Quentin Tarantino se diz “com o coração partido” após acusações contra Harvey Weinstein
Hollywood estava curiosa para saber o que Quentin Tarantino, amigo de longa data de Harvey Weinstein, teria a dizer sobre o escândalo sexual do produtor. Pois ele finalmente quebrou o silêncio sobre as acusações. O cineasta comentou o caso através de uma mensagem no Twitter, postada pela atriz Amber Tamblyn. Ele não tem conta nas redes sociais. “Desde a última semana, estou atordoado e com o coração partido por conta das revelações que surgiram em relação a Harvey Weinstein, meu amigo há 25 anos. Preciso de mais alguns dias para processar minha dor, emoções, raiva e memória e então falarei publicamente sobre o assunto”, diz o comunicado. Segundo Tamblyn, ela havia jantado com Tarantino na noite anterior e o diretor pediu a ela que compartilhasse a mensagem sobre o caso. Tarantino é um dos parceiros mais antigos de Weinstein, que distribuiu todos os filmes do diretor desde “Cães de Aluguel” (1992), um dos primeiros sucessos da Miramax, o estúdio inicial dos irmãos Weinstein. Além disso, “Django Livre” é a maior bilheteria da história da Weinstein Company. Mais que colegas de trabalho, os dois era amigos de verdade, como o cineasta destaca na mensagem. A ponto de Weinstein ter feito uma festa de noivado para Tarantino em setembro – há poucos dias. From Quentin Tarantino: pic.twitter.com/jv0VQNrI91 — Amber Tamblyn (@ambertamblyn) October 13, 2017
Diretor da Amazon é suspenso após acusação de assédio da filha do autor de Blade Runner
A Amazon suspendeu o diretor responsável por sua unidade de filmes e séries após acusações de assédio sexual feitas por uma produtora de televisão. Um porta-voz da empresa afirmou que o diretor do Amazon Studios, Roy Price, recebeu uma “licença efetiva imediatamente”. A medida foi adotada depois que Isa Hackett, produtora da série “The Man in the High Castle”, principal sucesso da Amazon, contou à revista The Hollywood Reporter que o executivo lhe fez várias propostas sexuais, em julho de 2015. Hackett é filha do escritor Philip K. Dick, autor da história adaptada no filme “Blade Ranner” e na série “The Man in the High Castle”, além de inspirador da antologia “Philip K. Dick’s Electric Dreams”, que estreia em 2018 no serviço de streaming. Ela afirmou que Price lhe fez insinuações indecentes em um táxi a caminho da Comic-Con em San Diego, na Califórnia. Ela disse que deixou claro que não estava interessada – pois é lésbica, com mulher e filhos -, mas que Price insistiu, de acordo com a revista, e inclusive se aproximou dela durante o evento e gritou “sexo anal” em seu ouvido. Hackett disse ao Hollywood Reporter que relatou o comportamento de Price aos executivos do estúdio, que teriam iniciado uma investigação. Mas, após dois anos, ela nunca foi informada sobre o que aconteceu após isso, nem observou nenhuma punição. Price, por sinal, não foi demitido. Apenas ganhou uma “licença”. A revelação acontece horas após a atriz Rose McGowan disparar diversos tuítes para o fundador da Amazon Jeff Bezos. No primeiro, ela disse: “Jeff Bezos, eu contei ao chefe do seu estúdio que HW me estuprou. Eu disse diversas vezes. Ele me respondeu que isso não tinha sido provado. Eu disse que eu era a prova”. O chefe do estúdio era Roy Price. A nova polêmica acontece poucos dias após o estouro do escândalo sexual de Harvey Weinstein, um dos produtores mais famosos do cinema americano, que teria assediado e abusado de atrizes e funcionárias ao longo de várias décadas, aproveitando-se de estrelas em começo de carreira, entre elas Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow. Ele também foi acusado de estupro por algumas vítimas, conforme a história foi ganhando novas vozes, ao longo da semana passada. Várias mulheres alertaram que o caso de Weinstein não era único, mas um padrão de comportamento nos bastidores da indústria de entretenimento, e que outros escândalos viriam à tona após Ashley Judd ter tomado coragem para tornar-se a primeira atriz a romper o pacto de silêncio, denunciando Weinstein publicamente na reportagem do jornal The New York Times que escancarou a história sórdida. Para complicar a situação da Amazon, a plataforma estava desenvolvendo duas séries caras com a Weinstein Company, que já consumiram milhões de dólares em produção: “The Romanoffs”, de Matthew Weiner (criador de “Mad Men”), e um projeto ainda sem título de David O. Russell (diretor de “O Lado Bom da Vida”, “Trapaça” e “Joy”). “Estamos revendo as opções que temos em relação aos projetos com a Weinstein Company”, disse o porta-voz da companhia, no mesmo contato sobre o executivo licenciado.
Rose McGowan diz que foi estuprada por Weinstein e acusa Amazon de cumplicidade
Rose McGowan vem vivendo dias de infâmia e fúria desde que seu nome foi citado na reportagem do jornal The New York Times como uma das atrizes que recebeu indenizações de Harvey Weinstein após ter sofrido avanços sexuais do produtor. Nesta semana, ela chegou a ter sua conta do Twitter suspensa após disparar desabafos e denúncias – mais precisamente, após citar um caso de abuso de Ben Affleck, disponibilizando o número de telefone do ator para reclamações – , mas já voltou à rede social com novas rajadas – e elogios do próprio Twitter, “orgulhoso” por fornecer uma plataforma para quem “fala a verdade contra os poderosos”. E assim que teve a conta reativada, ela mirou poderosos poderosíssimos. Pela primeira vez, a atriz se referiu a Harvey Weinstein por nome – ou melhor, abreviatura, HW. Revelou que foi estuprada e não apenas assediada. E apontou a cumplicidade da Amazon para abafar o escândalo e ajudar Weinstein a atrapalhar sua carreira, tuitando diretamente para Jeff Bezos, dono da empresa e um dos homens mais ricos do mundo. Numa série de tuítes disparados na noite de quinta (12/10), a atriz afirmou: “Jeff Bezos, eu contei ao chefe do seu estúdio que HW me estuprou. Eu disse diversas vezes. Ele me respondeu que isso não tinha sido provado. Eu disse que eu era a prova”. Ela alegou ainda que a Amazon “venceu um Oscar sujo” enquanto “financiava estupradores”. O estúdio foi premiado por “Manchester à Beira-Mar” – Melhor Roteiro e Ator Coadjuvante. E um dos vencedores, o ator Casey Affleck, foi processado por má conduta sexual em 2010 por duas colegas que trabalharam com ele no filme “Eu Ainda Estou Aqui” (2010). A diretora de fotografia Magdalena Gorka e a produtora Amanda White alegaram que Affleck as agrediu verbalmente e sexualmente. Affleck negou, mas acertou uma indenização para as duas. Durante a cerimônia de premiação, ao lhe entregar o Oscar, a atriz Brie Larson se recusou a aplaudi-lo. McGowan aceitou uma compensação financeira de Weinstein quando tinha 23 anos, depois de “um episódio em um quarto de hotel” durante um festival de cinema, de acordo com a reportagem do New York Times. Ela não está falando com a imprensa sobre o assunto, mas, ao mesmo tempo, vem usando suas redes sociais para dar detalhes do caso. Em seus últimos tuítes, contou que estava desenvolvendo uma série com a Amazon, quando descobriu que o projeto seria comprado por Weinstein. “Imediatamente, implorei ao chefe do estúdio para fazer o que é certo. Fui ignorada”, ela escreveu. “Liguei para o meu advogado e disse que queria recuperar meu roteiro, mas, antes que eu pudesse, o Amazon Studios me ligou para dizer que meu projeto estava morto”. A atriz não está inventando a história da série. Em setembro de 2016, ela disse para o público de um festival de cinema no Brooklyn: “Acabei de vender uma série para a Amazon, que eu escrevi e sem passar por piloto”. O projeto seria baseado em sua infância, como filha de seguidores de uma seita religiosa radical. Bezos não respondeu a McGowan no Twitter e os porta-vozes da Amazon não comentaram. Em compensação, o citado “chefe de estúdio” da empresa acabou de virar assunto de outra denúncia. Roy Price foi acusado pela produtora Isa Hackett de assédio sexual, em uma entrevista à revista The Hollywood Reporter. Saiba mais aqui. 1) @jeffbezos I told the head of your studio that HW raped me. Over & over I said it. He said it hadn’t been proven. I said I was the proof. — rose mcgowan (@rosemcgowan) October 12, 2017 2) @jeffbezos I had already sold a script I wrote to your studio, it was in development. When I heard a Weinstein bailout was in the works — rose mcgowan (@rosemcgowan) October 12, 2017 3) @Jeffbezos I forcefully begged studio head to do the right thing. I was ignored. Deal was done. Amazon won a dirty Oscar. — rose mcgowan (@rosemcgowan) October 12, 2017 4) @jeffbezos I called my attorney & said I want to get my script back, but before I could, #2 @amazonstudios called to say my show was dead — rose mcgowan (@rosemcgowan) October 12, 2017 4) @jeffbezos I am calling on you to stop funding rapists, alleged pedos and sexual harassers. I love @amazon but there is rot in Hollywood — rose mcgowan (@rosemcgowan) October 12, 2017
Polícia quer que atrizes façam denúncia formal contra Harvey Weinstein
As polícias de Nova York, Los Angeles e Londres se manifestaram sobre acusações de assédio contra o produtor Harvey Weinstein, anunciando que pretendem abrir investigações sobre o escândalo. De acordo com a imprensa internacional, as autoridades estão convidando as mulheres citadas nas reportagens e que se manifestaram nas redes sociais a realizarem denúncias formais para o processo criminal ter início. O produtor de Hollywood teve sua carreira enterrada por uma reportagem devastadora do jornal The New York Times, que trouxe à tona 30 anos de abusos sexuais sistemáticos com atrizes, colaboradoras e funcionárias de suas produtoras, Miramax e The Weinstein Company. Desde então, o número de mulheres que decidiram romper o silêncio não para de aumentar, envolvendo atrizes famosas como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow. Mas o que tem despertado mais interesse da polícia são as acusações de estupro contidas numa segunda reportagem bombástica, publicada pela revista New Yorker e escrita por Ronan Farrow (filho da atriz Mia Farrow). Além da atriz italiana Asia Argento, outras duas mulheres acusam o magnata de estupro. Em 2015, a polícia de Nova York chegou a abrir uma investigação, a partir da denúncia da modelo italiana Ambra Battilana Gutierrez, mas na ocasião, mesmo com gravações incriminadoras, a promotoria considerou não ter provas suficientes para abrir um processo. As gravações foram utilizadas na reportagem de Farrow.
Atriz de One Tree Hill lembra abuso de Ben Affleck, que pede desculpas nas redes sociais
A revelação dos assédios cometidos pelo produtor Harvey Weinstein abriu as portas para novas denúncias. A atriz Hilarie Burton aproveitou para lembrar, em seu Twitter, ter sido vítima de um avanço inapropriado do ator Ben Affleck quando estava começando a carreira. O caso aconteceu em 2003, quando ambos estavam participando de um programa da MTV. “Eu era apenas uma criança”, ela lembrou, após o comentário de uma seguidora. Na ocasião, Affleck a abraçou por trás e apertou um de seus seios diante das câmeras, para sua surpresa. No programa, o caso foi tratado como brincadeira, mas ela ficou claramente espantada e sem ação. Hilarie Burton é casada com o ator Jeffrey Dean Morgan, intérprete do pai do herói Batman vivido por Ben Affleck em “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça” (2016). Na ocasião em que o constrangimento aconteceu ela tinha apenas 18 anos e iniciava seu primeiro papel importante, na 1ª temporada de “One Tree Hill” (Lances da Vida). Diante da repercussão do caso de Weinstein, Affleck, que chegou a emitir um comunicado sobre as denúncias contra o produtor, resolveu pedir desculpas em suas redes sociais. “Eu agi de maneira inapropriada com a Senhorita Burton e peço sinceras desculpas”, ele escreveu. Veja abaixo. https://t.co/wh2MpJVQzl Girls. I'm so impressed with you brave ones. I had to laugh back then so I wouldn't cry. Sending love. — Hilarie Burton (@HilarieBurton) October 11, 2017 Seriously, thank you for that. I was a kid. — Hilarie Burton (@HilarieBurton) October 11, 2017 I acted inappropriately toward Ms. Burton and I sincerely apologize — Ben Affleck (@BenAffleck) October 11, 2017
Mulher de Harvey Weinstein se solidariza com as vítimas do marido e anuncia divórcio
A mulher de Harvey Weinstein anunciou o divórcio, após a revelação de novos casos de abuso sexual cometidos pelo produtor, que vieram à tona na terça-feira (11/10). Em declaração à revista People, Georgina Chapman se solidarizou com as vítimas do marido. “Estou de coração partido por todas essas mulheres que passaram por uma dor enorme por causa das ações imperdoáveis dele”, ela declarou. Georgina é estilista da grife Marchesa e estava casada com Weinstein havia 10 anos. “Escolhi deixar o meu marido. Cuidar dos meus filhos é prioridade neste momento e peço privacidade à mídia”, completou. O produtor de cinema de 65 anos e a estilista de 41 têm um casal de filhos, a menina India Pearl e o menino Dashiell. Weinstein ainda tem outros três filhos do seu primeiro casamento com sua antiga assistente, Eve Chilton. Quando os primeiros casos vieram à tona, em uma reportagem do The New York Times publicada na semana passada, Harvey Weinstein declarou que contava com o apoio da esposa. “Ela está 100% comigo. Georgina e eu já conversamos sobre isso”, ele disse na ocasião, acrescentando que a esposa o estava ajudando a se tornar “um ser humano melhor” e a se desculpar com as pessoas pelo mau comportamento dele. Mas na terça uma nova reportagem do The New York Times revelou que o abuso sexual era sistemático, com declarações de Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie sobre como foram assediadas pelo produtor no início da carreira, além de relatos de pessoas que teriam sido pressionadas para manter o silêncio. Um caso ainda mais pesado foram revelado pela revista The New Yorker, que trouxe o depoimento de Asia Argente e outras mulheres que disseram terem sido forçadas a fazer sexo com Harvey Weinstein. Pelo menos 13 mulheres denunciaram abusos que sofreram por parte do produtor. Em comunicado divulgado por seu porta-voz, Weinstein admitiu ter assediado as atrizes e pediu desculpas, mas negou as acusações de estupro. As repercussões do caso também o levaram a ser demitido da empresa que criou e que leva o seu nome, The Weinstein Company. A produtora está estudando, inclusive, uma troca de nome.
Após acusações de abuso sexual, produtor Harvey Weinstein é demitido da própria empresa
O produtor cinematográfico Harvey Weinstein foi demitido neste domingo (8/10) de seu próprio estúdio de cinema, The Weinstein Company (TWC), em votação do comitê de diretores após surgirem novas denúncias de assédio e abusos sexuais cometidos contra atrizes, funcionárias e colaboradoras nas últimas três décadas. “À luz de novas informações sobre a má conduta de Harvey Weinstein que surgiram nos últimos dias, os diretores da The Weinstein Company – Robert Weinstein, Lance Maerov, Richard Koenigsberg e Tarak Ben Ammar – determinaram e informaram que o contrato de emprego de Weinstein com The Weinstein Company está encerrado imediatamente”, manifestou-se conselho da empresa em comunicado. De forma significativa, até seu irmão assinou a demissão. O empurrão para sua queda em desgraça foi uma reportagem-denúncia do jornal The New York Times, que revelou na quinta-feira (5/10) os escândalos sexuais do produtor, abafados por ameaças de represálias e por compensações financeiras. Segundo a reportagem, o magnata teria feito acordos privados com pelo menos oito mulheres para o escândalo nunca vir à tona. Entre as vozes mais incisivas do artigo, a atriz Ashley Judd (“Divergente”) contou detalhes de encontros impróprios. Mas as histórias também envolvem Rose McGowan (“Conan, o Bárbaro”), citada como vítima silenciada por um generoso pagamento. Após a publicação, vários diretores da TWC e funcionárias mulheres da empresa pediram demissão, criando um clima insustentável para a permanência de Harvey Weinstein à frente da empresa. Para piorar, novas vítimas resolveram se manifestar. A roteirista britânica Liza Campbell escreveu um relato em primeira pessoa no jornal Sunday Times, contando o seu caso, quando era estagiária na Miramax e Weinstein a convidou para uma reunião, aparecendo de roupão e lhe chamando para ensaboá-lo na banheira. Criador da produtora Miramax em 1979 e da TWC (The Weinstein Company), formada com seu irmão Bob Weinstein em 2005, o produtor é responsável por estabelecer as carreiras de Quentin Tarantino, Guillermo del Toro, irmãos Coen, Nick Cassavetes, James Mangold, Gus Van Sant, Todd Haynes, Robert Rodriguez e muitos outros cineastas hoje consagrados. Mas também é lembrado pelos desafetos por confundir produção com “bullying”, por conta de atos autoritários como cortes em filmes estrangeiros e até interferência na edição final. Entretanto, ninguém conhecia o seu lado de predador sexual. Apenas as próprias vítimas. Até a semana passada.
Poderoso produtor de Hollywood, Harvey Weinstein enfrenta escândalo de assédio sexual
Considerado um dos mais famosos e poderosos produtores vivos de Hollywood, Harvey Weinstein foi alvo de uma reportagem devastadora do jornal The York Times nesta quinta-feira (5/10), que denunciou décadas de assédio sexual à atrizes e colegas de trabalho, com depoimentos e documentação. Criador da produtora Miramax em 1979 e atual dono da TWC (The Weinstein Company), formada com seu irmão Bob Weinstein em 2005, o produtor é responsável por estabelecer as carreiras de Quentin Tarantino, Guillermo del Toro, irmãos Coen, Nick Cassavetes, James Mangold, Gus Van Sant, Todd Haynes, Robert Rodriguez e muitos outros cineastas hoje consagrados. Mas também é lembrado pelos desafetos por confundir produção com “bullying”, por conta de atos autoritários como cortes em filmes estrangeiros e até interferência na edição final. Seu estilo de gerenciamento agressivo lhe rendeu muitos dividendos, com diversas premiações no Oscar, assim como processos. Mas apesar de calejado por idas aos tribunais, o site The Hollywood Reporter reparou que ele nunca tinha se cercado de tantos advogados e tantos relações públicas especialistas em resoluções de crises quanto nos dias que antecederam a publicação do New York Times. Segundo a reportagem, o suposto comportamento inadequado de Weinstein começou há quase três décadas e o magnata teria feito acordos privados com pelo menos oito mulheres para o escândalo nunca vir à tona. Entre as vítimas de assédio, estão atrizes célebres como Rose McGowan (“Conan, o Bárbaro”) e Ashley Judd (“Divergente”). Esta última se lembra de ter sido convidada para a suíte de Weinstein em um elegante hotel de Beverly Hills há 20 anos, esperando ter um café da manhã de negócios. Mas em vez disso Weinstein apareceu de roupão e perguntando se ela queria fazer uma massagem nele ou vê-lo tomando banho. “Eu disse não, de muitas maneiras e muitas vezes, e ele sempre voltou atrás de mim com um novo assédio”, Judd contou ao Times. Duas ex-assistentes e uma modelo italiana fizeram acusações semelhantes, e teriam chegado a um acordo financeiro. Assim como, supostamente, Rose McGowan em 1997, após um incidente em um quarto de hotel durante o Festival de Sundance. Ela teria recebido US$ 100 mil, mas o dinheiro “não deveria ser interpretado como uma admissão”, mas sim como uma forma de “evitar litígios”, de acordo com um documento oficial obtido pelo jornal. Embora McGowan tenha se recusado a comentar a história, ela sempre insinuou que foi assaltada sexualmente por um magnata de Hollywood. Uma ex-funcionária da TWC, Lauren O’Connor, resumiu a situação afirmando que Weinstein criou “um ambiente tóxico para as mulheres” em sua empresa. A repercussão do artigo foi colossal, especialmente nas redes sociais. A atriz, autora e diretora Lena Dunham tuitou: “As mulheres que escolheram falar de sua experiência de assédio por Harvey Weinstein merecem a nossa admiração. Não é divertido nem fácil. É corajoso”. Provavelmente orientado por sua equipe, Weinstein admitiu mau comportamento, pediu desculpas e afirmou que tiraria licença de sua companhia “para lidar com essa questão” junto a terapeutas, em comunicado publicado pelo jornal. “Considero que o modo como me comportei com colegas no passado causou muita dor e peço minhas sinceras desculpas por isso”, ele disse sobre o conteúdo da reportagem. “Embora esteja tentando fazer o melhor, sei que o caminho será longo. Meu caminho agora será conhecer e dominar os meus demônios. Planejo tirar um tempo livre da minha empresa e cuidar deste problema primeiro”, acrescentou, dando, em seguida, sua justificativa para seu comportamento. “Cresci nos anos 1960 e 1970, quando todas as regras sobre o comportamento e lugares de trabalho eram diferentes. Era a cultura dessa época, e aprendi desde então que não é uma desculpa, na empresa ou em outro lugar”, acrescentou. Também disse que respeitava as mulheres e gostaria de ter uma segunda chance, embora saiba que tem “que trabalhar para conquistar isso”. “Tenho metas que agora são prioridades”, assegurou. “Confiem em mim, esse não é um processo do dia para a noite. Estive tentando durante 10 anos e essa é uma chamada de atenção”, continuou. Weinstein contou que há um ano começou a organizar uma fundação de US$ 5 milhões para conceder bolsas de estudo para diretoras mulheres na Universidade do Sul da Califórnia. “Levará o nome da minha mãe e não a decepcionarei”, disse. Lisa Bloom, uma das advogadas de Weinstein, especializada em casos de assédio sexual, acrescentou, em declaração separada, que seu cliente “nega muitas das declarações, que são claramente falsas”. E, apesar do produtor considerar a reportagem de “chamada de atenção” em seu comunicado, vai processar o jornal por difamação. Por coincidência, a TWC está produzindo uma minissérie baseada num livro da advogada.
Claudia Alencar revela estupro durante a ditadura e 25 anos de assédio na Globo
A atriz Claudia Alencar fez um longo desabafo numa entrevista com o UOL, em que revelou a parte negativa de sua trajetória, com diversos abusos sofridos. Ainda pequena, ela apanhava do pai, e quando virou estudante na Escola de Comunicação e Artes da USP, a jovem aspirante a atriz foi estuprada. “Eu fazia teatro de protesto na rua, nas universidades e alguns espaços públicos (…) Fui muito violentada nos Anos de Chumbo, na Ditadura Militar. Depois disso, achava que nenhum assédio poderia mais me abalar, poderia me derrubar. Me enganei. Foram dez anos dizendo ‘não’ a diretores e produtores porque eu queria um papel bom sem barganhar uma noite de sexo”, conta a atriz. Na entrevista, ela nomeia apenas uma pessoa, mas de forma positiva. Claudia já tinha feito filmes e novelas na rede Bandeirantes quando conseguiu um papel na novela “Roda de Fogo” (1986), apoiada pelo seu professor universitário, autor da trama, Lauro César Muniz, a quem é grata. Depois disso, toda a participação em projetos da Globo passou a prever algo mais. “Fui chamada várias vezes para fazer testes e eles até começavam mesmo com as leituras de texto, mas terminavam com uma proposta de um jantar ou de um encontro em um lugar mais reservado. Cada vez que isso acontecia, eu saía arrasada, frustrada e me sentindo violentada porque eu tinha certeza que era boa atriz com condições para entrar e ficar entre as estrelas da casa”, desabafou. Interpretando papeis sensuais, Claudia conta que o assédio aumentou. “Era diretor, ator, produtor, apresentador e empresário que vinham com aquele joguinho de sedução. Tive um colega de cena que me perturbou meses e, quando um dia eu cansei do cerco e dei um fora definitivo, ele passou a me perseguir, me humilhar na frente dos outros colegas. Ninguém me defendeu. Daí eu percebi que se eu quisesse continuar trabalhando, teria que fingir que nada acontecia e foi o que eu fiz durante uns 25 anos.”, declarou a atriz. Após ver a repercussão recente de denúncias de assédio no meio artístico, ela diz não se surpreender. “Sei de muitas profissionais que passaram o pão que o diabo amassou. Acho corajoso essas meninas falarem, darem os nomes, apontarem os dedos. É heroico, é encorajador e um alerta também para os homens: atitudes machistas estão com os dias contados. Não fiz lá atrás por medo, mas apoio incondicionalmente quem faz isso agora”, finalizou Claudia. Hoje com 56 anos, ela continua fazendo filmes, como “Um Suburbano Sortudo” (2015) e o vindouro “Talvez Uma História de Amor”, e fez uma participação recente na novela “Rock Story”, ainda sexy no papel de uma “predadora”.
Johnny Depp teria filmado bêbado o novo Piratas do Caribe
Uma reportagem da revista americana The Hollywood Reporter sobre as dívidas de Johnny Depp lançou luz sobre os bastidores de “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, revelando que ter os cães barrados na Austrália foi o menor dos problemas causados pelo ator durante as filmagens. Fontes ouvidas pela publicação afirmaram que o ator filmou a produção completamente bêbado. Como o personagem Jack Sparrow se porta de forma bêbada, poderia se argumentar que foi um caso e imersão no personagem – o famoso “Método” de interpretação. Mas o motivo teria sido bem diferente. Em 2015, quando começaram as filmagens, o ator já viva uma crise no casamento com Amber Heard, de quem se separaria no ano seguinte. Não está claro se ele bebia por causa disso, ou se era sua bebedeira que causava as brigas. Mas a atriz, em seu pedido de divórcio, mencionou que seu estado enebriado o tornava violento. Segundo apurou o THR, Depp chegava constantemente atrasado e bêbado no set, deixando a equipe inteira apreensiva. “Todos eram espectadores inocentes diante de um acidente de trem”, descreveu à revista, de maneira metafórica. O clima entre o ator e Amber, que viajou para a Austrália para acompanhá-lo, estaria péssimo, de acordo com as fontes, e as discussões faziam o ator chegar horas atrasado às filmagens. A situação chegou ao ponto de o orçamento ser usado para deslocar funcionários da equipe do filme para ficarem de plantão diante da moradia de Depp, para avisar aos outros quando ele aparecesse bem e desse indícios de que iria trabalhar. “Certamente, houve dias em que nossos planos foram desafiados”, assumiu o chefe de produção do filme, Sean Bailey, ao mesmo tempo em que tentou jogar panos quentes sobre o assunto, ressaltando o talento de Depp para dar vida ao amalucado Jack Sparrow, um pirata que anda e fala como se estivesse bêbado. Os bastidores da produção não geraram maior falatório graças ao esforço da Disney para conter a situação, tendo em vista que o filme tem um orçamento milionário e ainda não estreou. Mas, já no primeiro trailer, o estúdio tratou de anunciar que se tratava do capítulo final da franquia. Muitos acharam precipitado, pois o filme poderia se provar um blockbuster. A situação muda de figura diante dos problemas levantados pelo THR durante sua longa produção. Nem os tabloides imaginavam, tanto que pouco especularam, na época, sobre as causas de um acidente em que Depp machucou um dedo nas filmagens e precisou voar às pressas para operá-lo nos Estados Unidos. Oficialmente, fala-se que ele prendeu o dedo na porta do carro, mas não se diz em que estado ele estava quando isso aconteceu. Uma versão diferente só foi circular na época de seu divórcio, apontando que ele teria se ferido durante uma discussão mais acalorada com Amber Heard. Durante a separação, a atriz chegou a acusar Depp por violência doméstica, aparecendo com o rosto bastante machucado. Mas ela não deu prosseguimento na ação após conseguir um acordo de divórcio estimado em US$ 7 milhões. “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” estreia em duas semanas, no dia 25 de março no Brasil.
Documentário americano acusa biólogo Richard Rasmussen e a Globo de falsificar denúncia de matança de botos
O documentário americano “A River Below”, feito por Mark Grieco e exibido no recente Festival de Tribeca, em Nova York, está acusando o biólogo e apresentador brasileiro Richard Rasmussen, bem como a rede Globo, de forjar uma denúncia de matança de botos cor-de-rosas para exibi-la no “Fantástico”. A reportagem causou impacto e resultou em mudança nas leis de proteção ambientais, relativas à pesca na região da Amazônia. A reportagem exibida em julho de 2014 mostrava imagens de pescadores matando um boto cor-de-rosa para usar sua carne como isca para a pesca de piracatingas, um peixe da região amazônica. Depois de ser cortada, descobre-se que a fêmea morta estava esperando um filhote, e o feto também vira isca. Segundo a denúncia do Fantástico, os animais estavam sendo assassinados “aos milhares”. Depois da repercussão da reportagem, a pesca de piracatinga foi proibida para evitar a morte de mais botos. O documentário alega que foi tudo combinado entre Rasmussen e os pescadores, que nem seriam da região. O filme ainda acusa a mudança na lei de prejudicar a economia do interior amazônico. O diretor americano conta que, quando chegou a mesma vila da reportagem, para desenvolver um filme sobre os botos cor-de-rosa, foi informado pelos habitantes locais que o biólogo teria pago R$ 100 aos pescadores que aparecem no vídeo para matar o animal e gravar a cena. Grieco registrou a acusação e resolveu mudar o foco de seu filme, sugerindo que o apresentador brasileiro teria feito isso para conseguir imagens chocantes capazes de pressionar o governo. Em sua página no Facebook, Rasmussen negou com veemência qualquer fraude na captura das imagens. “A denúncia da matança de botos vermelhos foi necessária para barrar a caça ilegal desses bichos”, afirmou o apresentador que narrou o processo de como descobriu o uso de botos na pesca de piracatinga na região do Solimões e seus afluentes. “Sabíamos que as imagens da matança dos botos seriam importantes. Mas como conseguir uma imagem destas? O crime ocorre no meio da Amazônia em locais ermos, onde as comunidades se protegem e vivem da pesca da piracatinga. Em locais onde não há fiscalização.” Ele então narra como conseguiu conquistar a confiança de uma comunidade que o ajudou no processo das filmagens. “Um cinegrafista que trabalha em minha equipe há mais de 14 anos gravou os pescadores arpoando dois animais e eu fotografei. Foi, definitivamente, um dos trabalhos mais complicados para nós. As imagens, com a devida proteção das pessoas envolvidas, foram entregues à AMPA [que atua na proteção de mamíferos aquáticos da Amazônia], que se tornou detentora legal dos filmes.” Rasmussen ainda conta que foi procurado pelo produtor do filme americano, exibido recentemente no Festival de Tribeca, que também se infiltrou na mesma comunidade onde as cenas exibidas pelo Fantástico foram gravadas. “Colaboramos [com eles] até o fim, mesmo depois de terem omitido suas reais intenções.” Leia abaixo o relato completo do biólogo. A Globo também emitiu um comunicado em que afirma não poder comentar uma acusação que desconhece, pois o documentário não está disponível no Brasil, mas afirma ter se certificado de que não havia irregularidade nas imagens antes da exibição da reportagem. Ou seja, não era uma montagem e não parecia nada ensaiado. Confira abaixo o comunicado da emissora: “A TV Globo não foi procurada pelos autores do documentário e não teve acesso a ele. Como em toda a reportagem que coloca no ar, a Globo sabia quem era o responsável pelas imagens e tomou providências para checar a veracidade das informações. O material foi cedido pela AMPA – Mamíferos Aquáticos da Amazônia, e na gravação bruta, com o áudio ambiente, não havia nada que sugerisse qualquer irregularidade ou método ilícito na captação de imagens. Toda a estrutura em volta da captação e o comportamento dos pescadores mostravam que essa, para eles, era uma prática frequente, que desempenhavam com desenvoltura. Tanto a AMPA quanto o Instituto de Pesquisas da Amazônia viram as imagens e as validaram como legítimas. Tivemos o cuidado ainda de submetê-las ao Ministério Público Federal no Amazonas e fundamentar a reportagem em pesquisas do Instituto de Pesquisas da Amazônia, da UFRJ e da UERJ, que comprovaram, em amostras compradas nos mercados, que havia carne de boto rosa nas vísceras de piracatinga, peixe nocivo à saúde humana por conter altos níveis de metais pesados. Autoridades da preservação já indicavam, na época, que a população de botos estava diminuindo em 10% ao ano por causa da pesca da piracatinga. Para a TV Globo, a correção na apuração jornalística jamais é colocada em risco seja qual for a causa em jogo.” Nota de esclarecimento Estou em viagem captando mais uma série de televisão, com foco na conservação do meio ambiente… Publicado por Richard Rasmussen em Segunda, 8 de maio de 2017
Lady Francisco revela que foi estuprada por diretor da Globo
Após a denúncia de assédio de José Mayer a uma figurinista da Globo, a veterana atriz Lady Francisco resolveu confessar que foi vítima de dois estupros, uma vez por criminosos e outra por um diretor da Globo, há quase 50 anos. Ele a havia chamado para conversar sobre trabalho e a levou para um lugar distante. “Eu tinha acabado de chegar de Minas, era bobinha, ingênua”, contou, em entrevista ao blog de Paulo Sampaio, no portal UOL. A atriz de 82 anos não revela o nome do diretor, mas afirma que ele está “vivinho da silva” e o encontrou “muitas vezes” depois disso. “Inclusive na televisão. Mas ele nem lembrava de mim. Eu não era ninguém, não existia. Se lembrava, me ignorou. Continuou sendo o canalha que sempre foi”. Ela também comentou a denúncia feita pela figurinista Susllem Tonani. “Tenho muito orgulho de ver o quanto a mulher evoluiu na defesa da própria dignidade. No meu tempo, a gente era estuprada e tinha de ficar quieta; hoje, um assédio repercute de tal maneira que o agressor tem de reconhecer publicamente que errou.” Perguntada por que não denunciou o caso, Lady lembrou que os tempos eram outros. “Naquela época? Quem acreditaria em mim? Iam dizer: ‘Essa aí, mal chegou e já está aprontando’. Mas hoje eu faria um escândalo”.
Luana Piovani lembra outros casos de violência contra mulher envolvendo atores da Globo
A atriz Luana Piovani resolveu aproveitar a denúncia da figurinista Sus Tonani (Susllem Meneguzzi Tonani), que acusou o ator José Mayer de assédio sexual dentro da rede Globo, para lembrar de outros casos de violência contra a mulher, envolvendo atores famosos da emissora e celebridades esportivas. Em vídeo gravado para seu canal no Youtube, “Luana Sem Freio”, ele lembrou das agressões cometidas por Kadu Moliterno e de seu ex, Dado Dolabella, além de Garrincha e do goleiro Bruno. “Não é o primeiro assédio e, com certeza, não será o último. O que acho genial é que ela rompeu o silêncio e falou sobre o caso”, ela afirmou, antes de listar os casos mais graves de violência. “Garrincha enchia a Elza Soares de porrada e é lembrado como herói no Brasil”, comparou. “Kadu Moliterno, que já foi meu par romântico, bateu na esposa. Ela saiu na capa da revista ‘Veja’ com a manchete: ‘Não foi a primeira vez’. Eu não soube de condenação, ele continua trabalhando, fazendo novelas, posando com as novas namoradas em revistas sensacionalistas”, criticou. Luana aproveitou para criticar a recente contratação do goleiro Bruno por um time de futebol, questionando se ele pagou realmente pelo crime que cometeu. “Ele não falou que foi um crime, não. Ele disse que cometeu um erro. Ele diz que matar uma mulher não é um crime, e sim um erro. E ele está aí dando autógrafos”, comentou. Para completar, lembrou ainda que seu ex-namorado Dado Dolabella venceu um reality show por votação popular apenas seis meses depois de ter sido denunciado por ela por violência doméstica. “Nós escolhemos essas pessoas, nós escolhemos essa realidade. Por quê? Porque as pessoas se calam. Porque as pessoas não falam. Porque as pessoas falam e as outras fingem que não escutaram. A gente precisa quebrar o silêncio, falar, denunciar e sair do lugar de vítima. É preciso criar consciência sobre o assunto”, finalizou. Veja abaixo o vídeo na íntegra, em que Luana também trata de outros assuntos.












