Trailer de drama de época mostra a resistência ao nazismo na Alemanha
A IFC Films divulgou o pôster e o trailer de “Alone in Berlin”, drama de época sobre a resistência ao nazismo no coração da Alemanha. A trama acompanha a história real de um pai enraivecido pela morte do filho na guerra, que resolve confrontar as mentiras do governo sobre as vitórias do nazismo. Para isso, ele passa a deixar cartas e recados com propaganda anti-nazista em diversos lugares estratégicos de Berlim, contando apenas com a ajuda da esposa. Não demora e sua tática chama atenção da Gestapo, que tenta descobrir sua identidade para silenciá-lo. O elenco destaca Brendan Gleeson (“O Guarda”) como o pai, Emma Thompson (“O Bebê de Bridget Jones”) como a mãe e Daniel Brühl (“Capitão América: Guerra Civil”) voltando a viver um nazista bastardo inglório. O filme também chama atenção pela interpretação canastrona, que opta por trazer atores falando em inglês com sotaque carregado para caracterizar seus personagens como alemães. É uma tática risível, mas que tem aval, por incrível que pareça, da Academia, que deu um Oscar para o sotaque alemão de Kate Winslet em “O Leitor” (2008). Considerando que hoje em dia até séries incorporam idiomas originais em suas tramas – “The Strain”, por exemplo, tem flashbacks em que alemães falam… alemão! – , a opção não deveria ser incentivada, mas ridicularizada. Com direção do suiço Vincent Perez, “Alone in Berlin” estreia em 13 de janeiro nos EUA e não tem previsão de lançamento no Brasil.
The Zookeeper’s Wife: Jessica Chastain vive heroína do holocausto em trailer dramático
A Focus Features divulgou o pôster, as fotos e o primeiro trailer de “The Zookeeper’s Wife”, drama sobre o holocausto estrelado por Jessica Chastain (“A Colina Escarlate”). Baseado no livro homônimo e nos diários reais de Antonina Żabiński, o filme se passa na Polônia e conta como Antonina (Chastain) e seu marido (Johan Heldenbergh, em cartaz em “As Confissões”) transformaram o jardim do zoológico de Varsóvia num abrigo secreto para esconder judeus durante a invasão nazista do país, mesmo diante da vigília constante do comandante do Reich (Daniel Brühl, de “Capitão América: Guerra Civil”). A adaptação foi escrita por Angela Workman (“Flor de Neve e o Leque Secreto”) e dirigida por Niki Caro (“Terra Fria”). A estreia está marcada para 31 de março nos EUA e não há previsão de lançamento no Brasil.
Gary Oldman se transforma em Winston Churchill na primeira foto de cinebiografia
A revista Empire divulgou a primeira imagem oficial de Gary Oldman como Winston Churchill (1874 – 1965) na cinebiografia “Darkest Hour”. A foto evidencia um trabalho caprichado de maquiagem e próteses, capazes de transformar o ator fisicamente. O filme traz Churchill em 1940, no início de seu mandato como Primeiro Ministro britânico. Diante do avanço do nazismo pela Europa, com Hitler expandindo territórios e colecionando vitórias, o líder político do Reino Unido se vê diante de um dilema: aceitar um vergonhoso acordo de paz com a Alemanha ou declarar guerra. O roteiro foi escrito por Anthony McCarten, responsável por “A Teoria de Tudo”, trabalho indicado ao Oscar e vencedor do BAFTA, e a direção está a cargo de Joe Wright, de “Orgulho e Preconceito” (2005), “Desejo e Reparação” (2007), “Anna Karenina” (2012) e “Peter Pan” (2015). O elenco conta ainda com Kristin Scott Thomas (“Suite Francesa”) no papel de Clementine, esposa de Churchil, Ben Mendelsohn (“Rogue One: Uma História de Star Wars”) como o rei George VI, John Hurt (“O Espião que Sabia Demais”) como o ex-primeiro ministro Neville Chamberlain e Lily James (“Cinderela”) como a secretária de Churchill, Elizabeth Nel. A estreia está marcada para 29 de dezembro de 2017 no Reino Unido e ainda não há previsão de lançamento no Brasil.
Diretor de A Queda volta a mirar Adolf Hitler em 13 Minutos
O alemão Oliver Hirschbiegel é mais um caso de cineasta estrangeiro que fracassou em seu ingresso em Hollywood após produzir um filme que causou impacto mundial. Gavin Hood (“Infância Roubada”), Florian Henckel von Donnersmarck (“A Vida dos Outros”) e Susanne Bier (“Em Um Mundo Melhor“) são alguns de seus colegas nesta sina. Após os sucessos de “A Experiência” (2001) e de sua obra-prima “A Queda: As Últimas Horas de Hitler” (2004), Hirschbiegel se meteu em três enrascadas em língua inglesa. Além de ter perdido o controle criativo de “Invasores” (2007), ainda teve de engolir o seu “Rastros de Justiça” (2009) sendo lançado na TV, quando a intenção original era uma estreia nos cinemas, e todas as vaias direcionadas ao seu equivocado “Diana” (2013). Exausto, o realizador tenta fazer as pazes com a melhor versão de si mesmo em “13 Minutos”, drama que, assim como “A Queda”, é ambientado na 2ª Guerra Mundial. E a história é fascinante. Trata-se do resgate de Georg Elser, figura heroica pouco lembrada pela história, que teria arquitetado um plano para matar Adolf Hitler. Se não fossem os 13 minutos que marcaram a saída do Fühler de uma reunião com a detonação de uma bomba no local, Elser teria mudado radicalmente o curso do mundo. O roteiro da dupla Fred Breinersdorfer e Léonie-Claire Breinersdorfer deixa claro já em seu prólogo que o plano resultou mal-sucedido, dando espaço para compreender como Elser (interpretado pelo ótimo Christian Friedel, de “A Fita Branca”) chegou ao ponto de protagonizar sozinho uma ação tão arriscada. Em meio a torturas, omissões, ameaças e golpes, o seu passado é encenado. “13 Minutos” tem um primeiro ato bem efetivo, sendo ágil ao ilustrar certa opulência na adoração a um ditador visualizado somente por alguns segundos à distância, em contraste com a vulnerabilidade de Elser, um homem sem qualquer traço de bravura. Infelizmente, os desdobramentos vão perdendo fôlego na medida em que o romance de Elser com Elsa (Katharina Schüttler) ganha uma importância maior, não ornando muito bem com a iniciativa que notabilizou o biografado. Ao menos, é uma possibilidade de ver um exemplo da resistência alemã ao nazismo, que como cinema é bem superior a “Operação Valquíria” (2008).
Andrzej Wajda (1926 – 2016)
Morreu Andrzej Wajda, um dos maiores cineastas da Polônia, vencedor da Palma de Ouro de Cannes e de um Oscar honorário pela carreira de fôlego, repleta de clássicos humanistas. Ele faleceu no domingo (9/10), aos 90 anos, em Varsóvia, após uma vida dedicada ao cinema, em que influenciou não apenas a arte, mas a própria História, ao ajudar a derrubar a cortina de ferro com filmes que desafiaram a censura e a repressão do regime comunista. Nascido em 6 de março de 1926 em Suwalki, no nordeste polonês, Wajda começou a estudar cinema após a 2ª Guerra Mundial, ingressando na recém-aberta escola de cinema de Lodz, onde também estudaram os diretores Roman Polanski e Krzysztof Kieslowski, e já chamou atenção em seu primeiro longa-metragem, “Geração” (1955), ao falar de amor e repressão na Polônia sob o regime nazista. Seu segundo longa, “Kanal” (1957), também usou a luta contra o nazismo como símbolo da defesa da liberdade, e abriu o caminho para sua consagração internacional, conquistando o prêmio do juri no Festival de Cannes. Com “Cinzas e Diamantes” (1958), que venceu o prêmio da crítica no Festival de Veneza, ponderou como pessoas de diferentes classes sociais e inclinações políticas tinham se aliado contra o nazismo, mas tornaram-se inimigas após o fim da guerra. Os três primeiros filmes eram praticamente uma trilogia temática, refletindo as ansiedades de sua geração, que tinha sobrevivido aos nazistas apenas para sofrerem com os soviéticos. Ele também filmou várias vezes o Holocausto, do ponto de vista da Polônia. Seu primeiro longa sobre o tema foi também o mais macabro, contando a história de um coveiro judeu empregado pelos nazistas para enterrar as vítimas do gueto de Varsóvia, em “Samson, a Força Contra o Ódio” (1961). Aos poucos, suas críticas foram deixando de ser veladas. Num novo filme batizado no Brasil com o mesmo título de seu terceiro longa, “Cinzas e Diamantes” (1965), lembrou como os poloneses se aliaram a Napoleão para enfrentar o império russo e recuperar sua soberania. A constância temática o colocou no radar do governo soviético. Mesmo com fundo histórico conhecido, “Cinzas e Diamantes” disparou alarmes. Aproveitando uma tragédia com um ator local famoso, Wajda lidou com a perigosa atenção de forma metalinguista em “Tudo à Venda” (1969), sobre um diretor chamado Andrzej, que tem uma filmagem interrompida pelo súbito desaparecimento de seu ator principal. Considerado muito intelectual e intrincado, o filme afastou o temor de que o realizador estivesse tentando passar mensagens para a população. Mas ele estava. Em “Paisagem Após a Batalha” (1970), o diretor voltou suas câmeras contra o regime, ao registrar o sentimento de júbilo dos judeus ao serem libertados dos campos de concentração no fim da guerra, apenas para sepultar suas esperanças ao conduzi-los a outros campos cercados por soldados diferentes – russos – , inspirando a revolta de um poeta que busca a verdadeira liberdade longe disso. Seus três longas seguintes evitaram maiores controvérsias, concentrando-se em dramas de família e romances de outras épocas, até que “Terra Prometida” (1975) rendeu efeito oposto, celebrado pelo regime a ponto de ser escolhido para representar o país no Oscar. E conquistou a indicação. Ironicamente, a obra que o tornou conhecido nos EUA foi a mais comunista de sua carreira. Apesar de sua obsessão temática pela liberdade, “Terra Prometida” deixava claro que Wajda não era defensor do capitalismo. O longa era uma denúncia visceral de como a revolução industrial tardia criara péssimas condições de trabalho para os operários poloneses, enquanto empresários enriqueciam às custas da desumanização na virada do século 20. Brutal, é considerado um dos maiores filmes do cinema polonês. Satisfeito com a consagração, Wajda manteve o tema em seus filmes seguintes, acompanhando a evolução da situação dos operários poloneses ao longo do século. Mas os resultados foram o avesso do que a União Soviética gostaria de ver nas telas. A partir daí, sua carreira nunca mais foi a mesma. Seus filmes deixaram de ser cinema para virarem registros históricos, penetrando nas camadas mais profundas da cultura como agentes e símbolos de uma época de transformação social. “O Homem de Mármore” (1977) encontrou as raízes do descontentamento dos trabalhadores da Polônia no auge do stalinismo dos anos 1950. O filme era uma metáfora da situação política do país e também usava de metalinguagem para tratar da censura que o próprio Wajda sofria. A trama acompanhava uma estudante de cinema que busca filmar um documentário sobre um antigo herói do proletariado, que acreditava na revolução comunista e na igualdade social, mas, ao ter acesso a antigas filmagens censuradas para sua pesquisa, ela descobre que foi exatamente isto que causou sua queda e súbito desaparecimento da história. Diante da descoberta polêmica, a jovem vê seu projeto de documentário proibido. A censura política voltou a ser enfocada em “Sem Anestesia” (1978), história de um jornalista polonês que demonstra profundo conhecimento político e social numa convenção internacional, o que o faz ser perseguido pelo regime, que cancela suas palestras, aulas e privilégios, culminando até no fim de seu casamento, para reduzir o homem inteligente num homem incapaz de se pronunciar. Após ser novamente indicado ao Oscar por um longa romântico, “As Senhoritas de Wilko” (1979), Wajda foi à luta com o filme mais importante de sua carreira. “O Homem de Ferro” (1981) era uma obra de ficção, mas podia muito bem ser um documentário sobre a ascensão do movimento sindicalista Solidariedade, que, anos depois, levaria à queda do comunismo na Polônia e, num efeito dominó, ao fim da União Soviética. A narrativa era amarrada por meio da reportagem de um jornalista enviado para levantar sujeiras dos sindicalistas do porto de Gdansk, que estavam causando problemas, como uma inusitada greve em pleno regime comunista. Ao fingir-se simpatizante da causa dos estivadores, ele ouve histórias que traçam a longa trajetória de repressão aos movimentos sindicais no país, acompanhadas pelo uso de imagens documentais. O filme chega a incluir em sua história o líder real do Solidariedade, Lech Walesa, que depois se tornou presidente da Polônia. Apesar da trajetória evidente do cineasta, o regime foi pego de surpresa por “O Homem de Ferro”, percebendo apenas o que ele representava após sua première mundial no Festival de Cannes, onde venceu a Palma de Ouro e causou repercussão internacional. Sem saber como lidar com a polêmica, o governo polonês sofreu pressão mundial para o longa ir ao Oscar, rendendo mais uma indicação a Wajda e um confronto político com a União Soviética, que exigiu que o filme fosse banido dos cinemas. Assim, “O Homem de Ferro” só foi exibido em sessões privadas em igrejas em seu país. Considerado “persona non grata” e sem condições de filmar na Polônia, que virara campo de batalha, com o envio de tropas e tanques russos para sufocar o movimento pela democracia despertado pelo Solidariedade, Wajda assumiu seu primeiro longa internacional estrelado por um grande astro europeu, Gerard Depardieu. O tema não podia ser mais provocativo: a revolução burguesa da França. Em “Danton – O Processo da Revolução” (1983), o diretor mostrou como uma revolução bem intencionada podia ser facilmente subvertida, engolindo seus próprios mentores numa onda de terrorismo de estado. A história lhe dava razão, afinal Robespierre mandou Danton para a guilhotina, antes dele próprio ser guilhotinado. E mesmo assim o filme causou comoção, acusado de “contrarrevolucionário” por socialistas e comunistas franceses, que enxergaram seus claros paralelos com a União Soviética. Ficaram falando sozinhos, pois Wajda ganhou o César (o Oscar francês) de Melhor Diretor do ano. Sua militância política acabou arrefecendo no cinema, trocada por romances e dramas de época, como “Um Amor na Alemanha” (1983), “Crônica de Acontecimentos Amorosos” (1986) e “Os Possessos” (1988), adaptação de Dostoevsky que escreveu com a cineasta Agnieszka Holland. Em compensação, acirrou fora das telas. Ele assinou petições em prol de eleições diretas e participou de manifestações políticas, que levaram ao fim do comunismo na Polônia. As primeiras eleições diretas da história do país aconteceram em 1989, e Wajda se candidatou e foi eleito ao Senado. A atuação política fez mal à sua filmografia. Filmando menos e buscando um novo foco, seus longas dos anos 1990 não tiveram a mesma repercussão. Mas não deixavam de ser provocantes, como atesta “Senhorita Ninguém” (1996), sobre uma jovem católica devota, que acaba corrompida quando sua família se muda para a cidade grande, numa situação que evocava a decadência de valores do próprio país após o fim do comunismo. Por outro lado, seus filmes retratando o Holocausto – “As Duzentas Crianças do Dr. Korczak” (1990), sobre um professor que tenta proteger órfãos judeus no gueto de Varsóvia e morre nos campos de concentração, e “Semana Santa” (1995), evocando como a Polônia lidou com a revolta do gueto de Varsóvia em 1943 – receberam pouca atenção. O que o fez se retrair para o mercado doméstico, onde “Pan Tadeusz” (1999), baseado num poema épico polonês do século 19 sobre amor e intriga na nobreza, virou um sucesso. Durante duas décadas, Wajda sumiu dos festivais, onde sempre foi presença constante, conquistando prêmios, críticos e fãs. Mas estava apenas recarregando baterias, para retornar com tudo. Seu filme de 2007, “Katyn” se tornou uma verdadeira catarse nacional, quebrando o silêncio sobre uma tragédia que afetou milhares de famílias na Polônia: o massacre de 1940 na floresta de Katyn, em que cerca de 22 mil oficiais poloneses foram executados pela polícia secreta soviética. Quarta indicação ao Oscar de sua carreira, “Katyn” foi seu filme mais pessoal. Seu pai, um capitão da infantaria, estava entre as vítimas. Durante a divulgação do filme, o cineasta fez vários desabafos, ao constatar que jamais poderia ter feito “Katyn” sem que o comunismo tivesse acabado, uma vez que Moscou se recusava a admitir responsabilidade e o assunto era proibido sob o regime soviético. “Nunca achei que eu viveria para ver a Polônia como um país livre”, Wajda disse em 2007. “Achei que morreria naquele sistema.” Após acertar as contas com a história de seu pai, focou em outro momento importante de sua vida, ao retomar a trama de “Homem de Ferro” numa cinebiografia. Em “Walesa” (2013), mostrou como um operário simples se tornou o líder capaz de derrotar o comunismo na Polônia. Na ocasião, resumiu sua trajetória, dizendo: “Meus filmes poloneses sempre foram a imagem de um destino do qual eu mesmo havia participado”. Ao exibir “Walesa” no Festival de Veneza, Wajda já demonstrava a saúde fragilizada. Mas cinema era sua vida e ele encontrou forças para finalizar uma última obra, que ainda pode lhe render sua quinta indicação ao Oscar, já que foi selecionada para representar a Polônia na premiação da Academia. Seu último filme, “Afterimage” (2016), é a biografia de um artista de vanguarda, Wladyslaw Strzeminski, perseguido pelo regime de Stalin por se recusar a seguir a doutrina comunista. Um tema – a destruição de um indivíduo por um sistema totalitário – que sintetiza o cinema de Wajda, inclusive nos paralelos que permitem refletir o mundo atual, em que a liberdade artística sofre com o crescimento do conservadorismo. Com tantos filmes importantes, Andrzej Wajda ganhou vários prêmios por sua contribuição ao cinema mundial. Seu Oscar honorário, por exemplo, é de 2000, antes de “Katyn”, e o Festival de Veneza foi tão precipitado que precisou lhe homenagear duas vezes, em 1998 com um Leão de Ouro pela carreira e em 2013 com um “prêmio pessoal”. Há poucos dias, em setembro, ele ainda recebeu um prêmio especial do Festival de Cinema da Polônia. O diretor também é um dos homenageados da 40ª edição da Mostra de Cinema de São Paulo, que começa no dia 20 de outubro. A programação inclui uma retrospectiva com 17 longas do grande mestre polonês.
Viva a França! dá à guerra uma perspectiva de esperança
Para narrar o êxodo de milhões de franceses durante a 2ª Guerra Mundial, nos anos 1940, o cineasta francês Christian Carion (indicado ao Oscar por “Feliz Natal”) se vale do olhar de um pai alemão e de seu filho de oito anos de idade. É durante a invasão nazista na França que se passa o longa-metragem “Viva a França!”. Na trama, Hans (August Diehl, de “Bastardos Inglórios”), que se considera comunista, foge da Alemanha e, fingindo ser belga, se mistura com os franceses que vivem em um pequeno vilarejo. Proíbe o filho, Max (Joshio Marlon, da série “Homeland”), por exemplo, de falar alemão. Mesmo entre os dois, o idioma oficial deve ser o francês. Hans, porém, é descoberto e preso. Max fica para trás, mas é cuidado pela professora, Suzanne (Alice Isaaz, de “Doce Veneno”). Com a ajuda dela, aliás, o garoto tem uma ótima ideia para não desistir do pai. Junto com o prefeito e outros habitantes do vilarejo, os dois vão viajar de carroça, a pé, de bicicleta, com um caminhão velho, rumo ao norte, para, então, atravessar até o Reino Unido e fugir dos nazistas. Ter como enfoque o olhar das crianças não é novidade no cinema, mas é sempre emocionante. Em “O Menino do Pijama Listrado” (2008), o tema era o holocausto, contado aos olhos de um pequeno rapaz. Já no italiano “A Vida É Bela” (1997), o pai finge estar participando de uma grande brincadeira para driblar as emoções do filho, pois, na verdade, está em um campo de concentração. Os dois finais a história já deu conta de escrever. Neste longa francês, pontuado pela música original de Ennio Morricone (vencedor do Oscar por “Os Oito Odiados”), a trama é baseada em histórias da mãe do cineasta. “Viva a França!” é um road-movie que se passa no interior daquele país e traz pequenas histórias de família, enchendo o espectador de esperança.
Francofonia é um filme sofisticado, que dá margem a muitas reflexões
História e Arte são elementos centrais do trabalho do cineasta russo Alexandr Sokurov. Em 2002, em “A Arca Russa”, ele percorreu o museu Hermitage, em São Petersburgo, num único plano-sequência, mostrando as obras de arte associadas a elementos da história russa, sendo encenados à medida em que a visita acontecia. Agora, o foco de seu interesse é o Museu do Louvre, em Paris, num momento delicado de sua história: o da ocupação nazista. “Francofonia – O Louvre sob Ocupação” nos oferece a oportunidade de conhecer um pouco da história desse museu emblemático, que reflete a própria história da França, exibe algumas de suas obras pictóricas e esculturas, abordando as relações entre poder e arte e os significados associados aos acervos culturais. Os museus representam a própria civilização em seu momento mais glorioso: o da criação artística. Para Sokurov, não há nada mais importante do que eles. O que significaria a França sem o Louvre, ou a Rússia, sem o Hermitage? É isso o que talvez explique a luta pela preservação de obras de arte em meio às guerras. Esta, porém, não é uma questão a ser entendida linearmente. “Francofonia” mostra que o poder nazista pretendia incorporar a cultura e a arte francesas a um suposto Estado francogermânico, que se sucederia aos conflitos da 2ª Guerra Mundial. Daí a reverência, o respeito e o desejo de preservar o patrimônio artístico-cultural francês. Já quanto ao acervo cultural soviético, não havia qualquer preocupação de preservação. Esse era o inimigo a ser eliminado, varrido do mapa civilizatório. A justificativa para o combate à arte degenerada, tal como mostra muito bem o documentário “Arquitetura da Destruição” (1992), de Peter Cohen, é puramente ideológica. O combate ao comunismo soviético levaria tudo para essa categoria de avaliação. Considere-se, ainda, que preservar, aqui, significa também roubar, saquear, como resultado das guerras. A própria figura de Napoleão Bonaparte é chamada em encenação do filme não só apreciar a arte em que ele figurava, mas para jactar-se de ter amealhado todo aquele acervo maravilhoso para a França. Obras de grande valor artístico também têm de ser transportadas e estão sujeitas a todo tipo de risco, como o representado pelos temporais que atingem os navios. De qualquer modo, os bombardeios são fatais. E foi preciso deslocar a maior parte das peças do Louvre, durante a guerra, para evitar um possível desastre. Se alguém se preocupa seriamente com essas coisas, tanto estando do lado dos invasores quanto dos invadidos, é sinal de que há esperança e civilização possíveis. Em “Francofonia”, isso é mostrado pela relação entre o diretor do Louvre do período, Jacques Jaujard (1895-1967), interpretado por Louis-Do de Lencquesaing, que continuou seu trabalho junto ao governo colaboracionista de Vichy, e o conde Wolff Metternich (1893-1978), vivido por Benjamin Utzerath, o interventor que, em nome do governo alemão, tinha a tarefa de controlar o acervo artístico e, quando solicitado, enviá-lo para a Alemanha. O que ele evitou de forma consciente que, de fato, se concretizasse. A parceria de Jaujard e Metternich em nome da arte, em plena guerra, transforma até o sentido de palavras como colaboracionismo, obediência e patriotismo, tão comuns em referências bélicas, porque surge uma ética que se superpõe a essas questões, em nome da humanidade e da cultura universal. “Francofonia” é um filme rico, que dá margem a muitas reflexões de toda ordem e é criativo, do ponto de vista cinematográfico, além de visualmente muito bonito. Cenas documentais filmadas na época se acoplam a encenações atuais, por meio das tonalidades fotográficas. Passado e presente se integram em panorâmicas da cidade de Paris e do Louvre, os personagens dialogam com as obras de arte dentro do museu e o próprio filme se faz à nossa frente, contando com as explicações narradas por Sokurov. É um filme sofisticado, que não tem a pretensão de atingir grandes bilheterias. É daquelas coisas pelas quais os cinéfilos babam, mas muito gente acha simplesmente tedioso. Fazer o quê? Não é todo mundo que consegue apreciar uma obra de arte.
Alexander Skarsgard, Keira Knightley e Jason Clarke viverão drama entre as ruínas pós-guerra da Alemanha
O drama “The Aftermath”, produzido pela Fox Searchlight vai reunir um grande elenco. Segundo o site da revista Variety, Alexander Skarsgard (“A Lenda de Tarzan”), Keira Knightley (“Mesmo Se Nada Der Certo”) e Jason Clarke (“Planeta dos Macacos – O Confronto”) serão os protagonistas do projeto, que relata a reconstrução da Alemanha após a 2ª Guerra Mundial. Baseado no romance escrito por Rhidian Brook, “The Aftermath” acompanha uma mulher, que viaja com seu filho à Alemanha em 1946 para encontrar o marido, um coronel britânico, ocupado com a reconstrução da cidade de Hamburgo. Ao chegar na nova casa, ela acaba descobrindo que precisará dividir o novo lar com os antigos donos, um viúvo alemão e sua problemática filha, porque seu marido decidiu não desalojá-los. Lá fora, crianças reduzidas a feras, cadáveres ainda não recolhidos da guerra e escombros compõem o que restou da cidade. “The Aftermath” tem produção do cineasta Ridley Scott, por meio de sua produtora Scott Free, que atualmente negocia a direção com James Kent (“Juventudes Roubadas”). O filme ainda não tem data prevista de estreia.
Tarantino diz que vilão de Bastardos Inglórios é o seu melhor personagem
Para Quentin Tarantino, o melhor personagem de seus filmes foi o vilã de “Bastardos Inglórios” (2009), Hans Landa, que rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante para o ator Christoph Waltz. A revelação aconteceu durante a abertura do festival de cinema de Jerusalém, onde ele assumiu sua preferência. “Landa é a melhor personagem que eu já escrevi e talvez a melhor que eu vou escrever”, disse o diretor na ocasião, segundo o site Screen Daily. “Eu não percebi que ele era um gênio linguístico. Ele é provavelmente um dos únicos nazistas na história que pode falar ídiche perfeitamente”, completou o cineasta. Waltz voltou a trabalhar com Tarantino em “Django Livre” (2012), que novamente lhe rendeu um Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.
Terrence Malick vai filmar história de austríaco que preferiu morrer a lutar por Hitler
O cineasta Terrence Malick definiu o tema e já escalou o intérprete de seu próximo filme. Segundo o site The Hollywood Reporter, o ator alemão August Diehl (“Bastardos Inglórios”) vai estrelar a cinebiografia de Franz Jägerstätter, um austríaco que se negou a servir no exército nazista, alegando objeção de consciência por não concordar com Hitler e com o nazismo, e acabou condenado à morte na guilhotina. Intitulado “Radegund”, o filme vai contar o que motivou Jägerstätter a se tornar a única pessoa de seu vilarejo a declarar oposição aberta ao Terceiro Reich. Ao contrário da comunidade católica local, que abraçou o nazismo, ele se declarou moralmente impedido, justificando-se justamente com a religião. Quando foi convocado e se recusou a lutar, os nazistas o mataram. Em junho 2007, o Papa Bento XVI declarou que Jägerstätter foi um mártir da fé católica e, em outubro do mesmo ano, o austríaco foi beatificado. A história reflete os temas espirituais dos filmes mais recentes de Malick, como “A Árvore da Vida” (2011) e “Amor Pleno” (2012). Seu último trabalho, “Cavaleiro de Copas”, não foi lançado no Brasil, mas já está até disponível em DVD e Blu-Ray no mercado americano. Recentemente, ele terminou a montagem de “Weightless”, que ainda não tem previsão de estreia.
Denial: Rachel Weisz tem que provar a existência do Holocausto em trailer dramático
A BBC Films divulgou o pôster e o primeiro trailer de “Denial”, drama britânico baseado em fatos reais, que traz Rachel Weisz (“Oz, Mágico e Poderoso”) como uma historiadora confrontada por um famoso escritor (o excelente Timothy Spall, de “Mr. Turner”) com ideias radicais sobre a existência do Holocausto. A disputa vai parar nos tribunais, levando a professora a ter que provar que o extermínio de judeus realmente aconteceu durante o nazismo. A disputa realmente aconteceu em 1996, mas apesar do clima apresentado no vídeo, resultou no descrédito absoluto do escritor David Irving, que já experimentava problemas com suas teorias e era considerada persona non grata na Alemanha, além de ter um mandato de prisão expedido na Áustria por defender o nazismo. Ele caiu em desgraça, passou um período preso, deixou de ser convidado para palestras e eventos literários e viu suas obras serem ridicularizadas. Baseado no livro de Deborah Lipstadt (a personagem de Weisz), o filme foi escrito por David Hare, já indicado ao Oscar pelos roteiros adaptados de “As Horas” (2002) e “O Leitor” (2008). A direção está a cargo de Mick Jackson, diretor do sucesso “O Guarda-Costas” (1992), que estava afastado do cinema desde 2002. O elenco, por sua vez, também inclui Andrew Scott (série “Sherlock”), Tom Wilkinson (“Selma”), Mark Gatiss (também de “Sherlock”) e Harriet Walter (série “Downton Abbey”). A estreia está marcada para 30 de setembro nos EUA e não há previsão de lançamento no Brasil. https://www.youtube.com/watch?v=
Daisy Ridley vai estrelar drama do diretor de Guerra Mundial Z
A atriz Daisy Ridley, que ficou conhecida como a Rey de “Star Wars: O Despertar da Força”, vai protagonizar “The Lost Wife”, novo filme de Marc Forster (“Guerra Mundial Z”). Na trama, Ridley viverá uma jovem garota judia que é separada do marido quando os alemães invadem a cidade de Praga, na atual República Tcheca, durante a 2ª Guerra Mundial. O roteiro é de Marc Klein (“Espelho, Espelho Meu”) e ainda não há previsão de estreia.











