Séries da semana trazem Julia Roberts, Viola Davis e Natasha Lyonne
A variedade e quantidade de séries que chegam ao streaming até domingo (24/4) acabou tornando a seleção desta semana um pouco diferente. Para priorizar os títulos que geram maior expectativa, produções menos vistosas acabaram cedendo espaço na lista para obras menos recomendáveis. O dilema surgiu pela dificuldade de ignorar uma atração estrelada por Viola Davis e Michelle Pfeiffer em favor de produções europeias com nomes totalmente desconhecidos. Mas como qualidade nunca passa em branco, semana que vem tem resgate. A lista também destaca trabalhos elogiados de Julia Roberts, Sean Penn, Natasha Lyonne, Bill Hader, Kaley Cuoco, Bob Odenkirk e Don Cheadle. Confira abaixo as 10 estreias selecionadas e comentadas, com seus respectivos trailers. BONECA RUSSA | NETFLIX Uma das melhores séries da Netflix ficou ainda melhor na 2ª temporada, recompensando o espectador com um destemor absurdo ao correr grandes riscos com sua trama mirabolante. Na história original de looping temporal, a personagem de Natasha Lyonne (“Orange Is the New Black”) morria várias vezes durante sua noite de aniversário na cidade de Nova York, apenas para voltar ao começo da festa e se preparar para morrer novamente, continuamente, vitimada por detalhes fortuitos e pessoas desatentas. Mas esta foi só a primeira fase de suas desventuras, que agora trocam o looping temporal por viagem no tempo. Após conseguir sobreviver à morte insistente, ela se vê embarcando num trem para o passado, que a leva aos anos 1980. Não só isso, ela passa a habitar o corpo de sua mãe, então grávida dela mesma. E tem a brilhante ideia de mudar o passado para corrigir seu presente. Só que essa ideia nunca deu certo em nenhum filme de viagem no tempo já produzido. Além de estrelar, Lyonne criou a atração em parceria com a atriz Amy Poehler (“Parks and Recreation”) e a cineasta Leslye Headland (“Quatro Amigas e um Casamento”). GASLIT | STARZPLAY A minissérie de época deve finalmente dar a Julia Roberts seu perseguido Emmy. A atriz dá um show como Martha Mitchell, socialite casada com o Procurador-Geral da República John Mitchell (um irreconhecível Sean Penn sob quilos de maquiagem) e personagem central de um dos maiores escândalos políticos dos EUA. Trata-se do escândalo Watergate, nome do prédio onde funcionava um importante escritório do Partido Democrata, invadido na calada da noite por “espiões” do Partido Republicano em 1972 com o objetivo de plantar escutas. Só que a “missão secreta” se provou uma sucessão de trapalhadas. Denunciada pela imprensa, a espionagem política e sua tentativa de acobertamento levaram à renúncia do presidente Richard Nixon em 1974. Apesar de sua filiação partidária, Martha gostava de “aparecer” e tinha fama de ser “boca aberta”. E por saber dos segredos, foi logo considerada o elo fraco dos conspiradores, levando seu marido a ter que escolher entre a esposa e o presidente dos EUA. Na minissérie, a situação tensa rapidamente evoluiu do drama de família para o suspense psicológico e político. Com estreia marcada para domingo (24/4), a produção criada por Robbie Pickering (roteirista de “Mr. Robot”) também traz em seu elenco Dan Stevens (“Legion”), Erinn Hayes (“Bill & Ted: Encare a Música”), Shea Whigham (“Perry Mason”), Brian Geraghty (“Big Sky”), Darby Camp (“Clifford, O Gigante Cão Vermelho”), Nat Faxon (“The Conners”) e Patton Oswalt (“A.P. Bio”). ANOS INCRÍVEIS | DISNEY+ A nova série é um reboot da famosa e influentíssima “Anos Incríveis” (The Wonder Years), exibida nos anos 1980, sobre uma família de classe média dos 1960 que tinha sua típica vida suburbana recortada pelo olhar do pequeno Kevin Arnold, vivido por Fred Savage. A nova versão repete a premissa, a estrutura e a época da produção original, mas desta vez com todo o contexto histórico apresentado pelo ponto de vista de uma criança negra. O menino Elisha Williams é quem interpreta o novo protagonista, Dean, de 12 anos, que vive em Montgomery, Alabama, em 1968. E além dos intérpretes de sua família, encabeçada por Dulé Hill (“Psych” e “Suits”) e Saycon Sengbloh (“No Escuro/In the Dark”), a produção inclui o astro Don Cheadle (o Máquina de Combate da Marvel) como narrador dos episódios, dando voz à versão adulta de Dean, que conta detalhes de uma infância passada numa época extremamente racista. Um detalhe curioso é que Fred Savage, o eterno Kevin, é diretor de oito episódios e produtor executivo do reboot. Ele dirige séries desde 1999 e já contabiliza a realização de capítulos de mais de 70 atrações diferentes no currículo. Já o roteirista responsável pela adaptação é o comediante Saladin K. Patterson, que assinou episódios de “The Big Bang Theory” e “Psych”. WU-TANG: AN AMERICAN SAGA | STAR+ Demorou três anos, mas a série que conta a história do grupo de hip-hop Wu-Tang Clan finalmente chegou ao Brasil. Desenvolvida por um dos fundadores do Wu-Tang Clan, The RZA, em parceria com o roteirista Alex Tse (“Watchmen: O Filme”), a trama mostra como Bobby Diggs (o próprio The RZA) conseguiu unir uma dezena de jovens de personalidades distintas, que se encontravam divididos entre a música e o crime no começo dos anos 1990, para originar uma das histórias mais improváveis de sucesso da música popular americana. Reverenciado pela forma como juntou hip-hop e referências de kung fu em seu disco de estreia, criando um som distinto e inigualável, Wu-Tang Clan se tornou um dos grupos mais influentes do hip-hop em todos os tempos. Ao todo, a banda lançou cinco álbuns, que venderam 40 milhões de cópias em todo o mundo. Além disso, a maioria de seus integrantes também desenvolveu carreiras individuais bem-sucedidas. Junto de RZA, a série conta com a produção de outro membro do grupo, Method Man, e inclui Ghostface Killa, Inspectah Deck, Masta Killa e GZA, bem como herdeiros de Ol ‘Dirty Bastard (falecido em 2004), como consultores. Por enquanto, a Star+ disponibilizou apenas a 1ª temporada, mas a atração já exibiu seu segundo ano de produção nos EUA e encontra-se renovada para a 3ª e última leva de episódios. BETTER CALL SAUL | NETFLIX O lançamento dos dois primeiros capítulos inaugura oficialmente o início do fim, também conhecido como primeira parte da 6ª e última temporada de “Better Call Saul”. Estruturado como um interminável flashback, o spin-off de “Breaking Bad” vem contando desde 2015 como o advogado idealista Jimmy McGill se transformou no inescrupuloso vigarista que batiza a atração: Saul Goodman. E a produção fez o público aguardar cinco temporadas para chegar no ponto mais esperado, quando a trama se cruza com os eventos de “Breaking Bad”, trazendo de volta Walter White (Bryan Cranston) e Jesse Pinkman (Aaron Paul) para conduzir a trama aos eventos fatídicos que levaram o personagem vivido por Bob Odenkirk a perder carreira e fortuna ao final da série original. Vale lembrar que o primeiro episódio de “Better Call Saul” iniciava bem depois dos eventos de “Breaking Bad”, e há grande expectativa para ver em que condições Jimmy/Saul se tornou um dos poucos sobreviventes da trama criminal. HEARTSTOPPER | NETFLIX A adaptação dos quadrinhos homônimos de Alice Oseman sobre dois garotos apaixonados virou uma comédia romântica light, onde tudo dá certo e praticamente inexistem traumas. Uma produção cor-de-rosa, que transmite conforto e ternura como a primeira série adolescente de temática gay produzida pela Netflix. A trama gira em torno de dois adolescentes britânicos: Charlie (vivido pelo estreante Joe Locke), um jovem abertamente gay e muito intenso, e Nick (Kit Connor, de “Rocketman”), um jogador de rúgbi atlético e de coração mole, que um dia são forçados a sentar juntos na classe e rapidamente se tornam amigos. Mas logo Charlie se vê profundamente apaixonado por Nick, embora não ache que tenha uma chance. Só que Nick está mais interessado em Charlie do que qualquer um dos dois imagina – e isto pode lhes custar suas amizades ou se transformar no primeiro amor de suas vidas. A história foi originalmente lançado em 2015 como quadrinhos na web, antes de ser posteriormente publicado pela divisão infantil da editora Hachette numa coleção de graphic novels. Mas, curiosamente, os personagens já existiam antes dos quadrinhos, introduzidos no primeiro romance de Alice Oseman, “Solitaire”, publicado em 2014 quando ela tinha 17 anos. A trama de “Heartstopper”, na verdade, serve de prólogo para “Solitaire”. A série é escrita pela própria Oseman e tem direção de Euros Lyn, que já assinou episódios de séries como “Doctor Who”, “Torchwood”, “Demolidor” e “His Dark Materials”. THE FLIGHT ATTENDANT | HBO MAX A comissária de bordo vivida por Kaley Cuoco (a Penny de “The Big Bang Theory”) retorna na 2ª temporada como uma agente secreta da CIA e logo se vê inadvertidamente envolvida em nova intriga internacional cheia de reviravoltas, com direito a uma rival que tem exatamente a sua cara. O enredo explora a possibilidade desta doppelgänger ser uma alucinação causada pela sobriedade forçada da protagonista, mas também é uma citação hitchockiana dos produtores – assim como a loira que sabe demais. Inspirada no livro homônimo de Chris Bohjalian, a série foi desenvolvida pelo roteirista Steve Yockey (“Supernatural”) e a produção está a cargo da própria atriz principal, via sua empresa Yes Norman, em parceria com o ubíquo Greg Berlanti (“The Flash”, “Riverdale”, etc), o produtor com mais séries exibidas simultaneamente nos EUA. Entre as novidades do segundo ano, destaca-se a participação da atriz Sharon Stone (“Instinto Selvagem”) como a mãe de Cuoco. BARRY | HBO MAX A primeira série estrelada por Bill Hader – depois de oito temporadas no programa humorístico “Saturday Night Live” – gira em torno de um ex-militar que trabalha como assassino de aluguel no Meio-Oeste americano. Bem sucedido, mas não apaixonado por sua linha de trabalho, ele descobre que pode ser bom em outra coisa ao viajar até Los Angeles para um “serviço” e se deparar com uma comunidade de teatro amador, encantando-se com as possibilidades da atuação. O problema é que seu passado não quer lhe dar uma chance de mudar de vida e a 3ª temporada, que estreia no domingo (24/4), sofre uma guinada dramática após a vida dupla do protagonista ser colocada em cheque. Bastante sombrios, os novos capítulos trazem Barry ponderando se mata seu professor de teatro (Henry Winkler), que também virou seu melhor amigo, para preservar seu segredo e garantir sua vida atual. Hader criou “Barry” em parceria com Alec Berg (roteirista de “Silicon Valley”) e a atração lhe rendeu dois prêmios consecutivos de Melhor Ator de Comédia no Emmy Awards, além de um prêmio de Melhor Coadjuvante para Henry Winkler. SISSI | GLOBOPLAY A produção alemã conta a história da Imperatriz da Áustria, que é adorada nos países de língua alemã – e na Hungria – tanto pela modernidade de seu reinado como pelo status de heroína romântica forjado numa trilogia cinematográfica de enorme sucesso nos anos 1950, que catapultou a atriz Romy Schneider ao estrelato mundial. Mas a nova Sissi é bem diferente dos “filmes de princesa”. A série não é açucarada nem indicada para crianças, traz cenas picantes e apresenta os personagens sem a mesma pureza. A versão interpretada por Dominique Devenport chega a ser teimosa e até egoísta. Ao conhecer o mulherengo Imperador Frans Jozef (Jannik Schümann), já sabe que ele pretende se casar com sua irmã Helena (Pauline Rénevier), mas isso não a impede de ir atrás dele até conquistá-lo… com 16 anos de idade. THE FIRST LADY | PARAMOUNT+ A minissérie conta a história de três primeiras-damas dos Estados Unidos com interpretação de atrizes famosas. Viola Davis (“O Esquadrão Suicida”) vive Michelle Obama, Gillian Anderson (“The Crown”) interpreta Eleanor Roosevelt e Michelle Pfeiffer (“Homem-Formiga e a Vespa”) é Betty Ford. Mas, apesar do talento envolvido, a criação do roteirista Aaron Cooley (“Melhor. Pior. Finde. De. Todos.”) é a opção mais fraca da semana. Com falta de foco, os episódios são apanhados de situações trazidos à tela de forma superficial e sem desenvolvimento dramático. Para o público internacional, ainda há ausência de contexto em detalhes da política americana. Mesmo com direção da dinamarquesa Susanne Bier, que já venceu o Oscar de Melhor Filme...
“Cidade Perdida” é a maior estreia de cinema
A programação de cinema vai levar dois grandes lançamentos aos multiplexes, enquanto o circuito de arte contará com mais três opções a partir desta quinta (21/4). Com lançamento em 600 salas, “Cidade Perdida” tem a maior distribuição da semana, mas o nacional “Detetives do Prédio Azul 3: Uma Aventura no Fim do Mundo” deve atrair mais crianças. Já o destaque entre os lançamentos limitados pertence a “Flee”, uma animação para adultos que também é documentário animado, vencedor de nada menos que 82 prêmios internacionais. Confira abaixo os cinco títulos que chegam aos cinemas nesta semana, com seus respectivos trailers e mais informações. CIDADE PERDIDA A comédia estrelada por Sandra Bullock (“Imperdoável”) e Channing Tatum (“Magic Mike”) segue uma escritora de romances de aventura que se vê forçada a fazer uma turnê literária com o modelo de capa de seu novo livro. Irritada com a companhia do bonitão sem conteúdo, ela se vê numa situação ainda mais indesejável ao ser sequestrada. Mas até isso piora, quando o tal modelo sem noção resolve tentar salvá-la, fazendo com que os dois acabem perdidos na selva. No meio dessa confusão, ainda há uma trama de tesouro perdido e o desenvolvimento de uma comédia romântica. O roteiro é de Dana Fox (“Megarrromântico”) e Oren Uziel (“Mortal Kombat”), a direção dos irmãos Adam e Aaron Nee (“The Last Romantic”), e o elenco ainda conta com o ator Daniel Radcliffe (o “Harry Potter”) no papel de vilão e participação especial de Brad Pitt (“Era uma Vez… em Hollywood”). DETETIVES DO PRÉDIO AZUL 3: UMA AVENTURA NO FIM DO MUNDO Demorou, mas o terceiro filme derivado da série infantil finalmente chegou aos cinemas. O atraso de dois anos no planejamento original, devido à pandemia, transformou o longa dirigido por Mauro Lima (“Tim Maia”) numa despedida tardia do trio de protagonistas, Bento (Anderson Lima), Sol (Leticia Braga) e Pippo (Pedro Motta), substituídos desde 2021 por um novo time de detetives mirins nos episódios da atração exibida no Gloob. Produção para crianças pequenas, a aventura ao estilo “Harry Potter brasileiro” acompanha o trio e a feiticeira-mirim Berenice (Nicole Orsini) numa viagem até o Fim do Mundo – também chamado de Argentina – para salvar o porteiro Severino (Ronaldo Reis) da influência de um objeto místico maligno. Mas, para isso, eles precisam vencer também a bruxa Duvíbora (vivida por Alexandra Richter, de “Minha Mãe é uma Peça”) e sua filha Dunhoca (Klara Castanho, de “De Volta aos 15”), que farão de tudo para colocar as mãos na relíquia. Entre outras participações, o elenco ainda inclui Lázaro Ramos (“O Silêncio da Chuva”), Alinne Moraes (“Tim Maia”) e Rafael Cardoso (“Salve-se quem Puder”). FLEE – NENHUM LUGAR PARA CHAMAR DE LAR O criativo documentário do dinamarquês Jonas Poher Rasmussen (“Searching for Bill”) narra, via animação, a história real de um refugiado chamado Amin. Na véspera de seu casamento gay, ele revela o seu passado oculto pela primeira vez, contando como chegou ainda menor na Dinamarca, fugindo sozinho do Afeganistão. O relato ganha vida via desenho animado, num resultado tão impressionante que fez História no Oscar 2022, como o primeiro longa indicado simultaneamente nas categorias de Melhor Filme Internacional, Animação e Documentário. “Flee” não conquistou o Oscar, mas venceu 82 outros prêmios internacionais desde sua première como Melhor Documentário do Festival de Sundance em janeiro de 2021, incluindo os troféus de Melhor Documentário e Animação entregues pela Academia Europeia de Cinema. div> A NOITE DO TRIUNFO Premiada como Melhor Comédia da Europa (pela Academia Europeia de Cinema) em 2020, a produção francesa gira em torno de um ator decadente (Kad Merad, de “Um Amante Francês”) que começa a dar aulas de teatro num presídio na tentativa de encenar “Esperando Godot” com os encarcerados. Mesmo feito para divertir, o filme de Emmanuel Courcol (“Cessar Fogo”) apresenta momentos tocantes, especialmente na forma como busca identificar a situação dos presidiários com o drama existencial de Vladimir e Estragon, os personagens que esperam Godot. NUNCA FOMOS TÃO MODERNOS Apesar do título, a comédia brasileira tem premissa bem antiguinha: mulher tenta despertar ciúmes no marido e acaba criando diversas confusões. Incontáveis comédias italianas foram produzidas com este tema entre os anos de 1960 e 1970. Letícia Spiller vive a mulher e a direção é de Guga Moretzsohn, mais conhecido como o ator Guga Coelho – que trabalhou com Spiller nas novelas “Esplendor” e “Sabor da Paixão”. div>
10 filmes que chegam nas plataformas digitais
A programação de lançamentos digitais da semana está cheia de filmes europeus premiados. Mas também têm besteirol brasileiro e um filme de videocassetadas pra quem preferir apenas escapismo. As 10 estreias mais relevantes podem ser conferidas abaixo, com mais detalhes e seus respectivos trailers. JACKASS PARA SEMPRE | NOW, VIVO PLAY, VOD* Previsto para outubro passado nos cinemas brasileiros, o novo filme da trupe liderada por Johnny Knoxville só chegou nesta sexta (15/4) e exclusivamente nas plataformas digitais. A produção reúne o elenco original de “Jackass” para mais piadas cruéis com eles mesmos, geralmente perigosas e quase sempre absurdas, agora com o auxílio de novos integrantes. A crítica americana achou todos os desafios com risco de morte muito engraçados, o que rendeu 86% de aprovação no Rotten Tomatoes. A direção é de Jeff Tremaine, um dos criadores de “Jackass” na MTV no ano 2000 e responsável por manter as videocassetadas da franquia no cinema desde “Jackass: Cara-de-Pau – O Filme” em 2002. Também como sempre, roteiro e produção levam a assinatura do cineasta Spike Jonze (“Ela”), que é cocriador da série com Tremaine e Knoxville. HISTÓRIAS DE MENINAS | NOW O grande vencedor do Goya (o Oscar espanhol) do ano passado também chega às plataformas digitais sem cruzar o circuito comercial de cinema. Passado em Zaragoza no início dos anos 1990, numa escola católica para meninas, a trama mostra como a chegada de uma garota vinda de Barcelona apresenta a adolescência para as meninas comportadas do interior e revela que a educação conservadora é cheia de tabus e contradições. O longa de estreia da diretora Pilar Palomero venceu ao todo 29 prêmios internacionais, incluindo o Platino de Melhor Trabalho de Estreia Ibero-americana. FABIAN – O MUNDO ESTÁ ACABANDO | NOW O Fabian do título é um publicitário que vagueia pelos clubes mais decadentes de Berlim em busca de emoção, até ver seu mundo virar do avesso ao se apaixonar por uma atriz judia. Só que, na Alemanha dos anos 1930, não é apenas seu mundo que está desmoronando… Logo, seus planos e esperanças se tornam rapidamente ultrapassados pela ascensão do nazismo que torna tudo ao seu redor irremediavelmente sombrio. Diferente da primeira adaptação do romance biográfico de Erich Kästner, lançada em 1980, a versão do veterano diretor Dominik Graf (“Duas Irmãs, Uma Paixão”) narra a história do personagem interpretado por Tom Schilling (“Lara”) não como um drama de época, mas como um alerta sobre o presente, alimentado por uma cena de abertura virtuosa, que começa numa estação moderna de metrô de Berlim, antes de emergir em 1931. Afinal, simpatizantes dos nazistas estão voltando ao poder nos dias que correm. Vencedor de três troféus da Academia Alemã de Cinema, inclusive de Melhor Filme de 2021, tem 87% de aprovação no Rotten Tomatoes. OS TRADUTORES | NOW, VIVO PLAY, VOD* O curioso suspense literário francês é basicamente um mistério ao estilo de Agatha Christie sem cadáver. Os suspeitos são nove tradutores trancados em um bunker de luxo para traduzir um aguardado livro que encerra uma trilogia best-seller. Embora estejam confinados sem nenhuma comunicação externa, para evitar qualquer tipo de vazamento, uma crise se instaura quando alguém posta na internet as 10 primeiras páginas do livro e chantageia o editor a pagar 5 milhões de euros para não publicar o restante. Uma caçada se desdobra dentro do bunker em busca ao culpado. Quem matou, ou melhor, vazou o livro? Como uma boa produção “whodunit”, o segundo longa de Régis Roinsard (do delicioso “A Datilógrafa”) reúne um elenco internacional de peso, liderado pelo francês Lambert Wilson (“Matrix Resurrections”), a ucraniana Olga Kurylenko (“Viúva Negra”), a dinamarquesa Sidse Babett Knudsen (“Westworld”), o inglês Alex Lawther (“The End of the F***ing World”), a portuguesa Maria Leite (“Diamantino”), o italiano Riccardo Scamarcio (“John Wick: Um Novo Dia para Matar”), o espanhol Eduardo Noriega (“Perfeitos Desconhecidos”) e o belga Patrick Bauchau (“A Jovem Rainha”). LARA | NOW A Lara do título é uma pianista frustrada, que dedicou sua vida para transformar o filho num grande músico. Só que, ao mesmo tempo, tornou o rapaz ressentido pela falta de empatia, ignorando as dificuldades que ele enfrentava para atingir o nível exigido. Em seu aniversário de 60 anos, ela faz planos para ver o primeiro grande concerto de piano do filho. Mas não foi convidada e tudo indica que nem será bem-vinda à apresentação. O que não a impede de comprar todos os ingressos que encontra e distribuí-los para garantir lotação máxima. O drama de Jan-Ole Gerster (“Oh Boy”) venceu 12 prêmios internacionais, com destaque para o troféu de Melhor Atriz conquistado por Corinna Harfouch (“Aqui e Agora”), a Lara, no Festival de Karlovy Vary. Tom Schilling (de “Fabian – O Mundo Está Acabando”) interpreta seu filho. NO RITMO DA VIDA | NOW, VIVO PLAY, *VOD A produção canadense acompanha um jovem que se cansa de sua cidade e se muda para a casa da avó no interior, dividindo-se entre cuidar da senhorinha que começa a dar sinais de demência e trabalhar como drag queen em um bar local. O primeiro longa de Phil Connell atingiu 92% de aprovação no Rotten Tomatoes, venceu 10 prêmios em festivais do circuito LGBTQIAP+ e registrou um dos últimos papéis da veterana Cloris Leachman (vencedora do Oscar por “A Última Sessão de Cinema”), intérprete da vovó, que morreu em janeiro do ano passado. A QUEDA | FILMICCA O longa de estreia da ucraniana Marina Stepanska mostra uma juventude que busca encontrar seu lugar num país que apensas recentemente se libertou da influência soviética. Os personagens principais são Angon, um músico de sucesso que acaba de sair de um período de reabilitação, e Katia, que está prestes a se mudar para Berlim com seu namorado alemão. Um encontro casual cria complicações não intencionais para ambos. Lindamente filmado no interior da Ucrânia, com cenas lentas e questões políticas, conquistou três prêmios da Academia Ucraniana de Cinema, inclusive o troféu de Melhor Atriz para Darya Plakhtiy (“A Sniper Russa”). Todos os lugares vislumbrados na tela estão agora destruídos, assim como os sonhos da geração dos protagonistas. WHITE BUILDING | MUBI Um jovem enfrenta a perspectiva de demolição do conjunto habitacional em que viveu toda a vida na capital do Camboja, além das pressões da família, amigos e vizinhos que surgem e se cruzam neste momento de mudança repentina. Co-produzido pelo mestre chinês Jia Zhangke (“Amor Até as Cinzas”), o longa de estreia do cambojano Neang Kavich reflete o abandono dos mais pobres pelas autoridades das grandes cidades, que se tornam parceiras da especulação imobiliária. O também estreante Piseth Chhun, ator que vive o protagonista, foi premiado por seu desempenho no Festival de Veneza do ano passado. JUNTOS E ENROLADOS | NOW, VIVO PLAY, VOD* A nova aposta de humor popular brasileiro traz Cacau Protásio e Rafael Portugal como noivos que resolvem se divorciar em plena festa de casamento. A produção acabou ganhando notoriedade há dois anos e meio devido a ataques racistas contra Protásio, durante filmagens num quartel de bombeiros. A comediante interpreta uma bombeira na história. Ironicamente, o filme é exemplar por fazer humor sem ofender ninguém. Ao contrário, exalta a luta cotidiana dos trabalhadores brasileiros, ainda que apele para todos os clichês possíveis. A direção é de Eduardo Vaisman (“Valentins”) e Rodrigo Van Der Put (“Detetive Madeinusa”) e o elenco ainda reúne veteranos das comédias, como Fafy Siqueira, Neuza Borges, Tony Tornado e Berta Loran. BABENCO: ALGUÉM TEM QUE OUVIR O CORAÇÃO E DIZER PAROU | GLOBOPLAY O primeiro longa dirigido por Barbara Paz, eleito o Melhor Documentário do Festival de Veneza de 2019, aproveita a intimidade da diretora iniciante com o cineasta veterano. Parceira de vida de Babenco, Paz registrou com belíssima fotografia em preto e branco os últimos instantes do diretor – ele morreu em 2016, depois de uma luta contra o câncer – numa obra que também serve de testamento das realizações de um dos maiores cineastas do Brasil – mesmo ele sendo argentino. Selecionado para representar o Brasil no Oscar do ano passado, a produção teve uma trajetória internacional premiada e atingiu 80% de aprovação no Rotten Tomatoes. Além de grande conquista em Veneza, foi aclamado pela Academia Brasileira de Cinema com quatro troféus, incluindo vitórias nas categorias de Melhor Documentário e Melhor Filme de Estreia. * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Google Play, Looke, Microsoft Store e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
10 séries que estreiam em streaming
A lista de séries da semana tem diversão para todos os gostos, desde fantasia feminista até ação violenta masculina. Há também duas produções brasileiras, resultado da competição de plataformas rivais tentando aumentar sua influência no mercado nacional. E até a despedida de um estúdio de cinema indicado ao Oscar, com uma atração animada baseada em seu icônico mascote. Confira a seguir as 10 principais séries que chegam ao streaming, com informações e trailers de cada uma delas. ROAR | APPLE TV+ Antologia de fábulas sombrias e cômicas, “Roar” é um “Além da Imaginação” feminista, com oito episódios de meia hora que trazem narrativas, elencos e pontos de vista diferentes, sempre lidando com experiências bizarras de personagens distintos. Um dos capítulos, por exemplo, traz Nicole Kidman (“Big Little Lies”) como uma mulher que come fotografias. Em outro, Issa Rae (“Insecure”) é uma escritora que começa a desaparecer. A iniciativa da produção partiu das criadoras de “GLOW”, Liz Flahive e Carly Mensch, inspiradas pelo livro de mesmo nome de Cecelia Ahern. Além de estrelar, Nicole Kidman também é uma das produtoras do projeto, que ainda destaca em seu elenco Cynthia Erivo (“The Outsider”), Merritt Wever (“Inacreditável”), Fivel Stewart (“Atypical”), Betty Gilpin e Alison Brie (ambas de “GLOW”). OUTER RANGE | AMAZON PRIME VIDEO Parte “Yellowstone” e parte “Twin Peaks”, o neo-western fantasioso traz Josh Brolin (o Thanos de “Vingadores: Ultimato”) como um fazendeiro de Wyoming “lutando por sua terra e família”. Mas ao mesmo tempo em que enfrenta um rival (Will Patton, de “Yellowstone”) interessado em sua fazenda, uma mulher desconhecida (Imogen Poots, de “Natal Sangrento”) chega no local em busca de sinais misteriosos e um buraco negro, aparentemente sem fundo, abre-se na propriedade. Criada pelo estreante Brian Watkins, a série tem produção da Plan B, produtora de Brad Pitt, e conta com a cineasta Amy Seimetz (“Vou Morrer Amanhã”) entre seus diretores. O bom elenco ainda inclui Lili Taylor (“Perry Mason”), Tamara Podemski (“Coroner”), Lewis Pullman (“Top Gun: Maverick”) e Tom Pelphrey (“Ozark”). A RETALIAÇÃO | GLOBOPLAY O novo hit criminal israelense foi criado por Rotem Shamir e Yuval Yefet, respectivamente diretor e roteirista do fenômeno “Fauda”. Passada há 15 anos na costa dourada de Israel e inspirada em eventos reais, a trama traz Tsahi Halevi (o Naor de “Fauda”) como um detetive de polícia idealista e moralmente inabalável, que deixa para trás uma carreira de sucesso para voltar para sua cidade natal. Só que, ao chegar, encontra uma comunidade dominada por um senhor do crime e logo percebe que a única maneira de derrubar o criminoso é se tornar pior que ele. Maior sucesso de audiência da TV israelense dos últimos sete anos, já se encontra renovada para sua 2ª temporada. ANATOMIA DE UM ESCÂNDALO | NETFLIX A minissérie de suspense dramático produzida por David E. Kelley repete o clima de “The Undoing”, mergulhando numa família da elite britânica que se vê abalada por um escândalo, no qual a verdade se perde entre a justiça e o privilégio. A trama é baseada num best-seller de Sarah Vaughn e acompanha o impacto de uma acusação de estupro contra um membro do Parlamento britânico, levada adiante por uma advogada sem medo de abalar o poder político do Reino Unido, muito menos receio de destruir um casamento e a estima pessoal de uma família poderosa. Apesar de muitas reviravoltas e um elenco afinado, encabeçado por Rupert Friend (“Homeland”), Sienna Miller (“Sniper Americano”), Naomi Scott (“As Panteras”) e Michelle Dockery (“Downton Abbey”), foi considerada a mais fraca criação recente de Kelley, autor também de “Big Little Lies”, “Nove Desconhecidos” e “Big Sky”. SENTENÇA | AMAZON PRIME VIDEO Camila Morgado (“Bom Dia, Verônica”) vive uma advogada criminalista no mais novo thriller brasileiro. Acreditando que todos têm direito à defesa, por pior que tenha sido o crime cometido, ela assume um caso que chocou o país, de uma mulher que incendiou um policial. Mas isso a coloca no meio de uma disputa entre o líder da maior facção criminosa do Brasil e pessoas misteriosas que o querem morto. Criada por Paula Knudsen (“Spectros”) e dirigida por Marina Meliande (“A Alegria”) e a argentina Anahí Berneri (“Alanis”), a minissérie de seis episódios ainda traz Fernando Alves Pinto (“Vou Nadar Até Você”), Lena Roque (“Quanto Vale Ou É Por Quilo?”), Rui Ricardo Diaz (“Impuros”), Heloisa Jorge (“Sob Pressão”), Lourinelson Vladmir (“Insânia”), Samya Pascotto (“Amarração do Amor”), Pedro Caetano (“Sem Fôlego”), Lucinha Lins (“O Rico e Lázaro”), Arthur Kohl (“O Mecanismo”) e Bárbara Colen (“Bacurau”) em seu elenco. A SOGRA QUE TE PARIU | NETFLIX A sitcom brasileira criada e estrelada por Rodrigo Sant’anna evoca o clima de “Sai de Baixo”, com encenação teatral e risinhos da plateia – presentes até quando as piadas não tem graça. Novamente em papel feminino, após a Valéria do “Zorra Total” e a Graça do “Tô de Graça”, o humorista vive a Dona Isadir, que durante a pandemia se muda para a mansão do filho Carlos (Rafael Zulu), na Barra da Tijuca, e cria vários atritos com a nora Alice (Lidi Lisboa). Mas suas trapalhadas também divertem os netos (Pedro Ottoni e Bárbara Sut) e a emprega Marinez (Daniela Fontan), que trabalha há anos para a família. Importante destacar que o elenco é todo negro, algo ainda muito raro de se ver numa produção brasileira. VOTE JUAN | HBO MAX A comédia espanhola chega em suas três temporadas completas, contando a ascensão de um político ambicioso e sem caráter, vivido por Javier Cámara (de “Truman” e “Os Amantes Passageiros”). Ex-prefeito do interior transformado em ministro da Agricultura, ele cisma em concorrer ao cargo de presidente da Espanha e, em meio a uma sucessão de trapalhadas, o plano vai ganhando força. Com humor politicamente incorreto, a série criada por Diego San José (“Super Lopez”) lembra um pouco “Veep” em sua caricatura da política eleitoral. LEGENDS OF TOMORROW | NETFLIX Em uma de suas melhores temporadas, os heróis que viajam no tempo vão parar na era do jazz, são perseguidos por Elliott Ness, tentam impedir a 1ª Guerra Mundial e o desastre nuclear de Chernobyl, enfrentam cópias robóticas de si mesmos, conhecem o inventor da viagem no tempo e comemoram a produção de seu 100º episódio com a participação especial do elenco da temporada inaugural. Entretanto, o sétimo ano da produção também marcou as despedidas de mais dois personagens, John Constantine (Matt Ryan) e Nick Zano (Nate Heywood), e foi encerrado com a estreia de Booster Gold (Donald Faison) num cliffhanger que está matando os fãs de suspense, já que a próxima temporada ainda não foi confirmada. ULTRAMAN | NETFLIX Continuação da série clássica Tokusatsu dos anos 1960, o novo “Ultraman” foi desenvolvido pela Production I.G., produtora de “Ghost in the Shell: Stand Alone Complex”, em parceria com a Sola Digital Arts, de “Appleseed Alpha”. São duas escolas bem diferentes de animação, que se combinam com uma junção de computação gráfica e desenho tradicional, sob a direção de Kenji Kamiyama (de “Cyborg 009”) e Shinji Aramaki (de “Appleseed Alpha”). Em sua 2ª temporada, a atração junta várias gerações de heróis para enfrentar alienígenas que ameaçam extinguir a vida da Terra. A ERA DO GELO: AS AVENTURAS DO SCRAT | DISNEY+ A série animada estrelada pelo personagem Scrat, da franquia animada “A Era do Gelo”, introduz Baby Scrat, o filho adotivo do famoso esquilo pré-histórico, que apesar do amor compartilhado entra na disputa com o “pai” pela sonhada noz. Mas seu tom é de despedida. Com apenas seis episódios curtos, a única série derivada dos filmes de Chris Wedge e Carlos Saldanha marca a despedida do estúdio Blue Sky, criador de “A Era do Gelo”, “Rio” e “O Touro Ferdinando”, que foi extinto pela Disney em consequência da aquisição da 20th Century Fox. “As Aventuras de Scrat” foi sua última produção completada.
Faladíssimo, “Medida Provisória” é o filme pra ver no cinema nesta semana
Repercutindo durante toda a semana, graças à cobertura ampla da mídia e divulgação espontânea de perfis bolsonaristas contrariados, “Medida Provisória” chega aos cinemas com um dos filmes mais falados do Brasil nos últimos tempos. Nem parece que vai enfrentar um lançamento do universo de “Harry Potter”, tamanha a diferença de expectativa gerada por sua estreia, ainda que “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore” chegue em mais telas. A programação se completa com um documentário de K-pop e três títulos europeus de 2019, que aguardaram três anos por vaga no circuito limitado, além de sessões de pré-estreia de “DPA 3 – Uma Aventura no Fim no Mundo”, que vai disputar o público infantil de sexta (15) a domingo (17/4), antes do lançamento oficial. MEDIDA PROVISÓRIA A estreia de Lázaro Ramos como diretor de cinema produziu o filme mais falado do Brasil em 2022, da repercussão causada por sua exibição no “BBB” às redes sociais de políticos da extrema direita em busca de views. Prenúncio do que viraria o Brasil, foi planejado em 2017 e adapta uma peça teatral de 2011, mas bolsonaristas veem claramente o governo de seu mito retratado no pesadelo descrito na tela. Podia ser irônico, mas é mesmo infernal, para usar uma palavra da atriz Taís Araújo. A trama distópica se passa num futuro não muito distante, em que uma nova lei do governo federal de direita manda deportar todos os brasileiros de “melanina acentuada” para o continente africano. Com a desculpa de se tratar de uma reparação histórica, a iniciativa também visa acabar de vez com o racismo no Brasil, deixando o país só com brancos. Aplaudido pela crítica mundial, o filme foi comparado a “Corra!” e “The Handmaid’s Tale” nos EUA, atingindo 92% de aprovação no site americano Rotten Tomatoes. Tem sido exibido e premiado em festivais internacionais desde 2020, mas levou dois anos para chegar ao Brasil por enfrentar dificuldades envolvendo a Ancine, a Agência Nacional do Cinema, problema semelhante ao que também atrasou “Marighella”, de Wagner Moura, outro filme politizado com protagonista negro. Seu elenco destaca o inglês Alfred Enoch (de “Harry Potter” e “How to Get Away with Murder”), Seu Jorge (o “Marighella”), Taís Araújo (“Mister Brau”), Mariana Xavier (“Minha Mãe É uma Peça”), Adriana Esteves (“Benzinho”), Luís Miranda (“Crô em Família”), Renata Sorrah (“Árido Movie”), Jéssica Ellen (“Três Verões”) e o rapper Emicida. ANIMAIS FANTÁSTICOS: OS SEGREDOS DE DUMBLEDORE O terceiro prólogo de “Harry Potter” levanta a questão do quanto a nova franquia é realmente relevante para os fãs do bruxinho e qual a necessidade de estender sua narrativa de nota de rodapé por mais dois filmes, conforme planos da escritora/roteirista J.K. Rowling e do diretor David Yates, responsáveis por todos os capítulos lançados. Considerado medíocre pela crítica americana (56% de aprovação no Rotten Tomatoes), o filme “revela” os segredos de Dumbledore (Jude Law na versão mais jovem) já conhecidos pelos fãs da franquia: sua paixão pelo maior rival, Grindelwald (Madds Mikkelsen na versão politicamente correta). Representando a emergência do fascismo nos anos 1930, época em que o filme se passa, o vilão tenta transformar seus planos de extermínio em plataforma político-eleitoral, ao mesmo tempo em que o suposto protagonista Newt Scamander (Eddie Redmayne) embarca numa nova missão para justificar a quantidade absurda de coadjuvantes sem função na história, incluindo desta vez uma bruxa vivida pela brasileira Maria Fernanda Cândido (quase sem diálogos). O TRAIDOR O lançamento tardio do vencedor do David Di Donatello (o Oscar italiano) de 2020 coloca dois filmes com Maria Fernanda Cândido simultaneamente nos cinemas. Coprodução com o Brasil parcialmente bancado pela produtora nacional Gullane, o longa de Marco Bellocchio (“A Bela Que Dorme”) é uma cinebiografia de Tommaso Buscetta (vivido por Pierfrancesco Favino, da série “Marco Polo”), o o primeiro chefe de alto escalão da máfia a se transformar em informante da justiça – o traidor do título. Buscetta viveu o Brasil por um período e a produção tem cenas rodadas no Rio de Janeiro. Em seu primeiro papel internacional, Maria Fernanda interpreta a mulher do mafioso, que o convence a tomar a decisão de cooperar com a justiça italiana em 1984. A repercussão positiva da produção, que conquistou 21 prêmios importantes, abriu as portas para a atriz atuar no exterior. Depois do hollywoodiano “Animais Fantásticos 3”, ela já tem engatilhado o novo filme da francesa Lisa Azuelos (“Rindo à Toa”). VITALINA VARELA Mistura de documentário e ficção, o filme do premiado diretor português Pedro Costa (“Cavalo Dinheiro”) conta a história da mulher do título, nascida em Cabo Verde, que viu o marido ir embora para Lisboa em 1977, quando arranjou trabalho como pedreiro, e só foi conhecer Portugal recentemente quando ele morreu, para participar do enterro – que perdeu por chegar atrasada. O retrato de sua amargura chama atenção por ser lindamente fotografado, com cada frame assumindo aparência de pintura – visual reforçado pela predileção de filmagens noturnas e em ambientes internos de pouca luz, que conferem às cenas um visual expressionista. Venceu nada menos que 23 prêmios internacionais, inclusive o Sophia (o Oscar português) de 2020 nas categorias de Melhor Filme, Diretor, Atriz (a própria Vitalina Varela), Roteiro, Fotografia e Som (importante por ser um filme quase sem diálogos). LOLA E O MAR Indicado ao César (o Oscar francês) de 2020, o drama belga conta a história de Lola, uma adolescente trans que conta com o apoio de sua mãe para fazer a transição e mudar de vida. Só que a mãe morre repentinamente, o que leva Lola a bater de frente com seu pai distante e homofóbico, embarcando com ele numa jornada rumo ao mar para cumprir o último desejo da pessoa mais querida de sua vida. A estreante Mya Bollaers, que interpreta Lola, é um grande achado do diretor Laurent Micheli e sua performance valoriza muito a produção. SEVENTEEN POWER OF LOVE – THE MOVIE A banda de K-pop Seventeen ganha seu primeiro documentário depois de cinco álbuns de platina na Coreia do Sul, trazendo performances musicais e depoimentos de cada um de seus 13 (e não seventeen) integrantes.
10 séries novas para acompanhar em streaming
A programação de séries da semana está ótima para fãs de cinema, especialmente porque uma das atrações junta os diretores de “Shang-Chi” e do clássico “Fogo Contra Fogo”. Há também o final da adaptação de “Gomorra” e uma produção derivada da franquia iniciada por “O Código Da Vinci”. Produções europeias, entre elas a popular “Elite”, e uma nova série sul-coreana também se destacam na lista dos 10 principais títulos que chegam ao streaming. Confira abaixo os títulos selecionados com informações detalhadas e os respectivos trailers. TOKYO VICE | HBO MAX A minissérie de ação sobre o submundo da Yakuza é um thriller estiloso de grife, assinado por dois cineastas famosos: Destin Daniel Cretton (“Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis”) e o veterano Michael Mann (“Fogo Contra Fogo”). A trama se baseia no livro-reportagem de Jake Adelstein, em que o jornalista relata sua experiência nos dois lados da Lei em Tóquio, descrevendo o estilo de vida violento da máfia japonesa e a corrupção no departamento de polícia da capital. Estrelada por Ansel Elgort (“Amor, Sublime Amor”) no papel de Adelstein, a série também destaca em seu elenco Ken Watanabe (“Godzilla 2”), Hideaki Ito (“Memórias de um Assassino”), Shô Kasamatsu (“O Diretor Nu”), Tomohisa Yamashita (“The Head: Mistério na Antártida”), Rachel Keller (“Legion”), Ella Rumpf (“Raw”) e Rinko Kikuchi (“Círculo de Fogo”). GOMORRA | HBO MAX A série que superou a audiência de “Game of Thrones” na Itália encerra-se em sua 5ª temporada, mostrando a luta final pelo poder da Camorra, uma feroz organização criminosa napolitana. Desenvolvida por Roberto Saviano, autor do livro homônimo e de sua adaptação cinematográfica – o filme “Gamorra” (2008) – , a produção foi eleita a Melhor Série do Mundo durante seu lançamento no Festival de TV de Monte-Carlo. Exibida de 2014 a 2021, a trama rendeu um spin-off, o filme “O Imortal” (2019), que é sequência da 4ª temporada e também está disponível na HBO Max. ELITE | NETFLIX A 5ª temporada de “Elite” repercute os eventos traumáticos da season finale passada, entre eles o assassinato de Armando (Andrès Velencoso) e a hospitalização de Ari (Carla Díaz) após quase morrer afogada, além de trazer algumas novidades após a despedida de vários integrantes nos últimos capítulos. Entre os destaques estão as estreias do brasileiro André Lamoglia (“Juacas”), falando em português, e da argentina Valentina Zenere (“Sou Luna”), visando explorar a popularidade da série na América do Sul. GENTLEMAN JACK | HBO MAX A produção britânica de época era originalmente uma minissérie, mas fez tanto sucesso que neste domingo (10/4) inicia sua 2ª temporada. Ambientada na Inglaterra do século 19, conta a história real de Anne Lister (vivida por Suranne Jones), uma mulher muito à frente de seu tempo, que trocou os vestidos elaborados das damas de sua época por um traje masculino mais prático, assumindo-se lésbica e lutando para assumir os negócios da família e ficar rica. A trama é baseada no diário de Lister e registros da época, e é escrita, dirigida e produzida por Sally Wainwright (criadora de “Happy Valley”). O INFORMANTE | HBO MAX A produção húngara de espionagem se passa em 1985, nos últimos dias da Cortina de Ferro, e acompanha um estudante universitário que é coagido pelo Estado a espionar seus amigos para salvar seu irmão. Conforme o radicalismo dos estudantes aumenta, mais ele fica indeciso sobre o que fazer, especialmente após surgir a desconfiança de que um informante está infiltrado no grupo. DISQUE PRAZER | NETFLIX A série holandesa recria a origem dos serviços de sexo por telefone. Passada em Amsterdã nos anos 1980, a trama gira em torno de uma estudante ambiciosa, que descobre uma nova carreira por acaso, ao fazer gravações para um serviço de telessexo criado por dois irmãos bem diferentes. A primeira linha telefônica dedicada exclusivamente ao serviço vira um enorme sucesso, transformando a ideia de gravações picantes num negócio gigantesco. PRETENDENTE SURPRESA | NETFLIX A nova atração sul-coreana da Netflix é uma comédia romântica de erros. Tudo começa quando a protagonista é convencida por uma amiga a se passar por ela num encontro às cegas e fazer de tudo para ser rejeitada pelo homem que encontrará no jantar. Só que o plano começa a dar errado quando o homem do encontro se revela o CEO da empresa em que ela trabalha e, por motivos inesperados, ele acaba lhe fazendo uma proposta de casamento. Assim, o que deveria ser apenas um favor para uma amiga, transforma-se numa grande confusão. O papel principal é interpretado por Kim Sejeong, que iniciou a carreira no reality feminino “Produce 101” e fez parte dos grupos de K-pop I.O.I e Gugudan. O SÍMBOLO PERDIDO | GLOBOPLAY Baseada no livro homônimo de Dan Brown, a série apresenta uma aventura completa de Robert Langdon, personagem que foi interpretado por Tom Hanks em três filmes. Na trama, o professor de Harvard (agora vivido por Ashley Zukerman da série “Succession”) é convidado a desvendar o significado da pirâmide maçônica e impedir uma (mais uma, para quem viu os filmes) conspiração global. A atração durou apenas uma temporada com adaptação da Dan Dworkin e Jay Beattie (criadores da série sci-fi “The Crossing”), e também contava com produção do diretor Ron Howard, que filmou os longas da franquia: “O Código Da Vinci” (2006), “Anjos e Demônios” (2009) e “Inferno” (2016). THE HARDY BOYS | DISNEY+ A Disney+ está disponibilizando duas temporadas da nova versão dos detetives mirins – a 2ª em lançamento simultâneo com os EUA. Muito famosos, os irmãos Hardy já venderam dezenas de milhões de livros de mistérios juvenis desde sua concepção em 1927, tiveram sua primeira série da Disney em 1957, um desenho animado em 1969 e uma atração conjunta com Nancy Drew em 1977. Desenvolvida para o streaming pelos roteiristas Jason Stone (“É o Fim”), Chris Pozzebon (“Blindspot”) e Steve Cochrane (“Lost Girl”), a trama acompanha Frank (Rohan Campbell, de “Virgin River”) e Joe Hardy (Alexander Elliot, visto em “Locke & Key”) de mudança com o pai para a cidadezinha de Bridgeport. Ao procurar respostas para uma recente tragédia que mudou suas vidas, eles acabam descobrindo algo muito mais sinistro – mas também novos amigos. iCARLY | PARAMOUNT+ A 2ª temporada de “iCarly” é especialmente indicada para fãs de outra série infantil dos anos 2000, “Drake & Josh”. Para quem não lembra, antes de assumir o papel-título de “iCarly”, Miranda Cosgrove foi Megan Parker na série de Drake Bell e Josh Peck. E a participação de Peck é um dos pontos altos dos novos capítulos do atual revival, que se passa 10 anos após o final da atração original do Nickelodeon, mostrando o que aconteceu com Carly e seus amigos Spencer (Jerry Trainor) e Freddie (Nathan Kress) ao iniciarem a vida adulta.
10 filmes novos para ver em casa
Um filme inédito premiado no Oscar 2022 é o grande destaque da programação de estreias digitais da semana, que ainda tem boas opções para quem gosta de espionagem, thriller policial, comédia romântica e drama, sem esquecer um documentário importante sobre a Cracolândia de São Paulo. Confira abaixo os 10 principais lançamentos das plataformas de assinatura e VOD, com informações detalhadas e seus respectivos trailers. OS OLHOS DE TAMMY FAYE | STAR+ Jessica Chastain (“It: Parte 2”) venceu o Oscar 2022 de Melhor Atriz ao interpretar, com muita maquiagem prostética, o papel principal deste filme, inédito nos cinemas do Brasil. O drama conta como a televangelista americana Tammy Faye Bakker construiu um império religioso com seu marido Jim Bakker (vivido por Andrew Garfield, de “O Espetacular Homem-Aranha”) nas décadas de 1970 e 80, até ele ser preso por vários crimes de fraude e conspiração criminal em 1989. Sozinha, ele ficou ainda mais em evidência, passando a ser conhecida pela personalidade excêntrica e glamourosa – quase como uma caricatura na performance de Chastain. Escrito por Abe Sylvia (roteirista das séries “Disque Amiga para Matar” e “Nurse Jackie”) e dirigido por Michael Showalter (criador de “Search Party” e “Wet Hot American Summer”), o filme aproveita para desconstruir a defensora do materialismo da “teologia da riqueza”, que rachou com os televangelistas mais tradicionais ao defender pontos de vista éticos, particularmente na aceitação da comunidade LGBTQIAP+ e por oferecer apoio aos pacientes com HIV no auge da epidemia de AIDS. ALL THE OLD KNIVES | AMAZON PRIME VIDEO O thriller cerebral de espionagem à moda antiga é valorizado pela química do casal de protagonistas, Chris Pine (“Mulher-Maravilha 1984”) e Thandiwe Newton (“Westworld”). Apresentada em dois tempos distintos, a trama reverbera uma missão que deu errada em Viena e o reencontro dos dois ex-amantes e parceiros de equipe na Califórnia, anos depois, quando ele investiga se ela era uma agente dupla. Só que, mesmo depois de quase uma década, os sentimentos entre os dois continuam intactos e interferem em seu julgamento. O filme é uma adaptação do romance homônimo de Olen Steinhauer (criador da série “Berlin Station”), que assina o roteiro, e tem direção do dinamarquês Janus Metz (“Borg vs McEnroe”). Além do casal central, o elenco ainda conta com Laurence Fishburne (“Matrix”) e Jonathan Pryce (“Dois Papas”). METAL LORDS | NETFLIX Esta simpática comédia adolescente é mais uma história de garoto que conhece uma garota e… a convida para tocar baixo em sua banda. Como é regra, esta paixão pelo rock vai precisar superar obstáculos, em especial o guitarrista metaleiro que quer mais morte e destruição que uma love story em seu rock pesado. Mas o que parece um filme sem grande pretensões é resultado do encontro improvável de grandes talentos de áreas distintas. A trama foi concebida por ninguém menos que D.B. Weiss, um dos criadores de “Game of Thrones”, dirigida por Peter Sollett, do cultuado romance roqueiro “Nick & Norah: Uma Noite de Amor e Música”, e produzida por Tom Morello, guitarrista do Rage Against the Machine. Já o elenco destaca Jaeden Martell (“It – A Coisa”) e Isis Hainsworth (“Emma.”) como o casal central, e inclui até Noah Urrea, cantor da banda pop infanto-juvenil Now United, fingindo-se de roqueiro. FURIOZA | NETFLIX Furioza é o nome de um grupo hooligan que frequenta jogos de futebol na Polônia apenas para causar confusão e se envolver em brigas com torcidas rivais. Cada vez mais violentos, os vândalos chamam atenção da Justiça. Visando desvendar as ligações dos torcedores com o crime organizado, uma policial faz uma proposta ousada a um ex-namorado hooligan: ou ele se torna seu informante ou o irmão dele, envolvido nas ações, vai para a prisão com uma sentença pesada. Com cenas de violência brutal, o suspense criminal foi indicado a três Águias (o Oscar polonês). ZONA DE CONFRONTO | NETFLIX O premiado e violento filme dinamarquês acompanha dois policiais em patrulha num bairro de imigrantes árabes, que se veem cercados por uma turba cansada de racismo e precisam lutar por suas vidas. Indicado a 11 prêmios Robert (o Oscar dinamarquês), venceu dois, inclusive Melhor Atriz Coadjuvante para Özlem Saglanmak (“Filhos da Dinamarca”). O elenco também destaca Jacob Lohmann (“Loucos por Justiça”) e Simon Sears (“Sombra e Ossos”) como a dupla policial. AS GAROTAS DE CRISTAL | NETFLIX Sentindo a pressão que levou sua antecessora ao suicídio e o isolamento do ciúme das preteridas ao papel principal de um grande balé, a nova Prima Ballerina ignora conselhos e arrisca fazer amizade com uma colega, buscando criar um mundo só delas, longe da realidade. A produção espanhola volta a juntar a atriz Maria Pedraza (de “Elite” e “La Casa de Papel”) com o diretor Jota Linares após “Quem Você Levaria para uma Ilha Deserta?”, de 2019. CONSEQUÊNCIAS | NOW Premiado no Festival de Varsóvia, o drama psicológico gira em torno de um casal que vive às margens de um lago que atrai muitos pescadores. Até que um dia, inexplicavelmente, todos os peixes aparecem mortos. Enquanto o homem tenta repovoar a fauna do local, a esposa decide procurar emprego longe dali. Com o relacionamento do casal cada vez mais próximo do fim, uma mulher misteriosa surge em busca de refúgio, aumentando a instabilidade geral. O trio é interpretado por astros de filmes húngaros consagrados: Alexandra Borbély (“De Corpo e Alma”), Bogdan Dumitrache (“Instinto Materno”) e Diána Magdolna Kiss (“Deus Branco”). UM AMOR NECESSÁRIO | NOW A comédia francesa aborda o começo de um romance com humor bastante peculiar. Uma mulher impulsiva, que tem o carro roubado numa região de nudistas, invade repentinamente a rotina do policial que investiga o crime, fazendo-o repensar seu estilo de vida e até sua própria família. O elenco destaca Maud Wyler (“Instituto Voltaire”) e Swann Arlaud (“Como Virei Super-Herói”) como o casal central, e Nicolas Maury (“Garoto Chiffon”) e Fanny Ardant (a eterna “A Mulher do Lado”) como os parentes invasivos de Arlaud. A BELA E OS CÃES | NOW Antes de receber indicação ao Oscar com “O Homem que Vendeu sua Pele” (2020), o tunisiano Kaouther Ben Hania já chamava atenção em 2017 com esta denúncia de abuso filmada em seu país natal, mas que podia acontecer em qualquer outro lugar, especialmente no Brasil. No drama, uma estudante universitária procura ajuda após uma agressão brutal, mas enfrenta um pesadelo burocrático quando revela que seus agressores são policiais. Foi exibido no Festival de Cannes e premiado no Festival de Valladolid, na Espanha. CRACOLÂNDIA | NOW, VIVO PLAY, VOD* O cineasta Edu Felistoque (“Inversão”) chegou a se infiltrar barbudo em meio à Cracolândia para gravar com celular o impressionante fluxo de usuários de drogas, que persiste intocado no centro de São Paulo. Mas o preço das imagens foi ser injetado com uma seringa usada, contendo líquido não identificado, por uma trans empedrada. “Para mim, foi uma cobertura de guerra, mas nessa guerra eu conseguia chegar de metrô”, ele descreveu. Repleto de imagens impactantes, o documentário exibido na Mostra de São Paulo passada não é só registro do caos. Mais que isso, traz entrevistas com viciados, policiais, integrantes de ONGs e pesquisadores, em busca de soluções. * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Google Play, Looke, Microsoft Store e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
“Sonic 2: O Filme” é o maior lançamento dos cinemas
Maior lançamento desta quinta (7/4), “Sonic 2: O Filme” chega em 1,6 mil telas, ocupando os multiplexes espalhados pelos shopping centers de todo o Brasil. Por causa da pandemia, o filme original de 2020 teve sua trajetória nos cinemas interrompida antes de superar o recorde de bilheteria de “Pokémon: Detetive Pikachu”, mas ao repetir elenco e equipe (com direção novamente a cargo de Jeff Fowler), a Paramount reforça sua aposta na premissa para tentar liderar o mercado das adaptações de videogames. No circuito de arte, os destaques são três dramas europeus que foram recentemente indicados a prêmios das Academias de Cinema da Dinamarca, França e Itália. Completam a programação dois filmes brasileiros, saídos do circuito dos festivais nacionais. Confira abaixo maiores detalhes e os respectivos trailers dos seis títulos que entram em cartaz nesta semana. SONIC 2 – O FILME No mesmo tom de comédia infantil do primeiro filme, mas com mais personagens digitais, “Sonic 2” volta a mostrar que não há problemas que o ouriço mais veloz do mundo não possa vencer e canastrice que Jim Carrey não seja capaz de superar. Como o vilão bigodudo Dr. Ivo Robotnik, desta vez o comediante alista o fortão Knuckles para lutar contra Sonic e seu novo aliado Tails, recriando elementos da famosa franquia de videogames da SEGA – em meio a citações excessivas de filmes de super-heróis. Com personagens animados ligeiros e imagens de colorido intenso, a produção foca especificamente o público infantil, sem perder tempo em apresentar atrativos para os jovens adultos que cresceram jogando “Sonic”. O PACTO O veterano diretor dinamarquês Bille August (“Trem Noturno para Lisboa”) examina o final da vida de Karen Blixen (a autora do livro que virou o filme “Entre Dois Amores”), 17 anos após desistir de sua aventura na África e voltar para a Dinamarca. Destruída pela sífilis e arrasada por ter perdido sua fazenda e o amor de sua vida, ela se reinventa como uma superestrela literária, tornando-se mundialmente famosa, mas extremamente solitária aos 63 anos. Até conhecer o poeta Thorkild Bjørnvig, de 30 anos. Juntos, eles fazem um pacto: ela promete torná-lo um grande artista, em troca dele obedecê-la incondicionalmente – independentemente do preço. Intérpretes do casal central, Birthe Neumann (“Festa de Família”) e Simon Bennebjerg (“Lover”) venceram o Robert (o Oscar dinamarquês) de Melhor Atriz e Ator do ano. CAIXA PRETA O cineasta francês Yann Gozlan e o ator Pierre Niney voltam a trabalhar juntos num novo suspense após “O Homem Ideal” (2015). Desta vez, Niney é o técnico responsável pela investigação de um desastre aéreo, que transforma o exame dos sons registrados na caixa preta, encontrada nos destroços da queda, numa verdadeira obsessão. Indicado a cinco prêmios César (o Oscar francês), já foi exibido no Brasil durante o Festival Varilux do Cinema Francês do ano passado. TRE PIANI O premiado diretor italiano Nanni Moretti (“A Missa Acabou”) conta a história de três famílias que vivem em apartamentos diferentes no mesmo condomínio, todos confrontados com problemas muito intensos. Há uma mulher que luta contra a solidão e a áspera relação do marido com o irmão, um casal que enfrenta a terrível suspeita de que o seu vizinho, um idoso, abusou da filha, e pai e mãe desesperados, após seu filho atropelar e matar uma mulher. Baseado em romance de Eshkol Nevo, concorreu ao David di Donatello (o Oscar italiano) na categoria de Melhor Roteiro Adaptado. MAR DE DENTRO Um drama sobre a maternidade escrito e dirigido por mulheres. Assinado por Dainara Toffoli (da série “As Five”), traz Monica Iozzi (“Mulheres Alteradas”) no papel de uma profissional de sucesso que, ao se descobrir grávida de um colega de trabalho, tem de lidar com a transformação de seu corpo e sua vida. Mas o “pior” ainda está por vir. Quando o bebê nasce, ela precisa aprender a ser mãe mesmo sem sentir a menor vocação e vontade. A MESMA PARTE DE UM HOMEM O primeiro drama da documentarista Ana Johann se passa numa localidade isolada do interior, onde a personagem de Clarissa Kiste (“Amor de Mãe”) vive com a filha adolescente e o marido, até a chegada de um estranho (Irandhir Santos) despertar nela o desejo por tudo o que estava adormecido.
Vencedor do Oscar 2022 é destaque nas estreias em streaming
A programação de filmes da semana destaca um vencedor do Oscar 2022 com uma das maiores aprovações da crítica internacional dos últimos meses. Por outro lado, também tem dois filmes chamativos com algumas das piores críticas do ano. Entraram na lista porque são as únicas atrações da semana com elenco de estrelas hollywoodianas e porque, apesar do que diz a imprensa (inclusive a gente), despertam inegável interesse de boa parcela do público. É só conferir a lista abaixo, com mais detalhes e trailers, pra entender quais são os filmes bacanas e quais vocês vão preferir contra todos os alertas. DRIVE MY CAR | MUBI Vencedor do Oscar 2022 de Melhor Filme Internacional e mais 68 prêmios – 3 deles no Festival de Cannes – , o novo filme de Ryûsuke Hamaguchi (“Roda do Destino”) segue um diretor de teatro viúvo e ainda enlutado, que viaja a Hiroshima para dirigir uma peça. Para se locomover na cidade, ele passa a contar com uma motorista reticente. Mas ao longo do tempo em que passam juntos, essa estranha o ajuda a confrontar um segredo deixado por sua falecida esposa, que o assombra silenciosamente. Se por um lado é uma obra contemplativa de três horas de duração, por outro cada segundo conta, e essa duração é fundamental para a jornada dos personagens. Quem embarcar na proposta vai entender porque o filme japonês é quase uma unanimidade, com 98% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes. A FELICIDADE DAS PEQUENAS COISAS | NOW Primeiro filme do Butão a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Internacional – perdeu para “Drive My Car” – segue um jovem butanês, que sonha em se mudar para a Austrália e virar um cantor famoso, mas acaba enviado pelo governo para ser professor em Lunana, uma das regiões mais isoladas do mundo, onde deverá assumir uma escola infantil. Viajando a contragosto, ele logo descobre que aquele lugar não tem nada, nem quadro negro nem giz, mas se deixa contagiar pelas crianças, descobrindo a felicidade das pequenas coisas, conforme a moral da história explicitada pelo título. É uma história simples, que encantou a Academia pela simpatia e pela beleza da fotografia de cartão postal da região, localizada no Himalaia a quase cinco mil metros de altitude. Mas sua mensagem pode ser mais complicada do que aparenta, já que embute uma crítica ao desejo ocidental da busca pela fama e realização pessoal, evocando até o comunismo chinês, que na revolução cultural mandou 17 milhões de jovens intelectuais urbanos ao campo, para aprenderem “a felicidade das pequenas coisas”. APOLLO 10 E MEIO: AVENTURA NA ERA ESPACIAL | NETFLIX A melhor opção “hollywoodiana” da semana é a nova animação do diretor Richard Linklater (“Boyhood”). Com clima nostálgico e “lunático”, acompanha um adolescente típico do final dos anos 1960, que aprende o que são hippies ao mesmo tempo em que é recrutado para uma missão espacial secreta da NASA. Graças a um “acidente”, os cientistas construíram um módulo lunar muito pequeno, capaz de levar apenas uma criança em seu interior. E é assim que o jovem da cidade de Houston, no Texas, vira o primeiro astronauta a pisar na Lua, a bordo da Apollo 10 e Meio, lançada no meio tempo entre a criação do módulo e o primeiro voo tripulado “oficial” até a superfície lunar em 1969. “Apollo 10 e Meio” é a segunda animação de Linklater, e usa a mesma técnica de rotoscopia empregada para capturar expressões realistas do elenco de “O Homem Duplo” (2006). O elenco da nova produção reúne Zachary Levi (“Shazam!”), Jack Black (“Jumanji: Próxima Fase”), Glen Powell (“Estrelas Além do Tempo”) e outros. APRESENTANDO, NATE | DISNEY+ A divertida comédia infantil da Disney conta a história de Nate Foster, um menino hiperativo obcecado por musicais, que luta para conseguir papéis nas produções dramáticas de sua escola, enquanto fantasia em se tornar uma estrela da Broadway. De frustração em frustração, ele resolve arriscar tudo numa viagem para Nova York em busca de um papel e acaba viralizando de forma não intencional. Roteiro e direção são de Tim Federle, o criador de “High School Musical: A Série: O Musical”, mas o destaque é todo do estreante nas telas Rueby Wood, que viveu o protagonista Charlie na recente montagem da Broadway de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. No elenco, quem também chama atenção é Lisa Kudrow (de “Friends”), como a tia nova-iorquina derrotada, que Nate acha a pessoa mais legal de sua vida. A PROFESSORA DE VIOLINO | FILMICCA Nina Hoss (“Fênix”) venceu o troféu de Melhor Atriz do Festival de San Sebastián como a personagem do título, que enfrenta outros professores de sua escola de música para impôr a admissão de um aluno em quem vê um grande talento. Comprometida, ela se dedica tanto para prepará-lo para o exame final que se afasta de seu próprio filho, também violinista, e de seu marido. Mas no dia do exame, os eventos têm uma virada trágica. FILHO-MÃE | NOW Premiado em festivais internacionais, o primeiro drama do documentarista Mahnaz Mohammadi é sobre uma viúva que trabalha incansavelmente em uma fábrica falida para sustentar seu bebê e seu filho Amir de 12 anos, sem dar conta das despesas. Uma solução para suas dificuldades financeiras vem na forma de uma proposta de casamento do motorista de ônibus da fábrica. O problema é que ele tem uma filha da idade de Amir e a tradição iraniana dita que, se houver casamento, o menino não poderá compartilhar a casa da família. Sob os olhos críticos de sua comunidade e de seus colegas de trabalho hostis, a viúva se vê pressionada a tomar uma decisão, que pode salvá-la da miséria ou destruir sua família. A MULHER QUE FUGIU | NOW O novo drama minimalista do sul-coreano Hong Sang-soo (“Certo Agora, Errado Antes”) traz novas conversas em torno de mesas com comida e bebida, e passeios na praia. Sang-soo construiu toda sua filmografia premiada com cenas parecidas, repetindo sempre o mesmo esquema, que realmente impressiona críticos e curadores de festivais, capazes de ver novidades em cada variação estrelada pela musa do diretor, Kim Min-hee. “A Mulher que Fugiu” lhe rendeu o Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim de 2020. A trama, se é que se pode chamar assim, gira em torno da nova personagem de Kim Min-hee, que encontra três de suas amigas fora de Seul, enquanto seu marido está numa viagem de negócios. Elas têm uma conversa amigável, que dura 1h17. MOONFALL – AMEAÇA LUNAR | VOD* Em sua nova sci-fi apocalíptica, Roland Emmerich (“Independence Day”, “O Dia Depois do Amanhã”) volta a mostrar o mundo ameaçado de destruição por efeitos visuais grandiosos. Desta vez, é a lua que sai de órbita e inicia uma queda avassaladora sobre a Terra, abrindo buracos enormes no roteiro, assinado pelo diretor com a ajuda de dois especialistas em catástrofes planetárias, Spenser Cohen (“Extinção”) e Harald Kloser (“2012”). Esmagado pela gravidade das críticas (só 38% de aprovação), o filme revelou-se um verdadeiro desastre, que desperdiça um elenco formado por Halle Berry (“John Wick 3: Parabellum”), Patrick Wilson (“Aquaman”), John Bradley (“Game of Thrones”), Michael Peña (“Homem-Formiga e a Vespa”), Donald Sutherland (“The Undoing”) e Charlie Plummer (“Quem É Você, Alaska?”). A BOLHA | NETFLIX A nova comédia de Judd Apatow (“A Arte de Ser Adulto”) satiriza os bastidores de uma superprodução de Hollywood. A trama relata como a equipe e o elenco de um blockbuster com dinossauros tenta realizar seu filme no auge da pandemia. Para conseguir esse objetivo, todos são isolados e presos em seu hotel, ficando sem contato com o mundo externo. Curiosamente, isso realmente aconteceu. A premissa é uma sátira da forma como “Jurassic World – Domínio” foi realizado, mantendo astros numa “bolha de proteção” durante toda a filmagem em Londres para evitar a contaminação. “A Bolha” exagera a situação em prol do humor. Só que a crítica americana não achou a menor graça, resultando em apenas 24% de aprovação no Rotten Tomatoes (é o filme mais fraco da semana), apesar do elenco repleto de famosos – Pedro Pascal (“Mulher-Maravilha 1984”), Karen Gillan (“Jumanji: Próxima Fase”), David Duchovny (“Arquivo X”), Keegan-Michael Key (“O Predador”), Maria Bakalova (“Borat: Fita de Cinema Seguinte”), Kate McKinnon (“Caça-Fantasmas”), a esposa e a filha do diretor, Leslie Mann (“Mulheres ao Ataque”) e Iris Apatow (“Love”), entre outros. BRIAN WILSON: LONG PROMISED ROAD | NOW, VIVO PLAY, VOD* O documentário musical leva Brian Wilson de volta à casa em que compôs os maiores hits dos Beach Boys para falar sobre sua inspiração e os problemas mentais que o afligiram em sua busca por realizar uma obra-prima da música pop. E apesar das imagens históricas das gravações de 1966 e depoimentos de músicos famosos, o ponto alto da produção são as reminiscências e toda a emoção transmitida pelo próprio cantor e compositor ao falar sobre “Pet Sounds”. O disco foi considerado tão bom que, ao tentar superá-lo, os Beatles criaram “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, o que fez Wilson pirar ao ir além no inacabado “Smile”, mítico disco perdido de 1967, que só veio a ganhar edição oficial em 2011, completada pelo artista após sua “alta” psiquiátrica. Com direção de Brent Wilson (sem parentesco), que fez o documentário sobre doo-woop “Streetlight Harmonies” (2020), o filme foi premiado no Festival de Nashville. * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Google Play, Looke, Microsoft Store e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.
O novo herói da Marvel e as melhores séries da semana
O novo super-herói da Marvel é o destaque entre as séries estreantes da semana nas plataformas digitais. Mas há outras boas opções para os públicos mais adulto ou mais jovem. Na verdade, o que chama atenção na lista abaixo, com as melhores opções de lançamentos, é a ausência completa do nome Netflix. Com concorrência cada vez maior, as plataformas rivais perceberam que qualidade supera quantidade, uma equação que a pioneira do streaming nem sempre consegue totalizar. Confira abaixo os 10 principais títulos que chegam ao streaming, com informações detalhadas e os respectivos trailers. CAVALEIRO DA LUA | DISNEY+ Primeira série da Marvel a apresentar a origem de um novo personagem, “Cavaleiro da Lua” se diferencia das anteriores pelo próprio protagonista. Reinventada para o streaming, a trama reforça o aspecto único do herói, ao apresentá-lo como Steven, um inglês comum que tem apagões e acredita sofrer de sonambulismo. Até o dia em que uma escapada que parecia sonho o leva a ser perseguido por uma criatura sobrenatural e o único jeito de sobreviver é aceitar que possui uma segunda personalidade chamada Mark, capaz de resolver a situação. A interpretação de Oscar Isaac (da franquia “Star Wars”) alterna sotaques para deixar mais claro o transtorno dissociativo de identidade. Mas a origem de seus poderes ficou para os próximos episódios. Nos quadrinhos dos anos 1970, Mark Spector virava o Cavaleiro da Lua após encontrar o deus Khonshu numa missão como mercenário no Egito, transformando-se num avatar da divindade egípcia. A série está a cargo do roteirista-produtor Jeremy Slater, que criou “The Exorcist” e “The Umbrella Academy” (também sobre super-heróis, na Netflix), e a equipe conta com os diretores Mohamed Diab (“Clash”), uma das grandes revelações recentes do cinema egípcio, e a dupla Justin Benson e Aaron Moorhead, especialistas em terrores independentes, como os premiados e cultuados “Primavera” (2014) e “O Culto” (2017). O elenco ainda destaca Ethan Hawke (“Boyhood”), May Calamawy (“Rami”) e o francês Gaspard Ulliel (“Saint Laurent”), que faleceu em janeiro num acidente de ski. SLOW HORSES | APPLE TV+ Estrelada por Gary Oldman, vencedor do Oscar por “O Destino de uma Nação” (2017), a minissérie acompanha uma equipe de agentes da inteligência britânica que atua no departamento menos importante do MI5, onde funcionários vão para encerrar a carreira após cometerem erros no trabalho. Oldman é o líder dos espiões fracassados – 11 anos depois de “O Espião que Sabia Demais” – , lembrando a todos da irrelevância de suas funções, até que se vê precisando defendê-los, quando são envolvidos num complô inesperado e têm que mostrar a competência que nunca tiveram, para não virarem danos colaterais de seus superiores. Desenvolvida por Will Smith (não o ator, mas o roteirista da série “Veep”), a adaptação do livro homônimo de Mick Herron tem um elenco impressionante, que ainda inclui Kristin Scott Thomas (também de “O Destino de uma Nação”), Jonathan Pryce (“Dois Papas”), Jack Lowden (“Dunkirk”) e Olivia Cooke (“Jogador Nº 1”). UM LOBO COMO EU | AMAZON PRIME VIDEO A minissérie estrelada por Josh Gad (“A Bela e a Fera”) e Isla Fisher (“Truque de Mestre”) é um terror romântico. Eles se conhecem e se apaixonam num acidente de carro, mas um segredo da personagem de Fisher a faz fugir sempre que o envolvimento se torna mais sério. A atração foi concebida pelo australiano Abe Forsythe, diretor do terrir “Pequenos Monstros” (Little Monsters), que também foi estrelado por Gad. Ele assina o roteiro e a direção de todos os seis episódios, e ainda compartilha a produção executiva com Gad e Fisher. JULIA | HBO MAX A minissérie biográfica conta a história de Julia Child, pioneira dos programas de culinárias na televisão, que já tinha sido interpretada por Meryl Streep no filme “Julie & Julia” (2009). A trama utiliza seu sucesso para explorar um momento chave na evolução cultural dos EUA, incluindo o feminismo, a cultura das celebridades e a popularização dos canais públicos de TV. Criada por Daniel Goldfarb (produtor de “Maravilhosa Sra. Maisel”) e produzida por Christopher Keyser (criador de “Party of Five” e “The Society”), a atração destaca a inglesa Sarah Lancashire (“Happy Valley”) no papel-título. CLAWS | HBO MAX Inédita no Brasil, a série criada por Eliot Laurence (roteirista de “Bem-Vindos ao Mundo”) e produzida pela atriz Rashida Jones (séries “Parks and Recreation” e “Angie Tribecca”), “Claws” chega completa, com quatro temporadas disponibilizadas em streaming. Exibida até este ano nos EUA, a trama gira em torno de funcionárias de um salão de manicures que se transformam em gângsteres. Niecy Nash (“Scream Queens”) lidera o elenco no papel de Desna Simms, a proprietária do salão localizado no sul da Flórida, onde trabalham outras cinco mulheres: Polly (Carrie Preston, de “True Blood”), que cumpriu pena por roubo de identidade, Jennifer (Jenn Lyon, de “Justified”), uma garota tentando se livrar dos vícios, Quiet Ann (Judy Reyes, de “Devious Maids”), a segurança do lugar, e Virginia (Karrueche Tran, de “The Bay”), sempre entediada com o próprio trabalho. O problema é que, sob esse esmalte de normalidade, o salão é uma fachada para lavagem de dinheiro da máfia russa. E, ao longo da série, as manicures resolvem peitar os criminosos e construir seu próprio império. O INTERNATO: LAS CUMBRES | AMAZON PRIME VIDEO A série espanhola de terror adolescente retorna para uma 2ª temporada repleta de mistérios. Nos novos episódios, a morte de Cayetano desperta ainda mais o interesse dos alunos para descobrir quem está por trás de todos os estranhos assassinatos cometidos no internato de elite que batiza a atraçaõ. THE GOOD DOCTOR | GLOBOPLAY A atração estrelada por Freddie Highmore (de “Bates Motel”) está atualmente na reta final de sua 5ª temporada nos EUA. Por enquanto, foram disponibilizados apenas os sete primeiros capítulos dessa fase, que lidam com o noivado do protagonista. Desenvolvida por David Shore (o criador de “House”), a série traz Highmore como o Dr. Shaun Murphy, um médico autista, anti-social, terrível na hora de interagir com as pessoas, mas também brilhante e intuitivo quando o assunto é Medicina. Apesar disso, os novos episódios destacam sua trama romântica com Lea Dilallo (Paige Spara). BALTHAZAR | GLOBOPLAY A série procedimental acompanha casos policiais pelo ponto de vista do legista do título, um personagem excêntrico, que parece ser capaz de falar com os mortos para conseguir pistas de assassinatos. Grande sucesso da TV francesa, a produção é tipo “o crime da semana” e deve sua popularidade à química dos atores principais – Tomer Sisley (“Não Olhe para Cima”) como Balthazar e Hélène de Fougerolles (“Tudo pela Honra”) no papel da parceira policial relutante. Por enquanto, a Globoplay disponibilizou as duas primeiras temporadas, de um total de quatro já produzidas na França. LA GARÇONNE: DUPLA IDENTIDADE | GLOBOPLAY Passada na Paris da era do jazz, a produção francesa segue Louise Kerlac, que testemunha um assassinato e se torna a principal suspeita. Convencida de que só conseguirá descobrir o verdadeiro criminoso com ajuda da polícia, ela assume a identidade de seu irmão gêmeo e se torna detetive, seguindo a pista do desaparecimento de várias modelos de pintores de Montparnasse. Mas para se infiltrar na boêmia parisiense, precisa criar uma segunda personagem, uma versão extravagante e glamorosa de si mesma, passando a investigar como homem durante o dia e como mulher à noite. PHOENIX RISING: RENASCENDO DAS CINZAS | HBO MAX A minissérie documental traz Evan Rachel Wood falando sobre o abuso que sofreu nas mãos de Marilyn Manson (que ela chama pelo nome real, Brian Warner), abrindo espaço para novas denúncias contra o músico e para a luta de vítimas contra o limite de prescrição desse tipo de crime, que impede que abusadores sejam investigados depois de um certo tempo. Em um dos momentos mais fortes da produção, a estrela da série “Westworld” revela ter sido estuprada diante das câmeras no clipe de “Heart-Shaped Glasses”, lançado em 2007, quando ela tinha 19 anos – Manson estava com 38. Após a exibição do filme dirigido por Amy Berg (“Livrai-nos do Mal”) no Festival de Sundance deste ano, Marilyn Manson abriu processo contra a atriz por difamação, contestando suas alegações de abuso sexual, que chama de “falsidade maliciosa”. Ela respondeu com um “Não tenho medo”.
“Morbius” e “Alemão 2” são principais estreias de cinema
Após vários adiamentos devido à pandemia, “Morbius” tem lançamento de blockbuster nesta quinta-feira (31/3), chegando em cerca de 650 cinemas e 1,8 mil salas. O personagem-título faz parte do universo dos quadrinhos do Homem-Aranha, cujo último filme, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”, consagrou-se como a segunda maior bilheteria do país em todos os tempos. Só que a atual produção não agradou nada à crítica americana e, mesmo com uma estreia embalada pelo excesso de ofertas, deve ter uma passagem relâmpago entre os títulos mais vistos. Por isso, a melhor opção da semana é o policial nacional “Alemão 2”, que também é o segundo lançamento mais amplo, disponibilizado em 262 salas. Sequência do filme que vendeu quase 1 milhão de ingressos em 2014, “Alemão 2” não deve nada ao cinema de ação americano e é um retrato do Brasil atual. Além disso, é o primeiro título da Manequim Filmes, nova divisão da Vitrine dedicada a obras de maior apelo comercial. Há mais seis títulos, entre eles dois documentários brasileiros. À exceção da animação europeia “Epa! Cadê Noé? 2”, são todos lançamentos limitados. Confira abaixo a lista completa de estreias, principais detalhes e os respectivos trailers. MORBIUS Cercado de expectativas após o sucesso de “Homem-Aranha: Longe de Casa”, o novo filme da Marvel passado no universo do herói aracnídeo é um grande anticlímax. Destruído pela crítica internacional por ser 1h44 de tédio, atingiu apenas 19% de aprovação (e caindo) no Rotten Tomatoes e já está sendo cotado para o próximo troféu Framboesa de Ouro – que neste ano premiou seu astro, Jared Leto, como Pior Ator por “Casa Gucci”. No filme, Michael Morbius (Leto) é um bioquímico vencedor do Prêmio Nobel que, ao tentar descobrir a cura para sua doença terminal, transforma-se acidentalmente num vampiro. Embora tenha ficado superpoderoso como efeito colateral, ele precisa lutar contra o desejo de matar e se alimentar de sangue humano. O roteiro é da dupla Burk Sharpless e Matt Sazama (do infame “Os Deuses do Egito”), a direção está a cargo do sueco Daniel Espinosa (“Vida”) e o elenco inclui ainda Tyrese Gibson (“Velozes e Furiosos 8”), Jared Harris (“Chernobyl”), Adria Arjona (“Círculo de Fogo 2: A Revolta”), Matt Smith (“Noite Passada em Soho”) e Michael Keaton, retomando o papel do vilão Abutre de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” (2017). ALEMÃO 2 Lançado em 2014, “Alemão” mostrava uma equipe policial encurralada por traficantes no morro carioca que batizava a produção e se tornou um dos melhores thrillers brasileiros recentes. A continuação vai pela mesma trilha, acompanhando outra equipe encurralada após uma operação contra um líder do tráfico dar errado. Novamente dirigido por José Eduardo Belmonte, “Alemão 2” lembra que o Brasil sabe fazer bons thrillers policiais. Totalmente tenso e repleto de ação, o filme ainda embute crítica social e supera o primeiro por ser ainda mais realista. E o elenco também merece aplausos pela entrega, começando por Leandra Leal (“Aruanas”), Vladimir Brichta (“Bingo: O Rei das Manhãs”), Gabriel Leone (“Dom”), Mariana Nunes (“Carcereiros”), Aline Borges (“Verdades Secretas”), Dan Ferreira (“Segundo Sol”), Digão Ribeiro (“Dom”) e Zezé Motta (“3%”). EPA! CADÊ NOÉ? 2 Continuação de um desenho animado de 2015, a produção da Irlanda e de Luxemburgo representa um avanço técnico em relação ao original, mas a falta de uma boa história e a animação rígida dos personagens explicam seus meros 20% de aprovação no Rotten Tomatoes. O segundo filme pior avaliado da semana acompanha os animais da Arca de Noé em sua jornada, enquanto alguns caem no mar e vão parar em terra firme. A MULHER DE UM ESPIÃO O cineasta Kiyoshi Kurosawa tem se alternado entre terrores cultuados e dramas premiados. O novo trabalho pertence ao segundo grupo e conquistou nada menos que 9 prêmios internacionais, inclusive Melhor Direção no Festival de Veneza de 2020. A trama gira em torno da decisão de um comerciante de deixar sua esposa no Japão para viajar até a China no começo da 2ª Guerra Mundial, onde testemunha um ato de barbárie. Suas ações causam mal-entendidos, ciúmes e problemas legais para sua esposa. Melhor filme internacional da semana, tem 89% de aprovação no Rotten Tomatoes. MATEÍNA – A ERVA PERDIDA A comédia uruguaia imagina um futuro em que a erva-mate é considerada uma droga e proibida em todo o mundo. Para salvar não só o hábito, mas a identidade de seu povo, dois vendedores ilegais iniciam uma viagem rumo ao Paraguai para contrabandear a erva, perseguidos por um agente da lei implacável. Diretores e elenco são estreantes. PAJEÚ O primeiro filme solo de Pedro Diógenes, que anteriormente dirigiu seis longas em parcerias, combina fábula urbana com uma abordagem documental para contar a história de um riacho da cidade de Fortaleza, que atualmente corre encanado e esquecido sob a capital. A trama usa o recurso dramático da pesquisa de uma professora, após ter pesadelos recorrente com uma criatura que emerge das águas. Logo, o trabalho passa a questionar memória, tendo como parâmetro o esquecimento da origem da fonte da água pela população. O PRESIDENTE IMPROVÁVEL O documentário sobre o governo de Fernando Henrique Cardoso foi um caso exemplar da situação atual do comando da Ancine, entidade criada para fomentar a produção cinematográfica nacional. A mesma Ancine que liberou a captação de verbas para um filme sobre a eleição de Jair Bolsonaro (“Nem Tudo se Desfaz”) atacou esse trabalho de Belisário Franca (“Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil”) com censura política, dizendo que a aprovação de seu incentivo daria “margem a inegável promoção da imagem pessoal do ex-presidente da república homenageado no documentário, com o notório aproveitamento político, às custas dos cofres públicos”. Isso aconteceu no governo presidido por quem já disse que gostaria de matar FHC. Em 1999, Bolsonaro declarou seus planos de golpe e assassinato em massa, caso chegasse ao poder, com a seguinte frase histórica: “Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada. Você só vai mudar, infelizmente, quando um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil. Começando com FHC, não deixando ir para fora, não. Matando! Se vai (sic) morrer alguns inocentes, tudo bem”. Em contraste com o pior governo da História do Brasil, o documentário, que tem entrevistas de Gilberto Gil, Bill Clinton e Pedro Malan, entre outros, celebra o melhor presidente de todos, que implementou o Real, acabou com a inflação, privatizou a telefonia, dando início à era dos celulares, e quebrou patentes da indústria farmacêutica para baratear remédios com o lançamento dos genéricos, sem esquecer os auxílios à população, que foram a base sobre a qual Lula ergueu o Bolsa Família. Vale a pena assistir para comparar e constatar como o país perdeu o rumo. 1999 – A CONQUISTA DA AMÉRICA Conclusão de uma leva de documentários palmeirenses, que começou com “12 de junho de 1993 – O Dia da Paixão Palmeirense” e teve também “Palmeiras – O Campeão do Século”, o filme dirigido por Marcela Coelho, Mauro Beting e Ricardo Aidar celebra o primeiro título do Palmeiras na Copa Libertadores, conquistado em 1999.
Confira 10 séries que estreiam em streaming
O maior investimento da Paramount+ e a minissérie internacional mais elogiada da Apple TV+ vão disputar a preferência do público com um fenômeno da Netflix. Mas o Top 10 dos lançamentos da semana tem opções para outros gostos. Para as crianças, o destaque é a série infantil clássica brasileira “Cocoricó”, que finalmente estreia em streaming. E há um desenho que fará a alegria de muitos adultos, que finalmente poderão ver quatro volumes – até então inéditos no país – do cultuado anime “Ghost in the Shell: Arise”. Confira abaixo as 10 melhores séries que chegam ao streaming, seus principais detalhes e os respectivos trailers. HALO | PARAMOUNT+ Maior aposta da Paramount+, a série baseada no popular game do XBox capricha nos efeitos visuais, cenas de ação, escala épica e narrativa complexa, repleta de conflitos e personagens. Em desenvolvimento há quase uma década, a série acompanha a luta da humanidade contra uma aliança alienígena, mas deixa claro de imediato que a história não é tão simples, pois em meio a esse embate há rebeldes e inocentes na mira dos dois inimigos. A trama toma grandes liberdades em relação ao jogo lançado em 2001, sendo a menor delas o fato de o supersoldado Master Chief, estrela do game, tirar seu capacete. O personagem nunca revelou o rosto nos jogos, mas na série mostra logo as feições do ator Pablo Schreiber (“American Gods”). Ele lidera uma elite de combatentes que toma a frente da guerra interplanetária, mas o contato com uma tecnologia alienígena faz com que comece a questionar suas ordens e programação mental. A adaptação é assinada por Kyle Killen (criador de “Mind Games”) e Steven Kane (criador de “The Last Ship”), que foram demitidos sem alarde durante a produção, deixando o comando nas mãos de Otto Bathurst, cineasta de “Robin Hood: A Origem”, responsável pela direção de alguns episódios. Mas o nome mais imponente dos bastidores é o de Steven Spielberg, produtor da série via sua empresa Amblin, que tirou a adaptação do papel após várias idas e vindas. PACHINKO | APPLE TV+ O melodrama épico conta uma história que atravessa décadas, acompanhando integrantes da mesma família coreana. Com imagens belíssimas, que reforçam a ambição e a amplitude da trama, a produção falada em três idiomas dá vida ao aclamado romance homônimo de Min Jin Lee, que tem como pano de fundo o amor proibido da protagonista Sunja, que viaja entre a Coréia, o Japão e os EUA, em épocas de guerra e de paz, e enfrenta perda, triunfo e acerto de contas. Criada, escrita e produzida por Soo Hugh (criadora da série de terror “The Whispers”), a série destaca as atrizes Minha Kim, Yu-na Jeon e Youn Yuh Jung (vendedora do Oscar pelo filme “Minari: Em Busca da Felicidade”) que interpretam a personagem principal em três fases distintas da história Com oito capítulos, “Pachinko” disponibiliza os três primeiros nesta sexta (25/3) e seguirá com exibição de inéditos todas as sextas-feiras. BRIDGERTON | NETFLIX A adaptação do segundo volume da saga literária de Julia Quinn é basicamente uma reprise com sexos trocados do primeiro ano da produção. Mas com uma desvantagem: sem o clima escandaloso. Depois de adaptar “O Duque e Eu”, com foco em Daphne Bridgerton (Phoebe Dynevor), a filha mais velha da família Bridgerton, e seu namoro e casamento com o Duque de Hastings (Regé-Jean Page), a nova temporada traz às telas “O Visconde que Me Amava”, em que o solteiro mais cobiçado da temporada de bailes é Anthony Bridgerton (Jonathan Bailey). E quem rouba seu coração é uma recém-chegada a Londres: a inteligente e charmosa Kate Sharma, que não tolera idiotas – incluindo o pretendente de sua irmã, que é justamente Anthony. Com a escalação de Simone Ashley (“Sex Education”) para o papel de Kate e Charithra Chandran (“Alex Rider”) como sua irmã Edwina, a série continua sua reformulação do universo literário. Nas obras de Julia Quinn, tanto o Duque de Hastings quanto a família de Kate são brancos – a nova heroína romântica é até retratada como loira na capa nacional do segundo volume. Desta vez, porém, a mudança vai além do tom de pele e cor do cabelo. A família da personagem teve até o sobrenome alterado para refletir sua mudança racial na série – deixando de ser Sheffield, como no texto original. Quem imaginava protestos dos fãs dos livros tem se surpreendido com os elogios ao elenco multirracial, que acabou virando uma marca da série. Na verdade, trata-se de uma característica das produções da Shondaland, empresa de Shonda Rhimes (criadora de “Grey’s Anatomy” e “Scandal”), que deve ser mantida em todas as temporadas de “Bridgerton”. O problema é que o frescor da novidade já se foi na primeira continuação. DOUGH: O GANHA-PÃO | GLOBOPLAY O suspense criminal sueco gira em torno de duas mulheres de extremos opostos da sociedade: a empresária Malou (Helena af Sandeberg, de “Alana”), obcecada por status social, que se deu mal com seu último empreendimento, e Liana (Bianca Kronlöf, de “Meu Pequeno Macaco”), uma mãe solteira endividada, abandonada pelo namorado que foi preso num grande roubo. Todos estão convencidos de que Liana escondeu o dinheiro roubado, mas a fortuna é encontrada por acidente por Malou, escondida num bosque. Para lavar o dinheiro, ela decide abrir uma padaria, o que faz o destino das duas mulheres se cruzarem de uma maneira que elas nunca poderiam imaginar. A série é uma criação do cineasta georgiano Levan Akin (do premiado drama “E Então Nós Dançamos”), que também dirigiu dois episódios. NÃO FOI MINHA CULPA: MÉXICO | STAR+ A produção é uma antologia centrada em casos de feminicídio do México, num projeto que também inspira produções similares na Colômbia e no Brasil. A produção nacional já foi totalmente gravada em São Paulo, com produção da Cinefilm, e se passa durante o carnaval, acompanhando dez personagens diferentes. Mas a mexicana chegou antes ao streaming. Os 10 episódios reúnem atores conhecidos do México, como Paulina Gaitan (“O Presidente”), Damián Alcázar (“Alcapulco”), Raúl Méndez (“Sense8”), Vicky Araico (“A Bandida”), Nuria Vega (“Señorita 89”) e Mabel Cadena (“A Deusa do Asfalto”). A ILHA DA FANTASIA | GLOBOPLAY O reboot repete a estrutura da série clássica dos anos 1970, trazendo a cada capítulo diferentes hóspedes à ilha do título em busca da realização de seus sonhos e desejos, despedindo-se do resort de luxo totalmente transformados pela experiência. As praias estonteantes e até o pequeno hidroavião retrô que marcava o começo de todos os capítulos da série clássica também continuam presentes. Mas os personagens fixos sofreram grandes mudanças. Para começar, não há um novo Tattoo. E quem veste os ternos brancos do anfitrião agora é uma mulher, Elena Roarke, parente do Sr. Roarke original (Ricardo Montalban). Na nova versão concebida pelas produtoras-roteiristas Liz Craft e Sarah Fain (ambas de “The 100”), o papel principal é vivido por Roselyn Sanchez (“Devious Maids”). Após a exibição dos dois primeiros episódios na TV aberta, todos os capítulos da 1ª temporada chegaram na Globoplay UNIVERSOS PARALELOS | DISNEY+ A série francesa acompanha quatro melhores amigos que, numa noitada de festa, são enviados para diferentes dimensões e iniciam uma busca complexa por respostas para entender o que aconteceu e como podem retornar às suas antigas vidas, apesar do tempo ter passado de forma diferente para cada um e dos novos poderes que começam a manifestar. Comparada a “Dark”, mas com abordagem juvenil, a atração foi escrita e produzida por Quoc Dang Tran, autor da assustadora série de terror “Marianne”, na Netflix. COCORICÓ | DISNEY+ A série de fantoches criada em 1996 pela TV Cultura finalmente chega ao streaming, pronta para conquistar uma nova geração de fãs, graças a continuidade de seu apelo entre as crianças, comprovado pelas inúmeras reprises em cada vez mais canais. A trama gira em torno de Júlio, um menino simples de 8 anos de idade que nasceu na cidade grande e decide passar as férias escolares na fazenda de seus avós. Na fazenda Cocoricó, ele descobre que, longe da cidade, os animais não só falam como cantam, dançam e aprontam muitas confusões. Divertindo-se com a animação, Julio decide ficar por lá para sempre, acompanhando as músicas dos bichos com sua gaita de boca. GHOST IN THE SHELL: ARISE | HBO MAX A HBO Max disponibilizou quatro volumes da “série” inspirada pelo cultuado manga de Masamune Shirow, sobre a equipe da ciborgue Motoko Kusanagi, que combate terrorismo cibernético no futuro. Concebidos de forma individual, cada um dos volumes (ou Limites) conta uma história completa, com a primeira, subtitulada “Dor Fantasma”, servindo como reboot da franquia cyberpunk, que chegou às telas em 1995 com um famoso longa animado dirigido por Mamoru Oshii. Lançada em homevideo (e não na TV) entre 2013 e 2014, a coleção “Ghost in the Shell: Arise” apresenta novos designs de personagens e é dirigida por Kazuchika Kise, que trabalhou na animação do longa original e em vários animes importantes, como “Seu Nome” (2016) e “O Tempo com Você” (2019). DE RAINHA DO VEGANISMO A FORAGIDA | NETFLIX Quem devorou a história de “O Golpista do Tinder” vai adorar os quatro episódios dessa nova produção de “true crime”, que conta como a proprietária do restaurante vegano mais famoso de Nova York casou com um golpista e virou presidiária. No auge da fama, Sarma Melngailis, uma das mais aclamadas profissionais de culinária, apaixonou-se pelo misterioso Anthony Strangis, um homem que conheceu através da internet, que se apresentou como agente secreto, milionário e cheio de segredos, que prometeu pagar todas suas dívidas e, através de poderes mágicos, transformá-la e seu cãozinho favorito em imortais. Eles se casaram em 2012 e ele tirou todo o dinheiro que ela possuía, arrastando-a também a um grande esquema de corrupção, que resultou no roubo de milhares de dólares da equipe de seu restaurante. Sarma e Anthony foram acusados de furto, fraude fiscal criminal, violação do trabalho, entre outros crimes. Após um acordo com os promotores, ela ficou quatro meses presa, divorciando-se em 2018. A série conta com depoimentos dos ex-funcionários, amigos e da própria Sarma Melngailis, que aborda pela primeira vez para as câmeras os detalhes de sua queda na desgraça. O produtor Chris Smith é o mesmo do fenômeno documental “A Máfia dos Tigres”.
Confira 10 filmes que chegam em streaming
A seleção de estreias digitais destacam um indicado ao Oscar e um dos melhores filmes brasileiros da temporada de premiações. Há também produções europeias de grande orçamento, um filme de guerra ultrarrealista filmado em meio aos conflitos da Síria e um novo terror racial norte-americano, entre as opções preferenciais. Desta vez, porém, a lista não abrange os 10 melhores filmes da semana porque contempla uma produção abaixo da crítica, que completa a relação apenas por ser o título com maior apelo comercial. Muitos não resistirão em ver, por isso sua presença contém alertas de desastre, que podem ser facilmente identificados abaixo. Confira os principais detalhes e os respectivos trailers dos lançamentos disponíveis para programar o cinema em casa. SPENCER | VOD* Kristen Stewart foi indicada ao Oscar 2020 por seu desempenho ao dar vida ao momento em que a Princesa Diana decide, durante as férias de Natal com a família real, encerrar seu casamento e sair da monarquia. O título faz referência ao nome de solteira da mãe dos príncipes Harry e William. “Spencer” tem direção do chileno Pablo Larrain, que já retratou a ex-primeira dama americana Jacqueline Kennedy em seu momento mais traumático, no filme “Jackie” (2016), e conta com roteiro de Steven Knight (criador de “Peaky Blinders”). Mas é Stewart que fez o filme ser elogiado pela crítica – 83% de aprovação no Rotten Tomatoes. O fato dela ter sido esnobada pelo Sindicato dos Atores dos EUA, que não a indicou em seu prêmio anual, foi tratado como escândalo pela imprensa americana. O equívoco foi prontamente corrigido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que pode consagrá-la na entrega do Oscar neste domingo (27/3). DESERTO PARTICULAR | HBO MAX Premiado no Festival de Veneza e escolhido como representante do Brasil para tentar vaga de Melhor Filme Internacional no Oscar 2022, o novo drama de Aly Muritiba (“Ferrugem”) lida com aquilo que o diretor chama de “os afetos masculinos no Brasil contemporâneo”. Antonio Saboia (“Bacurau”) vive um policial curitibano que se relaciona virtualmente com uma moradora do sertão da Bahia. Ao ser afastado da corporação por um erro, ele decide partir em busca da namorada virtual, que desapareceu misteriosamente, sendo surpreendido em sua jornada ao encontrar o personagem de Pedro Fasanaro (“Onde Nascem os Fortes”). Elogiadíssimo pela crítica internacional, o filme brasileiro tem 100% de aprovação no site americano Rotten Tomatoes. ADEUS, IDIOTAS | NOW, VIVO PLAY, VOD* Esta comédia de humor sombrio foi a grande vencedora do prêmio César, considerado o “Oscar francês”. Consagrada como Melhor Filme Francês do ano, o longa conquistou ao todo cinco estatuetas na cerimônia de 2021, incluindo Melhor Direção e Roteiro Original para o cineasta Albert Dupontel. A trama absurda acompanha uma mulher gravemente doente (Virginie Efira, de “Benedetta”) que tenta encontrar seu filho há muito perdido com a ajuda de um burocrata suicida (o próprio Dupontel) e um ativista cego (Nicolas Marié). Os três se aliam após a tentativa de suicídio do burocrata ser confundida com um ataque armado à repartição pública em que se encontram. Com o esvaziamento súbito do prédio, cercado pela polícia, os homens tratam de ajudar a mulher sem a frieza dos funcionários da instituição que lhe embarreirava. SUITE FRANCESA | MUBI O romance entre uma camponesa e um oficial alemão durante a ocupação nazista da França tem como destaque o elenco feminino, que conta com Michelle Williams (“Venom”), Kristin Scott Thomas (“O Destino de uma Nação”), Margot Robbie (“O Esquadrão Suicida”) e Ruth Wilson (“The Affair”). A produção europeia é dirigida pelo britânico Saul Dibb (“A Duquesa”). 100 DIAS DE RESISTÊNCIA | NOW, VIVO PLAY, VOD* Filmado na região do Curdistão da Síria, em meio à guerra civil, o filme do turco Ersin Çelik tem um realismo impressionante. A trama acompanha uma jovem que volta à terra natal atrás dos restos do irmão, assassinado pelo Estado Islâmico. Mas ao chegar lá, encontra o povo em revolta, lutando contra o governo por sua autonomia política. A revolta dura 100 dias de tiros, explosões e mortes. O roteiro é baseado nos diários de quem morreu lutando e no depoimento dos sobreviventes – que, por sinal, também interpretam os protagonistas do filme. FANTASMAS DO PASSADO (MASTER) | AMAZON PRIME VIDEO Regina Hall (“Nove Desconhecidos”) vive a primeira mulher negra encarregada de uma residência de estudantes de uma universidade de elite na região americana da Nova Inglaterra. Determinada a renovar o ambiente sufocado por tradições seculares, ela logo percebe um clima sinistro entre os colegas, que coloca em risco uma estudante negra (Zoe Renee, de “Nancy Drew e a Escada Secreta”) recém-chegada, cheia de energia e otimismo, que não acredita quando lhe dizem que o local é amaldiçoado. Estreia de Mariama Diallo (da série “Random Acts of Flyness”) na direção de longa-metragem, teve première no Festival de Sundance e atingiu 74% de aprovação no Rotten Tomatoes, elogiado pela forma como explora as tensões raciais no espaço das universidades americanas. EIFFEL | AMAZON PRIME VIDEO, VOD* Versão romanceada da construção da Torre Eiffel, o filme de Martin Bourboulon (“Relacionamento à Francesa”) se destaca pela recriação de época, figurino e efeitos visuais, que lhe renderam indicações a três prêmios César (o Oscar francês). A trama acompanha o famoso engenheiro Gustave Eiffel (Romain Duris, de “Uma Nova Amiga”), que após terminar de colaborar com o projeto da Estátua da Liberdade, recebe a encomenda de algo espetacular para a Feira Mundial de Paris de 1889. Só que Eiffel quer simplesmente projetar o metrô. Até cruzar com uma misteriosa mulher de seu passado (Emma Mackey, de “Sex Education”), que o inspira a transformar a Paris para sempre. UMA VOZ CONTRA O PODER | VOD* O veterano Christopher Walken estrela a história real de um fazendeiro em luta contra a Monsanto, uma das maiores corporações do agronegócio mundial, que acredita ter direito a toda a sua plantação, após ele usar sementes que supostamente seriam patente registrada. Sua batalha recebe apoio de ambientalistas, mobiliza a mídia, vai parar nos tribunais e chega até a Suprema Corte dos EUA, transformando-o na voz de todos os pequenos agricultores que enfrentaram o mesmo abuso em todo o mundo. Dirigido por Clark Johnson (“Juanita”), o drama atingiu 76% de aprovação no Rotten Tomatoes e ainda inclui em seu elenco Christina Ricci (“Yellowjackets”), Zach Braff (“Doze É Demais”), Adam Beach (“O Canto do Cisne”) e Luke Kirby (“The Deuce”). MOUTHPIECE | MUBI Lançado em 2018, o filme mais recente da canadense Patricia Rozema acompanha Cassandra, uma mulher de luto, incapaz de pensar direito após a morte súbita de sua mãe. Enquanto ela sofre com os preparativos do enterro, sua família tenta convencê-la a não fazer o discurso fúnebre que insiste em realizar, mesmo sem saber o que dizer. O que poderia virar um melodrama tradicional se diferencia pela ideia de apresentar duas mulheres interpretando o “eu” fraturado da protagonista, o que dá à produção um toque surrealista. O roteiro baseia-se em uma peça escrita pelas atrizes principais, as estreantes no cinema Amy Nostbakken e Norah Sadava, que interpretam as versões alta e baixa de Cassandra. AS AGENTES 355 | VOD* Fracasso de crítica (só 25% de aprovação no Rotten Tomatoes) e bilheteria, o thriller de espionagem feminino faria mais sentido como uma produção da Netflix, que se especializou em transformar filmes de ação genérica em sucessos de streaming. Na trama, espiãs de diferentes agências internacionais resolvem se aliar para enfrentar um “inimigo invisível” em comum. O elenco reúne a americana Jessica Chastain (“X-Men: Fênix Negra”), a alemã Diane Kruger (“Em Pedaços”), a mexicana/queniana Lupita Nyong’o (“Pantera Negra”), a espanhola Penélope Cruz (“Mães Paralelas”) e a chinesa Fan Bingbing (“X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”). Só que o roteiro foi escrito por Theresa Rebeck (do infame “Mulher-Gato”) e a direção ficou a cargo de Simon Kinberg em seu segundo trabalho oficial na função (após o abissal “X-Men: Fênix Negra”). * Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Google Play, Looke, Microsoft Store e YouTube, entre outras, sem necessidade de assinatura mensal.












