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    Andrea Tonacci (1944 – 2016)

    18 de dezembro de 2016 /

    Morreu o cineasta Andrea Tonacci, um dos principais nomes do cinema marginal brasileiro. Ele faleceu na sexta-feira, vítima de câncer no pâncreas. Tonacci nasceu em Roma, na Itália, em 1944, e se mudou com a família para São Paulo aos 10 anos. Fez sua estreia no cinema com o curta “Olho por Olho” (1966), feito na mesma época e com a mesma equipe de “Documentário”, de Rogério Sganzerla, e “O Pedestre”, de Otoniel Santos Pereira. Seu primeiro longa, “Bang-Bang” (1971), com Paulo Cesar Pereio numa máscara de macaco, se tornou um marco do cinema marginal brasileiro, como ficou conhecida a geração contracultural, que reagia ao intelectualismo exacerbado do Cinema Novo. A ditadura militar não distinguia entre os dois movimentos e tratava de dificultar a exibição por igual. Por isso, o filme teve carreira restrita a cineclubes no Brasil, mas acabou escolhido para a prestigiada Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes. Rodada em Belo Horizonte, a obra trazia Pereio mascarado e delirante, em fuga de sujeitos estranhos, e pode ser interpretada como alegoria à falta de saídas diante da ditadura. Ele também provocou a ditadura com o curta “Blábláblá” (1968), em que o ator Paulo Gracindo vivia um ditador demagógico. Mas não demorou a abandonar as alegorias para mostrar o que realmente acontecia no país, aproximando-se da linguagem documental e se especializando em temas da cultura indígena. Em curto período, ele dirigiu filmes como “Guaranis do Espírito Santo” (1979), “Os Araras” (1980) e “Conversas no Maranhão” (1977-83). Nos anos 1990, fez apenas um documentário sobre a “Biblioteca Nacional” (1997) para ressurgir com força na década seguinte com seu filme mais impactante, “Serras da Desordem” (2006), que resgata a história do massacre da tribo Awá-Guajá nos anos 1970 na Amazônia, a partir do ponto de vista de um sobrevivente. Combinação de documentário com ficção, o longa venceu os prêmios de Melhor Filme, Direção e Fotografia no Festival de Gramado. E recentemente entrou na lista dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, elaborada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). O último filme de Tonacci foi “Já Visto Jamais Visto” (2014), no qual o cineasta revisita suas memórias com registros inéditos de imagens de família, viagens, projetos inacabados, etc. No começo do ano, ele completou o balaço com uma homenagem e retrospectiva no Festival de Tiradentes, em celebração aos seus 50 anos de carreira.

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  • Filme,  Série

    Bernard Fox (1927 – 2016)

    15 de dezembro de 2016 /

    Morreu o ator galês Bernard Fox, até hoje lembrado como o doutor Bombay na série clássica “A Feiticeira”. Ele faleceu em Los Angeles na quarta-feira (14/12), aos 89 anos, após sofrer insuficiência cardíaca. Fox, na verdade, nasceu Bernard Lawson, em 11 de maio de 1927, no País de Gales. Filho de atores de teatro, estreou nos palcos ainda bebê, quando os pais precisaram de uma criança para uma peça. Na pré-adolescência, já trabalhava como assistente de diretor de um teatro. Entre 1958 e 1959, ele estrelou a série britânica “Three Live Wires”, comédia sobre três jovens que trabalhavam no mesmo departamento de uma loja de eletrodomésticos. Mas o amor mudou o rumo de sua carreira. Após se casar com a atriz americana Jacqueline Holt, com quem contracenou numa peça, ele acabou se mudando para os EUA em 1962, onde acabou acumulando participações em séries clássicas. Ele apareceu em séries tão diferentes quanto “Combate”, “Perry Mason”, “Jeannie É um Gênio”, “O Agente da UNCLE”, “James West”, “E As Noivas Chegaram”, “Daniel Boone”, “O Rei dos Ladrões”, “Têmpera de Aço”, “A Família Dó-Ré-Mi”, “Galeria do Terror”, “Columbo”, “Barnaby Jones”, “M*A*S*H”, “Os Gatões”, “Ilha da Fantasia”, “Casal 20”, “O Barco do Amor”, “A Supermáquina”, “Duro na Queda” e “Assassinato por Escrito”, entre outras. Mas é mais lembrado por dois papéis marcantes. O ator teve participações recorrentes nas séries de comédias “Guerra, Sombra e Água Fresca” (1965–1971), na qual interpretou o Coronel Rodney Crittendon, um oficial britânico prisioneiro de guerra, e principalmente em “A Feiticeira” (1964–1972), onde roubou as cenas como o Dr. Bombay, um médico de bruxas que tratava doenças sobrenaturais com sintomas bizarros. Bombay costumava atender chamados de emergência de Samantha (Elizabeth Montgomery) nas horas mais impróprias, sendo geralmente convocado em seus momentos de laser – ele sempre aparecia em meio a uma nuvem de fumaça, por vezes trajado à rigor para uma noite na ópera, outras vez com traje de mergulho, equipamento de alpinismo e até enrolado em uma toalha, prestes a tomar banho. Bombay fez tanto sucesso que Bernard voltou a interpretá-lo em mais duas atrações: no spin-off “Tabitha”, dos anos 1970, centrado na filha de “A Feiticeira”, e mais recentemente na novela “Passions”, dos anos 2000, passada numa cidade onde ocorriam alguns eventos sobrenaturais. Bombay apareceu duas vezes na cidade para atender a bruxa Tabitha, inspirada na personagem de “A Feiticeira”. No cinema, ele ainda coadjuvou em “Aguenta Mão” (1966), musical de rock com a banda inglesa Herman’s Hermits, no filme derivado da série “Os Monstros”, “Monstros, Não Amolem” (1966), e nas comédias “Herbie – O Fusca Enamorado” (1977) e “De Volta aos 18” (1988). Mas sua filmografia chama mais atenção por um detalhe curioso. Ele foi o único ator de “Titanic” (1999) que já tinha afundado com o navio antes. No início da carreira, Bernard figurou como um marinheiro em “Somente Deus por Testemunha” (1958), o melhor filme sobre o naufrágio do Titanic até James Cameron dirigir a sua famosa versão. Curiosamente, seus dois personagens sobreviveram em ambas as filmagens. Seu último filme foi “A Múmia” (1999) e sua última aparição na TV aconteceu na série “Dharma & Greg” em 2001.

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    Alan Thicke (1947 – 2016)

    14 de dezembro de 2016 /

    Morreu o ator, roteirista e músico canadense Alan Thicke, conhecido principalmente pelo papel do patriarca Jason Seaver na série “Tudo em Família” (Growing Pains). Ele teve um ataque cardíaco enquanto jogava hóquei com seu filho Carter nesta quarta-feira (14/12), aos 69 anos, confirmou seu agente. Thicke nasceu em Ontário em 1947, e foi indicado a três prêmios Emmy por seu trabalho como roteirista de especiais de variedade no fim dos anos 1970. E chegou até a comandar um late show, “The Alan Thicke Show”, antes de se destacar como ator. “Tudo em Família” foi ao ar entre 1985 e 1992 na rede americana ABC e deu a Thicke fama mundial. Ao viver o psiquiatra Dr. Jason Seaver, pai de família que trabalha em casa, enquanto a mãe retoma a carreira de jornalista, Thicke marcou época, divertindo, ensinando valores e apontando mudanças na dinâmica familiar tradicional. De alguma forma, a cada episódio, ele sempre encontrava o equilíbrio entre as obrigações profissionais, as tarefas domésticas e o cuidado dos filhos, transformando-se num um dos primeiros e com certeza o mais popular “dono de casa” bem-sucedido da televisão. O elenco da série incluía Joanna Kerns, Kirk Cameron, Tracey Gold, Jeremy Miller e até um jovem chamado Leonardo DiCaprio. “Tenho muito orgulho do papel e de tudo que a série fez por mim e pela minha família. Se for por isso que lembrarem de mim quando morrer, estarei perfeitamente confortável com isso”, chegou a dizer Thicke em entrevista recente. Mas Thicke também ficou conhecido por compor os temas musicais de séries clássicas como “Hello, Larry”, “Arnold” (Diff’rent Strokes) e “Vivendo e Aprendendo” (The Facts of Life). Longe de estar aposentado, ele vivia aparecendo na TV nas mais diferentes séries, chegando a ter participação recorrente em “How I Met Your Mother”, na qual interpretava uma versão fantasiosa de si mesmo. Recentemente, também deu as caras em “Scream Queens”, “Grandfathered” e em dois dos maiores sucessos de 2016, “This Is Us” e “Fuller House”. Thicke foi casado duas vezes e tem três filhos. Um deles também se tornou famoso: Robin, o cantor do sucesso pop “Blurred Lines”.

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    Peter Vaughan (1923 – 2016)

    6 de dezembro de 2016 /

    O ator britânico Peter Vaughan, que interpretou o personagem Meistre Aemon na série “Game of Thrones”, morreu na manhã desta terça-feira (6/12), aos 93 anos. A agente de Vaugahn afirmou em nota que “ele morreu pacificamente e cercado pela família”. Nascido em 1923, o ator ficou conhecido principalmente por papéis de coadjuvante, tanto no teatro quanto no cinema e na TV, a partir dos anos 1950. Ele começou a demonstrar sua capacidade de roubar cenas ao dar vida a um dos personagens mais celebrados da série de comédia “Porridge” (1974 – 1977), passada numa prisão, mesmo tendo aparecido em apenas três episódios. Fez tanto sucesso que acabou escalado para reprisar seu papel no filme derivado da produção, lançado em 1979. Mas nem sempre teve a mesma sorte. Quanto viveu seu papel de maior destaque no cinema, um agente secreto britânico em “O Serviço Secreto em Ação” (1967), viu o filme implodir com os chiliques e sumiços do astro, ninguém menos que Frank Sinatra, e precisou completar as filmagens contracenando com um dublê do ator, fotografado à distância. De grande estatura e rosto longo, ele sempre usou a seu favor sua presença intimadora, que foi bastante notada quando disparou os eventos brutais de “Sob Domínio do Medo” (1971), suspense clássico de Sam Peckinpah. Mas também demonstrou grande sensibilidade no drama “Vestígios do Dia” (1993), como o pai doente de Anthony Hopkins. Ao longo de sua extensa filmografia, também se destacam o drama “A Mulher do Tenente Francês” (1981), estrelado por Meryl Streep, duas fantasias clássicas do cineasta Terry Gilliam, “Os Bandidos do Tempo” (1981) e “Brazil: O filme” (1985), a versão cinematográfica da peça “As Bruxas de Salém (1996), a adaptação de “O Marido Ideal” (1999) e, mais recentemente, a popular comédia britânica “Morte no Funeral” (2007), entre dezenas de outras produções. Seu último trabalho foi na série “Game of Thrones”, em que viveu o mentor cego e sábio de Jon Snow, o Meistre Aemon Targaryen, da 1ª à 5ª temporada.

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    Andrew Sachs (1930 – 2016)

    4 de dezembro de 2016 /

    Morreu Andrew Sachs, comediante que brilhou na cultuada série britânica “Fawlty Towers”, ao lado de John Cleese. Ele tinha 86 anos e faleceu em novembro em uma casa de repouso em Londres, diagnosticado com demência, mas a notícia só foi anunciada no final de semana. Nascido em 7 de Abril de 1930, em Berlim, Sachs mudou-se com seus pais para a Inglaterra aos 8 anos, em fuga da crescente perseguição do regime nazista. Ainda adolescente, tentou seguir carreira no cinema, mas só conseguiu fazer figurações em “Grito de Indignação” (1947) e “As Vidas e Aventuras de Nicholas Nickleby” (1947). Sem desistir, focou-se no teatro, começando como assistente de palco de produções londrinas, até conseguir passar em testes para o elenco dos teleteatros da rede BBC. Depois de fazer participações em diversas séries, entrou para seu primeiro elenco fixo em 1975, vivendo o papel que marcaria sua carreira: o garçom espanhol Manuel do hotel fictício Fawlty Towers. Um dos personagens mais icônicos da história da TV britânica, Manuel era um garçom bem-intencionado, mas totalmente atrapalhado, que mal entendia inglês, e vivia constantemente sendo repreendido por seu chefe, Basil Fawlty (Cleese). Manuel acabou se tornou o personagem mais popular da série, mas Sachs pagou um preço físico por isso, machucando-se gravemente duas vezes durante as gravações – numa delas, sendo queimado por ácido. Infelizmente para os fãs, as produções da BBC costumam ser curtas e “Fawlty Towers” teve apenas duas temporadas, cada uma com seis episódios apenas, e separadas por quatro anos de intervalo entre uma e outra. Após o fim de “Fawlty Towers” em 1979, ele continuou a trabalhar em inúmeras produções da rede pública britânica, mas sem a mesma repercussão, incluindo, em 2009, aos 79 anos de idade, um arco na longeva e interminável novela “Coronation Street”, e mais recentemente, em 2015, aos 85 anos, na igualmente eterna “EastEnders”. No cinema, Sachs ainda apareceu, entre outros filmes, em “A História do Mundo, Parte I” (1981), de Mel Brooks e, mais recentemente, na comédia “O Quarteto” (2012), dirigida por Dustin Hoffman. Seu último trabalho foi como dublador de um relógio na fantasia “Alice Através do Espelho” (2016).

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    Don Calfa (1939 – 2016)

    4 de dezembro de 2016 /

    Morreu Don Calfa, ator de comédias cultuadas dos anos 1980. Segundo seu assessor, ele faleceu na quinta (1/12) de causas Morreu Don Calfa, que atuou em diversos filmes cultuados, entre eles “A Volta dos Mortos-Vivos” (1986). Segundo seu assessor, ele faleceu na quinta (1/12) de causas naturais, em Palm Springs, na Califórnia, dois dias antes do seu 77º aniversário. Don Calfa nasceu em 1939 em Nova York e começou a carreira em produções da Broadway nos anos 1960. Ele estreou no cinema em “No More Excuses” (1968), dirigido por Robert Downey, o pai do intérprete do Homem de Ferro. Além de ter feito aparições em diversas séries clássicas, a maioria policiais como “Barney Miller”, “San Francisco Urgente”, “Kojak” e “Chumbo Grosso” (Hill Street Blues), o ator construiu uma filmografia impressionante, não só por ter coadjuvado em diversas comédias, mas por ter trabalho com cineastas da elite de Hollywood. Entre seus filmes, listam-se “Licença Para Amar Até a Meia-Noite” (1973), de Mark Rydell, “No Mundo do Cinema” (1976), de Peter Bogdanovich, “New York, New York” (1977), de Martin Scorsese, “Mulher Nota 10” (1979), de Blake Edwards, “1941 – Uma Guerra Muito Louca” (1979), de Steven Spielberg, e “O Destino Bate à sua Porta” (1981), de Bob Rafelson. Entretanto, os filmes de ponta não o tornaram tão conhecido quanto uma comédia de terror que marcou época e até hoje é cultuada: “A Volta dos Mortos-Vivos” (1986). Primeira comédia de zumbis, o filme escrito e dirigido por Dan O’Bannon (o criador da franquia “Alien”) foi responsável por lançar elementos novos na mitologia dos zumbis, como sua preferência por devorar cérebros. Na trama, Calfa interpretava Ernie, o funcionário do necrotério que abriga um grupo de punks durante um ataque de zumbis num cemitério. Ele também se destacou em outro filme sobre mortos meio vivos, que virou referência cultural. Em “Um Morto Muito Louco” (1989), Calfa viveu assassino profissional chamado Vito, frustrado por não conseguir matar Bernie (Terry Kiser), por mais que tentasse, sem saber que seu alvo já estava mais que morto. Por sinal, ele já tinha aperfeiçoado o papel de assassino frustrado em “Golpe Sujo” (1978), em que não conseguia matar Goldie Hawn. A verdadeira frustração foi sua carreira não decolar depois de participar dessas produções cultuadas. Ele ainda tentou apelar para os zumbis engraçados novamente, em “Aqui Caiu um Zumbi” (1989), que foi totalmente ignorado, antes de adentrar o mundo dos terrores B, aparecendo, entre outros, na antologia “Necronomicon – O Livro Proibido dos Mortos” (1993) e em “Progeny – O Intruso” (1998), do especialista Bryan Yzna. Com participações cada vez mais diminutas, seu último papel em uma produção “grande” foi em “Dr. Dolittle” (1998), em que viveu um paciente.

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    Ron Glass (1945 – 2016)

    27 de novembro de 2016 /

    O ator Ron Glass, que foi indicado ao Emmy pela série de comédia “Barney Miller”, em 1982, morreu na sexta-feira (25/11). Ele lutava contra várias doenças e morreu em sua casa, onde vinha sendo acompanhado por um cuidador, aos tinha 71 anos de idade. Membro ativo na comunidade Budista de Los Angeles, Glass ficou conhecido por como o Detetive Ron Harris, na série policial “Barney Miller”, exibida entre 1974 e 1982 na TV americana. Mais recentemente, ele também se destacou como o líder espiritual Derrial Book da série sci-fi “Firefly” e em seu filme derivado “Serenity” (2005), primeiro longa dirigido por Joss Whedon (“Os Vingadores”). O artista fez ainda participações em inúmeras séries desde os anos 1970, de “São Francisco Urgente”, “Havaí 5-0” e “Casal 20” até as recentes “CSI”, “Major Crimes” e “Agents of SHIELD”, e também dublava a voz de Randy Carmichael na animação “Rugrats: Os Anjinhos” e seu derivado “Rugrats Crescidos”.

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    David Hamilton (1933 – 2016)

    26 de novembro de 2016 /

    Morreu David Hamilton, fotógrafo e cineasta inglês que se especializou em softcore e fotos de ninfetas nuas e, por conta disso, envolveu-se em muitas polêmicas. Indícios apontam que ele teria cometido suicídio em sua casa, em Paris, aos 83 anos. A polícia foi chamada por vizinhos, encontrando-o caído, ao lado de frascos de comprimidos. Em outubro passado, a apresentadora de televisão francesa Flavie Flament identificou-o como o fotógrafo mencionado em seu livro de memórias como estuprador. “O homem que me violentou quando eu tinha 13 anos é David Hamilton”, ela declarou em uma entrevista. A revelação deu início a uma avalanche de acusações por outras mulheres que tinham servido de modelo para o fotógrafo. Radicado em Paris desde os anos 1950, Hamilton foi designer gráfico da revista de moda Elle antes de mostrar interesse pela fotografia. A princípio um hobby, suas imagens, marcadas por grande granulação, logo chamaram a atenção de diversas publicações especializadas em fotografia artística. Vieram convites de galerias, editoras de livros de arte, e em pouco tempo ele se tornou célebre, um dos fotógrafos mais influentes dos anos 1960 e 1970. O detalhe é que ele tinha apenas um tema: garotas adolescentes. Que fotografava cada vez mais despidas. Usando filtros para criar atmosfera enevoada e luz natural para evocar a natureza, Hamilton mesclou sensualidade e onirismo num estilo marcante, que era chamado de “soft focus”, ficou conhecido como “Hamilton blur” e virou sinônimo de “fotografia de ninfetas”. Apesar de renderem exposições em galerias de prestígio, as fotografias de Hamilton foram banidas em vários países, nos quais seus livros foram taxados como pornografia infantil, figurando proeminentemente no debate sobre se pornografia poderia ser considerada arte. Com vários trabalhos publicados até no Brasil, Hamilton nunca fez fotos explícitas. Sua preferência era o erotismo, com mais alusões e fantasias que situações claras de sexo. A idade das modelos é que tornava o material controverso. Hamilton assumiu que se inspirava em “Lolita”, de Vladimir Nabokov, dizendo que compartilhava a “obsessão pela pureza” do escritor, e que sua arte buscava evocar “a candura de um paraíso perdido”. Com a revisão de sua obra, sob o olhar contemporâneo, esta candura tem parecido mais claramente uma perversão. Em 1977, ele filmou “Bilitis”, que levou a fotografia soft focus e suas ninfetas para o cinema. A trama acompanhava a personagem-título, uma colegial adolescente (Patti D’Arbanville, vista mais recentemente na série “Rescue Me”) que passava o verão com um casal em crise e desenvolvia uma paixão lésbica pela esposa, ao mesmo tempo em que provocava um adolescente local. Filmado na era de ouro do cinema erótico, “Bilitis” foi alçado à condição de cult pela fotografia impressionista e escapou de maior polêmica graças à idade real de sua atriz principal, 23 anos na época. Ironicamente, apenas um ano mais jovem que a intérprete da esposa, a modelo Mona Kristensen, com quem Hamilton acabou casando. A situação se tornou diferente em seu filme seguinte, “Laura, les Ombres de l’Été” (1979), que lançou a jovem Dawn Dunlap (“Rainha Guerreira”) com apenas 16 anos. De temática fetichista, a trama acompanhava um escultor que reencontra um antigo grande amor, apenas para ficar impressionado com sua filha adolescente. A jovem Laura também sente uma atração, mas a mãe (Maud Adams, de “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro”) proíbe que os dois tenham qualquer contato. Quando o artista insiste em fazer uma escultura, ela só aceita que use como modelo fotos da menina. E é a deixa para a fotografia de Hamilton entrar em cena, explorando a “inocência sensual” de adolescentes vestidas em roupas de balé. O problema é que a estrelinha, fotografada completamente nua para o filme, era de fato menor de idade. E isso gerou muita polêmica na época, a ponto de “Laura” ser proibido ao redor do mundo, inclusive nos EUA, onde só chegou direto em vídeo na década de 1980. Por outro lado, nos países em que foi exibido, como França e Austrália, nem sequer recebeu censura máxima, atestando o caráter “suave” de seu erotismo. Aumentando o risco a cada filme, Hamilton lançou seu longa mais polêmico em 1980. “Tendres Cousines” era uma história de sexo adolescente, em que um jovem de 15 anos se apaixona pela prima. A alemã Anja Schüte tinha 16 anos quando encenou, nua, as cenas de sexo que culminam a trama. Mas o filme também continha diversas cenas sensuais de Valérie Dumas, ainda mais jovem, que interpretava sua irmã mais nova. Acabou banido em ainda mais países. Com “Un Été à Saint-Tropez” (1983), ele finalmente dispensou os garotos e as desculpas para se concentrar apenas nas ninfetas, filmando sete adolescentes que dividiam a mesma casa no litoral de Saint-Tropez. Durante dois dias, elas tinham suas rotinas enquadradas pelas câmeras: acordar, vestir-se, ir à praia, andar de bicicleta, colher flores, brigar com travesseiros, praticar balé, lavar-se umas às outras e rir muito, como felizes objetos sexuais. Não há quase diálogos, de modo que é praticamente um livro de fotos com movimentos. No mesmo ano, ele lançou seu último filme, que se diferenciou por apresentar foco normal, pela primeira e única vez em sua filmografia. Em “Primeiros Desejos” (1983), três garotas naufragam em diferentes partes de uma ilha e acabam transando com um homem, um adolescente e outra garota. Uma delas era Anja Schüte, então com 19 anos. Embora mais velhas, as jovens eram retratadas como sendo adolescentes, e isso incluía depilação completa. O advento da pornografia em vídeo acabou com o erotismo suave da geração de Hamilton. Mas ele continuou com fama de maldito, graças à contínua publicação de seus livros de fotografia. Em 2010, um homem foi condenado como pedófilo na Inglaterra por ter quatro livros do fotógrafo em sua biblioteca. O caso chamou atenção da mídia e levou à sua absolvição um ano depois, mas ajudou a lembrar o quanto o trabalho de Hamilton era polêmico. Poucos imaginavam, na época, que ele poderia ter feito mais do que apenas fotografar menores em situações impróprias. Ele jurava nunca ter feito nada além de fotografar as meninas. Chegou a soltar uma nota, após as acusações de Flament, dizendo que clicou inúmeras modelos e nunca nenhuma chegou sequer a reclamar de falta de respeito. Lembrou, ainda, jamais ter sofrido nenhum processo por seu trabalho. E que acusações do tipo só visavam sensacionalismo barato. “Claramente, a linchadora busca seus 15 minutos de fama para promover seu livro”, escreveu, apontando o que estaria por trás disso vir à tona apenas agora, 20 anos após tê-la fotografado, e lamentando o que isso poderia lhe custar, pelo tipo de obra que transformou em sua vida. Poucas horas após sua morte ser noticiada, Flament também emitiu um comunicado. Seco e brutal. “Acabei de saber da morte de David Hamilton, o homem que me estuprou quando eu tinha 13 anos. O homem que estuprou numerosas jovens, algumas dos quais vieram denunciá-lo com coragem e emoção nestas últimas semanas. Estou pensando nelas, na injustiça que nós estávamos tentando enfrentar juntas. Por sua covardia, ele nos condenou mais uma vez ao silêncio e à incapacidade de vê-lo ser condenado. O horror deste ato nunca vai acabar com o horror das nossas noites sem dormir.” Intitulado “A Consolação”, o livro de Flavie Flament tem como ilustração de capa uma foto de David Hamilton.

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    Florence Henderson (1934 – 2016)

    25 de novembro de 2016 /

    Morreu a atriz Florence Henderson, que ficou conhecida como a mãe da serie “A Família Sol-Lá-Si-Dó” (The Brady Bunch), famosa nos anos 1970. Ela tinha 82 anos e faleceu na noite de quinta-feira (25/11), no Centro Médico Cedars-Sinai, em Los Angeles, após sofrer um infarto. “A Família Sol-Lá-Si-Dó” foi uma das sitcoms mais populares da TV americana, além de pioneira por se concentrar em uma família não tradicional. A personagem de Florence Henderson, Carol Brady, era uma mãe solteira – o programa era vago sobre os motivos – com três filhas – , que se casava com Mike Brady (Robert Reed), um arquiteto viúvo com três filhos. O roteirista-produtor Sherwood Schwartz (criador também da “Ilha dos Birutas”) teve a ideia desse arranjo familiar ao ler que, já naquela época, a maioria dos casamentos modernos incluía filhos de relações anteriores. Mesmo assim, a produção evitava estabelecer que Carol era uma divorciada, situação vista de forma preconceituosa pelos executivos de TV. A sitcom foi exibida na rede ABC entre 26 de setembro de 1969 e 8 de março de 1974, e é citada até hoje como uma das mais influentes de todos os tempos, tendo, inclusive, inspirado inúmeros spin-offs e filmes. Entre as atrações derivadas, teve até uma série animada, “The Brady Kids. Henderson também participou de revivals, como “The Brady Bunch Variety Hour”, um especial de 1976 que reuniu a família dois anos após o fim da série, e “The Brady Girls Get Married”, que mostrou os Brady crescidos em 1981. Este telefilme, por sua vez, rendeu outra série, “The Brady Brides”, centrada na vida de casadas das filhas de Carol, que durou só dez episódios. Os reencontros continuaram, com o telefilme “A Very Brady Christmas”, em 1988, e o nascimento dos netos de Carol na série “The Bradys”, em 1990. Até que a franquia chegou ao cinema em 1995, numa versão satírica, que trocou o elenco, mostrando uma família jovem e otimista dos anos 1970 em meio ao cinismo da vida moderna dos anos 1990. A comédia ganhou o mesmo nome da série e também fez muito sucesso, gerando duas continuações. O papel de Carol foi vivido por Shelley Long, mas Florence não se afastou da família, aparecendo como a vovó Brady. Apesar de marcada pelo papel, Henderson já era uma atriz respeitada quando estreou na série. Ela tinha estrelado diversos musicais da Broadway nos anos 1950 e 1960 e foi a primeira mulher a ser convidada para apresentar o “The Tonight Show Starring Johnny Carson” em 1962. Entretanto, depois de “A Família Sol-Lá-Si-Dó” nunca mais conseguiu deixar de ser vista como Carol Brady, papel em apareceu até em séries diferentes, como “O Barco do Amor”, em 1987, e “Instant Mom”, em 2014. Mas ela não lamenta. “Era como ver o mundo através dos olhos de uma criança. Era como um lindo livro infantil. Um clássico”, disse ela, em entrevista no ano passado ao falar do programa.

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  • Domingos Montagner
    Etc

    Promotor indicia Secretário de Turismo de Canindé pela morte de Domingos Montagner

    21 de novembro de 2016 /

    O secretário de Turismo de Canindé do São Francisco (SE), José Dimas dos Santos Roque, foi denunciado pela morte do ator Domingos Montagner, ocorrida no dia 15 de setembro após o artista ser arrastado pela correnteza do Rio São Francisco. O promotor estadual de Justiça do município Emerson Oliveira Andrade denunciou o secretário por conduta delituosa, devido à retirada de placas que informavam à população que a área não era adequada ao banho e que oferecia perigo em razão da correnteza e de redemoinhos no local. Para o promotor, se o lugar era perigoso e não havia nenhum aviso do tipo, a morte não pode ser considerada acidente. Recentemente, o delegado da Canindé do São Francisco, Antônio Francisco de Oliveira Filho, concluiu o inquérito policial e pediu o arquivamento do caso, por acreditar que foi um fato atípico, um acidente que poderia acontecer com qualquer um. “A polícia civil não encontrou nenhum tipo de referência a crime ou repercussão penal, mas são fatos que merecem uma apreciação do Ministério Público sob o ponto de vista de responsabilidade da prefeitura”, disse o delegado, na ocasião. A denúncia do promotor já foi despachada pelo juiz de Canindé de São Francisco (SE), Paulo Roberto Fonseca Barbosa, e agora deve entrar na fase de apuração de provas. No despacho, o promotor Emerson diz que “José Dimas dos Santos Roque, conhecido por Dimas Roque, tinha o dever legar de agir, vez que com seu comportamento anterior (retirada de bóias, das placas de sinalizações e demissão dos guardas vidas), criou o risco da ocorrência do resultado ao liberar a área para banho, sem atender os deveres objetivos de cuidados, sem tentar impedir a ocorrência de resultados danosos, cuja ação resultou na morte do ator Domingos Montagner”. O Secretário de Turismo Dimas Roque disse que até o momento não foi intimado. Montagner morreu na tarde do dia 15 de setembro após desaparecer nas águas do Rio São Francisco, onde foi arrastado pela correnteza, ao aproveitar uma folga nas gravações da novela “Velho Chico” para nadar. O ator tinha 54 anos e interpretava o personagem Santo na novela da TV Globo. O corpo foi encontrado a 18 metros de profundidade e a 320 metros da margem do rio. E segundo o Instituto Médico Legal (IML), a causa da morte foi asfixia mecânica provocada por afogamento.

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    Lupita Tovar (1910 – 2016)

    14 de novembro de 2016 /

    Morreu Lupita Tovar, uma das primeiras estrelas latinas de Hollywood. Ela faleceu no sábado (12/11) em Los Angeles, de causas naturais aos 106 anos de idade. Nascida em Oaxaca, no México, Lupita foi descoberta pelo documentarista Robert Flaherty na capital mexicana, durante uma competição para revelar atrizes de cinema. Ela ficou em 1º lugar e, como prêmio, foi convidada a filmar nos EUA, mudando-se para Los Angeles na companhia da avó materna em 1928. Seu primeiro contrato foi com os estúdios Fox, participando de filmes mudos, em que deveria demonstrar diversos talentos. Por isso, precisou aprender a tocar violão e ter aulas de dança, além de estudar inglês, uma língua que ela mal falava. Mas se dedicou arduamente, visando conquistar um novo contrato. Ela conseguiu seu objetivo, assinando com a Universal, mas para filmar em espanhol. Muitos de seus primeiros trabalhos se perderam, como “A Mulher Enigma” (1929), em que contracenou com Bela Lugosi. Mas, por coincidência, ela acabou ficando mais conhecida justamente num filme que todos relacionam a Lugosi. Na época, os estúdios começavam a perceber que o mercado de cinema não se restringia aos EUA e passaram a fazer versões alternativas de seus lançamentos faladas em espanhol. Assim, simultaneamente à filmagem do clássico “Drácula” (1931) de Lugosi, a Universal realizou um “Drácula” (1931) com diretor e atores mexicanos, aproveitando os mesmos cenários. Lupita interpretou Eva, a versão mexicana da protagonista Mina, numa produção em que os personagens tinham nomes espanholizados – Juan Harker, Lucía, etc. Além deste terror clássico, ela participou de “A Vontade do Morto” (1930), versão em espanhol de “Meia Noite em Ponto” (1930). E, por sinal, o produtor que teve a ideia de realizar esses remakes, o tcheco Paul Kohner, acabou se apaixonando e se casando com a atriz em 1932. Aos poucos, a Universal começou a escalar Lupita em filmes falados em inglês, como na aventura “A Leste de Bornéu” (1931), com direção de George Melford, e o western “A Lei da Fronteira” (1931), em que viveu a protagonista, ao lado do cowboy Buck Jones. Com status de estrela, Lupita foi convidada a voltar ao México para protagonizar “Santa” (1932), o primeiro filme mexicano sonoro – isto é, que tinha som e imagem sincronizados na mesma tira de celuloide. No melodrama, Lupita vivia uma jovem inocente que, após ter um caso com um soldado, tornava-se tragicamente uma prostituta. Fez tanto sucesso que o governo mexicano chegou a emitir um selo postal em sua homenagem, com Tovar caracterizada como Santa. Após um breve hiato para curtir o casamento e ter a primeira filha, Lupita voltou a Hollywood com a comédia clássica “Fanfarronadas” (1936), ao lado do mestre do humor Buster Keaton, que foi outro grande sucesso. Ela ainda participou do filme de guerra “Bloqueio” (1938), com Henry Fonda, protagonizou o western “Valentia de Gringo” (1939), com George O’Brien, e coestrelou “South of the Border” (1939) com o cowboy cantor Gene Autry, “Inferno Verde” (1940), com Douglas Fairbanks Jr., e “O Galante Aventureiro” (1940), com Gary Cooper, antes de engravidar do segundo filho e se aposentar cinco anos depois com o filme B de mistério “O Médico Destemido” (1945). Ao sair de cena, a atriz deixou uma herdeira, a filha Susan Kohner, que seguiu a carreira da mãe e foi indicada ao Oscar por “Imitação da Vida” (1959), de Douglas Sirk. Além disso, os filhos de Susan também se destacaram no cinema, mas em outras funções, escrevendo e dirigindo filmes. Indicados ao Oscar pelo Roteiro de “O Grande Garoto” (2002), os irmãos Chris e Paul Weitz são netos de Lupita.

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  • Música

    Al Caiola (1920 – 2016)

    12 de novembro de 2016 /

    Morreu o guitarrista Al Caiola, que tocou em trilhas clássicas do cinema e da TV. Ele tinha 96 anos e morreu de causas naturais na quarta (9/11), em uma casa de repouso em Nova Jersey. Versátil, Caiola tocou com alguns dos pioneiros do rock, como Buddy Holly, Elvis Presley e Del Shannon (é dele a melodia da guitarra do hit “Runaway”), e também com crooners como Frank Sinatra e Tony Bennett. No final dos anos 1950, assinou com a United Artists para trabalhar como músico das produções do estúdio, tornando-se celebrado pelas palhetadas melódicas ouvidas na trilha do famoso western “Sete Homens e um Destino” (1960) e na abertura da série “Bonanza” (1959 -1973). Também tocou no suspense “Escravas do Medo” (1962) e fez a guitarra principal da canção “Mr. Robinson”, de Simon & Garfunkel, grande sucesso da trilha de “A Primeira Noite de um Homem” (1967). Mas sua fama acabou mesmo ligada às produções de western, graças à iniciativa da UA em lhe encomendar versões “pop” dos temas do gênero. Por conta disso, ele lançou vários discos com gravações de músicas de séries como “Chaparral”, “Caravana”, “Paladino do Oeste” e outras. Aproveite e relembre abaixo alguns de seus maiores sucessos de cinema, além de conferir um vídeo recente de uma de suas últimas apresentações ao vivo.

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  • Etc,  Filme,  Série

    Robert Vaughn (1932 – 2016)

    12 de novembro de 2016 /

    Morreu o ator Robert Vaughn, que protagonizou a série dos anos 1960 “O Agente da UNCLE” e foi um dos pistoleiros originais do filme “Sete Homens e um Destino”. Ele faleceu na sexta (11/11), aos 83 anos, de leucemia. Vaughan nasceu em 1932 em Nova York, numa família de atores, e fez mais de 200 filmes e séries ao longo da carreira, desde que estreou como figurante no clássico “Os Dez Mandamentos” (1956). O primeiro papel importante veio logo em seguida, no western “Sangue de Valentes” (1957), em que interpretou Bob Ford, o homem que matou o fora-da-lei Jesse James. Ele foi um rebelde sem causa em “Vidas Truncadas” (1957) e até um adolescente das cavernas em “Teenage Cave Man” (1958), trash cultuado de Roger Corman, entre diversas aparições em séries televisivas, até sua carreira ganhar upgrade nos anos 1960 com uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “O Moço de Filadélfia” (1959), estrelado por outro jovem talentoso de sua geração, Paul Newman. O destaque no Oscar lhe rendeu o convite para participar do western épico “Sete Homens e um Destino” (1960), ao lado de uma constelação de estrelas, como Yul Brynner, Steve McQueen, James Coburn, Charles Bronson e Eli Wallach. Dando vida ao pistoleiro “almofadinha” Lee, ele tem uma das cenas mais emotivas da produção, ao confessar seu medo de enfrentar os bandoleiros de Calveira (Wallach) ao grupo de fazendeiros que deveria proteger. Pelo papel, foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Estrela Jovem, prêmio que já não existe mais. Ao contrário de outros “atores de Oscar”, Vaughn nunca desprezou a televisão e aproveitou o sucesso fenomenal de “Sete Homens e um Destino” para preencher sua agenda com diversas participações em séries de western, acumulando passagens por “Gunsmoke”, “O Homem do Rifle”, “Zorro”, “Bronco”, “O Médico da Fronteira”, “Wichita Town”, “Law of the Plainsman”, “Laramie”, “Caravana”, “Bonanza”, “O Homem de Virgínia” e “Tales of Wells Fargo”, na qual viveu Billy the Kid, entre muitas outras. A rotina de participações especiais foi interrompida em 1964, quando foi convidado a estrelar a série “O Agente da UNCLE”. A produção foi uma das mais bem-sucedidas incursões televisivas ao gênero da espionagem, que atravessava sua era de ouro com os primeiros filmes de James Bond. Mas o êxito não foi casual. O próprio criador do agente 007, Ian Fleming, contribuiu para a criação do “Agente da UNCLE” – antes de ganhar o título pelo qual ficou conhecida, a produção tinha como nome provisório “Ian Fleming’s Solo”, além de girar em torno de um personagem introduzido em “007 Contra Goldfinger” (1964), Napoleon Solo. Vaughan viveu Solo, um agente secreto americano, que realizava missões ao lado de um aliado russo, Illya Kuryakin (David McCallum, hoje na série “NCIS”), o que era completamente inusitado na época da Guerra Fria. Assim como nos filmes de 007, a série era repleta de supervilões e mulheres lindas de minissaia. E fez tanto sucesso que virou franquia, rendendo livros, quadrinhos, brinquedos, telefilmes e um spin-off, a série “A Garota da UNCLE”, estrelada por Stefanie Powers (“Casal 20″), cuja personagem também foi criada por Ian Fleming. O padrão de qualidade da produção era tão elevado que os produtores resolveram realizar episódios especiais de duas horas, como filmes. Exibidos em duas partes na TV americana, esses episódios foram realmente transformados em filmes para o mercado internacional. Para ampliar o apelo, ainda ganhavam cenas inéditas e picantes. Um desses telefilmes de cinema, por exemplo, incluiu participação exclusiva para a tela grande da belíssima Yvonne Craig, um ano antes de virar a Batgirl na série “Batman”, como uma atendente desinibida de missões da UNCLE, em aparições completamente nua. A série, que durou até 1968, rendeu cinco filmes. Mas Vaughan ainda apareceu como Napoleon Solo num longa-metragem de verdade, durante o auge da popularidade da atração: a comédia “A Espiã de Calcinhas de Renda” (1966), estrelada por Doris Day. Vaughn foi indicado duas vezes ao Globo de Ouro como Napoleon Solo, e a fama do papel ainda lhe permitiu protagonizar um thriller de espionagem, “Missão Secreta em Veneza” (1966), ao lado da estonteante Elke Sommer. O fim da série, porém, o lançou numa rotina de coadjuvante no cinema. O detalhe é que, mesmo em papéis secundários, continuou listando clássicos em sua filmografia, como o policial “Bullit” (1968), em que voltou a contracenar com Steve McQueen e receber indicação a prêmio (o BAFTA de Melhor Coadjuvante), a comédia “Enquanto Viverem as Ilusões” (1969), o filme de guerra “A Ponte de Remagem” (1969), a sci-fi “O Homem que Nasceu de Novo” (1970), etc. Ele teve breve retorno à TV em 1972, desta vez numa produção britânica, “The Protectors”, que durou duas temporadas, mas também marcou época. A trama girava em torno de um trio de aventureiros europeus, dedicados a combater o crime internacional. Vaughn, claro, liderava a equipe. Ao voltar aos cinemas, participou do blockbuster “Inferno na Torre” (1974), seu terceiro filme com Steve McQueen, no qual viveu um senador preso no terraço de um arranha-céu em chamas, durante a festa de inauguração do empreendimento imobiliário. O filme é considerado um dos melhores do gênero catástrofe, que viveu seu auge na década de 1970. Após vencer o Emmy de Melhor Ator Coadjuvante pela minissérie “Washington: Behind Closed Doors”, Vaughn deu uma inesperada guinada para a ficção científica, participando do cultuado “Geração Proteus” (1977), como a voz de um supercomputador com inteligência artificial, fez “Hangar 18” (1980) e voltou a ser dirigido por Roger Corman em “Mercenários das Galáxias” (1980), uma das melhores produções influenciadas por “Guerra nas Estrelas” lançadas com baixo orçamento nos anos 1980. A lista de longas da época ainda inclui “Superman III” (1983), que os produtores tentaram transformar numa comédia, e “Comando Delta” (1986), o filme de ação estrelado por Chuck Norris e Lee Marvin, antes de nova retomada da carreira televisiva com a série “Esquadrão Classe A”. Vaughn estrelou a última temporada da atração, em 1986, como líder militar da equipe, oferecendo perdão pelos supostos crimes do esquadrão. A partir daí, as superproduções ficaram para trás e ele entrou de vez na era do VHS, fazendo diversos filmes B de ação, terror e comédia que preencheram as prateleiras das locadoras – coisas como “Comando de Resgate” (1988), “Transylvania Twit” (1989) e “Chud – A Cidade das Sombras” (1989). Paralelamente, voltou à rotina das aparições em séries, que manteve firme durante os anos 1990, período em que foi de “The Nanny” para “Lei & Ordem”. Ele também participou do elenco de “The Magnificent Seven”, série baseada no filme “Sete Homens e um Destino”, que durou duas temporadas, entre 1998 e 2000, antes de se mudar de vez para o Reino Unido, onde estrelou a atração mais longeva de sua carreira, “O Golpe” (The Hustler), exibida de 2004 a 2012, no qual liderava um grupo de vigaristas londrinos, na realização das mais diversas trapaças. Estabelecido em Londres, Vaughn ainda participou da novela “Coronation Street”, no ar desde 1960, mas voltou aos EUA para seus últimos papéis, que incluíram nova passagem pela franquia “Lei & Ordem” (num episódio de 2015 de “Law & Order: SVU”) e dois filmes, o thriller “The American Side” (2016) e o drama “Gold Star” (2016), seu último trabalho, em que teve o papel principal, como um homem à beira da morte. Ainda inédito, o filme registra o esforço do ator para trabalhar mesmo quando a saúde não lhe permitia mais. David McCallun, seu grande parceiro em “O Agente da UNCLE”, se declarou “devastado com a notícia” da morte do amigo. “Trabalhei ao lado de Robert durante tantos anos, a ponto de sentir que perdê-lo é como perder uma parte mim. Ele foi um excelente ser humano. Apreciei cada dia que trabalhei com ele”, afirmou.

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