Especial de Natal do Porta dos Fundos também rende polêmica na Polônia
O repúdio ao Especial de Natal do Porta dos Fundos, “A Primeira Tentação de Cristo”, é internacional. Indignado com a produção, vice-premiê polonês, Jaroslaw Gowin, exigiu que a Netflix tire o programa de seu catálogo. Num tuíte endereçado ao fundador e CEO da empresa, o político de extrema escreveu: “Reed Hastings, exigimos que a Netflix remova o filme blasfemo de sua plataforma”. O segundo homem do governo nacionalista de direita do premiê da Polônia, Mateusz Morawiecki, anexou à postagem um link para a petição online de um grupo no país que pede a remoção do filme da Netflix. O abaixo-assinado tem mais de 1,5 milhão de assinantes. “Todo ano, o grupo de ‘comédia’ brasileiro Porta dos Fundos produz um filme de Natal para atacar cristãos e o cristianismo”, diz a petição. “Essas produções tem um só fim – a blasfêmia. Claro que o alvo desta blasfêmia é somente uma religião – o cristianismo”, prossegue o texto. A petição acusa os humoristas brasileiros de “atacar, humilhar e difamar os cristãos e sua religião”. Segundo os peticionários, “sem dúvida, eles estão trabalhando para expandir os limites da tolerância pública à blasfêmia e à zombaria da religião”. Os autores do abaixo-assinado afirmam que a mensagem do filme tem como consequência o “anestesiamento das consciências e a preparação da total aceitação social para uma perseguição ainda mais sangrenta dos cristãos em todo o mundo”. Trata-se de teoria da conspiração em seu estado mais puro, primitivo e radical. Esse mesmo tipo de discurso apareceu no vídeo da suposta célula revolucionária de direita, que assumiu o atentado incendiário contra o grupo Porta dos Fundos na véspera de Natal, e em várias outras bocas da direita brasileira. O ataque de inspiração terrorista, que quase resultou na morte do vigia da sede do grupo, aconteceu após os humoristas sofrerem ataques virtuais de diversos militantes e condenações de políticos conservadores, inclusive da família Bolsonaro, além de demandar pedidos de explicações do Congresso, campanha de boicote de líderes religiosos, repúdio televisivo da rede Record e até processo judicial. Mas a tentativa de censura foi rejeitada pela Justiça com um argumento lógico: quem achar ofensivo e não quiser ver, não é obrigado a assistir. Lançado pela Netflix no dia 3 de dezembro, o Especial de Natal do Porta dos Fundos, mostra um Jesus gay, interpretado por Gregório Duvivier, que chega em casa no dia de seu aniversário, trazendo o namorado, que conheceu quando passava 40 dias no deserto. Vale lembrar que o Especial de Natal do Porta dos Fundos do ano passado, “Se Beber, Não Ceie”, que transformou a Santa Ceia em piada, venceu em novembro passado o prêmio Emmy Internacional de Melhor Comédia… do mundo. A briga com o Porta dos Fundos é a segunda polêmica recente do governo polonês com a Netflix. Assim como o governo brasileiro de direita tenta reescrever a história da ditadura no Brasil, os poloneses estão priorizando uma mudança de percepção sobre a participação do país no Holocausto. Em 2018, uma lei foi criada para punir quem chamar de “polonês” os campos de concentração da Alemanha nazista que ficavam no país. Por conta disso, a Netflix foi enquadrada ao criar uma série documental sobre o Holocausto contendo “imprecisões históricas”, segundo o governo polonês, ao mostrar “campos de concentração nazistas dentro das fronteiras da Polônia moderna”. “O Monstro ao Lado” (The Devil Next Door) recebeu críticas do primeiro ministro polonês Matusz Morawiecki, que, numa carta oficial enviada ao CEO da plataforma, protestou por a série sugerir que a Polônia se envolveu nos crimes do Holocausto e por apresentar mapas que mostravam campos de concentração nazistas dentro das fronteiras polonesas, ignorando que o país tinha sido invadido pela Alemanha e os campos foram construídos e comandados por alemães nazistas.
Suspeito assume ataque ao Porta dos Fundos e diz ter escapado porque foi avisado da ação policial
O suspeito de ter cometido o atentado incendiário contra a sede do Porta dos Fundos, Eduardo Fauzi Richard Cerquise, contou ter recebido informação privilegiada de que seria alvo de mandato de prisão e por isso conseguiu fugir do país antes da polícia agir. “Achavam que fui muito estúpido pra não cobrir o rosto e não alterar a voz, mas fui conectado o suficiente pra ser avisado do mandado a tempo de viajar pra fora do país”, afirmou, em sua primeira entrevista após chegar na Rússia. Ao vangloriar-se de sua inteligência, ele também praticamente confessou o crime. Não, ele realmente confessou: “O atentado é pífio do ponto de vista militar – sem baixas ou danos – e foi pensado e perfeitamente executado para ser puramente simbólico e gerar reflexão na sociedade”, afirmou, deixando de ser suspeito para se tornar criminoso confesso. Disse mais: “Era inevitável que algo ocorresse. Alguém tinha que tomar alguma atitude”. Ele resume assim sua motivação para realizar o atentado: “Quando um cristão não tem possibilidade de ser ouvido, quando não há possibilidade de debate, quando não há formas de responder aos ataques feitos à fé, e, sobretudo, a Deus, além de nos depararmos com autoridades completamente inertes omissas ou até coniventes, que têm o poder de solucionar a questão e cessar a ofensa, mas não o fazem e se recusam a fazer, ou até mesmo defendem os atos criminosos e blasfemos, não resta outra forma do que responder com as próprias mãos.” Falando pelo Whatsapp com o repórter Lauro Neto, do site Projeto Colabora, Cerquise mostrou-se corajoso à distância. Embora tenha fugido, disse não temer ser preso. E afirmou que, apesar de não temer a prisão, vai pedir asilo na Rússia para evitar “o evento”. “Evidentemente, cadeia é uma experiência complexa e que tem potenciais desdobramentos terríveis, mas eu não me assusto com a ideia. Eu já fui preso antes e pude extrair algum aprendizado do evento”, afirmou na fase valente da entrevista, antes de contar que tem uma namorada na Rússia com quem tem um filho e que pretende pedir asilo no país. Embora tenha se definido como revolucionário – “as sementes que estamos plantando germinarão inevitavelmente a revolução brasileira” – ele esvaziou sua própria “revolução” ao afirmar que o Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira, grupo que assumiu o atentado em tom terrorista ameaçador, não existe e foi só “estratégia de marketing”. “Não existe enquanto grupo organizado. É apenas uma estratégia de marketing, uma peça midiática, uma roupagem que abusa de elementos pastiche e de uma estética agressiva e simbólica para gerar impacto, polarizar atenções e causar discussão. Numa análise mínima, se vê que o próprio nome do suposto movimento é clichê demais para ser levado a sério, e a identidade estética é totalmente defasada, tendo sido elaborada para evocar os movimentos de libertação nacional do século 20. É apenas uma roupagem. Eu militei na FIB (Frente Integralista Brasileira) por 10 anos. Tenho vários amigos no movimento e, de lá, extraí muito aprendizado”, afirmou. Ironicamente, Cerquise foi expulso da FIB após surgir como suspeito do atentado, mesmo sendo presidente da sucursal carioca do grupo de extrema direita inspirado pelo nazi-fascismo. Ele diz lamentar pela expulsão ter se dado “de forma desonrosa” e ataca os ex-colegas: “Não são revolucionários e a farda verde que envergam é vazia de significado militar e guerreiro e, por isso mesmo, têm algo de ridícula. Eu acho mesmo que usarem o epíteto de soldados de Deus para si, quando não são soldados e não lutam contra nada de opressor, é cruel, é pecado e equivale a usar o Seu Santo nome em vão. É o integralismo que o sistema precisa: manso, não contestador, passivo e assexuado. Não são um movimento político, mas apenas um clube social de debate e confraternização”. Além do ataque à produtora, Fauzi possui uma longa ficha criminal, que inclui crimes como ameaça, lesão corporal, desacato, extorsão e Lei Maria da Penha (agressão contra mulher). Mas na versão dele “são todas anotações de baixo potencial ofensivo como ameaça e agressão”. Ele garante que não é criminoso e sim “combativo” e que todas as investigações contra ele são de situações onde ele foi vítima da violência policial. “A minha única condenação é pelo episódio da agressão contra o então secretário de Ordem Pública, Alex Costa. Fora este, eu não tenho nenhum outro processo criminal contra mim. Nenhum. Nada. Zero”, diz. Ele cumpria pena de quatro anos e meio em liberdade condicional pelo caso mencionado e, ao fugir do Brasil, passou a ser considerado foragido. A Polícia Civil encaminhou pedido de inclusão do nome dele na lista internacional de procurados da Interpol.
Grace & Frankie: 6ª temporada ganha pôster e trailer legendado
A Netflix divulgou o pôster e o trailer legendado da 6ª temporada de “Grace & Frankie”, que traz muitas novidades, a começar pelo casamento surpresa entre Grace (Jane Fonda) e Nick (Peter Gallagher). Mas também há destaque para mais uma invenção geriátrica maluca concebida por Grace e Frankie (Lily Tomlin), que buscam investimento no reality show “Shark Tank”. Criada por Marta Kauffman (“Friends”) e Howard J. Morris (“Home Improvement”), a 6ª temporada será a penúltima de “Grace & Frankie”, que vai acabar em 2021. Os próximos episódios vão estrear em 15 janeiro.
Suspeito do atentado ao Porta dos Fundos fugiu para a Rússia
A Polícia Civil do Rio apurou que Eduardo Fauzi Richard Cerquise, suspeito do atentado incendiário contra o grupo Porta dos Fundos, fugiu para a Rússia. Ele viajou na tarde do dia 29 de dezembro, um dia antes da expedição do mandado de prisão. Imagens obtidas pela rede Globo mostraram o momento em que ele chegou ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Zona Norte do Rio. Ao comprovar a fuga, a polícia pediu nesta quinta (2/1) a inclusão do nome dele na lista internacional de procurados pela Interpol. Caso seja preso na Rússia, deverá ser extraditado para o Brasil. Segundo a polícia, Cerquise tem uma namorada que mora em Moscou e fez três viagens à Rússia somente em 2019. Desta vez, ele embarcou num voo da Air France, com conexão em Paris, e está com passagem de volta comprada para o dia 29 de janeiro. Mesmo foragido, Cerquise divulgou um vídeo na quarta em que atacou verbalmente o Porta dos Fundos. Invertendo as acusações do processo criminal, ele chamou os humoristas de “intolerantes”, “marginais”, “criminosos” e “bandidos” pela produção do Especial de Natal “A Primeira Tentação de Cristo”, que retrata Jesus como gay. O ataque à produtora aconteceu no dia 24 de dezembro. Os investigadores afirmam que cinco pessoas participaram do ataque e que o suspeito foi o único que fugiu com o rosto descoberto. A polícia vai agora quebrar o sigilo do celular do suspeito e usar novas imagens das câmeras da região, que já ajudaram a identificar Cerquise, para chegar nos demais cúmplices do crime.
Suspeito do atentado contra o Porta dos Fundos ataca o grupo nas redes sociais: “intolerantes” e “marginais”
Eduardo Fauzi Richard Cerquise, suspeito do atentado incendiário contra o grupo Porta dos Fundos, que se encontra foragido da Justiça em paradeiro desconhecido, postou um vídeo nas redes sociais na quarta-feira (1/1), em que ataca os humoristas. No mesmo dia, seu nome apareceu no Portal dos Procurados, com uma recompensa pela identificação de seu esconderijo (veja acima). Diferente de um vídeo anterior, em que uma aparente célula terrorista, identificada como num Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira, assumiu a autoria do atentado e pregou a revolução armada, o novo material não trouxe locução distorcida por efeito digital nem manifestantes mascarados. Fauzi inclusive se identificou para o público. Ele também usou uma saudação integralista, fortalecendo a ligação com o nome do Comando, os uniformes e as bandeiras usadas no vídeo anterior. Fauzi era presidente da seção carioca da Frente Integralista Brasileira (FIB), organização legalmente constituída, que reúne seguidores da extrema direita do pais em torno de símbolos e ideário associados ao nazi-fascismo, mas foi expulso nesta semana, logo após a Polícia Civil identificá-lo como principal suspeito do atentado com coquetéis molotov. Desde 2001, Cerquise também é filiado ao PSL, partido que elegeu o Presidente Jair Bolsonaro e que até o momento, ao contrário do integralistas que condenaram prontamente seu ato, ainda não se pronunciou sobre o caso. No vídeo reproduzido por sites de direita, Fauzi classificou os humoristas como “intolerantes”. E acrescentou: “são criminosos, são marginais, são bandidos” por terem feito o Especial da Natal em que mostram Jesus Cristo como gay, demonstrando grande dificuldade de discernimento e a motivação que facilitará bastante o caso da promotoria. “Quando o Porta dos Fundos escarnece do nome de nosso senhor Jesus Cristo, ele pisa na esperança de milhões de pessoas que só têm Jesus Cristo como riqueza. Quem fala mal do nome de Cristo prega contra o povo brasileiro. Esse é um crime de lesa-pátria. Eles são criminosos, são marginais, são bandidos”, acusou o integralista. O suspeito finalizou o vídeo pedindo orações: “Meu nome é Eduardo Fauzi, eu sou guardador de veículos, eu sou povo brasileiro. Se você crê, compartilhe, diga seu amém, me coloque em suas orações. Por Deus, pela pátria e pela família brasileira. Anauê.” “Anauê” é a saudação equivalente a “Heil Hitler” usada pelos integralistas desde a década de 1930. Além de ser um “guardador de veículos” e “povo brasileiro”, Cerquise também foi investigado por suspeita de integrar uma “milícia de estacionamentos”, que controla estacionamentos ilegais no Rio. Ele tem mais de uma dúzia de passagens pela polícia, principalmente por casos de coação, agressão e lesão corporal – inclusive na Lei Maria da Penha (agressão contra mulher) – , que pintam um perfil extremamente violento. Seu nome foi parar no noticiário carioca pela primeira vez em 2013, quando ele agrediu ao vivo na TV o então secretário de Ordem Pública Alex Costa, que dava uma entrevista à Globo durante uma operação da Prefeitura para fechar estacionamentos irregulares na região da Zona Portuária do Rio. Preso em flagrante, Fauzi foi condenado a quatro anos de prisão em fevereiro passado e cumpria a pena em liberdade condicional. Cerquise também tem ligações com a Associação Cívica e Cultural Arcy Lopes Estrella (ACCALE), batizada com o nome de um integralista histórico, que num post do Facebook afirmou não ter se surpreendido com o atentado contra o humoristas, porque “o Porta dos Fundos atacou deliberadamente e de forma calculista os maiores e mais cultuados símbolos sagrados nacionais, entre eles a figura de Jesus Cristo. Ao fazer isso, o Porta dos Fundos se indispôs com milhões de brasileiros”. Esse mesmo tipo de discurso apareceu no vídeo da suposta célula revolucionária de direita, que assumiu o atentado, e em várias outras bocas e locais. A ação de inspiração terrorista, que quase resultou na morte do vigia da sede do Porta dos Fundos, aconteceu após os humoristas sofrerem ataques virtuais de diversos militantes da extrema direita, condenações de políticos conservadores, inclusive da família Bolsonaro e de outros integrantes do PFL, pedidos de explicações do Congresso, campanha de boicote de líderes religiosos, repúdio televisivo da rede Record e até processo judicial. Antes do ataque com coquetéis molotov na véspera do Natal, o Porta dos Fundos chegou a ser alvo de sete ações judiciais devido ao Especial. Mas a tentativa de censura foi rejeitada pela Justiça.
Polícia identifica filiado do PSL como suspeito do ataque ao Porta dos Fundos
A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou um dos responsáveis pelo atentado à bomba contra o grupo Porta dos Fundos. Por meio de monitoramento das câmeras de tráfego, os policiais acompanharam um dos suspeitos e cumpriram na manhã desta terça-feira (31/12) mandados de busca, apreensão e prisão provisória contra Eduardo Fauzi Richard Cerquise. Como ele não foi encontrado em seu endereço residencial, é considerado foragido. Fauzi é dono de estacionamento, presidente da Associação dos Guardadores Autônomos de Veículos São Miguel e filiado ao PSL (partido que elegeu o presidente Jair Bolsonaro) desde 2001, de acordo com informações disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Seu nome foi parar no noticiário carioca pela primeira vez em 2013, quando agrediu o então secretário de Ordem Pública Alex Costa, durante uma operação da Prefeitura para fechar estacionamentos irregulares na região da Zona Portuária do Rio. Ele foi condenado a quatro anos de prisão em fevereiro passado pela agressão, mas cumpria a pena em liberdade. Segundo a Polícia Civil, além desse processo, Fauzi tem mais uma dúzia de registros criminais, acusado de lesão corporação, ameaça, coação no curso do processo, agressão configurada na Lei Maria da Penha (violência contra mulher), desacato e exercício ilegal da profissão. Ele também foi investigado por suspeita de integrar uma “milícia de estacionamentos”, que controla estacionamentos ilegais no Rio. “Monitoramos a rota de chegada e de fuga dos veículos usados na conduta”, explicou o delegado Marco Aurélio Ribeiro, da 10ª DP, sobre como chegou ao suspeito. “A partir desse momento seguimos a trajetória que foi feita do veículo. No momento da conduta eles estavam encapuzados, mas pelas imagens foi possível identificar a fuga a pé de um dos participantes, e nesse momento ele não tinha mais o rosto coberto. Fizemos a rota da fuga a pé e conseguimos identificar imagens do rosto, o local onde ele usou um táxi, o motorista o reconheceu como o autor do delito. As imagens foram submetidas a exame pericial e essa perícia veio positiva”. No endereço do suspeito, um condomínio de classe média alta na Barra da Tijuca, foram apreendidos R$ 119 mil em dinheiro, munição, computadores, um simulacro de arma e uma camisa de entidade “filosófico-política”, segundo a polícia. O delegado disse ainda que investigações continuam com intuito de localizar e identificar os outros autores do crime. “Nenhuma linha de investigação está sendo descartada. Estamos apurando se é um ato isolado ou se há ligação com alguma entidade. As peças periciais estão sendo produzidas.” O atentado à sede do Porta dos Fundos aconteceu após o grupo humorístico retratar Jesus Cristo como gay no Especial de Natal “A Primeira Tentação de Cristo”, que estreou no dia 3 de dezembro no Netflix. Participaram do ataque quatro homens brancos encapuzados. Três atiraram coquetéis molotov incendiários, enquanto um quarto registrou a ação num celular. Esse vídeo posteriormente foi divulgado num manifesto em que os homens se identificaram como uma célula terrorista, chamada Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira, pregando a revolução armada pela “espada de Deus” contra os “marxistas culturais” do Brasil. Após o vídeo viralizar, a Frente Integralista Brasileira (FIB), organização legalmente constituída, que reúne seguidores da extrema direita do pais em torno de símbolos e ideário associados ao nazi-fascismo, disse em nota que não reconhecia o tal Comando e sugeriu que o vídeo poderia ser “forjado com o fim de incriminar os integralistas”. Levantamentos das atividades pregressas de Eduardo Fauzi Richard Cerquise, porém, contestam essa afirmação. Em setembro de 2018, uma nota no site integralista Notícias do Sigma apresenta o suspeito como presidente da divisão carioca da Frente Integralista Brasileira. O Comando, que reivindicou o ataque, é o mesmo grupo responsável por atacar a UniRio em 2018, quando roubou e queimou bandeiras antifascistas postas em frente à universidade de Direito. No dia 25 de novembro, Fauzi afirmou no Facebook que os responsáveis pelo roubo das bandeiras expostas na universidade eram alunos – e até um docente – da própria instituição. Fauzi também tem ligações com a Associação Cívica e Cultural Arcy Lopes Estrella (ACCALE), batizada com o nome de um integralista histórico, que num post do Facebook afirmou não ter se surpreendido com o atentado, porque “o Porta dos Fundos atacou deliberadamente e de forma calculista os maiores e mais cultuados símbolos sagrados nacionais, entre eles a figura de Jesus Cristo. Ao fazer isso, o Porta dos Fundos se indispôs com milhões de brasileiros”. A ação, que quase resultou na morte do vigia da sede do Porta dos Fundos, aconteceu após os humoristas sofrerem ataques virtuais de militantes da extrema direita, condenações de políticos conservadores, inclusive da família Bolsonaro e de outros integrantes do PFL, pedidos de explicações do Congresso, campanha de boicote de líderes religiosos, repúdio televisivo da rede Record e até processo judicial. Antes do ataque com coquetéis molotov na véspera do Natal, o Porta dos Fundos chegou a ser alvo de sete ações judiciais devido ao Especial. Mas a tentativa de censura foi rejeitada pela Justiça.
Mistério no Mediterrâneo foi a produção mais popular da Netflix em 2019
A Netflix divulgou uma lista com suas 10 atrações mais populares de 2019. A seleção não veio acompanhada por dados de audiência, mas traz algumas curiosidades. “Mistério no Mediterrâneo”, comédia que voltou a juntar Adam Sandler e Jennifer Aniston após “Esposa de Mentirinha” (2011), liderou o ranking. Em junho, a empresa alegou que o longa foi assistido por mais de 30 milhões de assinantes durante seu fim de semana de estreia. “É hit que fala?”, brincou o texto do Twitter da Netflix Brasil. Não por acaso, a plataforma já encomendou a sequência, apesar do filme ter sido considerado medíocre pela crítica especializada (apenas 45% de aprovação no Rotten Tomatoes). Outros títulos pouco incensados, mas que claramente foram tratados como prioridades, também aparecem com destaque na seleção. É o caso de “Esquadrão 6”, que obteve o 3º lugar, mesmo sem ter rendido o frisson de “O Date Perfeito” ou maior atenção da crítica especializada, recebendo míseros 37% de aprovação no Rotten Tomatoes. O filme de Michael Bay aparece à frente do blockbuster “Os Incríveis 2”, derradeira animação da Disney disponibilizada na plataforma. Mais prestigiada das produções da Netflix em 2019, “O Irlandês”, de Martin Scorsese, ficou em 5º lugar, mas “História de um Casamento”, de Noah Baumbach, não ranqueou. Em compensação, o Top 10 inclui “Estrada Sem Lei”, que não gerou a menor repercussão (57% no Rotten Tomatoes), ao mesmo tempo em que deixa de fora todas as comédias românticas que causaram furor entre os fãs do gênero. Para completar, apenas três séries foram mencionadas: “Stranger Things” (2º lugar), “The Witcher” (6º) e “The Umbrella Academy” (9º), o que indica que filmes têm mais público que séries na Netflix. De todo modo, esta seleção muda bastante de mercado para mercado. A versão brasileira, por exemplo, encaixa nada menos que duas das tais comédias românticas na lista, além de ser liderada por “La Casa de Papel” e revelar a popularidade de “Sintonia”, única série nacional a entrar no Top 10 do país. O mais curioso na versão brasileira do ranking, porém, é a ausência do Especial do Natal do Porta dos Fundos, que deve ter explodido de acordo com o “efeito Streisand” – quando uma tentativa de proibição gera ainda mais atenção. O serviço de streaming informou que sua “parada de sucessos” baseou-se no número de lares que assistiram ao menos dois minutos de uma série, filme ou especial durante seus 28 primeiros dias de exibição na Netflix em 2019, e que lançamentos de dezembro tiveram sua inclusão baseada em estimativas de desempenho. Compare abaixo as listas dos programas mais populares da plataforma nos EUA e no Brasil. Happy almost 2020! Here’s a look at the most popular series, films, and documentaries released on Netflix in the US this year. (thread) pic.twitter.com/fSHb39DbIT — Netflix US (@netflix) December 30, 2019 E vamos de listas pra fechar o ano! Aqui os Top 10 filmes, séries e especiais mais populares de 2019. Muito feliz com @whindersson e Sintonia, meus brasileiros sendo aclamados. <3 pic.twitter.com/WY8OiTfXBi — Netflix Brasil (@NetflixBrasil) December 30, 2019
Fábio Porchat indica que terrorismo contra Porta dos Fundos foi estimulado por discurso de ódio
O humorista Fábio Porchat, um dos líderes da trupe humorística Porta dos Fundos e autor do visado “A Primeira Tentação de Cristo”, defendeu o Especial de Natal atacado por religiosos e políticos (inclusive no Congresso nacional), e fez relação entre essa reação conservadora e o atentado terrorista que visou o grupo. Em artigo publicado nesta segunda (30/12) no jornal O Globo, Porchat defendeu a liberdade de expressão, criticou a intolerância e sugeriu que discursos de ódio e iniciativas de políticos da extrema direita, que assumiram mandatos em 2019, encorajaram o atentado contra o grupo – e os piores sentimentos dos brasileiros. “O Porta dos Fundos fez Especial de Natal em 2013, 14, 15, 16, 17, 18 e nunca houve nenhuma reação violenta direta. Por que será que, em 2019, algumas pessoas se sentiram à vontade para atirar coquetéis molotovs na nossa porta? O que mudou neste ano especialmente para que pessoas tivessem essa audácia justamente agora? Eu tenho um palpite. E você?”, questionou o humorista. No texto, ele ainda lembrou que fazer piada com religião não é contra a Lei, mas várias atitudes de religiosos – políticos ou não – que atacaram o Especial é criminosa. “Satirizar a bíblia, olhe só, não é contra a lei. Chutar a [imagem de] Nossa Senhora é contra a lei. Depredar centros de umbanda é contra a lei. Dizer que você tem que parar de tomar remédio e só quem cura é Deus é contra a lei. Jogar coquetel molotov em uma produtora porque não gostou do que ela produziu é contra a lei. E, veja, brincar com a imagem de Deus não é intolerância. Intolerância é não querer deixar que brinquem”, escreveu Porchat. A ação terrorista contra o Porta dos Fundos aconteceu após o grupo sofrer ataque virtual de militantes da extrema direita, condenações de políticos conservadores, inclusive da família Bolsonaro, pedidos de explicações do Congresso, campanha de boicote de líderes religiosos, repúdio televisivo da rede Record e até processo judicial por conta do Especial disponibilizado pela Netflix. Segundo os autos do processo contra o Porta dos Fundos, “Jesus é retratado como um homossexual pueril, Maria como uma adúltera desbocada e José como um idiota traído” no especial de Natal, o que seria um ataque à liberdade religiosa e a dignidade da pessoa humana. A tese ganhou apoio de uma promotora carioca, que ainda alegou que “fazer troça aos fundamentos da fé cristã, tão cara a grande parte da população brasileira, às vésperas de uma das principais datas do cristianismo, não se sustenta ao argumento da liberdade de expressão”. O pedido de censura foi rejeitado. “Ao assistir ao filme podemos achar que o mesmo não tem graça, que se vale de humor de mau gosto, utilizando-se de expressões grosseiras relacionadas a símbolos religiosos. O propósito de muitas cenas e termos chulos podem ser questionados e considerados desnecessários, mesmo dentro do contexto artístico criado com a paródia satírica religiosa. Contudo, há que se ressaltar que o juiz não é crítico de arte e, conforme já restou assente em nossa jurisprudência, não cabe ao Judiciário julgar a qualidade do humor, da sátira, posto que matéria estranha às suas atribuições”, avaliou a juíza Adriana Sucena Monteiro Jara Moura em decisão antológica. Ela concluiu dizendo que “o filme controverso está sendo disponibilizado para exibição na plataforma de streaming da ré Netflix, para os seus assinantes. Ou seja, não se trata de exibição em local público e de imagens que alcancem àqueles que não desejam ver o seu conteúdo. Não há exposição a seu conteúdo a não ser por opção daqueles que desejam vê-lo. Resta assim assegurada a plena liberdade de escolha de cada um de assistir ou não ao filme e mesmo de permanecer ou não como assinante”. Poucos depois dessa decisão, terroristas encapuzados atiraram três bombas incendiárias de coquetel molotov na sede do Porta dos Fundos. Um vídeo divulgado por um grupo integralista (a extrema direita brasileira, inspirada no nazi-fascismo) registrou o ataque e propagou um manifesto de ódio, pregando a revolução armada pela “espada de Deus” contra os “marxistas culturais” do Brasil. Apesar de comprovar a autenticidade do vídeo, a Polícia Civil do Rio decidiu não enquadrar o caso como terrorismo, mas confirmou que já era o segundo ato de terror do grupo, que ficou impune após atacar um campus universitário e queimar cartazes “de esquerda”.
Neil Innes (1944 – 2019)
O ator e músico inglês Neil Innes, que fez vários trabalhos com a trupe de comédia Monty Python, morreu no domingo (29/12) aos 75 anos, enquanto viajava com a família na França. Segundo seu agente a morte foi inesperada, porque ele não estava doente. A carreira de Innes começou no início dos anos 1960 com a formação da Bonzo Dog Doo-Dah Band, uma combinação de rock e comédia de vanguarda, que em 1968 lançou o single “I’m the Urban Spaceman”, co-produzido por Paul McCartney. Uma das músicas da banda, “Death Cab for Cutie”, de 1967, mais tarde inspirou o nome de uma banda de rock indie americana. A estreia na TV se deu pelas mãos dos Beatles, numa participação no telefilme clássico “Magical Mystery Tour” (1967), que também incluiu uma música de sua banda. A partir daí, a Bonzo Dog Doo-Dah Band passou a fazer participações musicais no programa humorístico “Do Not Adjust Your Set”, que foi o embrião do Monty Python. As duas temporadas da comédia, exibidas entre 1967 e 1969, contava com os futuros pythons Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin. A banda se dispersou na época do lançamento do humorístico “Monty Python’s Flying Circus” em 1969, levando Innes a explorar novas parcerias. Ele se tornou um “associado” dos pythons ao contribuir com músicas originais para esquetes e para dois álbuns de comédia da trupe, além de participar de shows, acompanhando os comediantes em várias turnês. Quando o Monty Python decidiu fazer filmes, Innes estreou como compositor cinematográfico. Ele criou várias músicas e teve pequenos papéis em “Monty Python em Busca do Cálice Sagrado” (1975) e “A Vida de Brian” (1979) – este último, por sinal, foi produzido pelo ex-beatle George Harrison. Ao final do programa televisivo dos pythons, Innes continuou trabalhando com os integrantes do grupo em diferentes projetos. Ele participou do programa de esquetes “Rutland Weekend Television”, concebido por Eric Iddle em 1975, que exibia a “programação” de um canal de TV de baixo orçamento. A produção não teve o mesmo sucesso do “Flying Circus”, mas originou o personagem mais conhecido de Innes, o músico fictício Ron Nasty, um pastiche de John Lennon que liderava a banda televisiva The Rutles. The Rutles chegou a tocar ao vivo no programa humorístico americano “Saturday Night Live” e ganhou um telefilme especial em 1978, escrito, dirigido e coestrelado por Eric Iddle, que se tornou cultuadíssimo. Intitulado “The Rutles: All You Need Is Cash”, o longa narrava o apogeu e a queda do grupo musical, com depoimentos de artistas famosos (George Harrison e Mick Jagger, por exemplo), satirizando de forma explícita a carreira dos Beatles – e o mais interessante: com aval dos próprios Beatles. Para completar, a banda ainda lançou um disco de verdade. Curiosamente, outra banda “pastiche” dos Beatles, Oasis, foi processada por plágio de uma das músicas de Innes. Os irmãos Gallagher foram obrigados a dar créditos de compositor para ele na canção “Whatever”, de 1994. Essa história real acabou incorporada ao folclore da banda fictícia, inspirou uma música inédita (“Shangri-La”) e promoveu um breve revival dos Rutles, que lançaram um disco de “faixas raras” em 1996 – “The Rutles Archaeology”, paródia de “The Beatles Archaeology”. Innes também participou do filme “Jabberwocky: Um Herói por Acaso” (1977), fantasia estrelada por Michael Palin, Terry Jones e dirigida por Terry Gilliam (responsável pelas animações dos pythons e pela direção do “Cálice Sagrado”), e de outros projetos individuais dos humoristas, como “O Padre Apaixonado” (1982), igualmente estrelado por Palin, e “As Aventuras de Erik, o Viking” (1989), de Terry Jones. Além disso, continuou a acompanhar as turnês dos pythons, como foi registrado no célebre documentário “Monty Python – Ao Vivo no Hollywood Bowl” (1982). Paralelamente, ele ainda teve o seu próprio programa de TV, “The Innes Book of Records”, que durou três temporadas, de 1979 a 1981, antes de migrar para a programação infantil da BBC – compondo músicas e atuando em produções como a fantasia “Puddle Lane” (1985-1988) e similares por vários anos. Um de seus últimos trabalhos foi o documentário “The Rutles 2: Can’t Buy Me Lunch” (2004), uma retrospectiva da carreira dos Rutles. Relembre (ou conheça) abaixo cinco músicas dos Rutles, em clipes extraídos do telefilme clássico de 1978.
Minha Mãe É uma Peça vai virar série na plataforma Globoplay
Depois do teatro e do cinema, vem aí a série. Paulo Gustavo confirmou que “Minha Mãe É uma Peça – O Filme” vai virar “Minha Mãe É uma Peça – A Série”. E o projeto já prevê a produção de quatro temporadas, que começarão a ser gravadas em maio. O objetivo é gravar duas temporadas de 10 episódios em 2020 e fazer a estreia da atração por volta de setembro, na plataforma Globoplay. Com isso, “Minha Mãe É uma Peça” não deve ganhar um quarto filme e encerrar sua trajetória no cinema. Paulo Gustavo também vai gravar, em 2020, a 4ª temporada de “A Vila” para o Multishow. E essa agenda de produções também deve mantê-lo afastado do cinema no ano que vem.
Frente Integralista Brasileira diz ser “contra terrorismo” e que está “todo mundo assustado” com atentado
Ao assumir em vídeo o atentado contra o Porta dos Fundos, o grupo terrorista autodenominado Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira, chamou atenção para um movimento que já tentou realizar um golpe de estado e até matar um presidente da República no Brasil. A Ação Integralista Brasileira, organização fascista e antissemita que atacou o Palácio da Guanabara para eliminar Getúlio Vargas em 1938, foi desmantelada durante o Estado Novo, mas seus integrantes migraram para novos partidos políticos e continuaram pregando suas ideias de extrema direita no Brasil. O grupo tentou voltar à ativa durante a ditadura militar. Mas a redemocratização impediu que sua mensagem divisiva de intolerância prosperasse, levando à fragmentação dos integralistas em vários grupelhos diferentes. Com as mudanças políticas mais recentes do país, o movimento voltou a assumir seu nome real e fazer aparições públicas com o uniforme militarizado das camisas verdes, inspirados nos camisas pretas do fascismo italiano, e restaurar sua saudação análoga ao cumprimento nazista – trocando o Heil Hitler por Anauê, pelo bem do Brasil, com o braço direito estendido ao alto. Seus símbolos também lembram o nazismo, ao fazer a substituição da suástica pela letra grega Sigma em suas bandeiras, distintivos e flâmulas, e a cor vermelha pela azul. Hoje, a Frente Integralista Brasileira (FIB) é uma organização legalmente constituída no país, resultante da união de diferentes agremiações integralistas existentes, que até 2005 eram autônomas. Segundo indica a página oficial da organização, a FIB foi fundada oficialmente em 22 de janeiro de 2005. Em comunicado oficial, a FIB afirmou não ter conexão com os terroristas. “O grupo em questão é desconhecido pelo FIB e não possuímos com ele qualquer relação”, diz a organização. “Não temos certeza sobre a autenticidade do vídeo e, por isso, não descartamos a possibilidade de ter sido um material forjado com o fim de incriminar os integralistas”, acrescenta a nota. Um dos líderes da FIB, o advogado Victor Emanuel Vilela Barbuy, diz contabilizar 8 mil adeptos do integralismo hoje no país, mas afirma que a atuação do movimento é restrita ao mundo virtual. Em entrevista ao jornal O Globo, Barbuy procurou se distanciar da ação radical do Comando terrorista. “O integralismo é contra o terrorismo. Só aceita algum nível de violência em situações extremas, como em legítima defesa, por exemplo. Cobrir o rosto também é algo que nunca fez parte da linha do integralismo. Plínio Salgado já deixava claro que toda nossa ação devia ser de peito aberto, sem máscaras. É até proibido pela FIB que se use o uniforme junto com máscara. Nós também, evidentemente, não concordamos com o vídeo do ‘Porta dos Fundos’. Mas não é este o caminho”. Barbuy, que está à frente da sede paulista do FIB, também contou que os integralistas cariocas ficaram assustados com as consequências do vídeo divulgado pelos terroristas. “Todo mundo assustado. E achando muito estranho, ninguém conhece esse pessoal, acha estranho terem conseguido o uniforme, isso não é fácil”, avaliou. Ele acredita que isso pode atrapalhar o movimento integralista, que vinha em ascendência desde a chegada de Bolsonaro ao poder. “O movimento tem crescido muito nos últimos anos. Primeiro, o próprio PRTB adotou o nosso lema, com nossa autorização, evidentemente, ‘Deus, pátria e família’. Agora o próprio Bolsonaro já pegou também o lema, com a proposta de ‘Aliança pelo Brasil’. Mas eles se consideram – acreditem – à direita de Bolsonaro, chamado a política econômica do governo de “muito liberal e a serviço dos grandes grupos econômicos internacionais” e a política externa “subserviente a certos interesses internacionais”. A Polícia Civil do Rio aparentemente não considera suspeita de envolvimento do grupo. Em entrevista coletiva realizada na manhã desta quinta (26/12), o delegado Marco Aurélio Ribeiro sugeriu que a nota da FIB já serve de prova ou depoimento sobre o caso. Ele afirmou: “O vídeo é verídico. Não se sabe se foi o grupo que fez. O grupo que se diz integralista diz que não é deles. Já negaram a autoria. Não se sabe se foram eles que colocaram o vídeo”, disse. Não há informações sobre depoimentos no inquérito, muito menos de quebra de sigilo telefônico da FIB. O caso corre em segredo de Justiça, então não está claro se essa linha de investigação foi realmente descartada, sem maior aprofundamento.
Vigilante quase morreu incendiado no atentado terrorista contra o Porta dos Fundos
Um vigilante que trabalhava na sede do grupo Porta dos Fundos quase foi atingido por um dos coquetéis molotov atirados contra a produtora na madrugada de terça-feira (24/12), véspera de Natal. Imagens reveladas das câmeras de segurança, que estão sendo analisadas pela Polícia Civil, mostram que o funcionário estava sentado em uma cadeira perto da porta quando foi surpreendido pelas labaredas da explosão. As chamas chegaram muito perto do corpo do rapaz, que controlou o fogo com um extintor. Graças à sua ação, o prédio não foi completamente incendiado. Imagens do ataque do lado de fora foram registradas por outras câmeras. Quatro homens foram flagrados chegando na sede da produtora no Humaitá, na Zona Sul do Rio, e lançando bombas incendiárias contra o prédio. Logo após, eles deixaram o local em uma moto e um carro. Posteriormente, o suposto grupo divulgou um vídeo em redes sociais, alegando motivação religiosa e ideológica para o ataque, assumindo, assim, a autoria do primeiro atentado terrorista no Brasil desde o fim da ditadura militar. No vídeo, três integrantes – o quarto poderia estar atrás da câmera – aparecem mascarados e uniformizados, em frente às bandeiras da Ação Integralista e do Brasil Império, apresentando-se como o Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira. Num manifesto lido com distorção de voz, o grupo fala em revolução armada. Eles afirmam que cometeram o atentado para “justiçar os anseios de todo povo brasileiro contra a atitude blasfema, burguesa e antipatriótica que o grupo de militantes marxistas Porta dos Fundos tomou quando produziu o Especial de Natal a mando da mega corporação bilionária Netflix”. O texto segue, afirmando que “quando a Revolução Integralista vier, todos estarão condenados ao justiçamento revolucionário. Nós integralistas não renegaremos nosso papel histórico e nos incumbiremos de ser a Espada de Deus”. A ação se enquadra de cabo (“usar ou ameaçar usar, transportar, guardar, portar ou trazer consigo explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos biológicos, químicos, nucleares ou outros meios capazes de causar danos ou promover destruição em massa”) a rabo (“por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião… com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”) na Lei Antiterrorismo, sancionada em 2016 pela então presidente Dilma Rousseff, de forma tão clara que poderia até ser tema de redação do Enem. Entretanto, o secretário Marcus Vinícius Braga e outras autoridades da Polícia Civil se recusaram, em declarações dadas na manhã desta quinta (26/12), a fazer o enquadramento. “Terrorismo não é hipótese investigada”. O crime investigado, explosão sem o uso de dinamite ou explosivos análogos, tem pena relativamente branda, de 1 a 4 anos de prisão, além de multa. O agravante seria considerar também tentativa de homicídio, o que depende de uma série de fatores, apesar das imagens recolhidas nas câmeras de segurança mostrarem claramente que o ato colocou em risco a vida de um vigilante que trabalhava no local.
Ataque ao Porta dos Fundos é terrorismo na definição da lei, mas polícia carioca diz que não
A Polícia Civil do Rio não quer aplicar a Lei de Antiterrorismo na investigação do atentado à bomba contra o grupo Porta dos Fundos. Em entrevista à imprensa, o secretário estadual de Polícia Civil, Marcus Vinícius Braga, afirmou que o caso não será classificado como terrorismo e o delegado responsável pela investigação investiga crimes de explosão e tentativa de homicídio. A Lei Antiterrorismo, sancionada em 2016 pela então presidente Dilma Rousseff, diz que “o terrorismo consiste na prática por um ou mais indivíduos dos atos previstos neste artigo, por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando cometidos com a finalidade de provocar terror social ou generalizado, expondo a perigo pessoa, patrimônio, a paz pública ou a incolumidade pública”. Num dos parágrafos que caracterizam os atos de terrorismo, está listado: “usar ou ameaçar usar, transportar, guardar, portar ou trazer consigo explosivos, gases tóxicos, venenos, conteúdos biológicos, químicos, nucleares ou outros meios capazes de causar danos ou promover destruição em massa”. É literalmente o caso do ataque explosivo à sede do grupo humorístico, justificado em nome de “Nosso Senhor Jesus Cristo” por três homens brancos encapuçados num vídeo ameaçador. Entre os crimes previstos na lei Antiterrorismo ainda estão “atentar contra a vida ou a integridade física de pessoa”, que rende pena de 12 a 30 anos de prisão, e “Promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização terrorista”, com 5 a 8 anos de reclusão. No vídeo divulgado pelos criminosos, há até manifesto pela revolução armada: “quando a Revolução Integralista vier, todos estarão condenados ao justiçamento revolucionário. Nós integralistas não renegaremos nosso papel histórico e nos incumbiremos de ser a Espada de Deus”. Entretanto, o secretário Marcus Vinícius Braga e outras autoridades da Polícia Civil se recusaram, em declarações dadas na manhã desta quinta (26/12), a fazer o enquadramento. “Terrorismo não é hipótese investigada”. O crime investigado, explosão sem o uso de dinamite ou explosivos análogos, tem pena de 1 a 4 anos de prisão, além de multa. O agravante seria considerar também tentativa de homicídio, o que depende de uma série de fatores. Segundo o delegado Fábio Barucke, subsecretário Operacional da Polícia Civil, as imagens recolhidas em câmeras de segurança mostram claramente que o ato colocou em risco a vida de um vigilante que trabalhava no local. Outro detalhe curioso da entrevista desta quinta foi o questionamento da legitimidade do grupo terrorista auto-identificado como Comando de Insurgência Popular Nacionalista da Grande Família Integralista Brasileira, que assumiu a autoria do atentado, também literalmente, em vídeo que circula no YouTube e nas redes sociais. Apesar de confirmar que as imagens do vídeo que registram o ataque são verídicas, a polícia coloca a autoria em dúvida. O delegado Marco Aurélio Ribeiro afirmou: “O vídeo é verídico. Não se sabe se foi o grupo que fez. O grupo que se diz integralista diz que não é deles. Já negaram a autoria. Não se sabe se foram eles que colocaram o vídeo”, disse. (A posição da Frente Integralista Brasileira pode ser conferida aqui) O ator João Vicente, presente à entrevista coletiva, também fez um rápido pronunciamento como representante do Porta dos Fundos. Acompanhado por um advogado, ele classificou o caso como um “atentado à liberdade de expressão”. “Acho que a gente não está falando aqui sobre o Porta dos Fundos, mas sobre a liberdade de expressão. Estamos falando de um ato violento que a gente não vai permitir. O Rio não precisa de mais violência. Não precisa de mais grupos violentos. Precisa cortar esse mal pela raiz. O que aconteceu foi um atentado à liberdade de expressão” Segundo definição da ONU, ataques terroristas também são atentados à liberdade de expressão. Em sua Declaração sobre Medidas para Eliminar o Terrorismo Internacional, a ONU descreve terrorismo como “atos criminosos pretendidos ou calculados para provocar um estado de terror no público em geral, num grupo de pessoas ou em indivíduos para fins políticos são injustificáveis em qualquer circunstância, independentemente das considerações de ordem política, filosófica, ideológica, racial, étnica, religiosa ou de qualquer outra natureza que possam ser invocadas para justificá-los.”










