Estreias: Cinemas recebem fantasias infantis no Carnaval
O Carnaval começa com fantasias. Os cinemas recebem nesta quinta (20/2) três lançamentos amplos que trazem histórias clássicas infantis repaginadas para as crianças atuais. Curiosamente, apenas uma dessas adaptações foi classificada com censura livre: “O Chamado da Floresta”. A produção da Disney recria a famosa obra literária de Jack London (1876–1916) sobre o cachorro doméstico Buck, que, após sofrer com abandono, precisa reencontrar sua selvageria para sobreviver no Alasca. A trama foi atualizada para o século 21 e não apenas em sua ambientação: o cão que contracena com Harrison Ford (“Star Wars: O Despertar da Força”) é criado por computação gráfica. O longa também estreia neste fim de semana nos EUA, onde conta com 76% de aprovação no Rotten Tomatoes. “Dolittle” é baseado nos livros infantis dos anos 1920 de Hugh Lofting, que igualmente renderam inúmeras adaptações – inclusive comédias com Eddie Murphy. A versão da Universal se passa na época vitoriana e traz Robert Downey Jr. (“Vingadores: Ultimato”) como o veterinário que entende literalmente os animais. Considerado um desastre pior que “Cats” pela crítica americana, recebeu apenas 15% de aprovação e implodiu nas bilheterias ao ser lançado na América do Norte em janeiro passado. Por fim, “Maria e João: O Conto das Bruxas” é uma variação da fábula de João e Maria (Hansel e Gretel, no original) que, ao valorizar os elementos macabros da narrativa dos irmãos Grimm, resulta num “terror” impróprio para menores de 14 anos. O filme traz Sophia Lillis (a Beverly de “It: A Coisa”) como a menina Gretel/Maria, que se perde no meio da floresta com seu irmão menor e acaba encontrando abrigo na casa de uma bruxa. Um detalhe curioso é que o diretor Oz Perkins é filho do grande ator Anthony Perkins, que aterrorizou gerações como o Norman Bates de “Psicose” (1960). Sem entusiasmar a imprensa dos EUA (38% entre os críticos tops), o longa agradou aos geeks e atingiu 63% como nota final no Rotten Tomatoes. A lista americana ainda inclui um drama adulto, “Luta por Justiça”, que tem 83% de aprovação e foi indicado a vários prêmios. O longa adapta o livro de memórias de Bryan Stevenson, um jovem advogado que luta por igualdade judicial no sistema legal racista e que se envolveu num caso de grande repercussão no final dos anos 1980. O elenco reúne três estrelas da Marvel: Michael B. Jordan (o vilão de “Pantera Negra”) como Stevenson, Jamie Foxx (o vilão de “O Espetacular Homem-Aranha 2”) como um inocente condenado à morte e Brie Larson (a “Capitã Marvel”) como assistente da defesa. A direção é de Destin Daniel Cretton, que também entrou na Marvel – vai dirigir a seguir “Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings”. O circuito limitado se completa com quatro estreias europeias – uma delas dirigida por americano: “Frankie”, de Ira Sachs (“O Amor É Estranho”). Cinéfilos vão querer conferir o belga “O Jovem Ahmed”, novo drama social dos irmãos Dardene (“Dois Dias, Uma Noite”), desta vez abordando a radicalização da juventude islâmica. Mas os destaques, na verdade, são duas comédias: a francesa “As Invisíveis”, que também tem temática social e um enfoque quase documental, e a alemã “De Quem É o Sutiã?”, que evoca o humor sem diálogos do saudoso Jacques Tatit. Confira abaixo os detalhes, com todos os títulos, sinopses e trailers das estreias da semana. O Chamado da Floresta | EUA | Aventura Depois de anos vivendo como um cachorro de estimação na casa de uma família na Califórnia, Buck precisa entrar em contato com os seus instintos mais selvagens para conseguir sobreviver no ambiente hostil do Alasca. Com o tempo, seu lado feroz se desenvolve e ele se torna o grande líder de sua matilha. Baseado no livro homônimo de Jack London, lançado em 1903. Dolittle | EUA | Fantasia Doutor Dolittle (Robert Downey Jr) é um veterinário muito competente, que cuida de vários animais e afirma que consegue até se comunicar através de palavras com eles. Maria e João: O Conto das Bruxas | EUA | Terror Há muito tempo, em um campo distante, Maria (Sophia Lillis) leva seu irmãozinho João (Sammy Leakey) a um bosque escuro, em uma busca desesperada por comida e trabalho. Quando eles encontram Holda (Alice Krige), uma misteriosa mulher que reside na floresta, os dois irmãos descobrem que nem todo conto de fadas termina bem. Luta por Justiça | EUA | Drama Bryan Stevenson (Michael B. Jordan) é um advogado recém-formado em Harvard que abre mão de uma carreira lucrativa em escritórios renomados da costa leste americana para se mudar para o Alabama e se dedicar a ajudar prisioneiros condenados à morte que jamais receberam assistência legal justa. Ao chegar lá, Bryan se depara com o caso de Walter McMillian (Jamie Foxx), um homem negro falsamente acusado de um assassinato, mas que nunca teve uma defesa apropriada por conta do preconceito racial na região. As Invisíveis | França | Comédia Após uma decisão da prefeitura, o abrigo feminino Envol é obrigado a fechar as portas. Com apenas três meses em funcionamento, as assistentes sociais fazem de tudo para conseguir reintegrar estas mulheres na sociedade, incluindo crimes como falsificação, roubos e mentiras. De Quem É o Sutiã? | Alemanha | Comédia A última viagem de Nurlan não sai como o esperado. Antes de se aposentar, o solitário maquinista faz mais uma vez o percurso até Baku (Azerbaijão). Mas ele embarca em uma aventura inusitada quando encontra um sutiã azul e parte em busca da dona pelas ruas da cidade. O Jovem Ahmed | Bélgica, França | Drama Ahmed (Idir Ben Addi) é um menino muçulmano de 13 anos de idade que vive na Bélgica. Seguindo as palavras de um imã local, e inspirado nos passos do primo extremista, ele começa a rejeitar a autoridade da mãe e da professora. Quando se convence de que a professora é uma pecadora por ministrar um curso de árabe sem utilizar o Corão, Ahmed decide matá-la para impressionar os líderes religiosos e agradar a Alá. Depois do ato, o adolescente precisa lidar com as consequências. Frankie | França, Portugal | Drama Frankie (Isabelle Huppert) é uma famosa atriz francesa. Quando descobre estar muito doente, com perspectiva de morrer dentro de poucos meses, ela se refugia em Sintra, Portugal, onde pretende passar os seus últimos dias ao lado dos familiares, que aos poucos descobrem a gravidade da situação.
Pedro Bial se diz vítima, não se desculpa e repete frase machista contra Petra Costa
O apresentador Pedro Bial dobrou sua aposta no discurso machista contra Petra Costa, diretora do documentário “Democracia em Vertigem”, indicado ao Oscar 2020. Em artigo publicado no jornal O Globo deste domingo (9/2), ele disse que “experimentou um linchamento virtual” por ter criticada a diretora brasileira pelo filme, que tem 97% de aprovação no site Rotten Tomatoes, e voltou a repetir uma das frases machistas de seu ataque original. A polêmica começou numa entrevista à Rádio Gaúcha nesta semana, em que Bial afirmou que “Democracia em Vertigem” é uma “ficção alucinada”, “vai contando as coisas num pé com bunda danado”, com “narração miada, insuportável, onde ela [Petra Costa] fica choramingando o filme inteiro”. Acusado de machismo, inclusive por colegas, como a ex-repórter da Globo Cristina Serra, Bial ainda arrematou: “É um filme de uma menina dizendo para a mamãe dela que fez tudo direitinho, que ela está ali cumprindo as ordens e a inspiração de mamãe, somos da esquerda, somos bons, não fizemos nada, não temos que fazer autocrítica”. O ataque gratuito e de tom machista, que desrespeita a carreira premiada da jovem cineasta, foi amplamente criticado nas redes sociais. Por conta disso, Bial resolveu se defender. Mas sem pedir desculpas, assumindo papel de vítima e reforçando o machismo de suas convicções. “É com a carcaça moída e esfolada de tanta pancada virtual que venho a público acenar: bandeira branca. Amor. Eu peço paz”, escreveu, vitimista e parafraseador. “Esta semana, experimentei, mais uma vez, o que é estar na parte linchada de um linchamento virtual. Eu, que vivo de acolher as opiniões das pessoas, caí na temeridade de dar a minha. Eu não peço desculpas, nem peço que me peçam desculpas”, continuou. “Apanho sem berrar, só não me venham com o machismo de tratar como menina indefesa uma mulher que sabe bem se defender”. Importante lembrar que quem chamou a cineasta de menina foi o próprio Bial, não as pessoas que reclamaram desse menosprezo machista do apresentador. Além disso, como afirmou, ele não pediu desculpas. Bial disse ainda não reclamar, reclamando, “da prática jornalística de tirar de contexto e contrastar, a fim de buscar a essência da notícia”. “Parece fácil, mas é um exercício difícil, onde se erra mais do que se acerta. Por exemplo, publica-se antes a frase editada “é uma menina sob as ordens de mamãe”, do que a integral ‘numa leitura psicanalítica mais profunda, é uma menina sob as ordens de mamãe'”, escreveu. Ou seja, ele repetiu a crítica machista para defender-se, num jornal de grande circulação nacional, e ainda acrescentou justificativa pseudo-científica. Numa leitura psicanalista mais profunda, o caso não se encaixa como ato falho. Já se estabeleceu como padrão de comportamento.
Crusoé copia frases machistas de Pedro Bial para atacar Petra Costa
A revista digital de direita Crusoé, ligada ao site O Antagonista, copiou as frases machistas de Pedro Bial para atacar Petra Costa, a diretora de “Democracia em Vertigem”, que concorre ao Oscar de Melhor Documentário no domingo (9/2). Em entrevista à Rádio Gaúcha na segunda-feira (3/2), Bial afirmou que “Democracia em Vertigem”, que conta uma versão assumidamente parcial dos últimos anos da política brasileira, “vai contando as coisas num pé com bunda danado”, com “narração miada, insuportável, onde ela [Petra Costa, diretora e narradora] fica choramingando o filme inteiro”. Acusado de machismo, inclusive por colegas, como a ex-repórter da Globo Cristina Serra, Bial ainda arrematou: “É um filme de uma menina dizendo para a mamãe dela que fez tudo direitinho, que ela está ali cumprindo as ordens e a inspiração de mamãe, somos da esquerda, somos bons, não fizemos nada, não temos que fazer autocrítica”. “Nem que fosse por respeito às mulheres que fazem parte da sua vida (certamente, as há), Bial não poderia ter sido tão grosseiro na crítica que fez ao filme, usando os termos rasteiros que usou”, escreveu Cristina Serra em seu Facebook. Pois nesta sexta (7/2) a Crusoé fez copy-paste desse ataque. “’Democracia em Vertigem’ não oferece sequer material para debate ou discordância: é só o desabafo narcisista de uma garota inconformada porque o Brasil não é o país que sua mãe queria”, escreveu Jerônimo Teixeira na revista digital de direita, atacando também, entre outras coisas, “a voz chorosa de Petra”. Petra Costa, claro, não é uma “garota inconformada” nem uma “menina”, muito menos filhinha “chorosa” fazendo documentário para agradar a mãe. É uma cineasta que merece respeito por mais de uma década de reconhecimento internacional, que exibe seus filmes em festivais como Sundance, Locarno e Veneza, já venceu o Festival de Brasília, do Rio, de Havana, coleciona prêmios em vários eventos do mundo e vive atualmente o auge da carreira, com uma indicação ao Oscar. Pode-se discordar da narrativa claramente petista de “Democracia em Vertigem”, que de ingênua não tem nada – é uma aula de marketing político – , mas usar argumentos machistas para tentar diminuir a qualidade do trabalho (com 97% de aprovação no Rotten Tomatoes) e o talento amplamente reconhecido de sua diretora apenas demonstra o baixo nível a que chegou a discussão cultural neste país de presidente “imbroxável” e compartilhador de “golden shower”. “R-E-S-P-E-I-T-O”, já cantava Aretha Franklin (em versão traduzida), pedindo em nome das mulheres há meio século: “descubra o que isso significa”.
Aves de Rapina e Jojo Rabbit são as grandes estreias da semana nos cinemas
A semana reservou duas grandes estreias de cinema, com condições de agradar cinéfilos e fanboys. Primeiro filme de super-heróis do ano, “Aves de Rapina – Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa” tem a maior distribuição. A produção da Warner, que junta a vilã Arlequina de Margot Robbie (isto é, o que dava para salvar de “Esquadrão Suicida”) com um novo grupo de heroínas relutantes, não é um “Deadpool” feminino, como muitos torciam, mas a versão mais colorida e pop de quadrinhos desde a clássica série de “Batman” dos anos 1960. Há mais ação que humor e pouca fidelidade às publicações que inspiram sua trama, mas o tom anárquico faz justiça à Arlequina. Além disso, sua perspectiva cartunesca traz um frescor divertido ao sombrio universo cinematográfico da DC Comics. Tanto que, dentre as adaptações recentes da editora, seus 90% de aprovação no Rotten Tomatoes só perdem para os 93% recebidos por “Mulher-Maravilha” em 2017. “Jojo Rabbit”, por sua vez, é a consagração de Taika Waititi (de outro filme de super-heróis, “Thor: Ragnarok”) como um dos diretores de comédia mais criativos da atualidade. Vencedor do Festival de Toronto e do WGA Awards, premiações que costumam subestimar comédias, é favorito a levar ao menos o Oscar de Melhor Roteiro Original no domingo (9/2). Por sinal, a demora da Disney/ex-Fox para lançar esse filme no Brasil vai obrigar os cinéfilos a disputar salas em seu circuito médio, para assisti-lo nos três dias que antecedem a premiação. Não precisava. Muito menos escolher uma data de lançamento em que as atenções que deveriam privilegiar esta pequena maravilha estarão divididas com um inescapável blockbuster. Não se pode esquecer que o longa ainda confirma a boa fase de Scarlett Johansson, que concorre ao Oscar pelo papel de mãe inconformada de um pequeno nazista, durante a 2ª Guerra Mundial. Para quem não sabe, a trama ultrajante acompanha esse menino, que é aspirante à membro da juventude hitlerista, sofre bullying dos coleguinhas fascistas e é confortado por seu amigo imaginário, ninguém menos que Adolf Hitler. A história tem uma reviravolta quando a criança descobre que sua mãe está escondendo uma garota judia em sua casa. Como a ideia de fazer piada com Hitler ainda é controvertida, o filme obteve “apenas” 80% no Rotten Tomatoes. A programação se completa com duas produções francesas convencionais. Confira abaixo os detalhes, com todos os títulos, sinopses e trailers das estreias da semana. Aves de Rapina – Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa | EUA | Super-Heróis Arlequina (Margot Robbie), Canário Negro (Jurnee Smollett), Caçadora (Mary Elizabeth Winstead), Cassandra Cain e a policial Renée Montoya (Rosie Perez) formam um grupo inusitado de heroínas. Quando um perigoso criminoso começa a causar destruição em Gotham, as cinco mulheres precisam se unir para defender a cidade. Jojo Rabbit | EUA | Comédia Alemanha, durante a 2ª Guerra Mundial. Jojo (Roman Griffin Davis) é um jovem nazista de 10 anos, que trata Adolf Hitler (Taika Waititi) como um amigo próximo, em sua imaginação. Seu maior sonho é participar da Juventude Hitlerista, um grupo de composto por jovens que concordam com os seus ideais. Um dia, Jojo descobre que sua mãe (Scarlett Johansson) está escondendo uma judia (Thomasin McKenzie) no sótão de casa. Depois de várias tentativas frustradas para expulsá-la, o jovem rebelde começa a desenvolver empatia pela nova hóspede. A Chance de Fahim | França | Drama Forçado a fugir de Bangladesh, sua terra natal, o jovem Fahim (Assad Ahmed) e seu pai deixam o resto da família e partem para Paris. Após a sua chegada à França, eles começam uma verdadeira maratona de obstáculos para obter asilo político. Graças ao seu talento com xadrez, Fahim conhece Sylvain (Gérard Depardieu), um dos melhores treinadores da França. Quando o campeonato francês começa, a ameaça de deportação pressiona Fahim e seu pai. O jovem enxadrista tem apenas uma opção para continuar no país: ser campeão. Quem me Ama, me Segue! | França | Comédia Simone (Catherine Frot) e Gilbert (Daniel Auteuil), um casal de aposentados, vive em uma aldeia no sul da França. Após uma série de acontecimentos, como falta de dinheiro, a mudança do amante de Simone para outro lugar e as reclamações constantes de Gilbert, Simone decide simplesmente sair de casa. Agora, Gilbert está pronto para fazer qualquer coisa para ter sua esposa de volta.
Documentário de Bárbara Paz sobre Hector Babenco vence prêmio internacional na Índia
“Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou”, documentário sobre os últimos dias do diretor Hector Babenco, ganhou um novo prêmio internacional. Depois de ser premiado no Festival de Veneza, o primeiro longa-metragem dirigido pela atriz Bárbara Paz conquistou o troféu de Melhor Documentário no Festival de Mumbai, um dos mais importantes evento de cinema internacional da Índia. O documentário também foi exibido nos festivais de Mar del Plata (Argentina), do Cairo (Egito), de Havana (Cuba), do Rio, no Maranhão na Tela, Fest Aruanda, mostras de Tiradentes e de São Paulo. E traça um paralelo entre a arte e a doença de Babenco, revelando medos e ansiedades, mas também memórias, reflexões e fabulações, num confronto entre vigor intelectual e a fragilidade física que marcou o fim de sua vida. O diretor, que nasceu na Argentina e se naturalizou brasileiro, morreu em 2016, aos 70 anos, vítima de câncer. Foi casado com Bárbara Paz de 2010 até sua morte. E deixou um legado de vários clássicos, entre eles “Pixote: A Lei do Mais Fraco” (1982) e “Carandiru” (2003). O longa chega aos cinemas brasileiros em 9 de abril. Veja o trailer da produção abaixo.
Imprensa mundial repercute ataque do governo à Petra Costa e ela responde: “Não podemos ficar calados”
O ataque oficial do governo Bolsonaro a uma cidadã brasileira, a cineasta Petra Costa, repercutiu no mundo inteiro. A notícia foi distribuída pela agência AP a jornais tão diferentes quanto o New York Times e publicações da Ásia. Outras grifes da imprensa buscaram refletir por conta própria o que foi considerado “extraordinário” – isto é, foram do comum. “A maioria dos governos celebram quando seus cidadão são indicados para o Oscar, mas não no Brasil de Jair Bolsonaro”, escreveu o jornal inglês The Guardian, que citou a forma como o documentário “Democracia em Vertigem” e sua diretora estão sendo agredidos verbalmente por representantes do Estado brasileiro. Ao retuitar a reportagem sobre as ofensas que recebeu, a diretora se manifestou sobre o ataque. “O governo brasileiro usou sua conta oficial da Secretária de Comunicação nas mídias sociais para me atacar, chamando-me de anti-patriota. Este é mais um passo em direção ao autoritarismo, em relação ao qual não podemos permanecer calados”, ela escreveu, em inglês, falando ao mundo. A repercussão levou o Washington Post a contatá-la, dando espaço para que ela apontasse que o ataque contra ela foi também um ataque contra a liberdade de expressão. “Quando eles me chamam de ‘militante anti-Brasil’, como fazem com muitos que não concordam com eles, estão tentando censurar críticas e pensamentos divergentes, o que é garantido por nosso direito fundamental à liberdade de expressão”, Petra disse ao jornal americano. Diretora de “Democracia em Vertigem”, que disputa o Oscar de Melhor Documentário, Petra vem dando uma série de entrevistas para a imprensa americana, conforme a data da premiação se aproxima. E uma delas causou a ira do clã Bolsonaro. Um dos filhosdo presidente chegou a chamá-la de “canalha” e a comparou a um criminoso. Eduardo Bolsonaro, que queria ser embaixador do Brasil nos EUA, costuma usar essa truculência para consumo interno de seus seguidores, mas ao atacar Petra, no momento de maior visibilidade da cineasta, acabou jogando o comportamento agressivo de sua família nos holofotes da mídia internacional. Mas o que realmente motivou interesse mundial foi o fato de a Secom (Secretaria de Comunicação do governo) usar seus canais oficiais para perseguir a diretora, acusando-a de “denegrir uma nação” durante a entrevista “polêmica” ao canal americano PBS. Num série de posts publicados em inglês e português no Twitter, a Secom sustentou que a cineasta “assumiu o papel de militante anti-Brasil e está difamando a imagem do País no exterior”, “sem respeito por sua Pátria e seu povo”. O motivo? Ela denunciou justamente o perfil autoritário do governo, auto-exemplificado pela Secom. O responsável pela secretaria, Fabio Wajngarten, investigado por suspeita de corrupção (peculato e outros crimes) pela Polícia Federal, ainda foi ao Twitter defender o tom gravíssimo do ataque. “Um dos deveres da comunicação do governo é informar os fatos, sobretudo quando informações falsas são espalhadas no Brasil e no exterior. Porém, o que muitos querem, de fato, é denegrir o país sem direito a réplica por parte dos brasileiros. Isso sim é censura”, disse, repetindo a expressão “denegrir”, politicamente incorreta. Vale pausar para tentar entender o raciocínio: dar entrevistas contra o governo, fazendo uso da liberdade de expressão, “isso sim é censura”. Em seu clássico distópico “1984”, George Orwell batizou o ato de usar contradições evidentes em manifestações oficiais de “duplipensar”. A frase de Wajngarten é um dos melhores exemplos do significado desse uso político da boa e velha hipocrisia. Ouvidos pelos jornais Folha de S. Paulo e O Globo, diversos juristas consideraram o uso da Secom para atacar uma cidadã brasileira como anticonstitucional, pois fere o princípio da impessoalidade. Em outras palavras, Eduardo Bolsonaro pode chamar Petra Costa de “canalha” – e talvez responder por isso num processo por calúnia e difamação. Mas o Estado não pode perseguir nenhum cidadão, especialmente se esta pessoa não cometeu crime algum. À Folha, a advogada Mônica Sapucaia Machado, professora da Escola de Direito do Brasil, disse que os posts atropelam o artigo 37 da Constituição, que alerta para a forma de comunicação permitida ao governo, com termos como “impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, e determina ainda que a publicidade dos governos terá caráter educativo, informativo ou de orientação social”. Para Machado, a Secom se comportou “como um instrumento de opinião sobre determinada obra cultural” num país onde “a liberdade de expressão é um pilar constitucional”. Por conta da polêmica, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) já protocolou no Ministério Público Federal uma representação contra Fabio Wajngarten, que vai se acumular a seu processo criminal. “Esta importante secretaria do Poder Executivo Federal, em sua conta oficial do Twitter (@secomvc), de forma inacreditável, passou a atacar de forma pessoalizada e nada republicana a cineasta Petra Costa”, diz o texto encaminhado à Procuradoria pela equipe da deputada. Importante salientar que no exterior ninguém sabe quem é o subalterno de Bolsonaro responsável pela Secom. As reportagens internacionais simplesmente ignoram qualquer distinção entre a figura do secretário e a cabeça do governo. Todos são Bolsonaro. Como Bolsonaro costuma dizer que a imprensa brasileira tem “má vontade” contra seu governo, ele já deve saber como proceder. Após um órgão da presidência atacar a liberdade de expressão de uma artista brasileira em plenos Estados Unidos, país que considera a liberdade de expressão sagrada, ele só vai precisar estender a denúncia de “má vontade” à cobertura de toda a imprensa internacional. “Democracia em Vertigem” não era favorito ao Oscar de Melhor Documentário, mas a divulgação de última hora do governo Bolsonaro pode ter mudado a intensão de voto. A votação se encerrou nesta terça (4/2) e o resultado será conhecido no domingo (9/2), com transmissão ao vivo para o Brasil pelos canais Globo e TNT. The Brazilian government used its Secretary of Communication official account on social media to attack me calling me an anti-patriot. This is yet another step towards authoritarianism, in face of which we should not remain silent #TheEdgeofDemocracy https://t.co/4rJ9VmRNsy — Petra Costa (@petracostal) February 4, 2020
Governo Bolsonaro acusa diretora de Democracia em Vertigem de “denegrir” o Brasil
O governo Bolsonaro decidiu atacar a cineasta Petra Costa em seus canais oficiais. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) acusou a cineasta do documentário “Democracia em Vertigem”, indicado ao Oscar 2020, de “denegrir uma nação” diante da mídia dos EUA. Em um série de posts do Twitter, em inglês e português, a Secom sustenta que a cineasta “assumiu o papel de militante anti-Brasil e está difamando a imagem do País no exterior”, “sem respeito por sua Pátria e seu povo”, por denunciar, em entrevistas, o perfil autoritário do governo, seus ataques a minorias, desmandos na área de meio-ambiente e os reflexos da eleição passada no aumento dramático no número de mortes em ações policiais. “É incrível que uma cineasta possa criar uma narrativa cheia de mentiras e prognósticos absurdos a fim de denegrir uma nação só porque não aceita o resultado das eleições”, diz um dos tuítes da Secom, que busca desmentir pontualmente as “fake news” da diretora, criando sua própria versão dos fatos. Leia abaixo toda a narrativa oficial – que ignora dados como recordes de desmatamentos, pressão mundial para início de trabalhos de defesa ambiental, acusação leviana do presidente contra ONGs, que envolveram ataques gratuitos até ao ator Leonardo DiCaprio, projetos para garimpagem e atividades agropecuárias em terras indígenas, sem esquecer a situação catastrófica de poluição litorânea, além das tentativas de aprovar leis que isentam de punição militares e policiais, e descriminalizar a letalidade em ação policial (autos de resistência). O vídeo que acompanha os tuítes é ainda mais parcial, chegando a afirmar que “o governo federal não fez nenhuma ação contra direitos de minorias”. O presidente só disse publicamente que “não fazia sentido” incentivar filmes e séries de temática LGBTQIA+, afirmando que ia “mandar pro pau” projetos do gênero, o que levou à derrubada de um edital. Também esteve por trás de censura explícita e demissão de quem autorizou publicidade estatal com LGBTQs+ e da notória proibição de manifestações artísticas sobre diversidade sexual em centros culturais ligados a estatais. “Nenhuma ação”? A votação do Oscar se encerra nas próximas horas (em 4/2), mas o governo brasileiro, que até então não tinha ajudado a única representante do cinema nacional que disputa a premiação, acabou prestando grande serviço, ao fazer propaganda gratuita de última hora. O ataque acaba materializando um forte motivo para os votantes optarem pelo filme de Petra Costa, em repúdio a mais uma manifestação contra o trabalho de artistas feita oficialmente pela administração de Bolsonaro. A campanha anti-Petra se dá em função de a cineasta ter ganhado grande visibilidade com a indicação ao Oscar e estar no centro da mídia americana, dando diversas entrevistas em que denuncia o crescente autoritarismo do governo. Claramente sem perceber a ironia, o ataque da Secom apenas confirma o diagnóstico da diretora para o mundo inteiro – ainda escandalizado ao descobrir que o Brasil tinha um secretário de Cultura simpatizante do nazismo. Ninguém nega, nem a própria Petra, que “Democracia em Vertigem” faz uma retrospectiva de um ponto de vista pessoal – e assumidamente petista – dos eventos recentes da política brasileira, com ênfase no impeachment de Dilma Rousseff. Trata-se de uma peça da guerra de narrativas políticas. Há outra, feita pelo MBL, chamado “Não Vai Ter Golpe”, que conta versão diferente. E democracia é exatamente isso, a convivência entre diferenças de perspectivas. Quem tem bom-senso sabe que a parcialidade faz parte desse jogo. Entretanto, não vem à lembrança outro caso em que o governo de um país democrático – a Rússia não se enquadra – tenha denunciado um cineasta como anti-patriota por conta de críticas políticas, como a Secom acaba de fazer. Vale considerar que, se criticar um presidente fosse “denegrir uma nação”, Bolsonaro seria um dos maiores anti-patriotas da história do Brasil. Não só atacou os governos petistas como votou pelo Impeachment de Dilma Rousseff. Mas ele se considera o maior patriota de todos. E tem seu direito constitucional garantido de criticar presidentes passados, porque um nação democrática não se confunde com seus governantes. Quando a crítica ao governo passa a ser considerado antipatriotismo, a declarada saudade da ditadura do presidente sai do terreno das ideologias para se materializar com a força de uma ação oficial. Nesse sentido, é interessante reparar ainda na escolha de palavras da Secom. “Denegrir” é o termo mais politicamente incorreto que poderia ter sido usado na situação. Sua inclusão ajuda a aprofundar o intertexto, num vislumbre da mente dos responsáveis pelo ataque oficial, que ainda chamam negros brasileiros de afro-americanos. Só que afro-americano é um termo que identifica exclusivamente afro-descendentes nos EUA – e não no Brasil. Ou seja, se a discussão for racismo no governo, a Secom contribuiu apenas para piorar o quadro. Para completar, ressalte-se que a Secom está atualmente envolvida num escândalo político, graças às denúncias sobre a atuação de seu chefe, Fábio Wajngarten, suspeito de peculato (subtração ou desvio, por abuso de confiança, de dinheiro público), advocacia administrativa (patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública) e quebra do princípio da impessoalidade na administração (colocar interesses pessoais acima do interesse público), que estão sendo investigadas pelo MPF (Ministério Público Federal) e pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Nos Estados Unidos, a cineasta Petra Costa assumiu o papel de militante anti-Brasil e está difamando a imagem do País no exterior. Mas estamos aqui para mostrar a realidade. Não acredite em ficção, acredite nos fatos. pic.twitter.com/NLnf8gA87c — SecomVc (@secomvc) February 3, 2020 Filmmaker Petra Costa played the role of an anti-Brazil activist and tarnished the country's image abroad with a series of fake news in an interview on American television. pic.twitter.com/jRxCGqLoAo — SecomVc (@secomvc) February 3, 2020 It is unbelievable that a filmmaker can create a narrative full of lies and absurd forecasts in order to denigrate a nation just because she does not accept the result of elections. — SecomVc (@secomvc) February 3, 2020 Quanto ao suposto excesso de letalidade das forças policiais do Rio de Janeiro, é importante lembrar que essa é uma responsabilidade do Governo do Estado do Rio de Janeiro. — SecomVc (@secomvc) February 3, 2020 O presidente @jairbolsonaro já reforçou o compromisso brasileiro com o Meio Ambiente e a preservação da Amazônia em discurso na ONU e com ações efetivas. A criação do Conselho da Amazônia e da Força Nacional Ambiental são duas delas. — SecomVc (@secomvc) February 3, 2020 O @MMeioambiente lançou o Pacto pelo Ambientalismo de Resultado: incluir para preservar. O resultado: combate ao desmatamento ilegal na Amazônia e tolerância zero com os desmatadores. — SecomVc (@secomvc) February 3, 2020
Hamilton: Disney anuncia o documentário mais caro de todos os tempos
A Disney anunciou o lançamento de uma versão para o cinema do espetáculo da Broadway “Hamilton”, prevista para chegar às telas em outubro de 2021. Mas deixou de fora o detalhe mais importante da notícia. Segundo apurou o site Deadline, a aquisição dos direitos de exibição foi a mais cara de todos os tempos, girando em torno de US$ 75 milhões. Se esse preço for real, será mesmo um negócio nunca visto. Porque o “filme” nada mais é que um registro da peça, feito durante três noites consecutivas no final da temporada do elenco original. Trata-se, sim, de um documentário da montagem teatral no palco do Richard Rodgers Theatre, apenas incrementado por takes alternativos gravados com o teatro vazio – feitos com o objetivo de multiplicar os ângulos e dar uma aparência mais “cinematográfica” à edição de imagens – , de modo a evitar a aparência tediosa de “teatro filmado”. O custo ficou tão elevado porque os direitos foram disputados com concorrentes de peso, inflacionando o valor dos direitos da obra de Lin-Manuel Miranda, vencedora de 11 prêmios Tony em 2016, além do Prêmio Pulitzer de Drama. Entretanto, é justo constatar que, por esse orçamento, seria possível realizar uma adaptação inédita, exclusiva e superproduzida do mesmo musical. Afinal, a Universal recusou produzir a adaptação cinematográfica de “Em um Bairro de Nova York”, outra obra de Miranda, pelo orçamento chegar em US$ 30 milhões. A Warner, que acabou realizando a adaptação, pagou os direitos e a filmagem completa por cerca de US$ 20 milhões, o que incluiu o salário do próprio Miranda como ator. O filme “Em um Bairro de Nova York” – não o registro documental da peça – estreia em junho. O diretor Tommy Kail dirigiu a versão teatral e o filme de “Hamilton”, que será lançado nos cinemas em 15 de outubro de 2021 – antes de encontrar seu inevitável lar na plataforma Disney+ (Disney Plus). Disney presents: Hamilton. With The Original Broadway Cast. Filmed onstage at The Richard Rodgers Theatre. In A Theater Near You.October 15, 2021. #Hamilfilm pic.twitter.com/08YP6CTbF8 — Walt Disney Studios (@DisneyStudios) February 3, 2020
Taylor Swift lança música inédita do documentário Miss Americana
A cantora Taylor Swift disponibilizou uma nova música nesta sexta (31/1), intitulada “Only the Young”, que faz parte de seu documentário “Miss Americana”, lançado pela Netflix no mesmo dia. A canção traz Swift encorajando seus jovens fãs a enfrentar um mundo caracterizado como injusto. “Não diga que está cansado demais para lutar/ É só uma questão de tempo/ Ali na frente está a linha de chegada/ Então corra”, diz um trecho. A letra reflete o tom do documentário, em que a cantora aborda as pressões que enfrentou no começo da carreira para apresentar uma imagem conformista de “boa garota”, contra a qual decidiu se rebelar. Dirigido por Lana Wilson (“The Departure”), “Miss Americana” teve sua première mundial no Festival de Sundance, nos EUA, onde foi elogiado pela crítica por fazer um panorama completo da carreira da jovem estrela pop. O filme atingiu 89% de aprovação na média do site Rotten Tomatoes.
Diretora de For Sama, indicado ao Oscar 2020, protesta contra ONU
A cineasta Waad al-Kateab, diretora de “For Sama”, documentário sírio indicado ao Oscar 2020, protestou nesta quinta-feira (30/1) em frente à sede da ONU, após o anúncio do adiamento dos resultados de uma investigação sobre crimes de guerra na Síria. “Vergonha, ONU! Vergonha (secretário-geral António) Guterres! Vergonha!”, gritou a cineasta, cujo documentário sobre sua vida em Aleppo, sob bombardeio constante, tem vencido vários prêmios internacionais. Consagrado no Festival de Cannes, “For Sama” foi resultado da mistura de sua experiência pessoal e profissional em Aleppo. Waad deu à luz a sua filha Sama enquanto trabalhava como jornalista em meio à guerra civil no país. Além do sucesso do filme, suas reportagens para o noticiário do Channel 4 britânico foram reconhecidas com o prêmio Emmy americano. Seu marido e pai de Sama é médico. Por isso, ela se engajou na manifestação da ONG Medical for Human Rights e leu mensagens de médicos que testemunharam os danos causados pelo bombardeio de hospitais em áreas controladas por rebeldes na Síria. Em agosto, a ONU abriu uma investigação sobre alguns dos ataques, que Moscou nega ter realizado. A investigação deveria estar pronta no final de janeiro, mas foi adiada para meados de março. Waad al-Kateab teme que os resultados da investigação nunca sejam publicados, o que levaria a “mais desinformação em vez de dizer a verdade sobre o que está acontecendo na Síria”. Ela disse que não confia na ONU e em Guterres, e que a organização está “ajudando” a ofensiva do presidente Bashar al-Assad, no noroeste da Síria. “Eles devem aceitar sua responsabilidade. Eles são as Nações Unidas. Eles não devem tomar partido e ajudar o regime de Assad”, disse o cineasta.
Estreias: Bad Boys para Sempre é o maior lançamento da semana
O revival da franquia “Bad Boys”, que retorna aos cinemas após 17 anos, é estreia mais ampla da semana, com lançamento em mil telas. Há duas semanas em 1º lugar nas bilheterias da América do Norte, “Bad Boys para Sempre” volta a juntar Will Smith e Martin Lawrence como uma dupla de policiais do departamento de narcóticos de Miami e se revela o melhor filme da trilogia, iniciada em 1995. Muita ação, humor e estilo garantem a diversão, com 77% de aprovação no Rotten Tomatoes. A programação também destaca “Judy”, filme que deve render o Oscar de Melhor Atriz a Renee Zellwegger – após vencer o Globo de Ouro, o SAG Awards (prêmio do Sindicato dos Atores) e o Critics Choice, entre outros reconhecimentos. No filme, ela interpreta a famosa atriz Judy Garland (de “O Mágico de Oz” e “Nasce uma Estrela”) em seus últimos dias. É um filmaço, graças à interpretação incontestável da atriz. Para o lançamento nacional, porém, o título original “Judy”, dissílabo com quatro letras, ganhou um subtítulo enorme e desnecessário. Entre os filmes de menor visibilidade, vale a pena descobrir o suspense dramático “Açúcar”, que denuncia o racismo social brasileiro, encontrando paralelos entre as relações raciais atuais e a época da escravatura. Com Maeve Jinkins (“Boi Neon”) no papel principal, uma sinhazinha recém-chegada da capital que não vê que os tempos mudaram em torno do canavial da família, o filme de Renata Pinheiro e Sergio Oliveira (respectivamente, diretora e roteirista de “Amor, Plástico e Barulho”) venceu o prêmio da crítica no festival Festin de Lisboa. Já a opção para evitar é o terror “Os Órfãos”, um dos piores trabalhos do gênero nos últimos anos. Vai arriscar? Saiba mais sobre a roubada aqui. Confira abaixo outros detalhes das estreias da semana com todos os títulos, sinopses e trailers. Bad Boys para Sempre | EUA | Ação Terceiro episódio das histórias dos policiais Burnett (Martin Lawrence) e Lowrey (Will Smith), que devem encontrar e prender os mais perigosos traficantes de drogas de Miami. Judy – Muito Além do Arco-Íris | EUA | Drama Inverno de 1968. Com a carreira em baixa, Judy Garland (Renée Zellweger) aceita estrelar uma turnê em Londres, por mais que tal trabalho a mantenha afastada dos filhos menores. Ao chegar ela enfrenta a solidão e os conhecidos problemas com álcool e remédios, compensando o que deu errado em sua vida pessoal com a dedicação no palco. Os Órfãos | EUA | Terror Kate (Mackenzie Davis) é uma jovem professora contratada para trabalhar como governanta na mansão de uma família rica. Na casa, localizada em Essex, Londres, vive Flora (Brooklynn Prince) e Miles (Finn Wolfhard), irmãos órfãos que perderam ambos os pais em um acidente próximo à casa. No entanto, ela logo percebe que no local existem outros moradores, não necessariamente vivos. Açúcar | Brasil | Drama Bethânia Wanderley (Maeve Jinkings) não gosta do cenário rural da Zona da Mata, mas precisa voltar ao lugar onde nasceu, um decadente engenho de cana-de-açúcar, para impedir que os antigos trabalhadores do canavial tomem conta das terras. Confrontada pelo líder da associação, Zé (José Maria Alvez), e pot Alessandra (Dandara de Morais), que passa a ser faxineira da casa para vigiar a sinhazinha, Bethânia terá que lidar com o seu passado e os seus preconceitos. E Agora? A Mamãe Saiu de Férias! | Brasil | Comédia Giulia (Valentina Lodovini) é uma mãe que abandonou a carreira para se dedicar aos seus três filhos. Carlo (Fabio De Luigi) é marido de Giulia mas, diferente dela, não tem tempo para a família e passa mais tempo no trabalho do que em casa. Tudo muda quando Giulia, cansada da monotonia de sua vida, decide sair de férias por dez dias, deixando Carlo sozinho com as crianças. Testemunha Invisível | Itália | Suspense Adriano Doria (Riccardo Scamarcio) é o empresário do ano em Milão. Ele dirige uma BMW, usa um Rolex extravagante, tem uma adorável esposa e filha e, também, uma bela amante. Mas agora ele está em prisão domiciliar, acusado de assassinato após ser flagrado em um quarto de hotel com a amante morta, cujo corpo estava coberto de dinheiro. Com Amor, Van Gogh – O Sonho Impossível | Polônia | Documentário O documentário detalha minuciosamente a jornada que levou dois cineastas apaixonados a alcançar seu sonho impossível, criando o primeiro longa-metragem totalmente pintado do mundo, “Com Amor, Van Gogh”, lançado em 2017.
Gabriel Medina vira Filme. Veja o trailer do documentário da Globoplay
A Globoplay vai lançar um documentário sobre o surfista Gabriel Medina. Um teaser de “Gabriel Medina – O Filme” foi compartilhado pelo surfista em seu Instagram, acompanhando desde sua infância na praia de Maresias, no litoral paulista, até sua consagração como campeão mundial do esporte. Ao lado do vídeo, ele escreveu: “Conheci o surfe aos 7 anos de idade. Assim que subi na prancha, veio o sonho: ser campeão mundial. De lá pra cá, passei a maior parte da minha vida dentro d’agua atrás do maior objetivo da minha vida. Mas nunca foi fácil. Todos conhecem o Gabriel Medina de hoje, mas poucos sabem das coisas que passei pra chegar até aqui. Consegui realizar meu sonho, e agora to muito feliz de poder compartilhar com vocês minha história e trajetória de vida!”. Nos comentários, amigos do craque o elogiaram e vibraram com a novidade. “Ansioso pra ver no cinema”, brincou Nakagima, surfista amigo de Gabriel. “Gabriel Medina. De Maresias. Um cara do bem! Te amo, irmão!”, escreveu o cantor de pagode Thiaguinho. Coprodução da Globo com o canal pago Off, especializado em esportes radicais, o documentário tem direção de Henrique Daniel, que já tinha acompanhado o surfista na série “Mundo Medina”, do Off, em suas viagens ao redor do mundo. A estreia vai acontecer já nesta sexta (31/1) na plataforma da Globoplay. Ver essa foto no Instagram Conheci o surfe aos 7 anos de idade. Assim que subi na prancha, veio o sonho: ser campeão mundial. . De lá pra cá, passei a maior parte da minha vida dentro d’agua atrás do maior objetivo da minha vida. Mas nunca foi fácil. . Todos conhecem o Gabriel Medina de hoje, mas poucos sabem das coisas que passei pra chegar até aqui. Consegui realizar meu sonho, e agora to muito feliz de poder compartilhar com vocês minha história e trajetória de vida! . Dia 31/01 no @globoplay ! . Um filme de @hdanielstudio . #GabrielMedinaNoGloboPlay Uma publicação compartilhada por G. Medina (@gabrielmedina) em 23 de Jan, 2020 às 5:06 PST
Petra Costa compartilha fotos de encontros com Brad Pitt e Leonardo DiCaprio
A diretora brasileira Petra Costa postou no Instagram fotos em que aparece confraternizando com Brad Pitt e Leonardo DiCaprio. O encontro com os astros de “Era Uma Vez em… Hollywood” aconteceu durante o tradicional almoço de confraternização dos indicados ao Oscar 2020. Petra concorre ao prêmio da Academia pelo documentário “Democracia em Vertigem”. Ela fez mistério em relação ao assunto conversado com Pitt. Ao lado da foto, em que os dois aparecem gesticulando, escreveu: “Adivinha do que falávamos?”. Um seguidor da cineasta arriscou que “foi golpe”, já que essa é a narrativa do filme sobre o Impeachment de Dilma. Mas também teve quem apostasse na futilidade, sobre a volta de Brad e Jennifer Aniston, que já foram casados e estão atualmente amiguinhos. Mas vale lembrar que, além de ator, Brad Pitt é um produtor muito ativo, dono da Plan B, que já venceu dois Oscars de Melhor Filme com “12 Anos de Escravidão” e “Moonlight”. A cineasta foi mais direta ao falar sobre o encontro com DiCaprio, que posou para a foto, ao lado dela, da produtora britânica de seu filme, Joanna Natasegara, e de sua convidada especial, a líder indígena Sonia Guajajara. “Com Leonardo DiCaprio falamos da Amazônia e agradecemos ele por tudo que ele tem feito”, Petra escreveu. Anteriormente, ela tinha dito para seus seguidores no Twitter que, se tivesse a oportunidade de encontrar DiCaprio nos eventos do Oscar, pretendia dizer um “thank you” e pedir desculpas pelos ataques que ele recebeu de Jair Bolsonaro. “Eu diria “i’m sorry” (desculpas) a Leonardo DiCaprio em nome do povo brasileiro e agradeceria por tudo que ele tem feito pelo meio ambiente e pela Amazônia”. Ela também postou fotos com as documentaristas indicadas ao Oscar e com os integrantes de sua “mesa”, que incluíram um segundo convidado: o produtor Lawrence Bender, que trabalhou com Quentin Tarantino de “Cãos de Aluguel” a “Bastardos Inglórios”. Um contato importante em Hollywood e sinal de provável encaminhamento de seu próximo trabalho. “Democracia em Vertigem” é considerado o maior azarão na categoria de Documentário do Oscar, já que é o único filme na disputa sem premiação prévia importante. Mesmo assim, a direita brasileira acredita que sua provável derrota deva ser comemorada. Trata-se de (outra) estupidez ideológica. Petra não precisa da estatueta. A simples indicação já foi um, digamos, “golpe” enorme para a carreira da cineasta, que se tornou mundialmente conhecida e agora tem acesso a todos os nomes citados. Mesmo quem questiona a narrativa de “Democracia em Vertigem” admite o enorme talento e capacidade técnica da cineasta. E Hollywood também parece ter percebido isso. A 92ª edição do Oscar será realizada em 9 de fevereiro no Teatro Dolby, em Los Angeles, com transmissão ao vivo no Brasil pelos canais Globo e TNT. Ver essa foto no Instagram Adivinha do que falávamos? Guess what we were talking about? #oscarnomineeluncheon #theedgeofdemocracy #democraciaemvertigem #bradpitt Styling @andersonrodriguez Beleza @romuloflores Uma publicação compartilhada por Petra Costa (@petracostal) em 27 de Jan, 2020 às 11:30 PST Ver essa foto no Instagram Que dia ♥️ gratidão imensa por todos que plantaram esse filme conosco 🌱 Fomos no almoço do Oscar (foto 2) com nossos produtores Joanna Natasegara, Shane Boris, Tiago Pavan e nossos convidados de honra, Sonia Guajajara (a incrível líder indigena) e Lawrence Bender produtor entre outras obras primas de Reservoir Dogs. Com @leonardodicaprio falamos da Amazônia e agradecemos ele por tudo que ele tem feito. E a última fotinho com todas as diretoras nomeadas na categoria de melhor documentário celebrando a força das mulheres 👊🏾 Julia Reichert, @waadalkateab and @tamarakotevska ****** What a day ♥️ gratitude to all who planted this film with us 🌱 We went to the Oscar lunch (photo 2) with our producers Joanna Natasegara, Shane Boris, Tiago Pavan and our guests of honor, Sonia Guajajara (the incredible indigenous leader) and Lawrence Bender producer, among other masterpieces, of Reservoir Dogs. With @leonardodicaprio we talked about the Amazon rainforest, we thank him for everything he has done. And the last photo with all the directors nominated in the category of best documentary celebrating the strength of women 👊🏾 Julia Reichert, @waadalkateab and @tamarakotevska Styling @andersonrodriguez make @romuloflores #democraciaemvertigem #theedgeofdemocracy Thank you @heartofj @glenn.silber @pameladyates @juliapacetti @cressly300 Uma publicação compartilhada por Petra Costa (@petracostal) em 28 de Jan, 2020 às 8:57 PST












