Michael Moore lança documentário surpresa contra Donald Trump
Michael Moore aproveitou a polêmica envolvendo Donald Trump para anunciar, de surpresa, a exibição de um documentário sobre os republicanos de Ohio, região onde o candidato republicado às eleições presidenciais dos Estados Unidos é mais forte. Intitulado “Michael Moore in TrumpLand”, a produção terá pré-estreia na noite desta terça-feira (18/10) no IFC Center, em Nova York. “E aí, Nova York? Quem quer dar uma olhada no que eu tenho feito? Terça, 9:30pm, no IFC Center. Os ingressos gratuitos e serão distribuídos por ordem de chegada a partir das 8:30pm”, divulgou o diretor em sua conta no Twitter. Descrito pelo próprio Moore como o filme que os republicanos de Ohio tentaram derrubar, “Michael Moore in TrumpLand” mostra o documentarista em uma região hostil do país para ele, fazendo piadas sobre Donald Trump. Em 2004, Moore venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes com “Fahrenheit 9/11”. Sucesso mundial, o documentário questionava as motivações suspeitas da Guerra do Iraque, numa época em que a mídia se recusava a questionar as mentiras do presidente George W. Bush.
A 13ª Emenda: Documentário da diretora de Selma sobre racismo do sistema prisional ganha trailer
A Netflix divulgou o trailer legendado de “A 13ª Emenda”, documentário sobre o racismo do sistema prisional americano dirigido pela cineasta Ava DuVernay (“Selma”). O documentário usa como título a 13ª emenda da Constituição dos EUA, que acabou com a escravidão no país em 1865, para argumentar que o escravismo ainda está vivo no encarceramento em massa, que afeta desproporcionalmente os negros. Enquanto os homens negros representam cerca de 6,6% da população americana, atualmente equivalem a 40,2% da lotação carcerária. Usando imagens de televisão, músicas e entrevistas com acadêmicos, políticos e ex-prisioneiros, a diretora Ava DuVernay descortina o preconceito que alimento o gueto prisional, que remonta aos linchamentos, à repressão aos direitos civis, às leis que sugerem parar e revistar quem parece ter “comportamento criminoso” e ao surto atual de mortes de negros desarmados pelas mãos da polícia. O filme teve première no dia 30 de setembro no Festival de Nova York e chegou ao Netflix no fim de semana.
Supersonic: Cena do documentário mostra criação do primeiro hit da banda Oasis
A A24 divulgou uma cena de “Supersonic”, documentário sobre a banda Oasis, produzido pelo cineasta Asif Kapadia, diretor do premiado “Amy” (2015). A prévia traz Noel Gallagher contando como criou a música que dá título ao filme e que também foi o primeiro hit da banda, enquanto cenas mostram shows e o clipe da canção. Repleta de imagens raras, que revivem a era de ouro do Britpop, o filme vai mostrar o lado brincalhão e a seriedade musical com que a banda encarou sua ascensão nos anos 1990, além das brigas e o comportamento destrutivo que levou à sua dissolução, concentrando a história nos dois irmãos que sempre estiveram à sua frente, Liam e Noel Gallagher. O filme tem direção de Mat Whitecross, que, após se consagrar com o premiado documentário político “O Caminho para Guantánamo” (2006), estreou na ficção com dois dramas de temática roqueira, “Sex & Drugs & Rock & Roll” (2010), cinebiografia do cantor Ian Dury, e “Spike Island” (2012), homenagem à banda Stone Roses. A estreia está marcada para sexta-feira (14/10) no Reino Unido.
Veja o trailer do novo documentário da banda 30 Seconds to Mars dirigido por Jared Leto
A banda 30 Seconds to Mars divulgou, em sua página oficial no YouTube, o primeiro trailer de “Camp Mars: The Concert Film”, um documentário sobre um acampamento/show da banda em 2015, dirigido pelo ator Jared Leto (“Esquadrão Suicida”), que é o cantor do grupo. A prévia mostra a locação campestre e o público animado, que chega para passar três noites num evento descrito como “acampamento de verão” para adultos. Dois dos shows noturnos foram gravados para a produção do vídeo, que ainda destaca a interação da banda com os fãs fora do palco, a participação de DJs, as trilhas para caminhadas, etc. A ideia é que o acampamento se torne uma tradição anual, reunindo a banda com seus fãs de uma forma mais íntima que a permitida pelos grandes festivais de rock. A estreia do filme vai acontecer em 9 de outubro numa plataforma de streaming mais obscura, chamada de VyRT e criada por Leto em 2011.
Leonardo DiCaprio alerta o mundo sobre os perigos da mudança climática em trailer de documentário
A National Geographic divulgou o pôster e o trailer do documentário “Before the Flood”, em que Leonardo DiCaprio roda o mundo, fala com autoridades e cientistas, e tenta aumentar a conscientização sobre a importância de discutir a mudança climática que afeta o planeta. Quem acompanha a carreira do ator sabe que ele é um ativista dedicado à causa do meio ambiente. Este nem é seu primeiro envolvimento num documentário sobre o tema. Mas é o que mostra mais fôlego, ao levá-lo ao Ártico para testemunhar in loco o derretimento da calota polar e acompanhar seu testemunho sobre o que viu na ONU, diante de delegações de vários países. Graças a sua popularidade, ele também é capaz de ser recebido pelo Papa Francisco e o Presidente dos EUA Barack Obama para registrar seus depoimentos sobre a questão. Além de ser narrador e condutor do filme, ele também mostra fôlego como entrevistador, e ainda divide a produção com o cineasta Martin Scorsese. A direção, por sua vez, é de Fisher Stevens, documentarista vencedor do Oscar em 2010 por “The Cove”, que já abordava a depredação do meio ambiente. A estreia vai acontecer em 21 de outubro nos EUA e ainda não há previsão para o lançamento no Brasil.
Curumim: Documentário sobre brasileiro executado na Indonésia ganha trailer impactante
O documentário “Curumim” teve seu pôster e trailer divulgados. O filme acompanha os últimos dias de Marcos “Curumim” Archer, brasileiro executado na Indonésia por tráfico de drogas. A prévia é intensa, com imagens gravadas clandestinamente no corredor da morte pelo próprio Archer, e com entrevistas, encenação e imagens de arquivo, que recriam a trajetória do amigo dos amigos das festas cariocas, fuzilado na Ásia em janeiro do ano passado. Preso em 2003, Archer foi quem fez contato com o diretor Marcos Prado (“Paraísos Artificiais”) para pedir que ele filmasse sua história, “como um diário do corredor da morte”. Os dois se conheciam desde a juventude. Desde então, foram mais de 80 horas de conversas gravadas por telefone e imagens captadas graças ao contrabando de um celular para a prisão. Tudo feito sem nenhum apoio da embaixada do Brasil na Indonésia, que não ajudou o cineasta nem para falar com Marcos. Exibido sob aplausos na mostra Panorama, do Festival de Berlim, o filme estreia no Brasil em 3 de novembro.
A Cidade Onde Envelheço vence o Festival de Brasília
Primeiro longa de ficção da documentarista Marília Rocha, “A Cidade Onde Envelheço” foi o grande vencedor do 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Ao todo, o filme recebeu quatro troféus Candangos. Além de Melhor Filme, também rendeu o prêmio de Melhor Direção para Rocha, Ator Coadjuvante para Wederson Neguinho, e Atriz, que foi dividido entre Elizabete Francisca e Francisca Manuel. O filme conta o drama de Teresa (Elizabete Francisca Santos), uma jovem portuguesa que decide deixar seu país para morar no Brasil, onde já está uma amiga (Francisca Manuel). O choque cultural rendeu alguns dos momentos mais bem-humorados do festival. Ao contrário do júri, o público preferiu um documentário, “Martírio”, de Vincent Carelli, que retrata o drama dos índios Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, em luta centenária para permanecer em seu território. Foi um dos longas mais aplaudidos durante a competição e também ganhou um Prêmio Especial do Júri. A animação “Quando os Dias Eram Eternos”, de Marcus Vinicius Vasconcelos, venceu como melhor curta. Segundo a organização do festival, cerca de 30 mil pessoas assistiram aos filmes deste ano. Mas, após a abertura marcada por forastemer, o encerramento aconteceu sem a presença de autoridades e com poucos premiados para receber os troféus. Retomando a tradição de lançar novos filmes, todos os longas em competição no evento eram inéditos no Brasil. Confira abaixo a relação dos longas premiados e a lista completa dos vencedores no site do festival. Longas Premiados no Festival de Brasília 2016 Melhor Filme A Cidade Onde Envelheço Melhor Filme – Júri Popular Martírio Melhor Filme – Júri da Crítica Rifle Prêmio Especial do Júri Martírio Melhor Direção Marília Rocha (A Cidade Onde Envelheço) Melhor Ator Rômulo Braga (Elon Não Acredita na Morte) Melhor Atriz Elizabete Francisca e Francisca Manuel (A Cidade Onde Envelheço) Melhor Ator Coadjuvante Wederson Neguinho (A Cidade Onde Envelheço) Melhor Atriz Coadjuvante Samya De Lavor (O Último Trago) Melhor Roteiro Rifle Melhor Fotografia O Último Trago Melhor Direção de Arte Deserto Melhor Trilha Sonora Vinte Anos Melhor Som Rifle Melhor Montagem O Último Trago Prêmio Conterrâneos Vinte Anos Prêmio Marco Antônio Guimarães Martírio
Brad Pitt anuncia que não irá à première de seu novo filme
Brad Pitt anunciou que não irá à pré-estreia de “Voyage of Time”, documentário de Terrence Malick no qual trabalhou como narrador. Em um comunicado ao site Access Hollywood, o ator afirmou que deixará de ir ao evento “porque está focado na situação de sua família”, referindo-se a seu divórcio com Angelina Jolie. Ele ainda diz que é muito grato por ter participado de “um projeto tão fascinante e educador”, que trata da origem do universo. “Não quero tirar a atenção desse filme extraordinário, que encorajo todos a verem”. O ator também é produtor do longa, que marca seu reencontro com Malick, após “Árvore da Vida” (2011). O filme ainda conta com narração de Cate Blanchett (“Carol”), fotografia do cinematógrafo Paul Atkins, que comandou viagem cinematográfica similar para a Disney no documentário “Terra” (2007), e trilha do veterano compositor Ennio Morricone, que este venceu o Oscar pela composição musical de “Os Oito Odiados” (2015). “Voyage of Time” estreia em 7 de outubro nos EUA, exclusivamente em Imax, e terá première no Brasil durante o Festival do Rio.
Após inspirar filmes, história de Amanda Knox vira documentário da Netflix com trailer legendado
A Netflix divulgou o pôster e o trailer legendado de seu documentário sobre Amanda Knox, a jovem e bela americana que figurou nas páginas policiais de todo o mundo após ser presa e condenada pelo assassinato brutal de sua colega de quarto na Itália, aos 21 anos de idade. Ela chegou a ser descrita como psicopata, mas acabou libertada após quatro anos, com a descoberta de diversos erros em seu processo criminal. A prévia traz a própria Amanda comentando justamente isso: ou ela é uma psicopata perigosa, por ser a última pessoa que você pensaria que seria capaz de um crime violento, ou é uma vítima inocente como o espectador. Essa história já virou filme, “The Face of an Angel” (2014), de Michael Winterbottom, com nomes trocados e muita liberdade criativa – e Cara Delevingne (“Esquadrão Suicida”) no papel de suspeita – , além de um telefilme sensacionalista do canal Lifetime, “Amanda Knox: Julgamento na Itália” (2011), estrelado por Hayden Panettieri (série “Nashville”). Mas é a primeira vez que Amanda conta sua versão dos fatos. Dirigido por Rod Blackhurst (“Here Alone”) e Brian McGinn (série “Chef’s Table”), “Amanda Knox” teve première mundial no Festival de Toronto e estreia na próxima sexta-feira (30/9).
Documentário sobre viagem musical de Carlos Malta pelo Brasil vence o Festival In-Edit
O documentário “Xingu Cariri Caruaru Carioca” foi o vencedor da mostra competitiva nacional do Festival In-Edit Brasil 2016. Dirigido por Beth Formaggini (do curta “Angeli 24 Horas”), o filme acompanha o músico Carlos Malta a quatro pontos do Brasil para encontrar músicos importantes na tradição do pífano, como João do Pife e Dona Isabel Marques da Silva, a “Zabé da Loca”. Ele também será exibido em outubro no In-Edit Barcelona, com a presença da diretora. O Júri também deu menção honrosa a dois documentários: “Danado de Bom”, de Deby Brennand, sobre João Silva, compositor e parceiro de Luiz Gonzaga, e “Waiting for B.”, de Paulo César Toledo e Abigail Spindel, sobre os fãs da cantora Beyoncé que acamparam em frente ao estádio do Morumbi durante dois meses para ver o show. “Waiting for B.” também venceu o prêmio do público como Melhor Documentário do festival. O Júri desta edição foi formado pela jornalista e documentarista Flávia Guerra (“Karl Max Way”), o cantor e compositor Péricles Cavalcanti (“Anna K.”) e o jornalista e documentarista Ricardo Calil (“Eu Sou Carlos Imperial”).
Cinema Novo: Documentário premiado em Cannes, que abre o Festival de Brasília, ganha trailer
A Vitrine Filmes divulgou o primeiro trailer de “Cinema Novo”, de Eryk Rocha, que venceu o prêmio Olho de Ouro (L’Oeil d’Or) como o Melhor Documentário do Festival de Cannes de 2016. O diretor também é filho de um dos maiores expoentes do movimento cinemanovista, Glauber Rocha, e com o filme reencontra o pai, falecido em 1981, quando ele tinha apenas três anos de idade. A prévia é uma profusão rica de imagens, montadas de forma vertiginosa e intercaladas por depoimentos de época. Isto também reflete uma crítica que se faz ao filme, que ele não “conta a história” do movimento, no sentido de um documentário mais tradicional. Em vez disso, surge como uma obra que junta fragmentos para formar um painel da geração e da época em que o cinema brasileiro foi para as ruas, para as praças e descobriu a realidade do país, dos problemas urbanos à crise rural. A experiência é impressionista, mas também pode ser chamada de impressionante. “Cinema Novo” tem sua première nacional nesta terça (20/9) como o filme de abertura do Festival de Brasília e ainda será exibido, fora de competição, no Festival do Rio. A estreia comercial está marcada para 10 de novembro.
Festival de Brasília começa sua maior edição dos últimos anos
O 49º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa nesta terça (20/9) sua maior edição dos últimos anos na capital federal. Só a competição terá 9 longas-metragens, três a mais que nas edições anteriores, além de 12 curtas. A estes filmes se somam outros 20 em mostras paralelas e sessões especiais, chegando a um total de 40 produções cinematográficas. A abertura acontece com o documentário “Cinema Novo”, de Eryk Rocha, premiado no Festival de Cannes deste ano, com exibição no Cine Brasília apenas para convidados. Já o encerramento vai acontecer com a projeção de “Baile Perfumado” (1997), de Paulo Caldas e Lírio Ferreira, numa homenagem aos 20 anos da produção e a retomada do cinema pernambucano. “A gente quer dar de novo ao festival a potência que ele tinha, de trazer para Brasília o melhor do cinema brasileiro, não só na mostra oficial, mas nas mostras paralelas também”, disse o secretário de Cultura do Distrito Federal, Guilherme Reis, em comunicado, ecoando críticas feitas aqui mesmo na Pipoca Moderna. “Queremos que o festival de Brasília seja o festival dos festivais. Todo o cinema brasileiro potente tem que se reunir em Brasília. É o local de discussão política e estética do cinema. Este festival é o mais tradicional evento cultural de Brasília. É uma grande vitrine do estágio da produção tanto do ponto de vista da estética do cinema brasileiro quanto do seu papel político e da discussão política que se estabelece em Brasília”, afirmou o secretário. Todos os nove longas selecionados para a mostra competitiva são inéditos no circuito dos festivais brasileiros, mas dois já foram exibidos no exterior: a produção amazonense “Antes o Tempo Não Acabava”, de Sérgio Andrade e Fábio Baldo, que teve première no Festival de Berlim, e “A Cidade Onde Envelheço”, de Marilia Rocha, presente no Festival de Roterdã. A lista inclui ainda “Deserto”, dirigido pelo ator Guilherme Weber, “Elon Não Acredita na Morte”, de Ricardo Alves Jr., “Malícia”, de Jimi Figueiredo, “O Último Trago”, de Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti, e “Rifle”, de Davi Pretto. Os documentários “Martírio”, de Vincent Carelli, com Ernesto de Carvalho e Tita, e “Vinte anos”, de Alice de Andrade, completam a seleção. Ao todo, 132 filmes foram inscritos para participar da 49ª edição do festival, e os selecionados representam diferentes abordagens e regiões do país. Há desde estreantes, como Guilherme Weber, até veteranos do circuito dos festivais, como os irmãos Pretti e Pedro Diogenes. Uma novidade desta edição é a criação da Medalha Paulo Emílio Salles Gomes, intelectual responsável pela criação do festival, que completaria 100 anos em 2016. O objetivo da medalha é homenagear uma personalidade do cinema brasileiro a cada ano. E a primeira será dada ao crítico de cinema de origem francesa Jean-Claude Bernadet. “Bernadet é um grande teórico, professor e roteirista e, hoje, um grande ator do cinema brasileiro. Ele tudo a ver com a história do festival de cinema”, disse Guilherme Reis. A programação do festival pode ser conferida no site oficial.
Hestórias da Psicanálise documenta a leitura de Freud no Brasil
Impossível falar do documentário que trata de Freud, sua leitura e aplicação no Brasil, sem se referir ao esdrúxulo título dado ao filme: “Hestórias (sic) da Psicanálise – Leitores de Fred”. Com hestórias, tenta-se criar um neologismo para abarcar o fato de que aborda questões históricas da psicanálise no Brasil e relata casos e situações ficcionais, invenções ou brincadeiras que fizeram parte disso. Para evitar escrever Histórias e Estórias da Psicanálise, tascaram logo “Hestórias”. Faz sentido? Eu acho que não. Para começar, a palavra estória não vingou na língua portuguesa, foi uma ideia infeliz, não aprovada, nem recomendada, por quem se expressa em bom português. Os dicionários, quando a registram, geralmente o fazem criticamente. A palavra história abarca todo o sentido que se pretendeu considerar aqui. O cinema hoje já nem mais concebe documentário e ficção como coisas totalmente diferentes. Todo fato comporta não só interpretações várias, mas memórias e lembranças que são inevitavelmente seletivas e a verdade, como tal, se perde. Há um diálogo, uma fusão, um questionamento e uma integração do documentário com a ficção. Os filmes refletem esse amálgama de fatos, situações, encenações, personagens, que se confundem no real, no imaginário, oriundos do mundo interno ou da dimensão sociológica, sem delimitações claras. Isso posto, é bem intencionada a ideia de aproximar Freud de um público mais amplo do que o dos profissionais da área. Já que o povo diz que “Freud explica”, que tal entender um pouco quem foi ele e por que ele jamais teve a intenção de explicar tudo, como imagina o leigo. Para isso, o diretor Francisco Capoulade, psicanalista e documentarista, não poupou esforços e foi atrás de um grande número de entrevistados ilustres, como Christian Dunker, Lya Luft, Joel Birman, André Medina Carone, Leopold Nosek, Monique David-Mérard, Mário Eduardo Costa Pereira, Paulo Sérgio Rouanet, Miriam Chnaiderman, Marcelo Masagão e muitos outros. Filmou cenas de mar por dentro, foi até as ruas de Viena, procurando contextualizar o universo de Freud também nessas imagens. No entanto, o filme não vai além de ser um documentário bastante convencional, em que os depoimentos, sejam de que tipo forem, ocupam quase todo o espaço e, se sucedendo um após o outro e alternando as falas, vão interessar muito a quem já faz parte desse universo, mas se tornarão cansativos para o público em geral. Além de que algumas questões, embora relevantes, são eruditas. A discussão de como se leu Freud em português, a partir da tradução em inglês do original alemão e, com isso, se introduziram distorções conceituais, dificilmente envolverá os que não se utilizam da obra, brilhante, genial, de Freud para objetivos profissionais. É verdade que o trabalho do grande pensador vai muito além do que a sua aplicação na análise de pacientes, aqui ou em qualquer outro canto do mundo. Mas não será dessa forma que se conseguirá alcançar uma dimensão maior de popularização da obra freudiana. O documentário “Hestórias da Psicanálise” vai interessar aos psicanalistas, psicólogos, psiquiatras e outros médicos e educadores, em função das informações sobre a psicanálise no Brasil e pelas falas inteligentes dos ilustres entrevistados. Como cinema, nada de novo, além do título despropositado.












