Atriz que estrelou o sucesso infantil Matilda se assume bissexual
A atriz Mara Wilson, que ficou famosa ainda criança por papéis em filmes como “Uma Babá Quase Perfeita” (1993) e “Matilda” (1996)”, assumiu ser bissexual. Ela fez a revelação durante bate-papo com os internautas em seu perfil do Twitter. “Eu em um clube gay quando tinha 18 anos. Sinto-me envergonhada ao olhar para essa foto agora. Estava sendo heterossexual em um lugar onde claramente eu não pertencia”, disse na legenda de uma foto tirada 10 anos atrás. “Mas, devo dizer, me senti muito bem-vinda lá. Nunca tinha tido uma experiência melhor em uma boate. Música e pessoas incríveis!”, escreveu a atriz, que hoje tem 28 anos e usou a rede social para prestar solidariedade às vítimas do atentado na boate gay Pulse, em Orlando , na madrugada de domingo (12/6). “Eu costumava me identificar na maior parte das vezes como heterossexual. Eu abracei o rótulo bi/gay recentemente”, afirmou para uma de suas seguidoras na rede social. Ela disse que passou a se sentir mais confortável junto à comunidade gay sobretudo quando começou a aprender sobre si mesma. Wilson interagiu com seus seguidores e disse, quando questionada por um deles, que se enquadra no nível 2 da escala Kinsey – usada para analisar o comportamento sexual de uma pessoa em um determinado período. O nível da atriz descreve alguém predominantemente heterossexual e frequentemente gay. “Conheço um monte de gente que não gosta da escala Kinsey, mas eu acho legal para mim. Sou pragmática com meu coração e encontro conforto em números”, explicou. Ela agradeceu as mensagens de apoio que recebeu dos internautas. “O seu apoio é muito bem-vindo. No entanto, continuarei sendo reservada com meus relacionamentos como sempre fui”, esclareceu. E disse, ainda, como lida com a fama: “Sempre fico chocada com o interesse das pessoas sobre mim. Honestamente, acho que sou muito chata”. No ano passado, Mara Wilson revelou que teve crises de depressão e ansiedade na infância e adolescência. A estrela mirim do filme “Matilda” desabafou em um vídeo gravado para uma campanha educativa para crianças que sofrem com a doença. “Sempre fui uma criança muito ansiosa. Sofri com ansiedade, tenho transtorno obsessivo-compulsivo, tive depressão. Lidei com tudo isso por muito tempo na minha vida. Gostaria que alguém tivesse me dito que estava tudo bem em ser uma pessoa ansiosa, que não precisava lutar contra isso”, disse na ocasião. Ela continua trabalhando como atriz e foi vista recentemente na série “Broad City”.
Campanha por namorada para Elsa inspira ilustrações lésbicas de Princesas da Disney
Na onda da campanha de fãs para que Elsa ganhe uma namorada na sequência da animação “Frozen: Uma Aventura Congelante” (2013), a revista americana Cosmopolitan publicou uma série de ilustrações que imaginam as princesas da Disney namorando entre si. O tema também celebra o dia dos namorados, que cai neste domingo (12/6). Nas artes, não é apenas Elsa que encontra uma namorada – numa cena por sinal bem quente, compartilhada com Tiana, da animação “A Princesa e o Sapo” (2009), mas também sua irmã Ana, que aparece beijando a Branca de Neve. Outros casais incluem Aurora (“A Bela Adormecida”) e Cinderela, Ariel (“A Pequena Sereia”) e Jasmine (“Aladdin”), Megara (“Hércules”) e Bela (“A Bela e a Fera”), e Mulan e Pocahontas. O artista responsável, Isaiah Stephens, é o mesmo que imaginou os príncipes da Disney como strippers, em artes inspiradas pelo filme “Magic Mike”.
Diretor de Procurando Dory não vê importância na sexualidade de casal figurante
Os diretores de “Procurando Dory” se pronunciaram à respeito da polêmica aparição de um suposto casal de lésbicas no trailer da animação. E sua reação foi de indiferença, sem se engajar no entusiasmo de organizações LGBT ou reagir à ameaça de boicote por parte de conservadores. Isto porque a participação do casal se resume à cena mostrada no trailer, sem maior repercussão na trama, e nem a pequena interação vista deixa clara qual é realmente a sexualidade das duas mulheres. “Elas podem ser o que você quiser que elas sejam”, disse o cineasta Andrew Stanton, que dividiu a direção com Angus MacLane, ao jornal USA Today. “Não há resposta certa ou errada”. A produtora Lindsey Collins reforçou: “Nunca perguntamos a elas”. Nem o estúdio Pixar, que produziu o filme, nem a Disney, dona da Pixar, comentaram a respeito da sexualidade das figurantes, que de uma hora para outra se tornaram mais importantes que os protagonistas da animação. Mas sempre vale lembrar que a dubladora americana de Dory, a apresentadora Ellen DeGeneres, é uma lésbica assumida, além de uma das mulheres mais populares dos EUA. Sua sexualidade não impediu os pais de levarem seus filhos para assistirem ao primeiro filme, “Procurando Nemo” (2003), que se tornou um dos maiores sucessos da Pixar. Recentemente, a própria Disney liderou uma ameaça de boicote ao estado da Geórgia, nos EUA, contra a aprovação de uma lei que discriminaria os homossexuais, e fãs de “Frozen – Uma Aventura Congelante” iniciaram um petição para que a rainha Elsa ganhasse uma namorada no próximo filme da franquia. A hashtag promovendo a ideia, #GiveElsaAGirlfriend (Dê uma namorada a Elsa), chegou a ficar em primeiro lugar nos trending topics, a lista de assuntos mais comentados no Twitter. Mas isso gerou uma reação: mais de 240 mil pessoas assinaram uma petição pedindo que Elsa ganhasse um “príncipe encantado”. Vale observar que o trailer brasileiro, dublado, de “Procurando Dory” não mostra o casal. Ambas as versões podem ser conferidas aqui.
Estreia de Invocação do Mal 2 é um dos maiores lançamentos de terror no país
“Invocação do Mal 2” é o principal lançamento desta quinta (9/5), chegando aos cinemas com divulgação e distribuição poucas vezes vistas para um filme de terror no país, em 782 salas. O primeiro filme foi um mais bem-sucedidos do gênero, tendo rendido até um spin-off, “Annabelle” – e “Annabelle 2” também está em desenvolvimento. Como no primeiro longa, a trama é baseada numa história real, extraída dos arquivos de Lorraine e Ed Warren, o casal de investigadores paranormais vividos por Vera Farmiga e Patrick Wilson. Desta vez, eles investigam a famosa assombração de Enfield, que aflige uma família em Londres, especialmente a filha aterrorizada por um poltergeist. Mas o principal destaque da produção está nos bastidores: o diretor James Wan, que se tornou um mestre moderno do terror ao lançar três franquias bem-sucedidas – as outras são “Jogos Mortais” e “Sobrenatural” – , antes de mostrar ainda mais potencial no cinema de ação, comandando o blockbuster “Velozes e Furiosos 7”. O resultado é um dos filmes mais assustadores dos últimos anos, com diabólicos 66% de aprovação da crítica americana, segundo o site Rotten Tomatoes. “Truque de Mestre: O Segundo Ato” é outra continuação com lançamento amplo, em 653 salas. A trama se passa um ano após o quarteto original de mágicos enganar o FBI e ganhar adulação do público, mas em seu retorno os protagonistas são forçados a realizar um assalto ainda mais audacioso. A gangue de mágicos volta a incluir Jesse Eisenberg, Woody Harrelson e Dave Franco, mas houve uma troca no elenco, com Lizzy Caplan (“A Entrevista”) assumindo a vaga de Isla Fisher, que estava grávida durante a produção. Além dos citados, o longa também traz de volta Mark Ruffalo, Morgan Freeman e Michael Caine, e a estreia de Daniel Radcliffe (“Harry Potter”) como vilão. É um ótimo elenco, desperdiçado num filme inferior ao original, que já não era unanimidade para começar. Conquistou apenas 33% de críticas favoráveis, na apuração do Rotten Tomatoes. “Casamento de Verdade” é o maior dos pequenos, chegando em 23 salas. Mas apenas um detalhe o distingue de uma típica dramédia americana de casamento: o fato de serem duas noivas. O resto, como a família conservadora, a mensagem sobre tolerância e o final feliz estão todos em seus lugares convencionais, inclusive a atriz principal, a outrora promissora Katherine Heigl, que passou os últimos anos tentando se casar – de “Vestida Para Casar” (2008) a “O Casamento do Ano” (2013). Fracasso de bilheteria e crítica nos EUA (14% no Rotten Tomatoes), chega em 23 salas. Produzido em 2010, o drama brasileiro “Os Sonhos de um Sonhador: A História de Frank Aguiar”, estreia do diretor Caco Milano, levou seis anos para ganhar distribuição. Para se ter ideia, Chico Anysio, falecido em 2012, faz parte de seu elenco. Feito sob o impacto do sucesso de cinebiografias de cantores populares, chega aos cinemas em outra fase, durante o sufoco criativo do besteirol televisivo, e ainda é prejudicado por um título longo, que sugere se tratar de um documentário. Mas fora Chico, que rouba todas as cenas, e uma fotografia de postal do Piauí, não chega nem perto de despertar a empatia de “2 Filhos de Francisco” (2005). De forma significativa, um dos artistas de forró mais populares do país tem seu filme lançado em apenas oito salas. Outro drama nacional, “A Despedida” não teve seu circuito divulgado, mas está em cartaz nos cinemas de arte mais conhecidos, como Reserva Cultural, em São Paulo, e Grupo Estação, no Rio. Vencedor do Festin, de Lisboa, e bastante premiado em Gramado, o novo filme de Marcelo Galvão (“Colegas”) traça um retrato sensível sobre a decadência física da velhice e a inevitabilidade da morte com uma interpretação primorosa de Nelson Xavier (que, por coincidência, pode ser visto também na cinebiografia de Frank Aguiar). Ele vive um almirante aposentado que, ao sentir a proximidade do fim, resolve colocar suas contas em dia, seja a dívida do bar, seja um reencontro com uma amante muito mais jovem (Juliana Paes, a nova “Gabriela”). Um dos melhores lançamentos brasileiros do ano. Há ainda um terceiro filme nacional, “Vampiro 40°”, derivado da série “Vampiro Carioca”, do Canal Brasil. Com vampiros traficantes, “mafiosa” japonesa e muitas vamps, além do cantor Fausto Fawcett, o filme de Marcelo Santiago (“Lula, o Filho do Brasil”) é trash no último. Sem circuito divulgado. Por fim, o francês “A Odisseia de Alice” oferece uma fascinante história de amor pós-feminista, centrada na única marinheira de um navio de carga, que deixa seu noivo no porto sem saber que seu novo capitão é um ex-namorado. Sensual e cerebral, o drama destaca a interpretação da grega Lucie Borleteau (que estreou em Hollywood com “Antes da Meia-Noite”), cuja personagem habita o universo do trabalho masculino sem perder sua feminilidade. A atriz venceu diversos prêmios pelo papel, inclusive no Festival de Locarno. Com 80% de aprovação no Rotten Tomatoes, a estreia na direção de Lucie Borleteau (roteirista de “Minha Terra, África”) é também o melhor lançamento da semana. Logicamente, ganha a recompensa da pior distribuição, disponível em apenas uma sala em São Paulo.
Telefilme de James Franco com vampiras lésbicas ganha primeiro trailer
O canal pago americano Lifetime divulgou duas fotos e o trailer de “Mother, May I Sleep With Danger?”, remake do suspense “Amor de Obsessão”, lançado há 20 anos. A nova versão tem roteiro do ator James Franco (“Tudo Vai Ficar Bem”), que também atua na produção, ao lado da protagonista do telefilme original, Tori Spelling (série “Barrados no Baile”). Em 1996, Tori era uma jovem ingênua que se apaixonava por um rapaz charmoso e psicopata (Ivan Sergei). Na nova versão, ela vive a mãe de uma jovem ingênua (a estreante Leila George) que se apaixona por uma vampira (Emily Meade, de “Jogo do Dinheiro”). A prévia explora a estética trash, com banhos literais de sangue – aparentemente, como cena de uma peça estudantil – e choque de valores – entre a mãe conservadora e a filha lésbica. A direção é de Melanie Aitkenhead, que está envolvida em outro projeto de Franco, “Actors Anonymous”, adaptação de um romance escrito pelo ator. A estreia está marcada para 18 de junho na TV americana. https://www.youtube.com/watch?v=m8ux2rzeNT0
Procurando Dory: Conservadores organizam boicote após suposta aparição de lésbicas no trailer
Nem todas as reações à aparição de um suposto casal de lésbicas no trailer da animação “Procurando Dory” foram positivas. Conservadores planejam um boicote ao filme se a suposição for confirmada, aparentemente ignorando que, independente das lésbicas da ficção, a obra é estrelada por uma lésbica de verdade, a apresentadora Ellen DeGeneres, que dubla a protagonista Dory. “Viram o novo trailer de ‘Procurando Dory’? Acho que é o primeiro casal de lésbicas em um filme da Disney Pixar”, postou um usuário no Twitter. “Se os boatos de que vai ter um casal de lésbicas no filme forem verdade, vou boicotar a Disney”, disse outro. Nem o estúdio Pixar, que produziu o filme, nem a Disney, dona da Pixar, comentaram. Recentemente, a Disney liderou uma ameaça de boicote ao estado da Geórgia, nos EUA, contra a aprovação de uma lei que discriminaria os homossexuais, e fãs de “Frozen – Uma Aventura Congelante” iniciaram um petição para que a rainha Elsa ganhasse uma namorada no próximo filme da franquia. A hashtag promovendo a ideia, #GiveElsaAGirlfriend (Dê uma namorada a Elsa), chegou a ficar em primeiro lugar nos trending topics, a lista de assuntos mais comentados no Twitter. Mas isso gerou uma reação: mais de 240 mil pessoas assinaram uma petição pedindo que Elsa ganhasse um “príncipe encantado”. Vale observar que o trailer brasileiro, dublado, de “Procurando Dory” não mostra o casal. Ambas as versões podem ser conferidas aqui.
Procurando Dory pode mostrar o primeiro casal gay da Pixar
“Procurando Dory” pode mostrar o primeiro casal gay de uma animação da Disney, ainda que numa produção do estúdio Pixar. Um pequeno trecho do novo trailer, divulgado nos EUA na terça (24/5), mostrou a protagonista sendo carregada num aquário por seu novo amigo, o polvo Hank, quando os dois esbarram num carrinho de bebê diante de duas mulheres que parecem ser um casal. A insinuação foi o suficiente para tirar do tédio os usuários do Twitter. “Elas são tão fofas. Isso é ótimo” e “Fiquei com os olhos cheios de lágrimas” foram algumas das reações positivas à breve aparição da dupla, que pode ou não ser um casal de lésbicas. Vale lembrar que a dubladora original de Dory, a comediante Ellen DeGeneres, é lésbica assumidíssima. Recentemente, a Disney liderou uma ameaça de boicote ao estado da Geórgia, nos EUA, contra a aprovação de uma lei que discriminaria os homossexuais, e fãs de “Frozen – Uma Aventura Congelante” iniciaram um petição para que a rainha Elsa ganhasse uma namorada no próximo filme da franquia. A hashtag promovendo a ideia, #GiveElsaAGirlfriend (Dê uma namorada a Elsa), chegou a ficar em primeiro lugar nos trending topics, a lista de assuntos mais comentados no Twitter. O trailer brasileiro, dublado, de “Procurando Dory” não mostra o casal. Ambas as versões podem ser conferidas aqui. A estreia está marcada para 30 de junho no Brasil, duas semanas após o lançamento nos EUA.
Frozen 2: Idina Manzel apoia campanha para dar uma namorada a Elsa
A atriz Idina Menzel embarcou na campanha que pede uma namorada para Elsa na continuação da animação “Frozen: Uma Aventura Congelante” (2013). No começo do mês, fãs do filme usaram as redes sociais para pedir ao estúdio que a rainha ganhasse uma namorada na sequência do longa, já que as produções da Disney não possuem nenhum personagem LGBT. A hashtag #GiveElsaAGirlfriend (Dê uma namorada a Elsa) chegou a ficar em primeiro lugar nos trending topics, a lista de assuntos mais comentados no Twitter. Em entrevista ao programa de televisão Entertainment Tonight, Idina, que dubla Elsa, juntou-se ao coro dos fãs. “Eu acho a ideia ótima”, ela disse. “A Disney tem que lidar com isso. Eu vou deixar que eles resolvam.” Questionada se ela apoiaria caso Elsa realmente ganhasse uma namorada, ela disse: “Sim, não importa o que aconteça, pois essa personagem mudou minha vida”. Dirigido por Chris Buck e Jennifer Lee, “Frozen” arrecadou mais de US$ 1,2 bilhão no mundo inteiro, tornando-se a animação de maior bilheteria de todos os tempos. O filme também venceu dois Oscars em 2014: Melhor Animação e Melhor Canção Original para “Let it Go”, interpretada por Idina. Já confirmado pela Disney, “Frozen 2” ainda não tem data de estreia definida nem enredo divulgado. Em entrevista ao site Collider em março, a atriz Kristen Bell, que dubla a personagem Anna, irmã de Elsa, elogiou o roteiro do novo filme. “A história é ótima, exala qualidade. O que eu sei sobre esse time é que eles não colocam algo no filme apenas por colocar. Por isso demoraram tanto para anunciar uma sequência.”
Cannes: Park Chan-wook seduz com lesbianismo explícito em The Handmaiden
Cannes ficou mais picante com a exibição do thriller erótico “The Handmaiden” (Ah-ga-ssi), do diretor sul-coreano Park Chan-wook (“Oldboy”). O filme é uma adaptação do romance lésbico “Na Ponta dos Dedos” da escritora galesa Sarah Waters, mesma autora do livro que inspirou a minissérie britânica “Toque de Veludo” (Tipping the Velvet, 2002) e o filme “Afinidade” (Affinity, 2008), todos de temática lésbica e passados na Inglaterra vitoriana. Park manteve o enredo, mas avançou algumas décadas, mudou a locação e alterou a etnia das personagens. Passada na Coreia nos anos 1930, durante o período de domínio colonial japonês, a trama acompanha Sook-Hee, uma espécie de “Oliver Twist” lésbica, garota órfã de bom coração que mora num cortiço com ladrões e vigaristas, que se vê envolvida num elaborado golpe do baú planejado por um vigarista profissional. O trapaceiro consegue empregar a jovem órfã como criada na casa de uma família japonesa rica, esperando que ela convença Lady Hideko, herdeira de uma fortuna, a casar-se com ele. Seu plano, porém, não conta com o sentimento que surge entre as duas mulheres. Não por acaso, o título de duplo sentido do romance original alude tanto aos dedos leves dos larápios quanto ao prazer sexual provocado por massagens no clitóris. A encenação das cenas de sexo evoca o frisson provocado por “Azul É a Cor Mais Quente”, vencedor da Palma de Ouro no festival de 2013. Durante o encontro com a imprensa, Park Chan-wook defendeu o lesbianismo explícito dizendo que evitar o sexo seria como fazer “um filme de guerra, sem cenas de batalha”. “É claro que o amor entre estas duas mulheres é o elemento chave do filme”, ele explicou. “Na interpretação deste amor, não há nenhuma maneira de contornar o ato que surge a partir de tanta emoção e desejo”. Mas quando o golpe de sedução falha e vira paixão, o filme adentra outra área, em que Park Chan-wook já se mostrou especialista: a vingança. Juntas, as duas mulheres traçam um plano sangrento contra os homens que tentaram destruí-las. O resultado é uma fantasia de vingança lésbica, que pode ser considerada apelativa para alguns, mas nem por isso deixa de ser lindamente fotografada, muito bem dirigida e absolutamente excitante. Se não estourar nos cinemas, vai virar cult. “Com tantos pequenos detalhes suculentos aqui e ali, eu diria que é a minha obra mais colorida”, acrescenta o cineasta. “The Handmaiden” é o terceiro longa do diretor exibido em Cannes, que reverenciou suas participações anteriores, “Oldboy” (2003) e “Sede de Sangue” (2009), com o Prêmio do Júri. A produção também marca o retorno de Park Chan-Wook ao seu país de origem, após filmar nos EUA o suspense “Segredos de Sangue” (2013). Além do filme, que vai ser lançado nos EUA pela Amazon, o diretor pretende lançar um livro com as fotografias em preto e branco que ele registrou no set durante as filmagens. Ainda não há previsão para a estreia.
O Caçador e a Rainha do Gelo é o maior lançamento e também o pior filme da semana
“O Caçador e a Rainha do Gelo” é o lançamento mais amplo da semana, distribuído em 920 salas pelo país. Espécie de quimera, que junta prólogo e sequência na mesma criatura, o filme retoma os personagens de Chris Hemsworth e Charlize Theron em “Branca de Neve e o Caçador” (2012), mas em vez de aprofundar a fábula de Branca de Neve leva sua trama para o mundo de “Frozen – Uma Aventura Congelante” (2013). O resultado parece um episódio de “Once Upon a Time” mal escrito e obcecado por efeitos visuais dourados. O longa também estreia neste fim de semana nos EUA, onde foi eviscerado pela crítica (19% de aprovação no site Rotten Tomatoes). A outra estreia infantil, a animação “No Mundo da Lua”, é mais criativa, ao acompanhar um adolescente, filho e neto de astronautas, em sua luta para preservar o programa espacial americano e impedir um bilionário excêntrico de virar dono da lua. A produção mantém o espírito aventureiro do primeiro longa do diretor espanhol Enrique Gato, “As Aventuras de Tadeo” (2012), com exibição em 290 salas (126 em 3D). “Milagres do Paraíso” também foca famílias com sua história, sobre uma criança doente que consegue uma cura milagrosa. Típica produção religiosa, sua trama reforça a insignificância da ciência, desautoriza coincidências e prega que Deus sempre atende aos que acreditam. A crítica americana considerou medíocre, com 47% de aprovação. A diretora mexicana Patricia Riggen é a mesma do drama “Os 33” (2015) e o elenco destaca Jennifer Garner (“Clube de Compra Dallas”) como a mãe que padece no paraíso. Chega em 180 salas do circuito. Dois filmes nacionais completam a programação dos shoppings. E, por incrível que pareça, nenhum deles é uma comédia boba. Com maior alcance, “Em Nome da Lei” marca a volta do diretor Sergio Rezende ao gênero policial, sete anos após seu último longa, “Salve Geral” (2009). O lançamento em 380 salas sinaliza a expectativa positiva do estúdio à história de um juiz federal incorruptível, que evoca esses dias de operação Lava Jato (dá-lhe zeitgeist). Mas o personagem de Mateus Solano (“Confia em Mim”) não é Sergio Moro nem a trama enfrenta a corrupção política, optando por situações clichês de máfia de fronteira, narradas de forma novelesca, com direito a “núcleo romântico”. Não prende sequer a atenção. A melhor opção nacional é o drama “Nise – O Coração da Loucura”, fruto de um roteiro mais maduro (escrito a 14 mãos!), que encontra um meio-termo entre o didatismo e o desenvolvimento de personagem. Glória Pires (“Flores Raras”) se destaca no papel central, a doutora Nise da Silveira, figura importante da psiquiatria brasileira, que merecia mesmo virar filme. O longa dirigido por Roberto Berliner (do péssimo “Julio Sumiu”) mostra seu confronto com os tratamentos violentos dos anos 1940 e a bem-sucedida adoção da terapia ocupacional, que passa a humanizar os doentes de um hospício público. Além de competente cinebiografia, o filme possuiu uma bela mensagem contra a intolerância. Em apenas 59 telas. Intolerância também é o tema de “Amor por Direito”, drama indie americano que ocupa uma faixa intermediária, em pouco menos de 50 salas. Baseado em fatos reais, a história mostra a batalha jurídica de uma policial (Julianne Moore, de “Para Sempre Alice”), diagnosticada com uma doença terminal, que enfrenta preconceitos para deixar sua pensão para sua parceira de vida (Ellen Page, de “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”). O caso teve repercussão nacional nos EUA, mas, apesar das boas intenções, a trama cinematográfica não ressoa como “Filadélfia” (1993), do mesmo roteirista. Ironicamente, o drama lésbico teve a mesma nota do drama crente da semana, 47% de aprovação no Rotten Tomatoes. Dois dramas europeus e dois documentários brasileiros ocupam o circuito limitado. O principal título europeu é o romeno “O Tesouro”, de Corneliu Porumboiu (“Polícia, Adjetivo”), em que dois vizinhos enfrentam a amarga realidade da crise econômica com um sonho infantil, de encontrar um suposto tesouro escondido. Venceu vários prêmios em festivais internacionais, inclusive Cannes. O outro lançamento é o francês “Uma História de Loucura”, de Robert Guédiguian (“As Neves do Kilimanjaro”), que acompanha as histórias dois jovens: um terrorista e sua vítima colateral num atentado contra o embaixador da Turquia em Paris, nos anos 1980. Ambos chegam em quatro salas. Entre os documentários, o destaque pertence a “O Futebol”, de Sergio Oksman, vencedor do recente festival É Tudo Verdade. O diretor tem uma longa lista de prêmios no currículo. Já tinha vencido até o Goya (o Oscar espanhol) e o prêmio de Melhor Documentário do festival Karlovy Vary com o curta “A Story for the Modlins” (2012). “O Futebol”, por sua vez, foi exibido também nos festivais de Locarno e Mar Del Plata. E, apesar do título, tem o futebol apenas como pano de fundo para um reencontro entre um pai e um filho que não se viam a 20 anos, e que marcam de passar um mês juntos para acompanhar os jogos da Copa do Mundo de 2014. Os planos, porém, não se realizam como previsto. A estreia também acontece em quatro salas. Por fim, “Meu Nome É Jacque”, de Angela Zoé (“Nossas Histórias”) foca uma mulher transexual, portadora do vírus da aids, que precisa superar grandes obstáculos para viver sua vida da melhor forma possível. Chega em apenas uma sala no Rio.







