Betty White (1922–2021)
A atriz americana Betty White, que completaria 100 anos em janeiro, morreu nesta sexta-feira (31/1) em sua casa em Los Angeles. Ela passou o período da pandemia com extrema cautela, permanecendo em sua casa lendo, assistindo TV e fazendo palavras cruzadas. A causa da morte ainda não foi informada. Considerada a atriz de carreira mais longa dos EUA, Betty Marion White Ludden estrelou dezenas de filmes, séries e programas de TV desde os anos 1940, e creditava seu sucesso contínuo a esta exposição prolongada. “Acho que o motivo da longevidade da minha carreira é que várias gerações me conheceram ao longo dos anos, então me tornei meio que parte da família”, disse ela a Larry King, na CNN, em 2010. Seu começo na indústria do entretenimento foi como locutora de rádio em 1939. A experiência a levou a virar apresentadora televisiva em 1945, antes de seu notável bom-humor a transformar em protagonista de séries de comédia, como “A Vida com Elizabeth” (1952-1955) e “Date with the Angels” (1957-1958). Mas sua popularidade perene se deve à geração dos anos 1970, época em que passou a integrar o elenco da primeira série feminista, “Mary Tyler Moore” (1970–1977). Betty entrou na 4ª temporada como Sue Ann Nivens, apresentadora de um programa de dicas culinárias e domésticas, que parecia um doce nas telas, mas longe das câmeras revelava-se uma safada. Pelo desempenho, ela venceu dois Emmys consecutivos como Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia. O sucesso foi tanto que a atriz ganhou sua própria série de comédia, “The Betty White Show”, que só durou uma temporada, exibida entre 1977 e 1978. O detalhe é que ela estava apenas começando. A maior realização de sua carreira só estreou em 1985, quando Betty atingiu 63 anos de idade e marcou época como a simplória Rose Nylund, ao lado das colegas veteranas Bea Arthur, Rue McClanahan e Estelle Getty em “Super Gatas” (The Golden Girls). A sitcom sobre quatro mulheres divorciadas que decidem morar juntas em Miami, em plena Terceira Idade, virou um fenômeno televisivo que durou sete anos, de 1985 a 1992. Betty foi indicada ao Emmy de Melhor Atriz de Comédia durante todas as temporadas, vencendo o troféu em 1986. Ela também conquistou mais dois prêmios da Academia de Televisão ao longo da carreira, como Melhor Atriz Convidada na série de comédia “The John Larroquette Show” em 1996 e no humorístico “Saturday Night Live” em 2010. E ainda foi indicada por participações nas séries “Suddenly Susan” (em 1997), “Yes, Dear” (em 2003), “The Practice” (em 2004) e “My Name Is Earl” (em 2009). Seu último grande destaque nas comédias televisivas foi a sitcom “Calor em Cleaveland” (Hot in Cleaveland), série que durante seis temporadas (de 2010 a 2015) acompanhou um grupo de solteironas em busca de sexo após os 40 (ou bem mais) anos. Mais velha do elenco, ela voltou a ser indicada ao Emmy por seu desempenho em 2011. Depois disso, ainda comandou o humorístico “Só Rindo com Betty White” (Betty White’s Off Their Rockers), que lhe rendeu outras três nomeações ao Emmy – as últimas da carreira – durante sua exibição de 2012 a 2014. Em meio a tantas séries, também fez um punhado de comédias de cinema, como “Santo Homem” (1998), com Eddie Murphy, “A História de Nós Dois” (2002), com Bruce Willis, “A Casa Caiu” (2003), com Steve Martin, “Você de Novo” (2010) com Kristen Bell, e principalmente “A Proposta” (2009), blockbuster com Sandra Bullock e Ryan Reynolds, que deu início a uma piada recorrente do ator sobre sua fixação romântica na veterana. Isto acabou se transferindo para o papel de Deadpool, com várias homenagens do anti-herói vivido por Reynolds à sua musa Betty White. Antes da pandemia, Betty ainda dublou Bitey White, personagem de “Toy Story 4” (2019) criada em sua homenagem, repetindo a participação na série “Garfinho Pergunta” da Disney+. Além disso, sempre encontrou tempo para se dedicar à causa da defesa dos animais. O agente e amigo da atriz Jeff Witjas deu uma declaração na tarde desta sexta-feira, testemunhando sua energia incansável. “Mesmo que Betty estivesse prestes a ter 100 anos, eu pensava que ela viveria para sempre”, comentou.
Astros celebram Jean-Marc Vallée, que morreu no Natal
A morte súbita e inesperada do diretor Jean-Marc Vallée teria sido causada por um ataque cardíaco. Embora ainda não seja oficial, a informação já circula com força em Hollywood. O diretor vencedor do Emmy por “Big Little Lies” morreu repentinamente durante o fim de semana do Natal aos 58 anos, enquanto passava o feriado em sua cabana nos arredores de Quebec City. Familiares e amigos próximos ainda estão em choque. Conhecido por conseguir interpretações premiadas de seus atores, Vallée foi celebrado por vários astros com quem trabalhou, após a notícia de sua morte chegar na mídia na madrugada desta segunda (27/12). Matthew McConaughey e Jared Leto, que conquistaram Oscars por “Clube de Compra Dallas” dirigido pelo canadense, Reese Whiterspoon e Laura Dern, indicadas ao Oscar por “Livre” e vencedoras do Emmy por “Big Little Lies”, foram alguns dos artistas que se manifestaram. “Uma força cinematográfica e um verdadeiro artista que mudou minha vida com um lindo filme chamado ‘Clube de Compra Dallas'”, escreveu Leto, ao lado de uma foto em que aparece com o diretor e seu Globo de Ouro pelo papel. “Muito amor a todos que o conheceram. A vida é preciosa”, completou. “O mundo perdeu um dos nossos grandes e mais puros artistas e sonhadores. E nós perdemos um amigo amado”, disse Laura Dern, também com uma foto em que aparece ao lado do diretor. “Meu coração está partido. Meu amigo. Eu te amo”, tuitou Reese Whiterspoon, compartilhando a notícia da morte do cineasta. Ela ainda acrescentou no Instagram, ao lado de uma galeria de imagens de bastidores de “Livre” e “Big Little Lies”: “Sempre me lembrarei de você enquanto o sol se põe. Perseguindo a luz. Em uma montanha no Oregon. Em uma praia em Monterey. Certificando-nos de que todos nós pegamos um pouco de magia nesta vida. Eu te amo, Jean Marc. Até nos encontrarmos novamente”. “Ele via a vida romântica, da luta à dor, da piscadela ao sussurro, histórias de amor estavam em toda parte em seu olhar”, disse Matthew McConaughey. pic.twitter.com/2L4q8bTNIe — Matthew McConaughey (@McConaughey) December 27, 2021 A filmmaking force and a true artist who changed my life with a beautiful movie called Dallas Buyers Club. Much love to everyone who knew him. Life is precious. pic.twitter.com/2DT0tu9Lbo — JARED LETO (@JaredLeto) December 27, 2021 Beautiful Jean-Marc Vallee. The world has lost one of our great and purest artists and dreamers. And we lost our beloved friend. Our hearts are broken. pic.twitter.com/v9WXikI48e — Laura Dern (@LauraDern) December 27, 2021 My heart is broken. My friend. I love you. https://t.co/dvh63E8K7I — Reese Witherspoon (@ReeseW) December 27, 2021 Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Reese Witherspoon (@reesewitherspoon)
Jaime Osorio Márquez (1975-2021)
O diretor colombiano Jaime Osorio Márquez, que criou e dirigiu a primeira série colombiana da HBO Max, “Mil Colmillos”, morreu na quinta-feira (23/12) na Colômbia, onde a eutanásia é legal. Ele tinha 46 anos e optou pelo suicídio assistido devido a um câncer renal agressivo. Ele venceu um câncer renal agressivo em 2009 e novamente em 2012, mas ele voltou e se espalhou. Devido ao longo tratamento, Márquez desenvolveu intolerância por analgésicos e o aumento da dor se tornou insuportável, levando-o a optar por dar um fim à vida antes que se tornasse um fardo para sua família, informou seu parceiro de produção Federico Duran, da Rhayuela Films, que atuou como showrunner em “Mil Colmillos”. “Meu irmão de alma deixou este plano terreno na quinta-feira passada”, disse Duran em comunicado. “Ele era meu grande amigo, por isso reservo para mim todas as memórias dos quase 15 anos de trabalho com ele, pelo menos enquanto processo a dor de sua saída”. “Todos me perguntaram o que aconteceu com ele, já que parecia tão bem, que o tinham visto muito ativo recentemente e que ele estava em um momento tão importante em sua carreira”, continuou Duran. “A resposta é esmagadora e ele queria que o mundo todo soubesse: Jaime não morreu de câncer. Aquela doença que o atingiu pela primeira vez em 2009, pouco antes de iniciarmos a produção de seu longa-metragem de estreia, ‘El Paramo’ (The Squad, 2011) e que, apesar de todos os tratamentos, se reapresentou impiedosamente na forma de um metástase no fim de semana quando lhe deram o prêmio de melhor diretor no festival de Sitges”, continuou ele. O câncer de Osorio voltou em 2012, na época em que ele ganhou o prêmio de Melhor Roteiro por seu primeiro longa no Festival de Cinema de Guadalajara. No entanto, ele desafiou o prognóstico do médico que lhe deu apenas alguns meses de vida e, em vez disso, viveu uma vida rica e produtiva por quase uma década. “Não, Jaime não foi morto pela doença. Ele sobreviveu, derrotou e dominou. Ele conseguiu escrever e encenar uma peça, dirigir seu segundo filme, ‘7 Cabezas’ (The Sacrifice, 2017) e a série ‘Mil Colmillos’ (A Thousand Fangs, 2021), um esforço titânico que acabou se tornando uma das produções mais destacadas da América Latina. E então, antes que a doença tomasse conta de sua vida novamente, ele foi em frente”, disse Duran. “De alguma forma, ele traçou seu próprio final, como se fosse o escritor de seu próprio roteiro. Em seu momento de maior glória, ele tomou a decisão e colocou as palavras ‘Fim’ em sua própria vida. Voe alto, meu irmão. ” Nascido em Cali, Colômbia, Osorio estudou na Universidade de Rennes, na França. Ele começou a dirigir comerciais para grandes marcas após seu retorno à Colômbia e ganhou vários prêmios por seus trabalhos, incluindo dois Cannes Silver Lions e um Cannes Golden Lion. Seu longa de estreia, o terror ‘El Paramo’, virou um dos maiores sucessos de bilheteria da Colômbia. A ambientação daquele filme, que mostrou um esquadrão militar enfrentando uma ameaça misteriosa, foi ampliada em “Mil Colmillos”, sobre o enfrentamento de soldados desavisados e forças sobrenaturais da floresta. A série obteve muitos elogios da crítica internacional e está disponível no Brasil na plataforma HBO Max. Veja o trailer abaixo.
Jean-Marc Vallée (1963-2021)
O cineasta canadense Jean-Marc Vallée, indicado ao Oscar por “Clube de Compra Dallas” e vencedor do Emmy por “Big Little Lies”, morreu repentinamente durante o fim de semana do Natal aos 58 anos. Os detalhes ainda não foram divulgados, mas ele morreu em sua cabana nos arredores de Quebec City e sua família e amigos próximos estão em choque. “Jean-Marc era sinônimo de criatividade, autenticidade e tentar as coisas de forma diferente”, disse seu parceiro de produção Nathan Ross, ao confirmar o falecimento num comunicado. “Ele era um verdadeiro artista e um cara generoso e amoroso. Todos que trabalharam com ele não puderam deixar de ver o talento e a visão que ele possuía. Ele era um amigo, parceiro criativo e um irmão mais velho para mim. O mestre fará muita falta, mas é um conforto saber que seu belo estilo e o trabalho impactante que ele compartilhou com o mundo vão viver”. Vallée começou a carreira fazendo videoclipes nos anos 1980, mudando para o cinema em 1995 com o lançamento de seu primeiro longa: “Lista Negra”, um suspense envolvendo o assassinato de uma prostituta e uma lista de suspeitos proeminentes, todos juízes. A produção obteve nove indicações ao Genie Awards, o “Oscar” da Academia Canadense de Cinema, que ele finalmente foi vencer dez anos depois, com seu quarto longa. A comédia de época “C.R.A.Z.Y. – Loucos de Amor” consagrou Valée em 2005. O filme venceu quatro Genies, incluindo Melhor Filme e Diretor, e abriu as portas para uma nova fase em sua carreira, rendendo sua primeira produção de grande orçamento. Indicado a três Oscars e vencedor da categoria da categoria de Melhor Figurino, o suntuoso drama de época “A Jovem Rainha Vitória” (2009), estrelado por Emile Blunt, deixou o diretor bem cotado em Hollywood. Mas antes de assumir projetos americanos, ele preferiu rodar primeiro um drama franco-canadense, “Café de Flori” (2011), estrelado por Vanessa Paradis. Foi um breve desvio, antes de Vallée entrar com força em Hollywood e atingir o ápice da carreira com “Clube de Compra Dallas” (2013), baseado na história real de um texano aidético que salvou a sua vida e várias outras ao contrabandear remédios contra Aids barrados pela burocracia nos EUA. Matthew McConaughey perdeu famosamente vários quilos, ficando só pele e osso para desempenhar o papel, e acabou reconhecido com o Oscar de Melhor Ator. Além dele, Jared Leto também conquistou um troféu de Melhor Coadjuvante por viver um transexual aidético. Vallée, porém, foi lembrado apenas na categoria de Edição e não venceu. Ele fez só mais dois longas após a esnobada da Academia: “Livre” (2014), que rendeu indicações ao Oscar para Reese Witherspoon e Laura Dern, e “Demolição” (2014), com Jake Gyllenhaal, premiado no Festival SXSW. A partir daí, voltou sua atenção para a TV paga, com resultados impressionantes. Em 2017, o cineasta venceu tanto o DGA Award, prêmio do Sindicato dos Diretores, quanto o Emmy de Melhor Direção pela série “Big Little Lies”. No total, a produção da HBO levou oito Emmys, mas Vallée não quis dirigir a 2ª temporada quando a minissérie original foi estendida com uma continuação. Em vez disso, foi comandar “Sharp Objects” (também conhecida pelo título nacional do livro em que se baseia, “Objetos Cortantes”), que disputou mais oito Emmys no ano seguinte. Além de dirigir, o cineasta também produziu “Big Little Lies” e “Sharp Objects”, e ficou muitos anos tentando tirar uma cinebiografia de Janis Joplin do papel, que nunca foi realizada por brigas com os detentores dos direitos autorais da cantora. Ele estava desenvolvendo “The Player’s Table”, série que seria estrelada pela cantora Halsey, e um filme sem título quando faleceu. “Jean-Marc Vallée foi um cineasta brilhante e ferozmente dedicado, um talento verdadeiramente fenomenal que infundiu cada cena com uma verdade profundamente visceral e emocional”, disse a HBO em comunicado. “Ele também foi um homem extremamente carinhoso, que investiu todo o seu ser ao lado de cada ator que dirigiu.” Vallée deixa dois filhos adultos, o ator Alex Vallée e o editor Émile Vallée, com quem costumava trabalhar em suas produções.
Alec Baldwin diz que não passa um dia sem lembrar da morte de Halyna Hutchins
Alec Baldwin publicou um vídeo em seu Instagram para desejar um feliz Natal a seus seguidores e agradeceu o apoio no momento “muito difícil” que está passando, referindo-se à tragédia no set do filme “Rust”, que resultou na morte da diretora de fotografia Halyna Hutchins, atingida por um tiro disparado pelo ator. “Gostaria de agradecer a todas as pessoas que me enviam bons pensamentos, que me enviam apoio. Eu sou muito grato por isso. Passar por isso está sendo muito difícil”, ele comentou. Em seguida, o ator afirmou que pensa no acidente diariamente. “Não vejo a hora de pelo menos parte disso tudo ficar para trás. Claro que, para todos os que estão envolvidos [com a tragédia], isso nunca passará porque alguém morreu de forma trágica. Não passa um dia sem que eu me lembre disso.” O vídeo foi a primeira manifestação pública de Baldwin desde a entrevista concedida à rede de televisão norte-americana ABC no início do mês, que foi disponibilizada na íntegra no Brasil pela plataforma Star+. Num depoimento emocionado ao jornalista George Stephanopoulos, Baldwin deu detalhes do acidente, afirmando que não apertou o gatilho da arma que causou a morte da cinematógrafa. “Eu mexi no cão da arma, porque era isso que eles precisavam que eu fizesse na cena. Eu puxei e falei [para Hutchins]: ‘Está bom assim? Consegue ver?’. Quando soltei o cão, a arma disparou”, contou. Reiterando que “jamais puxaria o gatilho de qualquer arma quando ela estivesse apontada para alguém”, Baldwin disse que ficou chocado ao ver a diretora de fotografia cair no chão. Mesmo sem se considerar culpado, pois profissionais da produção teriam garantido que a arma era seguira e não tinha munição, ele assumiu que sua carreira pode ter acabado após a tragédia. Até o momento, ninguém foi indiciado, mas a polícia já tem uma suspeita sobre como a munição real foi parar no set do filme. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Alec Baldwin (@alecbaldwininsta)
Joan Didion (1934–2021)
A escritora Joan Didion, uma das maiores expoentes do Novo Jornalismo americano e roteirista do sucesso “Nasce uma Estrela”, morreu nesta quinta-feira (23/12) de Mal de Parkinson em sua casa em Nova York, aos 87 anos. Cronista do caos dos anos 1960, ela se destacou com uma série de artigos na revista Life e no jornal The Saturday Evening Post, que retratavam o cotidiano dos baby boomers. Os textos foram seguidos por livros famosos, como “O Álbum Branco” sobre os hippies, The Doors e a Hollywood dos anos 1970 e, mais recentemente, “O Ano do Pensamento Mágico”, sobre tragédias pessoais, que a estabeleceram como uma das vozes mais críticas da ficção americana. Ela também se dedicou à reportagem política e crônica cultural. Mas foi só após se casar com John Gregory Dunne, jornalista da Time, que se mudou para a Califórnia e se aproximou de Hollywood. Didion virou roteirista em parceria com o marido. Os dois estrearam na ficção de cinema em 1971 com a adaptação de um livro de James Mills, “The Panic in Needle Park”, que virou o filme batizado como “Os Viciados” no Brasil. Considerado um marco da “nova Hollywood”, o drama dirigido por Jerry Schatzberg apresentou ao mundo o talento de Al Pacino, em seu primeiro papel de protagonista. Em seu segundo roteiro, a dupla adaptou um livro de Didion, “Play It as It Lays”, lançado nos cinemas brasileiros como “O Destino que Deus Me Deu” em 1972. A trama dramática acompanhava Tuesday Weld numa viagem sem rumo para esquecer seu casamento fracassado, um aborto e a doença mental da filha. A consagração veio no terceiro trabalho, quando o casal reescreveu a clássica história hollywoodiana de “Nasce uma Estrela” para a era do rock. Estrelado por Barbra Streisand e Kris Kristofferson, o filme estourou nas bilheterias e venceu um Oscar. O roteiro ainda serviu de base para o remake de 2018, com Lady Gaga e Bradley Cooper, garantindo-lhes créditos na nova produção. Eles também escreveram “Confissões Verdadeiras” (1981), versão de um romance de Dunne, que juntou Robert De Niro e Robert Duvall, e “Íntimo e Pessoal” (1996), trama ambientado em um telejornal, com Robert Redford e Michelle Pfeiffer. Dunne morreu de enfarte em 2003, aos 71 anos. Dois anos depois, a filha adotada pelo casal, Quintana Roo, morreu de pancreatite e choque séptico, com 39. Didion escreveu sobre a morte do marido e a doença da filha em “O Ano do Pensamento Mágico”, que foi adaptado para os palcos em 2007 num monólogo com a atriz Vanessa Redgrave. No mesmo ano, ela foi premiada pelo Sindicato dos Roteiristas dos EUA (WGA, na sigla em inglês) com o troféu especial Evelyn F. Burkey, que reconhece aqueles que trouxeram “honra e dignidade” à profissão. Sem o parceiro de vida, Didion nunca mais escreveu outro roteiro, mas seus livros continuam a inspirar filmes, como “A Última Coisa que Ele Queria”, adaptado no ano passado pela diretora Dee Rees (“Mudbound”) e lançado pela Netflix com Anne Hathaway (“Os Miseráveis”) no papel principal. Em 2017, ela também virou documentário, “Joan Didion: The Center Will Not Hold”, produzido e dirigido por seu sobrinho, o ator Griffin Dunne (“Depois de Horas”), também disponibilizado pela Netflix.
Sally Ann Howes (1930–2021)
A atriz e cantora britânica Sally Ann Howes, que estrelou o musical “O Calhambeque Mágico” (1968), morreu no domingo passado (19/12) aos 91 anos, “pacificamente enquanto dormia”, segundo informou seu sobrinho no Twitter. Howes nasceu em Londres numa família de atores, e começou sua carreira aos 13 anos com o papel principal no filme “Thursday’s Child” (1943). Sua juventude foi repleta de sucessos do cinema britânico, mas não se prendeu às comédias infantis. Com 15 anos encarou o terror da célebre antologia “Na Solidão da Noite” (1945). Ela também integrou o elenco da versão de “Anna Karenina” estrelada por Vivan Leigh em 1948, antes de viver a Cinderella de um telefilme de 1950. Após se consagrar no cinema, Howes virou estrela do West End e da Broadway, chegando a concorrer ao prêmio Tony de Melhor Atriz em Musical pela montagem de “Brigadoon”, em 1963. Três anos depois, ela estrelou a versão televisiva da peça. O melhor da experiência com música e dança, porém, foi o convite para estrelar seu filme mais conhecido, “O Calhambeque Mágico”, contracenando com Dick Van Dyke. Algumas músicas daquele filme são lembradas até hoje. O sucesso de “O Calhambeque Mágico”, entretanto, não foi explorado em novos filmes. Ela só fez mais um longa na carreira: o terror “O Navio Assassino” em 1980. E abandonou as telas de vez em 1992 com a minissérie “Segredos”. Sempre convidada a participar de programas televisivas e até a se apresentar em eventos oficiais da Casa Branca, Howes passou a se dedicar cada vez mais aos musicais de teatro, excursionando com montagens de “O Rei e Eu” e “A Noviça Rebelde”, antes de lançar seu primeiro show solo, “From This Moment On”, em 1990. Longe das telas, ela continuou excursionando com montagens teatrais até recentemente. Relembre abaixo uma cena de “O Calhambeque Mágico” com uma das canções mais famosas de sua trilha sonora.
Bridget Hanley (1941-2021)
Bridget Hanley, estrela das séries clássicas “E as Noivas Chegaram” e “Harper Valley P.T.A.”, morreu na quarta (15/12) de doença de Alzheimer, no lar para idosos de Hollywood em Woodland Hills, na Califórnia. Ela tinha 80 anos. A atriz começou a carreira como convidada em séries populares dos anos 1960, como “Gidget”, “A Feiticeira”, “Jeannie é um Gênio” e “A Noviça Voadora”, antes de conseguir seu primeiro papel fixo regular em “E as Noivas Chegaram”. Criada em 1968 por N. Richard Nash (autor do livro que virou o recente filme “Cry Macho”, de Clint Eastwood), a série de comédia tinha premissa similar ao sucesso de cinema “Sete Noivas para Sete Irmãos” (1954). A trama se passava num acampamento de madeireiros do fim do século 19 que se revoltava pela falta de mulheres na região. Logo, uma centena de noivas em potencial foram levadas para a floresta para impedir uma greve e salvar o negócio. Hanley interpretou a ruiva Candy Pruitt, a líder do grupo de mulheres. O elenco também incluía a famosa estrela de cinema Joan Blondell, o ator David Soul, antes de entrar na série “Justiça em Dobro”, e o então iniciante Bobby Sherman, que virou um ídolo da música pop durante a exibição da série, exibida até 1970. Após o cancelamento das “Noivas”, Hanley voltou a sua rotina de atriz convidada, aparecendo em várias outras séries, incluindo “Nanny”, “O Jogo Perigoso do Amor” e “Um Estranho Casal”. Ela só voltou a um elenco fixo em 1981, quando se juntou a “Harper Valley P.T.A.” como Wanda, filha da rival da personagem principal – a ex-“Jeannie é um Gênio” Barbara Eden, que encarnava uma viúva liberada em luta contra hipócritas puritanos em uma cidadezinha do sul dos EUA. A série de comédia durou duas temporadas, até agosto de 1982. Mas Hanley continuou sua carreira por mais uma década, aparecendo em “Carga Dupla”, “Assassinato por Escrito” e várias outras atrações, vindo a se despedir das telas num episódio do revival de “Kung Fu” de 1996. Ela foi casada com o diretor de TV E.W. Swackhamer (“Jeannie é um Gênio”) de 1969 até a morte dele em 1994.
Tania Mendoza (1979-2021)
A atriz Tania Mendoza, de 42 anos, foi assassinada em Cuernavaca, no estado de Morelos, no México. O crime aconteceu na terça-feira (14/12) enquanto a atriz esperava o filho de 11 anos em um treino de futebol. Duas pessoas encapuzadas passaram em uma moto e dispararam contra ela. A atriz morreu no local. Ela era conhecida por estrelar produções criminais de baixo orçamento, muitas delas lançadas direto em vídeo, como “La Mera Reina de Sur” (2003), história muito parecida com a do romance de Arturo Pérez-Reverte, publicado um ano antes, e que depois ganharia vida por meio de Kate del Castillo na série mexicana “Rainha do Sul” e com Alice Braga na adaptação americana. Antes de virar atriz, Mendoza se lançou como cantora de música regional mexicana e chegou a manter a carreira de forma paralela por alguns anos. Sua trajetória nos filmes e séries se iniciou em 1998 e rendeu ao todo 25 títulos, mas desde 2012 ela já não aparecia mais diante das câmeras, trabalhando em eventos e feiras nos últimos anos. A mudança coincide com a transformação de sua própria vida numa história policial. Em 2010, Tania foi sequestrada com o marido e o filho de seis meses no lava rápido da família. Na época, ela foi mantida em cativeiro por algumas horas por um grupo de homens encapuzados, que lhe pediram uma quantia de dinheiro como resgate e lhe deram o aviso de que deveria sair do estado de Morelos, onde acabou sendo assassinada. Agora, a polícia investiga se seu assassinato tinha alguma ligação com o traficante Arturo Beltrán Leyva, morto pela Marinha mexicana em 2009. Nas redes sociais, Tania fez várias declarações para o traficante, lamentando sua morte. “11 anos de sua partida, te amamos”, escreveu no aniversário de morte de Arturo no ano passado. “Aqui em Acapulco sentimos falta dele, era o único que punha ordem nas coisas”, comentou um seguidor da atriz após uma publicação elogiando o traficante. “Concordo”, ela respondeu. O Ministério Público Estadual de Morelos também não descarta que o assassinato da atriz seja um possível caso de feminicídio. O México é um dos países com maior taxa de assassinato de mulheres do mundo.
Rogério Samora (1959–2021)
O ator português Rogério Samora morreu nesta quarta (15/12), de 62 anos, após 147 dias hospitalizado em Lisboa. Ele estava internado desde julho, após sofrer uma parada cardíaca durante a gravação de uma novela. Conhecido no Brasil pela novela “Nazaré”, da Band, Samora sofreu um infarto nos estúdios da SIC enquanto gravava uma novela portuguesa, “Amor Amor”. O artista tem um papel importante na trama e, antes de se sentir mal, estava contracenando com outro ator conhecido dos brasileiros, Ricardo Pereira (“Deus Salve o Rei”, “Minha Vida em Marte”), que é o protagonista. Ele foi acudido rapidamente pelos colegas e equipes de produção da novela e levado para o Hospital Amador Sintra. Mesmo assim, não conseguiu se recuperar. Nascido em Lisboa, em 28 de outubro de 1958, Samora acumulava mais de 40 anos de carreira. Ele começou no teatro e participou de muitas novelas, séries, programas de televisão e filmes premiados, incluindo três longas do mestre Manoel de Oliveira, “Os Canibais” (1988), “Palavra e Utopia” (2000) e “O Quinto Império – Ontem Como Hoje” (2004), além de “Capitães de Abril” (2000), de Maria de Medeiros, e “As Mil e Uma Noites” (2015), de Miguel Gomes, entre outras obras premiadas. Samora também fez dois filmes brasileiros: “Solidão, Uma Linda História de Amor”, de Victor di Mello, em 1989, contracenando com Tarcísio Meira, Maitê Proença, Nuno Leal Maia, Vera Gimenez e até Pelé, e “Diário de Um Novo Mundo”, de Paulo Nascimento, em 2005, ao lado de Edson Celulari e Daniela Escobar.
Morte da influenciadora Gabby Petito vira série documental
A morte da influenciadora Gabby Petito, de 22 anos, virou série documental de “true crime”. A plataforma Peacock divulgou nesta segunda (13/12) o trailer da atração, que já estreia na sexta-feira (17/12) nos EUA. Intitulada “The Murder of Gabby Petito: Truth, Lies and Social Media”, a série exibe depoimentos da família de Gabby, vídeos postados nas redes sociais da jovem e detalhes da investigação criminal, que teve início quando ela foi encontrada morta após uma viagem com o noivo, Brian Laundrie, nos Estados Unidos. O plano era percorrer a Costa Oeste do país de carro e conhecer todos os parques da região. No entanto, no dia 30 de agosto a influenciadora parou de entrar em contato com a família, enquanto o rapaz voltou para sua casa dois dias depois. Ele chegou a usar um cartão de crédito da jovem após ela ter sumido. No dia 13 de setembro, os familiares de Brian Laundrie informaram que ele também havia desaparecido. O corpo de Petito foi encontrado uma semana depois, no dia 21 de setembro, com marcas de estrangulamento apontadas como causa da morte. E Laundrie, que chegou a ser considerado foragido da polícia, teve seus restos mortais achados próximos à casa onde morava um mês mais tarde, já em estado de decomposição. Especialistas confirmaram que os ossos eram mesmo dele. Em declaração para a imprensa, o xerife Kurt Hoffman, da região de Sarasota, disse que a morte de Laundrie “provavelmente foi suicídio”. Isto não impediu a investigação, que continuou para determinar o que realmente aconteceu entre os dois.
Verónica Forqué (1955–2021)
A atriz espanhola Verónica Forqué, que estrelou três filmes de Pedro Almodóvar, foi encontrada morta aos 66 anos nesta segunda-feira (13/12) em sua casa de Madri. Relatos iniciais apontam para possível um suicídio, mas não há maiores detalhes até o momento. Seus primeiros trabalhos de destaque foram em filmes de seu pai, o diretor José María Forqué – como “Una Pareja… Distinta” (1974), “Madrid, Costa Fleming” (1976) e “El Segundo Poder” (1976). Mas logo ganhou aval do respeitabilíssimo diretor Carlos Saura, que a escalou em “Olhos Vendados” (1978), e do jovem Almodóvar, responsável por lhe dar destaque em “Que Fiz Eu para Merecer Isto?” (1982). O filme de Amoldóvar deu grande popularidade a Forqué e os dois voltaram a colaborar em mais dois sucessos, “Matador” (1986) e “Kika” (1993), que a estabeleceram como uma atriz querida do público espanhol. Ela acabou se tornando protagonista e especializando-se em comédias, seguindo a carreira com filmes premiados como “Sin Vergüenza” (2001) e “Rainhas” (2005). Mas também fez dramas famosos, como “Clara y Elena” (2001), em que contracenou com outra musa de Almodóvar, Carmen Maura. Um de seus últimos trabalhos foi “Vovó Saiu do Armário” (2019), em que interpretou a personagem-título, uma senhora idosa que decide se casar com uma mulher e cria uma crise com a neta conservadora. Ao saber de sua morte, Almodóvar emitiu um nota de pesar por meio de sua produtora, El Deseo. “O vazio que isso deixa em nossas vidas e no nosso cinema é irrecuperável. Foi-se uma atriz extraordinária e uma pessoa insubstituível com quem tivemos a honra de trabalhar e compartilhar a vida. Faça uma boa viagem, Verónica”. Antonio Banderas, que trabalhou com ela em “Matador”, também se manifestou, descrevendo-a como “uma mulher doce, espiritual e boa companheira”. Já a Academia Espanhola de Cinema a reverenciou como “um rosto essencial do cinema espanhol nas últimas décadas”. Os motivos do suicídio são desconhecidos, mas o diretor, ator e produtor Carlo D’Ursi escreveu uma triste reflexão em seu perfil no Twitter, citado nesta segunda-feira pelo jornal El Confidencial: “Morrer sozinha, com 66 anos e vítima de depressão não estava escrito em nenhum roteiro”.
Anne Rice (1941–2021)
A escritora Anne Rice, autora do best-seller “Entrevista com o Vampiro”, morreu na noite de sábado (11/12) aos 80 anos, após sofrer um AVC. Sua morte foi confirmada pelo filho Christopher Rice nas redes sociais. “A imensidão da dor de nossa família não pode ser exagerada”, ele escreveu. Autora de quase 40 best-sellers de ficção no universo gótico, Rice vendeu mais de 150 milhões de exemplares no mundo inteiro. E tudo começou com “Entrevista com o Vampiro”, lançado em 1976, que chegou no Brasil com tradução para o português de Clarice Lispector. Seu sucesso inaugurou uma saga literária, conhecida como “As Crônicas Vampirescas”, que inclui “O Vampiro Lestat” e “A Rainha dos Condenados”, e saiu das páginas impressas para inspirar músicas e filmes. “Entrevista com o Vampiro” virou primeiro uma música de Sting, “Moon Over Bourbon Street”, em 1986. E em 1994 chegou ao cinema, com Lestat interpretado por Tom Cruise. A adaptação de “Entrevista com o Vampiro” também contou com Brad Pitt, Antonio Banderas e a então menina Kirsten Dunst, e marcou uma geração com suas cenas icônicas dirigidas por Neil Jordan. De forte contexto homossexual, o filme trazia Cruise e Pitt como parceiros eternos, criando como uma criança vampira (Dunst) como filha. Responsável por revitalizar o gênero dos filmes de vampiros, “Entrevista com o Vampiro” foi precursor de “Crepúsculo” ao mudar a representação das criaturas da noite, que deixavam de ser monstros desalmados para se revelar pessoas atormentadas e capazes de amar. O filme também trocou o visual assustador dos vampiros, estabelecido por “Nosferatu” e os filmes de “Drácula”, pela aparência sedutora de dois dos maiores astros do cinema de sua época. A locação em Nova Orleans, lar da escritora, também teve efeito inspirador ao explorar o misticismo da região. Não por acaso, a série “The Originals” mostrou os primeiros vampiros do mundo, também vindo de páginas literárias (no caso, de L. J. Smith), morando na mesma cidade. A produção de cinema ainda ganhou uma sequência sem o mesmo elenco em 2002, “A Rainha dos Condenados”, que trazia Stuart Townsend como o vampiro roqueiro Lestat e a cantora Aaliyah (1979–2001) no papel-título, o último de sua carreira. Rice também criou outra saga gótica bem-sucedida, a trilogia das “Bruxas de Mayfair” (Lives of the Mayfair Witches), e posteriormente misturou as duas franquias em livros que estabeleceram um universo sobrenatural compartilhado. Tanto as “As Crônicas Vampirescas” quanto as “Bruxas de Mayfair” vão virar séries a partir de 2022 no canal pago americano AMC, o mesmo de “The Walking Dead”. A escritora tinha conseguido recuperar em 2016 os direitos de adaptação de seus livros de vampiros, que estavam com a Warner, e decidiu que não faria mais filmes. Impressionada com a qualidade das séries recentes, buscou parceiros para desenvolver atrações baseadas em suas obras, de modo a criar seu próprio universo televisivo. O produtor-roteirista Rolin Jones, que trabalhou em “Friday Night Lights”, “The Exorcist” e recentemente criou a nova versão de “Perry Mason” para a HBO, vai desenvolver as adaptações para a AMC. Ele chegou a trabalhar com Anne Rice no começo do projeto, e continuará a produzir as adaptações ao lado de Christopher Rice.












