PIPOCAMODERNA
Pipoca Moderna
  • Filme
  • Série
  • Reality
  • TV
  • Música
  • Etc
  • Filme
  • Série
  • Reality
  • TV
  • Música
  • Etc

Nenhum widget encontrado na barra lateral Alt!

  • Filme

    História de Anna Karenina ganha “continuação” russa em clima de guerra

    17 de junho de 2018 /

    “Anna Karenina”, o romance de Liev Tolstói, se prestou a várias adaptações cinematográficas de sucesso e a produções bem cuidadas, caprichadas. A forte personagem feminina que encara o seu desejo, enfrenta os homens que ama ou que a amam e recebe a reprovação da sociedade, levando a um destino trágico, é muito atraente e sempre deu margem a reflexões sobre a questão de gênero, nas várias épocas em que foi encenada. Grandes atrizes viveram a personagem, começando por ninguém menos do que Greta Garbo, em filme de Clarence Brown, de 1935. A também grande Vivian Leigh a viveu no filme de 1948, dirigido por Julien Duvivier. Jacqueline Bisset oi Anna Karenina em filme de Simon Langton, de 1985. Em tempos mais recentes, Sophie Marceau encarnou-a, no filme dirigido por Bernard Rose em 1997, e Keira Knightley, no filme de Joe Wright, em 2013. Uma nova versão vem da Rússia, dirigida por Karen Shakhnazarov, o cineasta que fez “Tigre Branco”, em 2012, um espetáculo de suspense e guerra, com cenas muito bem construídas, de grande impacto cinematográfico. Com um talento para esse tipo de sequências, o drama intimista de Anna Karenina não ofereceria grandes oportunidades para a exploração de cenas em campo aberto, vistosas, como ele sabe fazer. Shakhnazarov inovou, fundindo a história de Tolstói com um outro conto russo, que se passa no acampamento militar/hospital, em plena guerra Rússia-Japão, de 1905: a história de Vronsky. Ali, dois personagens, seu filho e seu amante, tentam entender a tragédia vivida por Anna Karenina, em meio às providências de guerra, ataques, explosões, e o filme fica com a cara de Shakhnazarov. O recurso permite pensar a posteriori sobre o drama, mas acrescenta pouco à situação dramática e até confunde um pouco o entendimento da trama. Penduricalhos como a da órfã de guerra chinesa, que circula pelo acampamento militar, não se justificam. Em contrapartida, o filme adquire uma beleza visual admirável. “Anna Karenina: A História de Vronsky” vale pelas sequências externas, não só da guerra, mas também da corrida de cavalos no Jóquei: brilhante. O baile é muito bem encenado, com riqueza na direção de arte, figurinos. Enfim, é uma produção muito bonita e bem cuidada, sob a batuta de um cineasta muito competente, em que pesem as restrições que se possam fazer à sua estruturação dramática.

    Leia mais
  • Filme

    Oito Mulheres e mais 13 filmes chegam aos cinemas nesta semana

    7 de junho de 2018 /

    A semana traz 14 estreias, mas apenas cinco dignas de projeção em tela grande. Destas, somente uma chega com distribuição ampla nos cinemas. Trata-se de “Oito Mulheres e um Segredo”, versão feminina de “Onze Homens e um Segredo”, que tem como maior atrativo o elenco que reúne Sandra Bullock (“Gravidade”), Cate Blanchett (“Thor: Ragnarok”), Anne Hathaway (“Colossal”), Helena Bonham Carter (“Alice Através do Espelho”), Sarah Paulson (série “American Crime Story”), Mindy Kaling (série “The Mindy Project”), Awkwafina (“Vizinhos 2”) e a cantora Rihanna (“Battleship”). Na trama, Debbie Ocean (Bullock) sai da prisão planejando o golpe do século no baile anual do Met Gala, recheado de estrelas de Hollywood e um colar extremamente precioso, que desfila no pescoço de Hathaway. É a deixa para reunir um supertime de ladras, com direção de Gary Ross (“Jogos Vorazes”). O lançamento acontece em sincronia com os Estados Unidos, onde foi aprovado por 76% da crítica, na média do site Rotten Tomatoes. O melhor filme da semana, porém, é um terror. E brasileiro, quem diria. Na verdade, “As Boas Maneiras” é um dos filmes mais premiados da atual safra nacional. O segundo longa realizado em parceria pelos diretores Juliana Rojas e Marco Dutra (de “Trabalhar Cansa”) foi o grande vencedor do Festival do Rio 2017, onde arrematou os troféus de Melhor Filme, Atriz Coadjuvante (Marjorie Estiano) e Fotografia (o português Rui Poças, de “Uma Mulher Fantástica”). Além disso, também venceu o Festival do Uruguai, o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno, na Suiça, o Prêmio do Público no L’Etrange Festival, na França, e o Prêmio da Crítica no Festival de Sitges, na Espanha, entre muitas outras consagrações internacionais. Na trama, uma enfermeira da periferia de São Paulo (Isabél Zuaa, de “Joaquim”) é contratada por uma mulher rica, grávida e misteriosa (Marjorie Estiano, de “Sob Pressão”) para ajudar na casa e, após o nascimento do bebê, ser babá de seu filho. As duas desenvolvem uma forte relação de amizade, mas a gravidez se revela um horror, especialmente nas noites de lua cheia, a ponto de transformar a mulher conforme chega a hora do parto. É tenso, dramático e pronto para virar cult. O detalhe final: graças à projeção internacional, tem 100% de aprovação no Rotten Tomatoes. Para quem prefere filmes que pingam sangue, a programação reserva uma boa surpresa francesa. Com título auto-explicativo, “Vingança” traz a italiana Matilda Anna Ingrid Lutz (“O Chamado 3”) como a jovem amante de um milionário bonitão casado, que acaba estuprada pelos amigos dele durante um fim de semana de “diversão” e é abandonada para morrer no deserto. Só que ela se prova mais forte que o ódio e, no melhor estilo grindhouse, começa a caçá-los, esguichando sangue por todo o lado. Escrita e dirigida pela estreante Coralie Fargeat, “Vingança” evoca o clássico slasher “A Vingança de Jennifer” (1978), que chegou a ser proibido em alguns países. Apesar da história batida, a estilização visual agradou a crítica, o que lhe rendeu 92% de aprovação no Rotten Tomatoes após ganhar fãs nos festivais de Toronto e Sundance. Se a opção for pela comédia, “A Morte de Stalin” segue a linha do humor debochado de Armando Iannucci, criador da série “Veep”. Mas, curiosamente, é baseado numa graphic novel francesa de mesmo nome. A trama gira em torno dos dias caóticos que se seguiram à morte do líder soviético Joseph Stalin em 1953, quando o comunismo perdeu sua maior – e pior – referência. Por incrível que pareça, foi proibido na Rússia atual, supostamente democrática. O elenco reúne um time talentoso e eclético, liderado por Jeffrey Tambor (série “Transparent”), Steve Buscemi (série “Boardwalk Empire”), Rupert Friend (série “Homeland”), Michael Palin (“Ferocidade Máxima”), Jason Isaacs (franquia “Harry Potter”), Paddy Considine (“Macbeth: Ambição e Guerra”), Simon Russell Beale (“A Lenda de Tarzan”) e as atrizes Andrea Riseborough e Olga Kurylenko (ambas de “Oblivion”). Foi indicado aos BAFTA Awards (o Oscar britânico) e tem 96% de aprovação no Rotten Tomatoes. Por fim, o circuito realmente alternativo esconde “Comboio de Sal e Açúcar”, o primeiro representante de Moçambique a tentar uma vaga no Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Para aumentar ainda mais a curiosidade, é dirigido por um brasileiro. Licínio Azevedo mora em Moçambique desde 1975 e é um dos fundadores da empresa moçambicana de produção de cinema Ébano Multimédia, principal produtora do filme – e de vários outros longas-metragens e documentários premiados em todo o mundo. “Comboio de Sal e Açúcar” é seu quinto longa de ficção. Entre os anteriores, estão “Desobediência” (2003), premiado no Festival de Biarritz, e “Virgem Margarida” (2012), premiado em Amiens. Descrito como um “western africano”, o filme venceu o troféu Tanit de Ouro e mostra a perigosa viagem de um grupo, a bordo de um trem que tenta trocar sal por açúcar, atravessando zonas rebeldes de Moçambique em 1989, durante a guerra civil que varreu o país africano. Repleto de cenas de ação, sua narrativa envolvente destaca a divisão entre militares e civis no trem (comboio) que batiza a produção. A programação traz mais dois filmes de terror americanos muito ruins, diversos thrillers que parecem feitos para streaming, uma continuação russa de “Anna Karenina” e a leva semanal de documentários brasileiros que lembram programas de TV educativa. Para quem preferir ver o lado B da programação – como a sequência de “Os Estranhos” (2008), que tem 38% de aprovação – , os trailers e as sinopses de todas as estreias desta quinta (7/6) podem ser conferidas abaixo. Oito Mulheres e Um Segredo | EUA | Comédia de Ação Recém-saída da prisão, Debbie Ocean (Sandra Bullock) logo procura sua ex-parceira Lou (Cate Blanchett) para realizar um elaborado assalto: roubar um colar de diamantes no valor de US$ 150 milhões, que a Cartier mantém sempre em um cofre. O plano é convencer a empresa a emprestá-lo para que a estrela Daphne Kluger (Anne Hathaway) use a joia no badalado Met Gala, um dos eventos mais chiques e vistosos de Nova York. Para tanto, Debbie e Lou reúnem uma equipe composta apenas por mulheres: Nine Ball (Rihanna), Amita (Mindy Kaling), Constance (Awkwafina), Rose (Helena Bonham Carter) e Tammy (Sarah Paulson). As Boas Maneiras | Brasil | Terror Ana (Marjorie Estiano) contrata Clara (Isabél Zuaa), uma solitária enfermeira moradora da periferia de São Paulo, para ser babá de seu filho ainda não nascido. Conforme a gravidez vai avançando, Ana começa a apresentar comportamentos cada vez mais estranhos e sinistros hábitos noturnos que afetam diretamente Clara. Vingança | França | Thriller Três homens casados e ricos fazem anualmente uma espécie de caçada no deserto. Desta vez, um dos empresários decide trazer sua amante (Matilda Lutz). Quando ela é abandonada para morrer devido a uma série de acontecimentos, eles terão que lidar com as consequências de uma mulher que busca vingança. A Morte de Stalin | Reino Unido | Comédia União Soviética, 1953. Após a morte de Josef Stalin (Adrian McLoughlin), o alto escalão do comitê do Partido Comunista se vê em momentos caóticos para decidir quem será o sucessor do líder soviético. Comboio de Sal e Açúcar | Portugal, Moçambique, Brasil | Aventura Moçambique, 1988. Em meio à guerra civil, militares escoltam um trem de carga lotado de mercadorias e pessoas que buscam uma vida melhor. Muitos viajam para trocar além das fronteiras sal por açúcar, escasso localmente, e o grande desafio da jornada cheia de atritos é superar ataques surpresas e sabotagens de grupo paramilitar liderado por homem que, segundo as lendas, se transforma em macaco. Os Estranhos – Caçada Noturna | EUA | Terror Seguindo os acontecimentos do primeiro filme, uma nova família receberá a terrível visita de três psicopatas – que têm como único objetivo transformar suas vidas em um inferno na Terra. Um Dia para Viver | EUA | Thriller Um assassino (Ethan Hawke) ganha uma segunda chance quando seu empregador o traz de volta à vida temporariamente, logo após ter sido morto no trabalho. Ele tem 24 horas para realizar sua missão e se redimir. No Olho do Furacão | EUA | Thriller Um grupo de criminosos planeja roubar US$ 600 milhões do tesouro americano durante a passagem de um furacão. No entanto, seus planos são interrompidos quando o fenômeno meteorológico atinge o nível 5, considerado o mais grave de todos, e eles precisam do código de segurança que apenas uma funcionária do banco tem conhecimento. Selfie para o Inferno | Canadá | Terror Julia é uma vlogueira canadense totalmente conectada e habituada a compartilhar sua rotina com os seguidores, famosa especialmente pelas selfies que faz com frequência. Sua vida, no entanto, toma um rumo obscuro quando, ao visitar sua prima Hanna nos Estados Unidos, cai gravemente doente e coisas muito sinistras passam a acontecer envolvendo seu smartphone. Anna Karenina: A História de Vronsky | Rússia | Drama Durante a guerra russo-japonesa, em 1904, Sergey Karenin (Kirill Grebenshchikov), o chefe de um hospital descobre que um dos oficiais feridos é o conde Vronsky (Max Matveev), a pessoa que arruinou sua mãe, Anna Karenina (Elizaveta Boyarskaya). Agora, ele procura informações sobre o amante da mãe e o quê a levou a desistir da vida. Los Territorios | Argentina, Brasil | Documentário Depois do ataque ao jornal Charlie Hebdo em Paris, Ivan, o filho fútil de um importante jornalista argentino, embarca em uma jornada, perseguindo diferentes eventos e conflitos geopolíticos ao redor do mundo. No entanto, encontrar os acontecimentos na linha de frente é uma tarefa árdua. E ainda mais difícil do que se tornar um correspondente de guerra é marcar as fronteiras entre sua vida e o egocentrismo que guia Ivan, seu pai e os conflitos globais da atualidade. Bonifácio – O Fundador do Brasil | Brasil | Documentário José Bonifácio de Andrada e Silva foi um cientista, filósofo, estrategista e herói de guerra brasileiro que teve um papel decisivo no processo de emancipação do Estado brasileiro em relação a Portugal, sendo conhecido pelo título de Patriarca da Independência. Através de entrevistas com historiadores, a trajetória de sua vida, assim como suas aventuras, são reveladas em um formato inovador, que vai muito além dos livros de história. O Muro | Brasil | Documentário Nas manifestações em 2015 no Brasil contra e a favor da então presidente Dilma Rousseff, o diretor Lula Buarque e a roteirista Isabel de Luca procuram destacar a voz das pessoas e suas opiniões sobre a política nacional. Para eles, o diálogo é tudo, já que na falta dele são construídos muros. Caminho do Mar | Brasil | Documentário O Rio Paraíba do Sul é um dos mais importantes do Brasil, no entanto, ele não recebe a atenção, nem o reconhecimento que merece. Através de relatos de moradores ribeirinhos, pescadores e estudiosos, a história do rio, conhecido pelas suas águas cor de barro, é contada desde a nascente até a foz. Atualmente, ele é responsável por fornecer alimento e energia para o sudeste brasileiro, além disso, também foi fundamental durante o ciclo da cana, do café e do período de industrialização do país.

    Leia mais
  • Filme

    Sem Amor transforma falta de afeto em cinema de alto nível

    24 de fevereiro de 2018 /

    Quem viu “Leviatã”, o filme de Andrey Zvyagintsev de 2014, já percebeu que o estilo do diretor é duro, seco, realista. E que, por meio de uma narrativa forte e firme, ele diz muita coisa ao mundo de hoje. “Sem Amor”, o novo filme do cineasta russo, traz à tona a impactante questão da rejeição. Em tese, quem resolve ter filhos teria de assumir não só responsabilidades materiais sobre eles, mas responsabilidades afetivas que têm tanto peso quanto aquelas. Aqui, um garoto de 12 anos que nunca foi desejado, nem aceito, nem incorporado à família, mesmo que a contragosto, pelo pai ou pela mãe, chega a uma situação-limite, quando eles resolvem se separar. E com muitas brigas no caminho. Alyosha (Matvey Novikov), o garoto, é um dos motivos de briga, pois nem o pai e nem a mãe querem ficar com ele. Com tanta rejeição à vista, ainda lhe restaria um quarto confortável em casa e alguns equipamentos tecnológicos para sobreviver. Restaria, no condicional, já que, com a separação, a casa será vendida. O que sente e como se comporta uma criança numa situação assim? Só fugindo, seja lá para onde for, mesmo sem rumo ou condição de sobrevivência. E aí começa uma nova fase na vida de todos. Dele próprio, de cada um dos genitores e de seus novos parceiros amorosos. O que sentem eles, como lidam com a nova situação? Que clima, então, vai se estabelecendo na vida de cada um e de todos? É por aí que Andrey Zvyagintsev foca sua trama. Produz uma situação de suspense, em que a incerteza e a dúvida dominam a cena o tempo todo e prioriza o clima psicológico que tudo isso gera. Sua forma de narrar se dirige, mais do que tudo, aos efeitos que são produzidos por essa rejeição e fuga. É grave isso, pode ser demolidor. E permanecer pela vida afora. Inútil esperar por soluções salvadoras. A vida não é fácil e o ser humano é capaz de muita crueldade e egocentrismo. Até para tentar encobrir ou aplacar o ressentimento, a frustração e o desespero. Andrey Zvyagintsev consegue obter do elenco um desempenho preciso para o clima que quer criar. Há muita aridez afetiva nas atuações do casal Boris (Alexey Rozin) e Zhenya (Maryana Spivak), assim como dos policiais que cuidarão do caso e até da ONG que investigará, de fato, o desaparecimento do garoto. Há exceções, mas, no geral, vive-se um deserto afetivo que os atores e atrizes acentuam em seus papéis, inclusive Novikov, o ator mirim, que mostra bem a impotência que vive. A fotografia contribui com suas cores frias e toda a ambientação anuncia uma tragédia: com aquele tempo terrível, frio, chuvoso, com neve, sobreviver é um desafio, virtualmente impossível para um garoto desprotegido. No conjunto, um trabalho cinematográfico de alto nível, que se destaca na disputa pelo Oscar 2018 de Melhor Filme em Língua Estrangeira. Tem muita chance e muito mérito para isso. Venceu o Festival de Londres e o prêmio do Júri do Festival de Cannes.

    Leia mais
  • Filme

    Sem Amor: Drama russo que concorre ao Oscar 2018 ganha primeiro trailer legendado

    27 de janeiro de 2018 /

    A Sony divulgou o primeiro trailer legendado de “Sem Amor” (Loveless), candidato da Rússia ao Oscar 2018 de Melhor Filme de Língua Estrangeira – e também um dos filmes europeus mais premiados do ano. Na prévia impactante, a briga constante entre marido e mulher, que pretendem se separar, leva uma criança ao desespero, até que um dia o menino desaparece sem deixar pistas e quem se desespera são seus pais. Dirigido por Andrey Zvyagintsev (do igualmente premiado “Leviatã”), o drama venceu o Festival de Londres, o Prêmio do Júri do Festival de Cannes e ainda está indicado ao Spirit Awards. O lançamento brasileiro está marcado para o dia 8 de fevereiro.

    Leia mais
  • Filme

    O Insulto se torna primeiro filme libanês indicado ao Oscar

    23 de janeiro de 2018 /

    A lista de indicados ao Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro é uma das mais caprichadas dos últimos anos, composta por filmes premiadíssimos, a ponto de ser difícil cravar o favorito. Mas vale destacar a façanha de “O Insulto”, primeiro filme libanês a disputar o troféu da Academia. A direção é de Ziad Doueiri, que começou sua carreira cinematográfica como assistente de câmera de ninguém menos que Quentin Tarantino, em filmes como “Cães de Aluguel” (1992), “Pulp Fiction” (1994) e “Jackie Brown” (1997). “O Insulto” é seu quarto longa como diretor, sempre se debruçando sobre conflitos culturais de etnias do Oriente Médio – e todos têm sido consistentemente premiados. Curiosamente, o filme quase deixou de ser escolhido por seu país para disputar o prêmio. O motivo: cenas filmadas em Israel, o que é considerado um crime no Líbano. Doueiri chegou, inclusive, a ser detido, mas o apoio público do Ministério da Cultura, com o aceno ao Oscar, evitou o pior. Os demais concorrentes são o chileno “Uma Mulher Fantástica”, de Sebastián Lelio, premiado como Melhor Roteiro do Festival de Berlim, o russo “Desamor” (Loveless), de Andrey Zvyagintsev, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Cannes, o húngaro “Corpo e Alma”, de Ildikó Enyedi, vencedor do Festival de Berlim, e o sueco “The Square: A Arte da Discórdia”, de Ruben Östlund, vencedor do Festival de Cannes. A maior ausência ficou por conta do vencedor do Globo de Ouro e do Critics Choice, o alemão “Em Pedaços”, de Fatih Akin. A cerimônia de entrega de prêmios acontece no dia 4 de março, com apresentação de Jimmy Kimmel e transmissão no Brasil pelos canais Globo e TNT. Confira aqui a lista completa dos indicados.

    Leia mais
  • Filme

    Filme russo que junta Schwarzenegger e Jackie Chan ganha primeiro teaser

    13 de dezembro de 2017 /

    “Journey to China”, filme russo que conta com Jackie Chan e Arnold Schwarzenegger no elenco, ganhou seu primeiro teaser. A prévia traz Schwarzenegger falando russo e zombando de prisioneiros num castelo medieval. Mas seu traje é do período colonial britânico. O filme, na verdade, é estrelado pelo inglês Jason Flemyng (“X-Men: Primeira Classe”). Ele vive o viajante Jonathan Green, que recebe do czar Pedro, o Grande, a missão de mapear o Leste da Rússia, junto ao território chinês, onde encontra criaturas bizarras, princesas e mestres de artes marciais. O elenco ainda inclui Charles Dance (série “Game of Thrones”) e Rutger Hauer (do “Blade Runner” original). Com direção de Oleg Stepchenko (“Império Proibido”), o longa estreia em 2018, em data ainda não definida.

    Leia mais
  • Filme

    Loveless: Candidato da Rússia ao Oscar 2018 ganha trailer impactante

    12 de dezembro de 2017 /

    A Sony Pictures Classics divulgou o pôster, as fotos e o trailer americano de “Loveless”, candidato da Rússia a uma vaga na disputa de Melhor Filme de Língua Estrangeira do Oscar 2018, e também um dos filmes europeus mais premiados do ano. Na prévia impactante, a briga constante entre marido e mulher, que pretendem se separar, leva uma criança ao desespero, até que um dia o menino desaparece sem deixar pistas e quem se desespera são seus pais. Dirigido por Andrey Zvyagintsev (do igualmente premiado “Leviatã”), o drama venceu o Festival de Londres, o Prêmio do Júri do Festival de Cannes e está indicado ao Globo de Ouro e ao Spirit Awards. O filme ganhou distribuição limitada em Nova York para concorrer aos prêmios americanos, mas só será lançado nas demais cidades em fevereiro, após estrear no Brasil. Aqui, o lançamento está marcado para o dia 1 de fevereiro.

    Leia mais
  • Filme

    Exotismo de A Noiva desanda em clichês banais de terror

    19 de novembro de 2017 /

    Ver um filme de horror de gosto duvidoso é uma arte que pode ser cultivada. Até os hoje cultuados terrores italianos dos anos 1970 e 1980 já foram mal recebidos: ou com pedradas ou com ignorância pela maior parte da crítica. Daí, assistir numa sala de cinema brasileira um terror russo dublado em inglês é algo quase inusitado. A diversão já começa pela dublagem em inglês, tão vagabunda que permite vazar as diferentes fontes de áudio em diálogos entre personagens pelos ruídos de fundo. Mas apesar desse detalhe trash, o terceiro longa-metragem de Svyatoslav Podgaevskiy, “A Noiva”, jamais será confundido com um cult perdido, mesmo partindo de uma premissa perturbadora: o fato de que certas famílias pintam olhos nas pálpebras fechadas de seus entes queridos mortos para fotografá-los – uma tradição do século 19. Não é o primeiro filme europeu que mostra fotografias de mortos. O excelente “Os Outros”, do espanhol Alejandro Amenábar, também destacou esse costume mórbido. Mas “A Noiva” é mais inventivo, ao embutir na ideia de pintar os olhos uma superstição. Fotografar mortos poderia fazer com que suas almas os abandonassem. Assim, no prólogo do filme, que acontece no final do século 19, há o registro de uma tentativa de transferir o espírito de uma morta para o corpo de uma mulher jovem, que é arrancada à força de seu lar e enterrada viva, vestida de noiva. Esse prólogo poderia ser melhor explorado como uma boa história gótica de horror. Em vez disso, o filme prefere dar um salto para o mundo contemporâneo. Na trama principal, uma moça é convidada a finalmente conhecer a família de seu noivo, que até então evitara o seu contato com seus pais. O encontro com a família acontece em um vilarejo afastado e longe de tudo, e logo fica claro que essa família guarda segredos bem peculiares, como uma pessoa que nunca sai de um quarto fechado. A situação se torna mais incômoda quando o noivo desaparece e ela não sabe o seu paradeiro. Um dos destaques positivos do filme é a forma como é explorada a casa, cheia de paredes falsas, que supostamente seriam dutos de ventilação, mas que nos apresentam a um lugar maior e mais curioso. Outro momento positivo acontece quando a moça segue uma das familiares do noivo e acaba descobrindo o que não devia. O movimento de câmera, na evocação da sensação de medo, poderia muito bem caber em um filme de melhor qualidade, até pela boa fotografia e direção de arte. Infelizmente, após o começo animador, tudo desanda com sustos fáceis, inspirados em clichês do horror ocidental, que dilapidam o suposto exotismo de “A Noiva” para transformá-lo num filme tão comum e vulgar quanto algumas das piores produções recentes do terror americano. Talvez por isso venha aí o remake.

    Leia mais
  • Filme

    Terror russo A Noiva vai ganhar remake americano dos roteiristas de Invocação do Mal

    8 de outubro de 2017 /

    O terror russo “A Noiva” vai ganhar um remake americano. Segundo o site The Hollywood Reporter, a adaptação será produzida pelos irmãos gêmeos Chad e Carey Hayes, roteiristas de “Invocação do Mal” (2013). A trama original explora um costume antigo de países da Europa Oriental, popular durante o século 19, em que os mortos eram fotografados para os álbuns de recordações das famílias, imitando poses de pessoas vivas, com as pálpebras pintadas para simular olhos abertos. Essa tradição bizarra é evocada quando a jovem Nastya (Alexandra Rebenok) viaja com o noivo Ivan (Victor Solovyev) para conhecer a sua família. Ao chegar lá, ela começa a ter visões, enquanto os familiares do futuro marido preparam uma cerimônia ritualística de casamento “A Noiva” é o terceiro terror consecutivo do diretor Svyatoslav Podgayevsky, que já tem mais três encaminhados. Mas vale observar que nenhum deles agradou à crítica internacional. O filme estreou em janeiro na Rússia e está previsto para chegar ao Brasil quase um ano depois, em 21 de dezembro. Veja aqui o trailer legendado.

    Leia mais
  • Filme

    Vencedor do Festival de Gramado chega aos cinemas com Atômica, Emoji e Dupla Explosiva

    31 de agosto de 2017 /

    A programação de cinema da semana registra dez estreias, que oferecem entre suas opções a animação americana pior avaliada do ano e o filme brasileiro que venceu o Festival de Gramado. O primeiro (execrável) recebeu distribuição ampla e o segundo (excelente) entra em cartaz em circuito limitado, comprovando algumas teses. “Emoji – O filme” é um desastre completo. A animação sobre os símbolos usados por quem não gosta de escrever é o anti-“Divervente”, uma lição de conformismo para crianças, que gira em torno do único emoji que tem mais de uma expressão e quer ser monotemático como os demais. Com direito a personagens que são literalmente cocôs, ganhou descarga da crítica norte-americana e envergonhantes 7% de aprovação no Rotten Tomatoes. Há duas semanas em 1ª lugar nos Estados Unidos, “Dupla Explosiva” é outra bomba, ainda que menos fétida, com 40% no Rotten Tomatoes. A comédia de ação estrelada por Samuel L. Jackson (“Os Vingadores”) e Ryan Reynolds (“Deadpool”) é uma produção de baixo orçamento (US$ 29 milhões), que tem um diretor de filmes B (fez “Os Mercenários 3”) e história batida (derivada de “Fuga à Meia-Noite”, de 1988). Em suma, um guarda-costas é contratado para proteger e levar até um tribunal um assassino que todos querem matar – uma trama tão genérica que a distribuidora nem se preocupou em diferenciar o lançamento de outros três que também receberam o mesmo título no Brasil. Melhor das estreias americanas, com 75% no Rotten Tomatoes, “Atômica” traz Charlize Theron (“Mad Max: Estrada da Fúria”) como a “loira atômica” do título durante a época da Guerra Fria, nos anos 1980. Sua personagem é uma espiã britânica enviada para Berlim Ocidental numa missão extremamente perigosa: investigar a morte de um colega e recuperar uma lista perdida de agentes duplos. A trama é baseada na graphic novel “The Coldest Day”, de Antony Johnston (roteirista do game “Dead Space”) e Sam Hart, e foi adaptada pelo roteirista Kurt Johnstad (“300”), responsável por mudar o sexo da personagem vivida por Sofia Boutella (“A Múmia”), dando origem a cenas lésbicas de alta voltagem. A direção é de David Leitch, ex-dublê que impressionou ao virar diretor com “De Volta ao Jogo” (2014) e atualmente filma “Deadpool 2”. “Os Guardiões” se resume à curiosidade de ser uma produção russa de super-heróis. A trama parte da premissa que, durante a Guerra Fria, a antiga União Soviética criou um programa para desenvolver superpoderes em pessoas comuns, de diferentes países da cortina de ferro. Estes heróis soviéticos mantiveram suas identidades em segredo após o fim do comunismo, mas a chegada de uma grande ameaça à Moscou faz com que eles voltem a ser convocados para defender a nação. A direção é do armênio Sarik Andreasyan (“O Último Golpe”), que não evita o resultado trash. Em contraste, o terror australiano “O Acampamento” foi recebido com muitos elogios durante sua exibição no Festival de Sundance deste ano e tem 78% de aprovação no Rotten Tomatoes, apesar de sua premissa não ser novidade – evoca outro bom terror australiano, “Wolf Creek – Viagem ao Inferno” (2005). O filme acompanha um casal em busca de descanso numa praia remota, onde se depara com um acampamento abandonado. A falta de vestígio de seus ocupantes os deixa preocupados, ainda mais quando descobrem uma criança solitária e traumatizada nas proximidades. A verdade surge em flashbacks e no encontro com os sociopatas que aterrorizam os turistas da região. Vencedor de seis prêmios em Gramado, entre eles o de Melhor Filme, Direção, Atriz (Maria Ribeiro), Ator (Paulo Vilhena) e Atriz Coadjuvante (Clarisse Abujamra), “Como Nossos Pais” é o quarto longa de ficção de Laís Bodanzky – depois dos também premiados “Bicho de Sete Cabeças” (2000), “Chega de Saudade” (2007) e “As Melhores Coisas do Mundo” (2010). O filme retrata uma mulher de classe média nos seus 40 anos que precisa lidar com as pressões de ser mãe, dona de casa e profissional, e também foi exibido no Festival de Berlim, onde recebeu críticas elogiosas dos sites The Hollywood Reporter, Screen e Variety. Com distribuição já garantida em 10 países, é um dos principais lançamentos brasileiros do ano. Outro filme comandado por uma diretora brasileira também chega aos cinemas nesta quinta (31/8), mas em circuito reduzidíssimo e com qualidade completamente diferente. O melodrama “Entrelinhas” marca a estreia de Emilia Ferreira. O detalhe é que a mineira mora em Nova York, filmou em inglês a adaptação de um livro americano, com produtores americanos e atores americanos. Típico drama “cabeça”, acompanha o processo criativo de uma escritora que tenta materializar sua primeira peça de teatro, dividindo sua atenção entre o palco, a ficção e os relacionamentos de seu cotidiano. Com elenco de filmes B, permanece inédito e sem previsão de lançamento nos Estados Unidos. Completam a programação mais três estreias invisíveis, em circuito restrito (Rio e/ou São Paulo): o drama francês “150 Miligramas”, de Emmanuelle Bercot (“De Cabeça Erguida”), sobre um escândalo farmacêutico real, o drama islandês “Heartstone”, premiado em vários festivais, sobre descobertas sexuais da adolescência num lugarejo remoto, e o documentário “David Lynch – A Vida de um Artista”, sobre o cineasta responsável por “O Homem Elefante” (1980), “Veludo Azul” (1986), “Cidade dos Sonhos” (2001) e a série “Twin Peaks”, resultado de entrevistas feitas ao longo de três anos, enquanto Lynch pinta quadros. Clique nos títulos de cada filme para ver os trailers de todas as estreias.

    Leia mais
  • Filme

    Trailer legendado do terror russo A Noiva resgata costume mórbido do século 19

    27 de agosto de 2017 /

    A Paris Filmes divulgou o trailer legendado de “A Noiva”, um terror russo, o que por si só já desperta curiosidade. Mas a premissa também é intrigante, por explorar um costume de países da Europa Oriental durante o século 19, em que os mortos eram fotografados para os álbuns de recordações das famílias, imitando poses de pessoas vivas, com as pálpebras pintadas para simular olhos abertos. A trama lembra essa tradição bizarra em flashbacks, mas se passa nos dias atuais, quando a jovem Nastya (Alexandra Rebenok) viaja com o noivo Ivan (Victor Solovyev) para conhecer a sua família. Ao chegar lá, ela começa a ter visões, enquanto os familiares do futuro marido preparam uma tradicional cerimônia eslava de casamento “A Noiva” é o terceiro terror consecutivo do diretor Svyatoslav Podgayevsky, que já tem mais três encaminhados. Mas vale observar que nenhum deles agradou à crítica internacional. A estreia está marcada para 21 de dezembro no Brasil, quase um ano após o lançamento na Rússia.

    Leia mais
  • Filme

    Filme sueco vence Festival de Cannes, que também premiou Sofia Coppola e Joaquin Phoenix

    28 de maio de 2017 /

    O filme sueco “The Square”, de Ruben Östlund, foi o vencedor da Palma de Ouro do 70º Festival de Cannes. A obra não era das mais badaladas da competição, mas o diretor já tinha causado boa impressão em Cannes com seu filme anterior, “Força Maior” (2014), exibido e premiado na seção Um Certo Olhar há três anos. Em tom que varia entre o drama e a comédia, a trama acompanha o curador de um importante museu de arte contemporânea de Estocolmo, vítima de um pequeno incidente que desencadeia uma série de situações vexaminosas. Em seu intertexto, “The Square” ainda faz um contraponto entre o ambiente elitista das galerias de arte e a realidade das ruas europeias, cheias de imigrantes e desempregados. Apesar da vitória de um longa europeu, a maior parte das premiações do juri presidido pelo espanhol Pedro Almodóvar foi para produções americanas. Um número, por sinal, mais elevado que o costume entre as edições anteriores do festival. O prêmio de direção ficou com Sofia Coppola por “O Estranho que Nós Amamos”, remake do filme homônimo de 1971, que transforma uma trama de western em suspense gótico. A diretora não estava em Cannes para a cerimônia, realizada no domingo (28/5), mas enviou uma longa mensagem de agradecimento, na qual menciona a neozelandesa Jane Campion, única mulher a vencer a Palma de Ouro, com “O Piano”, em 1993, como uma de suas “inspirações” na carreira. A estrela de “O Estranho que Nós Amamos”, Nicole Kidman, também foi homenageada com um prêmio especial do festival. Neste ano, ela participou de quatro produções exibidas na programação de Cannes. Duas delas estavam na mostra competitiva. E a segunda também foi premiada: o suspense “The Killing of a Sacred Deer”, do grego Yorgos Lanthimos, que venceu o troféu de Melhor Roteiro, empatado com “You Were Really Never Here”, outra produção americana, dirigida pela escocesa Lynne Ramsay. Para completar a lista americana, Joaquin Phoenix, estrela de “You Were Really Never Here”, venceu o troféu de Melhor Ator. A alemã Diane Krueger foi premiada como Melhor Atriz por “In the Fade”, e dois filmes europeus levaram o Grande Prêmio e o Prêmio do Juri, equivalentes ao 2º e 3º lugares do festival: o francês “120 Battements par Minute”, de Robin Campillo, e o russo “Loveless”, de Andrey Zvyagintsev. Por fim, o prêmio Câmera de Ouro, para longa-metragem de diretor estreante, foi para “Jeune Femme”, da francesa Léonor Serraille, exibido na mostra paralela Um Certo Olhar. Nenhum filme da Netflix foi premiado. O júri da competição oficial foi composto pelos diretores Pedro Almodóvar, Park Chan-wook, Paolo Sorrentino, e Maren Ade, as atrizes Jessica Chastain, Fan Bingbing, Agnès Jaoui, o ator Will Smith e o compositor Gabriel Yard. Vencedores do Festival de Cannes 2017 Palme de Ouro de Melhor Filme “The Square”, de Ruben Öslund (Suécia) Melhor Direção Sofia Coppola, por “O Estranho que Nós Amamos” (EUA) Melhor Roteiro “The Killing of a Sacred Dear”, de Yorgos Lanthimos (Reino Unido) “You Were Really Never Here”, de Lynne Ramsay (EUA) Melhor Ator Joaquin Phoenix, por “Your Were Never Really Here” (EUA) Melhor Atriz Diane Krueger, por “In the Fade” (Alemanha) Grande Prêmio do Júri “120 Battements par Minute”, de Robin Campillo (França) Prêmio do Júri “Loveless”, de Andrey Zvyagintsev (Rússia) Prêmio Especial do 70º aniversário de Cannes Nicole Kidman (EUA) Câmera de Ouro (melhor filme de estreia) “Jeune Femme”, de Léonor Serraille (França)

    Leia mais
  • Filme

    Até o Último Homem é a melhor estreia em semana cheia de filmes de chorar

    26 de janeiro de 2017 /

    Com nove estreias, os cinemas voltam a registrar novidades no circuito limitado após a temporada de blockbusters de férias. Em parte é o efeito Oscar, com o lançamento de “Até o Último Homem” conquistando destaque num circuito intermediário. Melhor filme da semana e indicado a seis Oscars, “Até o Último Homem” é a volta de Mel Gibson à direção, uma década após seu último longa-metragem e depois de muitas polêmicas em sua vida pessoal. A produção traz as marcas do diretor, vencedor do Oscar por “Coração Valente” (1995). Com explosões, tiros, abusos e carnificina, apresenta um espetáculo apocalíptico de guerra, com direito a cenas brutais para ilustrar o contraste entre a desumanização e a fé. A trama é baseada na história real do soldado Desmond T. Doss, que ganhou a Medalha de Honra do Congresso dos EUA depois de se recusar a pegar numa arma durante toda a 2ª Guerra Mundial. Vivido por Andrew Garfield (“O Espetacular Homem-Aranha 2”), Doss sofre bullying e humilhação de seus colegas recrutas, mas não abre mão de suas convicções, conquistando o direito de ir a combate desarmado. Taxado de covarde, ele se torna uma lenda ao salvar, sozinho, a vida de 75 homens durante a Batalha de Okinawa, resgatando feridos e ajudando a evacuar as linhas inimigas, mesmo atingido por uma granada e um franco-atirador japonês. Entre os Oscars a que concorre, estão os de Melhor Filme, Direção e Ator. O filme de Gibson é assumidamente emotivo e chega numa semana repleta de filmes manipulativos, embora alguns lançamentos deem outros motivos para chorar. Como é difícil definir qual o pior, “Resident Evil 6 – O Capítulo Final” ao menos tem o mérito de dar o fim numa franquia excruciante. Além disso, o público sabe exatamente no que está se metendo ao comprar o ingresso, após cinco filmes com zumbis que não assustam, lutas em câmera-lenta que ressaltam como o tempo demora a passar e 3D que não esconde o aspecto B da produção. “Max Steel”, por sua vez, merece todas as cópias dubladas que vai receber, pois não passa de um telefilme superestimado para crianças. Lançado em 2 mil cinemas nos EUA, a adaptação do brinquedo/desenho animado só fez US$ 3 milhões e conseguiu recorde de desaprovação no site Rotten Tomatoes, atingindo 0% de críticas positivas. O impressionante é que isso não abalou os planos da distribuidora nacional, que está ocupando salas com seu lançamento. O cheio de lixo também exala de “Beleza Oculta”, indicado ao Framboesa de Ouro de pior combinação de elenco. Melodrama apelativo, tenta contar uma história edificante com diversos atores conhecidos, mas resulta hilariante no pior sentido. A média no Rotten Tomatoes é 12%. “Quatro Vidas de um Cachorro” é outra dose canina de manipulação emotiva. Feito para ressaltar a ligação afetiva entre homens e cachorros, apela para a crença na vida após a morte para confortar crianças com a ideia de que, quando morrem, os cãezinhos viram magicamente um novo cachorro. Não bastasse, a trama ainda mostra as dúvidas metafísicas do bicho. Mas o escândalo do vídeo editado, com supostos maus tratos na filmagem, deve ter diminuído a vontade dos fãs do best-seller (sério, esta história vendeu horrores) de pagar para chorar no cinema. 30% no Rotten Tomatoes. Dentre tantos produtos infantilóides, a melhor opção para as crianças é a animação “A Bailarina”, produção franco-canadense que tenta replicar a magia da Disney e surpreende pela qualidade técnica. A trama gira em torno de uma menina órfã (dublada no Brasil por Mel Maia) que sonha virar uma grande bailarina na Paris do século 19, mas para seguir seu sonho precisa fugir de casa, com a ajuda de um menino que sonha virar um grande inventor. Não há fada madrinha para abrir caminhos de forma mágica, o que torna a mensagem desta Cinderela mais relevante, ao mostrar que trabalho e dedicação são o caminho para conquistar os sonhos. A realização de sonhos também é o mote de “O Ídolo”, uma espécie de “Quem Quer Ser um Milionário?” palestino. Escrito e dirigido por Hany Abu-Assad, acompanha um jovem da Faixa de Gaza, que sonha virar músico e vê no programa “Arab Idol” (o “Ídolos” do Oriente Médio) a oportunidade de trocar a penúria da zona de conflito pela vida de artista famoso. A fórmula bem conhecida de sucessos de Hollywood, baseada em “fatos reais”, desta vez é apresentada como filme de arte. E exibida em circuito limitado. Filme russo de maior destaque nos festivais mais recentes, “Paraíso” é trabalho de um mestre, Andrey Konchalovskiy, que recuperou o prestígio com vários troféus acumulados após voltar ao cinema de arte, tendo dirigido até Sylvester Stallone nos anos 1980. Filmado em preto e branco e apresentado como um pseudo-documentário, com depoimentos dos protagonistas, acompanha as circunstâncias dramáticas do reencontro entre uma aristocrata russa, condenada aos campos de concentração por abrigar judeus, e um oficial nazista que a amava desde a juventude. Completa o circuito o lançamento mais “artístico” e “difícil”, “A Morte de Luís XIV”. Mórbido, retrata a lenta agonia do rei da França, que começa a morrer cercado por seus súditos. Além da interpretação de Jean-Pierre Léaud, chama atenção a belíssima fotografia, que evoca pinturas dos grandes mestres do período. O diretor catalão Albert Serra já tinha tratado do tema da deterioração humana em seu filme anterior, “História da Minha Morte” (2013). Em suas obras, morrer não é bonito como em “Quatro Vidas de um Cachorro”. Clique nos títulos dos filmes para ver os trailers de cada uma das estreias.

    Leia mais
 Mais Pipoca
Mais Pipoca 
@Pipoca Moderna 2025
Privacidade | Cookies | Facebook | X | Bluesky | Flipboard | Anuncie