Reportagem-bomba demole acusações de Dani Calabresa e outras contra Marcius Melhem
O site da revista Veja publicou uma reportagem bombástica nesta quarta (14/12) desmontando a acusação de assédio sexual que Dani Calabresa e outras funcionárias da Globo moveram contra o ex-diretor de humor da emissora, Marcius Melhem, na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) do Centro do Rio de Janeiro. A publicação ocorreu dez dias após o jornalista Ricardo Feltrin afirmar em sua página no YouTube que, após ter acesso às provas contidas nos autos do processo, teve vontade de vomitar, afirmando que Melhem era inocente de tudo. A Veja cita pela primeira vez os nomes de várias acusadoras – oito mulheres processam Melhem. Seria uma atitude de gravidade ética, caso não fosse a única forma de demonstrar falta de ética das acusadoras, como aponta a reportagem. Além disso, traz à tona uma testemunha importante, que contraria a principal acusação de Calabresa, divulgada de forma sensacionalista pela revista Piauí, de que a comediante foi violentamente atacada e quase estuprada por Melhem numa festa do elenco de humor da Globo. A publicação pela Piauí de detalhes explícitos gerou repúdio generalizado contra Melhem. Mas omitiu completamente a participação de Maíra Perazzo, revelada pela Veja. Amiga da atriz, Maíra a acompanhava na balada. Segundo descreve Melhem nas páginas do processo acessadas pela revista semanal, em determinado momento da noite, ele e Dani estavam trocando beijos numa área mais reservada quando a atriz puxou Maíra para junto dos dois, formando um trio. A situação demonstraria que tudo aquilo era consentido e estimulado pela comediante. Maíra foi chamada pela Justiça para testemunhar sobre o que aconteceu de verdade e, ao depor, teria confirmado que trocou beijos com Melhem na festa e não lembra de ter visto nada de impróprio entre ele e Dani na ocasião. Contou ainda que ficou com a amiga até o final da balada, contrariando o relato da atriz, de que teria sofrido uma crise nervosa após o suposto ataque de Melhem. Ao contrário dessa versão, Maíra disse que ela continuou animada, chegando depois a trocar beijos com um câmera da Globo. Questionada na Justiça sobre a participação de Maíra na festa, Dani alega que puxou a amiga para perto a fim de tentar se livrar do assédio de Melhem – por esta versão, ela teria atirado a amiga nos braços de um homem que descreveu como predador sexual. A amiga de Dani, por outro lado, afirmou que ficou com Melhem naquela noite. Em seu depoimento, Maíra também revelou que, no dia seguinte, teve um papo animado com Dani sobre a festa, sobre com quem elas ficaram, e em nenhum momento a atriz mencionou assédio. No mesmo dia, Dani brincou com Melhem pelo Whatsapp, dizendo que mandaria a amiga embrulhada para ele de presente. Um mês depois, Maíra e Melhem voltaram a ficar juntos. Segundo a apuração da revista, o primeiro burburinho a respeito da conduta de Melhem teria partido de Barbara Duvivier em meados de 2018. Listada como uma das testemunhas de acusação, Barbara manteve com Melhem um relacionamento amoroso de quase sete anos. Em seu depoimento na delegacia, ela disse que ele não a deixava terminar a relação usando seu poder hierárquico dentro da emissora, oferecendo “proposta de trabalho, de aumento de salário e de promoção de cargo”. Barbara é enteada de Maria Clara Gueiros, uma das mulheres que teria iniciado o movimento interno na Globo para investigar Melhem. Segundo Dani Calabresa contou à Ouvidoria do Ministério Público, Maria Clara Gueiros passou o ano de 2019 tentando convencê-la a denunciar o ex-diretor global. A história entre Melhem e Barbara é complexa. Como ambos eram casados com outras pessoas, seu romance foi clandestino. No final de 2017, houve um sobressalto: ela engravida e fica em dúvida sobre a paternidade do filho – dúvida posteriormente descartada. Ainda segundo a Veja, isso bastou para familiares desconfiarem do comportamento dela, incluindo seu marido e a madrasta, Maria Clara Gueiros. Nos autos, Melhem alega que Barbara espalhou a versão de chefe assediador para evitar o constrangimento de assumir o namoro clandestino. Ele juntou ao processo uma mensagem de julho de 2018, em que ela lhe pede desculpas: “Vivi um turbilhão nessa gravidez e com certeza agi errado com você. E queria te pedir desculpa por isso”. Melhem não respondeu à mensagem e ela insistiu depois em lhe desejar felicidades e “dizer que te quero todo o bem do mundo”. Meses mais tarde, em troca de mensagens com Dani Ocampo, assistente de Melhem, Barbara assumiu que havia mentido: “Mas nada planejado maquiavelicamente, foi um redemoinho que eu fui entrando, e quando vi não conseguia sair”. Outra acusadora foi a atriz Veronica Debom, que, de acordo com a Veja, atuou fortemente nos bastidores para convencer outras mulheres a denunciarem Melhem. Em seu depoimento, ela assumiu ter mantido um relacionamento de mais de um ano com o ex-diretor global, que ela classificou como “abusivo” à Justiça. Ao se referir a uma noite de sexo entre os dois, afirmou ter se sentido “enojada”. Melhem contrapôs esse depoimento com uma coleção de mensagens apaixonadas da atriz, com declarações de amor e até desejo de casamento, entre compartilhamento de nudes e conversas picantes. Também mostrou que Veronica criou um grupo no Whatsapp para falar de sexo casual, onde declarou que “não tem nenhum desejo meu que não seja legítimo!”. Ele também anexou no processo conversas pelo aplicativo em que demonstrava disposição para encerrar o affair, enquanto Veronica tentava evitar o fim, de forma insistente. Só depois de um tempo ela se mostra conformada com o desfecho da história. Numa mensagem de setembro de 2019, ela diz: “Eu tomei um pé na bunda. Tô apaixonada por você e tomei um pé na bunda, amor. Risos. Não que eu não ache você não tem razão, acho que você tá coberto de razão”. Assim que as primeiras denúncias de assédio contra Melhem surgiram, Veronica ainda se colocou do lado dele, prestando solidariedade e dizendo que ele seria vítima de terrorismo. “Você é inocente, amor”, escreveu. A defesa de Melhem alega que ele foi vítima de um complô. Cita o caso de uma suposta denunciante que disse à Justiça Cível que não sabe por que acabou constando como vítima no inquérito sobre assédio sexual, já que nunca sofreu abuso nenhum. Os advogados do ex-diretor da Globo também citam o fato de que todas as denunciantes são representadas pela mesma advogada, Mayra Cotta, que disse que “as vítimas não faziam parte de um círculo íntimo de amizades e que só souberam quem eram as demais vítimas em agosto de 2021”. Essa afirmação é desmentida nos processos por uma série de provas, que mostram que a maior parte das supostas vítimas se conhecia, sim. Antes das denúncias, várias haviam trabalhado juntas. E Dani Calabresa revelou que, no final de 2020, havia até um grupo de WhatsApp de pessoas que teriam sido assediadas por Melhem. Uma das serventias desse grupo seria trocar informações, na época em que as supostas vítimas conversavam com a advogada Mayra Cotta em busca de orientação de como proceder em relação ao episódio. Os perfis de Instagram das supostas vítimas também reforçam o elo de amizade entre elas. Uma viagem ocorrida em fevereiro de 2021 ao sítio de uma delas, na região serrana do Rio de Janeiro, rendeu muitas fotos compartilhadas por Georgiana Coutinho de Goes, Carol Portes, Veronica Debom e Debora Lamm. Embora proximidade e amizade não invalidem as denúncias, desmentem a tese da advogada de que elas não eram amigas nem sabiam que todas eram vítimas de Melhem antes de iniciarem o processo. As denúncias contra Melhem alegam que o assédio dele era insistente. Não raro, segundo as supostas vítimas, ele misturava assuntos profissionais com piadas e insinuações de cunho sexual. O conjunto de provas que constam nos autos, entretanto, mostra que muitas das acusadoras tomavam iniciativa de fazer essa mistura, incluindo conversas picantes e nudes na comunicação cotidiana. Entre as que mais faziam isto estavam Dani Calabresa e Veronica Debom. No depoimento à Justiça, Dani buscou justificar a cumplicidade erótica com Melhem da seguinte forma: “Deixa ele me cantar. Deixa me chamar de gostosa. Para mim era uma vantagem. Prefiro continuar brincando com meu chefe tarado do que comprar briga com ele”. A respeito do episódio dos nudes, a atriz conta que, num festa na casa de Mauro Farias, mostrou fotos de seu celular no meio de uma roda de amigos, até que Melhem se aproximou e tomou o celular da mão dela para ver o conteúdo. Ainda segundo a versão de Dani, não satisfeito, na mesma noite, ele a perseguiu até a porta do banheiro tentando forçar um beijo. Mas Melhem apresenta uma versão totalmente diferente para o episódio. Segundo ele, em um determinado momento da festa, as pessoas conversavam sobre nudes e Calabresa o chamou para um canto do local e exibiu o conteúdo do celular: “Ela me mostrou nudes dela, me mostrou tudo: me mostrou fotos dela totalmente pelada, ela com amigas, ela sozinha, fotos, vídeos, poses, tudo”. Para completar, há o caso da atriz Debora Lamm, que não sabe porque está no processo. Na transcrição de seu depoimento, o juiz lhe pergunta se é vítima de assédio sexual. E ela responde: “Eu acho… não, não, eu sou testemunha”. O juiz insiste mais uma vez: “Tá, a senhora só é testemunha, a senhora não é vítima?”. Lamm confirma: “É”. Mas a advogada ajuda a esclarecer a situação, lembrando que Lamm é uma das mulheres que constam no processo criminal. Em sua reportagem, a Veja afirma a atriz reclama, na verdade, de ter perdido espaço profissional na Globo, culminando com a saída dela do programa “Zorra”, em 2018. Ao mesmo tempo, Lamm reconhece que nunca foi maltratada profissionalmente por Melhem e que, no mesmo ano, voltou a trabalhar com ele na peça “O Abacaxi”. Nem Dani Calabresa conseguiu sustentar a acusação de que Melhem perseguia mulheres que assediava, graças a uma farta coleção de mensagens elogiosas sobre a chefia do ex-diretor da Globo durante o período em que trabalharam juntos. Essa versão tupiniquim do movimento #MeToo teria levado a Globo a colocar um ponto final, ainda que de forma amigável, ao contrato de Melhem com a emissora, em agosto de 2020. Mas após a contestação inabalável do ex-diretor, Dani teve seu contrato fixo com a emissora encerrado em julho passado e Mayra Cotta, advogada dela e das outras supostas vítimas, foi condenada por comportamento antiético pela OAB, numa pena de censura convertida para advertência. Antes sequer de existir um caso criminal, Melhem foi atacado em entrevistas da advogada, que só deu início ao processo após ele ir à Justiça. O caso chama especial atenção por conta desse detalhe. Não foram as supostas vítimas, mas o acusado que decidiu tirar tudo à limpo, ao fazer, em dezembro de 2020, uma interpelação extrajudicial para que Dani Calabresa confirmasse ou desmentisse o teor da reportagem da revista Piauí, que não cita fontes nem usa declarações entre aspas – um “ouvi falar” cheio de detalhes minuciosos e já comprovadamente imprecisos. Ela se calou. Em seguida, Melhem anunciou ter entrado com uma ação contra a advogada Mayra Cotta para que ela provasse as denúncias que estava fazendo pela imprensa. Em janeiro de 2021, ele processou Calabresa, a Piauí e vários colegas que o atacaram nas redes sociais por conta dos boatos amplificados pela reportagem da revista. Só depois disso a atriz e outras sete mulheres formalizaram a primeira acusação contra Melhem, feita imediatamente na sequência desses fatos. Calabresa também processou Melhem em março de 2021 por compartilhar suas mensagens privadas em entrevistas, para comprovar sua inocência. Ela perdeu. Em agosto deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo encaminhou o arquivamento da ação. Melhem ainda foi investigado internamente pela Globo, com o arquivamento definitivo das denúncias em janeiro deste ano. A conclusão indicou falta de capacidade de confirmar qualquer das denúncias de assédio.
Jornalista defende Marcius Melhem ao ver processo de assédio: “vomitei”, “fiquei com ódio”
O jornalista Ricardo Feltrin publicou um vídeo neste domingo (4/12) em que afirma que Marcius Melhem, ex-diretor do departamento de humor da Globo, é inocente das acusações de assédio sexual feitas por funcionárias da empresa. Ele afirma que chegou a essa conclusão ao ter acesso às provas contidas nos autos do processo. Feltrin já vinha sendo muito criticado por divulgar conteúdo de mensagens que estão no processo, demonstrando uma parcialidade na cobertura a favor de Melhem. Em seu vídeo, ele assume lado, dando como justificativa um arrependimento por ter condenado previamente o humorista. “Tive nojo de mim”, declarou. Melhem foi acusado por Dani Calabresa e outras atrizes de cometer assédio sexual. Segundo Feltrin, o total de supostas vítimas é muito menor do que a acusação contra o humorista deu a entender. No vídeo de 35 minutos, o jornalista disse que esperou duas semanas para ler o material, mas que ficou chocado ao se deparar com as provas. A acusação incluía a denúncia mostrada em primeira mão num texto da revista Piauí, publicado em fevereiro deste ano. Mas Feltrin garante que a defesa de Melhem rebate cada acusação e comprova que ele foi, na verdade, a verdadeira vítima da situação, alvo de uma suposta trama armada pelas três mulheres que o acusam. “Quando eu começo a ler isso, gente… Primeiro as mensagens da Dani Calabresa, [com] aquela intimidade, aquele carinho que ela tinha. Depois começo ler as mensagens da atriz número dois, mensagens que ela trocou com Marcius Melhem por três anos, né? Sendo um ano e três meses de namoro”, diz o jornalista. “Quando eu leio essas mensagens… Vou falar pra vocês: eu já chorei lendo livro, já dei risada lendo livro, já fiquei revoltado lendo livro, fiquei empolgado lendo livro. Mas essa foi a primeira vez que eu li alguma coisa e vomitei”, descreveu. Ele reforça que sentiu verdadeiro asco do que descobriu, inclusive dele mesmo. “A primeira coisa que eu tive foi nojo de mim, como jornalista. Desculpa, é muito difícil falar sobre isso”, disse, enxugando lágrimas dos olhos. “Fiquei com nojo de mim porque como eu posso ter escrito, destruído uma pessoa publicamente com a minha pena? Sendo que eu não conhecia essa pessoa, sendo que eu não conhecia o caso… Eu tive nojo de mim”, desabafou. “Depois eu vomitei de ódio de me sentir enganado. De perceber que essas mulheres tinham usado uma trama, que eu vou descobrir depois”, continuou. E sem aprofundar o que encontrou, passou a enumerar os motivos que teriam levado as três mulheres a armar contra Melhem: “Dani Calabresa, ódio profissional; atriz número dois, ódio passional (tinha acabado de ser dispensada pelo Melhem bem na hora que a Calabresa vai fazer a denúncia de assédio moral); e uma atriz número três tinha ódio familiar do Melhem, inclusive tratava ele por termos racistas havia anos.” O jornalista disse ter ficado revoltado e mais: “Eu fiquei com ódio dessas mulheres. Como é que eu pude cair nessa conversa?” “Pra mim, depois de quase dois anos de investigação, eu posso afirmar, como jornalista, de tudo que eu li, de tudo o que eu apurei, de todas as testemunhas que eu ouvi, todos os áudios que eu ouvi, todos os vídeos que eu vi, as fotos que essas mulheres postaram pro Marcius Melhem ao longo de anos e depois correram deletar, não tenho nenhuma dúvida de que esse caso foi motivado por ódio. Esse caso foi o mais vergonhoso que eu cobri em 31 anos de jornalismo. O ódio que eu senti disso”, declarou, de forma bastante enfática. Para Feltrin, o caso chega a ser prejudicial para a causa das mulheres vítimas de assédio. “E eu também vomitei, eu sei, porque eu fiquei pensando o que essa denúncia, o que essa denunciação caluniosa ia causar pra luta das mulheres”, acrescentou. Veja abaixo o vídeo na íntegra.
Brendan Fraser se recusa a ir ao Globo de Ouro: “Não sou hipócrita”
O ator Brendan Fraser, que vem de uma performance elogiada em “The Whale” (A Baleia) e é considerado presença garantida nos diversos eventos de premiação da temporada, afirmou que não aceitará convite para participar do Globo de Ouro 2023. A cerimônia marcará 20 anos de um abuso que ele sofreu de um ex-presidente da associação responsável pelo prêmio. Ele deixou clara sua posição numa entrevista para a revista GQ publicada nesta quarta-feira (16/11), em que lembrou o assédio cometido por Philip Berk, ex-presidente da HFPA (Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood), que organiza o Globo de Ouro. “Tenho mais história com a Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood do que respeito pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood”, afirmou o ator. “É pelo histórico que tenho com eles [que não vou participar]. E minha mãe não criou um hipócrita. Você pode me chamar de muitas coisas, mas não disso”, completou A denúncia do assédio aconteceu em 2018 na própria GQ. Em uma longa reportagem publicada pela revista americana, o astro da trilogia “A Múmia” revelou que, além da atenção necessária para cuidar do filho autista, o assédio o deixou depressivo e até o desistimulou a continuar a carreira. Em 2003, durante um almoço realizado pela HFPA, à época do Globo de Ouro, Philip Berk apertou as nádegas do ator e enfiou o dedo. “Sua mão esquerda se aproximou, me agarrou na poupa da minha bunda e um de seus dedos tocou no períneo. E começou a movê-lo”, descreveu o ator na publicação. Fraser diz que o gesto o deixou paralisado. “Eu me sentia mal. Eu me senti como uma pequena criança. Senti como se houvesse uma bola na garganta. Eu pensei que ia chorar”. Ele conta que deixou o local imediatamente e cogitou contar o episódio a um policial do lado de fora do local, mas se sentiu humilhado. “[Isso] me fez recolher. Isso me fez sentir recluso.” Em resposta à denúncia, a HFPA declarou ter investigado as alegações e chegado à conclusão de que nada de grave aconteceu. Teria sido uma “piada” mal-interpretada, segundo comunicado oficial. Berk continuou na associação até o ano passado, quando foi demitido devido à circulação de um email racista, em meio às críticas de racismo sofridas pela própria HFPA. Brendan Fraser aproveitou para admitir que apenas os movimentos #MeToo e “Time’s Up” fizeram ele se sentir pronto para falar sobre o que aconteceu. “Eu conheço Rose [McGowan], conheço Ashley [Judd], conheço Mira [Sorvino] – já trabalhei com elas. Eu as chamo de amigas em minha mente. Não falo com elas há anos, mas são minhas amigas. Eu assisti a esse movimento maravilhoso, essas pessoas com coragem de dizer o que eu não tive coragem de dizer. Só eu sei qual é a minha verdade. E é o que eu acabei de falar com você”, finalizou.
Rafinha Bastos terá que indenizar Marcius Melhem por piada sobre assédio
O humorista Rafinha Bastos perdeu o recurso no processo movido por Marcius Melhem por dano moral. Melhem vai receber R$ 50 mil de indenização de Rafinha a título de indenização por piadas com as acusações de assédio moral e sexual feitas contra ele por Dani Calabresa e outras funcionárias da Globo, na época em que era chefe do departamento de humor da emissora. O caso foi julgado pela 7ª Câmara do Direito Privado do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) em segunda instância. Na primeira decisão, a Justiça havia concordado com os argumentos de Melhem e nova sentença repetiu a condenação, inclusive mantendo a mesma indenização. O vídeo com a piada que motivou o processo foi publicado em 2020, logo após Melhem dar uma entrevista se defendendo da acusação de assédio sexual e moral. Em um dos trechos, o humorista colocava sua voz sobre a imagem do ex-diretor da Globo para debochar do momento em que Melhem dizia que “foi muito doloroso para mim” ouvir as denúncias. “Doloroso pra ti? Oi?”, disse Bastos na gravação. “Eu matei 48 pessoas, matei várias vezes, isso foi muito doloroso pra mim”; “Roubei oito bancos, roubei várias vezes, isso foi muito doloroso pra mim”, “Dei crack pra criança, e dei crack várias vezes, isso foi muito doloroso pra mim”. O processo também cita um tuíte de Rafinha Bastos em que ele manda Melhem “tomar no c*!” e o chama de “mau-caráter do cara**o!”. A publicação já foi apagada pelo próprio autor segundo o Twitter, que se manifestou ao ser notificado judicialmente. “Considerando a natureza do dano, a capacidade econômica das partes, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, pela ofensa ao autor com ampla divulgação, considera-se que o montante fixado deve ser mantido”, afirmou o desembargador Pastorelo Kfouri, relator do caso em segunda instância. O voto foi seguido por unanimidade. Marcius Melhem também processou Danilo Gentili, Felipe Castanheri e Marcos Veras por comentários que considerou ofensivos nas redes sociais. Mas Gentili teve ganho de causa por ter feito piadas de duplo sentido. Em entrevista do ano passado, Melhem se justificou dizendo: “Eu não processo quem me critica ou quem faz piada. Eu processei quem me ofendeu com grande repercussão. São quatro processos apenas. E muito mais gente falou de mim. Milhões de pessoas foram induzidas a me achar um abusador, um assediador, sem saber que nem processo na Justiça há contra mim. Sem saber que ninguém me acusou publicamente de algum ato criminoso. Sem saber que só houve ida à Justiça porque eu fui primeiro. A crítica é livre. A ofensa, não. Só processei quem me caluniou”.
Woody Allen anuncia aposentadoria do cinema
Woody Allen anunciou que vai se aposentar do cinema após o lançamento de seu próximo filme, intitulado em inglês “Wasp 22″. O cineasta de 86 anos deve começar a produção de seu último longa nas próximas semanas em Paris e disse a um jornal espanhol que planeja que este seja seu último. “Minha ideia, em princípio, não é fazer mais filmes e focar na escrita”, disse em entrevista ao La Vanguardia, acrescentando que trabalha num romance. Esta não é a primeira vez que Allen revela planos de se afastar da indústria cinematográfica. Em uma conversa com Alec Baldwin transmitida ao vivo no Instagram em junho, Allen disse que planejava dirigir “pelo menos mais um filme”, afirmando que “a emoção se foi” por causa do declínio da experiência cinematográfica. Em sua longa carreira, Allen recebeu um recorde de 16 indicações ao Oscar de Melhor Roteiro. Ele ganhou quatro Oscars, incluindo um de Melhor Diretor por “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977). Nos últimos anos, ele teve a carreira prejudicada pelo resgate de alegações feitas por sua ex-parceira Mia Farrow de que molestou sua filha adotiva Dylan. Allen sempre negou as acusações, foi investigado nos anos 1990 e continuou a trabalhar e ser premiado. Mas após o movimento #MeToo, Dylan e seu irmão Ronan Farrow assumiram a frente de uma campanha bem-sucedida de cancelamento, que fez Allen perder contratos de distribuição de seus filmes e até editoriais, com seu livro de memórias tendo que trocar de editora pela pressão contra a publicação. Seus filmes mais recentes tiveram pouca ou nenhuma exibição na América do Norte, e vários atores americanos com quem ele trabalhou no passado renegaram o diretor. “Wasp 22” terá um elenco todo francês. Será o segundo filme do cineasta rodado em Paris. Ele venceu o Oscar de Melhor Roteiro com o primeiro, “Meia-Noite em Paris”, que há dez anos contou com Marion Cotillard e Léa Seydoux, mas deixou os papéis principais com artistas americanos.
Atriz de “Brilhante Victória” se junta às denúncias contra produtor de séries infantis
Mais uma ex-atriz mirim veio à público denunciar o produtor Dan Schneider, responsável por várias séries de sucesso da Nickelodeon, por comportamento inadequado. Daniella Monet, que vivia a irmã de Victoria Justice na série “Brilhante Victória” (Victorious), culpou Schneider por sexualizar algumas cenas da série. Segundo a atriz, que atualmente tem 33 anos, a equipe da série pedia que ela fizesse cenas que ela não queria fazer, por considerar problemáticas. “‘Brilhante Victória’ era muito engraçada, boba, amigável, tranquila. Mas eu gostaria que certas coisas não tivessem sido tão sexualizadas”, ela comentou em entrevista ao site Insider. Intérprete de Trina Vega no programa infantil, que foi ao ar de 2010 a 2013, Monet apontou uma cena em que teve que comer um picles enquanto passava batom na boca. À época, a artista teve receio de que a cena tivesse um caráter sexual e afirmou que a Nickelodeon ignorou seu temor. Ela também disse que o produtor fez escolhas inadequadas de figurino, com aval do canal. O Insider acrescentou que Schneider vestia as estrelas infantis com roupas menores que seus números reais, para destacar seios e curvas. E um roteirista que trabalhou na série também alegou que sempre que a atriz fosse aparecer com trajes de banho, o produtor pedia que ela recebesse “o que fosse mais revelador”. Além de Monet, as atrizes Alexa Nikolas (da série “Zoey 101”) e Jennette McCurdy (de “iCarly”) também acusaram o produtor de passar dos limites. Em seu livro de memórias, “I’m Glad My Mom Died” (“Estou Feliz que Minha Mãe Morreu”, em tradução literal), McCurdy denunciou que sofreu abusos nos bastidores de “iCarly” de uma pessoa que chamou de “O Criador”. Ela diz que ele era “malvado, controlador e aterrorizante” e propenso a fazer “homens e mulheres adultos chorarem com seus insultos e degradação”. Já Nikolar participou de um protesto na frente da sede da Nikelodeon na sexta-feira passada (26/8) chamando Schneider de “criador de traumas de infância”.
Michael Jackson tinha 19 identidades falsas para comprar drogas
Um novo documentário sobre Michael Jackson (1959-2009) vai revelar um lado do cantor desconhecido dos fãs: de homem viciado, capaz de cometer crimes para manter-se abastecido de drogas. E foi isso principalmente que acabou contribuindo para sua morte. O Rei do Pop faleceu em junho de 2009 devido a uma overdose de propofol, poderoso anestésico. O documentário “TMZ Investigates: Who Really Killed Michael Jackson”, que será exibido na próxima terça-feira (6/9) pela rede Fox nos Estados Unidos, aponta que ele comprava o remédio de forma ilegal, encabeçando um esquema de receitas falsas. Segundo apuração da produção, Michael Jackson chegava a usar 19 identidades falsas para adquirir medicação pesada em diferentes farmácias. Após sua morte em 2009, o médico Conrad Murray, que lhe prescrevia medicamentos, ficou dois anos preso em regime fechado. O documentário contará com depoimentos inéditos do médico e de outros profissionais de saúde que tiveram responsabilidade na morte do artista. “Vários profissionais diferentes permitiram que Michael ditasse seus próprios termos para obter as drogas que queria, quando e onde. Eles são a razão pela qual ele está morto”, sintetiza Orlando Martinez, detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles que investigou a morte do astro, em seu depoimento para a produção. “Havia vários médicos diferentes. Ele ia no ‘Doutor A’ e pedia um sedativo. Depois ia no ‘Doutor B’ e pedia a mesma coisa”, confirmou Harry Glasmann, cirurgião plástico de Jackson. O vício de Michael Jackson teve início em 1984, quando ele sofreu queimaduras de segundo e terceiro grau em um comercial da Pepsi. Para se recuperar, começou a fazer uso de analgésicos e não parou mais. “Tornei-me cada vez mais dependente [dos remédios] para me ajudar nos dias da minha turnê”, confirmou ele em um áudio de arquivo que foi incluído no longa. Michael Jackson morreu aos 50 anos, na véspera de iniciar uma grande turnê na Inglaterra. Suas últimas imagens foram registradas nos ensaios da produção e acabaram rendendo o documentário “This is It”, lançado apenas quatro meses após sua morte.
Ex-atriz de “Zoey 101” denuncia Nickelodeon por permitir abusos na produção
A ex-atriz mirim americana Alexa Nikolas participou na sexta-feira (26/8) de um protesto em frente à sede do canal infantil Nickelodeon, na Califórnia, denunciando abusos que sofreu enquanto participava da série “Zoey 101”, que durou de 2005, quando ela tinha cerca de 13 anos, até 2008. Em seu protesto, ela citou um dos principais produtores de séries adolescentes do canal, Dan Schneider, criador de “Zoey 101”, “iCarly”, “Brilhante Victória” (Victorious) e “Drake & Josh”, chamando-o de “criador de traumas de infância”. O protesto acontece logo depois do lançamento do livro de memórias de Jennette McCurdy, ex-estrela de “iCarly”, que acusou alguém chamado de “O Criador” de cruzar limites nos bastidores do programa. No livro “I’m Glad My Mom Died”, McCurdy definiu esse executivo como “controlador e assustador”. “Eu não me sentia protegida na Nickelodeon quando criança”, disse Nickolas à imprensa atraída pela manifestação. “Eu não me sentia segura perto de Dan Schneider. Toda vez que ele vinha no set, meu corpo ficava extremamente tenso. Mais tarde, na 2ª temporada, ele e um monte de executivos me fizeram chorar em uma sala sozinha. Eu não acho que nenhuma criança deveria ter que experimentar algo assim, especialmente quando vem de pessoas que deveriam estar cuidando das crianças no set.” A Nickelodeon rompeu seu contrato com Schneider em 2018, após denúncias originarem uma investigação que concluiu que ele era verbalmente abusivo, embora não tenha revelado nenhuma evidência de má conduta sexual. Além das alegações contra Schneider, Nikolas também acusou outros ex-executivos da Nickelodeon de descaso com a situação, incluindo Fred Savage, que era diretor de “Zoey 101” e neste ano foi demitido do reboot de “Anos Incríveis” (The Wonder Years) após uma investigação por conduta inadequada. “Estou exigindo que a Nickelodeon comece a proteger crianças e não predadores”, acrescentou a estrela, que atualmente tem 30 anos. Nikolas faz parte da organização Eat Predators que tem realizado uma série de protestos, denunciando casos de abuso em empresas do ramo do entretenimento na Califórnia. Até a semana passada, o alvo era principalmente gravadoras como Sony e Warner, que apesar de escândalos de artistas como R. Kelly, Marilyn Manson e Diplo, passaram relativamente intocadas pelas denúncias do movimento #MeToo e, por isso, fizeram poucas mudanças para proteger mulheres no ambiente de trabalho.
Diretora de TV denuncia ator Gustavo Novaes por estupro
Uma diretora de TV, de nome não revelado, teria sido estuprada pelo ator Gustavo Novaes (das novelas “Amor de Mãe” e “Gênesis”). Em denúncia publicada nesta quinta (25/8) no Universa, ela conta que estava alcoolizada e não lembrava da violência, descobrindo apenas quando viu um vídeo do ato, gravado pelo próprio Novaes em seu celular. Ela imediatamente enviou o vídeo para si mesma e apagou o original. Segundo o Universa, as imagens mostram Novaes de pé, andando até um quarto. Depois, surge a imagem de uma mulher apoiada de bruços, inerte. Ele a penetra e ela balbucia algumas palavras, incompreensíveis. A vítima disse que já teve um relacionamento com o ator, mas eles não estavam mais juntos e ela não tem lembranças do que aconteceu porque estava completamente embriagada. “É muito difícil entender. Não consigo nem dizer [que foi estuprada]. A palavra é feia, dói. Eu tinha o vídeo, mas não acreditava no que via. Não era possível que alguém fosse capaz de fazer aquilo, alguém que recebi na minha casa”, ela disse ao site. O ator nega as acusações e diz que houve consentimento tanto para a gravação quanto para o ato sexual. Originalmente, a notícia chegou à imprensa como se a vítima fosse uma modelo. Em 7 de agosto, o ator desmentiu a acusação em entrevista para o “Câmera Record”. “Uma vez a gente estava transando, já tinha comentado de fazer um vídeo, e a gente fez um vídeo, ela acabou se importunando por causa disso. De onde vem esse papo de estupro, se a gente transava junto? Isso é meio absurdo, né? Nem na imagem mostra ela desacordada”, declarou Novaes. Segundo a mulher, ela conheceu o ator quando os dois trabalhavam na mesma emissora – que a vítima pediu para não ser identificada. Os dois se relacionaram por um mês e meio, segundo relata. Depois de um tempo, prestes a viajar para Los Angeles onde faria um curso, ela fez uma festa de despedida em um bar. Ao chegar em casa alcoolizada, ele insistiu, por meio de mensagens, em encontrá-la. “Não me lembro de muita coisa, me vêm flashes de memória. Ele foi até minha casa e sei que acordei com o celular dele na minha cama. Perguntei por que e ele disse que colocou uma música para eu dormir. Achei estranho. Depois, ele começa a me filmar seminua, enquanto estava pegando comida, só que com flash. Isso fez com que eu começasse a desconfiar. Queria apagar esse vídeo feito com flash, mas achei o outro. Minha reação na hora foi mandar para mim por WhatsApp e apagar do aparelho dele.” A descoberta do vídeo fez com que ela procurasse uma delegacia para denunciá-lo. A diretora disponibilizou uma troca de conversas em que confirma não ter autorizado a gravação. Gustavo responde: “Tá bem? Desculpe por ter gravado.” Ele diz que só que tinha filmado para que os dois vissem as imagens juntos e, em dado momento, a chama de “louca”. “Para de trazer problema pra sua vida”, ele afirma. Ao relatar o que aconteceu à polícia, o caso foi tratado inicialmente como crime de registro não autorizado de intimidade sexual. Mas ela logo se deu conta de que havia sido vítima de estupro de vulnerável — quando a pessoa não tem discernimento sobre o ato, não é capaz de consentir nem de oferecer resistência ao contato sexual, segundo a lei. Ela relatou ainda ter sido abordada por um profissional em cargo de chefia na emissora em que trabalhava pedindo que ela retirasse a queixa contra Gustavo. “Ele disse que não era para deixar o Gustavo ser preso nem deixar que a emissora ficasse sabendo da história.” Dias depois, a diretora foi convocada para ir à delegacia pela terceira vez, depois que o ator já tinha dado seu depoimento e meses após registrar queixa. Foi só então que o vídeo foi visto pelas autoridades policiais. “A delegada assistiu ao vídeo na minha frente, e eu com aquilo na cabeça de que não podia deixar o Gustavo ser preso. Na hora, com medo, afirmei que o sexo tinha sido consentido. Ela ainda questionou, dizendo que eu estava desacordada, respondi que foi só um cochilinho.” Na declaração registrada na Deam (Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher) em dezembro de 2019 e assinada pela escrivã Ellen de Mattos consta que ela quis esclarecer “que nunca se sentiu vítima de estupro”, sucedido por um adendo da autoridade policial: “apesar de no vídeo estar registrado o autor fazendo sexo com a declarante aparentemente desacordada”. “Ninguém te prepara para ser estuprada, ninguém fala que tem que procurar um advogado para te acompanhar na delegacia, para explicar exatamente qual é o crime e a queixa que se tem que fazer”, ela declarou. “Ainda é vergonhoso admitir.” O passo mais recente do processo foi um pedido do Ministério Público, assinado pela promotora Érika Prado Alves Schittini, para que houvesse uma investigação relacionada ao crime de estupro de vulnerável e que o vídeo fosse periciado. A defesa de Gustavo Novaes rebate as acusações. “O vídeo apresentado não foi submetido à perícia, que constataria que os dois, enquanto estavam tendo uma relação sexual, conversaram, e ela tinha dado consentimento ao vídeo”, disse o advogado João Bernardo Kappen ao site. Ele ainda afirma que o vídeo é maior do que o apresentado. “A perícia vai mostrar que, na conversa que os dois travaram enquanto mantinham a relação sexual, ela deu consentimento à relação, independentemente de estar alcoolizada.” Kappen diz ainda que “foi a advogada atual que convenceu que ela foi estuprada”. “Porque ela diz que o depoimento foi consensual, não diz em depoimento em juízo, a advogada é que surge com essa tese que nem ela [a vítima] mesma confirma.”
Jennette McCurdy revela porque não participa do revival de “iCarly”
Muitos fãs reclamaram da ausência de Jennette McCurdy no revival de “iCarly”. E houve até campanha racista contra sua “substituta” na atração da Paramount+. Mas a verdade é que McCurdy não foi boicotada ou excluída. Ela não quis mesmo participar da produção. Em seu livro de memórias, “I’m Glad My Mom Died” (“Estou Feliz que Minha Mãe Morreu”, em tradução literal), a intérprete de Sam revelou sua conversa com Miranda Cosgrove sobre o convite para a série. “Eu disse ‘Miranda, não vou fazer o reboot. Não tem nada que você possa dizer que vá me convencer’. Ela me disse que pensava que o reboot poderia ser uma oportunidade para todos nós do elenco ‘voltarmos à ativa’, talvez conseguir novas chances. Mas tem coisas mais importantes que dinheiro, como minha saúde mental e minha felicidade”, escreveu McCurdy. “Foi um daqueles raros momentos em que senti que não disse coisas demais, nem de menos. Me posicionei com precisão e não mudaria nada na maneira como eu falei. Terminamos nossa conversa prometendo manter contato e sair”, completou a atriz. No livro, McCurdy denunciou que sofreu abusos nos bastidores de “iCarly” de uma pessoa que chamou de “O Criador”. Ela diz que ele era “malvado, controlador e aterrorizante” e propenso a fazer “homens e mulheres adultos chorarem com seus insultos e degradação”. McCurdy alega que “O Criador” cruzou limites ao fazer coisas como iniciar uma massagem não solicitada em seu ombro e tentar fazê-la beber álcool quando tinha 18 anos. Quando “Sam & Cat” terminou após apenas uma temporada em 2014, com audiência recorde, McCurdy mencionou um “presente de agradecimento” de US$ 300 mil da Nickelodeon para ela concordar em nunca falar publicamente sobre suas experiências no canal, especificamente em relação ao comportamento de “o Criador”. Ela recusou. “iCarly” e “Sam & Cat” foram criadas e produzidas por Dan Schneider. A atriz também detalhou no livrou seu relacionamento tumultuado com sua mãe Debra, que foi sua agente até morrer em 2013. A pressão era tanta que a levou, após a morte dela, a desistir de atuar.
Escândalos do ator Armie Hammer e sua família são expostos em trailer de série documental
A Discovery+ divulgou o trailer de “House of Hammer”, uma série documental de “true crime”, que parte dos escândalos que abalaram a carreira do ator Armie Hammer (“Me Chame pelo Seu Nome”) para abordar o histórico sombrio de sua família. A prévia é forte e traz declarações de ex-namoradas do ator, com a exposição de mensagens de celular sobre atos violentos. E se completa com a denúncia de Casey Hammer, tia do ator, sobre tudo o que há de errado em sua família, prometendo revelar várias gerações de Hammers envolvidos com histórias escabrosas. “Por fora, éramos uma família perfeita”, diz Casey Hammer no trailer. “Mas amplie ‘Succession’ um milhão de vezes e essa era minha família. Se você acredita em fazer acordos com o diabo, os Hammers estão no topo dos negócios. Cada geração da minha família esteve envolvida em crimes sombrios. E isso só foi ficando pior e pior e pior.” A inspiração da série foi uma reportagem da revista Vanity Fair, intitulada “The Fall of House of Hammer”, que no ano passado revelou o histórico conturbado da família milionária, dona de um império de petróleo nos Estados Unidos e envolvida em décadas de escândalos sexuais, financeiros, de luta de poder e de vício. Armie Hammer viu sua carreira implodir em janeiro de 2021, após virem à tona mensagens privadas em que se confessava canibal, seguidas dois meses depois pelo processo de uma ex-namorada, identificada como Effie, por estupro e violência sexual, com elementos de tortura. Segundo a suposta vítima, o crime ocorreu em 2017, quando ele era casado com Elizabeth Chambers. Assim que a história explodiu na mídia, outras mulheres reiteraram diálogos com o ator de 34 anos sobre fetiches envolvendo canibalismo, abuso e estupro. Em entrevista ao Page Six, Courtney Vucekovich, que ficou com o ator por alguns meses do ano passado, disse que conviver com Hammer era como namorar Hannibal Lecter — o famoso personagem canibal de “O Silêncio dos Inocentes” e da série “Hannibal”. Como consequência, ele foi afastado de várias produções, como os filmes “Shotgun Wedding” e “Billion Dollar Spy”, e a série “The Offer”, sobre os bastidores de “O Poderoso Chefão”. Sua agência também o dispensou. Em sua única manifestação desde as acusações, ele qualificou as denúncias como “alegações de m*rda”. As últimas notícias de seu paradeiro revelaram que ele tinha se internado em uma clínica de reabilitação localizada na Flórida, onde ficou por nove meses, e recentemente encontrou trabalho num resort nas Ilhas Cayman.
Jennette McCurdy denuncia abusos nos bastidores de “iCarly”
Jennette McCurdy, estrela da versão original de “iCarly” e do derivado “Sam & Cat”, denunciou experiências abusivas que teria sofrido nos sets dos programas infantis da Nickelodeon. A atriz protagonizou as duas séries entre 2007 e 2014, e disse que até hoje fica com raiva de lembrar o que passou nas gravações. “Meu coração começa a bater rápido. Isso me deixa com raiva”, afirmou, em entrevista ao jornal The Washington Post para promover seu livro de memórias, “I’m Glad My Mother’s Dead” (Estou feliz que minha mãe morreu, em tradução literal). No livro, McCurdy detalha seu relacionamento tumultuado e abuso por sua mãe Debra, que foi sua agente até morrer em 2013. A pressão era tanta que a levou, anos depois, a desistir de atuar. Ela também escreve sobre alguém que chama de “o Criador” em relação ao seu tempo nos programas do Nick. Ela diz que ele era “malvado, controlador e aterrorizante” e propenso a fazer “homens e mulheres adultos chorarem com seus insultos e degradação”. Embora não identifique essa pessoa pelo nome, ela disse ao Post que era “importante falar sobre isso. Era tão comum, seu comportamento, e era tão aceito porque todo mundo estava com medo de perder o emprego. Não culpo nenhum deles. Entendo. Mas foi realmente lamentável tudo o que aconteceu em um ambiente infantil de séries de televisão. Realmente parece que não havia muita bússola moral lá.” McCurdy alega que o Criador cruzou limites ao fazer coisas como iniciar uma massagem não solicitada em seu ombro e tentar fazê-la beber álcool quando tinha 18 anos. Quando “Sam & Cat” terminou após apenas uma temporada em 2014, com audiência recorde, McCurdy mencionou um “presente de agradecimento” de US$ 300 mil da Nickelodeon para ela concordar em nunca falar publicamente sobre suas experiências no canal, especificamente em relação ao comportamento de “o Criador”. Ela recusou. “iCarly” e “Sam & Cat” foram criadas e produzidas por Dan Schneider. Em 2021, durante uma entrevista ao New York Times sobre o lançamento do reboot de “iCarly” – que não inclui McCurdy – na Paramount+, Schneider disse que nunca agiu de forma inadequada com colegas de trabalho. “Eu não poderia e não teria as amizades de longo prazo e a lealdade contínua de tantas pessoas respeitáveis se maltratasse meus atores de qualquer idade, especialmente menores”, disse ele ao jornal. O artigo mencionava uma investigação da controladora da Nickelodeon, ViacomCBS, após denúncia sobre o comportamento do produtor. A apuração indicou que Schneider era verbalmente abusivo em relação aos colegas de trabalho, mas não encontrou evidências de má conduta sexual. Ele não participa do reboot de “iCarly” e não trabalha mais com a Nickelodeon desde 2018, quando seu contrato terminou.
Justiça permite a Marcius Melhem divulgar mensagens de Dani Calabresa
A Justiça de São Paulo arquivou na quarta-feira (3/8) a queixa-crime movida pela comediante Dani Calabresa contra Marcius Melhem, ex-diretor de Humor da Globo. A ação visava proibir Melhem de mostrar mensagens de WhatsApp trocadas entre ambos, em decorrência da denúncia de assédio moral e sexual que ela e outras sete mulheres fazem contra ele desde 2020. O Tribunal de Justiça de São Paulo entendeu que ela não pode impedi-lo de divulgar algo para defender a si mesmo, enquanto a advogada da acusação leva o caso à imprensa e publicações, como a revista Piauí, fazem reportagens com denúncias contra ele. Em comunicado, a defesa da atriz lamentou a permissão para divulgação das mensagens, comparando-as a “vazamentos” que teriam o “o objetivo de atingir a reputação das denunciantes”. “A defesa de Dani Calabresa lamenta a decisão, mas a respeita, como tem feito ao longo de todo o processo. Ressaltamos que a investigação criminal das denúncias apresentadas por 12 mulheres contra Marcius Melhem por assédio sexual continua sob sigilo de justiça, assim como o processo movido pelo Ministério Público do Trabalho. Infelizmente, temos assistido a uma série de vazamentos, sempre com o objetivo de atingir a reputação das denunciantes. Confiamos que a justiça comprovará todas as denúncias, apoiadas em provas e testemunhos”, diz a nota. O comunicado chama atenção por citar denúncias de 12 mulheres, número que nunca tinha sido apresentado até então. A defesa de Marcos Melhem também comentou a liberação das mensagens de seu celular. “A decisão da Justiça demonstra a lisura da conduta de Marcius Melhem ao se defender de acusações feitas pela advogada do grupo de oito denunciantes na imprensa, sem nenhuma investigação. Não foi Marcius Melhem quem procurou primeiro a imprensa. A divulgação de mensagens, como bem entendeu a Justiça, apenas ocorreu após o amplo ataque que ele sofreu publicamente. Marcius respeita a Justiça e o sigilo das investigações e irá sempre se defender de todas as formas legais para demonstrar a sua inocência diante das mentiras contadas. E sempre irá esclarecer a opinião pública quando alguma inverdade for dita a seu respeito”, disseram os advogados do humorista. O caso Melhem veio a à tona em dezembro de 2019, numa nota do colunista Leo Dias. Em março de 2020, o comitê de compliance do Grupo Globo absolveu o comediante das denúncias. Mesmo assim, a empresa encerrou o contrato com o então chefe de departamento da emissora, divulgando um texto elogioso sobre o profissional em agosto. Em outubro de 2020, as acusações contra Melhem deixaram de ser boatos e assumiram o peso de denúncia de uma advogada, Mayra Cotta, que se apresentou como representante das mulheres supostamente assediadas nas páginas do jornal Folha de S. Paulo. Em dezembro, a revista Piauí publicou a primeira reportagem sobre o caso, repleta de informações detalhadas – algumas já desmontadas – sobre os casos de assédio de Melhem contra ex-funcionárias, especialmente Dani Calabresa. A publicação gerou ira nas redes sociais contra Melhem, que entrou na justiça contra a revista, a advogada, Calabresa e vários colegas comediantes que o chamaram de assediador. Foi só então que Melhem passou a dar entrevistas e apresentar as mensagens trocadas com Calabresa como prova de sua versão dos fatos. As mensagens apresentadas à Folha e à rede Record demonstravam que os dois mantinham uma relação íntima e amigável entre os anos de 2017 e 2019, época em que, segundo a revista Piauí, ele teria assediado a atriz moral e sexualmente. Dois dias depois, a defesa de Calabresa entrou na Justiça para impedir a divulgação dos textos e áudios, e com um pedido de indenização por danos morais por Melhem ter revelado conversas privadas. A alegação é que a atriz estava tendo sua “vida íntima devassada”. Nesta quarta (3/8), o juiz Fabricio Reali Iza, da Vara do Juizado Especial Criminal da Barra Funda, em São Paulo, negou o pedido de Calabresa. Ele acolheu e concordou com o pedido da Procuradoria-Geral do Estado pelo arquivamento da queixa-crime. O arquivamento também já havia sido recomendado ao juiz anteriormente, pelo Ministério Público. “Ele somente o fez (a divulgação de mensagens) após ser acusado publicamente pela ofendida e por sua advogada (Mayra Cotta) da prática de crimes graves de assédio moral e sexual, visando defender-se das referidas”, diz o relatório do Ministério Público do Estado encaminhado ao juiz, que o acolheu. A decisão é definitiva e não cabe recurso.











