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    The Birth of a Nation: Veja o trailer do vencedor de Sundance que já é favorito ao Oscar 2017

    16 de abril de 2016 /

    A Fox Searchlight divulgou o primeiro trailer de “The Birth of a Nation”, drama escravagista que venceu o Grande Prêmio do Júri e o Prêmio do Público no Festival de Sundance de 2016. O filme sobre a rebelião de escravos americanos de 1831 teve seus direitos de distribuição comprados pelo estúdio por um valor recorde para o festival: US$ 17,5 milhões. A prévia mostra cenas de submissão e revolta, ao som do clássico blues “Strange Fruit”, em gravação arrepiante de Nina Simone. O filme foi escrito, dirigido, produzido e estrelado por Nate Parker e já é cotado como forte candidato ao Oscar do ano que vem. Na entrevista coletiva do festival, Parker contou que lutou para tirar a obra do papel por sete anos, mas encontrou muitas dificuldades para levar o projeto adiante. Alguns investidores lhe disseram que “não havia público para essa história” e que “as pessoas fora do país não querem ver gente de cor”. Por isso, precisou investir de seu próprio bolso e sacrificar algumas prioridades de sua vida. “The Birth of a Nation” tem tudo para gerar discussões, a começar pelo título, que é o mesmo de um marco cinematográfico, o clássico do cinema mudo “Nascimento de uma Nação”, dirigido em 1915 por D.W. Griffith. O “Nascimento” original descrevia os negros de forma estereotipada, com brancos pintados de preto, e apresentava os integrantes da organização racista Ku Klux Klan como heróis. O novo é seu oposto, girando em torno de Nat Turner (vivido por Nate Parker), escravo que liderou uma rebelião de 48 horas contra fazendeiros no estado da Virgínia em 1831, provocando uma retaliação violenta dos brancos. O elenco também inclui Armie Hammer (“O Agente da UNCLE”), Jackie Earle Haley (“A Hora do Pesadelo”), Penelope Ann Miller (“O Artista”), Aja Naomi King (série “How to Get Away with Murder”) e Mark Boone Jr. (série “Sons of Anarchy”). A estreia está marcada para 7 de outubro nos EUA e ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

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    A Bruta Flor do Querer tenta manter o tesão diante da morte do cinema brasileiro

    9 de abril de 2016 /

    Curioso como três filmes brasileiros mostraram em 2016, ainda que rapidamente, cenas de membros masculinos enrijecidos nas telas: “Boi Neon”, de Gabriel Mascaro, “Para Minha Amada Morta”, de Aly Muritiba, e agora este “A Bruta Flor do Querer”, da dupla Andradina Azevedo e Dida Andrade. Pode ser sinal de que o cinema brasileiro está vivo, pulsando e que ainda existe tesão. Faz algum sentido, especialmente diante das obras desses jovens e talentosos cineastas. “A Bruta Flor do Querer” conta a história de um jovem cineasta (o próprio diretor Dida Andrade) que, devido à dificuldade de conseguir sobreviver com sua arte, ganha alguns trocados trabalhando como cinegrafista de casamentos. Quando lhe é perguntado se ele gosta desse trabalho, ele diz: “óbvio”, com aquele ar de escárnio. Aos poucos, vamos sendo apresentados à sua vida pouco agradável, entre drogas para escapar dos problemas e uma tentativa frustrada de se aproximar de uma moça por quem está apaixonado – uma paixão platônica. O filme embarca na crise existencial sem parecer adolescente demais. Cria, inclusive, empatia com o drama do personagem, especialmente nas cenas em que ele tenta se aproximar de Diana (interpretada por Diana Motta), a sua paixão, que para ele aparece ao som de “Baby”, do Caetano Veloso – em versões cantada por Gal Costa e pelos Mutantes. O título de “A Bruta Flor do Querer”, por sinal, vem de outra música de Caetano, “Quereres”. Por ironia, a ótima trilha sonora foi determinante para que o filme levasse tanto tempo para chegar às telas, desde sua exibição premiada no Festival de Gramado, em 2013. Não só foi difícil conseguir a liberação das músicas (há outras) como os pagamentos de seus direitos autorais consumiram 50% do valor do pequeno orçamento (R$ 100 mil) da produção. Mas valeu a pena ter conseguido esse feito. O filme consegue parecer mais sofisticado com elas. E falando em sofisticação, há uma vontade explícita de emular Godard em várias cenas, especialmente as que se passam dentro de carro. Sem esquecer da questão central da trama, bastante godardiana, que é a tese, manifestada na condição do cineasta de casamento, de que o cinema morreu – e assistir ao filme em uma sala quase vazia contribui enormemente para dar razão a essa teoria. Claro, o longa de estreia de Andradina e Andrade poderia ter ousado mais, inclusive na cena de sexo na praia, um pouco tímida, mas a inquietação, a frustração, a dor e a paixão conseguem ser transmitidas e sentidas do lado de cá da tela. A angústia existencial e as boas cenas de conversa entre amigos num carro – que para alguns também remetem ao cinema de John Cassavetes – , quase provam o contrário, que o cinema está bem vivo. O problema é que não basta só tesão, como demonstra o lançamento da obra, com cópias reduzidas, em poucas cidades e sem nenhuma divulgação. Este destino não é exclusividade de “A Bruta Flor do Querer”, mas da grande maioria dos filmes brasileiros contemporâneos. Afinal, de que adianta filmar com tesão, se o mercado é tão broxante?

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    Lily Collins e Keanu Reeves vão estrelar primeiro filme dirigido pela criadora da série UnReal

    4 de abril de 2016 /

    A atriz Lily Collins (“Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos”) e o ator Keanu Reeves (“De Volta ao Jogo”) vão estrelar o drama indie “To the Bone”, que marcará a estreia na direção da roteirista Marti Noxon (criadora da série “UnReal”). A informação é do site The Hollywood Reporter. A trama é baseada nas experiências pessoais de Noxon, e contará a batalha de uma jovem (Collins) contra a anorexia. Reeves interpreta um médico pouco ortodoxo, que ajuda a protagonista a encontrar uma vida melhor. Noxon é uma roteirista bastante apreciada pelos fãs de séries, tendo começado a carreira escrevendo episódios da clássica “Buffy – A Caça-Vampiros” em 1997. Ela também escreveu-produziu o spin-off “Angel”, além de ter assinados capítulos de “Brothers and Sisters”, “Grey’s Anatomy”, “Private Practice”, “Glee” e até da premiada “Mad Men”. Como criadora, lançou a subestimada série de terror “Point Pleasant” (“Damien” com uma adolescente) em 2005 e a comédia “Girlfriends’ Guide to Divorce” em 2014, antes de cair nas graças da crítica com “UnReal”, uma das séries mais elogiadas do ano passado. Apesar de “To the Bone” representar sua estreia como cineasta, ela já dirigiu episódios de TV e escreveu os roteiros de três filmes, a comédia “Sexo sem Consequência” (1998), a sci-fi “Eu Sou o Número Quatro” (2011) e o remake de terror “A Hora do Espanto” (2011). “To the Bone” começou a ser rodado no fim de semana em Los Angeles, mas ainda não tem data de estreia definida.

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    A Frente Fria que a Chuva Traz: Volta de Neville D’Almeida ao cinema ganha trailer provocante

    29 de março de 2016 /

    A Downtown Filmes deu um tempo em suas comédias bobonas para divulgar o trailer de um drama inquietante, “A Frente Fria que a Chuva Traz”, que marca a volta do diretor Neville D’Almeida, quase duas décadas após seu último longa, “Navalha na Carne” (1997). A prévia repleta de palavrões, sexo, drogas e provocações demonstra que o cineasta de 75 anos continua um mestre na arte de incomodar. O filme é baseado na peça homônima de Mario Bortolotto, que, por sinal, interpreta um dos personagens. A trama acompanha um grupo de jovens ricos que prepara uma festa orgiástica na laje de uma favela carioca, e serve de analogia para o despudoramento de uma juventude que diz se identificar com a classe baixa apenas para cafetiná-la. Ou seja, um trabalho sob medida para o diretor de “A Dama do Lotação” (1980), “Os Sete Gatinhos” (1980) e “Rio Babilônia” (1982). O elenco destaca jovens estrelas de novelas, como Chay Suede (novela “Babilônia”), Bruna Linzmeyer (novela “A Regra do Jogo”) e Juliane Araújo (novela “Lado a Lado”), além de trazer o veterano Flavio Bauraqui (“Quase Dois Irmãos”) e revelar Natalia Lima Verde. Também chama atenção o impacto do colorido fotográfico da cinegrafista Kika Cunha, em seu segundo trabalho como Diretora de Fotografia, após acumular experiência internacional como assistente de câmera – trabalhou, entre outros, com o inglês Mike Newell em “O Amor nos Tempos do Cólera” (2007). Exibido fora de competição no Festival do Rio, “A Frente Fria que a Chuva Traz” tem estreia comercial marcada para 28 de abril.

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    Drama islandês premiado, Desajustados é muito melhor que seu título nacional

    26 de março de 2016 /

    Fúsi (Gunnar Jónsson) é um homem grande, obeso, na faixa dos 40 anos de idade, ingênuo, de interesses e comportamentos ainda infantis. Ao conviver com uma menina vizinha, suas atitudes se equiparam às dela. É virgem, vive com a mãe, tem bom coração, sofre bullying de colegas no trabalho como despachador de malas no aeroporto, mas os perdoa com facilidade. Ele é o personagem central de “Desajustados”, filme islandês que foi o vencedor do Festival de Tribeca do ano passado, cujo título original é “Fúsi”, o nome do protagonista. O longa revela sua rotina sempre repetitiva, do restaurante, das músicas pedidas no rádio e do seu interesse por reconstruir com soldadinhos, tanques e outras peças, batalhas da 2ª Guerra Mundial, ao lado de seu único amigo. Que Fúsi possa ser considerado um desajustado, por seus comportamentos, para os padrões sociais esperados para alguém como ele e com sua idade, parece óbvio. Mas o título brasileiro não deixa de ser um julgamento, um rótulo que rejeita a figura. Por que a rejeição a uma doce criatura como essa? Por ser um loser, na visão capitalista difundida pelos Estados Unidos? Por entendê-lo como um doente mental? Ou o quê? Acontece que o título está no plural, o que engloba também a personagem Alma (Ilmur Kristjánsdóttir), uma mulher ativa e vibrante, que ama flores e trabalhava numa floricultura. Mas perde seu emprego e o que lhe resta é aceitar um trabalho como lixeira. Ela entra na vida de Fúsi por acaso, ele se dedica a ela e a ajuda numa crise de depressão. Chamá-la também de desajustada só agrega julgamento aos que ficam desempregados e aos que sofrem de depressão. Sem que uma coisa precise levar à outra. Não faz sentido. É muito infeliz o título brasileiro desse belo filme islandês. Na realidade, o filme é terno como seu protagonista e cheio de vida, como a mulher que se envolve com ele, capaz de valorizar o respeito humano e de entender a mente ingênua dos que passam pela vida sem acesso maior aos bens culturais, sem ambições, sem conseguir vencer uma timidez atávica. Ou, quem sabe, sem conseguir entender esse mundo onde vieram parar. Basta esquecer o título do filme para perceber que estamos diante de figuras humanas frágeis, que se debatem num dia-a-dia frustrante e pouco acolhedor. Não como derrotadas, mas como sobreviventes. Isso também é uma batalha, às vezes tão dura quanto as da guerra que Fúsi reconstrói. O ator protagonista, Gunnar Jónsson, recentemente visto em “A Ovelha Negra” (2015), está ótimo, perfeito para o papel. Foi premiado nos festivais de Marrakech e de Tribeca em 2015. Merecidamente. Ilmur Kristjánsdóttir, que faz Alma, também está muito bem. O contraste da dupla, em todos os sentidos, é cativante. O frio e a neve que fazem parte da história, como é inevitável acontecer em filmes da Islândia, servem para acrescentar um clima cinzento e triste à narrativa. Mas é apenas um elemento acessório e nem tão explorado assim pelo diretor Dagur Kári (que já dirigiu, nos EUA, “O Bom Coração”). Os ambientes internos, um tanto escuros, dizem mais dos sentimentos e limites de vida dos personagens do que qualquer outra coisa. Porém, é um filme que também tem muito carinho e muitas flores. Portanto, é também cheio de esperança.

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    Emma Stone vai viver a irmã de John Kennedy que sofreu lobotomia

    23 de março de 2016 /

    A atriz Emma Stone vai estrelar “Letters From Rosemary”, drama sobre a história da irmã do presidente John Kennedy, Rose Marie “Rosemary” Kennedy, informou o site da revista Variety. Rosemary foi o membro menos conhecido da família Kennedy, que tentou manter seus problemas mentais escondidos da mídia. Ela chegou a ser submetida a uma lobotomia aos 23 anos de idade, mas o procedimento fracassou e a deixou incapacitada. O filme vai abordar o que levou à essa ação radical e as consequências disso. Ainda sem diretor definido, o longa será produzido pela dupla Steve Golin e Doug Wald, vencedores do Oscar 2016 de Melhor Filme por “Spotlight”.

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    Tudo Vai Ficar Bem é volta triste de Wim Wenders à ficção

    11 de março de 2016 /

    O veterano cineasta alemão Wim Wenders avança pelo século 21 mostrando a vitalidade de um verdadeiro artista – seja por meio de suas mais diversas experiências tecnológicas, com destaque para a bela filmagem em 3D de “Pina” (2011), seja através das tentativas de variação estilístico/temática do seu cinema. O que “Tudo Vai Ficar Bem” vem demonstrar, no entanto, é que os acertos do velho mestre em seus recentes documentários (“Pina”, “O Sal da Terra”) não se confirmam em sua volta para a ficção, sete anos após seu último drama, “Palermo Shooting” (2008). Sem música indie e com exteriores reduzidos em relação a alguns dos seus registros mais característicos, Wenders apoia-se na trilha sonora orquestral do francês Alexandre Desplat (“O Grande Hotel Budapeste”) para desenvolver uma fantasia dramática em tons mais convencionais. Baseado num roteiro do norueguês Bjorn Olaf Johannessen (que chamou atenção com o sucesso de “Nowhere Man”, em Sundance), “Tudo Vai Ficar Bem” conta a história de um escritor (o americano James Franco) em crise existencial, particularmente no casamento e na carreira, que vê a sua situação agravada pela culpa, após um acidente de trânsito com vítima fatal. Wenders continua fascinado por filmar em 3D e, se tal propósito ajuda a sacudir a poeira da idade, “Tudo Vai Ficar Bem” vem falhar no outro polo da sua proposta – a tentativa de contar uma história relativamente linear. A leveza dos movimentos e os fade-outs (e algumas soluções inventivas, como a câmera que sai detrás de um monte de gelo no acidente) são acompanhados por uma fotografia em 3D que visa esmiuçar visualmente o interior dos personagens – num jogo onde os disfarces e os truques dos atores não são permitidos. O problema é que os distribuidores brasileiros não levaram em conta esse detalhe, ao programarem apenas projeções convencionais, em 2D, do longa-metragem. O que ajuda a fazer com que as “almas” dos personagens revelem-se brutalmente desinteressantes. Parte da culpa pela falta de profundidade também cabe ao roteiro de Johannenssen: na sua tentativa de evitar os lugares comuns de uma trama, que bem poderia ser a base de um dramalhão-clichê, o roteirista criou um conjunto de sequências isoladas, em que as elipses constantes parecem uma forma desesperada de compensar a falta de inspiração com novos recomeços. As tantas idas e vindas do enredo transitam do penoso para o exasperante e, se a familiaridade com algumas soluções das obras de Wenders (“Paris, Texas”, por exemplo) permite adivinhar o final, a certa altura isto já não interessa, desde que ele chegue depressa.

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    Trailer e cenas de Nise: O Coração da Loucura trazem Glória Pires revolucionando a psiquiatria

    9 de março de 2016 /

    A TVZero divulgou o trailer e duas cenas impactantes de “Nise: O Coração da Loucura”, cinebiografia da psiquiatra Nise da Silveira, estrelada por Glória Pires (“Linda de Morrer”). As prévias mostram a atitude desafiadora e o pioneirismo da médica, que confrontou os padrões desumanos vigentes nos anos 1940 para revolucionar o tratamento psiquiátrico no Brasil. Com ela, saíram o eletrochoque e a violência dos enfermeiros e entraram a pintura e os passeios lúdicos – a chamada “terapia ocupacional”, referenciada até hoje. Tudo isso é bem retratado nos vídeos, que, por outro lado não evitam um tom de docudrama televisivo. Filmado durante dois meses no Instituto Nise da Silveira, no Engenho de Dentro, local onde ficava o Hospital Psiquiátrico Pedro II, “Nise: O Coração da Loucura” tem direção de Roberto Berliner (“Júlio Sumiu”), até então mais bem-sucedido como documentarista do que como diretor de ficção. O filme foi exibido no Festival do Rio, onde venceu o Prêmio do Público, e ainda conquistou destaque no Festival de Tóquio, rendendo troféus para Glória Pires e Berliner no Japão. A estreia está marcada para 21 de abril.

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    Ela Volta na Quinta projeta cotidiano na ficção de forma desconcertante

    27 de fevereiro de 2016 /

    Interessante como o jovem cineasta mineiro André Novais Oliveira aposta na aparente simplicidade para criar um corpo de trabalho inteligente e tendo seu próprio cotidiano como objeto de inspiração. Em seu primeiro curta, “Fantasmas” (2009), ele utilizou um recurso inteligentíssimo para tratar de um assunto ligado a relações amorosas passadas. Em “Pouco Mais de um Mês” (2013), lá estava ele expondo a si mesmo, discutindo relação com a namorada, que também aparece em sua estreia em longa-metragem, “Ela Volta na Quinta”. Pois este filme é ainda mais extremo nessa exposição, embora seja evidente que se trata de uma construção de ficção e de encenação. “Ela Volta na Quinta” traz o próprio diretor como personagem da história, que é protagonizada por seus pais, Norberto e Maria José. Essa premissa dá à câmera um condição de onisciência, pois mostra aquilo que André, o personagem, não sabe. Em alguns momentos, é possível perceber um pouco da fragilidade dos (não) atores à frente das câmeras, como na cena da dança ao som de uma canção do Roberto Carlos, mas na grande maioria das vezes o método do diretor, que deixa fluir – pelo menos aparentemente – a fala dos personagens, contribui para injetar no filme um elemento raro, de verdade. O melhor exemplo disso é uma cena em que a mãe de André está sozinha com ele no quarto. Ele confere sua pressão arterial, manifesta preocupação com sua saúde, e ela lhe conta algo sobre o pai dela, canceriano como André, que também gostava de sonhar, era pouco pragmático. Como do outro lado da tela sabemos que André é cineasta, e que a vida de cineasta no Brasil não é fácil, por mais que isso não seja explicitado no filme, “Ela Volta na Quinta” acaba por revelar que essa atividade é ainda menos glamorosa do que se possa imaginar. Glamour, por sinal, é uma palavra que jamais surge no filme, em que os personagens aparecem com seus trajes do cotidiano, sem maquiagem ou coisa do tipo. A fotografia também tem uma textura bem simples, sem o interesse de enfeitar a realidade. Desses filmes que borram a realidade e a ficção em sua construção narrativa, talvez “Ela Volta na Quinta” encontre mais semelhanças com “Castanha”, de Davi Pretto, que também lida com um personagem real em meio a elementos inventados pelo roteirista/diretor. Mas o filme de Novais é bem menos sombrio e mais afetuoso. A obra deixa no ar até que ponto a crise no casamento dos pais foi um elemento puramente fictício ou se era, de fato, algo que já estava mesmo ocorrendo. Ou se a saúde frágil da mãe também também estava de alguma maneira presente na realidade. As respostas para essas questões até seriam interessantes numa entrevista com o diretor, mas, em relação ao filme, em nada contribuiriam para melhorar sua apreciação. Afinal, quando as luzes do cinema se acendem, todas as respostas que o espectador precisa estão dadas. Com “Ela Volta na Quinta”, André Novais Oliveira se revela um autor de primeira.

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    O Abraço da Serpente registra uma cultura em extinção

    27 de fevereiro de 2016 /

    Os relatos de dois cientistas e exploradores da região amazônica são a base do roteiro do filme colombiano “O Abraço da Serpente”, dirigido por Ciro Guerra. O etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg (1862-1924) explorou a região amazônica da América do Sul e estudou os povos da floresta. Morreu no Brasil, na cidade de Boa Vista. O botânico norte-americano Richard Evans Schultes (1915-2001) explorou a mesma região, interessado especialmente em uma planta, descoberta e citada nos relatos de Koch-Grünberg: a yakruna. Que sentido tem hoje para todos nós a busca por uma planta divina que cura e ensina a sonhar? Essa foi a razão de ser de uma expedição científica. Mas a yakruna, na realidade, simboliza a própria existência de, pelo menos, um povo indígena que está desaparecendo. O resgate do conhecimento dos povos na floresta, intimamente relacionado à vivência com a selva, sua água, seus animais, sua multiplicidade de plantas, envolve uma questão cultural, antropológica, da maior relevância. “O Abraço da Serpente” contribui para valorizar tudo isso, apontar para o que está sendo perdido e o que ainda pode ser recuperado, por meio de um personagem indígena que é o centro da narrativa. Ele surge, primeiro em sua juventude, como último sobrevivente de seu povo, vivendo isolado selva adentro. Desconfiado e crítico, por razões óbvias, do homem branco e da exploração da borracha, que trouxe a desgraça e dizimou seu povo. Depois, em outro tempo, como um xamã esquecido, perdido na sua mata, vivendo problemas de identidade em decorrência das faltas de referência e de memória. Nos dois tempos, há o convívio complexo e conflitivo com os cientistas exploradores. E também a possibilidade de aprender com brancos que não desejam destruir os aborígenes ou explorá-los, mas conhecê-los, valorizá-los, divulgar seus conhecimentos. A narrativa se desenvolve na forma de uma aventura, que traz perigos, desencontros e vai revelando o que se encontra nessa floresta: o que resta de seus povos de origem, a exploração a que estão expostos, o uso religioso equivocado e autoritário, encontrado em alguns locais. Com direito a manifestações tresloucadas e messiânicas, que não libertam, oprimem. A natureza é exuberante, evidentemente. E bem explorada nessa aventura. Uma bela fotografia em preto e branco se encarrega de ressaltá-la. O nosso anseio estético pediria que o filme fosse a cores. Seria ainda mais atraente. Poderia se tornar mais exótico, turístico e não tão propenso ao uso reflexivo? Não creio. Em dois momentos, no início e no fim do filme, imagens de formas geométricas a cores são inseridas. Remetem ao futuro? À passagem do tempo? Sem dúvida, o tempo joga um papel relevante em “O Abraço da Serpente”. Coisas, lembranças, memórias, são levadas pelo tempo. Povos inteiros se desfazem e desaparecem, ao longo do tempo. Pela ação predatória dos seres humanos, toda uma tradição e uma identidade tendem a desaparecer. Se considerarmos que metade da superfície da Colômbia está na região amazônica, há aí uma forte perda do próprio significado de nacionalidade. O elenco de “O Abraço da Serpente” nos leva para dentro dessa dimensão amazônica, como se estivéssemos fazendo parte daqueles povos e dos exploradores que vêm do mundo desenvolvido, em busca de sua cultura. É um desempenho muito convincente. Trata-se de uma experiência que vale a pena e mostra a força do cinema colombiano atual. Premiado nos festivais de Cannes e Sundance, “O Abraço da Serpente” está entre os cinco finalistas do Oscar 2016 de Melhor Filme Estrangeiro, o que é um reconhecimento importante, em termos de mercado.

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    A Luz Entre os Oceanos: Veja Michael Fassbender e Alicia Vikander em trailer de partir o coração

    25 de fevereiro de 2016 /

    A Entertainment One divulgou três fotos e o primeiro trailer do drama “The Light Between Oceans”, estrelado por Michael Fassbender (“Steve Jobs”) e Alicia Vikander (“A Garota Dinamarquesa”). A prévia é de partir o coração. Resumindo o dilema central, mostra como o casal, que mora num farol isolado, encontra um bebê num barco à deriva. E depois de cuidar da menina por vários anos, descobrem a verdadeira mãe (Rachel Weisz, de “Oz, Mágico e Poderoso”), que acredita ter pedido a filha no mar. O vídeo explora o embate entre Fassbender, que se sente moralmente compelido a contar a verdade, e Vikander, para quem a criança é sua filha de verdade. O filme é uma adaptação do livro homônimo escrito por M.L. Stedman (lançado no Brasil como “A Luz Entre os Oceanos”) e tem direção e roteiro de Derek Cianfrance (“O Lugar Onde Tudo Termina”). A estreia está marcada para 2 de setembro nos EUA e ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

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    The Sea of Trees: Primeiro trailer mostra Matthew McConaughey triste e perdido

    24 de fevereiro de 2016 /

    O estúdio japonês Toho divulgou o pôster e o primeiro trailer internacional de “The Sea of Trees”, drama estrelado por Matthew McConaughey (“Clube de Compra Dallas”) e Ken Watanabe (“A Origem”). A prévia mostra os dois perdidos numa floresta, lembrando do passado, tendo crises de tristeza e entrando em contato com a natureza. Também foi divulgada uma cena que revela que eles não sabem como sair daquele lugar. Escrito por Chris Sparling (“Enterrado Vivo”), o filme conta a história de um suicida americano (McConaughey) e um japonês perdido (Watanabe) que se encontram numa floresta japonesa conhecida por ser um lugar onde as pessoas vão para se suicidar. Mas em vez de se matarem, os dois embarcam juntos numa jornada reflexiva. A floresta, por sinal, é a mesma do recente terror “A Floresta Maldita”. O elenco ainda conta com Naomi Watts (“O Impossível”) e Katie Aselton (série “The League”), e a direção é de Gus Van Sant (“Milk”). O filme teve uma première complicada no Festival de Cannes, onde recebeu vaias e críticas negativas. Por isso, “The Sea of Trees” ainda não tem data de lançamento definida nos EUA. A estreia no Japão vai acontecer em 29 de abril.

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    Jake Gyllenhaal implode no trailer do novo drama do diretor de Clube de Compras Dallas

    14 de fevereiro de 2016 /

    A Fox Searchlight Pictures divulgou o pôster e o segundo trailer do drama “Demolition”, do diretor canadense Jean-Marc Vallée (“Clube de Compras Dallas”), que traz Jake Gyllenhaal (“O Abutre”) como um viúvo com dificuldades de expressar a dor de sua perda. A prévia mostra o acidente que matou sua mulher (Heather Lind, da série “Turn”), os problemas de relacionamento com o sogro (Chris Cooper, de “Álbum de Família”), a passividade com que encarava a vida e sua reação emocional, ao decidir demolir a própria casa, atitude que serve como uma metáfora para sua autodestruição, mas também reconstrução – com a ajuda de uma desconhecida vivida por Naomi Watts (“O Impossível”) e seu filho (Judah Lewis, de “Caçadores de Emoção: Além do Limite”). Filme de abertura do Festival de Toronto do ano passado, “Demolition” chega aos cinemas americanos em 8 de abril e ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.

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