Cine Holliúdy vai virar série de comédia da Globo
A comédia “Cine Holliúdy”, sucesso inesperado do cinema brasileiro em 2013, vai virar série da Globo. Dirigido por Halder Gomes, o filme começou como fenômeno cearense, exibido em apenas nove salas do estado, para virar uma das maiores bilheterias do ano e vencer o prêmio de Melhor Comédia, conferido pela Academia Brasileira de Cinema. Mistura de “Os Trapalhões” e “Cinema Paradiso”, o filme contava as peripécias de um cineclubista – ou melhor, “cinemista” – para exibir filmes no único cinema de sua cidadezinha do interior cearense, durante os anos 1970. Segundo o jornal O Globo, a série vai manter a ambientação e voltará a trazer o ator Edmilson Filho no papel do idealista Francisgleydisson, dono do Cine Holliúdy, mas mudará a premissa, tomando emprestado de “O Bem Amado” o antagonismo do prefeito local. Além disso, o personagem de Edmilson deixará de ser um homem de família para virar um solteirão, que se envolve com a enteada de seu rival. Matheus Nachtergaele (“Trinta”) vai integrar o elenco como o prefeito de Pitombas, cidade fictícia do Ceará em que a trama se passa. Heloísa Périssé (“Odeio o Dia dos Namorados”) foi escalada como sua esposa, “importada” de São Paulo, e Letícia Colin (“Entre Irmãs”) como a enteada do prefeito – batizada, apropriadamente, de Marilyn. É para agradar as duas que o prefeito Olegário decide comprar a primeira televisão da cidade, e instala o aparelho em praça pública. “Com a chegada da televisão, o cinema perde seu público. Mas Francisgleydisson é um contador de histórias e começa a produzir seus próprios filmes para atrair as pessoas”, conta Halder Gomes. O diretor do filme vai compartilhar a direção da série com Patrícia Pedrosa (de “Mister Brau”), e o elenco contará com muitas participações especiais, como Miguel Falabella (série “Sai de Baixo”), Ney Latorraca (“Irma Vap: O Retorno”), Tonico Pereira (série “A Grande Família”) e Ingrid Guimarães (“De Pernas pro Ar”). A produção da Globo, que ainda não tem previsão de estreia, será a terceira versão da história, já que “Cine Holliúdy” começou como um curta – “Cine Holiúdy: O Artista Contra o Cabra do Mal”, de 2004. Além da série, Halder Gomes também trabalha numa continuação para o cinema. “Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral” já foi totalmente filmado e deverá ganhar lançamento ainda neste semestre.
O Shaolin do Sertão vai ganhar continuação
Graças às ótimas médias de público, “O Shaolin do Sertão” vai ganhar continuação. O próprio cineasta Halder Gomes anunciou a novidade, avisando que a Downtown Filmes deu o sinal verde para a produção. “Diga ao povo que vai ter ‘O Shaolin do Sertão 2′”, ele escreveu no Facebook. A comédia já foi assistida por cerca de 440 mil espectadores, 150 mil só no Ceará, onde se tornou o filme brasileiro mais bem-sucedido de todos os tempos. Deste modo, “O Shaolin do Sertão” será o segundo longa de Halder a ganhar continuação. Atualmente, o diretor trabalha na sequência de seu sucesso anterior, “Cine Holiúdy” (2012). Os dois filmes têm em comum, além do diretor e do ator Edmilson Filho, um humor despretensioso, que referencia “Os Trapalhões” e a cultura do sertão nordestino, num contraste marcante com os besteiróis urbanos feitos no Rio e São Paulo. “O Shaolin do Sertão 2” terá novamente roteiro de L.G. Bayão e seguirá Aluísio Li (Edmilson Filho) em busca de suas “raízes chinesas”. Com o sucesso, o diretor até pretende convidar ídolos das artes marciais nacionais e um “ídolo internacional dos filmes de luta” para participarem da sequência, que só deve chegar aos cinemas em 2018. Aproveite e leia a crítica de “O Shaolin do Sertão”.
Campeão de bilheterias, O Shaolin do Sertão confirma-se como fenômeno popular cearense
A comédia “O Shaolin do Sertão”, de Halder Gomes, é oficialmente um fenômeno cearense. Lançado na quinta-feira (13/10) em sete municípios do Ceará, levou cerca de 45 mil pessoas aos cinemas no fim semana de estreia. “O Shaolin do Sertão” abriu em 1º lugar em 18 dos 19 cinemas cearenses em que está sendo exibido, segundo os dados do ComScore. Com 1290 ingressos vendidos por sala, também obteve a melhor média de público do final de semana. O longa é a segunda “comédia cearense” de Halder Gomes, diretor do sucesso regional “Cine Holliúdy” (2012), estrelado pelo mesmo ator, Edmilson Filho. Acompanhando um jovem sertanejo que se imagina num universo paralelo, onde é campeão de kung fu e salva a amada de inúmeros inimigos, o longa homenageia os filmes de artes marciais com humor popular, repleto de ação e piadas ao estilo dos Trapalhões. Por sinal, Dedé Santana faz uma participação na história. Leia a crítica aqui. O sucesso da comédia logo será testado em outros estados brasileiros, com a ampliação do lançamento para novas praças na quinta-feira, dia 20 de outubro.
O Shaolin do Sertão vai de Tarantino a Didi Mocó em busca do riso fácil
O sucesso popular e o caráter de novidade de “Cine Holliúdy” (2012) fizeram com que Halder Gomes se tornasse um nome quente. Não que o filme tenha sido a estreia dele na direção. Mas é como se fosse: era o seu projeto mais autoral, reunindo duas coisas que muito lhe agradavam: as artes marciais e o humor tipicamente cearense, com intenção, inclusive, de apresentar para os quatro ventos o “cearês”, o linguajar típico regional. “O Shaolin do Sertão” dá seguimento a esse projeto de comédia regional com ambição de ganhar o Brasil, e talvez até mesmo de ser vista com curiosidade por algum espectador estrangeiro. Mas talvez um dos erros de Halder tenha sido entregar o trabalho de roteirização para outra pessoa, em vez de ele mesmo cuidar disso, como fez com “Cine Holliúdy”. Ou talvez o filme tenha partido de apenas uma ideia, um esqueleto, e não tenha conseguido desenvolver tão bem o seu miolo, com as piadas, que são de fundamental importância para que o filme seja bem aceito pela plateia. Não quer dizer que “Shaolin do Sertão” não arranque algumas boa gargalhadas e que funcione melhor do que muitas outras comédias brasileiras, mas é um filme cujo humor vai ficando cansativo pela repetição e por problemas de timing e montagem. Uma das coisas que chama logo a atenção na parte técnica do filme são os créditos de abertura, que emulam uma transmissão de televisão dos anos 1980 de um filme de kung fu de Hong Kong, como aqueles que passavam com imagem espichada no Faixa Preta, programa dedicado a filmes do gênero que fez grande sucesso naquela década. A brincadeira com o fato de os atores aparecerem magos e altos se dava ao fato de a janela original em scope ser esticada para caber na telinha quadrada dos antigos televisores. Daí o personagem de Aluísio Li (Edmilson Filho, também protagonista de “Cine Holliúdy”) acreditar que os chineses eram um povo alto e magro, enquanto que os cearenses eram baixinhos e de cabeça chata. Essa é uma das boas sacadas do filme, aliás. A dicção ruim dos atores mirins em “Cine Holliúdy”, e que acabou por exigir que os filmes fossem apresentados em cópias legendadas, deixou de ser um problema em “O Shaolin do Sertão”. Até porque o garotinho Piolho, interpretado por Igor Jansen, está muito bem, no papel do melhor amigo de Aluísio. Ele é o único que entende a vontade do protagonista de se tornar uma pessoa parecida com aqueles que ele tanto admira nos filmes de artes marciais, muito embora ele só consiga apanhar e ser alvo de chacota de todos os moradores de Quixadá, cidade onde vive. A sua motivação ganha ímpeto na forma de uma disputa que acontecerá em sua cidade, que o leva a se voluntariar para lutar contra o terrível Tony Tora Pleura (Fabio Goulart), campeão de luta livre que vem vencendo e mandando para o hospital seus adversários em cada cidade do interior por onde tem passado. E daí entra em cena o personagem do Chinês, vivido por Falcão, que será, por assim dizer, o treinador de Aluísio. Os momentos de treinamento lembram tanto “Karatê Kid” (1984) quanto “Kill Bill: Vol. 1”, mas com sotaque e piadas cearenses (algumas propositalmente datadas). Pena que boa parte delas não funcione, e algumas parecem apenas grosseiras. Esse traço irregular do humor acaba por fazer de “O Shaolin do Sertão” um filme um pouco cansativo, justamente pela intenção de fazer rir a quase todo instante. Ninguém tem a obrigação de rir de piadas que não funcionam, mas percebe-se o esforço do realizador e daí vem o incômodo. Fazer comédia não é fácil. Pensando nos aspectos positivos, o filme conta com alguns ótimos momentos, e o jeitão meio Chaplin e meio Didi Mocó de Edmilson Filho faz com que ganhe a nossa simpatia. Mas não dá pra negar que se esperava muito mais, após “Cine Holliúdy”.


