística de José Luiz Villamarim (“Redemoinho”). Moura e Goldenberg têm uma trajetória bem-sucedida na Globo. Eles assinaram juntos “O Canto da Sereia” (2013), “Amores Roubados” (2014), o remake de “O Rebu” (2014) e “Onde Nascem os Fortes” (2018), quem também foram parcerias com o diretor Villamarim. “Paraíso Perdido” será a segunda criação dos roteiristas para a plataforma de streaming da emissora. Eles também assinaram “Onde Está Meu Coração”, produção já gravada e estrelada por Leticia Colin, que ainda não tem previsão de estreia.

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  • Filme

    Viola Davis vai produzir adaptação de O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues

    9 de agosto de 2019 /

    A atriz Viola Davis (“As Viúvas”) planeja adaptar a peça brasileira “O Beijo no Asfalto”, obra clássica de Nelson Rodrigues, para teatro e tela (cinema, TV ou streaming) nos Estados Unidos. “Estamos muito empolgados com a parceria com a Productions Wise para trazer à vida a inovadora peça do dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues, ‘O Beijo no Asfalto'”, escreveu a atriz em seu Twitter. Viola irá produzir as adaptações por meio da JuVee Productions, da qual é sócia com o marido, Julius Tennon. A produtora parceira, a Wise Entertainment, pertence a Maurício Mota, neto de Nelson Rodrigues. Escrita por Rodrigues em 1960, para o grupo de teatro de Fernanda Montenegro, “O Beijo no Asfalto” fala de sexualidade, intrigas, falta de ética da imprensa e crise familiar. A história gira em torno de Arandir, um homem casado, que atende o último desejo de um homem atropelado e beija sua boca. A cena é presenciada por Amado Ribeiro, um jornalista que resolve tirar proveito do episódio. Com o destaque do caso, Arandir se isola, sofrendo com a descrença de todos à sua volta, e se vê compelido a um destino que não consegue modificar. A peça já ganhou três adaptações no cinema brasileiro: em 1965, dirigida por Flávio Tambellini e estrelada por Reginaldo Faria, em 1981, com direção de Bruno Barreto e o ator Tarcísio Meira, e em 2018, numa versão metalinguista dirigida por Murilo Benício e estrelada por Lázaro Ramos. A Wise Entertainment e a JuVee Productions estão planejando uma temporada teatral em Los Angeles e na Broadway para a peça e estão em busca de roteiristas e diretores para a adaptação do texto como filme. We're so excited to partner with @ProductionsWise to bring Brazilian playwright Nelson Rodrigues’ groundbreaking play, #TheAsphaltKiss to life! https://t.co/XuMpHOIkbs — Viola Davis (@violadavis) August 9, 2019

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  • Filme

    O Beijo no Asfalto usa metalinguagem para contar história clássica

    9 de dezembro de 2018 /

    “O Beijo no Asfalto” (2017), filme que marca a estreia na direção do ator Murilo Benício, é uma adaptação da peça homônima de Nelson Rodrigues, que fala sobre um homem, Arandir (Lázaro Ramos), que vê um sujeito ser atropelado na sua frente e concede ao moribundo um último pedido: um beijo. Escrita em 1960, a peça mostra como a vida desse homem é arruinada, uma vez que aquele simples ato de bondade dá início a uma verdadeira perseguição por parte da polícia, da imprensa e do seu próprio sogro, ao mesmo tempo em que causa problemas no seu casamento com Selminha (Débora Falabella). O texto original foi transposto integralmente para o filme. E isso é perceptível tanto no conteúdo verborrágico e nos diálogos sobrepostos – característicos do teatro – quanto na abordagem de alguns temas comuns a Nelson, como a sexualidade, a intimidade da família “normal” brasileira e as perversões humanas. Porém, vale citar que a peça não condena a homossexualidade, o que ela condena é a repressão da mesma, e a maneira como as instituições de poder, como a polícia, a mídia e a religião, tratam desse assunto como se fosse uma doença – e o fato de um texto tão antigo soar tão atual é um mau sinal. Ainda assim, Benício imprimiu a sua própria visão para a obra, propondo algo diferente para esta adaptação: fazendo uso da metalinguagem, ele apresenta o processo dos próprios atores ao se prepararem para realizar o longa-metragem. Assim, o que vemos é o elenco sentado a uma mesa discutindo o texto e se familiarizando com os seus respectivos personagens, enquanto Murilo fica num canto, só ouvindo. As cenas dos ensaios se misturam com cenas “de cinema”, da adaptação em si, e é por meio dessa mistura que acompanhamos a história de Arandir. Trata-se de uma proposta bastante complexa para um diretor estreante, mas Benício demonstra habilidade de um veterano. Explicitando todo o aparato cinematográfico, desde as câmeras, os trilhos do travelling e as páginas do roteiro, o realizador usa esse recurso da metalinguagem para criar algumas composições belíssimas, como aquela na qual um plano geral revela o cenário montado, mas aos poucos a câmera se aproxima dos atores, deixando de lado todo aquele aspecto “realista” (ou seja, excluindo os detalhes do estúdio e da equipe de filmagem) e se concentrando na “ficção” (tornando-se uma cena “normal” de cinema). Assim, ainda que as cenas dos ensaios continuem a fazer parte da narrativa, a partir do segundo ato – sim, existe a divisão em três atos – a ficção torna-se muito mais presente na tela do que essa (falsa) realidade. É como se os atores já conhecessem bem os seus personagens e já tivessem ensaiado o bastante, podendo partir para a “prática”. Com isso, em momentos mais densos, como na discussão entre Selminha e seu pai, Aprígio (Stênio Garcia), o diretor fecha o quadro no rosto daquelas pessoas para que possamos ver em detalhes todas as expressões que eles tanto ensaiaram. E isso só funciona porque o talentoso elenco consegue extrair a densidade do texto de Nelson com aparente facilidade e, contraditoriamente, com naturalidade. Murilo declarou que “O Beijo no Asfalto” foi um projeto coletivo e que todos os envolvidos são responsáveis por esse resultado. De fato, o cinema é uma arte colaborativa. Mas o cinema também precisa do direcionamento do realizador para não se tornar uma cacofonia de diversas vozes falando ao mesmo tempo. E Benício demonstra o talento necessário tanto para criar, quanto para ouvir e filtrar aquilo que lhe interessa. Ou seja, é um excelente cineasta.

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  • Etc,  Filme,  Série,  TV

    Oswaldo Loureiro (1932 – 2018)

    3 de fevereiro de 2018 /

    O ator e diretor Oswaldo Loureiro morreu neste sábado (3/2), em São Paulo, aos 85 anos. Ele participou de quase 150 peças, estrelou um punhado de clássicos do cinema e atuou em dezenas de novelas da Globo. O ator sofria de Alzheimer e estava afastado da carreira artística desde 2011. Oswaldo Loureiro Filho nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de julho de 1932. Filho de artistas — a mãe era cantora lírica, o pai ator e as irmãs, bailarinas do Theatro Municipal —, ele iniciou a carreira artística ainda criança, aos 12 anos, quando atuou em filmes como “O Brasileiro João de Souza”, “É Proibido Sonhar” e “Romance Proibido”, todos realizados em 1944. Ele seguiu carreira teatral ao estrear na peça “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, em 1955. E em 1958 recebeu o prêmio da Associação Brasileira de Críticos Teatrais, ABCT, de Ator Revelação por “A Fábula do Brooklin”, de Irwin Shaw. A partir dos anos 1960, atuou em montagens de grande repercussão, como “Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come”, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, “A Ópera dos Três Vinténs”, de Bertolt Brecht, e “Édipo Rei”, de Sófocles, com direção bem-sucedida de Flávio Rangel. Além disso, deslanchou no cinema numa coleção de clássicos, como o thriller conspiratório “O 5º Poder” (1962), de Alberto Pieralisi, a comédia “Sonhando com Milhões” (1963), com Dercy Golçalves, “Engraçadinha Depois dos Trinta” (1966), adaptação de Nelson Rodrigues dirigida por J.B. Tanko, o thriller criminal “Mineirinho Vivo ou Morto” (1967), com Jesse Valadão e Leila Dinis, “O Homem Nu” (1968), adaptação do famoso conto de Fernando Sabino com direção de Roberto Santos, e até a comédia italiana “Uma Rosa para Todos” (1967), estrelada por Claudia Cardinale. Na mesma época, estreou na TV. Após atuar no fenômeno de audiência “O Direito de Nascer” (1964), da TV Tupi, Loureiro foi integrar uma das primeiras turmas de atores da TV Globo, no elenco das novelas “Sangue e Areia” (1968), “Véu de Noiva” (1969) e “Acorrentados” (1969), sucessos iniciais de Janete Clair. Também participou da divertida “Corrida do Ouro” (1974), e do histórico “O Casarão” (1976), primeira novela de estrutura não linear da Globo, ambas escritas por Lauro César Muniz. A guinada do cinema para a pornochanchada nos anos 1970 não interessou Loreiro, que só fez quatro filmes na década, entre eles “Os Herdeiros” (1970), de Cacá Diegues, e “As Confissões de Frei Abóbora” (1971), de Braz Chediak. Ele preferiu dedicar sua energia aos palcos, atingindo o ápice da carreira teatral com os clássicos “Gota D’água” (1975), de Chico Buarque e Paulo Pontes, “Papa Higuirte”, de Vianinha, e “Dois Perdidos numa Noite Suja” (1977), de Plínio Marcos. Loureiro voltou com tudo ao cinema em 1981, em adaptações de dois famosos textos teatrais de Nelson Rodrigues: “O Beijo no Asfalto” (1981), dirigido por Bruno Barreto, e “Bonitinha Mas Ordinária ou Otto Lara Rezende” (1981), de Braz Chediak. Seguiu com o sucesso “Bar Esperança” (1983), de Hugo Carvana, e diversificou, com um filme dos Trapalhões, “Atrapalhando a Suate” (1983), o drama “Parahyba Mulher Macho (1983), de Tizuka Yamasaki, um adaptação musical de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, “Para Viver Um Grande Amor” (1984), a aventura juvenil “Rádio Pirata” (1987), de Lael Rodriguez, a cinebiografia de sua amiga “Leila Diniz” (1987) e a comédia “Sonho de Verão” (1990). A agenda cinematográfica cheia coincidiu com alguns de seus melhores papéis na TV, em novelas como “Guerra dos Sexos” (1983), “Vereda Tropical” (1984) e “Cambalacho” (1986), as três de Sílvio de Abreu, o fenômeno “Roque Santeiro” (1985) e “Mandala” (1987), ambas de Dias Gomes, além da divertidíssima “Que Rei Sou Eu?” (1989), de Cassiano Gabus Mendes, na qual viveu o inesquecível conselheiro pilantra Gaston Marny, do Reino de Avillan. Fez também muitas séries, entre elas “Tenda dos Milagres” (1986), “Incidente em Antares” (1994) e “A Grande Família” (em 2001), além de dirigir “O Bem-Amado” (1980-1985) e o humorístico “Os Trapalhões” (1982-1988). Nos anos 1990, estabeleceu-se como uma figura habitual das novelas das 19h. Ele apareceu em diversas produções consecutivas do horário na Globo até o final da carreira – “Quatro por Quatro” (1994), “Cara & Coroa” (1995), “Salsa e Merengue” (1996), sequência interrompida por um pulo na extinta TV Manchete e retomada com “Uga-Uga” (2000), “As Filhas da Mãe” (2001), “Kubanacan” (2003), “Começar de Novo” (2004) e “A Lua Me Disse” (2005), seu último trabalho. Além de atuar e dirigir peças, Oswaldo também dirigiu óperas, shows musicais e de humor, e foi presidente do Sindicato dos Artistas, num momento de luta pelo reconhecimento da profissão e pela liberdade de expressão, nos anos 1980.

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  • Filme

    Daniel Filho vai refilmar o drama clássico Boca de Ouro

    3 de outubro de 2017 /

    O cinema brasileiro entrou em fase de remakes. Após “Dona e Flor e Seus Dois Maridos”, que já estreia em novembro, outro clássico vai ganhar nova versão. Segundo o colunista Anselmo Goes, do jornal O Globo, o diretor Daniel Filho, que completou 80 anos no fim de semana, fará a seguir “Boca de Ouro”, adaptação de uma peça de Nelson Rodrigues, originalmente filmada em 1963 por Nelson Pereira dos Santos, com Jece Valadão e Odete Lara nos papéis principais. Curiosamente, Daniel Filho também participou do filme original como ator. A trama gira em torno do bicheiro Boca de Ouro, nascido em uma gafieira e abandonado pela mãe numa pia de banheiro. Sua história da vida chama atenção do repórter Caveirinha, que decide entrevistar a ex-amante de Boca de Ouro, Guigui, que lhe conta três versões diferentes da vida do marginal. A filmagem será a terceira versão da peça. Em 1990, Tarcisio Meira e Luma de Oliveira estrelaram uma adaptação que ainda contava com Hugo Carvana, Claudia Raia e Grande Otelo no elenco. Por coincidência, a refilmagem foi dirigida por outro cineasta de carreira televisiva, Walter Avancini. Daniel Filho foi, durante anos, o diretor mais requisitado das novelas da Globo. Ele também dirigiu alguns dos filmes mais bem-sucedidos dos últimos tempos, como “Se Eu Fosse Você” (2006) e “Chico Xavier” (2010), que lançaram tendências – besteirol Sessão da Tarde e cinema espírita, respectivamente. Seu último filme foi a comédia “Sorria, Você Está Sendo Filmado – O Filme” (2014). A nova versão de “Boca de Ouro” ainda não tem previsão de lançamento.

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  • Filme

    Alexandre Nero viverá Nelson Rodrigues no cinema

    15 de abril de 2017 /

    Alexandre Nero vai interpretar o dramaturgo, escritor e jornalista Nelson Rodrigues (1912-1980) em uma cinebiografia, intitulada “Anjo Pornográfico”. A notícia veio à tona em meio a uma lista de produções da Media Bridge, citada pelo site Filme B. Segundo a matéria, o filme será baseado no elogiado livro homônimo de Ruy Castro e a direção estará a cargo de Mauro Mendonça. Nelson Rodrigues ficou famoso por abordar temas controversos que marcaram o teatro brasileiro. Ele já teve diversas de suas obras adaptadas para os cinemas, incluindo “Bonitinha, Mas Ordinária” (1963), “A Falecida” (1965), “A Dama do Lotação” e “Os Sete Gatinhos”. Atualmente, o ator Murilo Benício (“O Homem do Ano”) dá os toques finais numa adaptação do autor, “O Beijo no Asfalto”, que marcará sua estreia na direção.

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  • Filme

    Murilo Benício vai virar diretor de cinema com apoio da Ancine

    4 de outubro de 2016 /

    A estreia de Murilo Benício como diretor, o filme “O Beijo”, vai receber R$ 700 mil do Fundo Setorial do Audiovisual. A produção entrou em um edital da Ancine (Agência Nacional do Cinema). Antes de conseguir o apoio, ele vinha colocando dinheiro do próprio bolso no projeto. Rodado em preto e branco, o longa é uma adaptação da peça “O Beijo no Asfalto”, de autoria de Nelson Rodrigues, e tem no elenco a atriz Débora Falabella, namorada de Murilo. O casal também está trabalhando junto na minissérie “Nada Será como Antes”, atualmente em exibição na rede Globo. O longa de Benício será a segunda filmagem da peça. A primeira, com o título original “O Beijo no Asfalto”, foi dirigida por Bruno Barreto (“Flores Raras”) e lançada em 1981.

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  • Filme

    O Beijo no Asfalto: Estreia indie de Murilo Benício como diretor ganha primeiras fotos

    6 de janeiro de 2016 /

    O ator Murilo Benício (“O Homem do Ano”) vai estrear na direção de cinema com “O Beijo no Asfalto”, adaptação da peça homônima de Nelson Rodrigues, que ele filmou em 11 dias, em preto e branco e com um orçamento de R$ 1 milhão de seu próprio bolso. Totalmente indie, a produção divulgou suas primeiras fotos, que permitem vislumbrar as opções criativas do agora cineasta. Diferente do filme de 1981, dirigido por Bruno Barreto, que transpôs a trama para o cinema, Murilo seguiu a rota de Al Pacino em “Ricardo III – Um Ensaio” (1996) e “Wilde Salomé” (2011), misturando encenação da peça, com Lázaro Ramos (“O Vendedor de Passados”) no papel do bancário recém-casado que beija um moribundo desconhecido, e documentário – cenas dos bastidores, imagens de camarim e até uma leitura do texto conduzida por Fernanda Montenegro. As filmagens aconteceram em um teatro no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro e incluem só três externas. O elenco também inclui a esposa de Benício, Débora Falabella (série “Dupla Identidade”), além de Otávio Muller (“O Gorila”), Luiza Tiso (série “Marcas da Vida”), Marcelo Flores (“E Aí… Comeu?”) e Stênio Garcia (“Ó Paí, Ó”), como o homem que, em seus últimos suspiros, pede um beijo. O filme ainda não tem previsão de estreia, mas a experiência já animou Benício a planejar seu próximo trabalho como diretor. Será mais uma adaptação teatral, “Pérola”, de Mauro Ras.

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  • Filme

    Ninguém Ama Ninguém resgata o universo atrevido e sensual de Nelson Rodrigues

    21 de novembro de 2015 /

    Nelson Rodrigues é um dramaturgo e contista tão interessante que adaptá-lo para as telas (ou para os palcos) é quase certeza de sucesso. Então, por que diminuíram a quantidade de suas obras adaptadas para o cinema? A última havia sido “Bonitinha, Mas Ordinária”, em versão de 2013, que continha uma sucessão de equívocos que só mesmo um diretor como Moacyr Góes (“Xuxa e o Tesouro da Cidade Perdida”) seria capaz de perpetrar. Pelo menos, trouxe à luz a beleza de Letícia Colin, além de sempre consistente Leandra Leal, claro. Mas é um trabalho que passa longe da antológica versão feita por Braz Chediak em 1981. A adaptação de “Ninguém Ama Ninguém… Por Mais de Dois Anos”, dirigida por Clovis Mello, acerta bem mais, embora esteja longe de ser perfeita. A começar pelos belos e provocadores cartazes, que emulam o estilo dos desenhos da virada das décadas de 1950 e 60, que é justamente o tempo em que se passam as histórias presentes no longa. Como se trata de uma adaptação de várias histórias curtas, amarradas numa única narrativa, difícil não lembrar de “A Vida Como Ela É…”, a série de pequenos e deliciosos episódios produzida por Daniel Filho para o “Fantástico”. Perceber que aqueles episódios são ainda muito mais ousados e picantes que o novo filme não deixa de ser um pouco desanimador, mas pelo menos o lançamento devolve ao cinema o universo rodrigueano, de mulheres safadas (no bom sentido) ou mandonas e de homens cornos ou cafajestes. Nesse universo atrevido, algumas histórias se destacam e ficam mais vivas na memória, enquanto outras se resolvem de maneira tão rápida que caberiam num curta de dez minutos, como o caso da mulher que tem o desejo de transar com o melhor amigo do marido. Aliás, há duas situações desse tipo: uma termina em tragédia, enquanto a outra é levada para o território do humor. Trata-se da história interpretada por Gabriela Duarte, que no filme aparece bem ousada e cheia de sex appeal. Mas a melhor história é mesmo a estrelada por Marcelo Faria. Ele interpreta um sujeito pobre que se casa com uma garota rica, que com o tempo passa a mandar demais na vida dele. Há dois momentos em especial que provocam boas gargalhadas, quando o personagem chuta o balde. No meio disso tudo, ainda há um caso com a bela empregada doméstica. Por sinal, o filme é bem generoso com a sensualidade feminina, em constraste com as produções mais recentes do país, que mesmo ao tratar de sexo se mostram muito comportadas. Já vai longe o tempo em que o cinema brasileiro era considerado um dos mais sensuais do mundo. O que houve desde então? Perdemos a ginga? Ficamos mais hipócritas? Copiamos demais o modelo americano? Ou os produtores assumiram que sexo era um defeito que precisava ser extirpado do nosso cinema? Será por isso que não se filma mais Nelson Rodrigues? Seja por qual motivo, o cinema brasileiro perdeu o tesão. Por isso, sopros de sensualidade e sem-vergonhice, ainda que relativamente tímidos como os de “Ninguém Ama Ninguém”, são sempre bem-vindos.

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