Monica Vitti (1931–2022)
Monica Vitti, uma das das mais famosas atrizes do cinema italiano, faleceu nesta quarta (2/2) aos 90 anos, informou o ministro da Cultura da Itália, Dario Franceschini. “Adeus Monica Vitti, adeus à rainha do cinema italiano. Hoje é um dia verdadeiramente triste, morre uma grande artista e uma grande italiana”, escreveu ministro em um comunicado. A voz rouca e sedutora, o olhar melancólico e os cabelos meticulosamente despenteados da atriz marcaram uma coleção de clássicos absolutos do cinema, a partir de sua parceria com o diretor Michelangelo Antonioni. Maria Luisa Ceciarelli (seu nome real) foi “descoberta” pelo maestro em papéis coadjuvantes de comédia dos anos 1950. Os dois se aproximaram, se apaixonaram e ele a lançou ao estrelato em “A Aventura” (1960). Sua beleza não convencional, marcada por expressões tristes, distantes e frias, tornaram Vitti a protagonista perfeita para a trilogia da “incomunicabilidade” de Antonioni, iniciada pelo filme de 1960 e continuada nos cultuadíssimos “A Noite” (1961) e “O Eclipse” (1962), obras sobre o nada, o vazio, a alienação e o tédio, que implodiram a narrativa convencional em favor da exploração da imagem, dos closes de Vitti, conduzindo à evolução da própria linguagem cinematográfica. Depois do quarto filme com Antonioni, “O Deserto Vermelho” (1964), estreia do diretor a cores, Vitti foi estrelar a adaptação dos quadrinhos de “Modesty Blaise” (1966), com direção de Joseph Losey no Reino Unido. Espécie de James Bond feminina, a personagem mudou o perfil da atriz. Graças ao visual fetichista do uniforme de couro da heroína, ela foi alçada à condição de símbolo sexual. Na volta à Itália, Vitti terminou seu romance com Antonioni e passou a explorar sua imagem sexy em várias comédias picantes, virando estrela de produções dos maiores diretores do gênero, como Mario Monicelli (“A Garota com a Pistola”, 1968), Alberto Sordi (“Amor, Ajuda-me”, 1969) e Ettore Scola (“Ciúme à Italiana”, 1970). Entre “A Mulher que Inventou o Rebolado” (1970) e “À Meia-Noite, a Ronda do Prazer” (1975), ambos de Marcello Fondato, ainda foi escalada pelo mestre surrealista Luis Buñuel em “O Fantasma da Liberdade” (1974), estendendo seu alcance aos filmes de língua francesa. Retornou logo em seguida à França para trabalhar ainda com André Cayatte em “A Razão de Estado” (1978). Passada mais de uma década da separação, Vitti reencontrou as câmeras de Antonioni em “O Mistério de Oberwald” (1980). A esta altura, porém, ela estava envolvida com outro cineasta, Roberto Russo. Os dois se conheceram em 1975, quando ele integrava a equipe de “Pato com Laranja”, comédia clássica de Luciano Salce, e se aproximaram durante as filmagens de “Um Caso Quase Perfeito” (1979), filme americano dirigido por Michael Ritchie. Quando Russo estreou como diretor, em “Flirt” (1983), escalou Vitti no papel principal. A interpretação acabou consagrada no Festival de Berlim, estendendo o imaginário criado em torno da atriz como provocadora sensual, que ela estimulou até praticamente o fim da carreira, quando começou a dirigir a si mesma. Com a experiência de ter trabalhado com alguns dos maiores cineastas italianos, a estrela resolveu ir para trás das câmeras em 1990 com apoio de Russo. Ele escreveu e produziu “Escândalo Secreto”, o primeiro longa dirigido por Vitti e também a despedida da atriz do cinema. Ela decidiu sair de cena antes que pudesse envelhecer nas telas, decidindo que o cinema só teria imagens de sua beleza e juventude. E também antes que não pudesse mais atuar, um segredo que só seria conhecido bem mais tarde. Após viver com Roberto Russo por 27 anos, ela se casou com ele em 1995. A esta altura, Vitti já demonstrava sintomas do mal de Alzheimer, situação que só veio a público em 2011. Embora sua decisão de sair de cena fosse interpretada equivocadamente como sinal de vaidade, o reconhecimento conquistado ao longo de sua filmografia comprovam que Monica Vitti foi muito mais que sua beleza lendária, que inverteu signos ao transformar a frieza em algo extremamente quente. Monica Vitti venceu cinco troféus David di Donatello (o Oscar italiano) de Melhor Atriz, mais quatro prêmios especiais da Academia Italiana de Cinema. Também foi premiada em vários festivais internacionais, vencendo o Leão de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim (por “Flirt”) e o Leão de Ouro honorário do Festival de Veneza, numa homenagem por sua carreira em 1995. Sem qualquer controvérsia, seus filmes estão entre os maiores patrimônios da cultura italiana do século 20.
Lina Wertmüller (1928-2021)
A cineasta italiana Lina Wertmüller, primeira mulher indicada ao Oscar de Melhor Direção, morreu na manhã desta quinta-feira (9/12) em Roma, aos 93 anos. “A Itália lamenta a partida de Lina Wertmüller, uma diretora que com sua classe e estilo incomparáveis deixou uma marca permanente em nossa cinematografia e em todo o mundo”, manifestou-se o ministro italiano da Cultura, Dario Franceschini. Agitadora desde a juventude, ela conseguiu a façanha de ser expulsa de 15 escolas católicas diferentes, antes de encontrar um meio de expressão nas artes, decidindo ainda jovem trabalhar no cinema e no teatro. Ela deu seus primeiros passos para virar cineasta com 25 anos de idade, ao conseguir o cargo de assistente de direção no musical “…e Napoli Canta!” (1953). Destacando-se na função, ela chegou a trabalhar como assistente do mestre Federico Fellini no clássico “8 1/2” (1963). No mesmo ano, escreveu e dirigiu seu primeiro longa, o drama “The Basilisks”, concebido na tradição do neorrealismo italiano. Fez depois mais duas comédias, incluindo “Não Brinque com o Mosquito” com a cantora Rita Pavone, que inaugurou sua longa e bem-sucedida parceria com o ator Giancarlo Giannini, e até um western spaghetti (“A Pistoleira de Virginia”) antes de se tornar reconhecida por suas obras iconoclastas na década de 1970. O filme da virada foi “Mimi, o Metalúrgico” (1972), que rendeu o David di Donatello (o Oscar italiano) a Giancarlo Giannini pelo papel-título, um operário comunista em fuga da máfia e em meio a um caso extraconjugal. A partir daí, Wertmüller se especializou em obras satíricas, que combinavam política, humor e sexo. Seu filme seguinte, “Amor e Anarquia” (1973), acompanhava uma conspiração de bordel contra o fascismo e rendeu outro prêmio para Giannini, desta vez no Festival de Cannes. Em 1974, ela lançou um de seus trabalhos mais populares: “Por um Destino Insólito”, em que uma socialite naufraga numa ilha com um marinheiro comunista (obviamente Giannini) e, em pouco tempo, a luta de classe se transforma em guerra de sexos. A comédia fez tanto sucesso que inspirou um remake dirigido por Guy Richie e estrelado por sua então esposa Madonna em 2002. Sua obra-prima, porém, foi “Pasqualino Sete Belezas”. O filme de 1975 acompanhava um homem comum (sim, Giannini) que opta sempre pelo caminho mais fácil, tomando decisões que o levam a situações cada vez piores em plena 2ª Guerra Mundial, até se ver submetido às vontades de uma mulher obesa no comando de um campo de concentração nazista. O filme sobre desgraças em série lhe rendeu consagração mundial e foi indicado a nada menos que quatro Oscars: Melhor Filme Estrangeiro, Ator (Giancarlo Giannini), Roteiro Original e Direção para Wertmüller. Foi a primeira vez que uma mulher disputou o Oscar de Direção, feito que só voltou a acontecer duas décadas mais tarde, quando a neozelandesa Jane Campion foi indicada por “O Piano” em 1993. Após a indicação, Wertmüller assinou um contrato com a Warner Bros para fazer quatro filmes em inglês, resultando em sua estreia na língua de Hollywood, “Dois Perdidos numa Noite de Chuva” – que apesar da mudança de idioma, continuou a trazer Giannini como ator principal, agora ao lado de Candice Bergen. Só que o filme foi um fracasso tão grande que fez a Warner romper o contrato. Ela se vingou de Hollywood juntando dois dos atores mais famosos da Itália em seu lançamento seguinte, “Amor e Ciúme” (1978), estrelado por Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Giannini continuou a bordo como coadjuvante, mas o “rebaixamento” resultou no fim da longa parceria. Um detalhe curioso é que o título original de “Amor e Ciúme” entrou no Guinness como o mais longo da História do Cinema – em italiano, o filme foi chamado de “Un fatto di sangue nel comune di Siculiana fra due uomini per causa di una vedova. Si sospettano moventi politici. Amore-Morte-Shimmy. Lugano belle. Tarantelle. Tarallucci e vino”. Os lançamentos continuaram com “Camorra” (1985), premiado no Festival de Berlim, e “Em Noite de Lua Cheia” (1989), exibido no Festival de Veneza, que ainda mobilizaram a crítica nos anos 1980, mas “Sábado, Domingo e Segunda” (1990), com Sophia Loren, “Ninfeta Italiana” (1996), com Stefania Sandrelli, e “Ferdinando e Carolina” (1999) já não causaram o mesmo impacto. Seu último longa de ficção foi “A Casa dos Gerânios” em 2004, embora tenha continuado a realizar telefilmes e documentários, antes de se voltar exclusivamente ao teatro na última década, onde desenvolveu trabalhos até sua morte. Em 2019, ela recebeu um Oscar honorário por suas realizações, bem como uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.
A Mão de Deus: Filme premiado de Paolo Sorrentino ganha trailer
A Netflix divulgou o trailer completo de “A Mão de Deus”, novo filme do cineasta italiano Paolo Sorrentino, que venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional por “A Grande Beleza” (2013). A produção se passa em Nápoles, na Itália, e reflete o período da juventude do diretor, mais especificamente o ano de 1986, quando Diego Maradona eletrizou a cidade como jogador do Napoli e se tornou campeão mundial pela seleção argentina. Foi durante a Copa do Mundo de 1986 que o craque do time local marcou o gol que batiza o longa, usando a “mão de deus” (dele próprio, o deus Maradona) para vencer a Inglaterra. Numa entrevista à Variety em 2015, Sorrentino revelou que ser fã de Maradona salvou sua vida naquele ano. Literalmente. “Perdi os meus pais quando tinha 16 anos num acidente com o sistema de aquecimento numa casa nas montanhas onde sempre costumávamos ir. Naquele fim de semana, não fui porque queria assistir a Maradona num jogo do Nápoli com o Empoli. E essa decisão salvou minha vida. ” A sinopse oficial diz que o filme segue Fabietto Schisa, um adolescente italiano cuja vida e família excêntrica são subitamente perturbadas – primeiro pela chegada eletrizante da lenda do futebol Diego Maradona e depois por um acidente chocante do qual Maradona inadvertidamente salva Fabietto, impulsionando seu futuro. “Sorrentino retorna à sua cidade natal para contar sua história mais pessoal, uma história de destino e família, esportes e cinema, amor e perda”, conclui o texto. O elenco de “A Mão de Deus” destaca Filippo Scotti (“Luna Nera”) como o jovem protagonista e o grande parceiro dos filmes de Sorrentino, o veterano Toni Servillo (“A Grande Beleza”) como seu pai, sem esquecer de Renato Carpentieri (“Rosa e Momo”), Luisa Ranieri (“Cartas para Julieta”), Teresa Saponangelo (“O que Mais Posso Querer”), Marlon Joubert (“Romulus”), Massimiliano Gallo (“Pinóquio”) e Alessandro Bressanello (“007 Contra Spectre”). O filme teve première mundial no Festival de Veneza, onde venceu o Grande Prêmio do Júri e mais três troféus paralelos, além de estar indicado em três categorias do European Film Awards (o Oscar europeu). O lançamento em streaming está marcado para 15 de dezembro.
Academia Europeia de Cinema anuncia indicados à premiação de melhores do ano
A Academia Europeia de Cinema (EFA, na sigla em inglês) anunciou nesta terça (9/11) as indicações da 34ª edição de sua premiação anual, os European Film Awards. A lista inclui os vencedores dos festivais de Cannes e Berlim deste ano, respectivamente o francês “Titane”, de Julia Ducournau, e o romeno “Bad Luck Banging or Loony Porn”, de Radu Jude. Mas o segundo não concorre na categoria de Melhor Filme, apenas como Direção e Roteiro. “Titane” está entre os filmes com mais indicações, empatado com “Quo Vadis, Aida?”, de Jasmila ZbaniC, e “Meu Pai”, de Florian Zeller, todos com quatro nomeações cada. Os cerca de 4100 membros da EFA vão agora votar em seus favoritos e os vencedores serão revelados numa cerimônia de gala marcada para 11 de dezembro, em Berlim. Confira abaixo a lista de indicados. Melhor Filme “Compartment No.6”, de Juho Kuosmanen (Finlândia, Rússia, Estónia, Alemanha) “Quo Vadis, Aida?”, de Jasmila Zbanic (Bósnia e Herzegovina, Aústria, Holanda, França, Polónia, Noruega, Alemanha, Roménia, Turquia) “Meu Pai”, de Florian Zeller (Reino Unido, França) “A Mão de Deus”, de Paolo Sorrentino (Itália) “Titane”, de Julia Ducournau (França, Bélgica) Melhor Comédia “Ninjababy”, de Yngvild Sve Flikke (Noruega) “Minha Querida Nora”, de Méliane Marcaggi (França) “Sentimental”, de Cesc Gay (Espanha) Melhor Documentário “Babi Yar. Context”, de Sergei Loznitsa (Holanda, Ucrânia) “Flee”, de Jonas Poher Rasmussen (Dinamarca, França, Suécia, Noruega) “Mr Bachmann and His Class”, de Maria Speth (Alemanha) “Taming the Garden”, de Salomé Jashi (Suíça, Alemanha, Georgia) “The Most Beautiful Boy in the World”, de Kristina Lindström & Kristian Petri (Suécia) Melhor Animação “Even Mice Belong in Heaven”, de Denisa Grimmová & Jan Bubeníček (República Checa, França, Polónia, Eslováquia) “Flee”, de Jonas Poher Rasmussen (Dinamarca, França, Suécia, Noruega) “The Ape Star”, de Linda Hambäck (Suécia, Noruega, Dinamarca) “Where is Anne Frank”, de Ari Folman (Bélgica, Luxemburgo, Israel, Holanda, França) “Wolfwalkers”, de Tomm Moore & Ross Stewart (Irlanda, Luxemburgo) European Discovery – Prêmio da Crítica “Lamb”, de Valdimar Jóhansson (Islândia, Suécia, Polónia) “Playground”, de Laura Wandel (Bélgica) “Pleasure”, de Ninja Thyberg (Suécia, Holanda, França) “Bela Vingança”, de Emerald Fennell (EUA, Reino Unido) “The Whaler Boy Kitoboy”, de Philipp Yuryev (Rússia, Polónia, Bélgica) Melhor Direção Julia Ducornau, por “Titane” Radu Jude, por “Bad Luck Banging or Loony Porn” Paolo Sorrentino, por “A Mão de Deus” Jasmila Zbanic, por “Quo Vadis, Aida?” Florian Zeller, por “Meu Pai” Melhor Atriz Jasna Đuričić, em “Quo Vadis, Aida?” Seidi Haarla, em “Compartment No.6” Carey Mulligan, em “Bela Vingança” Renate Reinsve, em “The Worst Person in the World” Agathe Rousselle, em “Titane” Melhor Ator Yuriy Borisov, em “Compartment No. 6” Anthony Hopkins, em “Meu Pai” Vincent Lindon, em “Titane” Tahar Rahim, em “O Mauritano” Franz Rogowski, em “Great Freedom” Melhor Roteiro Radu Jude, por “Bad Luck Banging or Loony Porn” Paolo Sorrentino, por “A Mão de Deus” Joachim Trier & Eskil Vogt, por “The Worst Person in the World” Jasmila Žbanić, por “Quo Vadis, Aida?” Florian Zeller & Christopher Hampton, por “Meu Pai” Melhor Curta-Metragem “Bella”, de Thelyia Petraki (Grécia) “Displaced”, de Samir Karahoda (Kosovo) “Easter Eggs”, de Nicolas Keppens (Bélgica, França, Holanda) “In Flow of Words”, de Eliane Esther Bots (Holanda) “My Uncle Tudor”, de Olga Lucovnicova (Bélgica, Portugal, Hungria, Moldávia)
“Patrulha Canina” e “Maligno” são as maiores estreias de cinema
Os maiores lançamentos da semana são a animação “Patrulha Canina – O Filme” e o terror “Maligno”. O primeiro é um desenho à moda antiga, sem um pingo de ironia e para crianças bem pequenas, sobre os cachorrinhos heroicos uniformizados de uma série exibida no SBT. Já o segundo marca a volta do diretor James Wan (“Invocação do Mal”) ao horror sobrenatural após dirigir o blockbuster “Aquaman” (2018). E se trata de um retorno com vingança, extremamente autoral e divisivo (pra amar ou odiar), mas com um dos finais mais perturbadores e inesperados do ano. No circuito limitado, o grande destaque é o documentário “A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi, vencedor do prêmio do público do Festival de Berlim. Escrito por Bolognesi em parceria com o xamã Davi Kopenawa, o filme mostra a luta dos yanomamis no Norte da Amazônia contra o avanço criminoso dos garimpeiros sobre suas terras. Atual e urgente, é o segundo documentário do diretor sobre indígenas, após o também premiado “Ex-Pajé” (2018), centrado na aculturação causada pelos evangélicos. Entre os outros longas (incluindo mais três brasileiros) que disputam espaço na programação restrita (a pouquíssimas salas e sessões) das maiores cidades, as dicas para os cinéfilos são “Suk Suk”, drama de Hong Kong sobre um casal gay de meia idade, que venceu 17 prêmios internacionais, e “De Volta para Casa”, do pioneiro do cinema asiático-americano Wayne Wang, na ativa desde 1975. Autor de filmes cultuados como “Chan Sumiu” (1982) e “O Clube da Felicidade e da Sorte” (1993), desta vez ele filma um coreano americanizado, profissional de Wall Street, ao voltar à cidade natal para cuidar da mãe doente, que lhe ensina receitas tradicionais e lições de vida à beira da morte. Veja abaixo os trailers de todos os filmes que estreiam nos cinemas neste fim de semana. Maligno | EUA | Terror Patrulha Canina – O Filme | EUA | Animação O Bom Doutor | França | Comédia Cidadãos do Mundo | Itália | Comédia Suk Suk – Um Amor em Segredo | Hong Kong | Drama De Volta para Casa | EUA, Coreia do Sul | Drama Um Casal Inseparável | Brasil | Drama Por que Você Não Chora? | Brasil | Drama Danças Negras | Brasil | Documentário A Última Floresta | Brasil | Documentário
A Mão de Deus: Teaser apresenta novo filme de Paolo Sorrentino
A Netflix divulgou o pôster e o teaser de “A Mão de Deus”, novo filme do cineasta italiano Paolo Sorrentino, que venceu o Oscar de Melhor Filme Internacional por “A Grande Beleza” (2013). Como demonstra o vídeo, a produção se passa em Nápoles, na Itália, e reflete o período da juventude do diretor, mais especificamente o ano de 1986, quando Diego Maradona eletrizou a cidade como jogador do Napoli e se tornou campeão mundial pela seleção argentina. Foi durante a Copa do Mundo de 1986 que o craque do time local marcou o gol que batiza o longa, usando a “mão de deus” (dele próprio, o deus Maradona) para vencer a Inglaterra. Numa entrevista à Variety em 2015, Sorrentino revelou que ser fã de Maradona salvou sua vida naquele ano. Literalmente. “Perdi os meus pais quando tinha 16 anos num acidente com o sistema de aquecimento numa casa nas montanhas onde sempre costumávamos ir. Naquele fim de semana, não fui porque queria assistir a Maradona num jogo do Nápoli com o Empoli. E essa decisão salvou minha vida. ” A sinopse oficial diz que o filme segue Fabietto Schisa, um adolescente italiano cuja vida e família excêntrica são subitamente perturbadas – primeiro pela chegada eletrizante da lenda do futebol Diego Maradona e depois por um acidente chocante do qual Maradona inadvertidamente salva Fabietto, impulsionando seu futuro. “Sorrentino retorna à sua cidade natal para contar sua história mais pessoal, uma história de destino e família, esportes e cinema, amor e perda”, conclui o texto. O elenco de “A Mão de Deus” destaca Filippo Scotti (“Luna Nera”) como o jovem protagonista, além do grande parceiro dos filmes de Sorrentino, o veterano Toni Servillo (“A Grande Beleza”), sem esquecer de Renato Carpentieri (“Rosa e Momo”), Luisa Ranieri (“Cartas para Julieta”), Teresa Saponangelo (“O que Mais Posso Querer”), Marlon Joubert (“Romulus”), Massimiliano Gallo (“Pinóquio”) e Alessandro Bressanello (“007 Contra Spectre”). O filme terá première mundial em 2 de setembro, no segundo dia do Festival de Veneza, e a expectativa de lançamento em streaming é para o dia 15 de dezembro.
“Aquaman 2” será inspirado no cult italiano “Planeta dos Vampiros”
O diretor James Wan revelou que a continuação de “Aquaman”, atualmente em produção, será “pesadamente inspirado” em um cult do cinema fantástico italiano dos anos 1960: “Planeta dos Vampiros”. O longa dirigido pelo mestre do terror italiano Mario Bava em 1965 mostrava o contato de uma tripulação espacial com criaturas alienígenas num planeta inexplorado. Considerado uma das maiores influências do primeiro “Alien” (de 1979), o filme original foi estrelado por uma atriz brasileira, ninguém menos que a diva Norma Bengell. Ao mencionar esta referência durante uma entrevista à revista Total Film, Wan brincou: “Você pode tirar o garoto do horror, mas não o horror do garoto”. Vale lembrar que Wan já tinha conseguido incluir um pouco de sua estética de horror (ele criou as franquias “Invocação do Mal”, “Sobrenatural” e “Jogos Mortais”) no primeiro “Aquaman” (2018), quando explorou as criaturas do Fosso (Trench). Ele explicou que agora terá mais liberdade para explorar o gênero, graças ao sucesso do primeiro filme. “O primeiro filme surpreendeu muita gente, certo? E isso foi porque eles não eram familiarizados com os quadrinhos, que lidam com esse mundo sinistro e estranho. Mas eu senti que não seria o certo ser mais sombrio naquele momento. Então, com o segundo filme, acho que será mais fácil que o público aceite para onde estamos indo, pois já estabeleci os alicerces”, disse Wan. Além de trazer Jason Momoa de volta como o herói-título, a continuação, batizada em inglês de “Aquaman and the Lost Kingdom”, também contará com os retornos Amber Heard como Mera, Patrick Wilson como Mestre do Oceano, Yahya Abdul-Mateen II como Arraia Negra e Temuera Morrison como Tom Curry, o pai de Aquaman. Outro retorno confirmado é do roteirista David Leslie Johnson-McGoldrick, que ajudou a escrever o primeiro “Aquaman” e também colaborou com James Wan na criação de “Invocação do Mal 2”. A estreia está marcada para 16 de dezembro de 2022. Veja abaixo o trailer comentado de “Planeta dos Vampiros” para absorver melhor a referência. Quem comenta é ninguém menos que o cineasta Joe Dante (“Gremlins”, “Grito de Horror”), com muitas informações sobre a produção e seu impacto no cinema – apesar de se equivocar ao mencionar a nacionalidade do elenco (não eram “atores portugueses”, mas a estrela carioca de “Noite Vazia” e do filme vencedor da Palma de Ouro “O Pagador de Promessas”)
“Um Lugar Silencioso – Parte II” ocupa 85% dos cinemas nesta quinta
Quatro filmes chegam aos cinemas nesta quinta (22/7). Mas para o público casual pode parecer que há apenas uma estreia, porque a exibição de “Um Lugar Silencioso – Parte II” toma conta de 85% das telas disponíveis. Trata-se de domínio de mercado superior ao demonstrado por “Viúva Negra”, que apesar de liderar as bilheterias há duas semanas será despejado de várias salas para dar lugar ao terror. A continuação do filme de 2018 desembarca no Brasil quase dois meses após ser exibida com sucesso nos EUA, quando iniciou a lenta retomada do mercado cinematográfico. Na época, quebrou vários recordes da pandemia, posteriormente superados por “Velozes e Furiosos 9” e “Viúva Negra”. Foi também recebido de braços abertos por críticos ansiosos por uma boa estreia, atingindo 91% de aprovação no Rotten Tomatoes. Um exagero compreensível diante da falta de opções. Mas o filme é inferior ao primeiro. John Krasinski, que volta à direção, chega a repetir o mesmo truque de edição várias vezes para apresentar ações simultâneas, numa abordagem de Hitchcock para iniciantes. A trama revela o destino da esposa (Emily Blunt) do personagem de Krasinski (falecido no primeiro filme) e seus filhos, que agora incluem um bebê, em fuga das criaturas que reagem ao menor barulho com força extrema. Em sua jornada, a família acaba cruzando com novos personagens, entre eles os vividos por Cillian Murphy (“Peaky Blinders”) e Djimon Hounsou (“Capitã Marvel”), em busca de refúgio. Mas o desfecho é menos satisfatório, provavelmente levando em conta os planos para entender a franquia em mais filmes. Os lançamentos do circuito limitado são dois dramas europeus e uma produção nacional, todos premiados. “Slalom – Até o Limite” aborda o tema polêmico do abuso e assédio de menor em esporte olímpico. Ainda que esquiadores disputem os Jogos de Inverno, a presença das Olimpíadas no noticiário deixa a produção francesa em evidência. E até lembra casos que aconteceram com ginastas brasileiras – em 2018, 40 atletas acusaram o ex-técnico da seleção brasileira de abuso sexual. Baseado em experiências da própria diretora Charlène Favier, que foi atleta antes de estrear no cinema, o longa foi selecionado para o cancelado Festival de Cannes do ano passado e premiado no Festival de Deauville. “Irmãos à Italiana” é o título esquisito de “Padrenostro” no Brasil. O longa do italiano Claudio Noce rendeu a Copa Volpi de Melhor Ator no Festival de Veneza passado para Pierfrancesco Favino, o Padrenostro, pai do menino protagonista do filme. Além da atuação, a fotografia também é notável, ao retratar a vida reclusa no campo de uma família alvo de atentados nos anos 1970. O foco da trama, porém, é a amizade repentina do filho com outro garoto que surge do nada, e que pode ser real, imaginário, amigo de verdade ou mal-intencionado. A programação se completa com “Música para Quando as Luzes se Apagam”. Filmado há quatro anos no Rio Grande do Sul, o longa foi premiado nos festivais do Rio, Brasília, Sheffield (Inglaterra) e Nyon (Suiça). Até hoje único longa dirigido por Ismael Caneppele (também ator, escritor e roteirista de “Os Famosos e os Duendes da Morte” e “Verlust”), apresenta-se como um híbrido documental sobre a vida de uma jovem real de Lageado, que se abre em reflexões identitárias para uma artista famosa (Julia Lemertz), quando esta chega ao local para produzir uma obra. Apesar da premissa, a filmagem foi toda à base de improvisos para câmeras ligadas o tempo inteiro, resultando num trabalho experimental que ganhou coesão na montagem. Veja abaixo os trailers de todas as estreias desta quinta nos cinemas. Um Lugar Silencioso – Parte II | EUA | Terror Slalom – Até o limite | França, Bélgica | Drama Irmãos à Italiana | Itália | Drama Música para Quando as Luzes se Apagam | Brasil | Drama
Libero de Rienzo (1978–2021)
O ator italiano Libero de Rienzo morreu na sexta-feira (16/7) aos 44 anos, após sofrer um ataque cardíaco em sua residência na cidade de Roma. Ele virou ator seguindo os passos do pai, Fiore De Rienzo, que teve uma trajetória curta na TV, mas trabalhou nos bastidores de vários filmes entre os anos 1970 e 1980. Depois de estrear num telefilme de 1998, rapidamente começou a se destacar no cinema, em filmes como “Para Minha Irmã” (2001), da polêmica Catherine Breillat, e na comédia “Santa Maradona” (2002), de Marco Ponti, que lhe rendeu o primeiro prêmio de sua carreira, o David di Donatello de Melhor Ator Coadjuvante. De Rienzo foi indicado mais duas vezes ao “Oscar italiano”, pelo drama “Fortapàsc” (2009), de Marco Risi, em que interpretou o jornalista napolitano Giancarlo Siani, assassinado pela Camorra em setembro de 1985, e por um papel coadjuvante na comédia “Paro Quando Quero” (2014). Entre seus últimos trabalhos estão a comédia “Amigos Para Sempre” (2018), de Antonello Grimaldi, e o drama “Dois Papas” (2019), dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles. Além de atuar, ele também escreveu, dirigiu e editou um longa-metragem: “Sangue: La Morte Non Esiste”, que venceu o Festival de Brooklyn, nos EUA, em 2006. O ministro da Cultura da Itália, Dario Franceschini, lamentou sua morte nas redes sociais. “A notícia da morte repentina de Libero De Rienzo é terrível e nos deixa todos sem palavras. Perdemos um jovem talento, um protagonista do cinema italiano que já tinha visto sua arte ser reconhecida com vitória no David di Donatello. O mundo da cultura italiana abraça sua família, seus filhos pequenos, sua esposa e todas as pessoas que o amavam, estimavam e apreciavam com carinho e condolências”. O ator era casado com a figurinista e designer de produção Marcella Mosca, com quem trabalhou pela primeira vez num de seus últimos filmes, a sci-fi “Fortuna” (2020), e deixa dois filhos de 6 e 2 anos de idade.
Milva (1939–2021)
A cantora e atriz italiana Milva, que foi a mais famosa intérprete da canção “Bella Ciao”, morreu na última sexta (23/4) aos 81 anos, após muitos anos doente, segundo contou a filha Martina Corgnati, com quem vivia em Milão. Apelidada de “Pantera de Goro”, em referência à sua cidade natal, e de “A Vermelha”, por causa de seus cabelos ruivos, Milva estourou ao lançar “Bella Ciao” em 1965. De autoria desconhecida, a música original existia desde o século 19 e virou símbolo da resistência da Itália durante a 2ª Guerra Mundial. Com Milva, a canção se fortaleceu como tornou hino de liberdade e de luta contra o fascismo. Mais recentemente, a música voltou aos holofotes por integrar a trilha sonora da série “La Casa de Papel”, da Netflix. Milva lançou muitas outras canções de sucesso entre os anos 1960 e 1970, e chegou a participar de 15 edições do Festival de Sanremo da Canção, principal concurso musical da Itália, conquistando um 2º lugar em 1962. No mesmo ano, ela estreou no cinema, atuando como coadjuvante em “A Beleza de Hipólita”, de Giancarlo Zagni, ao lado de Gina Lollobrigida. Ao todo, Milva apareceu em 9 filmes até os anos 1990, trabalhando com diretores como o francês Jacques Rouffio e o polonês Krzysztof Zanussi, além de atuar em cerca de 40 peças entre 1964 e 2009. Mas apesar do extenso trabalho como atriz, sempre foi considerada uma cantora pelo público italiano. O presidente da Itália, Sergio Mattarella, afirmou que Milva foi uma “protagonista da música italiana”. “Uma intérprete culta, sensível e versátil, muito apreciada na Itália e no exterior. Expresso meu sentimento de condolências à família”, ele escreveu em seu Twitter. Já o ministro da Cultura, Dario Franceschini, disse que Milva foi uma das cantoras “mais intensas” da história do país. “Sua voz suscitou profundas emoções em gerações inteiras. Uma grande italiana, uma artista que, começando de sua terra amada, alcançou os palcos internacionais, tornando seu sucesso global e levando ao alto o nome de seu país”, salientou.
Roberto Benigni será homenageado pelo Festival de Veneza
Os organizadores do Festival de Veneza anunciaram nesta quinta-feira (15/4) que a 78ª edição do evento prestará uma homenagem ao ator italiano Roberto Benigni, que receberá um Leão de Ouro especial por sua carreira. “Meu coração está repleto de alegria e gratidão. É uma honra imensa receber um reconhecimento tão importante ao meu trabalho”, disse Benigni, em comunicado. O ator de 68 anos já estrelou mais de 30 longas em sua carreira, dentre eles o célebre “A Vida É Bela”, que ele também dirigiu e lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator e Melhor Filme em Língua Estrangeira em 1999. No longa, Benigni viveu um pai judeu que usava sua imaginação para proteger seu filho dos horrores de um campo de concentração nazista. Seu trabalho mais recente foi como Gepeto na versão live-action de “Pinóquio”, dirigida por Matteo Garrone em 2019. O Festival de Veneza 2021 vai acontecer entre os dias 1 e 11 de setembro na cidade italiana que lhe dá nome.
Filmes online: Tom & Jerry garante diversão no feriadão
A programação do feriadão da Páscoa traz muitas estreias online para as crianças – e suas famílias. O Top 10 semanal separou cinco opções infantis, com destaque para o primeiro filme live-action de “Tom & Jerry”. A produção tem formato híbrido, em que os protagonistas continuam animados e do jeito que os fãs lembram, apesar de contracenarem com atores de carne e osso. O resultado é bem diferente do live-action do “Scooby Doo”, para citar outro desenho clássico que ganhou adaptação da Warner. Enquanto o cachorro da Hanna-Barbera se materializou no cinema com visual realista criado por computação gráfica, desta vez os personagens da MGM quase não mudaram, preservando a aparência de seus antigos desenhos bidimensionais. Embora a combinação de cartum e atores pareça retrô, a opção não aliena os fãs dos cartoons originais, chegando a incorporar a física surreal dos desenhos, como portas que mudam de lugar e quedas quilométricas que não matam. Tudo isso se torna ainda mais divertido diante da reação humana ao caos. Na trama, Tom e Jerry decidem se separar amigavelmente após décadas de brigas. Mas quando o rato apronta na despedida e resolve se mudar para um hotel de luxo de Nova York, o gato tem prazer em renovar sua rixa ao ser contratado para exterminá-lo. O elenco humano destaca Chloë Grace Moretz (“Suspiria”) como a funcionária do hotel encarregada de se livrar do rato e que acredita que Tom é a solução para seus problemas – aparentemente, ela nunca viu o desenho! Um dos maiores sucessos dos cinemas durante a pandemia, “Tom & Jerry – O Filme” atingiu nota A- do público, registrada no Cinemascore (uma pesquisa feita na saída dos cinemas dos EUA). Mas vale avisar que a reação da crítica americana ao filme foi muito negativa. O híbrido de animação e live-action, dirigido pelo veterano Tim Story (“Quarteto Fantástico”), recebeu apenas 25% de aprovação na média do Rotten Tomatoes. No Brasil, o longa foi lançado com uma campanha equivocada da Warner que sugeria que Ratinho dublava Jerry, embora o gato e o rato não falem na produção. Muita gente acreditou que Ratinho participava do filme, o que rendeu iniciativas de boicote devido às opiniões polêmicas do apresentador do SBT. Podem ver tranquilos em casa que não tem defesa de golpe militar em “Tom & Jerry – O Filme”. Confira abaixo a relação completa e os trailers das 10 melhores opções selecionadas entre os lançamentos em streaming desta semana. Tom & Jerry – O Filme | EUA | 2021 (Apple TV, Google Play, Looke, Now, SKY Play, Vivo Play, YouTube Filmes) Sonhos S.A. | Dinamarca | 2020 (Apple TV, Looke, Now) As Fantasias de Lucas | México | 2019 (Disney Plus) A Distância que Nos Une | Itália | 2020 (Apple TV, Google Play, Looke, Now, Vivo Play, YouTube Filmes) Alma de Cowboy | EUA | 2020 (Netflix) A Despedida | EUA, Reino Unido | 2019 (Apple TV, Google Play, NOW, Vivo Play, YouTube Filmes) Laços de Amor | Espanha, Reino Unido | 2017 (Apple TV, Looke, Now) Fuja | EUA | 2020 (Netflix) Os Segredos de Madame Claude | França | 2021 (Netflix) O Último Cruzeiro | EUA | 2021 (HBO Go)
Giuseppe Rotunno (1923 – 2021)
Giuseppe Rotunno, o diretor de fotografia que deu imagens para alguns dos filmes mais importantes de Luchino Visconti e os mais delirantes de Federico Fellini, morreu em sua casa em Roma, no domingo (7/2), aos 97 anos. Rottuno começou sua carreira como fotógrafo antes de ser convocado a servir como cinegrafista no exército italiano. Ele virou operador de câmera durante a 2ª Guerra Mundial, estreando no cinema num filme do mestre do neorealismo Roberto Rossellini, “O Homem da Cruz”, em 1943. Ele também operou a câmera dos clássicos “Umberto D.” (1952), de Vittorio de Sica, e “Sedução da Carne” (1954), de Luchino Visconti, antes de estrear como diretor de fotografia na comédia de Dino Risi “Pão, Amor e…” (1955), estrelada por Sophia Loren. A carreira de cinegrafista o levou a novas parcerias com Visconti, em “Noites Brancas” (1957), nas antologias “Boccaccio ’70” (1962) e “As Bruxas” (1967) e nos célebres “Rocco e Seus Irmãos” (1960), “O Leopardo” (1963) e “O Estrangeiro” (1967). Filmou ainda os clássicos “A Grande Guerra” (1959) e “Os Companheiros” (1963), de Mario Monicelli, “Ontem, Hoje e Amanhã” (1963) e “Os Girassóis da Rússia” (1970), de Vittorio de Sica, e “Amor e Anarquia” (1973) e “Dois Perdidos numa Noite de Chuva (1978), de Lina Wertmüller, entre dezenas de outros filmes obrigatórios do cinema italiano. A força de suas imagens lhe abriu as portas em Hollywood, com trabalhos em “A Maja Desnuda” (1958), de Henry Koster, “A Hora Final” (1959), de Stanley Kramer, “Candy” (1968), de Christian Marquand, “Ânsia de Amar” (1971), de Mike Nichols, e “O Homem de la Mancha” (1972), de Arthur Hiller, o que fez com que se tornasse o primeiro membro estrangeiro admitido na American Society of Cinematographers (ASC), o Sindicato dos Diretores de Fotografia dos EUA. A ligação indissolúvel com o cinema de Fellini começou em 1969 com o filme que transformou o nome do diretor em adjetivo, “Satyricon” (1969), marco da estética “felliniana”. Foram sete parcerias ao todo, abrangendo ainda “Roma” (1972), “Amarcord” (1973), “Casanova” (1976), “Ensaio de Orquestra” (1978), “Cidade das Mulheres” (1980) e “E La Nave Va” (1983), que lhe rendeu o prêmio David di Donatello (o Oscar italiano). Em 1979, ele filmou “O Show Deve Continuar”, musical de Bob Fosse que venceu a Palma de Ouro em Cannes e foi indicado a nove Oscars, incluindo Melhor Fotografia. Foi o único reconhecimento da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA ao seu trabalho. Hollywood bateu em peso em sua porta e ele passou os anos seguintes, até meados dos 1990, trabalhando com cineastas como Alan J. Pakula, Fred Zinnemann, Richard Fleischer, Robert Altman, Mike Nichols, Sydney Pollack e Terry Gilliam. Entre suas obras americanas mais famosas incluem-se a adaptação de “Popeye” (1980), de Altman, e a fantasia “As Aventuras do Barão de Munchausen”, de Gilliam. Ao final da carreira, ele voltou para a Itália, onde fotografou seu primeiro terror italiano, “Síndrome Mortal” (1996), de Dario Argento, encerrando a carreira em 1997 com um documentário sobre o amigo que muitas vezes filmou, Marcello Mastroianni. Mesmo após deixar os sets, ele continuou envolvido com as câmeras de cinema, ao ministrar um curso de Direção de Fotografia na Escola Nacional de Cinema da Itália.











