Sul-coreano Bong Joon-ho vence a Palma de Ouro no Festival de Cannes
O filme “Parasite”, do sul-coreano Bong Joon-ho, foi o vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes 2019. Um dos favoritos da crítica, o longa é uma sátira de humor negro sobre a injustiça social e narra a história de uma família pobre, em um apartamento infestado por pragas, que forja um diploma para que um dos filhos arranje emprego. Ele vai trabalhar em uma luxuosa mansão, como professor particular de uma menina milionária, e passa a indicar seus parentes para trabalhos em outras funções na mansão – mesmo que, para isso, eles precisem prejudicar outras pessoas. O diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, presidente do júri da mostra competitiva, afirmou que a premiação de “Parasite” foi unânime entre os votantes. A conquista representa uma reviravolta na trajetória do cineasta sul-coreano, que foi mal-recebido em sua passagem anterior pelo festival, simplesmente porque seu filme “Okja” (2017) era uma produção da Netflix. Desde então, o festival barrou produções de streaming em sua competição. Com a consagração de “Parasite”, feito sem participação do serviço de streaming, Cannes ressalta sua posição de que filmes da Netflix não são cinema – ou, ao menos, não são dignos de competir no festival. “Roma”, por exemplo, foi barrado na competição do ano passado – mas venceu o Festival de Veneza e três Oscars. O Grande Prêmio do Júri, considerado o 2º lugar da competição, foi para “Atlantique”, da franco-senegalesa Mati Diop. Drama sobre um casal de namorados do Senegal que se separa depois que o rapaz tenta a sorte em uma travessia a barco para a Europa, o filme foi o primeiro de uma diretora negra a competir pela Palma de Ouro. A cineasta é sobrinha de um dos diretores mais importantes do continente africano, Djibril Diop Mambéty (de “A Viagem da Hiena”, de 1973). O brasileiro “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, dividiu o Prêmio do Júri, equivalente ao 3º lugar, com “Les Misérables”, do francês Ladj Ly. Mais detalhes sobre a conquista da produção brasileira podem ser lidos aqui. Já “Les Misérables” também se destacou na competição por ter um diretor negro. O drama aborda criminalidade de menores e repressão violenta, a partir do ponto de vista de um policial novato. Nenhum dos três filmes que receberam os prêmios do júri tiveram a mesma receptividade de “Parasite”. Se não pertenciam à grande faixa de mediocridade da seleção do festival, tampouco estavam entre os favoritos da crítica a receber algum reconhecimento na competição. Dentre eles, “Bacurau” foi o que se saiu melhor na média apurada pelo site Rotten Tomatoes, com 88% de aprovação, seguido por “Atlantique”, com 87%, e “Les Misérables”, com 75%. Em termos de comparação, “Parasite” teve 96%. O prêmio de Melhor Direção ficou com os veteranos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne por “Le Jeune Ahmed” (o jovem Ahmed), sobre um jovem muçulmano que é seduzido pela radicalização islâmica. Por coincidência, o longa belga também teve pouca repercussão crítica. De fato, foi considerado um dos mais fracos de toda a competição, com apenas 54% de aprovação no Rotten Tomatoes. Neste caso, o prestígio dos Dardenne, que já venceram duas Palmas de Ouro – por “Rosetta”, em 1999, e por “A Criança”, em 2005 – , pode ter influenciado a decisão do júri. Outro veterano, o espanhol Antonio Banderas, venceu o prêmio de Melhor Ator por “Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar. No filme, ele vive o alterego de Almodóvar, um cineasta deprimido que revisita trechos da própria vida, reencontrando antigos amores e relembrando a forte relação com sua mãe. A inglesa Emily Beecham (a Viúva da série “Into the Badlands”) ficou com o prêmio de Melhor Atriz por “Little Joe”, da austríaca Jessica Hausner. No longa, ela interpreta uma cientista que cria uma flor capaz de trazer felicidade às pessoas. Mas ao perceber que seu experimento pode ser perigoso, passa a questionar sua própria criação. “Dor e Glória” e “Little Joe” também não eram favoritos da crítica, com 88% e 71%, respectivamente. Para não dizer que a premiação foi uma decepção completa, o prêmio de Melhor Roteiro ficou com um dos filmes mais celebrados do festival: “Portrait de la Jeune Fille en Feu” (retrato da garota em fogo), da francesa Céline Sciamma, que também venceu a Palma Queer, de Melhor Filme LGBTQIA+ de Cannes. A trama se passa no século 18 e mostra como uma pintora, contratada por uma aristocrata para retratar sua filha, apaixona-se pelo seu “tema”. A produção francesa também apaixonou a crítica internacional e atingiu 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. Já o filme vencedor do Prêmio da Crítica – e que também tem 100% no RT – , “It Must Be Heaven”, do palestino Elia Suleiman, recebeu uma… Menção Especial. Entre os demais filmes que saíram sem reconhecimento, encontram-se “Era uma Vez em Hollywood”, de Quentin Tarantino, “O Traidor”, de Marco Bellocchio, e “Sorry We Missed You”, de Ken Loach. Por sinal, o filme de Tarantino chegou a receber 95% de aprovação no Rotten Tomatoes – mais que “Parasite”. O balanço inevitável da premiação leva a concluir que o Festival de Cannes 2019 foi mesmo fraquíssimo. Tivessem sido premiados os favoritos da crítica, o evento teria outro peso, ao apontar caminhos. Mas a verdade é que a seleção foi terrível, com muitos filmes medíocres, como o dos irmãos Dardenne, e até um título que conseguiu a façanha de sair do festival com 0% de aprovação, “Mektoub, My Love: Intermezzo”, de Abdellatif Kechiche – cineasta que já venceu a Palma de Ouro por “Azul É a Cor Mais Quente” (2013). O Festival de Cannes 2019 apostou no passado, com a inclusão de diversos diretores consagrados, mas pode ter prejudicado seu futuro ao subestimar obras mais contundentes de uma nova geração, representada por Suleiman e Sciamma. Claro que “Parasite” foi uma escolha esperta, mas as opções politicamente corretas e de prestígio de museu acabam pesando contra a relevância do festival. Em 2018, a mostra de Cannes já tinha ficado na sombra da seleção do Festival de Veneza. Este ano, corre risco de ser ultrapassada com folga.
Série baseada no filme Expresso do Amanhã é renovada antes da estreia
A série sci-fi “Snowpiercer”, baseada no filme de mesmo nome, lançado no Brasil como “Expresso do Amanhã”, foi renovada para sua 2ª temporada. Detalhe: a série ainda nem tem data de estreia conhecida. A renovação foi acompanhada por uma mudança de emissora. Originalmente encomendada pelo canal pago TNT, a série vai passar agora no TBS nos Estados Unidos. Curiosamente, o TBS era um canal pago especializado em comédias. “Snowpiercer” será a primeira atração original dramática de sua programação. A iniciativa partiu da nova chefia da divisão televisiva da (agora) WarnerMedia, que pretende diminuir as diferenças entre TBS e TNT, os dois canais de séries da Turner. A médio prazo, o objetivo é estimular a produção de mais séries, que seriam exploradas pela plataforma de streaming que a Warner pretende lançar até o final do ano. A curto prazo, isso pode confundir o público e levar ao cancelamento de séries. Mas se a estratégia der certo, a longo prazo a consequência pode ser o fechamento de um dos canais, já que, sem identidade distinta, ficarão redundantes. O anúncio da renovação vem após quatro anos (isto mesmo, quatro anos!) da encomenda do piloto inicial de “Snowpiercer”. E reflete positivamente sobre o conteúdo – que permanece inédito – , após várias notícias de problemas de bastidores. Além da demora em sua produção, a série teve seu criador demitido após ser aprovada. Josh Friedman (“O Exterminador do Futuro: As Crônicas de Sarah Connor”) se desentendeu com os executivos da TNT sobre os rumos da atração e foi substituído por Graeme Mason (co-criador de “Orphan Black”) em janeiro do ano passado. O caos se instalou de vez quando o diretor Scott Derrickson (de “Doutor Estranho”) pediu demissão em seguida, recusando-se a refazer o piloto escrito por Friedman, seguindo novas orientações de Mason. A premissa da série pós-apocalíptica é a mesma do filme do cineasta sul-coreano Bong Joon Ho, por sua vez baseado em quadrinhos franceses de Jacques Lob e Jean-Marc Rochette. A trama se passa em 2031, após uma nova Era do Gelo erradicar quase toda a vida na Terra. Os últimos sobreviventes da humanidade vivem num trem Perfurador de Neve, que usa o próprio movimento do trem sobre os trilhos para gerar energia. O problema é que, dentro do veículo, há um sistema de classes sociais que acumula tensões e deflagra uma revolução. O grande elenco da adaptação inclui Jennifer Connelly (“Noé”), Mickey Sumner (“Mistress America”), Daveed Diggs (série “The Get Down”), Annalise Basso (“Ouija: A Origem do Mal”), Sasha Frolova (“Operação Red Sparrow”), Hiro Kanagawa (série “The Man in the High Castle”), Susan Park (série “Vice-Principals”), Ryan Robbins (série “Continuum”), Roberto Urbina (série “Narcos”), Jonathan Walker (“A Coisa”) e Alison Wright (série “The Americans”). Até o momento, nenhuma imagem da produção foi revelada. Mesmo assim, a expectativa é que a série estreie durante o verão norte-americano (entre junho e agosto).
Kim Ki-duk sofre derrota em tentativa de reverter denúncias de abuso de atrizes sul-coreanas
O cineasta sul-coreano Kim Ki-duk sofreu uma derrota em sua tentativa de transformar acusações de abuso de várias atrizes em processo de calúnia. Um tribunal de Justiça do país negou ao diretor a possibilidade de processar suas acusadoras, bem como a imprensa por relatar o caso. No final de 2017, uma atriz sul-coreana acusou o cineasta de agressão física e sexual, e um popular noticiário televisivo relatou o caso, trazendo à tona outras alegações em março de 2018. Aclamado pela crítica internacional e vencedor do Leão de Ouro, em Veneza, e o Urso de Prata de Melhor Diretor, em Berlim, Kim Ki-duk nega as acusações e tentou processar a atriz e a emissora. Sob as leis que definem difamação na Coréia do Sul, até afirmar a verdade pode ser considerada crime, se isso manchar a reputação social de alguém. Mas os promotores rejeitaram as queixas de Kim, já que as denúncias foram feitas em âmbito processual. A atriz em questão disse que Kim a forçou a fazer cenas de sexo improvisadas e a espancou repetidamente no set do filme “Moebius” (2013), antes de eventualmente substituí-la por outra atriz. Os promotores do processo original desistiram da acusação de abuso sexual, alegando falta de provas, mas enquadraram Kim por agressão física. Ele foi condenado a pagar uma pequena indenização equivalente a US$ 4,6 mil. Desde então, várias outras atrizes se apresentaram, acusando o diretor de estuprá-las ou assediá-las, em reportagens do programa jornalístico “PD Notebook”, do canal MBC, fazendo o movimento #MeToo ganhar força na Coreia do Sul. Kim queria que os promotores investigassem os jornalistas do “PD Notebook” por difamação e a atriz de “Moebius”, cuja identidade é protegida pela Justiça, por difamação e falsa acusação. Perdeu. E sua situação ficou ainda mais difícil. Seu filme mais recente já foi recebido com protestos no Festival de Berlim, em fevereiro passado. E sua participação no festival apenas serviu para tornar as acusações conhecidas fora da Coreia. Ao ser perguntado, na entrevista coletiva do evento, se gostaria de se desculpar por bater na atriz, Kim declinou. “Não, acho lamentável que isso tenha sido transformado em um processo judicial”, disse ele. “Human, Space, Time and Human” deveria ter sido lançado em abril, mas acabou adiado indefinidamente após a repercussão negativa de seu comportamento. A revista The Hollywood Reporter também apurou com fontes na indústria cinematográfica sul-coreana que Kim Ki-duk não tem nenhum outro projeto em desenvolvimento e está incomunicável desde que voltou de Berlim. Um dos mais proeminentes cineastas sul-coreanos de sua geração, Kim Ki-duk teve a maioria de seus filmes lançados no Brasil, entre eles “Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera” (2003), “Casa Vazia” (2004) e “O Arco” (2005). De um modo geral, são dramas de poucos diálogos, que preferem investir em cenas de sexo e violência – a maioria contra mulheres.
Em Chamas é filme raro para ver, ler o livro e rever novamente
Veja o filme, leia o conto, reveja o filme. Não é sempre que a gente se sente compelido a fazer isso, graças a uma obra cinematográfica capaz de intrigar e maravilhar. Mas este é o caso de “Em Chamas”, do diretor sul-coreano Lee Chang-dong, cuja última obra para cinema havia sido “Poesia” (2010). Passou tanto tempo assim entre um filme e outro e acabou por preservar um cineasta de maior quilate. O conto que inspirou o longa, “Queimar Celeiros”, contido no livro “O Elefante Desaparece”, de Haruki Murakami, é bem sintético em sua trama. Chang-dong acrescenta muita coisa a partir de uma história aparentemente simples e que se passa em sua maior parte na varanda da casa do personagem Jong-su (Ah-in Yoo, de “Sado”), onde ele recebe o casal Hae-mi (a estreante Jun Jong-seo) e Ben (Steven Yeun, mais conhecido como o querido Glenn, da série “The Walking Dead”). O próprio Chang-dong confessa que destinou mais esforço e energia para esta cena e para a cena final. As demais, ainda que maravilhosas também, ele dirigiu dando menor importância. Isso não deixa de ser coerente com o que vemos no filme, mas também não deixa de ser impressionante, levando em consideração a grande quantidade de cenas estupendas da obra, mesmo em sua sutileza. Vendo o filme pela segunda vez, por exemplo, é possível notar certos detalhes e belezas que na primeira podem passar desapercebidos. A própria aproximação de Hae-mi com Jong-su é feita com esmero. A moça, que no início não parece ser tão interessante assim para o rapaz, passa a se tornar cada vez mais digna de seu afeto, embora no começo ele não saiba disso. Na casa de Hae-mi, quando os dois fazem sexo, e Jong-su, um aspirante a romancista, olha com atenção e interesse para os arredores e para a janela do quarto, é como se ele estivesse procurando entender e captar melhor aquele momento de sua vida. E depois há coisas um tanto surreais, como o gato que nunca aparece; ou o tal celeiro que, apesar de mencionado, também não é detectado, assim como a garota que desaparece. A história acontece depois que Hae-mi volta da África e conhece Ben, um rapaz que é tudo que Jong-su não é: confiante, rico, tranquilo e bem-sucedido. “Como ele mora em uma casa como essa tendo a idade que tem?”, Jong-su pergunta a Hae-mi, a namorada de Ben. E esse nem é um dos grandes mistérios que intrigam Jong-su. O desaparecimento de Hae-mi é que o atormenta e passa a ser a razão de sua existência. Assim como encontrar o tal celeiro queimado por Ben. Quanto à tal cena da varanda, ela é tão cheia de encantamento que faz o coração do espectador pulsar mais forte. Tanto no momento em que os três estão fumando um baseado, quanto na cena da dança de Hae-mi, que parece saída de um filme de David Lynch. Isso se dá principalmente pela inclusão de uma música de Miles Davis, a mesma que aparece em “Ascensor para o Cadafalso” (1958), de Louis Malle. O próprio Chang-dong disse que gosta muito do filme de Malle, em entrevista para a revista Cinema Scope (edição 75). Se há algo no filme capaz de empolgar menos são as cenas em que Jong-su tenta lidar com a prisão do pai. O reencontro com a mãe é interessante, mas toda a parte com o pai parece pequena diante da trama principal, quase como se fosse possível destacar. Funciona mais para acentuar o aspecto da solidão e abandono a que o personagem foi submetido. No mais, há muito o que se alimentar da riqueza de “Em Chamas”, seja tentando entender mais detalhes de sua trama, seja se aproveitando também das influências literárias (o próprio Murakami, William Faulkner, F. Scott Fitzgerald) e musicais, seja adentrando na profundidade e no abismo de seus personagens. Não é sempre que vemos um filme assim.
Diretor de Doutor Estranho se recusa a regravar piloto da série baseada em Expresso do Amanhã
O cineasta Scott Derrickson (diretor de “Doutor Estranho”) recusou-se a regravar cenas do piloto de “Snowpiercer”, série baseada no filme “Expresso do Amanhã”, após mudanças ordenadas pelo novo showrunner, Graeme Mason. Em uma mensagem postada em seu Twitter, ele elogiou o trabalho do showrunner anterior e disse que não refilmaria o piloto, por considerá-lo um de seus melhores trabalhos. “O roteiro de 72 páginas do piloto de ‘Snowpiercer’, escrito por Josh Friedman, é o melhor que eu já li”, ele escreveu. “O piloto que dirigi a partir daquele script pode ter sido meu melhor trabalho. O novo showrunner tem uma visão radicalmente diferente para a série. Estou renunciando à minha opção de dirigir estas refilmagens extremas”. Friedman saiu da “Snowpiercer” em janeiro e foi substituído pelo co-criador de “Orphan Black”, Graeme Mason. Diferenças criativas foram apontadas como motivos para o afastamento. Canal e produtor não entraram em acordo sobre a continuação da história após a trama do piloto. Friedman também escreveu “Guerra dos Mundos” (2005), a série “Terminator: The Sarah Connor Chronicles” (2008-2009) e está envolvido com as continuações de “Avatar” (2009). A premissa da série pós-apocalíptica é a mesma dos quadrinhos de Jacques Lob e Jean-Marc Rochette e do filme do cineasta sul-coreano Bong Joon Ho. A trama se passa em 2031, após uma nova Era do Gelo erradicar quase toda a vida na Terra. Os últimos sobreviventes da humanidade vivem num trem Perfurador de Neve, que usa o próprio movimento do trem sobre os trilhos para gerar energia. O problema é que, dentro do veículo, há um sistema de classes sociais que acumula tensões e deflagra uma revolução. O grande elenco da adaptação inclui Jennifer Connelly (“Noé”), Mickey Sumner (“Mistress America”), Daveed Diggs (série “The Get Down”), Annalise Basso (“Ouija: A Origem do Mal”), Sasha Frolova (“Operação Red Sparrow”), Hiro Kanagawa (série “The Man in the High Castle”), Susan Park (série “Vice-Principals”), Ryan Robbins (série “Continuum”), Roberto Urbina (série “Narcos”), Jonathan Walker (“A Coisa”) e Alison Wright (série “The Americans”). The 72-page Snowpiercer TV pilot script by @Josh_Friedman is the best I’ve ever read. The feature-length pilot I made from that script may be my best work. The new show runner has a radically different vision for the show. I am forgoing my option to direct the extreme reshoots. — Scott Derrickson (@scottderrickson) June 29, 2018
Choi Eun-hee (1926 – 2018)
A atriz Choi Eun-hee ícone do cinema sul-coreano dos anos 1950 e 1960, faleceu na segunda-feira (16/4), em Seul, aos 91 anos, após uma longa doença. Ela fez sucesso numa época em que o cinema do país não tinha tanta repercussão no Ocidente quanto hoje. Mas formou, ao lado do marido, o diretor Shin Sang-ok, o principal casal da indústria cinematográfica do país asiático durante duas décadas. A parceria dos dois rendeu mais de 100 filmes, como “A Flower in Hell” (1958), “A Happy Day of Jinsa Maeng” (1961), “Rice” (1962), “Red Scarf” (1963) e “Phantom Queen” (1967), nenhum deles lançado no Brasil. Em 1978, após descobrir que o marido mantinha uma amante, a atriz Oh Su-mi, com quem teve dois filhos, ela se divorciou de Shin. Mas a história do casal não terminou aí, e acabou se tornando mundialmente conhecida por razões alheias à sua vontade. Dois anos depois, Choi foi sequestrada depois durante uma viagem a Hong Kong e levada para a Coreia do Norte, por ordem de Kim Jong-il (pai do atual líder norte-coreano, Kim Jong-un). Desesperado com o sumiço da ex-mulher, Shin seguiu o rastro de Choi até Hong Kong, onde também foi sequestrado e levado para a Coreia do Norte. Apaixonado pela sétima arte, Kim comunicou seu plano de transformá-los no pilar do cinema de propaganda norte-coreano. E para reforçar os planos, obrigou-os a se casarem novamente. Eles viveram oito anos no país, sem a menor liberdade, e chegaram a realizar sete filmes para o ditador antes de fugirem. Sua fuga aconteceu de forma cinematográfica. Após convencerem Kim de que suas realizações no cinema norte-coreano precisavam ser reconhecidas no mundo inteiro, conseguiram incluir um filme na seleção do Festival de Berlim, para onde viajaram em 1986. Lá, conseguiram despistar seus guardas e escaparam para a Áustria, sendo perseguidos até chegar em Viena e entrar na embaixada dos Estados Unidos, onde seu pesadelo acabou, ao conseguirem asilo. Após conquistar a liberdade, o casal permaneceu junto por vontade própria. Ambos viveram os anos 1990 nos Estados Unidos, antes de retornar para a Coreia do Sul, onde Shin faleceu em 2006. No mesmo ano, Choi recebeu um prêmio pela carreira da Academia Sul-Coreana de Cinema, mas sua saúde imediatamente começou a se deteriorar, de acordo com familiares e repórteres que a entrevistaram na casa de repouso onde vivia, nos arredores de Seul. Ela fazia um tratamento de rotina quando faleceu, revelou seu filho mais velho, Shin Jeong-gyun.
O Dia Depois é tragicomédia estilizada à maneira de Hong Sang-soo
Pequena crônica do cotidiano, a comédia dramática sul-coreana “O Dia Depois” acompanha o editor literário Kim Bongwan (Kwon Hae-hyo, de “A Visitante Francesa”), um homem arrogante, covarde e mulherengo que se vê constantemente envolvido em situações tragicômicas. O longa inicia com Bongwan sendo questionado pela esposa se ele tem uma amante. Por mais que a mulher insista na pergunta, ele opta por não falar nada. A dúvida, porém, não dura muito tempo, já que a montagem não linear logo responde esse questionamento para o espectador ao mostrar o protagonista se agarrando com uma funcionária da sua editora. Mas o relacionamento extraconjugal parece não ter dado muito certo, porque em seguida ele é visto entrevistando uma nova funcionaria para a vaga da sua antiga amante. O filme é escrito e dirigido pelo dinâmico cineasta sul-coreano Hong Sang-soo (“Na Praia à Noite Sozinha”), que chega a lançar até duas produções por ano. Para manter esse ritmo, Sang-soo não perde muito tempo. Uma vez que estabeleceu os respectivos personagens, o diretor logo passa a explicitar os absurdos daquela situação de maneira leve e extremamente divertida. Contando com uma montagem precisa, ele retira tudo aquilo que poderia ser considerado desnecessário, mantendo apenas o cerne da sua narrativa intacto. Ou seja, ele não se preocupa em desenvolver o antes e o depois das situações, apenas o meio delas, aproveitando ao máximo os 92 minutos de duração. A passagem de tempo pode parecer confusa em alguns momentos, em parte por conta da fotografia em preto e branco. Porém, esse embaralhamento dos acontecimentos é proposital e instiga o público a montar as sequências temporais na sua cabeça. Desta forma, algumas cenas soam aleatórias quando são apresentadas, mas aos poucos passam a fazer sentido dentro da cronologia montada pelo espectador. Da mesma maneira, ao manter a câmera parada na maior parte do tempo e investir bastante em planos-conjunto (aqueles nos quais vemos duas pessoas em cena, ao mesmo tempo), o diretor explora a interação entre aquelas pessoas, o que o permite explicitar ainda mais a falta de escrúpulos do seu protagonista. E é justamente no personagem-principal que reside a maior força de “O Dia Depois”, pois Kwon Hae-hyo interpreta Bongwan com um misto de canalhice e ingenuidade. Incapaz de perceber os absurdos das suas ações, ou simplesmente optando por ignorá-los, ele se mantém inerte em relação a tudo o que se desenrola à sua volta, não assumindo responsabilidade por nada. E por pior que ele seja, o destino sempre parece conspirar a seu favor. Em suma, ele é um cafajeste. Mas é um cafajeste muito divertido.
Rampage opta pelo gigantismo para se destacar entre as estreias de cinema da semana
Maior estreia da semana, “Rampage – Destruição Total” chega em quase mil salas, apostando que a ocupação do espaço cinematográfico, overdose de marketing, monstros gigantes e a popularidade do astro Dwayne Johnson sejam capazes de transformar um lançamento genérico num blockbuster. Mas este não é um novo “Jumanji”. Apesar de baseado num jogo antigo de arcade, esta adaptação se leva a sério demais, com muitas explosões e expressões compenetradas, embora não passe, basicamente, de um amontoado de absurdos dignos da série “Zoo”, já cancelada. O filme é uma adaptação do velho game homônimo lançado em 1986, em que três criaturas gigantes (o macaco George, o lagarto Lizzy e o lobisomem Ralph) destruíam cidades e lutavam contra militares. E a trama não passa disso, com alguns vilões humanos para justificar “cientificamente” a transformação dos bichos em pseudo-Godzillas. A versão de cinema foi escrita pelos roteiristas Carlton Cuse e Ryan Condal (criadores da série “Colony”), marcando um reencontro entre Condal e Johnson após o fraco “Hércules” (2014). “Rampage”, por sinal, também é o terceiro filme do ator dirigido por Brad Peyton, que o comandou em “Terremoto: A Falha de San Andreas” (2015) e “Viagem 2: A Ilha Misteriosa” (2012). Todos muito bem-sucedidos nas bilheterias. E todos considerados medíocres pela crítica. Desta vez não é diferente, com apenas 49% de aprovação no Rotten Tomatoes. Os demais lançamentos chegam em circuito bem menor, após passarem por festivais internacionais. Clique nos títulos de cada filme para ver os trailers de todas as estreias. Novo filme de Roman Polanski A estreia mais convencional é “Baseado em Fatos Reais”, um thriller do veterano Roman Polanski. Trata-se da adaptação do livro homônimo de Delphine de Vigan, que venceu diversos prêmios literários em 2015, com roteiro de outro cineasta famoso, Olivier Assayas (“Personal Shopper”). Mas se essa combinação gera expectativa, ela logo se frustra ao entregar um amontoado de clichês do gênero, de “Mulher Solteira Procura” (1992) a “Louca Obsessão” (1990). Na trama, a esposa do diretor, Emmanuelle Seigner (“A Pele de Vênus”), vive o alter-ego de Delphine de Vigan, uma escritora que passa por um bloqueio criativo após o lançamento de seu último e bem-sucedido livro. O momento difícil é superado com a ajuda de uma nova e maravilhosa amiga, Elle, papel de Eva Green (“O Lar das Crianças Peculiares”). O problema é que a amiga, que trabalha como ghost writer, revela-se uma admiradora obsessiva que, em pouco tempo, tenta se intrometer no texto e até na vida íntima da escritora. Para não ficar no já visto, há uma pouco inesperada reviravolta. Cinema brasileiro premiado Em contraste, a frustração causada por “Aos Teus Olhos” é muito bem-vinda. A trama parece feita sob medida para estes tempos de acusações de abuso que geram movimentos e condenações nas redes sociais, combinando suspeita e drama sem conclusão fácil. A premissa é inspirada na peça espanhola “O Princípio de Arquimedes”, de Josep Maria Miró, mas o filme é brasileiro, escrito por Lucas Paraizo (de “Gabriel e a Montanha” e série “Sob Pressão”) e dirigido por Carolina Jabor (“Boa Sorte”). A trama gira em torno do personagem de Daniel de Oliveira (“Sangue Azul”), um professor de natação infantil acusado de abuso sexual pelos pais de um aluno. A acusação vem, como é praxe hoje em dia, pelas redes sociais. O post de uma mãe se torna viral e provoca um linchamento virtual imediato. A denúncia se espalha rapidamente na internet e até as pessoas mais próximas do protagonista, como a diretora da escola e um colega de trabalho, ficam em dúvida sobre suas ações e intenções. Esta história também aconteceu com o professor vivido por Mads Mikkelsen em “A Caça” (2012). A diferença é que o personagem brasileiro não é simpático e dá bandeira, embora isso apenas reforce o julgamento superficial das aparências. Exibido em diversos festivais nacionais e internacionais, “Aos Teus Olhos” venceu quatro troféus no Festival do Rio 2017: Melhor Ator (Daniel de Oliveira), Melhor Ator Coadjuvante (Marco Ricca, pai do menino supostamente abusado), Melhor Roteiro e Melhor Filme no Voto Popular. Também foi considerado o Melhor Filme brasileiro na Mostra de São Paulo. Logicamente, também é o melhor filme para ver neste fim de semana. Surpresas da América do Sul “Severina” também tem direção de brasileiro, Felipe Hirsch (de “Insolação”), mas é falado em espanhol e filmado no centro de Montevidéu, no Uruguai, onde o dono de uma livraria de poucos clientes se apaixona por uma musa fugidia, argentina como o escritor Jorge Luis Borges, que visita sua loja para roubar livros. Não há gênero mais convencional que a comédia romântica, portanto ver um filme anti-convencional partir das premissas desse gênero é digno de exaltação. Exibido no Festival de Locarno, é uma obra para amantes de literatura, cinema e também para os simplesmente amantes – de amar. Premiado em festivais latinos, “A Noiva do Deserto” marca a estreia de duas diretoras assistentes de sucessos argentinos, Cecilia Atán (assistente de “Táxi, um Encontro”) e Valeria Pivato (assistente de “Leonera”), no comando de um longa. A história, escrita pelas duas, gira em torno de uma mulher de 54 anos, que vê seu trabalho como doméstica em risco, conforme a crise econômica afeta a família que a emprega, deixando-a desnorteada e literalmente sem rumo. A história é bastante simples, mas se torna profunda com a interpretação formidável da chilena Paulina Garcia, que já tinha encantado no papel-título de “Gloria” (2013). Mestres orientais Completa a programação dois filmes de mestres orientais. “Antes que Tudo Desapareça” é uma sci-fi de Kiyoshi Kurosawa. O diretor japonês, que conquistou um séquito por seus terrores cultuados da virada do século – entre eles, “A Cura” (1997) e “Pulse” (2001) – , faz sua versão de “Invasores de Corpos” ao mostrar alienígenas que assumem identidades humanas para preparar uma invasão da Terra. Elementos de humor negro vem à tona em detalhes, como no que revela o segredo – uma mulher desconfia que seu marido se tornou gentil demais. Apesar da premissa conhecida, o resultado é esquisito o suficiente para ser puro Kurosawa. “O Dia Depois” também é puro Hong Sang-soo. É mais uma história de corações partidos do diretor sul-coreano, calcada na contemplação e na repetição, e marcada por algum detalhe estilístico – no caso, filmada em preto e branco, com edição fragmentada, para marcar passagens bruscas de tempo, e paralelos que visam destacar que o protagonista é um homem fadado a se repetir. No ano retrasado, Hong Sang-soo confessou em Cannes que só precisava de duas coisas para fazer um filme: atores e um restaurante/café/bar. Desta vez, é um confusão de identidades que dispara a indefectível discussão filosófica de bar-restaurante, típica do cinema de noodles e álcool de Sang-hoo. O evento acontece durante os primeiros dias de trabalho de uma funcionária recém-contratada numa pequena editora. O proprietário da empresa traía a mulher com outra funcionária. Por isso, sua esposa desconfiada aparece de surpresa e estapeia a nova funcionária, que não tem nada a ver com a história. É a deixa para o bar-restaurante, onde a conversa entre o patrão e a empregada se estende até o fim do filme.
Ator sul-coreano acusado de abuso sexual comete suicídio
O ator sul-coreano Jo Min-ki foi encontrado morto nesta sexta-feira (9/3), após ser alvo de uma série de acusações de assédio sexual. Ele foi achado por sua esposa pendurado em uma garagem, abaixo de sua casa em Seul. A polícia afirma que os indícios são de suicídio. O ator de 52 anos foi acusado de molestar oito estudantes na Universidade de Cheongju, onde lecionava artes dramáticas. Com a repercussão das acusações, Min-ki perdeu sua cátedra na instituição e o papel da série de TV que estrelava. Ele defendeu sua inocência quando a primeira denúncia surgiu. Mas à medida que o número de acusadoras aumentou, ele foi forçado a mudar sua posição. A atuação de maior destaque de Min-Ki foi no filme “O Advogado”, de 2013. Ele trabalhou ainda em papéis na TV e como professor universitário. O movimento “#MeToo” vem se intensificando na Coréia do Sul, com acusações de abuso contra homens proeminentes na política e nas artes. No fim de semana passado, uma longa reportagem do canal estatal da TV sul-coreana MBC reuniu acusações de atrizes contra outro ator, Cho Jae-hyeon, além do diretor Kim Ki-Duk. Uma delas contou que Kim e Cho eram parceiros de abusos e competiam entre si. Os dois a teriam estuprado depois que o diretor pediu que ela fosse ao seu quarto de hotel para “discutir detalhes de um roteiro”. “Era o inferno na terra”, disse a atriz na entrevista. “Kim e Cho contavam histórias de estupro de atrizes e pareciam competir entre si.”
Três atrizes acusam diretor Kim Ki-duk de estupro, assédio e agressão
O diretor sul-coreano Kim Ki-duk voltou a sofrer acusações de abuso. Ele e um de seus atores preferidos, Cho Jae-hyeon, enfrentam acusações de estupro, ataque e comportamento sexualmente predatório de três atrizes. As acusações foram feitas na terça-feira (6/3), em uma longa reportagem do canal estatal da TV sul-coreana MBC. Nenhuma das atrizes foi identificada. Uma delas contou que Kim e Cho a estupraram depois que o diretor pediu que ela fosse ao seu quarto de hotel para “discutir detalhes de um roteiro”. Ela também disse que o cineasta ligava insistentemente quando estavam filmando em uma localidade remota. “Era o inferno na terra”, disse a atriz na entrevista, que abandonou a profissão e passa por um tratamento psiquiátrico. “Foram várias noites, ele vinha até a porta do meu quarto e batia na porta até que eu abria ou ligava exaustivamente até eu responder. Ele e Cho contavam histórias de estupro de atrizes e pareciam competir entre si.” Outra atriz disse que Kim exigiu vê-la nua durante um processo “humilhante” de seleção. A terceira atriz, por sua vez, foi a que levou o diretor à justiça e venceu um processo por agressão, mas não convenceu os juízes a considerarem sua denúncia de abuso sexual. Ela acusou Kim no ano passado de lhe dar três tapas e forçá-la a realizar cenas sexuais sem roupa, que não estavam no roteiro. Além disso, disse que Kim a forçou a pegar no pênis de um ator, apesar de uma garantia anterior de que uma prótese seria usada. Devido a seus protestos, ela foi substituída por outra atriz no filme “Moebius”, de 2013. Por conta da condenação do cineasta, houve protestos pela inclusão de seu novo filme no Festival de Berlim 2018. “Human, Time, Space and Human” foi mantido na programação apesar de um manifesto assinado por 140 organizações sociais e associações de cineastas contra o diretor. E mesmo após Dieter Kosslick, o diretor do evento, fazer proselitismo com a afirmação de que tinha barrado filmes de assediadores. “Por que a Berlinale é indulgente com Kim, estendendo o tapete vermelho para ele e para seu filme?”, questionava o manifesto, que acusou os organizadores do festival de “consentir e endossar” o comportamento do diretor. Kim se defendeu no festival, afirmando que deu tapas na atriz como instruções de atuação. “O que estávamos fazendo era ensaiar uma cena”, disse ele. “Havia muitas pessoas presentes. Minha equipe na época não se opôs e não disse que aquilo era inapropriado… Estava relacionado à atuação artística, mas acredito que a atriz interpretou isso de maneira diferente do que eu fiz. ” Quando perguntado diretamente se ele gostaria de se desculpar por bater atriz, Kim declinou. “Não, acho lamentável que isso tenha sido transformado em um processo judicial”, disse ele. Diante da repercussão, o lançamento comercial do longa foi adiado indefinidamente. Em resposta às novas acusações, trazidas à tona à MBC, Kim afirmou que nunca usou o seu status como diretor de cinema para “satisfazer meus desejos sexuais” e alegou que só manteve “relações sexuais consensuais”. Já as acusações contra Cho tinham vindo à tona alguns dias antes. Ele chegou a se desculpar publicamente, perdeu o emprego como professor e também foi afastado de “The Cross”, uma série médica da qual participava. Diante da reportagem televisiva, ele disse à emissora que estava “em pânico”: “Eu pequei, mas muitas das coisas que estou vendo nos noticiários são muito diferentes da realidade”. Um dos mais proeminentes cineastas sul-coreanos de sua geração, Kim Ki-duk fez sucesso no circuito de festivais, onde chegou a ganhar um Leão de ouro por “Pietá” (2012) em Veneza. Entre seus filmes mais conhecidos pelo público brasileiro estão “Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera” (2003), “Casa Vazia” (2004) e “O Arco” (2005). Seus filmes, em geral, têm poucos diálogos, mas investem em sexo e violência – geralmente contra mulheres.
Kim Ki-duk se defende no Festival de Berlim, mas se recusa a pedir desculpas por agredir atriz
O cineasta sul-coreano Kim Ki-duk, condenado por agressão e acusado de assédio por uma atriz, durante as filmagens de “Moebius” (2013), defendeu-se da polêmica causada por sua participação no Festival de Berlim 2018, após Dieter Kosslick, o diretor do evento, afirmar que tinha barrado filmes de assediadores. O próprio Kosslick precisou se explicar porque o novo longa de Kim Ki-duk, “Human, Space, Time and Human”, não foi enquadrado em seu critério, e agora o cineasta aproveita o evento para se manifestar, em entrevista coletiva com a imprensa internacional. A vítima, cuja identidade é mantida em sigilo, acusou Kim no ano passado de lhe dar três tapas e forçá-la a realizar cenas sexuais sem roupa, que não estavam no roteiro. Sua acusação afirma que Kim forçou-a a pegar o pênis de um ator, apesar de uma garantia anterior de que uma prótese seria usada. Devido a seus protestos, ela foi substituída por outra atriz no filme. Mas não baixou a cabeça. Um tribunal sul-coreano multou Kim com US$ 4,6 mil por agressão, mas os promotores não consideraram as acusações de abuso sexual citando a falta de provas. A atriz já avisou que vai recorrer “Eu não concordo inteiramente com esta decisão, mas a reconheço e assumi a responsabilidade por isso”, disse Kim em Berlim, na tarde de sábado (16/1), após a primeira exibição de imprensa de seu novo longa, que está sendo exibido na seção Panorama do festival alemão. Kim se defendeu, afirmando que os tapas foram feitos como instruções de atuação. “O que estávamos fazendo era ensaiar uma cena”, disse ele. “Havia muitas pessoas presentes. Minha equipe na época não se opôs e não disse que aquilo era inapropriado… Estava relacionado à atuação artística, mas acredito que a atriz interpretou isso de maneira diferente do que eu fiz. ” Quando perguntado diretamente se ele gostaria de se desculpar por bater na atriz, Kim declinou. “Não, acho lamentável que isso tenha sido transformado em um processo judicial”, disse ele. A atriz disse à mídia sul-coreana que ficou desapontada com a sentença do tribunal e pela falta de consideração em relação à acusação de abuso sexual. Ela já deu entrada num recurso, que será julgado em breve. Diante da condenação, a inclusão do filme de Kim Ki-duk no Festival de Berlim gerou protestos de organizações civis da Coreia do Sul. E muitos perceberam hipocrisia no discurso de Kosslick, favorável do movimento #MeToo, simultaneamente ao apoio a Kim. “Estamos vivendo nesta realidade injusta, em que o agressor está trabalhando e sendo recebido em todas as partes como se não houvesse nada, enquanto a vítima que denunciou o abuso está sendo isolada e marginalizada”, diz o manifesto de uma coalização de 140 grupos de direitos humanos em protesto contra o cineasta. Seguindo a linha de violência e provação que o tornou famoso, o novo trabalho de Kim é uma meditação brutal e surrealista sobre a natureza do comportamento humano, incluindo várias cenas de estupro, assassinato e até mesmo canibalismo. O filme segue um pequeno grupo de pessoas que embarca em um cruzeiro turístico a bordo de um antigo navio de guerra, onde o inferno ganha vida. No final da entrevista, Kim abordou porque a violência tem sido um elemento tão recorrente no seu cinema, bem como no cinema sul-coreano em geral. “Já me perguntaram isso muitas vezes na minha carreira. Houve dois traumas na história recente da Coreia: o domínio colonial japonês e a Guerra da Coréia. Muitos cineastas coreanos carregam esses traumas com eles e, como a indústria cinematográfica sul-coreana começou a crescer, vocês veem muitos diretores lidarem com essas questões: muita violência, dor e elementos ditatoriais”. Kim fez questão de agradecer aos organizadores por convidá-lo e expressou apreciação pelas perguntas mais duras da imprensa. “Eu pude sentir que vocês estão muito preocupados com a violência e eu gostaria de agradecer por isso. Tento ser um bom ser humano. Vocês devem saber que na verdade não vivo minha vida como meus filmes”, concluiu.
Festival de Berlim é criticado por incluir novo filme de Kim Ki-Duk em sua programação
Conforme previsto pela Pipoca Moderna, a contradição do Festival de Berlim 2018 não passou despercebida. Após o diretor do evento, Dieter Kosslick, afirmar que a programação deste ano barrou a inclusão de filmes com a participação de pessoas acusadas de abusos ou assédio sexual, em concordância com a campanha #MeToo, uma atriz sul-coreana acusou o festival de estimular predadores ao incluir o novo filme de Kim Ki-Duk em sua programação. Em um encontro com a Associação da Imprensa Estrangeira na Alemanha, Kosslick não quis citar os títulos recusados nem os nomes dos envolvidos, mas confirmou que retirou do evento filmes que pretendia exibir, devido a participação de pessoas envolvidas em denúncias de assédio sexual. “São menos de cinco”, especificou o diretor, há duas semanas. Pois deveriam ser “seis”, com “Human, Space, Time and Human”, de Kim Ki-Duk, liderando a lista, de acordo com a atriz que pediu anonimato e acusou o diretor de agressão e de tê-la obrigado a rodar cenas de sexo improvisadas quando trabalhava em um de seus filmes. Kosslick tentou explicar à agência de notícias AFP por que não vetou Kim, que já tem um prêmio de Melhor Direção do Festival de Berlim, vencido por “Samaritana” (2004). Ele minimizou o fato, alegando que algumas acusações de assédio sexual apresentadas pela mesma atriz contra o cineasta foram rejeitadas por falta de provas, acrescentando que estava à espera de mais informações. Na verdade, há muitas informações nos autos do processo. Kim Ki-duk não foi apenas denunciado, mas condenado por agredir a atriz durante a produção do longa “Moebius” em 2013. Não se trata de um caso de mera denúncia. Ele já tem uma condenação na justiça de seu país. Foi obrigado a pagar 5 milhões de wons por agressão física, após admitir que “deu tapas” na atriz, como “forma de aprendizado”. A atriz apelou da decisão porque o juiz não considerou as acusações de abuso sexual. Na quinta-feira (15/2), o diretor alemão Tom Tykwer, presidente de um júri que premiará os melhores trabalhos da competição, tentou contemporizar, pedindo que o debate “não seja alimentado de forma artificial (pelos meios sensacionalistas), nem tampouco calado por ninguém”, defendendo que o movimento se foque em mudanças e não “em nomes”. Pois a atriz que acusa Kim Ki-duk recebeu o apoio de 140 associações sul-coreanas em protesto contra a participação do diretor no festival. O manifesto de apoio é bastante claro, ao denunciar a “realidade injusta, em que o agressor está trabalhando e sendo recebido em todas as partes como se não houvesse nada, enquanto a vítima que denunciou o abuso está sendo isolada e marginalizada”. “Por que a Berlinale é indulgente com Kim, estendendo o tapete vermelho para ele e para seu filme?”, questiona o comunicado, que acusa os organizadores do festival de “consentir e endossar” o comportamento do diretor. A Pipoca Moderna foi um dos poucos veículos do mundo a chamar atenção para essa polêmica em potencial no começo de fevereiro, quando Koselick fez seu anúncio sobre corte de filmes de acusados de abuso, sem mencionar nomes e ignorando prontamente um cineasta já condenado por isso.
Série baseada no filme Expresso do Amanhã perde showrunner no começo da produção
A série sci-fi “Snowpiercer”, baseada no filme “Expresso do Amanhã” (2013) e na graphic novel francesa que o inspirou, mal foi oficializada e já perdeu sua principal força criativa. Segundo o site Deadline, o criador da série e showrunner Josh Friedman se desentendeu com os executivos do canal pago TNT sobre os rumos da atração. A TNT anunciou a encomenda da série no começo de janeiro, após aprovar o piloto escrito por Friedman e dirigido por Scott Derrickson (“Doutor Estranho”). Mas canal e produtor não entraram em acordo sobre a continuação da história. Friedman também escreveu “Guerra dos Mundos” (2005), a série “Terminator: The Sarah Connor Chronicles” (2008-2009) e está envolvido com as continuações de “Avatar” (2009). A produção está agora em busca de um novo showrunner para retomar as gravações. Ele trabalhará ao lado de Derrickson, do produtor Marty Adelstein (de “Prison Break” e dono do Tomorrow Studios) e do diretor e do produtor do filme original, os cineastas Bong Joon Ho e Park Chan-wook (diretor de “A Criada”). A premissa da série pós-apocalíptica é a mesma dos quadrinhos de Jacques Lob e Jean-Marc Rochette e do filme do cineasta sul-coreano Bong Joon Ho. A trama se passa em 2031, após uma nova Era do Gelo erradicar quase toda a vida na Terra. Os últimos sobreviventes da humanidade vivem num trem Perfurador de Neve, que usa o próprio movimento do trem sobre os trilhos para gerar energia. O problema é que, dentro do veículo, há um sistema de classes sociais que acumula tensões e deflagra uma revolução. O grande elenco da adaptação inclui Jennifer Connelly (“Noé”), Mickey Sumner (“Mistress America”), Daveed Diggs (série “The Get Down”), Annalise Basso (“Ouija: A Origem do Mal”), Sasha Frolova (“Operação Red Sparrow”), Hiro Kanagawa (série “The Man in the High Castle”), Susan Park (série “Vice-Principals”), Ryan Robbins (série “Continuum”), Roberto Urbina (série “Narcos”), Jonathan Walker (“A Coisa”) e Alison Wright (série “The Americans”). A data de estreia ainda não foi anunciada.








