Juntos a Magia Acontece: Especial de Natal da Globo é o mais diferente já feito
A Globo exibe nesta noite de Natal (25/12) um especial patrocinado, “Juntos a Magia Acontece”, que faz parte de uma campanha da Coca-Cola, lançada em outubro com o mesmo nome. A ação comercial inclui cobertura no site da Globo, quadro no “Mais Você” e reportagem no “Encontro com Fátima Bernardes”. Conteúdo artístico e publicitário andam cada vez mais indistinguíveis nas novas iniciativas de marketing do mercado. E o especial desta quarta ainda acrescenta nesse enredo um verniz de marketing social. A emissora carioca, que há décadas insere campanhas de interesse público em suas novelas, também desenvolve ações afirmativas fora das telas. Uma delas é o Laboratório de Narrativas Negras para o Audiovisual – uma parceria da Globo com a FLUP (Festa Literária das Periferias) – , onde uma escritora novata e muito jovem, chamada Cleissa Regina Martins, criou em 2017 o argumento que acabou virando o roteiro do especial. “Juntos a Magia Acontece” é, assim, duplamente resultado de marketing. E não deixa de ser muito interessante como o encontro entre interesses de mercado e relações públicas convergem para subverter o gênero do especial natalino. Sem esquecer que também ilustra, contra expectativas de governos conservadores, uma transformação irreversível no extrato cultural – à base de pesquisas comerciais, o que é mais incrível ainda. A história de Cleissa, de apenas 24 anos, revoluciona a trajetória dos especiais natalinos da TV brasileira por um motivo singelo: a representatividade de uma trama centrada numa família negra. O programa acompanha o primeiro Natal de uma família de moradores de Madureira, no Rio, após a morte de sua matriarca, Neuza (Zezé Motta). Na história, o viúvo Orlando (Milton Gonçalves) vai morar na casa da filha Vera (Camila Pitanga), cujo marido Jorge (Luciano Quirino) está desempregado há sete meses. Eles têm uma filhinha, Letícia (Gabriely Mota). E aos moradores da casa ainda se junta André (Fabrício Boliveira), irmão mais velho de Vera. Vendo as dificuldades da família, o aposentado Orlando decide voltar ao mercado de trabalho. Ele busca emprego provisório como Papai Noel, mas se defronta com racismo de forma explícita. O papai negro “não se encaixa no perfil” e é dispensado por uma loira (Alice Wegmann) que contrata papais noéis para shoppings. Até um comerciante negro (Tony Tornado) questiona: “Papai Noel negro?”. Nem com ajuda do padre (Francisco Cuoco) da paróquia, que recorre à maior benemérita da comunidade (Aracy Balabanian), Orlando deixa de ouvir “não”. “Não vou dizer por mim, mas pensando nas crianças, elas estranhariam. Ele é mais moreno, né?” O drama emociona e corta o coração, mas tem final “natalino”, num clima muito similar ao sentimento evocado pelo célebre “A Felicidade Não se Compra” (1946), um dos maiores clássicos natalinos de todos os tempos, do mestre hollywoodiano Frank Capra. “Juntos a Magia Acontece” tem supervisão de texto de George Moura (roteirista de “O Grande Circo Místico”) e direção artística de Maria de Médicis, responsável por uma dúzia de novelas. Veja o trailer abaixo.
Porta dos Fundos sofre atentado à bomba no Rio de Janeiro
O grupo humorístico Porta dos Fundos foi alvo de um atentado à bomba na madrugada desta terça-feira (24/12), véspera de Natal. O prédio em que fica a sede do grupo, no Rio de Janeiro, foi atingido por dois coquetéis molotov às 4 horas da madrugada. Em comunicado, a assessoria de imprensa do Porta dos Fundos disse que o incêndio foi controlado por um dos seguranças e que nenhum de seus integrantes estava no local no momento do ataque. “Na madrugada do dia 24 de dezembro, véspera de Natal, a sede do Porta dos Fundos foi vítima de um atentado. Foram atirados coquetéis molotov contra nosso edifício. Um dos seguranças conseguiu controlar o princípio de incêndio e não houve feridos apesar da ação ter colocado em risco várias vidas inocentes na empresa e na rua”, diz a nota. Os integrantes do grupo também afirmam que estão “confiantes que o país sobreviverá a essa tormenta de ódio e o amor prevalecerá junto com a liberdade de expressão”. As imagens do ataque, captadas pelas câmeras de segurança do prédio, já foram enviadas para a Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro, que deve conduzir uma investigação em busca dos responsáveis pelo crime. O caso foi registrado na 10ª DP, no bairro de Botafogo como crime de explosão. “A perícia foi realizada no local e a equipe do Esquadrão Antibombas arrecadou fragmentos dos artefatos para análise. Diligências estão em andamento para esclarecer o caso”, informou a Polícia Civil à imprensa. A ação terrorista aconteceu após o grupo sofrer ataque virtual de militantes da extrema direita, condenações de políticos conservadores, pedidos de explicações do Congresso, campanha de boicote de líderes religiosos, repúdio da rede Record e até processo judicial por conta do “Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo”, da Netflix, que retratou Jesus Cristo como gay, além de fazer graça com um triângulo amoroso entre Maria, José e Deus. O ataque faz recordar o terrível atentado contra a revista francesa Charlie Hebdo, em 2015, quando outra controvérsia religiosa, a caricatura do profeta Maomé, foi usada como justificativa de terroristas para chacinar a equipe de humoristas da publicação. Vale lembrar ainda que o “Especial de Natal” anterior do Porta dos Fundos venceu o Emmy Internacional em novembro, como Melhor Comédia… do mundo. Além da polêmica envolvendo “A Primeira Tentação de Cristo”, Gregório Duvivier, intérprete de Jesus no especial, também foi atacado pela militância virtual após inquérito policial revelar que ele trocou mensagens com o hacker preso por invadir o Telegram de integrantes da Lava Jato, questionando “possíveis alvos” com a citação de nomes da rede Globo, do governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel e do juiz federal Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no estado. Duvivier apresentou sua defesa e não foi indiciado.
Zilda Cardoso (1936 – 2019)
A atriz Zilda Cardoso, a eterna Catifunda de inúmeros programas humorísticos, morreu aos 83 anos. Ela morava sozinha e foi encontrada morta em sua cama, na manhã desta sexta-feira (20/12), pela diarista que cuidava de sua casa no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. Zilda se tornou indissociável da Catifunda, após interpretar a personagem por meio século em vários programas humorísticos como “Praça da Alegria”, “Escolinha do Professor Raimundo” e “A Praça É Nossa”. Com forte sotaque da zona leste paulistana, Catifunda trazia sempre um charuto na mão e saudava os colegas com a expressão “Saravá!”. Mas a personagem não foi a primeira incursão de Zilda no humor. Ela estreou na TV em 1962, substituindo a atriz Eloísa Mafalda em um programa humorístico. No ano seguinte, conquistou o famoso (na época) Troféu Roquete Pinto na categoria Melhor Teleatriz Humorística. E logo ganhou seu próprio programa, “Zilda 23 Polegadas”, exibido entre 1962 e 1964 na TV Paulista. Após essa rápida ascensão, chamou atenção do produtor Manoel da Nóbrega, que a convidou a participar de seu programa “A Praça da Alegria”, na antiga TV Record (antes da Igreja Universal). Foi então que estourou com a Catifunda, a partir de 1964. Paralelamente, Zilda virou atriz de novelas, atuando em “Quatro Homens Juntos” (1965), “Mãos ao Ar” (1966) e “Meu Adorável Mendigo” (1973) na Record. Também estrelou dois filmes de Mazzaropi, “O Lamparina” (1964) e “Meu Japão Brasileiro” (1965), além de duas chanchadas tardias, “Golias Contra o Homem das Bolinhas” (1969), com Ronald Golias e Carlos Alberto da Nóbrega, e “Se Meu Dólar Falasse” (1970), com Dercy Gonçalves e Grande Otelo. Ela passou os anos 1980 no “A Praça É Nossa”, do SBT, indo para a Globo em 1990, como aluna da “Escolinha do Professor Raimundo”. A mudança foi bastante produtiva, pois a levou ainda a aparcer na série “Delegacia de Mulheres” e roubara cena na novela “Meu Bem, Meu Mal” como Elza, enfermeira de Dom Lázaro Venturini (Lima Duarte). Mas, apesar do sucesso da personagem, não foi convidada para novos papéis, despedindo-se uma década depois com uma pequena aparição num episódio de “Você Decide”. Recentemente, a Globo resgatou a “Escolinha”, substituindo todos os atores clássicos. Na nova versão, quem vive a personagem Catifunda é a humorista Dani Calabresa, que lamentou a morte de Zilda no Instagram. “Eu sinto que tenho uma ligação muito especial com ela”, declarou emocionada em um vídeo. “Eu fico muito honrada, muito feliz, de poder fazer a personagem que eu amava na TV, de ter essa personagem emprestada.”
Humorista do Porta dos Fundos cria nova polêmica após contato com hacker da Lava Jato
Não bastasse ter virado alvo de religiosos e conservadores por viver o Jesus Cristo gay do Especial de Natal do Porta dos Fundos, “A Última Tentação de Cristo”, o humorista Gregório Duvivier entrou em nova polêmica nesta semana, quando as mensagens que trocou com o hacker da Lava Jato vieram à público. Perseguido na rede Record, que é propriedade do bispo Edir Macedo, pela blasfêmia humorística, ele agora virou persona non grata da rede Globo por conteúdo mais sério. Relatório da PF (Política Federal) sobre a chamada Operação Spoofing, encaminhado na quinta (19/12) à Justiça Federal, revelou conversas de Duvivier com o hacker Walter Delgatti Neto, o Vermelho, responsável por roubar mensagens privadas dos promotores da Lava Jato, em que o humorista sugeriu nomes de jornalistas importantes da rede Globo para novas interceptações. Na troca de mensagens entre Delgatti e Duvivier, em julho passado, o humorista recebeu a informação de que o teor das mensagens de autoridades hackeadas foi passado ao jornalista Glenn Greenwald por “livre e espontânea vontade” e, na sequência, estimulou o hacker, afirmando que ele iria “mudar o destino do país” ao revelar as conversas impróprias de procuradores da Lava Jato e do então juiz e atual ministro da Justiça Sergio Moro. Durante a conversa, Duvivier pergunta se haveria algo de comprometedor contra a família do presidente Jair Bolsonaro – a “família Bolso”. Diante de uma resposta negativa, questiona: “Tem algo da Globo?” Delgatti Neto responde que “tem bastante” informação envolvendo a emissora de televisão e afirma que “pega 50 por dia e acaba não lendo”. Em seguida, lamenta a falta de conteúdo. Diz que havia “pegado” o aplicativo do apresentador do Jornal Nacional William Bonner, mas não teve acesso a nada importante, porque tudo havia sido apagado. É neste momento que, segundo a PF, Duvivier sugere novos alvos da emissora, como o diretor-geral de Jornalismo Ali Kamel e o diretor-geral da Globo Carlos Henrique Schroder, dizendo que informação sobre a cúpula da emissora “poderia ser bem forte”. O humorista ainda sugere que o governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel e o juiz federal Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no estado, “poderiam ser alvos”. A PF também confirmou que não foram encontrados indícios de que Kamel, Schroder ou Witzel tenham sido vítimas de ações dos hackers. Marcelo Bretas e William Bonner, no entanto, acabaram sendo alvo de ataques, mas em data anterior às sugestões de Duvivier. Na conclusão do inquérito, não há imputação de crimes a Gregório Duvivier. Mas ele foi questionado pela polícia durante a investigação. No depoimento aos investigadores, ele negou que tenha solicitado ou sugerido a invasão das contas de Telegram da cúpula da Rede Globo ou de autoridades do Rio de Janeiro. Segundo ele, seus questionamentos ao hacker foram motivados por “curiosidade” em saber se o invasor tinha tido acesso às contas de uma série de personalidades do cenário nacional. Duvivier declarou que, durante a conversa com Delgatti, sugeriu diversos nomes de forma aleatória e disse que em nenhum momento recebeu mensagens ou qualquer informação das pessoas citadas por ele. Também afirmou que não tinha nenhum interesse em obter o conteúdo das mensagens de contas invadidas e em nenhum momento o hacker disse ter invadido a conta de Telegram de pessoas como Bonner ou Ali Kamel. O humorista apresentou à PF a cópia de um pendrive com todas as mensagens trocadas entre ele e o hacker Walter Delgatti Neto. Nelas, há a revelação de que ele teria recebido orientações do jornalista Gleen Greenwald para que não encomendasse o nome de nenhuma autoridade para ser hackeada. Duvivier é explícito sobre a orientação que recebeu: “Não tava pedindo pra investigar ninguém, tá?”. Menos de um minuto depois, fez nova ressalva: “Glenn me explicou que não posso nem falar nomes, haha”. Procurado pela revista Veja, o advogado Augusto de Arruda Botelho, que defende Duvivier, afirmou que o humorista disponibilizou espontaneamente para a Polícia Federal toda a troca de mensagens com o hacker e que “explicou detalhadamente em seu depoimento, no intuito de colaborar com as investigações, que aleatoriamente mencionou uma série de nomes, em uma conversa informal, sem qualquer intenção ou interesse de que tais nomes de fato fossem interceptados ou muito menos investigados”. A rede Globo acabou se pronunciando sobre o caso nesta sexta-feira (20/12), por meio de uma nota. “Os diálogos revelados no inquérito são claros. O público saberá julgar a atitude de Gregório Duvivier e suas explicações posteriores. Ali Kamel e Carlos Henrique Schroder, citados, preferem guardar para si suas opiniões a respeito. Apenas afirmam que se a quebra de sua privacidade tivesse sido levada adiante nada revelaria de desabonador. E nenhum contato com participantes da Operação Lava Jato.”
Segunda Chamada: Moacyr Franco troca Programa Raul Gil pela série da Globo
O ator e cantor Moacyr Franco deixou o júri do quadro musical Shadow Brasil, do “Programa Raul Gil”, no SBT, para integrar o elenco da 2ª temporada de “Segunda Chamada” na Globo. “O Raul eu parei, daqui até junho é só o seriado”, confirmou Moacyr ao site Na Telinha. Ele já vinha deixando o cabelo crescer nos últimos meses para o personagem da série da Globo. Apesar de ter passado a maior parte da carreira comandando programas de variedades e humor, Moacyr se reencontrou como ator nos últimos anos, inclusive vencendo um prêmio no Festival de Paulínia por seu desempenho no filme “O Palhaço” (2011), de Selton Mello. Antes de ir para o “Programa Raul Gil”, ele já tinha feito a série “Ilha de Ferro”, na Globoplay. Como não assinou contrato fixo no SBT, pôde trocar rapidamente de trabalho. Ele estava desde o início do ano no Shadow Brasil ao lado de Luana Monalisa, Evandro Santo, Flavia Pavanelli e Caio Mesquita. O quadro é uma competição musical onde os candidatos se apresentam tendo o tempo de um minuto para impressionar os jurados, escondidos, mostrando apenas a silhueta no palco. Mas a produção de Raul Gil ainda não definiu se será mantido em 2020. “Segunda Chamada”, por sua vez, é a série mais elogiada da Globo em 2019, o que lhe garantiu continuidade por mais um ano. A série é uma criação de Carla Faour e Julia Spadaccini (roteiristas de “Chacrinha: O Velho Guerreiro”), com direção artística de Joana Jabace (“Filhos da Pátria”), e gira em torno de professores e estudantes de uma escola noturna de Ensino Médio em São Paulo. A trama aborda diversos problemas sociais atuais, de aborto clandestino aos imigrantes venezuelanos, ilustrados por uma coleção de alunos que não se vê na Escolinha do Professor Raimundo, incluindo mãe adolescente que leva bebê pra escola, prostituta que enfrenta bullying, crentes que condenam tudo, aluno traficante que leva arma pra aula e até travesti vítima de homofobia. O elenco inclui Paulo Gorgulho (“O Matador”) como diretor da escola, Debora Bloch (“Justiça”), Hermila Guedes (“Paraíso Perdido”), Silvio Guindane (“1 Contra Todos”) e Thalita Carauta (“S.O.S.: Mulheres ao Mar”), como professores, além de uma grande diversidade de intérpretes de alunos, familiares, amantes e professores substitutos, incluindo Nanda Costa (“Entre Irmãs”), Carol Duarte (“A Vida Invisível”), Caio Blat (“Califórnia”), Marcos Winter (“Magnífica 70”), Otávio Müller (“Benzinho”), José Dumont (“Tungstênio”), Felipe Simas (“Os Dias Eram Assim”), Mariana Nunes (“Divino Amor”), Teca Pereira (“Trash”) e Linn da Quebrada (“Corpo Elétrico”), que rouba as cenas como a travesti da trama.
Prisioneiras: Produtora de Coisa Mais Linda vai transformar livro de Drauzio Varella em série
A Prodigo Films será a produtora responsável por transformar o livro “Prisioneiras”, escrito pelo médico Drauzio Varella, numa série. A empresa anunciou que a produção começará em 2020. Lançado em 2017, o livro conta a experiência de 11 anos do médico no atendimento voluntário em uma penitenciária feminina de São Paulo, e encerra uma trilogia dedicada ao sistema prisional brasileiro, que já rendeu um filme (“Carandiru”) e uma série (“Carcereiros”) anteriores. “Prisioneiras” será produzida por Beto Gauss e Francesco Civita, sócios da Prodigo. A produtora ainda está fase de negociações sobre o canal ou plataforma em que a obra estreará. Há um ano o projeto estava sendo apreciado pela Globoplay, mas a Prodigo Films é a parceira da Netflix na produção de “Coisa Mais Linda”, que foi renovada para a 2ª temporada, e também de “Cidade Invisível”, de Carlos Saldanha, prevista para 2020. A adaptação tem sido comparada a “Orange Is the New Black”, da Netflix, por acompanhar o dia-a-dia e a dura realidade de um grupo de prisioneiras brasileiras.
Carcereiros – O Filme tem ritmo e ação impressionantes, mas história fraca
“Carcereiros – O Filme” é uma adaptação da série de TV produzida pela Globoplay. A proposta desta versão cinematográfica é narrar uma história curta, que funcione tanto para os fãs da atração quanto para quem não a conhece. Espécie de “Operação – Invasão” (2011) brasileiro, o longa-metragem dirigido por José Eduardo Belmonte (“Alemão”) aposta em um ritmo frenético e ação quase ininterrupta, numa trama que se desenrola no período de uma única noite. O resultado técnico atesta a maturidade que o cinema de gênero – no caso, o thriller de ação – vem atingindo no Brasil. Escrito por Marçal Aquino, Fernando Bonassi, Dennison Ramalho e Marcelo Starobinas, o roteiro acompanha Adriano (Rodrigo Lombardi), um carcereiro acostumado a caminhar pela linha tênue que separa as grades do presídio e a violência dos prisioneiros. Adriano procura sempre resolver os conflitos por meio do diálogo, tratando os presos com respeito e dignidade. Além disso, ele respeita as “leis” que regem o interior da prisão, local que ele próprio compara ao microcosmo de um país, com governos distintos e diferença de classes. A própria arquitetura do espaço serve para reforçar tal ideia. Existem aqueles que ficam no topo e aqueles que ficam embaixo. As brigas entre as diferentes facções não afetam os “gravatas”, indiferentes a quem se encontra no poder. Mesmo em meio à aparente tranquilidade, Adriano sempre transita com cuidado, como se carregasse uma dinamite em mãos. O pavio é aceso com a chegada de Abdel Mussa (Kaysar Dadour), um terrorista internacional que precisa passar uma noite na prisão, antes de ser transferido. A presença de Mussa causa uma reestruturação forçada no local, com presos sendo trocados de celas e conflitos se agravando. A explosão acontece quando um grupo paramilitar invade o presídio, aparentemente em busca do criminoso internacional. E mais combustível é jogado na fogueira quando os próprios prisioneiros planejam um ataque contra o terrorista. Em meio a ataques que acontecem – literalmente – de todos os lados, Adriano precisa proteger o prisioneiro, ao mesmo tempo em que coloca sua própria vida em risco. Concebendo sequências impressionantes – como a que mostra a invasão do presídio –, Belmonte procura transmitir o sentimento de ameaça constante utilizando-se da câmera na mão, como forma de colocar o público no meio da ação. O recurso amplifica o sentimento de urgência. O problema é que as vezes a câmera treme demais e isso, somado à fotografia escura, dificulta a compreensão do que está acontecendo em cena. Ainda assim, Belmonte é hábil em outras escolhas visuais. É notável, por exemplo, a sutiliza com que ele apresenta o personagem de Dan Stulbach em certo momento, introduzindo-o à narrativa sem chamar atenção para isso. Em meio ao frenesi da trama, “Carcereiros – O Filme” peca, justamente, na composição dos seus personagens-título. Pois se por um lado é notável a cena em que Adriano pega uma arma, mas a larga em seguida, lembrando-se da sua verdadeira função, em outros momentos essa função parece ser esquecida tanto por ele quanto pelo filme. Muitas das mortes ocorridas ao longo da narrativa são culpa – direta ou indireta – das ações do protagonista. São suas escolhas de levar certos prisioneiros para determinados lugares que causam muitos dos problemas. Adriano começa o filme se apresentando como uma espécie de intermediário entre a sociedade além dos muros do presídio e as pessoas que estão lá dentro. Mas ele termina se tornando muito mais passivo do que intermediário. E vê-lo, ao final, assumindo crédito pelo resultado da operação é no mínimo contraditório.
Desalma: Cássia Kis é uma bruxa no trailer da nova série de terror da Globoplay
A Globoplay divulgou as fotos primeiro trailer de “Desalma”, que traz Cássia Kis (“Redemoinho”) como bruxa e Cláudia Abreu (“Berenice Procura”) como mãe de um menino assombrado por espíritos do mal. A prévia assume o clima de terror, com ênfase em gravações noturnas em florestas da região Sul do Brasil, mas não evita alguns clichês do gênero – em especial, cenas que parecem sair da franquia “O Chamado” e dos mais recentes “A Bruxa” e “Midsommar”. A trama se passa numa comunidade rural parada no tempo, onde fenômenos sobrenaturais assombram a população de imigrantes ucranianos ao longo de décadas. Os roteiros são de Ana Paula Maia (“Deserto”) e a direção está a cargo de Carlos Manga Jr. (“Se Eu Fechar Os Olhos Agora”). O elenco também conta com Maria Ribeiro (“Como Nossos Pais”), Bruce Gomlevsky (“Polícia Federal: A Lei É para Todos”), Alexandra Richter (“Minha Mãe É uma Peça”), Isabel Teixeira (“Os Amigos”) e Gabriel Muglia (“Histórias Estranhas”), misturados a atores jovens. Ainda não há previsão para a estreia.
Onde Está Meu Coração: Nova série da Globoplay ganha trailer impactante
A Globoplay divulgou o primeiro trailer de “Onde Está Meu Coração”, nova série em streaming da plataforma. Tenso, dramático e realmente impactante, o vídeo resume a história de uma forma que parece mais cinema que produção serializada. A trama gira em torno da personagem de Letícia Colin (destaque das novelas “Novo Mundo” e “Segundo Sol”), uma médica do pronto-socorro de um hospital de São Paulo que se vicia em crack, vivendo o dilema de ceder aos impulsos ou manter emprego, posição, família e marido. A série tem 10 episódios com roteiros de George Moura e Sergio Goldenberg, autores de “Onde Nascem os Fortes” (2018) e “O Rebu” (2014). A produção também destaca Daniel de Oliveira (“Aos Teus Olhos”) como marido de Letícia, Fábio Assunção (“Onde Nascem os Fortes”) e Mariana Lima (“O Banquete”) como os pais e Manu Morelli (“Domingo”) como a irmã. Completam o elenco Camila Márdilla, Ana Flávia Cavalcanti, Michel Melamed, Cacá Carvalho, Rodrigo Garcia, Rodrigo dos Santos e Bárbara Colen, entre outros. A estreia vai acontecer no primeiro semestre de 2020, em data ainda não marcada.
As Five: Série derivada de Malhação ganha primeiro trailer
A Globoplay divulgou o primeiro trailer de “As Five”, série teen derivada de “Malhação: Viva a Diferença”, que vai continuar a história mais bem-sucedida da novelinha da Globo, premiada com o Emmy Kids Internacional. O cineasta Cao Hamburger (de “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias” e “Xingu”) assina o spin-off, que vai mostrar o que aconteceu com as “Five”, as cinco protagonistas da história original, após cada uma seguir um rumo diferente no final da novelinha. As cinco vão se encontrar “três anos, seis meses e dois dias” depois dos acontecimentos de “Malhação: Viva a Diferença” (que foi ao entre entre 2017 e 2018). Algumas mudaram de cidade, outras se casaram e o até o bebê que as juntou cresceu, mas o motivo do reencontro, segundo tem sido divulgado, será um enterro – de Mitsuko (Lina Agifu), mãe de Tina (Ana Hikari). Tina continua morando em São Paulo e virou uma produtora musical ao lado do namorado, Anderson (Juan Paiva). Quando a notícia da morte de sua mãe chega nas amigas, ela recebe apoio das quatro para superar o momento difícil. Mas logo vai ficar claro que cada uma delas também atravessa uma crise particular. Além de Ana Hikari, o elenco voltará a trazer Daphne Bozaski, Gabriela Medvedovski, Manoela Aliperti e Heslaine Vieira. Com o reencontro, as amigas vão relembrar da juventude em que eram inseparáveis e, a partir daí, uma vai tentar ajudar a outra. Ainda sem data oficial de estreia, “As Five” tem previsão de lançamento já no começo de 2020 no Globoplay.
Globoplay anuncia lançamento de 16 produções “originais” em 2020
A plataforma Globoplay anunciou que pretende lançar 16 novas produções originais para 2020. Mas, por enquanto, só liberou o título de sete. Todas já tinham sido antecipadas, como as aguardadas “Desalma”, terror com Cássia Kis e Cláudia Abreu, “Onde está Meu Coração”, com Letícia Colin e Fábio Assunção, “As Five”, spin-off de “Malhação: Viva a Diferença”, a adaptação do podcast criminal “Caso Evandro”, a cargo do diretor Aly Muritiba (“Ferrugem”), e a 2ª temporada de “Aruanas”, todas produzidas pelos Estúdios Globo. Em parceria com produtoras independentes, o serviço de streaming também prepara “Arcanjo Renegado” e a 2ª temporada de “A Divisão”, duas séries de ação ambientadas no Rio de Janeiro. Além destas, a conta inclui a transformação dos filmes “Hebe” e “Chacrinha” em minisséries e o relançamento de “O Auto da Compadecida” – que não são produções “originais”. As demais atrações serão reveladas durante a CCXP 2019, que começou nesta quinta (5/12) e se estende até domingo em São Paulo.
Gugu Liberato (1959 – 2019)
O apresentador de TV Gugu Liberato morreu nesta sexta-feira (22/11) aos 60 anos, após um acidente doméstico em sua casa, em Orlando, nos Estados Unidos, na última quarta-feira. Ele caiu de uma altura de quatro metros, enquanto tentava trocar o filtro do ar-condicionado em sua casa, e não resistiu aos ferimentos. No momento do acidente, estava acompanhado apenas de sua mulher, Rose Di Matteo. Filho de pais portugueses, Antônio Augusto Moraes Liberato, começou na televisão aos 14 anos como auxiliar de produção do Silvio Santos, à época na TV Globo. O jovem paulistano foi chamado por Silvio porque lhe escrevia cartas sugerindo programas. Sílvio Santos o transformou em apresentador ao assumir o controle de um canal de TV, a TVS, depois transformada na rede SBT, e Gugu mais que correspondeu, conquistando grandes audiências nas noites de sábados com seus programas “Viva a Noite” (1982-1992) e “Sabadão Sertanejo (1991-1996)”. Durante sua passagem pelo SBT, ele ajudou a promover a febre das boys band no Brasil, primeiro com o grupo porto-riquenho Menudos, depois com o similar nacional Dominó. Fez tanto sucesso que, no final dos anos 1980, recebeu uma oferta da Globo para assumir a programação dominical da emissora. Mas Silvio Santos interviu, oferecendo-lhe parte de seu horário de domingo, um grande aumento salarial e honorários de publicidade. Gugu passou a apresentar os quadros “Passa ou Repassa” e “Cidade contra Cidade” na faixa que até então era inteiramente comandada por Sílvio Santos, até assumir um programa próprio, “Domingo legal” (exibido até 2009) no SBT. Enquanto isso, Faustão foi contratado pela Globo e os programas dos dois protagonizaram uma das maiores guerras de audiência da década de 1990. Nos últimos anos, o apresentador tinha se mudado para a Record, onde estrelou “Gugu” (2015-2017) e atualmente comandava o reality “Power Couple Brasil” e o show de talentos “Canta Comigo”. Por conta de sua enorme popularidade com o público brasileiro, Gugu também acabou aparecendo em alguns filmes. E não foram poucos. Ele participou de sete longa-metragens, sempre de temática infantil. A estreia aconteceu em “Padre Pedro e a Revolta das Crianças” (1984) como coadjuvante de Pedro de Lara, jurado do “Show dos Calouros”, de Sílvio Santos. Mas, curiosamente, seus filmes seguintes foram todos com astros da Globo: três filmes dos Trapalhões (“Os Fantasmas Trapalhões”, “O Casamento dos Trapalhões”, “Os Trapalhões na Terra dos Monstros”), dois longas solo de Renato Aragão (“Uma Escola Atrapalhada” e “O Noviço Rebelde”) e uma produção da Xuxa (“Xuxa e os Duendes”), que foi seu último papel no cinema em 2001. O apresentador deixa três filhos, frutos do casamento com a médica Rose Miriam di Matteo: João Augusto, de 18 anos, e as filhas gêmeas, Marina e Sofia, de 15.
Maria Perego (1923 – 2019)
A artista Maria Perego, criadora do personagem infantil Topo Gigio, morreu na quinta-feira passada (7/11), aos 95 anos. Apesar da idade avançada, ela estava trabalhando no retorno do personagem para a RAI, no ano que vem. A cauda da morte não foi revelada. Nascida em Veneza, em 1923, Perego começou a carreira no teatro de marionetes, e levou a experiência para a televisão. Alcançou o sucesso em 1959, quando criou, junto com o marido Federico Caldura, o ratinho Topo Gigio, inspirado no Mickey Mouse americano. Ela já trabalhava em programas infantis na RAI desde 1954, mas considerava a grande virada de sua carreira a decisão de abandonar os personagens de papel machê e investir em bonecos com mecanismos internos, manipulados por marionetistas vestidos de preto, incluindo capuz, que desapareciam sob o fundo, também preto, na TV. Topo Gigio nasceu desse processo. O personagem estreou na TV com a voz do ator Peppino Mazzullo e participou de diversos programas famosos da TV italiana, antes de iniciar sua bem-sucedida trajetória internacional. Fez sucesso no Japão, Espanha, em vários países da América Latina e até chegou até a ter carreira musical nos Estados Unidos, onde fez duetos com Louis Armstrong e Frank Sinatra. O ratinho estreou no Brasil em 1969, no programa “Mister Show”, na TV Globo, formando dupla com o comediante Agildo Ribeiro. Marcou época, vendeu muitos brinquedos. Mas o fenômeno foi incrivelmente curto. Foram apenas 32 apresentações até o final de 1970. O episódio final deixou milhões de crianças chorando por todo o país, ao apresentar o boneco indo embora, de volta para a Itália, com uma trouxinha no ombro, virando-se no último momento para acenar para o público. Os brasileiros voltaram a encontrar Topo Gigio 13 anos depois, num programa na Bandeirantes de 1983, ao lado do ator Ricardo Petraglia. Mas não foi a mesma coisa e a segunda vinda do ratinho durou menos ainda. Em 1987, os mesmos empresários insistiram mais uma vez e o personagem teve sua terceira passagem curta pelo Brasil.












