Dunkirk e Em Ritmo de Fuga são as principais estreias da semana
Dois dos filmes americanos mais elogiados de 2017 chegam simultaneamente aos cinemas brasileiros nesta quinta (27/7). “Dunkirk” desembarca após estrear em 1º lugar nas bilheterias dos EUA, acompanhado por críticas que o chamam de “filme do ano” e “obra-prima”. Dirigido por Christopher Nolan, responsável pela trilogia “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, o filme retrata a batalha de Dunquerque, uma das maiores derrotas das forças aliadas na 2ª Guerra Mundial. Mas poderia ter sido muito pior. Acuados numa ponta de praia, os soldados aliados contaram com um esforço logístico sobre-humano para não serem exterminados durante uma ofensiva por terra e ar, embarcando em fuga, sob bombardeio, para dezenas de navios mobilizados para resgatá-los rumo ao Reino Unido, inclusive com a ajuda de pequenos barcos civis. Combinando atores famosos com iniciantes, destaca no seu elenco Tom Hardy (“Mad Max: Estrada da Fúria”), Cillian Murphy (“No Coração do Mar”), Kenneth Branagh (“Operação Sombra – Jack Ryan”), Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”), Jack Lowden (“71: Esquecido em Belfast”) e até o cantor Harry Styles, ex-One Direction. Um dos filmes mais grandiosos de Hollywood neste século, é daqueles de que se diz que precisa ser visto numa tela grande. Por sinal, foi rodado com câmeras de IMAX. “Em Ritmo de Fuga” traz Ansel Elgort (“A Culpa É das Estrelas”) como um ás dos volantes, que tem de ouvir música o tempo todo para evitar um zumbido em sua cabeça. Capaz de escapar de qualquer perseguição, ele é utilizado por um chefão do crime para uma série de fugas espetaculares durante assaltos. Com muito rock e cenas intensas de perseguição, o filme consegue a façanha de superar “Dunkirk” nos elogios e adorações da crítica americana. Ansel Elgort esteve no fim de semana no Brasil para ajudar a promover o filme, que está se consolidando como o maior sucesso da carreira do diretor Edgar Wright (“Scott Pilgrim Contra o Mundo”). O elenco ainda inclui Lily James (“Cinderela”), Kevin Spacey (série “House of Cards”), Jamie Foxx (“Django Livre”), Jon Hamm (série “Mad Men”), Jon Bernthal (série “Demolidor”), Eiza González (série “Um Drink no Inferno/From Dusk Till Dawn”), Flea (baixista do Red Hot Chili Peppers) e a cantora Sky Ferreira (vista em “Canibais”). A programação ainda inclui mais duas produções americanas com distribuição em shopping centers. A comédia “Como se Tornar um Conquistador” traz o ator mexicano Eugenio Debez (“Não Aceitamos Devoluções”) como uma amante latino da terceira idade, que precisa se virar após sua coroa rica lhe trocar por um modelo mais jovem. Estreia na direção do ator Ken Marino (série “Childrens Hospital”), serve mais para rever a sumida Rachel Welch (“Legalmente Loira”), sex symbol dos anos 1960, que não estrelava um filme há mais de uma década. Novo terror de John R. Leonetti (de “Annabelle”), “7 Desejos” é uma coleção de clichês, que gira em torno de uma lição de moral: “cuidado com o que se deseja”. Na trama, uma caixa de música mágica dá a uma menina de 17 anos (Joey King, de “Independence Day: O Ressurgimento”) o direito de realizar sete desejos, mas nenhum deles surpreende, assusta ou ajuda o filme a evitar seu fracasso. Três filmes completam as estreias em circuito limitado, dois deles coproduções do Brasil com vizinhos sul-americanos. Exibido no Festival Varilux, o francês “O Reencontro” traz a veterana Catherine Deneuve (“Potiche”) como uma mulher extrovertida e descompromissada, que volta a procurar a filha de um ex-amante, 30 anos após sumir, em busca de companhia e apoio, ao ser diagnosticada com câncer. Apesar dessa premissa, o filme não é depressivo. Coprodução entre Brasil e Argentina, “Esteros” é um drama de temática gay falado em espanhol, que mostra o reencontro de dois velhos amigos de infância. Separados quando começavam a despertar suas sexualidades, voltam a se ver no mesmo cenário idílico, quando um deles chega com a namorada para passar férias. Coprodução entre Brasil e Colômbia, “Love Film Festival” acompanha uma roteirista brasileira, vivida por Leandra Leal (“O Lobo Atrás da Porta”), e um diretor colombiano, Manolo Cardona (“Macho”), numa filmagem que se estende por quatro anos – estilo “Boyhood” (2014), mas menos ambicioso. Os dois se conhecem nos bastidores de um festival europeu de cinema, vivem um relacionamento, separam-se e acabam voltando a se cruzar em novos eventos internacionais. Com roteiro de Manuela Dias (série “Justiça”), câmera na mão e um registro semi-documental, rodado em festivais reais de cinema por quatro diretores diferentes – entre eles Vinicius Coimbra (“A Floresta que se Move”) e Bruno Safadi (“Eden”) – , a produção contraria sua aparente ousadia ao assumir clichês de cinema em sua encenação. Mas vale como curiosidade cinéfila, e porque todo filme com Leandra Leal justifica a ida ao cinema.
Transformers: O Último Cavaleiro chega em mais de mil salas de cinema do Brasil
“Transformers: O Último Cavaleiro” é o lançamento mais amplo da semana nos cinemas brasileiros. A distribuição em 1.146 salas é o maior circuito da franquia até hoje. A ambição visa fazer frente ao sucesso de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar”, que lidera as bilheterias nacionais há duas semanas e nem tomou conhecimento de “Carros 3” no fim de semana passado. Nos Estados Unidos, “Transformers” não conseguiu superar o “Homem-Aranha”. Na verdade, o quinto filme dos carrinhos-robôs de brinquedo foi um fiasco no mercado doméstico, além de ter recebido a pior avaliação de toda a franquia – míseros 15% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Mas como o público chinês compensou as bilheterias, “O Último Cavaleiro” não será ainda “O Último Transformers”. Sob medida para os fãs do diretor de Michael Bay, o lançamento capricha nas explosões grandiosas, efeitos mirabolantes, piadas sem graça e nonsense ultrajante. Lançado em pré-estreia antecipada na semana passada, “DPA – O Filme” já ocupa o 4º lugar no ranking dos filmes mais vistos do Brasil, antes da estreia oficial em mais de 500 salas. O filme da série dos “Detetives do Prédio Azul” do canal Gloob mostra bruxos bonzinhos, crianças com lupas, varinhas que soltam raios e outras mágicas do gênero infantil. Na trama, após uma festa de bruxos adultos (mas censura livre), o prédio azul aparece com múltiplas rachaduras e os detetives mirins decidem desvendar o mistério. A direção é de André Pellenz (“Minha Mãe É uma Peça – O Filme”) e o elenco é repleto de atores da Globo. Com tantos blockbusters em cartaz, o circuito limitado só recebeu três lançamentos. “De Canção em Canção” é outro fracasso hollywoodiano, o terceiro consecutivo de Terrence Malick. O diretor rodou o longa de forma fluída em 2012, paralelamente a “Cavaleiro de Copas” (2015). Juntou uma porção de astros famosos, que improvisaram quase todo o texto, e o resultado equivale a um “Transformers para cinéfilos”, com fotografia belíssima e pouquíssimo sentido – 43% de aprovação no Rotten Tomatoes. A história emaranha dois casais nos bastidores da indústria fonográfica, vividos por Ryan Gosling (“La La Land”), Rooney Mara (“Carol”), Michael Fassbender (“Assassin’s Creed”) e Natalie Portman (“Jackie”). Fecham a programação duas comédias francesas, exibidas no Festival Varilux. “Tal Mãe, Tal Filha” faz a linha besteirol, com Juliette Binoche (“A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell”) e Camille Cottin (“Beijei uma Garota”) como mãe e filha que engravidam ao mesmo tempo. E “Monsieur & Madame Adelman” acompanha décadas do casamento vivido por Doria Tillier e Nicolas Bedos, que também escreveram o roteiro em parceria. Foi o primeiro longa dirigido por Bedos, roteirista de “Os Infiéis” (2012) e ator de “A Datilógrafa” (2012). Clique nos títulos dos filmes para assistir aos trailers das estreias da semana.
Carros 3 marca época de férias escolares e estreias infantis nos cinemas
A programação de cinema entrou em ritmo de férias escolares. A animação “Carros 3” é o maior lançamento da semana, que ainda conta com pré-estreia ampla do nacional “DPA – O Filme”“, versão de cinema da série “Detetives do Prédio Azul”. O primeiro só não é o lançamento mais infantil da Disney-Pixar, porque “Carros 2” saiu antes. Mas mesmo sem a complexidade de “Divertida Mente”, embute uma mensagem de valorização da autoestima e empoderamento feminino, graças a uma nova personagem coadjuvante, que compensa possíveis engarrafamentos no pedágio das bilheterias. “DPA – O Filme” só estreia oficialmente na semana que vem, mas já ocupa mais telas que os demais filmes da semana. Historinha para o público da série do canal Gloob e das reprises de “Os Feiticeiros de Waverly Place” no canal Disney, o filme mostra bruxos bonzinhos, crianças com lupas, varinhas que soltam raios e outras mágicas. Na trama, após uma festa de bruxos adultos (mas censura livre), o prédio azul aparece com múltiplas rachaduras e os detetives mirins do Gloob decidem desvendar o mistério. A direção é de André Pellenz (“Minha Mãe É uma Peça – O Filme”) e o elenco é repleto de atores da Globo. O maior destaque do circuito limitado é outra estreia nacional, “Fala Comigo”, de Felipe Sholl. Vencedor do último Festival do Rio – além de Melhor Filme, também rendeu o prêmio de Melhor Atriz para Karine Teles – , conta a história de Diogo (Tom Karabachian), um adolescente de 17 anos que desenvolve o fetiche de se masturbar enquanto telefona para as pacientes da mãe terapeuta (Denise Fraga). Uma dessas pacientes é Angela, de 43 anos, com quem Diogo passa a se relacionar. Foi o papel que deu a Karine Teles o troféu Redentor. Apesar de ser um trabalho de diretor estreante, Sholl não é exatamente um novato. Ele já exibiu curta no Festival de Berlim e tem uma filmografia interessante como roteirista. Seu roteiro de “Hoje” (2011) venceu o troféu Candango no Festival de Brasília. Também escreveu o filme que, para a Pipoca Moderna, foi o melhor lançamento brasileiro de 2015, “Casa Grande”, além de “Histórias que Só Existem Quando Lembradas” (2011) e “Trinta” (2014). Os cinemas de perfil cineclubista ainda recebem quatro lançamentos europeus, um drama argentino e dois documentários. Três longas são franceses e tiveram première no Festival Varilux. “Julho Agosto” é o mais convencional, uma comédia sobre família, em que duas irmãs adolescentes passam as férias com os pais divorciados, em meses alternados, e descobrem que a vida continua. “Tour de France” também foca o lugar-comum, com mais um papel de velho racista, reacionário e impertinente que Gerard Depardieu faz o público achar adorável. E “A Vida de uma Mulher” leva às tela uma nova adaptação do primeiro romance de Guy de Maupassant. O diretor Stéphane Brizé busca rever o papel submisso da protagonista, presa num casamento sem amor no século 18, ecoando o fato de que contextos mudam conforme as épocas. Venceu o prêmio da crítica no Festival de Veneza. O português “Cartas da Guerra” é o lançamento limitado que chama mais atenção. Não só pela fotografia em preto e branco belíssima, mas porque chega legendado, mostrando como o cinema luso soa estranho no Brasil, que fala o mesmo idioma. A questão ganha ainda mais proporção por o filme de Ivo Ferreira se passar em Angola, país que buscava sua própria identidade durante um período que os brasileiros deveriam conhecer melhor: os últimos anos da colonização portuguesa na África. A produção ganhou diversos prêmios em Portugal. “O Futuro Perfeito” lida de outra forma com a questão do idioma e do conflito cultural, ao acompanhar a vida de uma jovem imigrante chinesa, recém-chegada na Argentina. A dificuldade com a língua estrangeira é traduzida por diálogos de espanhol primário, que aproximam a história de uma fábula infantil. Por fim, os dois documentários são “A Luta de Steve”, sobre um astro do futebol americano que começa a sofrer os efeitos da paralisia e resolve filmar um diário para seu filho, perdendo os movimentos na medida em que o menino aprende a andar, e “Gatos”, sobre gatos de rua de Istambul, que viram “personagens” com nomes e aventuras próprias – quase como uma ficção da Disney. Clique nos títulos em destaque dos filmes para assistir aos trailers de todas as estreias da semana.
Homem-Aranha: De Volta ao Lar estreia em 1,4 mil cinemas no Brasil
Maior estreia da semana, “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” ocupa quase metade dos cinemas disponíveis no Brasil, com uma distribuição em 1,4 mil salas. A estratégia é respaldada por críticas muito positivas – 93% de aprovação no site Rotten Tomatoes – que alimentam o interesse pelo primeiro filme do herói no universo compartilhado da Marvel. Diferente dos anteriores, o Homem-Aranha vivido por Tom Holland não é um personagem traumatizado – esta versão não mostra a morte do Tio Ben – , mas um adolescente que se diverte ao usar seus superpoderes, ao mesmo tempo em que sofre a condescendência dos adultos – a figura paterna de Tony Stark, em particular. Robert Downey Jr. fará falta à Marvel, quando decidir deixar de viver o Homem de Ferro. Outro destaque é o vilão Abutre, que a interpretação de Michael Keaton (“Birdman”) torna um dos melhores antagonistas da Marvel desde Loki no primeiro “Thor”. Sua presença ameaçadora oferece uma contraposição sombria às cenas ensolaradas de Peter Parker no colegial, extraídas de comédias de John Hughes e preenchidas por adolescentes completamente diferentes de suas versões nos quadrinhos. Além do blockbuster, a semana reserva mais seis lançamentos, quatro deles nacionais. A animação “As Aventuras do Pequeno Colombo” visa as crianças com uma aventura inspirada por personagens históricos: os meninos Cris (o pequeno Cristóvão Colombo) e Leo (Leonardo Da Vinci), que embarcam com a amiga Lisa (a Mona Lisa) em busca de uma terra distante. No caminho, encontram piratas, sereias e um povo disposto a tudo para permanecer perdido. A trama entretém, até esbarrar em seu único personagem negro, um menino rebelde, cuja presença alude à escravidão e revela estereótipos pouco elogiáveis. Vale destacar a participação de José Wilker num de seus últimos trabalhos, dublando o líder dos Cavaleiros Templários. A melhor opção dramática é “Soundtrack”, estrelado por Selton Mello (“O Palhaço”) e passado num cenário desolado do Ártico, entre muita neve e horizontes brancos. Selton vive um fotógrafo que chega à estação polar com o objetivo de realizar um projeto artístico. Ele quer reproduzir em imagens as sensações causadas pelas músicas de uma playlist. Mas sua presença cria atrito com os cientistas, que não entendem o que ele realmente pretende fazer naquele fim de mundo. O filme inclui em seu elenco internacional Seu Jorge (“Tropa de Elite 2”), o inglês Ralph Ineson (“A Bruxa”), o dinamarquês Thomas Chaanhing (série “Marco Polo”) e o sueco Lukas Loughran (“Nina Frisk”), e marca a estreia na direção de longas da dupla Manitou Felipe e Bernardo Dutra (que assinam como “300ml”), após comandarem Selton e Seu Jorge num curta-metragem há mais de uma década: “Tarantino’s Mind” (2006). “Os Pobres Diabos” chega ao circuito comercial quatro anos após vencer o prêmio do público no Festival de Brasília de 2013. Dirigido pelo veterano Rosemberg Cariry (“Corisco e Dadá”), acompanha uma trupe circense pelo sertão, que tenta manter viva sua arte em meio à pobreza generalizada. Estão presentes todos os clichês do gênero, do palhaço ladrão de mulher ao leão falso, mas humanizados pelas dificuldades. Cansados, os personagens não demoraram a ter que decidir se continuam lutando ou se seguem caminhos separados. Último drama nacional, “Cada Vez Mais Longe” tem a história mais lenta e contemplativa de todas, mas também a maior beleza visual. A trama é mínima, basicamente uma metáfora, em que o pescador João, para sustentar a família, precisa ir cada vez mais longe no rio, estendendo sua ausência do lar ao longo dos anos, enquanto o meio ambiente se deteriora pela poluição. Estreia na direção de Oswaldo Lioi (diretor de arte de “A Família Dionti”) em parceria com Eveline Costa. A programação alternativa se completa com a comédia francesa “Perdidos em Paris”, novo trabalho da dupla de cineastas-atores Dominique Abel e Fiona Gordon (“Rumba”), exibido no Festival Varilux, e a produção chilena “Poesia sem Fim”, segundo filme em que o diretor Alejandro Jodorowsky lembra sua juventude, evocando imagens delirantes e deslumbrantes, que reforçam sua fama de mestre surreal. Clique nos títulos dos filmes para assistir aos trailers das estreias da semana.
Meu Malvado Favorito 3 estreia em mais de mil cinemas
A animação “Meu Malvado Favorito 3” é o único lançamento amplo da semana, ocupando mais de mil salas – o maior circuito da franquia até hoje. A história revela que Gru tem um irmão gêmeo mais malvado e cabeludo, Dru. Ambos são dublados no Brasil por Leandro Hassum. Mas a história não é das mais criativas, o que lhe rendeu a pior avaliação da trilogia. Ainda assim, são 67% de aprovação no Rotten Tomatoes. Ocupando uma faixa intermediária, chegam ao circuito comercial dois filmes franceses antecipados pelo Festival Varilux. A comédia “Uma Família de Dois” é um remake do sucesso mexicano “Não Aceitamos Devoluções” (2013), com Omar Sy (“Intocáveis”) no papel do farrista que se vê tendo que cuidar da filha pequena, até a mulher reaparecer em cena, anos depois. Você já viu esse filme. E ainda verá de novo, na versão brasileira com Leandro Hassum, programada para dezembro. O outro lançamento francês é o romance “Um Instante de Amor”, que teve oito indicações ao César 2017, o “Oscar francês”. Dirigido pela cultuada cineasta francesa Nicole Garcia (“O Adversário” e “Place Vendôme”), o filme se passa nos anos 1950 e acompanha uma mulher (Marion Cotillard, de “Aliados”) de espírito livre num casamento sem amor, que vai enlouquecendo. Sua “doença” é finalmente diagnosticada como pedras no rim. E ao ser internada num hospital para se curar, ela acaba conhecendo e se apaixonante por outro homem (Louis Garrel, de “Saint Laurent”). A programação se completa com quatro lançamentos brasileiros. “A Terra Vermelha” é uma coprodução dirigida pelo argentino Diego Martínez Vignatti (“Batalha no Céu”), que justapõe um romance à lutas sociais de trabalhadores rurais, em meio a protestos contra os problemas causados pelo trabalho com agrotóxicos. O drama “Introdução à Música do Sangue” tem direção do veterano Luiz Carlos Lacerda (“Leila Diniz”) e explora o despertar da sexualidade de uma adolescente (Greta Antoine, da série “Nada Será como Antes”), que vive com a família pobre no interior de Minas, numa casa pequena sem energia elétrica. Os pais, vividos por Ney Latorraca (novela “Negócio da China”) e Bete Mendes (novela “Gabriela”), têm que lidar com a chegada de um estranho (Armando Babaioff, de “Sangue Azul”), que desperta desejos. O filme levou dois anos para chegar aos cinemas, desde que foi exibido no Festival de Gramado de 2015. “Mar Inquieto”, do estreante em longas Fernando Mantelli, vai do melodrama ao suspense, acompanhando a história de uma viciada (Rita Guedes, da novela “Malhação”), que se livra das drogas apenas para cair num casamento abusivo. Logo, ela também se livra do marido (Daniel Bastreghi, de “O Sabor do Amor”). Mas cria novos problemas com os comparsas criminosos dele. Por fim, “Danado de Bom” é o único documentário da semana. Vencedor do 20º Cine-PE, o filme de estreia de Deby Brennand traça um perfil do compositor João Silva, parceiro de Luiz Gonzaga que morreu em 2003. Também foi exibido no festival É Tudo Verdade do ano passado.
Larissa Manoela tem seu grande teste nos cinemas com a estreia de Meus 15 Anos, a maior da semana
A comédia teen “Meus 15 anos” é a maior estreia da semana. Aproveitando a falta de um concorrente estrangeiro de peso, a produção estrelada por Larissa Manoela chega às telas em cerca de 500 salas. Isto é menos da metade do que vem sendo reservado para os blockbusters americanos neste ano, ainda que exista grande expectativa comercial com o lançamento, alimentado pela forte presença da atriz adolescente nas mídias sociais. Larissa recentemente atingiu 10 milhões de seguidores no Instagram. Como se não bastasse, o filme ainda tem participação de Anitta, outro fenômeno de popularidade. “Meus 15 Anos” testará a capacidade de Larissa para carregar um filme num circuito que claramente privilegia produções de Hollywood. É seu primeiro trabalho como protagonista, após dividir a cena (alguns diriam roubar a cena) com seus coleguinhas da franquia “Carrossel”. Independente do resultado, a história permite que ela cresça diante do olhar do público, transitando do cinema infantil para o juvenil conforme sua própria faixa etária. Baseado no livro homônimo de Luiza Trigo, mais conhecida como Luly Trigo, “Meus 15 Anos” conta a história de Bia, a primeira nerdzinha interpretada por Larissa, que usa óculos nas cenas. Na trama, ela é uma garota pouco popular que descobre que vai ganhar uma grande festa de debutante, capaz de mudar tudo em sua vida. A questão é saber se a imagem do pôster, em que ela aparece como uma princesa pink da Disney, será entendido como a moral da história, ou se o público perceberá que a personagem é um pouco mais madura que isso. O maior concorrente do filme nacional, com estreia em 415 salas, é estrelado por uma princesa Disney de verdade: Emma Watson, protagonista de “A Bela e a Fera”. Mas nem sua presença ao lado de Tom Hanks (“Sully”) impediu a implosão de “O Círculo” na América do Norte. Adaptação do best-seller homônimo de Dave Eggers, o filme gira em torno de uma nova rede social, mais intrusiva que todas já existentes, cujo slogan resume sua aspiração de Big Brother: “Saber é bom, saber tudo é melhor”. Como as redes sociais atuais parecem mais avançadas que a imaginária, foi considerado uma grande decepção. Não apenas para a crítica, com 15% (abaixo do nível “Transformers”) no site Rotten Tomatoes, mas para o próprio público americano, com com nota D+ no CinemaScore, uma das mais baixas dos últimos tempos. Quem busca uma atmosfera mais tensa, terá a disposição “Ao Cair da Noite”, um terror claustrofóbico e pós-apocalíptico. Na trama, Joel Edgerton (“Aliança do Crime”) protege sua família de uma ameaça não natural que aterroriza o mundo, mantendo uma tênue ordem doméstica numa cabana isolada. Tem 86% de aprovação no Rotten Tomatoes. Outros quatro longas brasileiros também estreiam nesta quinta (22/6), dois deles premiados em festivais. O drama “Mulher do Pai”, inclusive, foi o filme mais premiado do último Festival do Rio: Melhor Direção para a gaúcha Cristiane Oliveira, em seu primeiro longa-metragem, Melhor Fotografia para Heloísa Passos (“Lixo Extraordinário”) e Melhor Atriz Coadjuvante para a uruguaia Verónica Perrota. Também ganhou prêmios da crítica no Festival do Uruguai e na Mostra de São Paulo, além de ter sido selecionado para o Festival de Berlim deste ano. Passado no interior gaúcho, perto da fronteira com o Uruguai, “Mulher do Pai” ainda pode ser visto como o lado B de “Meus 15 Anos”, nem tanto pela proposta cinematográfica diferente, mas por também mostrar a vida de uma adolescente (a estreante Maria Galant). A jovem tem seu cotidiano alterado radicalmente após a morte da avó, precisando assumir o trabalho de cuidar do pai (Marat Descartes, de “Quando Eu Era Vivo”), deficiente visual, no mesmo momento em que ela começa seu despertar sexual. O estranhamento inicial dá lugar ao ciúme quando uma atraente uruguaia (Verónica Perrota, de “Una Noche sin Luna”) ganha espaço na vida de ambos. “Divinas Divas” venceu o prêmio do público de Melhor Documentário do Festival do Rio e o mesmo prêmio na Mostra Global do festival americano SXSW (South by Southwest), um dos eventos mais importantes de cinema indie dos Estados Unidos. A produção marca a estreia da atriz Leandra Leal como diretora e evoca a ligação histórica de sua família com o Teatro Rival, que serviu de palco para inúmeros espetáculos de revista. É neste palco que se passa o filme, documentando a reunião de alguns dos travestis mais famosos do Brasil para um espetáculo musical, com muitas confidências de bastidores, celebrando 50 anos das primeiras apresentações do gênero no país. Outro documentário, “Tudo é Irrelevante”, que estreia em apenas uma sala no Rio de Janeiro, retrata a vida e o pensamento do cientista político brasileiro Hélio Jaguaribe. Foi exibido no festival É Tudo Verdade. A lista ainda inclui “Bruxarias”, animação infantil espanhola com um produtor gaúcho, o experiente animador Otto Guerra (“Até que a Sbórnia nos Separe”). Estreia em longas da diretora espanhola Virginia Curiá, acompanha uma menina que descobre uma poção encantada de sua avó que a permite voar, e a usa para salvar a velhinha de uma corporação gananciosa, que quer suas receitas mágicas. Foi indicada ao Prêmio Platino. O circuito limitado abrigada mais três produções francesas. Duas foram antecipadas pelo Festival Varilux. “Frantz”, de François Ozon, foi indicado a nada menos que 11 Césars (o Oscar francês), mas só venceu o prêmio de Melhor Fotografia por suas deslumbrantes imagens em preto e branco. Passado após a 1ª Guerra Mundial, evoca os antigos melodramas da era de ouro do cinema, ao mostrar como uma jovem alemã (Paula Beer, de “O Vale Sombrio”) conhece um tenente francês (Pierre Niney, de “Yves Saint Laurent”), quando este deixa flores no túmulo de seu noivo, Frantz, falecido no conflito. Ao descobrir que os dois eram antigos amigos, ela leva o francês para conhecer os pais de Frantz, que se encantam com o recém-chegado, forçando sua permanência da vida de todos, mesmo a contragosto da comunidade alemã. A história original, baseada numa peça do francês Maurice Rostand, já havia sido levada ao cinema, no clássico “Não Matarás” (1932), do mestre alemão Ernst Lubitsch. Mas a versão de Ozon inclui detalhes que não poderiam ser exibidos nos anos 1930. “Na Vertical” tem direção de Alain Guiraudie, que há quatro anos causou impacto com as cenas de sexo homossexual explícito em “Um Estranho no Lago” (2013). Seu novo trabalho não teve a mesma repercussão, mesmo repisando temas similares, como o suspense que acompanha a chegada de um estranho numa pequena comunidade. O protagonista é um diretor em busca de ideias para um filme, que é compelido a permanecer no lugarejo após ver um jovem atraente na estrada, a quem gostaria de filmar. Desta vez, as cenas de sexo não são exclusivamente gays, mas incluem práticas pouco ortodoxas. Completa a programação “A Garota Ocidental – Entre o Coração e a Tradição”, coprodução da França dirigida pelo belga Stephan Streker (“Michael Blanco”), sobre o mesmo choque cultural do mais famoso “Cinco Graças” (2015). A garota do título é uma imigrante de família paquistanesa que vive na França. Acostumada ao modo de vida europeu, ao completar 18 anos ela se recusa a ser a próxima filha a seguir a tradição dos casamentos precoces e arranjados, e entra em conflito com os pais. Clique nos títulos em destaque para ver os trailers de todos os lançamentos da semana.
Maior estreia da semana, A Múmia amaldiçoa mais de mil salas no Brasil
“A Múmia” é a única estreia ampla da semana. Com lançamento em 1,1 mil salas, projeções em 3D e IMAX, vai disputar o público que está lotando “Mulher-Maravilha”, num circuito que já está saturado de produções milionárias. O lançamento foi planejado para inaugurar um universo de monstros da Universal, mas teve péssima repercussão entre a crítica americana, com 26% de aprovação no site Rotten Tomatoes e reputação de ser “o pior filme que Tom Cruise já fez”. Na trama, o astro de “Missão Impossível” vive um ladrão de relíquias, que acaba despertando a maldição da criatura do título. Russell Crowe (“Noé”) também está no elenco como o Dr. Henry Jeckyll, que lidera uma organização secreta de caçadores de monstros. Todas as demais produções estreiam em circuito limitado, que, por sinal, também está saturadíssimo com o início do Festival Varilux de cinema francês nesta quinta (8/6). Só há mais um lançamento americano na programação: “Paris Pode Esperar”, estreia como diretora de ficção de Eleanor Coppola, a mulher do cineasta Francis Ford Coppola (“O Poderoso Chefão”). E é basicamente turismo gastronômico. Um programa do GNT com um fiapo narrativo, com Diane Lane (“Batman vs. Superman”) indo de vilarejo em vilarejo no interior francês, experimentando delícias culinárias e visitando marcos históricos. Em contraste com o sucesso que tem feito na Argentina, o suspense “Neve Negra” também chega em curto circuito. Traz Ricardo Darín (“Truman”) e Leonardo Sbaraglia (“O Silêncio do Céu”) no papel de irmãos em desacordo, brigando pela venda de uma propriedade no meio da neve da Patagônia. Melhor opção da semana. A programação também inclui quatro estreias nacionais. O destaque pertence a “Filhos de Bach”, uma coprodução alemã, dirigida por um alemão, que narra uma história edificante com crianças pobres brasileiras, salvas de um destino miserável por outro alemão. Um maestro vem ao Brasil em busca de uma partitura original de Bach, que é roubada por trombadinhas, e em sua busca ele acaba se envolvendo num programa de música erudita para menores infratores. Com a mesma fórmula Disney, “Tudo Que Aprendemos Juntos” (2015) era mais realista. “Animal Político” segue caminho oposto, como filme feito para ruminar. O longa acompanha uma vaca em crise existencial, que busca descobrir se é feliz. A ideia é de sitcom animada, com direito a piada-citação de “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (1968), mas foi realizada com gente de verdade, atores fantasiados e bichos reais, evocando o cinema marginal. A lista inclui ainda um documentário e uma animação. “Nunca Me Sonharam” traz adolescentes e professores opinando sobre a educação de Ensino Médio no Brasil, com ênfase nas dificuldades dos jovens mais pobres e nas generalizações. Já a animação “Café – Um Dedo de Prosa” narra a história do café de forma didática e será distribuída apenas no circuito SPCine (gratuíto).
Mulher-Maravilha estreia em mais de mil salas de cinema
“Mulher-Maravilha” é o maior lançamento da semana no Brasil, com uma distribuição em 1,2 mil salas. O longa chega precedido por críticas muito positivas, com 96% de aprovação no Rotten Tomatoes, que o apontam como uma das melhores adaptações de quadrinhos já feitas. Trata-se de uma mudança de percepção gigantesca em relação aos filmes de super-heróis da DC Comics, como “Batman vs. Superman” (2016), que introduziu a heroína. E isto acontece com a primeira superprodução de quadrinhos dirigida por uma mulher neste milênio. Patty Jenkins (do premiado “Monster: Desejo Assassino”) está fazendo História, mas também se destaca o desempenho de Gal Gadot, perfeita no papel. A segunda maior estreia é uma comédia nacional, “Amor.com”, com Ísis Valverde (“Faroeste Caboclo”) e Gil Coelho (“S.O.S.: Mulheres ao Mar 2”), que chega a 336 salas. Seu humor reflete o tema do reality show “As Gostosas e os Geeks”. Na trama, o geek conquista a gostosa, perde a gostosa e tenta reconquistá-la, com o diferencial de que boa parte disso é compartilhado nas redes sociais. Uma história convencional em tempos modernos. O filme marca a estreia solo na direção de Anita Barbosa, que foi diretora assistente de algumas das maiores bilheterias brasileiras do século – como “Se Eu Fosse Você 2” (2009), “De Pernas pro Ar” (2010) e “S.O.S.: Mulheres ao Mar 2” (2015). “As Aventuras de Ozzy” aparece em terceiro. Trata-se de uma animação espanhola sobre cachorros que, mesmo sem o pedigree de “Pets: A Vida Secreta dos Bichos” (2016), mostra que as alternativas no nicho da computação gráfica de bichos falantes estão se aprimorando. A premissa enfoca um dos grandes receios de quem tem cachorrinhos. Quando seus donos precisam viajar, Ozzy é deixado num hotel pet, cuja hospedagem de luxo se revela mera fachada para um regime carcerário, em que os cãozinhos são mal-tratadas e se vêem prisioneiros de ferozes cães de guarda. O drama épico “Z – A Cidade Perdida” completa a lista dos lançamentos de maior alcance. Com grande elenco, encabeçado por Charlie Hunnam (“Rei Arthur: A Lenda da Espada”), Robert Pattinson (“Mapas para as Estrelas”) e Tom Holland (o novo Homem-Aranha do cinema), conta a história do Indiana Jones da vida real, o Coronel Percy Harrison Fawcett (Hunnam), que deixou a carreira militar para se tornar explorador. Obcecado pela Amazônia, o britânico se embrenhou nas matas brasileiras para encontrar uma cidade que ele chamava de “Z” e acreditava ser El Dorado, a cidade de ouro. Sua última expedição aconteceu em 1925 no Mato Grosso, onde foi visto pela última vez. Há mais três filmes em circuito bastante limitado. “Inseparáveis” não é o que se poderia chamar de cinema de arte. Ao contrário, trata-se de uma comédia concebida como remake de um blockbuster internacional. Para resumir, é a versão argentina do francês “Intocáveis” (2014), que, curiosamente, elimina o elemento racial do original, alimentando o questionamento sobre a falta de negros no cinema argentino. A trama do paraplégico milionário que fica amigo de seu tratador pobre ainda ganhará remake americano em breve. O drama escandinavo “Ande Comigo” também lida com deficiência física e clichês. Após perder uma perna no Afeganistão, um ex-militar tem dificuldades para se reajustar à vida civil e é auxiliado em sua reabilitação por uma bailarina. Os opostos se atraem, como nos romances de cinema. Mas os cinéfilos podem minimizar os lugares-comuns por conta de mais uma boa performance do dinamarquês Mikkel Boe Følsgaard (o rei louco de “O Amante da Rainha”). Por fim, o documentário nacional “O Jardim das Aflições” tem lançamento apenas em sessões especiais, mas mesmo assim chega em cinco capitais (veja onde aqui). A obra do pernambucano Josias Teófilo é um passeio pelos pensamentos filosóficos de Olavo de Carvalho, o anticomunista que na juventude militou no PCB. Sem contraditórios, ele empilha discursos sobre a “autonomia da consciência individual” em oposição à “tirania da coletividade”, no conforto de sua residência nos Estados Unidos, mostrando-se culto e articulado. É bem feitinho com seu orçamento de R$ 300 mil, arrecadados em financiamento coletivo. Mas também um tédio, que se contrapõe à forma como eletrizou a esquerda, a ponto de cineastas provocarem o cancelamento do festival Cine-PE, ao se retirarem da programação num boicote coletivo contra sua inclusão no evento. As críticas ruidosas ao pensamento de Carvalho e a contrariedade com a ideia de se fazer um filme sobre ele são usadas, de forma inteligente, no material de marketing do lançamento. Mas as reações sobressaltadas dariam um filme bem melhor que o retrato plácido realizado. Clique nos títulos em destaque para ver os trailers de todas estreias da semana.
Estreias: Fracasso épico do ano encontra o terror mais bem-sucedido nos cinemas brasileiros
Quatro novos cineastas brasileiros fazem suas estreias no cinema nesta quinta (18/5). Mas são os filmes americanos “Rei Arthur – A Lenda da Espada”, “Corra!” e “Antes que Eu Vá” que ganham lançamentos amplos no circuito. Destes, vale a pena ver “Corra!”. Dos outros, corra! O ator inglês Charlie Hunnam esteve no Brasil para promover seu “Rei Arthur” e deu um show de simpatia. Mas o filme é fraco, com muitos efeitos para compensar equívocos da premissa, que tenta fazer com Rei Arthur o que o diretor Guy Ritchie tinha feito anteriormente com “Sherlock Holmes” (2009). Assim, o futuro rei é apresentado como um rufião. Pior, um gângster medieval, que, após tirar a espada Excalibur da pedra, precisa provar a si mesmo o seu valor, antes de confrontar o rei usurpador para reivindicar seu trono. A avaliação do Rotten Tomatoes foi impiedosa: míseros 27% de aprovação. E o público norte-americano ecoou o desencanto nas bilheterias, ignorando a produção, orçada em US$ 175 milhões. É o maior fracasso de 2017. “Corra!” representa o oposto completo, um dos maiores sucessos do ano, com 99% de críticas positivas. Feito com orçamento de filme brasileiro, US$ 4,5 milhões, rendeu US$ 174 milhões e estabeleceu o recorde de maior arrecadação do gênero terror na América do Norte. O segredo foi misturar racismo numa história sinistra, que começa de forma romântica, num fim de semana em que a namorada de brancos ricos leva seu namorado negro para conhecer sua família numa casa de campo. Foi a estreia do comediante Jordan Peele como diretor e a repercussão já lhe rendeu inúmeros convites para novos trabalhos. “Antes que Eu Vá” é mais uma versão da trama de looping temporal de “Feitiço do Tempo” (1993), desta vez voltada para adolescentes. A ideia é exatamente a mesma, ainda que o roteiro, inspirado num best-seller infanto-juvenil, opte pela ausência de sutileza para explorar o moralismo inerente da situação: o dia se repete até a protagonista tomar decisões melhores, deixar de ser uma jovem cruel e progredir como pessoa antes de sua morte, que reinicia o looping. Com cara de filme de streaming, acabou passando em branco nos cinemas americanos, onde arrecadou míseros US$ 12 milhões – apesar de contar com 66% de aprovação da crítica. Outra história batida, moralista e melodramática, “Um Homem de Família” traz Gerard Butler (“Invasão a Londres”) como um capitalista que só percebe como negligencia sua família após o filho ser diagnosticado com uma doença fatal. Daí, óbvio, suas prioridades mudam da água para o vinho – uma descrição clichê para homenagear a produção, avaliada com inexoráveis 0% no Rotten Tomatoes. A programação inclui outro bom terror em circuito limitado. Trata-se de “O Rastro”, que também é a principal estreia nacional da semana. A produção investiu em acabamento caprichado e marketing, mas não conseguiu convencer os exibidores a abrir maior espaço nos cinemas lotados com blockbusters americanos. A trama combina assombração e o verdadeiro horror que é a saúde pública nacional. Envolve o fechamento de um hospital no Rio e acompanha o médico responsável por coordenar a transferência dos pacientes durante a noite. Quando uma paciente jovem desaparece, ele tenta localizá-la e acaba gradualmente engolido pelo prédio em condições precárias. Estreia de João Caetano Feyer (assistente de “Filme de Amor”) na direção de um longa-metragem, destaca em seu elenco Rafael Cardoso (novela “Sol Nascente”), Leandra Leal (“O Lobo Atrás da Porta”) e Alice Wegmann (“Tamo Junto”). “Entrelinhas” também marca a estreia de uma nova cineasta brasileira, Emilia Ferreira. O detalhe é que a mineira mora em Nova York, filmou em inglês a adaptação de um livro americano, com produtores americanos e atores americanos. Típico drama “cabeça”, acompanha o processo criativo de uma escritora que tenta materializar sua primeira peça de teatro, dividindo sua atenção entre o palco, a ficção e os relacionamentos de seu cotidiano. Ganha uma reduzidíssima estreia nacional, enquanto permanece inédito e sem previsão de lançamento nos Estados Unidos. A terceira cineasta estreante, Mônica Simões, chega às telas com o documentário “Um Casamento”, em que projeta uma história íntima: o casamento de seus pais, evocado com ajuda de um filme caseiro da ocasião, fotos e o depoimento de sua mãe. É bem melhor do que soa – e vale considerar que Naomi Kawase também começou registrando seu cotidiano familiar. Menor lançamento de todos, “Estamos Vivos”, de Filipe Codeço, assume o amadorismo em sua concepção, paradoxalmente ousada do ponto de vista formal. A trama gira em torno de um reencontro entre irmãos separados há muitos anos, registrado pela câmera de uma criança autista de oito anos, que gosta de ser o centro das atenções. O recurso da “câmera subjetiva”, geralmente usada em filmes de terror, acaba servindo perfeitamente ao drama, feito com baixíssimo orçamento e num único plano sequência. Claro que é preciso comprar a ideia de que um menino é capaz de manter enquadramento, conhecer profundidade de campo, fazer travelings, panorâmicas e perder pouco foco por 80 minutos de filmagem ininterrupta. Mas o verdadeiro cineasta atrás da câmera convence, apesar do roteiro culminar nas inevitáveis discussões histéricas que contrastam a opção estética com uma espécie de teatro filmado. Completa a programação o inevitável filme francês da semana, “Más Notícias para o Sr. Mars”, uma comédia absurda, em que uma espiral de eventos conspira para enlouquecer seu protagonista. A direção é de Dominik Moll (“O Monge”) e o Sr. Mars é vivido por François Damiens (“Os Cowboys”). Clique nos títulos destacados para assistir a todos os trailers das estreias da semana.
Alien: Covenant é o maior lançamento da semana nos cinemas
Estreia de cinema mais ampla desta quinta (11/5), “Alien: Covenant” chega ao Brasil uma semana antes de seu lançamento nos Estados Unidos, numa continuação da história de “Prometheus” (2012) e num retorno ao clima de terror espacial do primeiro “Alien” (1979). O diretor é o mesmo nos três filmes, o veterano Ridley Scott, que, se não leva a franquia a novas direções nem entrega a história que se espera, também não desaponta com sustos, sangue e tensão. Com 75% de aprovação (provisória) no Rotten Tomatoes, desembarca em cerca de 800 salas. Terceira parceria entre o diretor Peter Berg e o ator Mark Wahlberg (após “O Grande Herói” e “Horizonte Profundo: Desastre no Golfo”), “O Dia do Atentado” combina thriller e drama na reconstituição do atentado à bomba da Maratona de Boston de 2013 e da caçada aos terroristas que cometeram o crime. Bem feito, inclusive em seus clichês, o filme tem 80% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas não obteve o sucesso esperado nos Estados Unidos, onde rendeu apenas US$ 31,8 milhões em cinco meses, contra um orçamento de US$ 45 milhões. Pode-se culpar a ausência de surpresas e o final conhecido. Como curiosidade, destaca-se a participação de Melissa Benoist, a intérprete da Supergirl loiraça da TV, como uma muçulmana radical. Igualmente baseado em fatos reais e com ainda mais clichês, “A Promessa” conta uma história bem menos conhecida. Na verdade, sua intensão é justamente chamar atenção para um fato histórico que a Turquia se esforçou em esconder do mundo: o genocídio dos armênios. A trama se passa durante os últimos dias do Império Otomano e da 1ª Guerra Mundial, quando o governo decidiu exterminar a raça armênia, originando um verdadeiro holocausto. E este contexto torna ainda mais difícil aceitar a trama como um romance épico, com Christian Bale (“A Grande Aposta”) na pele de um repórter americano apaixonado por uma bela armênia, que Oscar Isaac (“Star Wars: O Despertar da Força”) também tenta salvar. A crítica americana considerou um desperdício (48% de aprovação) e o público preferiu ignorar (só US$ 8 milhões de arrecadação). Maior preciosidade do circuito limitado nesta semana, “O Cidadão Ilustre” é prato cheio para fãs de comédias de humor negro. A produção argentina gira em torno de um escritor famoso, vencedor do Nobel, que volta a sua cidade natal para receber uma homenagem. Mas a satisfação do reconhecimento logo é substituída por velhos rancores e a recepção calorosa se transforma num pesadelo. Vencedor do troféu Goya (o Oscar espanhol) de Melhor Produção Iberoamericana do ano e o prêmio de Melhor Ator para o protagonista (Oscar Martínez) no Festival de Veneza, “O Cidadão Ilustre” tem ainda uma avaliação impressionante de 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. Para quem prefere suspense, “Uma Dama de Óculos Escuros com uma Arma no Carro”, é um remake francês do clássico homônimo de 1970, último filme do mestre do cinema noir Anatole Litvak (“Uma Vida por um Fio”), baseado no romance de Sébastien Japrisot (“Verão Assassino”). Mais conhecido como diretor de animações, Joann Sfar (“O Gato do Rabino”, “O Profeta”) não consegue superar o original, mas chega perto (80% de aprovação) ao caprichar na fotografia, acompanhando a viagem misteriosa da mulher do título, desta vez vivida pela jovem Freya Mavor (revelada na série teen britânica “Skins”). A programação se completa com dois documentários nacionais, que abordam o Brasil do século passado. “Crônica da Demolição” revela as consequências da ordem e do progresso da ditadura militar na arquitetura e na história do Rio de Janeiro, enquanto “Taego Ãwa” aponta as mazelas que se perpetuam há décadas entre a comunidade indígena, a partir do resgate de imagens dos anos 1970 da tribo Ãwa e o reencontro com os sobreviventes da época, ainda esperando a demarcação de suas terras. Clique nos títulos dos filmes para ver todos os trailers das estreias da semana.
Semana sem blockbusters infla besteirol nacional e oferece melhores opções alternativas
A primeira semana de maio é a última do ano sem lançamento de blockbuster americano. Por isso, as estreias mais amplas são um besteirol nacional, “Ninguém Entra Ninguém Sai”, e uma animação derivativa da China, “Rock Dog – No Faro do Sucesso”. Com maior distribuição, a comédia brasileira leva a 400 salas a premissa de “Vendo ou Alugo” (2013), trocando a casa à beira do morro carioca por um motel – ainda que supostamente seja baseada numa crônica de Luis Fernando Veríssimo. Já a animação, apesar de ser chinesa, tem direção do americano Ash Brannon (“Toy Story 2”) e elementos de “Kung Fu Panda” (2008) e “Sing” (2016), mas nenhuma das virtudes do roteiro ou da técnica de suas inspirações. Ironicamente, tanto a animação quanto a comédia de motel são infantis. Por sinal, “Ninguém Entra Ninguém Sai” deve ser a comédia de motel mais pudica já feita na história do cinema mundial. Quem busca uma sessão mais adulta pode se surpreender com o terror “A Autópsia”, premiado em vários festivais, inclusive no prestigioso Sitges e na mostra Midnight Madness do Festival de Toronto. A trama gira em torno da autópsia de uma mulher desconhecida, realizada por pai e filho legistas, durante a noite num necrotério. Ela foi encontrada no porão de uma casa onde aconteceu um massacre e quanto mais os dois descobrem sobre a causa de sua morte, mais o necrotério se torna sombrio como um local mal-assombrado, com direito a tempestade e eventos sobrenaturais. Apesar de falada em inglês, a direção é do norueguês André Øvredal, do cultuado “O Caçador de Troll” (2010). O resto da programação é restrita ao circuito limitado, mas as opções alternativas são um verdadeiro festival de cinema, com títulos que podem ser considerados obrigatórios para os cinéfilos que gostam de preencher listas de melhores do ano. A melhor sugestão americana vai para o drama “Melhores Amigos”, que só entrou em cartaz em 12 salas. Para se ter ideia, o longa tem 98% de aprovação no Rotten Tomatoes, foi premiado em festivais, apareceu entre os filmes favoritos da crítica americana em 2016, figurou em troféus indies e muitos questionaram sua ausência no Oscar, especialmente na categoria de Melhor Roteiro, onde se destaca um brasileiro, Mauricio Zacharias. Ele é parceiro do diretor Ira Sachs neste e em outros dramas premiados, como “O Amor é Estranho” (2014) e “Deixe a Luz Acesa” (2012), além de ter escrito no Brasil o excelente “O Céu de Suely” (2006). Em “Melhores Amigos”, Zacharias e Sachs contam a história de dois adolescentes cuja amizade precisa enfrentar disputas financeiras entre suas famílias, num retrato sensível sobre como as dificuldades econômicas deixam marcas. Melhor que este, só “Clash”, uma alternativa que parece arriscada, já que se trata de uma produção egípcia distribuída também em apenas 12 salas, mas não lhe faltam a tensão e a ousadia que o cinema americano há muito perdeu. Com impressionantes 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, é um suspense dramático passado durante a Primavera Árabe no Egito. Claustrofóbico, acompanha um grupo confundido com integrantes da Irmandade Islâmica, trancafiado pela polícia num caminhão de oito metros com fanáticos reais. Neste espaço exíguo, o que menos importa é provar sua identidade, já que o conflito acontece a seu redor, nas ruas e ao lado, entre os prisioneiros. A direção é de Mohamed Diab, que antes fez o igualmente impactante “Cairo 678” (2010), sobre mulheres em busca de justiça contra o assédio sexual na sociedade muçulmana. Com todos os elementos que rendem filmes cults, abriu a mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes do ano passado, e foi premiado em diversos festivais. Outro drama indie bem cotado, “Norman – Confie em Mim” traz uma performance arrebatadora do veterano Richard Gere (“O Exótico Hotel Marigold 2”), obcecado em seu objetivo de conhecer pessoas importantes e conectá-las visando aumentar seu networking, até que, por acaso, finalmente tem a sorte de criar laços com o futuro Primeiro Ministro de Israel. O filme, que tem 89% de aprovação no Rotten Tomatoes, marca a estreia em Hollywood de Joseph Cedar, aclamado por seu filme anterior, “Nota de Rodapé” (2011). Apesar de ter feito carreira em Israel, ele nasceu em Nova York. “A Filha” é uma adaptação australiana e contemporânea de “O Pato Selvagem”, peça do final do século 19 do norueguês Henrik Ibsen. A conhecida fábula moral mostra que a mentira pode ter mais valor que a verdade, diante de uma revelação com capacidade de destruir uma família e conduzir ao suicídio. O diretor e roteirista estreante Simon Stone ganhou vários prêmios em seu país pela obra, que tem 76% de aprovação no Rotten Tomatoes. “Sobre Viagens e Amores” marca a volta de Gabriele Muccino ao cinema italiano, mas sem sair dos EUA. Especialista em dramas lacrimosos, ele caiu nas graças de Hollywood com “À Procura da Felicidade” (2006), estrelado por Will Smith e seu filho Jaden, mas seus filmes seguintes foram fraquinhos, fraquinhos. Desta vez, conta a história de um casal de estudantes italianos que viajam para San Francisco, nos EUA, onde vão passar uma temporada na casa de um casal gay. O problema é que a menina é católica e homofóbica e não sabia deste detalhe da hospedagem. “A Mulher que se Foi” é um longa típico do filipino Lav Dias, com as características que marcam sua filmografia peculiar. Ou seja, trata-se de um drama filmado em preto e branco, com takes demorados, longuíssima duração (em torno de 4 horas) e consagrado em festivais de prestígio. A história contemplativa acompanha uma mulher que, após passar 30 anos presa, resolve se vingar do antigo amante. Venceu simplesmente o Leão de Ouro do Festival de Veneza do ano passado. Dois filmes brasileiros que também marcaram grandes mostras internacionais completam a programação. “Beduíno”, do eterno marginal Júlio Bressane, tem uma das piores distribuições da semana. Traz Fernando Eiras e Alessandra Negrini encenando fantasias num apartamento, numa metáfora sobre a vida e a arte, de proposta similar ao experimentalismo de Jacques Rivette (1928-2016) nos anos 1960. Foi selecionado para os festivais de Locarno e Roterdã. Por fim, com exibição num único horário de uma única sala do Grupo Estação, no Rio, o provocante “Éden” finalmente faz sua estreia. O longa que consagrou Leandra Leal como Melhor Atriz nos festivais do Rio de 2012 e Gramado de 2013, e também passou no Festival de Roterdã, demorou cinco anos para chegar aos cinemas. E chega assim, escondidinho, no momento em que seu diretor, Bruno Safadi, vem recebendo elogios por sua trabalho numa novela, “Novo Mundo”. “Éden” foi rodado com baixíssimo orçamento e em tempo exíguo, mas chama atenção pela proposta ousada. Tão ousada que seu drama psicológico, que critica a exploração e o fanatismo evangélico, foi evitado pelas distribuidoras de cinema. Felizmente, o longa também está ganhando distribuição por streaming, pelo Telecine Play. Clique nos títulos dos lançamentos para ver os trailers de todas as estreias da semana.
Guardiões da Galáxia Vol. 2 estreia em mais de mil salas de cinema
“Guardiões da Galáxia Vol. 2” é o blockbuster da semana, com lançamento em 1.118 salas de cinema. Quando a franquia era praticamente desconhecida, vendeu quase 3 milhões de ingressos no Brasil. Agora, a expectativa é por um caminhão maior de dinheiro. Por isso, há mais efeitos, mais personagens, mais uma galáxia a ser salva. E também mais humor. O novo filme da Marvel é o mais divertido do ano até aqui, uma adaptação de quadrinhos que cumpre seu objetivo de entreter. A crítica norte-americana aprovou com 87% de satisfação no Rotten Tomatoes, mas a percentagem deve mudar até a estreia, que só vai acontecer nos Estados Unidos na próxima semana. Com “Velozes e Furiosos 8” ocupando mais da metade dos cinemas que sobraram, todos os demais lançamentos da semana são limitados. E até o circuito de arte encontra dificuldades para agendar as projeções, que somam seis estreias. Cinebiografia da escritora Emily Dickinson (1830-1886), a produção britânica de época “Além das Palavras” tem 91% de aprovação no Rotten Tomatoes e prêmios em festivais internacionais. Dirigida pelo veterano Terence Davis (“Amor Profundo”), apresenta o cotidiano opressor da poeta, que se rebelava contra a cultura machista e só foi publicada após sua morte. Outro drama de época, o francês “Além da ilusão” reúne Natalie Portman (“Jackie”) e Lily-Rose Depp (a filha de 17 anos de Johnny Depp) como irmãs. A trama acompanha as duas se mudando para Paris na véspera da 2ª Guerra Mundial, onde pretendem explorar seus dons para contatar os espíritos em shows de performance sobrenatural e acabam chamando atenção de um produtor de cinema, que resolve transformá-las numa sensação da indústria do entretenimento. O problema é o ciúmes que o relacionamento desperta e a época perigosa em que a trama acontece. Terceiro filme da jovem diretora Rebecca Zlotowski (“Grand Central”), com roteiro escrito em parceria com Robin Campillo (“Entre os Muros da Escola”), foi indicado ao César de Melhor Desenho de Produção por sua bela cenografia. O documentário francês “O Grande Dia” completa a programação internacional, mostrando quatro crianças, de diferentes lugares do mundo, que precisam vencer obstáculos importantes no começo de suas vidas. As estreias ainda incluem três produções nacionais. Com maior alcance, o drama “Elon Não Acredita na Morte” chega a 34 salas. Na trama, Rômulo Braga, vencedor do troféu de Melhor Ator no Festival de Brasília, entra em desespero quando sua mulher desaparece e embarca numa jornada pelo lado mais sinistro da cidade em busca de seu paradeiro. Primeiro longa de ficção de Ricardo Alves Jr. (documentário “Permanências”), teve projeção nos festivais de Cartagena, na Colômbia, e Roterdã, na Holanda. Mistura de ficção e falso documentário, “Vermelho Russo” recria a viagem de duas atrizes brasileiras para Moscou, onde vão estudar teatro e acabam se envolvendo num triângulo amoroso, precisando superar suas diferenças para sobreviver num país diferente. A direção é de Charly Braun, que já havia feito outro ótimo filme de turistas, “Além da Estrada” (2011). Ele também assina a história junto com Martha Nowill, uma das atrizes-personagens, premiada como Melhor Roteiro no último Festival do Rio. Por fim, “Mais do que Eu Possa Me Reconhecer” chega em distribuição invisível – em cartaz numa sala, em apenas um horário, no Rio. A obra de Allan Ribeiro (“Esse Amor Que Nos Consome”) filma o artista plástico Darel Valença Lins, enquanto ele grava o próprio filme com uma câmera de vídeo. O caráter experimental rendeu prêmios em festivais de pouca repercussão popular, como os de Tiradentes, Triunfo e Vitória. Clique nos títulos em destaque para ver os trailers de todas as estreias da semana.
Estreias: Nem feriado de Tiradentes faz Joaquim ter o lançamento que merece
Os cinemas demonstram pouco sinal de “Vida” neste feriadão. Com “Velozes e Furiosos 8” ocupando boa parte das telas do país, o maior lançamento desta quinta (20/4), a sci-fi “Vida”, tem que se contentar com 220 salas. Jake Gyllenhaal (“Animais Noturnos”) e Ryan Reynolds (“Deadpool”) são astronautas presos numa trama influenciada por “Alien” (1979), que até agradou a crítica americana (68% de aprovação), mas deu grande prejuízo (custou US$ 58 milhões e só fez US$ 28 milhões nos EUA). Segundo maior lançamento, o suspense “Paixão Obsessiva” leva a 130 salas um trash com cara de telenovela, que foi escondido da imprensa. O filme também estreia nesta semana nos EUA, com Katherine Heigl (série “State of Affairs”) determinada a tornar um inferno a vida de Rosario Dawson (série “Punho de Ferro”), nova mulher de seu ex-marido. Quase com o mesmo circuito, o besteirol nacional “Gostosas, Lindas e Sexies” deve gerar discussões… sobre gramática. A comédia gira em torno das aventuras de quatro gordinhas – Carolinie Figueiredo (novela “Malhação”), Cacau Protasio (“Vai que Cola”), Mariana Xavier (“Minha Mãe é uma Peça 2: O Filme”) e Lyv Ziese (novela “Boogie Oogie”). Enquanto isso, “Joaquim”, drama sobre Tiradentes, lançado no feriado de Tiradentes, fica restrito a 33 salas. Dirigido por Marcelo Gomes (“Cinema, Aspirinas e Urubus”), o filme apresenta um olhar bastante diferenciado sobre o personagem histórico brasileiro e foi selecionado para a mostra competitiva do Festival de Berlim, onde conseguiu repercussão internacional com críticas bastante positivas. O que aparentemente não faz a menor diferença para os exibidores de cinema no Brasil. Outros títulos excelentes também chegam no circuito limitado, após se destacaram em festivais europeus. O americano “Paterson”, de Jim Jarmusch (“Amantes Eternos”), foi um dos dramas mais elogiados de Cannes no ano passado e chegou a figurar em diversas listas de melhores de 2016 nos EUA. Muitos consideram que Adam Driver, no papel do motorista de ônibus que escreve poemas nas horas vagas, deveria ter sido indicado ao Oscar. Chega em 28 salas espraiadas por 13 cidades. Exibido no Festival de Berlim de 2016, o australiano “O Sonho de Greta” é uma comédia juvenil sensível, que mostra o delírio de uma garota no dia de seu aniversário de 15 anos. A projeção chama atenção para o formato inusitado em que foi filmado – numa proporção de imagem de 4:3. Venceu vários prêmios na Austrália. Também voltado ao público jovem, o francês “O Novato” conquistou troféus em festivais menores, como o IndieLisboa e o My French Film Festival. A produção gira em torno do mais novo e menos popular aluno da escola, que resolve dar uma festa para conquistar os colegas. Estreia em seis salas. A programação se encerra com o menor lançamento da semana: o documentário brasileiro “O Profeta das Águas”, sobre Aparecido Galdino Jacintho, mentor de um grupo religioso de camponeses que foi preso como subversivo nos anos 1970. O filme será exibido em apenas uma sala do Cine Araújo Campo Limpo, em São Paulo. Clique nos títulos de cada filme para assistir a todos os trailers das estreias.












