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  • Filme

    Varda por Agnès é filme-testamento de uma artista imensa

    18 de maio de 2019 /

    Agnès Varda (1928-2019) foi uma das maiores diretoras do cinema, em toda a sua história de mais de 120 anos. Considerada precursora da nouvelle vague, pelo filme “Le Pointe Courte”, em 1954, participou desse período muito especial do cinema francês, que deixou frutos permanentes até hoje, ao lado de seu marido Jacques Demy (1931-1990), François Truffaut (1932-1984), Jean-Luc Godard (nascido em 1930), Alain Resnais (1922-2014), Eric Rohmer (1920-2010), Jacques Rivette (1928-2016), Claude Chabrol (1930-2010), Louis Malle (1932-1995) e outros. Como se vê, um time de peso, que tem nessa mulher feminista, preocupada com as causas sociais, um de seus maiores destaques, como cineasta e multiartista. Ela realizou seu último filme, este “Varda por Agnès”, pouco antes de falecer, aos 90 anos. Está sendo lançado agora, postumamente. Quando um cineasta importante morre, costumamos buscar na sua obra, sobretudo nas produções finais, um filme-testamento, aquele que serviria de síntese ou deixasse a marca definitiva de seu trabalho. No caso de Varda, ela mesma se encarregou de fazer seu testamento artístico, por meio de um balanço pessoal de seu legado cinematográfico, ao abordar seus filmes que obtiveram maior destaque, já que sua obra é grande demais para ser toda lembrada. Foram 64 anos de dedicação ao cinema. Em “Varda por Agnès”, ela expõe os três pilares do seu fazer cinematográfico: a inspiração, a criação e o compartilhar. E comenta o início de sua trajetória com “Le Pointe Courte”, fala de “Cleo das 5 às 7” (1962), que se detém em duas horas de perambulação de uma mulher jovem por Paris, enquanto aguarda o resultado de um exame para saber se tem ou não câncer. Passa por “As Duas Faces da Felicidade” (Le Bonheur, 1965), que mexeu com os valores da época de forma suave mas firme, ao questionar a possibilidade de amor simultâneo por duas pessoas. Comenta os trabalhos dedicados a Demy, o grande amor de sua vida, com quem viveu de 1962 até sua morte, em 1990. “Jacquot de Nantes” (1990) trata das recordações de infância e “O Universo de Jacques Demy” (1993), da obra dele, que ela trabalhou bastante para restaurar e preservar. Trata também do belo filme de ficção que fez em 1985, “Os Rejeitados” ou “Sem Teto Nem Lei”, de “Jane B. por Agnès” (1987), dos magníficos documentários “Os Catadores e Eu” (2002), “As Praias de Agnès” (2008) e “Visages Villages” (2017), de outros trabalhos na fotografia, nas artes plásticas, com instalações muito criativas, inclusive uma casa feita de películas de filmes. Enfim, ela expõe com simplicidade e consciência do que fez, uma obra artística monumental. Não por acaso, ela recebeu, em 2015, a Palma de Ouro honorária do Festival de Cannes e também o Oscar honorário, em 2017, ambas premiações pelo conjunto da obra. Agnès Varda deixa um grande legado para a história do cinema, que merece ser visto e revisto, concluído por esse trabalho-testamento, que chega em boa hora aos nossos cinemas. “Varda por Agnès” é um filme obrigatório para quem gosta de cinema e para quem quer conhecer mais dessa senhora cineasta, pequena no tamanho, imensa na arte.

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  • Etc,  Filme

    Jean-Claude Brisseau (1944 – 2019)

    18 de maio de 2019 /

    Morreu no último sábado (11/5) o cineasta Jean-Claude Brisseau, um dos cineastas mais controvertidos da França, adorado pelos cinéfilos, odiado pelas feministas. Ele faleceu num hospital em Paris, aos 74 anos, depois de uma doença que se estendeu por muitos anos. Brisseau surgiu em cena logo depois da nouvelle vague, lançando seu filme de estreia “La Croisée des Chemins” em 1976. Era um filme amador, em que ele fez praticamente tudo sozinho, mas acabou sendo exibido num festival e visto pelo cineasta Eric Rohmer, que o encorajou e o ajudou a entrar no cinema “comercial”. Mas Brusseau nunca foi, realmente, comercial. Desde “Um Jogo Brutal” (1983), seu cinema se caracteriza por cenas sexuais fortes. Foram quatro décadas de filmes marcados por sexualidade e muita nudez feminina. E, ao mesmo tempo, referências de alta cultura – ele era professor – , que conseguiam deixar os cinéfilos mais excitados que os nus frontais. A crítica começou a prestar atenção em sua filmografia a partir de “Do Som e da Fúria” (1988), que venceu o Prêmio Especial da Juventude do Festival de Cannes. A obra do cineasta também foi fundo no misticismo, principalmente em “Céline” (1992), uma das raras tentativas de se filmar uma santa “moderna”. Mas toda a riqueza de elementos de seus filmes acabou subestimada, após o erotismo assumir o primeiro plano nos anos 2000, durante sua trilogia sobre o prazer feminino, composta por “Coisas Secretas” (2002), “Os Anjos Exterminadores” (2006) e “A Aventura” (2008). São filmes de sexo, sexo em dobro e sexo no plural, mas também sobre metafísica e cultura. Vale observar que “Coisas Secretas” venceu um prêmio “Cultural” em Cannes. Mesmo assim, quase acabou com a carreira do diretor. Algumas atrizes o acusaram de assédio durante o casting da produção e Brisseau foi condenado a um ano de prisão e ao pagamento de uma indemnização. Isso não mudou sua determinação de filmar sexo. Após fechar sua trilogia, Brisseau lançou “A Garota de Lugar Nenhum” (2012), com o qual venceu o prêmio mais importante de sua carreira: Melhor Filme do Festival de Locarno. Na obra, ele próprio assumiu o papel principal, às voltas, claro, com uma bela mulher e suas fantasias sexuais – e metafísica e cultura. No final da vida, ele virou alvo do movimento #MeToo francês, a ponto de uma retrospectiva da sua obra na Cinemateca Francesa precisar ser cancelada por pressão “popular”. O cineasta ainda lançou “Que le Diable Nous Emporte” no ano passado, filmado em seu próprio apartamento em Paris – como já tinha feito no longa anterior – para fugir dos protestos. O filme terminava com uma gargalhada feminina. Segundo ele, inspirada nas gargalhadas mais violentas da história do cinema.

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  • Filme

    Amanda reflete perda e inconformidade com o mundo atual

    4 de maio de 2019 /

    Amanda é o nome de uma garota de 7 anos de idade (Isaure Multrier), que terá de encarar uma mudança muito grande de vida, já tão cedo. Elaborar uma grande perda, realizar novas adaptações e reconstruir a existência é algo exigente demais para uma criança dessa idade, por mais viva e inteligente que ela seja. Na dimensão do adulto jovem, o filme trabalha a questão da identidade ainda em construção de David (Vincent Lacoste), de 20 anos, que terá de deixar um jeito blasé de lidar com a vida, quando uma exigência incontornável o fará assumir alguma coisa para a qual decididamente não está preparado. Seus modestos trabalhos como podador de árvores e entregador de apartamentos alugados para turistas, enquanto tenta conquistar a bela locadora Lena (Stacy Martin), serão atropelados pelo destino. Destino não é bem a palavra. O que abala sua vida é um atentado terrorista realizado por um atirador numa praça de Paris, sem motivação conhecida. Desses que têm mesmo acontecido por lá e em várias outras partes do mundo. E que de maneira inesperada e violenta atingem a população civil, produzindo o caos na vida das pessoas e na sua comunidade mais próxima. E gerando medo em todos. No entanto, a vida sempre continua e, com os recursos que cada um já tem ou procura adquirir, ela se reorganiza, podendo gerar novas descobertas e impulsionar o crescimento das pessoas. A crise pode realmente produzir novas e surpreendentes situações, que são transformadoras. “Amanda” é um filme de afetos e de drama, com respiros de leveza, apesar do tema dolorido. Sua narrativa é envolvente, realista, surpreendente. Sem pieguismo, sem lições de moral, o que seriam iscas fáceis de serem perseguidas num assunto como esse. O elenco tem um ator extraordinariamente natural e convincente, Vincent Lacoste (de “Primeiro Ano”), a quem acompanhamos o tempo todo, vivendo suas aflições, mas também sua forma simples de se relacionar com os outros, numa interpretação em baixo tom, mas sem peso, até alegre. Entre risonha e envergonhada, eu diria. A menina estreante Isaure Multrier é viva, exuberante, esperta, mas também capaz de nos transmitir a dor e o incômodo que sente nos momentos mais dramáticos do filme. O elenco é complementado por duas atrizes jovens muito expressivas e de interpretações firmes: a mais conhecida Stacy Martin (a “Ninfomaníaca”) e Ophélia Kolb (“A Incrível Jornada de Jacqueline”. Ao vê-las, no auge da juventude, marcadas por momentos trágicos, o sentimento é de inconformidade com o mundo violento em que vivemos. Afinal, o filme de Mikhaël Hers (“Aquele Sentimento do Verão”) fala de hoje e da mítica cidade-luz, farol do mundo.

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  • Filme

    Vidas Duplas empolga com internet, livros, filmes e amantes

    21 de abril de 2019 /

    Os filmes anteriores do diretor francês Olivier Assayas, “Acima das Nuvens” (2014) e “Personal Shopper” (2016), são bastante ambiciosos na forma. Por isso, “Vidas Duplas” (2018) parece um trabalho menor e menos desafiador, semelhante talvez a “Horas de Verão” (2008), outra obra sobre pessoas conversando sobre comportamento, mudanças no cenário político e social e relacionamentos. É como se o cineasta estivesse descansando um pouco enquanto prepara outra obra-prima. Mas engana-se quem subestima “Vidas Duplas”, que encanta não apenas por trazer um elenco muito talentoso, mas por colocar nas bocas de seus personagens falas tão inteligentes e sensíveis que fazem com que eles se materializem em criaturas reais. O que dizer, por exemplo, de Vincent Macaigne, que brilha como o romancista Léonard Spiegel, um homem inseguro que coloca todos os seus dramas e relacionamentos em suas obras literárias? Os momentos em que ele se mostra especialmente deprimido, ao lado do editor vivido por Guillaume Canet, da amante vivida por Juliette Binoche ou da esposa interpretada por Nora Hamzavi, são pontos altos de um filme cheio de pontos altos. As cenas envolvendo Macaigne, uma espécie de coração do filme, tornam-se grandes por serem mais relacionadas a discussões da vida real, de problemas ligados a relacionamentos. Os outros personagens se tornam menos sensíveis por discutirem assuntos do mundo contemporâneo, como o fim ou não do livro de papel, a diminuição do número de leitores de livros, a popularização dos audio-books etc. E o filme faz isso dando nomes aos bois: Facebook, YouTube, Kindle, Twitter. Todo esse filosofar sobre o mercado editorial também vem acompanhado por discussões acerca da natureza autobiográfica da arte e de sua imunidade a essas mudanças. Assayas, que havia trazido à tona um debate bem interessante sobre os blockbusters em “Acima das Nuvens”, mostra-se agora tão entusiasmado com a discussão sobre a revolução trazida pela internet que chega a contagiar. E no debate, há espaço tanto para Adorno quanto para Taylor Swift, para “A Fita Branca” e “Star Wars: O Despertar da Força”. Falando nesses dois filmes, um dos momentos mais engraçados de “Vidas Duplas” envolve sexo oral durante a sessão de um dos filmes e o modo como isso é contado em um romance. Sim, há o cuidado para não cansar o espectador com tanta discussão sobre internet e mercado editorial, já que a ciranda de amores dos personagens se tornam tão ou mais importantes do que o debate. Quase todos no filme têm um(a) amante e isso é outra coisa que diverte: a cumplicidade do público com os personagens. Ao final, a sensação de bem-estar faz com que gostemos tanto do filme, de seus personagens tão vivos, de suas discussões tão empolgantes, que o sentimento de gratidão pelo diretor e por todo o elenco se torna inevitável.

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    Alain Delon será homenageado no Festival de Cannes 2019

    17 de abril de 2019 /

    O lendário ator francês Alain Delon vai ser o principal homenageado da edição 2019 do Festival de Cannes. Delon, de 83 anos, vai receber a Palma de Ouro honorária no evento, que acontece entre 14 e 25 de maio na Riviera Francesa. Em comunicado oficial, o Festival de Cannes definiu Delon como “um gigante, uma lenda viva, um ícone global”. “Com seu carisma, seus olhos e sua expressão tensa, Delon definiu um gênero de atuação próprio”, acrescentou o comunicado. Com uma filmografia que se estende por mais de seis décadas de cinema, Delon estrelou obras clássicas como “O Sol Por Testemunha” (1960), “Rocco e Seus Irmãos” (1960), “O Eclipse” (1962), “O Leopardo” (1963) e “O Samurai” (1967). Aparições mais recentes incluem o papel de Júlio Cesar na comédia “Asterix nos Jogos Olímpicos” (2008). Mas ele também foi diretor – dos filmes “Na Pele de Um Tira” (1981) e “Le Battant” (1983) – e roteirista – de “Três Homens Para Matar” (1980) e “Olhos de Tigre” (1985). Entre os homenageados anteriores do festival, incluem-se Jeanne Moreau, Woody Allen, Bernardo Bertolucci, Jane Fonda, Clint Eastwood, Jean-Paul Belmondo, Manoel de Oliveira, Agnès Varda e Jean-Pierre Léaud.

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  • Filme

    Última obra de Agnès Varda será lançada nos cinemas brasileiros em maio

    3 de abril de 2019 /

    O documentário “Varda par Agnès”, última obra da cineasta belga Agnès Varda, falecida na sexta-feira (29/3), ganhou data de estreia nos cinemas brasileiros. Será lançado no dia 2 de maio. No filme, a pioneira do movimento Nouvelle Vague aparece como diretora e personagem, expondo seus processos criativos e revelando sua experiência sobre as filmagens cinematográficas. A obra enfatiza especialmente o que ela denomina de “cinescrita”, método empregado por ela na grande maioria de seus documentários e ficções, nos quais atuou como diretora, cinematógrafa, editora e produtora. A produção foi originalmente concebida como uma minissérie da TV francesa, mas teve sua première mundial no Festival de Berlim, em fevereiro. “Varda par Agnès” foi o último trabalho da cineasta, considerada um dos grandes nomes do cinema francês, autora de obras clássicas como “Cléo das 5 às 7” (1962), “As Duas Faces da Felicidade” (1965) e “Os Renegados” (1985). Em 2017, Varda recebeu um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra e, no ano passado, tornou-se, aos 89 anos, a pessoa mais velha indicada em uma categoria competitiva do Oscar, ao ser indicada ao prêmio de Melhor Documentário por “Visages, Villages”.

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  • Etc,  Filme

    Agnès Varda (1928 – 2019)

    29 de março de 2019 /

    A cineasta Agnès Varda, um dos maiores nomes da nouvelle vague, morreu na madrugada desta sexta (29/3), aos 90 anos, cercada por sua família e amigos, em consequência de um câncer. Feminista, diretora de cinema, artista plástica e também fotógrafa, ela assinou clássicos que ficaram conhecidos por suas ousadias, com estruturas e narrativas originais. “La Pointe-Courte” (1955), seu longa de estreia, por exemplo, tinha narração dupla, enquanto acompanhava histórias distintas de uma vila. Vários críticos citam este trabalho como precursor da nouvelle vague, já que foi lançado antes que seus colegas de geração (François Truffaut, Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Claude Chabrol, Jacques Rivette, Éric Rohmer) filmassem suas obras mais famosas, desprendendo-se das convenções narrativas do cinema. Nascida Arlette Varda em 1928 numa região de Bruxelas, capital da Bélgica, ela estudou fotografia na Escola de Belas Artes de Paris e aos 21 anos desembarcou com a sua câmara fotográfica no Festival de Avignon, o mais antigo festival de artes da França e um dos maiores do mundo, do qual passou a ser a fotógrafa oficial em 1951. Em pouco tempo, passou das imagens estáticas para as de movimento, mas sua experiência fotográfica a acompanhou por toda a carreira. Ao fazer um filme, Varda também assumia a câmera, além do roteiro, edição e produção. Dizia que só assim conseguiria a coesão – e a autoria completa – sobre suas obras. Em 1954, criou sua produtora, a Ciné-Tamaris, por onde lançou “La Pointe-Courte”, que a tornou conhecida como “mãe” ou “madrinha” da nouvelle vague. Mas seu filme mais conhecido viria no auge do movimento, em 1962. Seu segundo longa, “Cléo das 5 às 7”, imprimiu um viés feminista ao cinema. A trama acompanhava a personagem-título por duas angustiantes horas pelas ruas de Paris, enquanto aguardava o resultado de um exame de câncer. Foi considerado o Melhor Filme do ano pelo sindicato dos críticos franceses. Seu terceiro lançamento, “As Duas Faces da Felicidade” (1965), vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim, focava a hipocrisia masculina, mostrando uma família que seria perfeita, não fosse o patriarca um homem infiel, apesar de feliz no casamento. Depois de dirigir Catherine Deneuve em “As Criaturas” (1966), Varda e o marido, o também cineasta Jacques Demy, mudaram-se para Los Angeles, onde ela mergulhou “no espírito de revolta” da contracultura e se reinventou como documentarista. Querendo registrar o período, filmou diversos curtas sobre tópicos quentes, como os Panteras Negras, a revolução cubana, a guerra do Vietnã e o próprio feminismo. Só foi voltar à ficção em 1977, com “Uma Canta, a Outra Não”, história de duas amigas ao longo de uma década de reivindicações femininas. Mesmo assim, passou a se alternar-se entre registros de tudo o que lhe chamava atenção, como os murais grafitados das ruas de Los Angeles (o documentário “Mur, Murs”, 1981), e trabalhos em que se expressava por meio de atores, como o drama de uma jovem encontrada morta numa vala. Este foi o tema de “Os Renegados” (1985), estrelado por Sandrine Bonnaire, que venceu o Leão de Ouro como Melhor Filme do Festival de Veneza. Essa dualidade a permitiu filmar duas vezes a atriz Jane Birkin de forma completamente diferente no mesmo ano, como personagem no polêmico “Le Petit Amour” (1988), que flertava com a pedofilia, e como pessoa real no documentário “Jane B. por Agnès V.” (1988). A morte do marido em 1990 inspirou um de filmes seus mais belos, “Jacquot de Nantes” (1991), baseado na infância e juventude de Jacques Demy, em que transbordava amor. Também fez um documentário tocante sobre a carreira do diretor, “The World of Jacques Demy” (1995). Mas não foi tão feliz ao tentar contar as memórias do próprio cinema em “As Cento e uma Noites” (1995), um híbrido de ficção e documentário que a levou a se afastar de vez dos atores. A partir daí, só filmou pessoas reais, como os trabalhadores rurais e catadores de lixo em “Os Catadores e Eu” (2000), sempre inserindo-se no contexto, como ficava explícito pelos títulos. Ao abandonar os atores, passou a dar mais atenção à fotografia. Na verdade, ao aspecto mais artístico das imagens. “Se vocês prestarem atenção, minha carreira se divide em duas partes, a do século 20 e a do 21. Na primeira sou mais cineasta; na segunda, artista plástica”, explicou, no último Festival de Berlim. Em “As Praias de Agnès” (2008), começou a cuidar de seu legado, revendo cenas e lugares de sua vida – e, de quebra, conquistando uma porção de prêmios em diversos festivais, justamente pela plasticidade com que descreveu sua jornada. Em 2017, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos lhe rendeu homenagem com um Oscar honorário pelo conjunto de sua obra. “Musa Pioneira. Ícone. Uma mulher que lançou um movimento de cinema”, assim a apresentou o presidente da Academia, John Bailey, quando Varda se tornou a primeira mulher cineasta a ter a carreira reconhecida pelo Oscar. Mas, incansável, ela ainda voltou à premiação em 2018, quando concorreu ao Oscar de Melhor Documentário por “Visages, Villages”, tornando-se, aos 89 anos, a pessoa mais velha a ser indicada em uma categoria competitiva do principal troféu da indústria cinematográfica. Seu último trabalho como diretora foi uma minissérie biográfica, “Varda par Agnès – Causerie”, que após a première no Festival de Berlim no mês passado, foi exibida há 11 dias na França. A obra se encerra com um borrão branco, em forma de névoa, que engole a cena em que Agnès Varda contempla uma praia. Ela se preocupou até em deslocar os créditos de encerramento para outro lugar, de forma a não terminar seu último filme com uma tela preta, representando a escuridão, mas sim com a mais completa claridade. “Preciso me preparar para dizer adeus e achar a paz necessária para isso”, ela disse em sua última entrevista coletiva, no Festival de Berlim, 46 dias antes de morrer. Na tarde desta sexta-feira, ela ainda inauguraria uma exposição de fotografias e instalações de arte em Chaumont-sur-Loire, que será aberta sem ela.

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  • Filme

    Cardeal denunciado no novo filme de François Ozon é condenado por acobertar abusos da Igreja na França

    7 de março de 2019 /

    O cardeal Philippe Barbarin, um dos padres católicos abordados no filme “Grâce à Dieu”, de François Ozon, vencedor do Urso de Prata no recente Festival de Berlim, foi considerado culpado de encobrir o abuso sexual de crianças pela justiça francesa nesta quinta-feira (7/3), durante julgamento realizado na cidade de Lyon. Ele foi condenado a seis meses de prisão, mas a sentença foi convertida em condicional – ele se mantém em liberdade se não violar a lei. Barbarin anunciou que renunciaria à igreja após ser condenado por acobertar os casos de abuso sexual praticados por padres na França, em particular o caso do padre Bernard Preynat, que é alvo do filme de Ozon. Preynat foi à justiça para tentar impedir o lançamento de “Grâce à Dieu”, alegando que o filme era o linchamento público de alguém que não tinha sido condenado pela justiça. O caso dele também irá a julgamento, em data ainda não definida. Os advogados de Barbarin também acusaram o filme de ter responsabilidade pela condenação de seu cliente, dizendo que Ozon influenciou os juízes. “Foi difícil para o tribunal resistir à pressão com um filme”, ​​disse o advogado Jean-Felix Luciani. “Isso coloca questões reais sobre o respeito pela justiça.” Em entrevista ao jornal Le Parisien, Ozon elogiou a decisão. “Esta é simbolicamente uma decisão muito importante para todas as vítimas de abuso sexual, o que permitirá uma maior liberdade de expressão”, disse o diretor. “A justiça não precisou do meu filme para dar seu veredito. Os fatos já eram amplamente conhecidos – em artigos, livros, relatos e especialmente nos testemunhos das vítimas”. O filme de Ozon conta a história do nascimento de La Parole Liberee, uma organização dedicada a denunciar os abusos cometidos por padres, e segue três vítimas que se unem para levar a público suas histórias. A forte repercussão do caso, que levou até o Papa Francisco a se pronunciar, fez com que “Grâce à Dieu” se tornasse um sucesso na França, com 500 mil ingressos vendidos desde seu lançamento em 20 de fevereiro – o que é muito para um drama de tema tão pesado.

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  • Filme

    Robert Pattinson canta “música espacial” em clipe de sci-fi francesa

    1 de março de 2019 /

    A página da banda Tindersticks no YouTube publicou o clipe de “WIllow”, música da trilha sonora da ficção científica “High Life”, composta pelo cantor e guitarrista Stuart A. Staples. O vídeo minimalista mostra imagens do espaço e o interior escuro de uma nave, onde se encontram os atores Robert Pattinson (“Bom Comportamento”) e Jessie Ross (“The Frankenstein Chronicles”). E é o ator quem canta a música. Willow é o nome da filha (Ross) de seu personagem, para quem ele entoa a melodia no longa. “High Life” é a primeira sci-fi da cineasta Claire Denis, mas a quinta trilha de sua filmografia criada pelo líder dos Tindersticks. Staples compõe as músicas dos filmes da diretora francesa há 15 anos, desde “O Intruso” (2004). Na trama, prisioneiros condenados à morte trocam suas sentenças por uma missão espacial suicida para colher energia perto de um buraco negro. Paralelamente, a médica da nave realiza uma experiência própria, testando obsessivamente a capacidade da tripulação para se reproduzir no espaço. Não demora e os prisioneiros confinados se rebelam diante de um destino sombrio que alimenta desentendimentos e descamba em violência. O elenco também destaca Mia Goth (“A Cura”), o rapper André Benjamin (“Jimi: Tudo a Meu Favor”), a polonesa Agata Buzek (“Agnus Dei”), o alemão Lars Eidinger (“Personal Shopper”) e a francesa Juliette Binoche (“A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell”), que interpreta a médica sádica. “High Life” teve première no Festival de Toronto, onde atingiu 86% de aprovação na média do Rotten Tomatoes. Premiado pela crítica no Festival de San Sebastian, o filme estreou em novembro na França e chega apenas em 5 de abril aos Estados Unidos. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil.

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  • Filme

    César 2019: Enfrentando a violência de gênero, Custódia vence “Oscar do cinema francês”

    23 de fevereiro de 2019 /

    A Academia Francesa de Cinema consagrou o filme “Custódia”, que aborda a questão da violência de gênero, na premiação do César 2019, o equivalente ao “Oscar do cinema francês”. O longa de Xavier Legrand venceu quatro estatuetas, incluindo Melhor Filme, na cerimônia celebrada na noite de sexta-feira (22/2) em Paris. “Quando rodamos o filme, em 2016, 123 mulheres foram assassinadas pelo companheiro ou ex-companheiro. No decorrer do ano, 25 mulheres foram assassinadas, o que quer dizer que passamos a uma mulher a cada dois dias, enquanto em 2016 era uma a cada três dias”, declarou o diretor do filme, Xavier Legrand. “Custódia” teve sua première mundial no Festival de Veneza de 2017, onde venceu dois prêmios, inclusive Melhor Direção, e foi premiado pela crítica na Mostra de São Paulo daquele ano, antes de ser exibido comercialmente no Brasil – o que ocorreu em julho do ano passado. O longa também entrou na lista dos melhores lançamentos de 2018 da Pipoca Moderna (veja aqui). A estrela do filme, Léa Drucker, venceu o César de Melhor Atriz por seu papel de uma mãe que tenta recompor a vida após a separação do marido violento. Em seu discurso, ela homenageou as mulheres corajosas que a inspiraram, “todas as mulheres, todas as feministas que escrevem, atuam, elevam a voz e defendem diariamente a causa das mulheres, desafiando com frequência insultos e todo tipo de agressividade”. “A violência começa pelas palavras que usamos no dia-a-dia. Pensamos que são banais, mas não nos damos conta de que são o começo de uma ameaça, são o reflexo de uma forma de pensar, de uma ideologia que todos devemos combater”, acrescentou. O cineasta Xavier Legrand ainda venceu o troféu de Roteiro Original – e o quarto troféu de seu filme foi para a Edição. Entretanto, ele perdeu o César de Melhor Direção para Jacques Audiard, premiado pelo western franco-americano “Os Irmãos Sisters”. Já o Melhor Ator foi Alex Lutz, por “Guy”, filme que ele também escreveu e dirigiu. Um dos pontos altos da cerimônia foi uma homenagem ao ator, diretor e produtor Robert Redford, de 82 anos, que recebeu um César honorário por sua carreira. Confira abaixo a lista completa dos vencedores. Melhor Filme: “Custódia”, de Xavier Legrand Melhor Direção: Jacques Audiard (“Os Irmãos Sisters”) Melhor Ator: Alex Lutz (“Guy”) Melhor Atriz: Léa Drucker (“Custódia”) Melhor Ator Coadjuvante: Philippe Katerine (“Le Grand Bain”) Melhor Atriz Coadjuvante: Karin Viard (“Les Chatouilles”) Melhor Revelação Masculina: Dylan Robert (“Shéhérazade”) Melhor Revelação Feminina: Kenza Fortas (“Shéhérazade”) Melhor Roteiro Original: Xavier Legrand (“Custódia”) Melhor Roteiro Adaptado: Andréa Bescond e Eric Métayer (“Les Chatouilles”) Melhor Edição: Yorgos Lamprinos (“Custódia”) Melhor Fotografia: Benoït Debie (“Os Irmãos Sisters”) Melhor Música Original: Vincent Blanchard e Romain Greffe (“Guy”) Melhor Som: Brigitte Taillandier, Valérie de Loof e Cyril Holtz (“Os Irmãos Sisters”) Melhor Direção de Arte: Michel Barthélémy (“Os Irmãos Sisters”) Melhor Figurino: Pierre-Jean Larroque (” Mademoiselle de Joncquières”) Melhor Filme de Estreia: “Shéhérazade”, de Jean-Bernard Marlin Melhor Documentário: “Ni Juge, Ni Soumise”, de Jean Libon e Yves Hinant Melhor Filme de Animação: “Dilili à Paris”, de Michel Ocelt Melhor Filme Estrangeiro: “Assunto de Família”, de Hirokazu Koreeda (Japão) Melhor Curta-Metragem de Ficção: “Les Petites Mains”, de Rémi Allier Melhor Curta-Metragem de Animação: “Villaine Fille”, de Ayce Kartal César do Público: “Les Tuche 3”, de Olivier Baroux César Honorário: Robert Redford

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  • Filme

    Climax vai do sensual ao desagradável em busca de algo diferente

    16 de fevereiro de 2019 /

    Às vezes basta uma cena para que um filme se torne memorável. Mesmo quando esse filme seja cheio de problemas e provoque mais insatisfações do que alegrias. Em “Climax”, de Gaspar Noé, trata-se de uma sucessão de performances solo dos dançarinos e dançarinas, mostrada através de uma câmera que visualiza a ação de cima. Aquilo é tão belo e sensual e a música é tão intensa e envolvente que, por alguns minutos, até parece que estamos vendo um dos melhores filmes do ano. A cena acontece depois que o público começa a conhecer um grupo relativamente grande de dançarinos numa festa de comemoração, apresentados de maneira interessante – e ao mesmo tempo dispersiva – na abertura do filme. É dispersiva principalmente para quem gosta de livros, filmes e estantes. Do lado de uma televisão, há duas prateleiras que completam a tela scope da janela com livros e capas de VHS (o filme se passa nos anos 1990) relacionados a cinema ou a temas ao gosto do diretor: Buñuel, Argento, Fassbinder, Pasolini, Nietzsche, entre outros. E por falar em Buñuel, o fato de as pessoas não poderem sair daquele espaço em que estão lembra um pouco “O Anjo Exterminador” (1962), clássico do mais talentoso dos cineastas espanhóis. Mas esse elemento acaba sendo esquecido ao longo das conversas entre os personagens, muitas delas sobre sexo. Destaque para o papo entre dois homens sobre quais mulheres do grupo eles já transaram e quais desejam transar e como vão fazer. Uma pena que Noé tenha uma obsessão quase infantil de querer chocar a plateia e acaba transformando o que poderia ser impactante do ponto de vista formal, sensual e poético em algo que busca se tornar desagradável, como já é tradicional em sua filmografia – como a cena prolongada de estupro de “Irreversível” (2002). Assim, o terceiro ato do filme tenta emular o estado de perturbação dos personagens, depois de terem sido drogados por uma substância alucinógena, abrindo espaço para cenas de câmeras rodopiantes e algumas cenas de violência gráfica e brutal (não é nada agradável ver uma mulher grávida receber chutes na barriga). Ainda assim, a lembrança que merece ser evocada desta experiência, filmada com um fiapo de roteiro de cinco páginas, participação da atriz Sofia Boutella (“A Múmia”), da porn star Giselle Palmer (“She Likes It Rough”) e muita vontade de fazer algo diferente, é das referidas danças sensuais ao som de um áudio poderoso – a música pulsante é cortesia de Thomas Bangalter, do Daft Punk. De fato, esse filme poderia ser muito mais gostoso se não precisasse contar uma história.

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  • Música

    Michel Legrand (1932 – 2019)

    26 de janeiro de 2019 /

    O compositor francês Michel Legrand, vencedor de três estatuetas do Oscar por suas trilhas sonoras, e que trabalhou com mitos da música como Frank Sinatra, Ray Charles, Miles Davis, Edith Piaf e Elis Regina, faleceu neste sábado (26/1) em Paris aos 86 anos. Sua carreira teve quase 70 anos, marcando tanto a história do jazz quanto a do cinema. Músico e arranjador, Legrand começou a compor música para filmes com o surgimento da Nouvelle Vague francesa, trabalhando para Agnès Varda no clássico “Cléo das 5 às 7” (1962), no qual também estrelou, com Jean-Luc Godard em “Uma Mulher É Uma Mulher” (1961), “Viver a Vida” (1962) e “Bando à Parte” (1964), mas sobretudo com Jacques Demy, para quem quem compôs dois musicais cultuadíssimos, “Os Guarda-Chuvas do Amor” (1964) e “Duas Garotas Românticas” (1967). Com o impacto causado pelos longas de Demy, Legrand chamou atenção do colega Henry Mancini, grande compositor de Hollywood, que lhe convidou a trabalhar em seu primeiro filme americano, assinando a trilha sonora de “Crown, o Magnífico” (1968). E a principal canção do longa, “The Windmills of Your Mind”, rendeu a primeira estatueta do Oscar ao compositor em 1969. Seguiram-se uma coleção de trilhas clássicas, 13 indicações ao Oscar e duas vitórias na Academia, pelas melodias inesquecíveis dos filmes “Houve uma vez um Verão” (1972) e “Yentl” (1984). Mas apesar do sucesso em Hollywood, Legrand não abandonou o cinema francês, trabalhando em obras nos dois continentes, e ainda manteve uma carreira paralela e igualmente premiada na música. Suas composições receberam 17 indicações ao Grammy, vencendo cinco troféus da indústria fonográfica. Entre as muitas trilhas famosas de sua carreira, também merecem citação os trabalhos de “Lola, a Flor Proibida” (1961), “Quem é Polly Maggoo?” (1966), “A Piscina” (1969), “Tempo para Amar, Tempo para Esquecer” (1969), “Mosaico de Sonhos” (1970), “A Garota no Automóvel – Com Óculos e um Rifle” (1970), “As 24 Horas de Le Mans” (1971), “Interlúdio de Amor” (1973), “Os Três Mosqueteiros” (1973), “Verdades e Mentiras” (1973), “Retratos da Vida” (1981), “Amigos Muito Íntimos” (1982), “007 – Nunca Mais Outra Vez” (1983), “Prêt-à-Porter” (1994), “Os Miseráveis” (1995) e o filme recém-resgatado de Orson Welles “O Outro Lado do Vento” (2018). Relembre abaixo seis trabalhos famosos de Legrand no cinema. Na cena de “Cléo das 5 às 7”, é ele quem aparece cantando ao piano.

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  • Filme

    Filha de Johnny Depp é indicada a prêmio no “Oscar francês”

    23 de janeiro de 2019 /

    A Academia do Cinema Francês divulgou os indicados ao César 2019, o “Oscar do cinema francês”, que destacam “Le Grand Bain”, de Gilles Lelouche, e “Custódia”, de Xavier Legrand, como os trabalhos que disputam mais prêmios. O primeiro é uma comédia sobre um grupo de homens de meia idade que formam um time de nado sincronizado, enquanto o segundo trata a separação turbulenta de um casal como um suspense dramático. Ambos conseguiram dez indicações. Entre os destaques da premiação, há uma participação curiosa de Lily-Rose Depp, filha dos atores Johnny Depp e Vanessa Paradis. A curiosidade é que a Academia francesa a considera uma eterna revelação. Um ano após ser indicada como Revelação por “La Danseuse”, Lily-Rose volta a disputar a mesma categoria por “L’Homme Fidèle”, filme dirigido por Louis Garrel. A cerimônia do César 2019 também fará uma homenagem a Robert Redford, célebre ator americano, diretor, produtor e fundador do Festival de Sundance. O evento acontecerá em 22 de fevereiro em Paris. Confira abaixo os indicados da premiação. Melhor Filme “Memórias da Dor” “The Sisters Brothers” “Le Grand Bain” “Guy” “Custódia” “Pupille” Melhor Direção Emmanuel Finkiel, por “Memórias da Dor” Pierre Salvadori, por “En Liberté!” Jacques Audiard, por “The Sisters Brothers” Gilles Lellouche, por “Le GrandBain” Alex Lutz, por “Guy” Xavier Legrand, por “Custódia” Jeanne Henry, por “Pupille” Melhor Ator Edouard Baer, por “Mademoisellle de Joncquières” Romain Duris, por “A Nossa Espera” Vincent Lacoste, por “Amanda” Gilles Lelolouche, por “Pupille” Alex Lutz, por “Guy” Pio Marmaï, por “En Liberté!” Denis Ménochet, por “Custódia” Melhor Atriz Élodie Bouchez, por “Pupille” Cécile de France, por “Mademoiselle de Joncquières” Léa Drucker, por “Custódia” Virginie Efira, por “Um Amor Impossível” Adèle Haenel, por “En Liberté!” Sandrine Kiberlain, por “Pupille” Melanie Thierry, por “Memórias da Dor” Melhor Ator Coadjuvante Jean-Hughes Anglade, por “Le Grand Bain” Damien Bonnard, por “En Liberté!” Clovis Cornillac, por “Les Chatouilles” Philippe Katerine, por “Le Grand Bain” Denis Lodalydès, por “Conquistar, Amar e Viver Intensamente” Melhor Atriz Coadjuvante Isabelle Adjani, por “O Mundo a Seus Pés” Leïla Bekhti, por “Le Grand Bain” Virginie Efira, por “Le Grand Bain” Audrey Tautou, por “En Liberté!” Karin Viard, por “Les Chatouilles” Melhor Revelação Feminina Ophélie Bau, por “Mektoub, My Love: Canto Uno” Galatea Bellugi, por “A Aparição” Jehnny Beth, por “Um Amor Impossível” Lily-Rose Depp, por “L’Homme Fidèle” Kenza Fortas, por “Shéhérazade” Melhor Revelação Masculina Anthony Bajon, por “A Prece” Thomas Gioria, por “Custódia” William Lebghil, por “Primeiro Ano” Karim Leklou, por “O Mundo a Seus Pés” Dylan Robert, por “Shéhérazade” Melhor Filme Estrangeiro “Três Anúncios para um Crime” “Guerra Fria” “Girl” “Hannah” “Cafarnaum” “A Nossa Espera” “Assunto de Família” Melhor Roteiro Original “En liberté!” “Le Grand Bain” “Guy” “Custódia” “Pupille” Melhor Roteiro Adaptado “Les Chatouilles” “Memórias da Dor” “The Sisters Brothers” “Mademoiselle de Joncquieres” “Um Amor Impossível” Melhor Animação “Astérix – Le Secret de la Potion Magique” “Dilili em Paris” “Pachamama” Melhor Documentário “America” “Da Chaque Instant” “Le Grand Bal” “Ni Juge, Ni Soumise” “O Estado Contra Mandela e os Outros” Melhor Filme de Estreia “L’Amour Flou” “Les Chatouilles” “Custódia” “Savage” “Sheherazade” Melhor Trilha Sonora “Amanda” “En liberté!” “The Sisters Brothers” “Guy” “Pupille” “Um Amor Impossível” Melhor Fotografia “Memórias da Dor” “The Sisters Brothers” “Le Grand Bain” “Custódia” “Mademoiselle de Joncquieres” Melhor Figurino “Memórias da Dor” “The Emperor of Paris” “The Sisters Brothers” “Mademoiselle de Joncquieres” “Un Peuple et son Roi” Melhor Edição “Les Chatouilles” “En liberté!” “The Sisters Brothers” “Le Grand Bain” “Custódia” Melhor Som “Memórias da Dor” “The Sisters Brothers” “Le Grand Bain” “Guy” “Custódia”

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