Diretora de Democracia em Vertigem prepara projeto sobre o coronavírus no Brasil
A diretora Petra Costa, do documentário indicado ao Oscar “Democracia em Vertigem”, definiu um novo projeto. Segundo a colunista Monica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, ela vai pedir em suas redes sociais para que pessoas de todo o Brasil encaminhem vídeos com seus testemunhos de como estão vivendo nesses tempos da pandemia do novo coronavírus. “Queremos fazer um mosaico de visões do Brasil, de como cada um está vivendo esse momento histórico intenso de dentro de suas casas, de seus bairros, de suas comunidades”. Maiores detalhes devem surgir em breve.
Sarah Maldoror (1939 – 2020)
A cineasta Sarah Maldoror, pioneira do cinema angolano, morreu na segunda-feira (13/4), vítima da pandemia do novo coronavírus, em Paris. Nascida no sul da França, filha de mãe francesa e pai guadalupense, ela foi casada com o poeta e político angolano Mário Pinto de Andrade, fundador do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido que governa o país africano desde sua independência de Portugal, em 1975. Por isso, Sarah também se tornou conhecida por seu ativismo anticolonialista. Ela estudou cinema em Moscou, onde conheceu o senegalês Ousmane Sembène, conhecido como pai do cinema africano, e começou a carreira como assistente de direção no clássico “A Batalha de Argel” (1966), de Gillo Pontecorvo, filmado na capital argelina. Vencedor do Leão de Ouro, prêmio principal do Festival de Veneza, o longa retratava uma revolução popular e teve sua exibição proibida no Brasil durante a ditadura militar. Seu primeiro trabalho como diretora foi realizado dois anos depois: o curta “Monangambé”, inspirado em romance do escritor angolano José Luandino Vieira, que na época do lançamento, em 1968, encontrava-se preso em um campo de concentração no Cabo Verde. Mais dois anos e veio o primeiro longa, “Des Fusils pour Banta” (1970). A obra de Luandino voltou a inspirar a diretora em seu segundo longa, “Sambizanga”, que contou com roteiro de Mário Pinto de Andrade. Premiado nos festivais de Berlim e Cartago em 1972, o filme se passava durante a revolução de 1961 e acompanha Maria, moradora de um bairro precário de Luanda, que dá nome ao filme, em busca do marido pelas cadeias da cidade. Militante político, ele tinha sido preso, torturado e morto. Com esses trabalhos, Maldoror se tornou uma das primeiras mulheres a dirigir longa-metragens na África. Após a independência angolana, seu marido entrou em atrito com o colega de partido Agostinho Neto, que se tornou o primeiro presidente do novo país, e o casal entrou em exílio. Em Paris, a cineasta fez documentários sobre artistas, como a escultora colombiana Ana Mercedes Hoyos e a cantora haitiana Toto Bissainthe. Ao todo, Sarah Maldoror realizou mais de 40 filmes, entre curtas e longas. Seu último trabalho, “Eia pour Césaire”, um documentário sobre outro parceiro importante de sua carreira, o poeta da Martinica Aimé Césaire, foi lançado em 2009. Ela deixa duas filhas de seu relacionamento com Mário (morto em 1990), Annouchka e Henda.
Elenco do Castelo Rá-Tim-Bum se reúne em vídeo para incentivar isolamento social
O elenco do programa “Castelo Rá-Tim-Bum”, um dos maiores sucessos televisivos infantis dos anos 1990, gravou um vídeo para incentivar o isolamento social durante a pandemia do novo coronavírus. A publicação foi feita no perfil do jornalista Marcelo Tas, que dava vida ao personagem Telekid na atração da TV Cultura. “Vamos aproveitar esse tempo em casa para brincar muito e ensinar os pais a brincar também”, diz Tas em um trecho da gravação “Puxa, puxa, que chato… todo mundo preso dentro de casa e não tem nada pra fazer. Imagine eu, preso dentro de um castelo por 300 anos”, brinca Nino, interpretado pelo ator Cássio Scapin. Também aparecem no vídeo os atores Sérgio Mamberti (Doutor Vitor), Angela Dipp (Penélope) e Alvaro Petersen, que deu vida aos bonecos Celeste, a serpente do castelo, e Godofredo, um monstro que vivia nos encanamentos. Criador de “Castelo Rá-Tim-Bum”, Cao Hamburger também deu sua contribuição: “Vilões querem que você saia de casa, mas não caia nessa. Fique em casa”. Nos últimos dias, a música “Lavar as Mãos”, que na série clássica já ensinava a importância da higiene contra doenças, multiplicou-se em versões na internet, evocando a atualidade do programa para enfrentar a crise sanitária. Ver essa foto no Instagram Recadinho dos moradores #casteloratimbum Uma publicação compartilhada por Marcelo Tas 👽 (@marcelotas) em 12 de Abr, 2020 às 7:58 PDT
Banda fictícia do filme The Wonders: O Sonho Não Acabou vai se reunir em live no YouTube
Todos os quatro membros da banda fictícia The Wonders, do filme “The Wonders: O Sonho Não Acabou” (1996), vão se reunir numa live na sexta-feira (17/4) para ajudar a arrecadar dinheiro para um fundo de ajuda ao enfrentamento a covid-19 e para prestar homenagem a Adam Schlesinger, que compôs o hit do filme. Os atores Tom Everett Scott (que interpretou o baterista Guy Patterson), Johnathon Schaech (o vocalista Jimmy), Steve Zahn (o guitarrista Lenny) e Ethan Embry (o baixista TB Player) estão confirmados e tuitaram posts sobre evento, que será transmitido pelo YouTube, neste link. No filme, eles interpretava uma banda dos anos 1960, que sai do anonimado para o estrelato da noite para o dia, graças ao sucesso de uma canção. Mas a pressão inesperada também demonstra que eles não estavam prontos para levar a carreira a sério, culminando na separação precoce do grupo. A chamada do evento de sexta, inclusive, fala em reunir a banda novamente. No reencontro, via Zoom, o elenco responderá perguntas dos fãs, mas também deve fazer algum tributo à música do filme, criada por Schlesinger, que morreu em 1 de abril, aos 52 anos, após contrair o novo coronavírus. O hit “That Thing You Do!”, título do filme nos EUA, foi indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro de 1997 nas categorias de Melhor Canção Original. “The Wonders: O Sonho Não Acabou” foi o primeiro longa escrito e dirigido por Tom Hanks, que também pegou covid-19 nas últimas semanas, mas conseguiu se recuperar. OH MY GOODNESS!!! https://t.co/d4JgPnItEL — Ethan Embry (@EmbryEthan) April 13, 2020
Disney anuncia adiamento de suas próximas animações
A Disney anunciou uma segunda rodada de adiamentos de seus filmes, desta vez focada em suas próximas animações. A nova produção da Pixar, “Soul”, foi deslocada de sua data original (25 de junho no Brasil) para 20 de novembro. E até “Raya and the Last Dragon”, que só estrearia em janeiro de 2021, sofreu mudança. Agora, será lançada em 12 de março do ano que vem. As alterações no calendário foram informadas pelo perfil do Twitter da Disney. Veja abaixo. Com os novos adiamentos, agora o primeiro filme do estúdio com previsão de estreia cinematográfica é o remake live-action de “Mulan”. O lançamento, que chegaria em março, foi remarcado para 24 de julho, mês que outros estúdios ainda consideraram inviável – a Sony adiou “Morbius”, que chegaria às telas brasileiras em 30 de julho, para 19 de março de 2021 nos EUA, e passou “Ghostbusters: Mais Além”, de 10 de julho para 5 de março de 2021. Como a pandemia do novo coronavírus continua longe de ter uma solução, não está descartada uma nova alteração. Disney and Pixar's Soul in theaters November 20, 2020. #PixarSoul pic.twitter.com/sH9EAOxpNr — Disney (@Disney) April 13, 2020 Raya and the Last Dragon in theaters March 12, 2021. pic.twitter.com/9eacSr2L9s — Disney (@Disney) April 13, 2020
Netflix suspende dublagens por coronavírus: “Prioridade é a saúde dos dubladores”
A Netflix suspendeu o trabalho de dublagem de seus novos lançamentos no Brasil por causa da pandemia do novo coronavírus. Uma mensagem exibida em algumas produções do catálogo avisa: “Algumas opções de áudio não estão disponíveis. A prioridade é a saúde dos dubladores”. Um dos títulos afetados é a comédia “Coffee & Kareem”, que chegou ao catálogo no último dia 3 de abril. O filme está disponível com o áudio original em inglês e com dublagens em alemão, espanhol, francês e italiano — sem opção em português. Veja abaixo a reprodução da mensagem sobre a ausência de dublagem.
Recuperado do coronavírus, Di Ferrero lança clipe para confortar fãs na pandemia
Uma das primeiras celebridades brasileiras a pegar o novo coronavírus, o cantor Di Ferrero transformou a experiência em uma música: “Vai Passar”. Gravada de forma caseira, a canção ganhou até clipe neste fim de semana, feito durante a quarentena, com participação de amigos famosos e anônimos, que se juntaram à distância, via vídeo. O pop acústico, que traz Di Ferrero ao violão, inclui em seu coro sutil, registrado em volume baixo, as vozes de vários amigos de Instagram, gente tão diferente quanto o guitarrista do Sepultura Andreas Kisser, o rapper Rael, o ex-Titãs Paulo Miklos, os cantores Paulo Ricardo, Simoninha e Vitor Klay, o humorista Maurício Meirelles, os apresentadores Marcos Mion e Serginho Groisman, as atrizes Camila Queiroz e Fernanda Souza, além de sua esposa, a modelo Isabeli Fontana, entre muitos outros. “Eu fiz essa música logo que eu consegui voltar a cantar. Eu fiquei um pouco rouco por causa do vírus e no momento que eu voltei a cantar eu comecei a tocar e comecei a escrever sobre tudo o que está acontecendo, não só comigo, mas com as pessoas em volta de mim, com o mundo”, contou o cantor, que permanece isolado em sua casa no sul do país. A ideia de gravar a música surgiu depois de tocá-la numa live com os fãs. Para a produção, Di Ferrero aproveitou recursos caseiros para garantir uma boa acústica. “Acabei gravando com meu celular dentro do armário cheio de roupas, para fazer uma acústica legal”, revelou. “Me senti bem pra caramba quando acabei a música, fiquei feliz. E decidi lançar pra ser uma música para confortar as pessoas, como ela me confortou naquele momento”. Depois de mostrar a gravação para os amigos e receber os vídeos de suas interpretações, tudo foi editado num clipe e lançado nas redes sociais do cantor – inclusive no YouTube, como pode ser conferido abaixo.
Recuperado do coronavírus, Tom Hanks apresenta primeira edição de quarentena do Saturday Night Live
Uma dos primeiros astros de Hollywood a receber diagnóstico de covid-19, o ator Tom Hanks não só se recuperou como se tornou o apresentador da primeira versão de quarentena do programa humorístico “Saturday Night Live”, exibido no sábado (11/4) pela rede americana NBC. O episódio foi produzido num formato inédito, batizado de “Saturday Night Live at Home” com esquetes gravados na casa dos artistas, em isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus. “É um momento estranho para tentar fazer piadas”, disse o ator no monólogo que abriu o programa, que foi disponibilizado nas redes sociais oficiais do “SNL”. Com o último episódio inédito transmitido há um mês, os humoristas resolveram retomar a atração com esse novo formato, atuando em suas casas. E não faltou nem sequer a participação musical da semana, feita por Chris Martin, vocalista da banda Coldplay, que cantou uma versão da música “Shelter from the Storm”, de Bob Dylan. A edição diferenciada ainda homenageou o produtor do programa Hal Willner, que faleceu em decorrência da doença. Veja abaixo a abertura do episódio e o monólogo inicial de Hanks. Ver essa foto no Instagram ❤️❤️❤️ Uma publicação compartilhada por Saturday Night Live (@nbcsnl) em 11 de Abr, 2020 às 8:52 PDT Ver essa foto no Instagram Ladies and gentlemen…@tomhanks. Uma publicação compartilhada por Saturday Night Live (@nbcsnl) em 11 de Abr, 2020 às 9:19 PDT
Elenco original de High School Musical faz reunião especial de quarentena
Vários elencos de séries clássicas tem se reunido em aplicativos de compartilhamento de videochamada durante a quarentena forçada pelo novo coronavírus, para alegrar seus fãs. Mas ninguém tinha feito isso ainda com filmes, até o elenco de “High School Musical” tomar essa iniciativa no sábado (11/4). “Adivinha quem voltou”, introduziu Vanessa Hudgens em seu Instagram, compartilhando um print da chamada com os antigos colegas. A ausência mais sentida foi de Zac Efron, que interpretava o protagonista, Troy Bolton, par romântico da atriz – os dois chegaram a namorar de verdade, na época. Além de Vanessa, também participaram da live Ashley Tisdale, Lucas Grabeel, Corbin Bleu e Monique Coleman, além do diretor Kenny Ortega e dançarinos. Exibido em 2006 no Disney Channel, “High School Musical” virou uma verdadeira febre mundial, rendendo mais dois filmes – o terceiro, exibido nos cinemas – , além de uma turnê musical com os protagonistas do longa. A produção ainda rendeu versões internacionais – inclusive no Brasil – e deu origem à série “High School Musical: The Musical: The Series” da plataforma Disney+ (Disney Plus), que ainda não foi lançada por aqui. Ver essa foto no Instagram Guess who’s back… Uma publicação compartilhada por 🔮Vanessa Hudgens🔮 (@vanessahudgens) em 11 de Abr, 2020 às 11:31 PDT Ver essa foto no Instagram Zoom Call with @zerogroove @thepaulbecker1 and some of my HSM Wildcats! Loving them more today than ever! What amazing people they’ve all become. I’m so proud of each and everyone of them! #wereallinthistogether ❌🏀 Uma publicação compartilhada por Kenny Ortega (@kennyortegablog) em 11 de Abr, 2020 às 6:24 PDT
Conteúdo infantil puxa audiência dos serviços de streaming na quarentena do Brasil
O serviço de VOD do NOW, plataforma sob demanda da operadora Claro NET, revelou que quase 12 milhões de pessoas fizeram uso de conteúdo infantil de seu serviço durante o período de quarentena, da segunda quinzena de março até 8 de abril. Encabeçando este consumo está a porquinha Peppa Pig, do Discovery Kids. O aumento do consumo de conteúdo infantil também foi revelado pelo Globoplay. Só nesse segmento, a plataforma afirmou ter registrado 486% de aumento na segunda quinzena de março, em relação à média do ano, abastecido pelo canal Goob. Na categoria cinema houve um aumento de 165% em horas assistidas, e em séries, de 81%. Ainda assim, o programa mais visto na Globoplay é o BBB 20. Enquanto “Peppa Pig” lidera entre as crianças, os filmes mais assistido dos serviços pagos são “Minha Mãe é Uma Peça 3” e, logo em seguida, “Contágio”, que virou o grande clássico da pandemia. Com relação à TV paga, a ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) divulgou esta semana um balanço que aponta crescimento de 20% na audiência do segmento no Brasil, com destaque para canais de notícias e canais de filmes. Houve significativo aumento de uma plateia jovem, que já havia desistido da TV, inclusive nos canais de notícias, onde a plateia mais fiel tem acima de 25 anos. Mas o público de assinaturas de streaming e serviços VOD cresceu muito mais. Segundo a NOW, a audiência do serviço, somando todos os gêneros, aumentou em 36% desde 12 de março, um dia após a OMS (Organização Mundial da Saúde) decretar pandemia do Coronavírus. Já a Globoplay, somando todo o conteúdo do serviço, indica ter registrado um crescimento de 46% no consumo da plataforma.
Olivia Wilde reúne doutores da TV em vídeo de apoio aos médicos da vida real
A atriz e cineasta Olivia Wilde reuniu algumas das maiores estrelas de séries médicas da TV americana num vídeo postado na terça (7/4), Dia Mundial da Saúde, para agradecer aos médicos da vida real, que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus. Para quem não lembra, Wilde interpretou Thirteen (Treze), médica da série “House”. O vídeo reúne outros cinco integrantes da atração (Omar Epps, Jennifer Morrison, Lisa Edelstein, Peter Jacobson e Kal Penn), além de “doutores” de outras séries famosas, como “Grey’s Anatomy” (Patrick Dempsey, Sandra Oh e Kate Walsh), “E.R./Plantão Médico” (Maura Tierney e Julianna Margulies), “Scrubs” (Zach Braff, Donald Faison e Sarah Chalke), “Nurse Jackie” (Eddie Falco), “Tal Pai, Tal Filho” (Neil Patrick Harris) e a novata “The Good Doctor” (Freddie Highmore”), além de Jennifer Garner, que interpretou uma médica no filme “Clube de Compras Dallas”; “Em nome de médicos falsos em todos os lugares, queremos agradecer aos super-heróis reais da saúde na linha de frente desta crise. Neste Dia Mundial da Saúde, considere fazer uma doação para comprar recursos essenciais para esses socorristas que estão arriscando suas vidas por nós”, escreveu ela, pedindo ajuda para a campanha Firt Responders First, que visa doar materiais e recursos aos profissionais da saúde que lidam diretamente com os infectados nos EUA. Veja o vídeo abaixo. Ver essa foto no Instagram On behalf of fake doctors everywhere, we want to thank the actual healthcare superheroes on the front lines of this crisis. On this #worldhealthday please consider donating to buy essential resources for these first responders who are risking their lives for us. Thriveglobal.com/firstresponders #firstrespondersfirst ELBOW BUMPS to my favorite fake docs : @patrickdempsey @nph @donald_aison @zachbraff Julianna Margulies Maura Tierney @_sarahchalke @ediefalco @lisaedelstein @jennifermorrison @omarepps @realpjacobson @kalpenn @iamsandraohinsta @katewalsh @freddiehighmore @jennifer.garner And my friend and super-editor @jamie_egan !!! Uma publicação compartilhada por Olivia Wilde (@oliviawilde) em 7 de Abr, 2020 às 4:35 PDT
Recluso há anos, Jean-Luc Godard faz live de quase duas horas no Instagram
Recluso há muitos anos, sem dar sequer entrevistas presenciais, Jean-Luc Godard surpreendeu o mundo por participar nesta terça (7/4) de uma live no Instagram, que durou quase duas horas – 1h40, para ser preciso. Em bate-papo com Lionel Baier, diretor da ECAL (Escola de Arte de Lausanne), Godard falou de cinema, linguagem, literatura, pintura, palavra e ciência nesses tempos de coronavírus, sem sair de sua casa em Rolle, na Suíça. Vale lembrar que, antes disso, sua última entrevista pública tinha sido por meio de Facetime, no Festival de Cannes de 2018, quando também falou com a imprensa sem sair de casa. Na ocasião, competia pela Palma de Ouro com o filme experimental “Imagem e Palavra”. Godard iniciou a conversa lamentando o cancelamento dos tradicionais torneios de tênis de Wimbledom e Roland Garros, que acompanhava pela TV. Questionado sobre o que estava vendo na TV, ele confessou que não assiste muito à programação. “Mas às vezes vejo se passa algum filme antigo que quero rever”, ressaltou. E seguiu seus comentários com um raciocínio picotado, saltando entre temas ou retomando assuntos anteriormente abordados, num fluxo muitas vezes desencontrado. Por exemplo, quando o diretor lembrou do trabalho do fotógrafo francês Pierre Bonnard (1867-1946), observou: “Pintar com o pincel não é a mesma coisa que escrever (com um lápis), é outra forma de expressão. A linha da escrita (faz mímica) diz quase nada. A sala escura (de revelação de fotos) é como a caverna do Platão, a gente fixa a realidade sobre o papel.” E quando Baier perguntou se a ideia da caligrafia e da escrita era uma coisa plástica em seu trabalho, saiu-se assim: “Sim. O primeiro livro de filosofia que me marcou foi do Brice Parain (que participou do filme ‘Viver a Vida’, do próprio Godard), escritor e filósofo francês que escreveu ‘Recherches sur la nature et le fonction du language’ (1943). Para mim, a linguagem não é o idioma. Talvez um ou outro sejam diferentes, com origens únicas, como o basco (euskera) e o finlandês. A linguagem é outra coisa, como a pintura e todos os grande escritores, como James Joyce, que buscavam ir mais além do que é a língua falada. Meu último filme é um pouco primitivo, mas a palavra é minha voz, vem da minha garganta, não da minha língua. A pintura é ação com a mão. Escrever no computador não é.” Ele ainda comparou o cinema com a ciência. “O cinema é um pouco como um antibiótico.” E relembrou do passado, admitindo sentir falta de conversar sobre cinema com colegas da nouvelle vague, como Eric Rohmer, Jacques Rivette e François Truffaut, todos já falecidos. Veja abaixo a íntegra da live, em francês.
Acústico MTV ganha versão de quarentena no YouTube
A MTV adaptou um de seus programas musicais mais famosos, o Acústico MTV (MTV Unplugged, no título original americano), para esses dias de isolamento social. Intitulado, em inglês, “Unplugged at Home”, o novo formato do Acústico pega carona na iniciativa individual de alguns artistas, que passaram a transmitir apresentações ao vivo, de suas casas, para os fãs em quarentena. Uma das principais novidades do projeto é que o material está sendo disponibilizado no YouTube, portal que a MTV já considerou seu maior rival e que chegou a processar por exibir vídeos que considerava exclusivos – a emissora perdeu. O canal oficial da MTV no YouTube já disponibilizou shows de Alessia Cara, Yungblud, Wyclef Jean, JoJo e Melissa Etheridge. Nada que entusiasme os fãs de rock. E parece que essa será mesmo a linha do programa, que promete disponibilizar novas apresentações de artistas como Finneas, Jewel, Bazzi, Shaggy e outros. Para quem não lembra, o programa original, que marcou época na televisão, apresentou performances de outro nível, com Nirvana, Duran Duran, Pearl Jam, Paul McCartney, Kiss, Eric Clapton, Aerosmith, Elton John, Bruce Springsteen, Bob Dylan, Rod Stewart, Jimmy Page e Robert Plant, entre outros. Claro que isso foi no tempo em que a MTV tocava rock… Veja abaixo os primeiros shows – literalmente caseiros – da nova versão do programa.












