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    Bolsonaro muda Conselho Superior de Cinema e pode extinguir a Ancine

    18 de julho de 2019 /

    O presidente Jair Bolsonaro transferiu o Conselho Superior do Cinema, responsável pela formulação da política nacional de audiovisual, do Ministério da Cidadania para a Casa Civil. A mudança faz parte de decreto assinado nesta quinta-feira (18/7), em cerimônia comemorativa dos 200 dias do atual governo. Segundo informações da colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo, o presidente estaria insatisfeito com a atual política de fomento ao cinema e pretende fazer alterações na estrutura. Além da transferência do órgão colegiado para o Palácio do Planalto, em uma tentativa de ter mais influência sobre ele, Bolsonaro avalia extinguir a Ancine (Agência Nacional do Cinema), atualmente em crise. Ainda de acordo com a colunista, o motivo é o mesmo que levou à demissão de um diretor de marketing do Banco do Brasil após publicidade com transexual. A insatisfação do Bolsonaro viria de relatos de projetos aprovados pela Ancine que o presidente entende como absurdos, como o reality “Born to Fashion”, cuja premissa é revelar modelos trans. Ele também estaria preocupado com a disputa de cargos dentro da área da cultura. Criada em 2001, a Ancine é uma agência reguladora com a função de fomentar e fiscalizar as produções cinematográfica e videofonográfica no Brasil. A maioria dos filmes feitos no Brasil recebe verbas do órgão, via Fundo Setorial do Audiovisual, que destina para os produtores verbas de taxas federais pagas por empresas do setor, como o Condecine e o Fistel. Este dinheiro não é pago pelo cidadão brasileiro, mas por empresas que lucram com cinema e TV no Brasil. Bolsonaro já proibiu que as estatais patrocinem eventos culturais, colocando em risco os festivais de cinema do país, e impôs limites impraticáveis para produções cinematográficas nos projetos que podem ser aprovados via Lei de Incentivo à Cultura (antiga Lei Rouanet). Caso a Ancine seja extinta, pode ser o apocalipse do cinema nacional.

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    José de Abreu é condenado por difamação em ação do hospital Albert Einstein

    6 de julho de 2019 /

    O ator José de Abreu foi condenado a pagar R$ 20 mil por danos morais ao hospital Albert Einstein. Em janeiro, ele fez uma postagem no Twitter acusando a instituição de ter apoiado o atentado contra o então candidato e hoje presidente Jair Bolsonaro. “Teremos um governo repressor, cuja eleição foi decidida numa facada elaborada pelo Mossad, com apoio do hospital Albert Einstein, comprovada pela vinda do PM israelense, o fascista matador e corruptor Bibi [Netanyahu, primeiro-ministro de Israel]”, escreveu o ator. “A união entre a igreja evangélica e o governo israelense vai dar m*”, finalizou. O tuíte foi postado no dia da posse de Bolsonaro como presidente e apagado minutos depois. Na ocasião, o hospital soltou uma nota afirmando que a acusação era “grave, insultuosa e infundada”. E dizia ainda que ia tomar medidas judiciais contra o ator para “zelar por seu compromisso com a sociedade brasileira”. No processo, o ator foi acusado de difamação, ofensa e antissemitismo e, segundo informações do UOL, chamado de “alguém carente de discernimento, um deficiente mental, para usar a terminologia da lei civil”. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, Abreu prometeu recorrer da sentença “até o Supremo Tribunal Federal”, em nome da liberdade de expressão. “A ideia da sentença é provocar uma auto-censura? Onde fica e quem decide o limite da minha liberdade?”, disse. Ele afirma que é judeu e não pode ser acusado de antissemitismo. Diz também que sua mensagem ficou no ar por um curto espaço de tempo. “Provamos que o escândalo que os advogados do hospital fizeram deram muito mais audiência que o meu post, que logo apaguei”, afirma.

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    Anima Mundi atinge meta de financiamento coletivo e terá 27ª edição

    2 de julho de 2019 /

    O Festival Anima Mundi conseguiu viabilizar sua 27ª edição com financiamento coletivo. O evento atingiu a meta de sua campanha no site Benfeitoria, superando os R$ 400 mil que necessitava para continuar, informaram os organizadores pelas redes sociais. Um dos eventos de animação mais prestigiados do planeta, o Anima Mundi qualifica seus vencedores a disputar o Oscar da categoria. Mas, como vários outros eventos culturais importantes, perdeu o apoio da Petrobras após a eleição de Bolsonaro. O presidente acredita que “o Estado tem maiores prioridades”. O patrocínio da Petrobras, retirado de todos os eventos culturais por decisão presidencial, respondia por 30% do orçamento total do Anima Mundi. Para tentar salvar o festival, os organizadores apelaram para o financiamento coletivo. E o público correspondeu. Ainda assim, a 27ª edição será uma das mais enxutas do evento. Antes de Bolsonaro, o orçamento médio do Anima Mundi era de R$ 3 milhões – por sinal, acima do teto de US$ 1 milhão estabelecido pelo governo para a nova Lei de Incentivo Cultural. Mas os organizadores redimensionaram o projeto para transformá-lo numa mostra de filmes, acompanhada por debates e encontros entre profissionais e público, orçada em R$ 800 mil. Mesmo assim, a expectativa real era de captar metade desse valor com o financiamento coletivo, para viabilizar ao menos as mostras. Foi o que aconteceu. Com todos os perrengues, o festival pretende exibir 303 filmes, com produções de mais de 40 países, entre os dias 17 e 21 de julho no Rio de Janeiro, e de 24 a 28 de julho em São Paulo. Ver essa foto no Instagram #VaiTerAnimaMundi #AnimaMundi2019 Uma publicação compartilhada por Anima Mundi (@animamundioficial) em 28 de Jun, 2019 às 8:31 PDT Ver essa foto no Instagram #VaiTerAnimaMundi Uma publicação compartilhada por Anima Mundi (@animamundioficial) em 28 de Jun, 2019 às 10:49 PDT

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    Democracia em Vertigem reflete impasses do cinema militante no Brasil

    24 de junho de 2019 /

    Lamento profundamente discordar da grande onda de encantamento e comoção em torno de “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, mas gostaria de propor uma reflexão sobre porque esse filme me pareceu tão insatisfatório. Gostaria de começar lançando uma pergunta: a quem esse filme se destina? Petra tem como objetivo promover uma análise panorâmica sobre as transformações políticas de nosso país. Como um país que guiava em direção à democracia, enfrentou, em tão pouco tempo, uma descontinuidade abrupta, a ponto de a diretora considerar que a democracia foi na verdade “um sonho efêmero”? A base dessa pergunta já revela os pressupostos políticos da realizadora. A questão não é propriamente “de que lado ela (ou o filme) está” mas quais os métodos utilizados pelo filme para dar forma ao seu discurso. E o que o desenvolvimento desse discurso provoca como reflexão sobre o curso de nosso país. Pois bem: a partir dessa ambição panorâmica a nível macro, Petra adiciona um elemento típico de sua filmografia – uma análise pessoal, como uma espécie de documentário em primeira pessoa. Contemplar a presença da morte, do fracasso ou da culpa já estava presente no seu anterior “Elena” (2012). O desafio de “Democracia” é então articular o drama familiar individual em primeira pessoa com a observação macro dos rumos políticos do país. Na dimensão individual, Petra lança alguns elementos. O principal deles é a sua própria voz-over, que se afasta das imponentes “vozes-de-deus” em tom “branco” e preenche a camada sonora com um perfil humano comum. O segundo é a reflexão sobre o choque de perspectivas entre seus pais, antigos militantes de esquerda (sua mãe chegou a ser presa no mesmo local de Dilma), e a tradição de seus avós, ricos empresários da Andrade Gutierrez, uma das empresas denunciadas na Lava Jato. Petra então é herdeira direta desses dois grupos opostos que fracassaram – os militantes de esquerda e a elite empresarial brasileira. No entanto, os impasses dessa filiação não são aprofundados de fato pela realizadora. “Democracia em Vertigem” não é uma reflexão sobre a posição de classe da realizadora ou sobre o fracasso de uma geração, aos moldes de filmes que trabalham as fissuras da linguagem documental, aprofundando e complexificando suas cicatrizes, como “Os Dias com Ele” (2012), de Maria Clara Escobar, um duro acerto de contas da própria realizadora com seu pai, ou mesmo “Santiago” (2007) e “No Intenso Agora” (2017), de João Moreira Salles. A inclusão do elemento familiar ou íntimo acaba servindo na verdade como mero entremeio para a principal função do filme: a construção de uma narrativa sobre as transformações do regime político brasileiro, ou ainda, a perda de legitimação do Partido dos Trabalhadores e a ruptura da tradição democrática. A forma como Petra constrói essa narrativa macropolítica articula as imagens de arquivo com a própria narração de Petra, que, por boa parte do filme, meramente ilustra e costura o que as imagens em si não conseguem propor. Assim, a voz-over, mais do que investir no documentário em primeira pessoa, funciona como alicerce para a corroboração da construção de uma narrativa (um discurso) sobre o país. É ela quem no fundo apresenta o que é o filme. A forma didática e linear, com relações de causa-e-efeito forçadas, sem grandes sutilezas, desvela uma narrativa sem grandes novidades em relação ao discurso hegemônico da esquerda. São raros os momentos em que o filme procura inserir camadas de cinza ou questionamentos sobre algumas contradições e paradoxos internos do PT. São raros os momentos em que o filme reflete sobre a própria produção dessas imagens, sobre suas lacunas ou fissuras. Um deles, notável exceção, ocorre durante a posse de Dilma, quando Lula, Dilma e Marisa descem a rampa do Planalto, com a companhia de Temer. Nesse momento, o filme promove uma leitura dessa imagem como um certo prenúncio do impeachment, visto o nítido isolamento de Temer em relação aos outros três corpos. Em outro deles, Dilma confidencia a Lula, no momento imediatamente após a confirmação do resultado da sua primeira eleição como presidente: “você que inventou essa”. Nesses momentos, parece que o filme escapa de sua vocação apriorística e se abre para as dobras e os paradoxos das imagens. São momentos em que o filme se liberta da necessidade de corroborar um discurso e mergulha em simplesmente olhar para as imagens e tentar entender o que elas dizem, suas camadas e hiatos. Sinto falta no filme de Petra que ela realmente olhe para as imagens, antes de manuseá-las como função no interior da narrativa. Ou seja, as imagens parecem que estão aprisionadas diante do discurso prévio da realizadora. Petra lida com essas imagens sem deixá-las respirar ou falar por si mesmas, mas as mostra apenas se servem como testemunha ou elemento de acusação, ou ainda como mera peça de uma grande tapeçaria, como se realizasse uma narrativa típica do cinema clássico, mas com imagens que não lhe pertencem. O que sobrevive do filme de Petra não é sua narrativa de costura forçada, em grande máquina industrial, simulando um look semicaseiro, mas os pequenos momentos em que as imagens, sorrateiras e traiçoeiras, se libertam do arremedo totalizante da realizadora e se deixam revelar em suas bordas e lacunas. Mas aqui volto a pergunta inicial: a quem o filme se destina? Pela exposição minuciosa dos grandes temas já exaustivamente apresentados pela grande imprensa, como um grande resumo jornalístico, sem apresentar grandes novidades ou reflexões mais aprofundadas, me parece que o filme se destina primordialmente para um público que não tem muita intimidade com o desenrolar dos fatos, especialmente para o público estrangeiro. Ainda mais pelo fato de o filme ser produzido e distribuído mundialmente pela Netflix, a suspeita se reforça. Alguns poderiam estranhar o fato de uma empresa internacional – que se movimenta para aprovar a regulação do VOD no país, ainda em suspenso, favoravelmente a seus interesses comerciais, inclusive articulando sua inclusão no Conselho Superior de Cinema – produzir um filme com um discurso claramente oposto ao governo no poder. Mas “Democracia em Vertigem” é o outro lado de “O Mecanismo” – série de José Padilha que causou polêmica ao tratar, por meio da ficção, os acontecimentos da Lava Jato de forma um tanto caricata e irresponsável, como um mero thriller policial. É o avesso que confirma a regra, já que, no fundo, o que a empresa busca, para além de sua inclinação ideológica, é a realização de produtos que gerem dinheiro. E o valor, no mundo do capitalismo cognitivo, está diretamente relacionado com o quanto de buzz o filme consegue movimentar nas mídias, nas redes sociais, de uma classe média pronta para consumir esses produtos. Ou seja, a ideologia do capital é o próprio capital. Pois se a democracia está em vertigem, em crise ou em risco, “Democracia em Vertigem” nunca se põe verdadeiramente em risco, nunca provoca de fato o espectador para as contradições de seu momento histórico ou para o papel e a função das imagens. Meramente ilustrativo sobre um discurso firmemente sustentado a priori, descrito pela narração em over, “Democracia” arrola um conjunto de tautologias, repetindo para o público de esquerda os mantras já fartamente conhecidos por ele. Concluo então pensando como pode ser o cinema político. No mundo de grandes dualismos em que vivemos, a política no cinema não deve ser dissociada da questão da liberdade. O fracasso de “Democracia em Vertigem” é que o projeto tautológico da realizadora raramente estimula que o espectador veja o mundo com seus próprios olhos. Guiando-o pelas mãos a partir de uma identificação com a própria posição da realizadora, o público (de esquerda) de “Democracia em Vertigem” passeia pela narrativa confortavelmente, como se estivesse descorporificado, com se flanasse pelas belas imagens de Brasília a bordo de um dos drones que sobrevoam a paisagem. Há aqueles que criticam a posição de Petra analisando as contradições de seu “lugar de fala”, que exacerba sua leitura classista dos acontecimentos – ou seja, a diretora, mesmo filha de militantes, permanece seguramente ancorada no seu lugar de privilégio. Mas nem recorro a esse ponto. Para além da falta de coerência entre a articulação entre o íntimo e o coletivo, destinada aos brasileiros e estrangeiros da “esquerda do Netflix”, o grande problema de “Democracia” está na superficialidade de sua visão de país. Problema que também perpassa, ou atravessa, um elemento crucial, tipicamente cinematográfico: sua falta de ousadia, sua incapacidade de sonhar, sua atrofia em imaginar aquilo que as imagens e os discursos prontos não respondem de supetão. No fundo, a tautologia de “Democracia em Vertigem”, ao construir uma narrativa fechada dos vilões que surrupiaram o poder, reflete a falta de um projeto político-estético para o cinema de esquerda do país de hoje – ou ainda, os impasses de certo cinema militante hoje no país. Por isso, o que me espanta não é propriamente o filme realizado por Petra mas especialmente a recepção – rápida e instantânea – que o filme atingiu num certo público – em especial cineastas e artistas de esquerda. Uma adesão instantânea que bloqueia os paradoxos do discurso apresentado pelo filme. Uma reação que me parece refletir um certo “desespero”, como se esse filme fosse uma âncora, bússola ou mapa, para mostrar à sociedade que é preciso acreditar nessa narrativa para que possamos sobreviver à loucura ou à tormenta. Mais interessante que o filme tem sido acompanhar a recepção de “Democracia em Vertigem”. A comoção em torno do filme acaba evidenciando a profunda falta de perspectivas e a crise de pensamento da hegemonia da esquerda brasileira. Se quisermos virar o jogo, precisamos de narrativas melhores.

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    O Mecanismo: José Padilha revê papel de Moro e diz preparar “algo sobre Bolsonaro”

    11 de junho de 2019 /

    “O Mecanismo” ainda não foi renovada para a 3ª temporada. Mas seu mentor e produtor, o cineasta José Padilha, já sabe o que os próximos capítulos da série devem contar. Ele pretende incluir o conteúdo da reportagem do site The Intercept, que revelou conversas vazadas do aplicativo Telegram entre o ex-juiz Sergio Moro e os integrantes da Lava-Jato. Em entrevista à BBC News Brasil, Padilha disse que “cometeu um erro de julgamento” sobre Moro, que inspira o personagem do juiz Paulo Rigo (vivido por Otto Jr) em “O Mecanismo”. O cineasta afirmou não ter dúvidas de que o juiz “cometeu um monte de erros”, já que a atitude de Moro de “ajudar a acusação” é “claramente estúpida” porque “juízes devem ser neutros” e porque “as evidências eram muito claras”. Para ele, a operação Lava Jato se revelou “um embate entre um juiz e alguns procuradores justiceiros e uma quadrilha de políticos corruptos”. Isto já estava começando a aparecer na série da Netflix, segundo o diretor. “‘O Mecanismo’ mostra, não via mensagens de celular, mas via reuniões entre os membros da Lava Jato, que Moro, a PF [Polícia Federal] e os procuradores tinham uma relação muito íntima e que debatiam, sim, a melhor maneira de encaminhar as acusações contra os réus. Isto está explícito na 1ª e na 2ª temporadas. A diferença é que, nas nossas cenas, a iniciativa nunca era de Moro. Era sempre dos procuradores. Agora, parece que Moro tomou a iniciativa de ‘ajudar’ a acusação… Uma atitude antiética e claramente estúpida. Primeiro, porque juízes precisam ser neutros. Segundo, porque as evidências eram muito claras. Ao se arvorar para além das suas funções, Moro pode terminar ‘soltando’ políticos que, claramente, depenaram o país em conluio com grandes bancos e construtoras.” Ele acrescenta que os roteiristas tiveram “o cuidado de não centrar a série na figura de Moro”, mas, mesmo assim, ele mudaria a forma como ele foi retratado, caso soubesse das mensagens. “O herói do ‘Mecanismo’ é Marco Ruffo [policial interpretado por Selton Mello]… Conte as cenas de Moro ou o tempo de Moro na tela… Não é muito grande. E o Moro que retratamos está longe de ser perfeito. Porém, não resta dúvida: Moro cometeu um monte de erros que mudariam a forma com que mostramos ele, sim. Aliás, não apenas a nossa forma de retratá-lo. Imagino que a forma de toda a mídia.” Entretanto, Padilha garante que o escândalo do vazamento da troca de mensagens entre Moro e promotores não mudou sua visão de Lula, do PT e dos políticos do PMDB que estavam no poder. “Não fiz um erro de julgamento a respeito de Lula, de [Michel] Temer, de [Sergio] Cabral e de [Eduardo] Cunha. Os fatos apurados pela Lava Jato demonstram a desonestidade destes políticos corruptos”. Ele ainda destacou: “Considero o ex-presidente Lula um picareta. Qualquer pessoa razoável não consegue fingir que Lula é honesto”. E citou as palestras pagas por empreiteiras que renderam milhões ao ex-presidente, mas nenhum vídeo, foto ou menção em redes sociais de quem supostamente as presenciou. Questionado se ainda esperava por mais reviravoltas na Lava Jato, Padilha confirmou que teme o pior. “Sobretudo no que tange ao Judiciário. Olho para o STF [Supremo Tribunal Federal] com grande suspeição. Gilmar Mendes questionou as mensagens de Moro. Será que ele nos franqueia acesso às suas mensagens? Ao teor de suas conversas com Aécio [Neves] e demais ‘conhecidos’ que andou soltando?”, questionou. Diante de uma pergunta sobre que outros fatos recentes do Brasil dariam uma boa série ou filme, Padilha citou a ascensão do clã Bolsonaro ao poder. “A chegada de políticos ligados à PM [Polícia Militar] e às milícias do Rio à Presidência da República….”, descreveu. Mas não seria um “Tropa de Elite 3”, já que o segundo filme introduziu o tema das milícias. Seria algo diferente. “Pode esperar algo sobre Bolsonaro sim”, adiantou.

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    Trailer do documentário Democracia em Vertigem reflete a queda do petismo

    5 de junho de 2019 /

    A Netflix divulgou o pôster e o trailer de “Democracia em Vertigem”, um dos muitos documentários gravados durante o processo de Impeachment de Dilma Rousseff. O diferencial é que a diretora Petra Costa se coloca na trama como narradora, assumindo o parcialismo da narrativa, ao mesmo tempo em que amplia a abordagem para além do Impeachment, mostrando a prisão de Lula e a ascensão de Bolsonaro. A prévia tem ótimas imagens, que confirmam o talento da ainda jovem Petra Costa como uma das melhores documentaristas brasileiras. Mas isso não significa que a verdade pessoal da narradora possa ser confundida com a verdade de uma apuração isenta. Documentários tendem a ser parciais, já que não seguem regras jornalísticas, e podem ser manipuladores quando adotam uma abordagem impressionista. A forma como Lula surge no vídeo, quase um santo milagreiro, e a forma como Petra narra a ascensão do petismo passam longe da isenção. A família da documentarista é muito ligada ao ex-presidente preso. Petra é herdeira da Andrade Gutierrez, uma das empresas enredadas na Lava-Jato, que teria pago despesas da eleição de Dilma. Um médico afirma que a família pagou uma cirurgia plástica para Lurian, filha de Lula, que morou com Marília Andrade, mãe de Petra, em Paris. Lurian diz que trabalhou como babysitter no período, possivelmente da própria cineasta, que era uma criança na época. Além disso, a mãe da cineasta também comprou um sítio ao lado do de Lula, em Atibaia. Frequentavam-se. A diretora pode ter explorado essa familiaridade para conseguir acesso exclusivo (uma das frases do pôster destaca o “acesso sem igual”), como nos registros das últimas horas de ‘Lula livre”. Uma das cenas do vídeo mostra Lula por volta deste momento, num carro, bem perto da câmera, dizendo que queria ter feito mais. O tom de mártir, sugerido pela montagem, contrasta com reportagens que revelaram o arrependimento de importantes petistas em não ter feito “mais” para aparelhar a máquina estatal, de modo a manter o partido no poder. Aparelhamento que acabou rendendo corrupção, a Lava-Jato, polarizou o país e culminou na eleição de Bolsonaro. A prévia de “Democracia em Vertigem” exalta uma parte importante da história recente do Brasil. E demonstra contar muito bem, de forma extremamente profissional e artística. Mas o próprio filme serve de exemplo para os motivos que levaram à queda do petismo – a narrativa mitológica, imbuída numa missão de salvação nacional, em tom de seita. É de extremo bom senso redobrar a atenção diante de narrativas que confundem democracia com um projeto de poder. Democracia não pertence a um partido – isto costuma ser outra coisa. Não acaba quando o rival vence uma eleição. Ao contrário, consiste em aceitar a alternância de poder, mesmo que o adversário seja… Bolsonaro. De fato, a falta de autocrítica do partido de Lula e a visão acrítica de seus seguidores, bem representada no trailer de “Democracia em Vertigem”, acabou sendo o maior responsável pela vitória da extrema direita ultraconservadora, eleita com o voto anti-petista. Vale lembrar que a empresa da família da documentarista fez a autocrítica que os petistas se recusam a formalizar: “Reconhecemos que erros graves foram cometidos nos últimos anos e, ao contrário de negá-los, estamos assumindo-os publicamente”, disse um anúncio da Andrade Gutierrez, publicado após firmar um acordo de leniência com o Ministério Público Federal, ao ser pega na operação Lava-Jato. O pôster diz que o filme já está disponível. O trailer revela que a estreia está marcada para 19 de junho em streaming. Até nisso, há duas “verdades” distintas.

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    Anima Mundi pode ser primeira vítima da “política cultural” de Bolsonaro

    7 de maio de 2019 /

    O Festival Anima Mundi, que tem sua 27ª edição prevista para julho no Rio e em São Paulo, pode se tornar o primeiro evento cinematográfico do ano cancelado pela “política cultural” do governo Bolsonaro. Um dos eventos de animação mais prestigiados do planeta, o Anima Mundi qualifica seus vencedores a disputar o Oscar da categoria. Mas Bolsonaro diz que “o Estado tem maiores prioridades”. O patrocínio da Petrobras, retirado de todos os eventos culturais por decisão presidencial, respondia por 30% do orçamento total do evento. Para tentar salvar o festival, os organizadores decidiram apelar para o financiamento coletivo. Antes de Bolsonaro, o orçamento médio do Anima Mundi era de R$ 3 milhões – por sinal, acima do teto de US$ 1 milhão estabelecido pelo governo para a nova Lei de Incentivo Cultural. Mas seria possível realizar uma versão enxuta, que mantivesse, além da mostra de filmes, alguns encontros dos profissionais com o público e debates, com R$ 800 mil de investimento, segundo Fernanda Cintra, produtora executiva do Anima Mundi. Entretanto, a expectativa é captar metade desse valor com o financiamento coletivo, para viabilizar ao menos as mostras. A campanha de financiamento coletivo do festival será lançada no dia 13 no site Benfeitoria.

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    Cine Belas Artes encontra novo patrocinador após perder a Caixa

    3 de maio de 2019 /

    O mais famoso cinema de rua de São Paulo, o cine Belas Artes, anunciou nesta quinta-feira (2/5) que conseguiu novo patrocínio e seguirá em atividade. Ameaçado de fechar pela segunda vez, após perder o apoio da Caixa Econômica Federal em janeiro por decisão do governo Bolsonaro de cortar patrocínios culturais de estatais, o Belas Artes acertou o patrocínio da cervejaria Petra. Com a nova parceria, o local deixa de ser chamado de Caixa Belas Artes para virar o Petra Belas Artes. Desta vez, a solução foi rápida. Vale lembrar que o espaço chegou a ficar três anos fechado, entre 2011 e 2014, por falta de apoio para custear seu aluguel na Rua da Consolação (estimado em cerca de R$ 2 milhões anuais), e só voltou à ativa após o envolvimento da Prefeitura e com a ajuda financeira da Caixa. Após o anúncio do novo patrocínio, o Belas Artes afirmou que sua programação não sofrerá alterações. O contrato é válido por cinco anos.

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    Vídeo da Indústria Audiovisual do Brasil chama atenção para o setor

    1 de maio de 2019 /

    O Dia do Trabalhador foi escolhido para o lançamento de um vídeo da Indústria Audiovisual do Brasil, que celebra o trabalho por trás da produção de um filme. Trata-se de um manifesto, criado por iniciativa de produtores de todo o Brasil, para chamar atenção para o setor. Embora não se assuma como tal, é uma resposta ao desmonte do cinema nacional levado adiante pelo governo Bolsonaro. O vídeo lembra que a indústria audiovisual emprega mais e gera mais impostos que o turismo no Brasil, e cita dados, acompanhando imagens de 28 filmes nacionais de grande sucesso. Entre as informações, consta que a indústria audiovisual brasileira é composta por mais de 13 mil empresas de diversos tamanhos, que geram mais de 300 mil empregos. O setor também era o que mais crescia no país até a posse de Bolsonaro, com taxa média de 8,8% ao ano, agregando na economia nacional o valor de R$ 25 bilhões por ano. Além disso, filmes também representam aquilo “que alguns chamam de Cultura”, contribuindo para preservar a memória da história brasileira e a construção da identidade do Brasil, além de divulgar a imagem do país em todo o mundo. Os dados são apresentados em caracteres gigantes, para que ninguém possa fingir que não viu. Em especial os gênios que resolveram cortar o patrocínio de empresas estatais ao cinema, baixar o teto da lei de incentivo comprometendo a organização de festivais, acabar com o Ministério da Cultura e cortar a verba federal para divulgação e comercialização internacional de filmes, enquanto o TCU mantém o investimento da Ancine em novos filmes e séries paralisados em todo o país e o mercado é entregue à distribuição predatória dos estúdios americanos. “Muito prazer, nós somos a indústria audiovisual do Brasil”, conclui a narração do final do vídeo. Aproveite para conhecê-la, enquanto ainda existe.

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    Revista americana Variety destaca crise do cinema brasileiro sob Bolsonaro

    23 de abril de 2019 /

    A imagem internacional da cultura brasileira já é de crise nos Estados Unidos. A revista Variety, uma das mais tradicionais publicações americanas sobre o mercado de entretenimento, publicou uma reportagem sobre a paralisação da indústria de cinema e TV do Brasil, sob o governo de Jair Bolsonaro. A revista vê a cultura brasileira ameaçada por cortes de incentivos do governo, e lamenta a estagnação do prestigioso cinema brasileiro “A agência brasileira Ancine, a principal fonte de financiamento público do cinema do país, congelou todos os seus programas de incentivo potencialmente paralisando novas produções da maior indústria de cinema e TV da América Latina”, publicou a Variety. Segundo a publicação, a decisão “dramática” deixou a indústria cinematográfica do país em choque e muito preocupada com o futuro. Também houve o corte de patrocínio estatal, o fim do Ministério da Cultura e o enterro da lei Rouanet, rebatizada de Lei de Incentivo a Cultura e com diversas restrições. Mas a Variety apontou outros dados do desmantelamento da rede de apoio estatal à produção cultural brasileira, que nem a imprensa nacional chegou a noticiar com o devido destaque. A revista revelou que a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) está descontinuando seu apoio financeiro para o programa Cinema do Brasil, voltado à exportação de filmes brasileiros. Até a eleição de Bolsonaro, o Departamento Cultural do Itamaraty, no Ministério das Relações Exteriores, trabalhava junto a entidades públicas e privadas do setor audiovisual para fortalecer a presença de filmes e programas televisivos brasileiros no mundo, com o objetivo de divulgar a cultura nacional e facilitar contatos com vistas à comercialização dos bens audiovisuais. Isto acabou. A Variety também destacou o fim do apoio da Petrobras aos principais eventos de cinema do Brasil, lembrando que “a Petrobras figurou por duas décadas como o maior patrocinador corporativo do setor”. “O congelamento de incentivos apareceu em um contexto de animosidade não disfarçada entre a indústria de cinema e TV e grandes parcelas do governo Bolsonaro, que vê a indústria de entretenimento brasileira como um ralo de orçamento federal”, diz a reportagem. “A grande questão para a indústria é se o congelamento de incentivos é uma moratória temporária ou parte de um desmantelamento contínuo do apoio crucial do governo à indústria brasileira de TV e cinema. A atual falta de visibilidade de qualquer resposta a essa pergunta é, em si mesma, um fator incapacitante para novas produções”, acrescenta o texto. A revista conclui que a tensão entre o governo e os produtores de cinema e TV deve gerar protestos ao longo das próximas semanas, com possíveis manifestações durante apresentações brasileiras em grandes eventos internacionais, como o Festival de Cannes.

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    Mudanças na ex-Lei Rouanet confirmam teto de R$ 1 milhão por projeto

    23 de abril de 2019 /

    O governo anunciou as mudanças na lei que garante grande parte da produção cultural do Brasil. Em vídeo publicado na página de Facebook do Ministério da Cidadania, o ministro Osmar Terra explicou algumas das diretrizes da nova Lei de Incentivo à Cultura, nome que será adotado pelo governo em substituição à denominação Lei Rouanet. Conforme anunciado há duas semanas pelo presidente Jair Bolsonaro, o limite para captação de recursos pela lei vai baixar de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão por projeto. Mas uma mesma empresa poderá apresentar várias propostas diferentes, respeitando um teto de R$ 10 milhões por ano. Embora Bolsonaro tenha dito que não haveria exceções, elas existirão. Feiras de livros e festas populares, como o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, e o Natal Luz, em Gramado (RS), poderão captar até R$ 6 milhões. Restauração de patrimônio tombado, construção de teatros e cinemas em cidades pequenas, e planos anuais de entidades sem fins lucrativos, como museus e orquestras, também ficarão fora do limite de R$ 1 milhão, mas não foram fornecidos maiores detalhes para esses casos. As mudanças serão feitas por meio de uma instrução normativa a ser publicada na quarta-feira (24/4) no Diário Oficial da União. Assim que isso ocorrer, elas terão validade imediata e não precisarão ser referendadas pelo Congresso. “Com isso, vamos enfrentar a concentração de recursos nas mãos de poucos. Com o mesmo dinheiro, mas melhor distribuído, vamos ter muito mais atividades culturais e artistas apoiados, dando oportunidade para os novos talentos” disse Terra, a quem a Secretaria de Cultura (o finado MinC) é subordinada. Outras mudanças vão ocorrer na cota de ingressos gratuitos, que hoje é de 10%e deverá ficar entre 20% e 40% nos projetos aprovados. Além disso, o valor dos ingressos populares terá que baixar de R$ 75 para R$ 50. Também haverá editais focados no incentivo à cultura regional, em parceria com as empresas estatais, e estímulo para que estados que não sejam São Paulo e Rio de Janeiro tenham mais recursos. O objetivo é desconcentrar os projetos patrocinados, que em sua maioria estão nesses dois estados. Além disso, os beneficiados pelos repasses terão que fazer ação educativa em escolas ou na comunidade, em parceria com as prefeituras. “Os brasileiros, que estão cansados de ouvir falar dos abusos no uso dos recursos da Lei Rouanet, podem ter certeza que isso está acabando. Vamos enfrentar a concentração de recursos públicos beneficiando poucos. Nossa nova lei de incentivo vai aumentar o acesso da população brasileira à cultura, especialmente para as pessoas mais pobres. Nossas ações também terão foco no estímulo ao surgimento de novos talentos, no fortalecimento de ações de inclusão social, formando profissionais na área artística e promovendo a cultura popular”, disse Terra no vídeo. O ministro, porém, não quis responder perguntas sobre o assunto, recusando entrevistas. O estabelecimento de um teto de US$ 1 milhão atingirá com mais força os musicais, como “O Fantasma da Ópera”, autorizado a captar R$ 28,6 milhões, mas também grandes mostras de arte, como a Bienal de São Paulo, com orçamento sempre acima dos R$ 20 milhões, além de todos os festivais de cinema importantes do país: Festival do Rio, Mostra de São Paulo, Festival de Brasília, Festival de Gramado, Anima Mundi, É Tudo Verdade, etc. As mudanças da Lei Rouanet, transformada em Lei de Incentivo à Cultura, se juntam ao fim do Ministério da Cultura, ao corte do patrocínio de estatais a eventos culturais e à paralisação do investimento da Ancine em novos filmes e séries, como saldo dos primeiros 100 dias de Bolsonaro. Enquanto vários eleitores do presidente comemoram o “fim da mamata” de artistas da Globo e de petistas e compartilham apoio ao “mito”, projetos já começam a ser cancelados. Não vai demorar para se ter noção do saldo da tempestade perfeita que se abate sobre a indústria cultural brasileira, sob aplausos de uma turba barulhenta que brande foices e forcados, enquanto queima “bruxas” e celebra o incêndio que se alastra ao seu próprio redor. A Lei de Incentivo à Cultura mudou para melhor! A Lei de Incentivo à Cultura mudou para melhor! Agora, cada projeto poderá captar no máximo R$ 1 milhão, distribuindo melhor os recursos. Com as mudanças, vamos aumentar o acesso da população brasileira à cultura, principalmente das pessoas mais pobres, priorizar o estímulo de novos talentos, fortalecer as ações de inclusão social e promover a cultura popular. No vídeo, o ministro Osmar Terra explica direitinho como vai funcionar a nova Lei de Incentivo à Cultura. Confira! Publicado por Ministério da Cidadania em Segunda-feira, 22 de abril de 2019

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  • Filme

    Bolsonaro usa técnica de lavagem cerebral de Laranja Mecânica em vídeo contra Cultura

    22 de abril de 2019 /

    Para justificar sua política de cerco ao “setor que alguns dizem ser de cultura”, a partir da ordem de corte de patrocínios culturais da Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro publicou um vídeo no mínimo questionável em seu Twitter e YouTube oficiais. O material, sem fonte clara – como tem sido praxe na comunicação do governo – , é uma versão editada de um noticiário da Globo News, submetida à tática de choque “golden shower” do presidente. Ele incorpora flashes aleatórios, alguns escatológicos, outros “apenas” preconceituosos, para forçar generalização contra o conceito de incentivo cultural. Entre os exemplos subliminares está um pôster do filme “Lula, o Filho do Brasil”, que apesar de ser um vexame, não foi feito com dinheiro da Petrobras – ao menos, não diretamente – nem usou qualquer lei de incentivo fiscal federal, estadual ou municipal. Outro exemplo é um flash de cartaz do Encontro Nacional de Arte e Cultura LGBT de 2014, com destaque para o fato de que ele ocorreu no Centro Petrobras de Cinema. A imagem entrou no momento em que a cineasta Lais Bodanzky (“Como Nossos Pais”), presidente da Spcine, falava sobre a importância do Festival do Rio, que é dos eventos ameaçados após os cortes da Petrobras. Tendo em vista que todas as imagens aleatórias tem o objetivo de “negativar” as falas apresentadas, o uso do cartaz trata a cultura LGBT como se fosse uma perversão. O vídeo editado segue incorporando fake news, preconceito e generalizações de modo subliminar, para formar opiniões a partir de presunções completamente equivocadas. É uma técnica de lavagem cerebral, popularizada durante a Guerra Fria, para fomentar ódio contra aquilo que é mostrado. Uma das cenas mais icônicas do clássico filme “Laranja Mecânica” (1971), de Stanley Kubrick, lança mão de projeções de filmes para fazer lavagem cerebral no protagonista. O objetivo é recondicionar Alex (Malcolm McDowell) a reagir com repulsa à determinadas situações exemplificadas nas imagens. O condicionamento pela repulsa se alia a outra tática de lavagem cerebral. Você conhece o ditado que diz que “uma mentira contada mil vezes se transforma em uma verdade”? Pois o cérebro humano funciona mais ou menos dessa maneira e, quando não está preparado, cai nas armadilhas da repetição e do reforço de falsidades, passando a acreditar numa visão de mundo completamente mentirosa. Contrariando a visão de mundo do presidente, a Petrobras foi responsável por salvar o cinema brasileiro, junto da Lei Rouanet, do caos criado por Fernando Collor de Mello ao extinguir a Embrafilme – isto e a popularização da música sertaneja foram os maiores legados culturais de Collor, ao passo que a destruição da Cultura nacional parece ser o projeto de Bolsonoro. Em release divulgado em dezembro passado, dias antes de Bolsonaro assumir o poder, a Petrobras ainda se dizia orgulhosa de sua atuação como incentivadora do cinema nacional. “São 22 anos e mais de 500 títulos entre longas e curtas metragens que fizeram da Petrobras a principal parceira da Retomada do Cinema Brasileiro, atuando em todos os elos da cadeia produtiva do setor audiovisual”, diz o texto, que ainda acrescenta: “Acreditamos em especial na importância do apoio aos festivais de cinema por promoverem o lançamento e circulação de novos filmes, estimularem a formação de plateia e constituírem espaços privilegiados de debate e reflexão sobre o audiovisual”. “Carlota Joaquina, a Princesa do Brasil” e “O Quatrilho”, indicado ao Oscar, foram as primeiras produções cinematográficas que contaram com patrocínio da Petrobras. Com seu sucesso e repercussão internacional, os dois filmes de 1995 mudaram os rumos do cinema brasileiro, que foi quebrado por Collor, impichado por corrupção. Um dos slogans da Petrobras até o ano passado celebrava: “Para nós, Cultura é uma energia poderosa que movimenta a sociedade”. Entretanto, com Bolsonaro, a Petrobras passou a pensar ou pelo menos fazer o oposto, anunciando que não renovará o patrocínio de 13 eventos neste ano, o que inclui a Mostra de Cinema de São Paulo, o Festival do Rio, o Festival de Brasília e o Anima Mundi, entre outros projetos. Em fevereiro, Bolsonaro já tinha anunciado seu espanto com o investimento da Petrobras em Cultura, ao expor números não fundamentados no Twitter. “A soma dos patrocínios dos últimos anos passa de R$ 3 BILHÕES”, tuitou o presidente, aproveitando para afirmar que o Estado “tem maiores prioridades”. Vale lembrar que, com um único telefonema no começo de abril, em que mandou reverter aumento no preço do diesel, Bolsonaro deu prejuízo de R$ 32 BILHÕES (para usar a mesma grafia inflamada do presidente) para a Petrobras. O suficiente para décadas de investimento de Cultura, segundo cálculos dele mesmo. Bolsonaro também extinguiu o Ministério da Cultura e congelou a aprovação de novos projetos na Lei Rouanet desde que assumiu a Presidência em janeiro. Nenhum projeto foi aprovado para receber incentivo em quase cinco meses de governo. E não há prazo para o descongelamento, que só deve acontecer quando forem aprovadas mudanças na Lei. O presidente pretende estabelecer o teto de R$ 1 milhão por projeto, o que também acerta os festivais de cinema do Brasil. ​Paralelamente, o TCU paralisou a Ancine, proibindo-a de investir em novos projetos de cinema e séries nacionais. É uma tempestade perfeita, que tende a culminar na maior catástrofe sofrida pela indústria cultural do país, com resultados já vistos sob o governo Collor: estagnação da produção cultural, aumento no índice de desempregados, quebradeira de empresas, impacto no consumo e na economia (recessão) e queda na arrecadação dos impostos que o governo deixará de receber do setor. Caso o pior aconteça, a equipe que prepara os vídeos de lavagem cerebral de Bolsonaro precisará trabalhar dobrado. Uma dica é acrescentar as técnicas do filme “Sob o Domínio do Mal” (1962). Respeitando a aplicabilidade do dinheiro público, determinamos a revisão dos contratos vigentes e possibilidades futuras da Petrobras ligados ao setor que alguns dizem ser de cultura. A ordem é saber o que fazem com bilhões da população brasileira. https://t.co/qc56MPKV7e — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) April 21, 2019

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  • Etc

    Bolsonaro confirma ordem de cortar financiamento ao “setor que alguns dizem ser de cultura”

    22 de abril de 2019 /

    O presidente Jair Bolsonaro usou sua conta pessoal no Twitter para confirmar que determinou a revisão de contratos vigentes e “possibilidades futuras” da Petrobras ligados “ao setor que alguns dizem ser de cultura”. Segundo Bolsonaro, “a ordem é saber o que fazer com bilhões da população brasileira”. “Respeitando a aplicabilidade do dinheiro público, determinamos a revisão dos contratos vigentes e possibilidades futuras da Petrobras ligados ao setor que alguns dizem ser de cultura. A ordem é saber o que fazem com bilhões da população brasileira”, escreveu. Obedecendo à determinação do presidente, a Petrobras revelou na semana passada que não renovará o patrocínio de 13 eventos neste ano, o que inclui a Mostra de Cinema de São Paulo, o Festival do Rio, o Festival de Brasília e o Anima Mundi, entre outros projetos. Em fevereiro, Bolsonaro já tinha anunciado seu espanto com o investimento da Petrobras em Cultura, ao expor números não fundamentados no Twitter. “A soma dos patrocínios dos últimos anos passa de R$ 3 BILHÕES”, tuitou o presidente, aproveitando para afirmar que o Estado “tem maiores prioridades”. Vale lembrar que, com um único telefonema no começo do mês, mandando reverter aumento no preço do diesel, Bolsonaro deu prejuízo de R$ 32 BILHÕES (para usar a mesma grafia inflamada do presidente) para a Petrobras. O suficiente para décadas de investimento de Cultura, segundo cálculos dele mesmo. Bolsonaro também extinguiu o Ministério da Cultura e congelou a aprovação de novos projetos na Lei Rouanet desde que assumiu a Presidência em janeiro. Nenhum projeto foi aprovado para receber incentivo em quase cinco meses de governo. E não há prazo para o descongelamento, que só deve acontecer quando forem aprovadas mudanças na Lei. O presidente pretende estabelecer o teto de R$ 1 milhão por projeto, o que também acerta os festivais de cinema do Brasil. ​Paralelamente, o TCU paralisou a Ancine, proibindo-a de investir em novos projetos de cinema e séries nacionais. É uma tempestade perfeita, que tende a culminar na maior catástrofe sofrida pela indústria cultural do país, com resultados já vistos sob o governo Collor: estagnação da produção cultural, aumento no índice de desempregados, quebradeira de empresas, impacto no consumo e na economia (recessão) e queda na arrecadação dos impostos que o governo deixará de receber do setor. Para justificar seus cortes, Bolsonaro publicou um vídeo junto do texto. O material, sem fonte clara – como tem sido praxe na comunicação do governo – , é uma versão editada de um noticiário da Globo News, submetida à tática de choque “golden shower” do presidente. Ele incorpora flashes aleatórios, alguns escatológicos, outros “apenas” preconceituosos, para forçar generalização sobre “o setor que alguns dizem ser de cultura”. Entre os exemplos subliminares está um pôster do filme “Lula, o Filho do Brasil”, que apesar de ser um vexame, não foi feito com dinheiro da Petrobras – ao menos, não diretamente – nem usou qualquer lei de incentivo fiscal federal, estadual ou municipal. Outro exemplo foi o flash de cartaz de um Encontro Nacional de Arte e Cultura LGBT de 2014, com destaque para o fato de que ele ocorreu no Centro Petrobras de Cinema. A imagem entrou no momento em que a cineasta Lais Bodanzky (“Como Nossos Pais”), presidente da Spcine, falava sobre a importância do Festival do Rio, que é dos eventos ameaçados após os cortes da Petrobras. Tendo em vista que todas as imagens aleatórias tem o objetivo de “negativar” as falas apresentadas, o uso do cartaz trata a cultura LGBT como se fosse uma perversão. O vídeo editado segue incorporando fake news, preconceito e generalizações de forma subliminar, para formar opiniões a partir de presunções completamente equivocadas. É uma técnica de lavagem cerebral, popularizada durante a Guerra Fria, para fomentar ódio contra aquilo que é mostrado. Uma das cenas mais icônicas do clássico filme “Laranja Mecânica” (1971), de Stanley Kubrick, lança mão de projeções de filmes para fazer lavagem cerebral no protagonista. O objetivo é recondicionar Alex (Malcolm McDowell) a reagir com repulsa a determinadas situações exemplificadas nas imagens. O condicionamento pela repulsa se alia à outra tática de lavagem cerebral. Você conhece o ditado que diz que “uma mentira contada mil vezes se transforma em uma verdade”? Pois o cérebro humano funciona mais ou menos dessa maneira e, quando não está preparado, cai nas armadilhas da repetição e do reforço de falsidades, passando a acreditar numa visão de mundo completamente mentirosa. Contrariando a visão de mundo do presidente, a Petrobras foi responsável por salvar o cinema brasileiro, junto da Lei Rouanet, do caos criado por Fernando Collor de Mello ao extinguir a Embrafilme – isto e a popularização da música sertaneja foram os maiores legados culturais de Collor, ao passo que a destruição da Cultura nacional será o legado de Bolsonoro. Em release divulgado em dezembro passado, dias antes de Bolsonaro assumir o poder, a Petrobras ainda se dizia orgulhosa de sua atuação como incentivadora do cinema nacional. “São 22 anos e mais de 500 títulos entre longas e curtas metragens que fizeram da Petrobras a principal parceira da Retomada do Cinema Brasileiro, atuando em todos os elos da cadeia produtiva do setor audiovisual”, diz o texto, que ainda acrescenta: “Acreditamos em especial na importância do apoio aos festivais de cinema por promoverem o lançamento e circulação de novos filmes, estimularem a formação de plateia e constituírem espaços privilegiados de debate e reflexão sobre o audiovisual”. “Carlota Joaquina, a Princesa do Brasil” e “O Quatrilho”, indicado ao Oscar, foram as primeiras produções cinematográficas que contaram com patrocínio da Petrobras. Com seu sucesso e repercussão internacional, os dois filmes de 1995 mudaram os rumos do cinema brasileiro, que foi quebrado por Collor, impichado por corrupção. Um dos slogans da Petrobras até o ano passado celebrava: “Para nós, Cultura é uma energia poderosa que movimenta a sociedade”. Respeitando a aplicabilidade do dinheiro público, determinamos a revisão dos contratos vigentes e possibilidades futuras da Petrobras ligados ao setor que alguns dizem ser de cultura. A ordem é saber o que fazem com bilhões da população brasileira. https://t.co/qc56MPKV7e — Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) April 21, 2019

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