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Academia é criticada por se omitir sobre ataque a diretor premiado com o Oscar
Hamdan Ballal, de “Sem Chão”, foi espancado por colonos israelenses e detido pelo exército após ganhar o Oscar de Melhor Documentário
Academia do Oscar se recusou a apoiar diretor palestino de “Sem Chão” preso por soldados israelenses
Hamdan Ballal foi preso e agredido nesta semana, e a Academia ignorou pedidos para se manifestar, segundo o codiretor do documentário premiado
Diretor premiado no Oscar é libertado após ser sequestrado por militares israelenses
Sequestro e agressões Hamdan Ballal foi libertado nesta terça-feira (25/3) pelo Exército de Israel, após ter sido sequestrado no dia anterior dentro de uma ambulância na vila de Susya, na Cisjordânia. O cineasta palestino, vencedor do Oscar de Melhor Documentário por “Sem Chão”, havia sido espancado por colonos israelenses antes de ser interceptado por militares enquanto buscava atendimento médico. De acordo com testemunhas, Ballal foi atacado por um grupo de cerca de 20 colonos armados com pedras, paus e facas. Os agressores, em sua maioria adolescentes, desceram até a região no fim do jejum do Ramadã e agrediram moradores locais. Alguns gritavam ironicamente bênçãos religiosas durante os ataques, segundo relato do sociólogo Joseph Kaplan Weinger, membro de uma iniciativa voluntária de proteção a civis em áreas vulneráveis. Violência sob custódia Segundo o jornal israelense Haaretz, o cineasta relatou a sua advogada que foi agredido enquanto filmava um ataque de colonos e que soldados israelenses presenciaram o episódio sem intervir. Posteriormente, ele e outras duas pessoas detidas teriam sido espancadas por militares e deixadas do lado de fora durante a noite, sob temperaturas congelantes. Yuval Abraham, codiretor israelense de “Sem Chão”, divulgou um vídeo que mostra o momento do ataque contra o carro do colega. “Após o ataque, Hamdan foi algemado e vendado a noite toda em uma base do exército enquanto dois soldados o espancavam no chão, disse sua advogada Leah Tsemel depois de falar com ele”, contou o colega. “Depois de passar a noite algemado e ser espancado em uma base militar, Hamdan Ballal agora está livre e prestes a voltar para casa com sua família”, acrescentou na rede X algumas horas depois. Basel Adra, outro codiretor palestinos de “Sem Chão”, compartilhou imagens de Ballal hospitalizado após ser libertado e afirmou que o cineasta está em recuperação. “Mas sempre soubemos que teríamos de retornar a essa realidade, pois, infelizmente, o mundo não está ajudando a acabar com a ocupação”, disse Adra nas redes sociais. Pressão internacional Antes da libertação, a Associação Internacional de Documentaristas divulgou uma nota exigindo transparência das autoridades israelenses. “Exigimos a libertação imediata de Ballal e que sua família e comunidade sejam informadas sobre sua condição, onde ele está e os motivos de sua detenção”, declarou a entidade. Trajetória e reconhecimento Hamdan Ballal Al-Huraini nasceu em 1989 na vila de Susya, na Cisjordânia. Além de cineasta, atua como agricultor e defensor dos direitos humanos, integrando iniciativas como a “Humans of Masafer Yatta”, dedicada a documentar histórias pessoais da região. Ele também realiza pesquisas de campo sobre a ocupação israelense. “Sem Chão”, dirigido por Ballal, Adra, Rachel Szor e Yuval Abraham, retrata a demolição de casas palestinas na região de Masafer Yatta, que foi transformada em zona de treinamento militar por Israel. O filme foi rodado entre 2019 e 2023 e estreou no Festival de Berlim em 2024, antes de conquistar o Oscar deste ano e mais de 60 prêmios em festivais internacionais. The group of armed KKK-like masked settlers that lynched No Other Land director Hamdan Ballal (still missing), caught here on camera. pic.twitter.com/kFGFxSEanY — Yuval Abraham יובל אברהם (@yuval_abraham) March 24, 2025 Note: Hamdan was assaulted and beaten up, not murdered. My use of ‘lynched’ was a mistranslation from Hebrew (English isn’t my first language). He’s injured and being held at a police station in a settlement. They did not let his lawyer speak to him yet so we don’t know more. — Yuval Abraham יובל אברהם (@yuval_abraham) March 25, 2025 After the assault, Hamdan was handcuffed and blindfolded all night in an army base while two soldiers beat him up on the floor, his lawyer Leah Tsemel said after speaking with him just now. He's still held in the Kiryat Arba police station. — Yuval Abraham יובל אברהם (@yuval_abraham) March 25, 2025 After being handcuffed all night and beaten in a military base, Hamdan Ballal is now free and is about to go home to his family. — Yuval Abraham יובל אברהם (@yuval_abraham) March 25, 2025 Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Basel Adra (@basilaladraa)
Palestino vencedor do Oscar é espancado por colonos e preso por militares israelenses
Hamdan Ballal, diretor de "Sem Chão", foi atacado na Cisjordânia e está desaparecido desde que foi levado pelo exército de Israel
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Bruno Barreto vai filmar história da ativista Maha Mamo
A vida de Maha Mamo, ativista de Direitos Humanos que passou 30 anos como apátrida, será contada em um filme dirigido por Bruno Barreto (“Flores Raras”). Maha é filha de sírios e, por conta da combinação de leis religiosas e de nacionalidade no país árabe que impedem casamentos inter-religiosos, ela não pôde ser registrada lá. Seu pai é cristão e sua mãe, muçulmana. Após uma longa batalha, Maha adquiriu a nacionalidade brasileira em 2018. Intitulado “The Yellow Passport” (O Passaporte Amarelo), o projeto cinematográfico encontra-se em fase de desenvolvimento pela produtora Fábrica, que teve participação majoritária adquirida recentemente pelo grupo multimídia Banijay, sediado na França. Uma história de luta pelo direito de existir A trajetória de Maha foi narrada em detalhes no livro “Maha Mamo – A Luta de uma Apátrida pelo Direito de Existir”, publicado em 2020. Nessa obra, escrita em parceria com o jornalista Darcio Oliveira, Maha relata desde sua infância e juventude em Beirute até a vida no Brasil. Apátrida é como são chamadas as pessoas sem pátria, que não têm uma nacionalidade e, por consequência, vivem sem os direitos básicos garantidos a qualquer cidadão. Nessa condição, Maha e seus irmãos enfrentaram obstáculos para exercer questões elementares de cidadania, como a frequência escolar, acesso a hospitais ou o simples direito de ir e vir, devido à falta de documentação. A busca pelo pertencimento No livro, Maha compartilha sua busca por pertencer ao mundo, descrevendo desde os esforços da mãe para matricular os filhos sem documentos em uma escola — visando a educação como único meio de assegurar um futuro mais digno — até a vida no Brasil, único país que abriu suas portas para que os irmãos Mamo existissem oficialmente. Nessa jornada, Maha contou com o apoio do ACNUR, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Maha Mamo é hoje um símbolo da campanha I Belong, que pretende acabar com a apatridia no mundo. Sua história se tornou uma inspiração para todos aqueles que foram privados de seus sonhos. Demonstrando força e determinação, ela nunca desistiu, mesmo diante de obstáculos aparentemente intransponíveis. Como destaca Maha, ela é filha de uma mulher chamada Kifah, que significa “luta” em árabe, e este sempre foi o seu lema.










