Darren Aronofsky troca grandes estúdios pelo cinema independente
O cineasta Darren Aronofsky (de “Noé” e “Cisne Negro”) vai voltar ao cinema independente. Ele fechou com o estúdio A24 para realizar seu próximo filme, “The Whale”, que será estrelado por Brendan Fraser (“Patrulha do Destino”). O filme é uma adaptação da peça de mesmo nome de Samuel D. Hunter. O próprio dramaturgo vai escrever o roteiro. A produção de 2012 foi elogiada pelo New York Times e ganhou vários prêmios – como o Drama Desk Award, o Lucille Lortel Award e um GLAAD Media Award. “Adaptar minha peça em um roteiro foi um verdadeiro trabalho de amor para mim”, disse Hunter. “Esta história é profundamente pessoal e estou muito grato por ter a chance de atingir um público mais amplo. Sou fã de Darren desde que vi “Réquiem para um Sonho”, quando era um calouro na faculdade, escrevendo minhas primeiras peças, e sou muito grato por ele ter trazido seu talento e visão singulares para este filme. ” “The Whale” é o primeiro filme de Aronofsky desde a polarização gerada pelo longa “Mãe!”, produção da Paramount estrelada por Jennifer Lawrence em 2017.
Will Smith vai aos extremos da Terra em série documental do National Geographic
O ator Will Smith vai viajar ao redor do mundo para registrar seus limites. Anunciada durante a avalanche de novidades do Dia do Investidor da Disney, na noite de quinta (10/12), a série documental “Welcome to Earth”, do canal pago National Geographic, acompanhará o astro de “Independence Day”, “Eu Sou a Lenda” e “Depois da Terra” a locais extremos do planeta. Os episódios já foram gravados. Neles, Will Smith poderá ser visto no interior de um vulcão ativo (foto acima) e até nas profundezas do oceano. A atração está sendo produzida pelo cineasta Darren Aronofsky (“Noé”) e a produtora Nutopia, que foram responsáveis por “One Strange Rock”, no NatGeo. “Welcome to Earth” vai se juntar a outra produção de Aronofsky no canal, a série “Limitless”, apresentada por Chris Hemsworth. E também será disponibilizada na plataforma Disney+ (Disney Plus).
Novo livro de Stephen King vai virar três filmes diferentes
O novo livro de Stephen King não vai render apenas um filme, como previamente antecipado. Na verdade, serão três. Antologia com quatro contos do escritor, “If It Bleeds” terá três de suas histórias transformadas em filmes de produtores e cineastas diferentes. Cada um dos contos foi negociado separadamente. A adaptação mais adiantada é “Mr. Harrigan’s Phone”, que já tinha sido anunciada. O filme será uma coprodução de Ryan Murphy (criador de “American Horror Story”) e da Blumhouse (produtora de “O Homem Invisível” e “Corra!”), com roteiro e direção de John Lee Hancock (“Um Sonho Possível”) para a Netflix. Os cineastas Darren Aronofsky (“Mãe”) e Ben Stiller (“Zoolander”) vão adaptar outros dois contos, “The Life of Chuck” e “Rat”, respectivamente. Segundo apurou o site Deadline, “Rat” será dirigido e estrelado por Stiller, enquanto Aronofsky deve apenas produzir “The Life of Chuck”. Com isso, o único conto de “If It Bleeds” ainda sem adaptação encaminhada é “Let It Bleed”. Mas isso não significa que não vá aparecer nas telas. Na verdade, ele deve ser adaptado na TV, já que Holly, protagonista da história, também aparece em “The Outsider”, cujos direitos foram adquiridos pela Warner para a produção da série homônima da HBO. Na atração televisiva, a personagem é interpretada por Cynthia Erivo (“Harriet”). Não há nenhuma previsão para o lançamento das adaptações. Stephen King gravou um vídeo lendo o começo de um dos contos para divulgar a publicação, que foi lançada em abril passado nos EUA. Veja abaixo.
Antes de virar Coringa, Joaquin Phoenix quase foi Batman no cinema
Vencedor do Oscar por sua interpretação magistral em “Coringa”, o ator Joaquin Phoenix quase viveu Batman vários anos antes, no projeto que acabou virando “Batman Begins” (2005). Quem estava à frente dessa produção era o diretor Darren Aronofsky (“Mãe!”), que contou nesta sexta (17/4), em entrevista à revista Empire, que Joaquin Phoenix era sua principal escolha para viver Batman. Encarregado de fazer um reboot total da franquia do super-herói no começo dos anos 2000, após o fracasso de “Batman & Robin” (1997), Aronofsky contou que seu filme seria influenciado por clássicos violentos, como “Desejo de Matar”, “Operação França” e “Taxi Driver”, além dos quadrinhos de Frank Miller. Mas a Warner se assustou. Segundo o diretor, a ideia do estúdio era bem diferente, tanto que os produtores sugeriram Freddie Prinze Jr., o Fred dos filmes “Scooby-Doo”, para o papel do herói. “Eu lembro de pensar: ‘Nossa, nós estamos fazendo dois filmes diferentes aqui’. Essa história é real. Eram outros tempos. O Batman que eu escrevi era bem diferente da pegada que eles assumiram no final das contas”, contou Aronofsky. “O Batman que estava diante de mim era ‘Batman & Robin’ (1997), famoso pelos mamilos marcados no uniforme, então eu estava realmente tentando explodir isso e reinventar tudo”, explicou. Mas mesmo não conseguindo agradar ao estúdio, o diretor diz que o tempo gasto no projeto não foi totalmente perdido, já que lhe permitiu conhecer Frank Miller. “Foi algo incrível, porque eu era um grande fã de seu trabalho nas graphic novels, então apenas conhecê-lo foi emocionante na época”, lembrou o diretor. A Warner acabou cancelando a produção, mas Aronofsky ajudou a demonstrar para o estúdio que Batman precisava de um filme mais sombrio. O resultado foi a trilogia do diretor Christopher Nolan, que reinventou o herói por meio da denominação popularizada justamente nos quadrinhos de Frank Miller, como “O Cavaleiro das Trevas”.
Reboot de O Grito recebe pior nota possível do público americano
O reboot do terror “O Grito” foi totalmente reprovado pelo público americano com uma nota “F”, a pior possível, na pesquisa do CinemaScore, que avalia a opinião dos espectadores na saída dos cinemas. São raras as ocasiões em que o público dá nota tão baixa para um filme. Antes de “O Grito”, a última vez que um filme recebeu “F” foi durante o lançamento do divisivo “Mãe!”, de Darren Aronofsky, em 2017. “Mãe!”, ao menos, conseguiu agradar parte da crítica, obtendo 69% de aprovação no Rotten Tomatoes. No caso do novo terror, porém, a execração é unânime. Com apenas 16% na média do Rotten Tomatoes, “O Grito” é o primeiro favorito à consagração no troféu Framboesa de Ouro de 2021, que vai eleger os piores filmes lançados neste ano recém-iniciado. A história de “O Grito” é tão batida que a produção já é a segunda versão americana do longa japonês original, que, por sua vez, também era refilmagem de outra produção – um telefilme do mesmo diretor, Takashi Shimizu. Ou seja, foi a quarta vez que a mesma história chegou às telas desde 2000. A nova produção preserva o título original americano (e brasileiro), sem adendos, porque mantém a mesma premissa, mudando apenas as vítimas e a locação. Desta vez, o terror ataca nos subúrbios e ameaça uma típica família americana. Ironicamente, porém, os personagens americanos são vividos por um ator mexicano, um sul-coreano e uma atriz inglesa, que têm os papéis principais. Demian Bichir (“Os Oito Odiados”), John Cho (“Star Trek”) e Andrea Riseborough (“Birdman”) são os protagonistas do filme, que ainda inclui em seu elenco Lin Shaye (“Sobrenatural”) e Betty Gilpin (“GLOW”). Roteiro e direção são assinados por Nicolas Pesce (“Os Olhos da Minha Mãe”) e a produção está a cargo do cineasta Sam Raimi (“Homem-Aranha”), que se disse “muito animado”, em comunicado oficial, com todo este prospecto. A estreia vai acontecer em 16 de janeiro no Brasil, duas semanas após o lançamento nos Estados Unidos.
Pacificado: Coprodução brasileira filmada no Rio vence o Festival de San Sebastian
O filme “Pacificado”, uma coprodução entre Brasil e EUA rodada no Rio de Janeiro, venceu o troféu Concha de Ouro como Melhor Filme do Festival de Cinema de San Sebastian, na Espanha. O longa acompanha a história de uma garota de 13 anos que forja uma amizade com um ex-traficante que vive em uma favela do Rio. Além de Melhor Filme, “Pacificado” venceu mais dois troféus no festival espanhol. Bukassa Kabengele, congolês naturalizado brasileiro, foi premiado como Melhor Ator. Ele é conhecido da TV brasileira por atuações em séries como “Carcereiros”, “Os Dias Eram Assim” e até “Malhação”. O outro prêmio foi para Laura Merians Gonçalves, Melhor Direção de Fotografia por seu primeiro longa-metragem, após uma carreira de curtas, séries e clipes de pop islandês (Bjork, Sigur Ros). A direção do longa é do americano Paxton Winters, que assumiu o projeto após se mudar, ele mesmo, para uma favela na capital carioca. Entre os produtores destaca-se o cineasta Darren Aronofsky (“Noé”, “Mãe!”). O elenco também inclui os atores Débora Nascimento (“Avenida Brasil”), José Loreto (“Mais Forte que o Mundo: A História de José Aldo”) e a revelação Cássia Nascimento, estreante que vive a protagonista feminina. A Fox vai lançar “Pacificado” no Brasil, mas ainda não há previsão para a estreia do filme em circuito comercial.
Jóhann Johánnsson (1969 – 2018)
O compositor de trilha sonoras Jóhann Johánnsson, duas vezes indicado ao Oscar da categoria, morreu em Berlim na sexta-feira (9/2), de causas ainda desconhecidas, com apenas 48 anos de idade. A informação foi confirmada por seu empresário neste sábado, mas não há maiores detalhes. Nascido em Reykjavík, capital da Islândia, em 1969, Johánnsson começou a trabalhar com trilhas no filme “The Icelandic Dream” (2000), antes de lançar seu primeiro álbum solo, “Englabörn”, em 2002. Sua estreia no cinema norte-americano aconteceu no drama indie “For Ellen” (2012), imediatamente seguida pelo thriller “Os Suspeitos” (2013), que inaugurou uma parceria bem-sucedida com o cineasta canadense Denis Villeneuve. Ele voltou a trabalhar com Villeneuve em “Sicario: Terra de Ninguém” (2015), que lhe rendeu sua primeira indicação ao Oscar, e “A Chegada” (2016), que causou forte impressão pela trilha eletrônica minimalista. Johánnsson também disputou o Oscar pela trilha da cinebiografia britânica “A Teoria de Tudo” (2014), de James Marsh, que lhe rendeu o Globo de Ouro da categoria. Sua experiência cinematográfica não se restringiu à composição. A inclinação para criar música de vanguarda o levou a trabalhar com o diretor Darren Aronofsky na concepção do impactante design de som de “Mãe!” (2017). Ele também dirigiu, roteirizou, fotografou e musicou o curta documental “End of Summer” (2014), em que registrou as semelhanças entre os extremos do mundo, da Islândia e da Antártida. Além disso, musicou a série islandesa “Trapped” (2016), dirigida por seu compatriota Baltazar Kormákur. Seus últimos trabalhos foram as trilhas do drama britânico “The Mercy”, segunda parceria com James Marsh, que estreou no dia de sua morte no Reino Unido, e da produção americana “Maria Madalena”, de Garth Davis, ainda inédita nos cinemas.
Jennifer Lawrence, Transformers e Johnny Depp são indicados ao Framboesa de Ouro como piores do ano
Os indicados ao prêmio Framboesa de Ouro, que premia os piores filmes americanos do ano, foram divulgados nesta segunda-feira (22/1). E, para variar, a franquia “Transformers” mais uma vez liderou as indicações. O mais recente filme ruim de Michael Bay, “Transformers: O Último Cavaleiro”, aparece em nove categorias, seguido por “Cinquenta Tons Mais Escuros” com oito indicações. Outros filmes ruins que se destacam na lista são a comédia “Baywatch”, a fantasia “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”, o não terror “A Múmia” e a animação “Emoji: O Filme”. O divisivo “Mãe!” também foi lembrado com três indicações, inclusive para a atriz vencedora do Oscar Jennifer Lawrence. O filme do diretor Darren Aronofsky, que concorre em sua respectiva categoria, curiosamente agradou à crítica, mas foi considerado um lixo pelo público. Entre os atores, ainda se destacaram Johnny Depp, Mark Wahlberg, Zac Efron, Tom Cruise, Dakota Johnson e Emma Watson. Os vencedores do Framboesa de Ouro serão anunciados no dia 3 de março, na véspera da entrega do Oscar. Confira a lista completa de indicados. Pior Filme “Baywatch” “Emoji – O Filme” “Cinquenta Tons Mais Escuros” “A Múmia” “Transformers: O Último Cavaleiro” Pior Atriz Katherine Heigl – “Paixão Obsessiva” Dakota Johnson – “Cinquenta Tons Mais Escuros” Jennifer Lawrence “Mãe!” Tyler Perry – “BOO! 2: A Medea Halloween” Emma Watson – “O Círculo” Pior Ator Tom Cruise – “A Múmia” Johnny Depp – “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” Jamie Dornan – “Cinquenta Tons Mais Escuros” Zac Efron – “Baywatch” Mark Wahlberg – “Pai em Dose Dupla 2” e “Transformers: O Último Cavaleiro” Pior Ator Coadjuvante Javier Bardem – “Mãe!” e “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” Russell Crowe – “A Múmia” Josh Duhamel – “Transformers: O Último Cavaleiro” Mel Gibson – “Pai em Dose Dupla 2” Anthony Hopkins – “Collide” e “Transformers: O Último Cavaleiro” Pior Atriz Coadjuvante Kim Basinger – “Cinquenta Tons Mais Escuros” Sofia Boutella – “A Múmia” Laura Haddock – “Transformers: O Último Cavaleiro” Goldie Hawn – “Viagem das Loucas” Susan Sarandon – “Perfeita É a Mãe 2” Pior Combo na Tela Qualquer combinação de dois personagens, dois brinquedos sexuais ou duas posições sexuais em “Cinquenta Tons Mais Escuros” Qualquer combinação de dois humanos, dois robôs ou duas explosões em “Transformers: O Último Cavaleiro” Quaisquer dois emojis irritantes em “Emoji – O Filme” Johnny Depp e sua atuação desgastada como bêbado em “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” Tyler Perry e seu vestido ou peruca em “BOO! 2: A Madea Halloween” Pior Remake, Imitação ou Sequência “Baywatch” “BOO 2: A Medea Halloween” “Cinquenta Tons Mais Escuros” “A Múmia” “Transformers: O Último Cavaleiro” Pior Diretor Darren Aronofsky – “Mãe!” Michael Bay – “Transformers: O Último Cavaleiro” James Foley – “Cinquenta Tons Mais Escuros” Alex Kurtzman – “A Múmia” Anthony (Tony) Leondis – “Emoji – O Filme” Pior Roteiro “Baywatch” “Emoji – O Filme” “Cinquenta Tons Mais Escuros” “A Múmia” “Transformers: O Último Cavaleiro”
Will Smith vai narrar série de documentários de Darren Aronofsky no National Geographic
O canal pago National Geographic divulgou o primeiro teaser da série de documentários “One Strange Rock”. A prévia tem imagens deslumbrantes. E não é para menos. O projeto tem direção do cineasta Darren Aronofsky (“Mãe!”, “Noé”, “Cisne Negro”). Além disso, os episódios serão narrados pelo astro Will Smith (“Esquadrão Suicida”). “Estou emocionado por ter Will Smith a bordo para guiar a nossa série”, disse Aronofsky, em comunicado. “O seu carisma, inteligência e humanidade aumentará grandemente o projeto, ajudando a atrair os espectadores para esta narrativa única sobre as maravilhas que tornam possível a vida na Terra”. Com 10 episódios, a série promete uma jornada épica ao redor do mundo e rumo ao espaço, determinada a contar a história extraordinária da criação do planeta, mostrando como ele se tornou único e repleto de vida num universo que, embora ainda largamente desconhecido, tem dado repetidas provas de como é difícil existir algo igual à Terra na vastidão espacial. A série contará com a perspectiva de astronautas que viram o planeta do espaço, explorando suas experiências pessoais, que vão ancorar os temas da produção. “One Strange Rock” ainda não tem data de estreia definida.
Namoro entre Jennifer Lawrence e o diretor Darren Aronofsky já acabou
O romance entre a atriz Jennifer Lawrence e o diretor Darren Aronofsky não resistiu às críticas negativas de “Mãe!”, como muitos maldosos apostavam. Eles estão separados há um mês, segundo o programa Entertainment Tonight (ET), que diz ter confirmado a informação com diversas pessoas próximas do casal. Os dois começaram a namorar durante as filmagens de “Mãe” e a separação teria sido amigável. A última aparição pública do casal foi no Governors Awards, que entregou Oscars honorários no dia 11 de novembro, em Los Angeles. Embora os dois já estivessem separados na ocasião, o clima entre eles foi normal. Em setembro, o casal conversou com o programa e se elogiaram mutuamente. “Ele simplesmente é brilhante”, disse a atriz, de 27 anos. “Um talento único desta geração”, respondeu Aronofsky, de 48. “Eu não sei o que faz dela tão boa. Talvez seus pais, talvez a água do Kentucky”, ele brincou. Veja abaixo. Lawrence já havia namorado o ator Nicholas Hoult (“X-Men: Apocalipse”) e o vocalista da banda Coldplay, Chris Martin, enquanto Aronofsky, por sua vez, teve um relacionamento com a também atriz Rachel Weisz, que ele dirigiu em “Fonte da Vida” (2006). Os dois são pais de Henry, de 11 anos.
Martin Scorsese defende Mãe! em artigo que ataca métricas de cinema
O diretor Martin Scorsese escreveu um artigo para a revista The Hollywood Reporter em defesa do filme “Mãe!”, de Darren Aronofsky, lamentando a falta de conhecedores de cinema entre os críticos atuais e a ênfase dada a métricas, como as do Rotten Tomatoes e do Cinemascore. “Os bons filmes de cineastas reais não são feitos para serem decodificados, consumidos ou compreendidos instantaneamente”, ele observou. Leia abaixo um trecho do longo texto do cineasta. “Antes de realmente ver ‘Mãe!’, fiquei extremamente perturbado pelos julgamentos severos que sofreu. Muitas pessoas pareciam querer definir o filme, colocá-lo num nicho, achar suas falhas e condená-lo. E muitos pareceram felizes com o fato dele receber uma nota F do Cinemascore. Isso na realidade virou notícia – ‘Mãe!’ tinha sido “esbofeteado” com a “temida” nota F do Cinemascore, terrível condecoração compartilhada por filmes dirigidos por Robert Altman, Jane Campion, William Friedkin e Steven Soderbergh. “Depois que tive a chance de ver ‘Mãe!’, fiquei ainda mais perturbado pela pressa do julgamento e é por isso que queria compartilhar meus pensamentos. As pessoas pareciam estar atrás de sangue, simplesmente porque o longa não pode ser facilmente definido ou interpretado ou reduzido a uma descrição de duas palavras. É um filme de terror ou uma comédia sombria ou uma alegoria bíblica ou uma fábula cautelar sobre devastação moral e ambiental? Talvez um pouco de tudo isso, mas certamente não apenas uma dessas categorias básicas. “É um filme que precisa ser explicado? E que tal a experiência de assistir a ‘Mãe’!? É tão tátil, lindamente encenado – a câmera subjetiva e os ângulos reversos, sempre em movimento… o design de som, que chega ao espectador pelas beiradas e o arrasta cada vez mais para as profundezas deste pesadelo… o desenrolar da história, que gradualmente se torna mais e mais perturbadora conforme o filme avança. O terror, a comédia sombria, os elementos bíblicos, a fábula cautelar – estão todos lá, mas são elementos da experiência total, que engole os personagens e os espectadores junto com eles. Somente um verdadeiro e apaixonado cineasta poderia ter feito esse longa, que eu ainda estou experimentando semanas após tê-lo assistido. “Bons filmes, feitos por cineastas de verdade, não são criados para ser decodificados, consumidos ou instantaneamente compreendidos. Eles não são nem feitos para serem gostados instantaneamente. São feitos porque a pessoa por trás das câmeras tinha que fazê-los. E como qualquer pessoa familiarizada com a história do cinema sabe muito bem, há uma lista muito longa de títulos – ‘O Mágico de Oz’, ‘A Felicidade Não Se Compra’, ‘Um Corpo Que Cai’ e ‘À Queima-Roupa’, para citar apenas alguns – que foram rejeitados no lançamento e se tornaram clássicos. As avaliações do Tomatômetro e Cinemascore desaparecerão em breve. Talvez sejam substituídos por algo ainda pior. “Ou talvez eles desapareçam e se dissolvam à luz de um novo espírito na alfabetização cinematográfica. Enquanto isso, filmes produzidos apaixonadamente como ‘Mãe!’ continuarão a crescer em nossas mentes.” Raparo importante: apesar do que escreveu Scorsese, a nota de “Mãe!” no Rotten Tomatoes foi alta. O filme teve 68% de aprovação. E o estúdio usou esta aprovação em seu marketing para fazer frente à rejeição do público – foram os espectadores, avaliados pelo Cinemascore, e não a crítica, refletida no Rotten Tomatoes, que detestaram o filme. Este esclarecimento é necessário, uma vez que Scorsese não o reflete em seu texto. O Rotten Tomatoes também publica um resumo das opiniões da imprensa, que qualifica como “consenso da crítica”. Eis o que o site escreveu em sua síntese de “Mãe!”: “Não há como negar que ‘Mãe!’ é o produto provocador de uma visão artística singularmente ambiciosa, embora possa ser muito difícil para os gostos convencionais”.
Mãe! é a obra mais original, ousada e demente da carreira de Darren Aronofsky
David Lynch já disse que filmes não devem ser explicados, mas sentidos. Poucas vezes neste século isto foi tão pertinente em relação a um filme bancado por um grande estúdio. “Mãe!” é capaz de abalar plateias acostumadas a respostas fáceis, roteiros redondos e diversão com começo, meio e fim previsíveis em 90% dos casos. Com a assinatura de um dos diretores mais elogiados da atualidade, Darren Aronofsky (“Cisne Negro”) em um de seus trabalhos mais pessoais, a estrela do momento Jennifer Lawrence (“Passageiros”) como protagonista e o selo de um dos maiores estúdios de cinema de todos os tempos, Paramount, distribuindo o filme não somente em circuitos alternativos, mas tomando de assalto o conforto dos multiplexes. Esqueça os trailers e o receio de ver um novo “O Bebê de Rosemary” (1968), embora a influência do clássico de Roman Polanksi esteja ali de alguma forma. Você pode amar ou odiar, mas tenha certeza de uma coisa: “Mãe!” vai incomodar. No meio de tantos blockbusters, Aronofsky surge com um conto original que se passa 100% dentro de uma casa isolada no meio de um campo verde e florido, onde vive um casal sem nome, interpretados por Jennifer Lawrence e Javier Bardem (“007 – Operação Skyfall”). Ele é um escritor tentando criar seu novo poema, enquanto ela é uma… dona de casa, que faz todo o resto. De uma hora para outra, a rotina vira do avesso com a chegada de dois estranhos interpretados por Ed Harris (série “Westworld”) e Michelle Pfeiffer (“A Família”). Pronto. A fagulha está acesa e dá início a desentendimentos e novas ideias que podem mudar o casamento dos anfitriões para sempre. Apesar do cenário teatral, não espere tampouco um “Quem tem Medo de Virginia Woolf?” (1966) nem uma DR de duas horas. E não há como explicar o que acontece além disso sem entregar spoilers. Bom, isso é apenas a superfície do filme, porque as intenções de Aronofsky são mais profundas do que deveriam. Podemos enxergar “Mãe!” como uma grande metáfora. Primeiramente, em relação ao papel da mulher, sua situação em um mundo dominado por homens, o machismo imposto a elas, uma realidade em que tudo que o personagem de Javier Bardem faz é mais importante que as conquistas e atitudes da moça interpretada por Jennifer Lawrence – e como a soma de tudo isso destrói seu casamento aos poucos. Mas o “filme metáfora” segue em frente. A crise conjugal é apenas um pretexto para Aronofsky orquestrar um caos cada vez mais crescente e insuportavelmente tenso até a meia hora final mais louca que você verá este ano em um filme. E durante essa viagem, jorram referências ao Gênesis e o Apocalipse, Caim e Abel, Adão e Eva, Deus e o Diabo, a Mãe Natureza (como a mulher, ela é maltratada pelo Homem), as grandes guerras que destruíram e recriaram o mundo, o caos no princípio de tudo com personagens sem nome por não serem batizados. Enfim, digamos que casamento é algo muito complicado. Mas Aronofsky quer abraçar tudo e nada ao mesmo tempo. Tem o objetivo máximo de agarrar o espectador pela jugular e explodir sua cabeça numa sucessão de eventos insanos, como em um pesadelo que faz você acordar gritando e não permite tempo suficiente para reflexões. Apesar dos temas, o diretor é ateu e, talvez, use “Mãe!” como uma espécie de terapia para entender um mundo do qual ele não faz parte. E, da mesma forma que Aronofsky, a personagem de Jennifer Lawrence observa e interage com esse ambiente como se estivesse em um filme de terror, deslocada, assustada, tentando assimilar tanta informação enquanto a vida acelera diante de seus olhos. Com a câmera ora na altura do ombro, ora agindo como sua própria visão, afinal quase tudo que vemos em “Mãe!” é o ponto de vista da protagonista, o diretor espreme a mente, a alma e o corpo de Jennifer Lawrence (e da plateia que se revira na cadeira) até ela explodir de tensão no clímax, assim como faz com a bailarina de Natalie Portman, em “Cisne Negro” (2010), e Mickey Rourke, em “O Lutador” (2008). Desta vez, pelo menos, digamos que podemos vislumbrar uma espécie de redenção brilhando escondida no meio da escuridão. Mas nem mesmo os trabalhos anteriores de Darren Aronofsky prepararam você para essa descida ao inferno. Não há necessariamente um final surpresa estilo M. Night Shyamalan, tampouco lampejos de Stanley Kubrick ou David Lynch, o que atesta a originalidade de Aronofsky. Goste-se ou não, “Mãe!” é uma aposta ousada, especialmente por se tratar de um filme de grande estúdio. Se fosse da Netflix, seria mais um exemplo para lamentar que o cinema não assume riscos como as produções do serviço de streaming. Mas não é. É, mais que qualquer coisa, uma obra para cutucar e extremamente relevante para a nossa época. Pode-se até criticar as escolhas de Aronofsky, seu festival de alegorias (que compõe uma experiência sensorial) e o mix entre estéticas caprichadas e desleixadas em seu filme mais demente, mas não se pode dizer que o cineasta não tem coragem. Se “Mãe!” é um filme genial ou uma completa bobagem, só a revisão temporal dirá. O importante agora é reconhecer o esforço do cineasta em testar seu público com um filme perturbador que justifica a exclamação no título. Se todos os diretores consagrados se dedicassem a oferecer algo digno de seus talentos, fora do comum, teríamos mais esperança em relação ao futuro do cinema. E, por que não, também quanto ao futuro da humanidade.
Darren Aronofsky diz ter ficado entusiasmado com a rejeição de público sofrida por Mãe!
O diretor Darren Aronofsky resolveu abordar a rejeição do público e a notória nota “F” dada a seu novo filme, “Mãe!”. A nota ruim foi registrada pela CinemaScore, uma empresa de pesquisa que analisa as reações do público aos filmes. “O que é interessante sobre isso é, como é que você sair deste filme sem dar um ‘F’? Ele é um soco. É um soco total”, disse Aronofsky, num evento de exibição do filme na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, acompanhado pelo site The Hollywood Reporter. “Eu percebi que ficamos entusiasmados com isso”, continuou Aronofsky. “Nós queríamos fazer um filme punk e vir para cima do público. E a razão pela qual eu queria vir é porque eu estava muito triste e tinha muita angústia e queria expressá-la. O cinema é uma jornada tão difícil. As pessoas estão constantemente dizendo não a você. E para acordar todas as manhãs e sair da cama e enfrentar todos esses ‘não’, você precisa estar disposto a realmente acreditar em algo”. Até hoje, apenas 19 filmes receberam o temido “F” da CinemaScore. Entre eles, estão “O Sacrifício” (2006), “A Caixa” (2009) e “O Homem da Máfia” (2012). Repercutindo a rejeição, “Mãe!” abriu abaixo das expectativas, rendendo apenas US$ 7,5 milhões na bilheteria doméstica, durante o fim de semana passada. A quantia é recorde negativo na carreira da atriz Jennifer Lawrence. Aronofsky explicou que, em seu discurso inicial para a equipe e estrelas da “Mãe!”, inclusive Jennifer Lawrence e Javier Bardem, disse que “este filme não vai vencer um concurso de popularidade”. “Estamos basicamente segurando um espelho para o que está acontecendo”, defendeu o diretor. “Todos nós estamos fazendo isso. Mas o capítulo final não foi escrito e espero que as coisas possam mudar. E, para voltar, o fato de que está indo agora mesmo e as coisas realmente estão desmoronando de uma maneira que é realmente assustadora “. O diretor acrescentou ainda que “Mãe!” foi sua chance de “uivar”. “Algumas pessoas não vão querer ouvir isso. Tudo bem”, concluiu.











