O Roubo da Taça: Trailer de comédia premiada revela destino tragicômico da Taça Jules Rimet
A comédia de época “O Roubo da Taça”, de Caito Ortiz (“Estação Liberdade”), ganhou seu primeiro trailer. Diferente da onda besteirol que infantiliza o humor nacional, a prévia explora, com humor negro e cinismo, o roubo verídico da Taça Jules Rimet, conquistada pela seleção brasileira de futebol no tricampeonato da Copa de 1970. O roteiro do próprio Ortiz e Lusa Silvestre (“Mundo Cão”) não inventa o crime absurdo, mas cria personagens fictícios e uma narrativa tragicômica para mostrar como o assalto foi realizado de forma extremamente fácil por criminosos amadores. Puxando um pouco para a caricatura, a trama acompanha um corretor de seguros endividado que, para pagar dívidas, consegue roubar sem muitas dificuldades a estatueta de ouro dos cofres da CBF. O problema é que, depois, nenhum atravessador quer ficar com a Taça. Um dos detalhes que chama atenção na produção é que ela não é estrelada por galãs ou humoristas da TV, trazendo como rosto mais conhecido a atriz Taís Araújo (série “Mister Brau”). Por conta disso, é ela quem assume o primeiro plano do pôster oficial, mesmo sendo coadjuvante na trama. O elenco inclui Paulo Tiefenthaler (“Trinta”), Danilo Grangheia (“O Que Se Move”), Leandro Firmino (“Cidade de Deus”), Mr. Catra (“Quase Dois Irmãos”), Milhem Cortaz (“O Lobo Atrás da Porta”) e Stepan Nercessian (“Os Penetras”). Premiado nos EUA, como Melhor Filme da seção Visions do Festival SXSW, “O Roubo da Taça” terá sua première nacional no Festival de Gramado, que acontece entre 26 de agosto a 3 de setembro na Serra Gaúcha. A estreia comercial nos cinemas está marcada para 8 de setembro.
Estreias: Jason Bourne luta com O Bom Gigante Amigo por destaque nos cinemas
Com o circuito abarrotado de blockbusters, o thriller de ação “Jason Bourne” e o infantil “O Bom Gigante Amigo” chegam em metade dos cinemas que normalmente atingiriam. Mesmo com distribuição similar, em torno de 440 salas, o longa para crianças se destaca no circuito 3D (360 salas). “O Bom Gigante Amigo” volta a reunir o diretor Stephen Spielberg com a roteirista Melissa Mathison, recriando a parceria do clássico “E.T. – O Extraterrestre” (1982). Foi o último trabalho de Mathison, que morreu antes da estreia. Mas a adaptação da obra de Roald Dahl (autor de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”) fez mais sucesso com a crítica (76% de aprovação no Rotten Tomatoes) que com o público, amargando o pior desempenho da Disney em 2016 e um inesperado fracasso na carreira de Spielberg (US$ 72 milhões de arrecadação mundial para um orçamento de US$ 140 milhões). “Jason Bourne” chega em estreia simultânea com os EUA, onde foi considerado pela crítica um dos títulos mais fracos da franquia. Com 57% de aprovação, só supera os 56% de “O Legado Bourne” (2012), rodado sem o protagonista original. A produção marca o retorno de Matt Damon ao papel-título e também do diretor Paul Greengrass ao comando da ação, e entrega exatamente o esperado, com muita correria, tiroteios e perseguições. A comédia “Os Caça-Noivas” completa o circuito dos shoppings, com lançamento em 147 salas. Besteirol americano, acompanha dois irmãos (Zac Efron e Adam Devine), que após estragarem muitas festas da família recebem um ultimato: só poderão aparecer no casamento da irmã acompanhados por namoradas. Logicamente, eles fazem o que qualquer idiota faria: vão à internet anunciar sua busca por pretendentes, atraindo duas jovens bagunceiras (Anna Kendrick e Aubrey Plaza), que vêem nos trouxas a chance de ganhar uma viagem de graça para o Havaí, onde o matrimônio acontecerá. A crítica americana torceu o nariz (39%), mas também viu na trama uma inversão de papeis mais engraçada e eficiente que a versão feminina de “Caça-Fantasmas”. Com cada vez menos salas disponíveis, o circuito limitado tem cinco estreias. Em 30 salas, a comédia francesa “A Incrível Jornada de Jacqueline” acompanha um fazendeiro argelino apaixonado por sua vaca Jacqueline, que realiza seu sonho ao viajar com ela para Paris, para participar de uma grande freira agrícola, aprendendo importantes lições de vida pelo caminho. Em tom de fábula, o filme não aprofunda, mas toca em alguns tópicos relevantes, como a questão da imigração na Europa atual, o que diferencia a obra de histórias similares. Premiado no Festival de Cannes do ano passado, o drama iraniano “Nahid – Amor e Liberdade” leva a 11 telas a história de uma mulher que, após o divórcio, recebe a guarda do filho sob a condição de não se casar novamente. Marcando a estreia da cineasta Ida Panahandeh, o longa se destaca pela rara oportunidade de mostrar um ponto de vista feminino sobre a posição de inferioridade que as mulheres possuem na sociedade islâmica. Vencedor do último Festival de Veneza, o drama venezuelano “De Longe te Observo” divide opiniões ao tratar de temas polêmicos, como homossexualidade e voyeurismo. Na trama, um gay de meia-idade que paga para jovens ficarem nus é agredido e roubado por um deles, dando início a um complexo relacionamento. Lento e repleto de silêncios, o filme também permite um vislumbre do cotidiano caótico venezuelano, como longas filas e a situação de pobreza e criminalidade da juventude. Estreia em sete salas. Completam o circuito dois filmes brasileiros. O terror “O Diabo Mora Aqui” combina a narrativa típica de casa mal-assombrada com o passado escravagista brasileiro, num resultado intrigante e bem acabado, distribuído em apenas quatro salas. A dupla de cineastas Rodrigo Gasparini e Dante Vescio já chamou atenção de produtores americanos, que incluirão um de seus curtas na vindoura antologia “O ABC da Morte 2.5”. Por fim, o documentário “Miller & Fried – As Origens do País do Futebol” resgata a importância de Charles Miller e Arthur Friedenreich para o futebol brasileiro no final do século 19 em duas salas (no Caixa Belas Artes e no Cine Odeon).
Um Namorado para Minha Mulher: “Chatice” de Ingrid Guimarães é o melhor do trailer de novo besteirol
A Paris Filmes divulgou cinco fotos, o pôster e o trailer de mais um besteirol brasileiro, “Um Namorado para Minha Mulher”. A trama gira em torna de uma ideia típica de comédia brasileira. Ou seja, algo que ninguém jamais faria na vida real. Cansado da mulher chata, o personagem de Caco Ciocler (“Disparos”) decide contratar um homem para conquistá-la e assim conseguir a separação. Mas se arrepende. O problema é que o sedutor exótico (Domingos Montagner, de “Gonzaga: De Pai para Filho”) se apaixona pela mulher do “corno”. A prévia só não é totalmente ridícula por conta da atriz Ingrid Guimarães (“De Pernas pro Ar”), que para encarnar o clichê da mulher chata assume um mau-humor espirituoso, inteligente e divertidíssimo, que vê defeito em tudo e não suporta lugares comuns. Em outras palavras, ela parece crítica de cinema. Com direção de Julia Rezende (“Meu Passado Me Condena” duas vezes – o filme e a continuação), que também escreveu o roteiro em parceria com Lusa Silvestre (“E Aí… Comeu?”), a comédia estreia em 1 de setembro.
Colombiano O Abraço da Serpente é o grande vencedor do Prêmio Platino 2016
O filme colombiano “O Abraço da Serpente” foi o grande vencedor da terceira edição dos Prêmios Platino de Cinema Ibero-Americano. O terceiro longa de Ciro Guerra (“As Viagens do Vento”) levou sete prêmios, incluindo Melhor Filme e Direção, no evento que busca se firmar como um Oscar do cinema falado em espanhol e português. “Compartilho este prêmio com as comunidades amazônicas que nos abriram seu mundo”, disse Ciro Guerra em seu agradecimento. Filmado em preto e branco, o filme se baseia em relatos de dois cientistas e exploradores da região amazônica e acompanha a história de um índio em dois tempos: na juventude em que desconfiava dos brancos e numa idade mais avançada, quando se tornou um xamã desiludido (leia a crítica completa). Das oito categorias em que estava indicado, “O Abraço da Serpente” não levou apenas o prêmio de Melhor Roteiro, vencido pelo chileno “O Clube”, escrito por Pablo Larraín, Guillermo Calderón e Daniel Villalobos. As demais vitórias aconteceram nas chamadas categorias técnicas – Melhor Fotografia, Edição, Direção de Arte, Som e Música Original. O cinema argentino também foi comemorado nas categorias de atuação, com os prêmios para Dolores Fonzi por seu papel em “Paulina” e para Guillermo Francella em “O Clã”. Além disso, Ricardo Darín foi ovacionado pelos cerca de 2 mil espectadores presentes na festa quando subiu ao palco para receber o troféu especial Platino de Honra por sua carreira. Nenhum filme brasileiro concorria à premiação, que aconteceu no domingo (24/7) no Centro de Convenções de Punta del Este, no Uruguai. Mesmo assim, “Que Horas Ela Volta?”, de Anna Muylaert levou um prêmio fora de competição. Entregue pela vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 1992, a guatemalteca Rigoberta Menchú, o drama nacional recebeu o Prêmio Platino de Cinema e Educação em Valore. Vencedores do Prêmio Platino 2016 Melhor filme “O abraço da serpente” (Colômbina, Venezuela e Argentina) Melhor diretor Ciro Guerra (“O abraço da serpente”) Melhor ator Guillermo Francella (“O clã”) Melhor atriz Dolores Fonzi (“Paulina”) Melhor roteiro Pablo Larraín, Guillermo Calderón e Daniel Villalobos (“O clube”) Melhor animação “No Mundo da Lua” (Espanha) Melhor documentário “O Botão de Pérola” (Chile e Espanha) Melhor edição Etienne Boussac e Cristina Gallego (“O abraço da serpente”) Melhor direção de arte Angélica Perea (“O abraço da serpente”) Melhor direção de fotografia Carlos García e Marco Salavarria (“O abraço da serpente”) Melhor música original Nascuy Linares (“O abraço da serpente”) Melhor direção de som Carlos García e Marco Salaverría (“O abraço da serpente”) Melhor filme de diretor estreante “Ixcanul” (Guatemala)
Bugigangue no Espaço: Animação brasileira ganha trailer com dublagem de Danilo Gentili e Maisa Silva
A Imagem Filmes divulgou o pôster e o primeiro trailer da animação “Bugigangue no Espaço”, escrita e dirigida por Ale McHaddo, mas pode chamar de Alexandre Machado. Produzido pela 44 Toons!, empresa pioneira de animação dos anos 1990, o longa mostra uma turma de adolescentes enfrentando alienígenas. Ao longo da aventura, eles se deparam com o ET, o Chupa Cabras e o ET de Varginha, entre outros personagens do universo trash e pop. O filme é uma evolução do curta-metragem “Bugigangue – Controle Remoto” (2010), primeira produção nacional em 3D, e inclui entre seus dubladores o comediante Danilo Gentili (“Mato sem Cachorro”) e a atriz mirim Maisa Silva (“Carrossel”). Ainda sem data de estreia marcada, o filme deve chegar aos cinemas no começo de 2017.
Campeã paralímpica brasileira vai virar filme
A nadadora paraolímpica Susana Schnarndorf vai ganhar um documentário, que incluirá sua participação na Paralimpíada do Rio. A atleta gaúcha, que já teve sua história de lutas filmada, como uma das personagens do longa “Paratodos”, de Marcelo Mesquita, será o tema de “1000 dias”, dedicado a sua vida. “Vamos acompanhá-la até o fim da Paralimpíada, para terminar a montagem no meio do ano que vem”, contou ao jornal O Globo o diretor Rodrigo Boecker, que assina o filme com a cineasta Giovanna Giovanini (ambos de “Cine Paissandu: Histórias de uma Geração”). “Estamos há três anos do lado dela e vemos como ela luta por esse sonho de uma medalha. Ela não quer que ninguém a ajude, sua luta é pessoal”. A história de Susana Schnarndorf é mesmo de cinema. Em 2005, ela descobriu uma doença rara, Atrofia Múltipla de Sistemas (conhecida pela sigla MSA, de seu nome em inglês), que interrompeu sua premiada carreira no trialto e limitou sua vida. Ao lado das deficiências físicas vieram a depressão e a necessidade de se adaptar a uma rotina de remédios, privações e incertezas. Mas ela se adaptou e era apontada como favoritíssima para receber uma medalha de natação na Paralimpíada do Rio, entre 7 e 18 de setembro. Ainda em 2013, ela foi eleita a melhor atleta paralímpica brasileira. Entretanto, há um ano, a progressão da doença vem piorando sua capacidade atlética, e durante o Campeonato Mundial de 2015, em Glasgow, entrou em desespero ao perceber que tinha piorado demais. “É raríssimo vê-la chorando como aconteceu em Glasgow”, disse a codiretora Giovanna. Mas por causa do avanço da MSA, ela conseguiu que sua categoria fosse revisada, e agora Susana, que iniciou no esporte na classe S8, irá competir pela classe S5, na qual conseguiu, há apenas um mês, índice para disputar a Paralimpíada. A confirmação final veio nesta semana, com a convocação pelo Comitê Paralímpico Brasileiro dos 278 atletas que estarão na competição. “Fiz tudo o que podia para representar o Brasil e estarei lá”, contou a atleta, que antes da doença tinha conquistado o pentacampeonato brasileiro e contabilizava 13 participações no Iron Man, além de ser mãe de três filhos. “Geralmente se morre de MSA depois de sete ou oito anos. Mas eu tenho há 11 e estou aqui”. e deve ficar pronto em 2017. —
Estreias: Tarzan é o rei dos cinemas neste fim de semana
Tarzan volta às selvas com grande orçamento e inúmeros efeitos visuais, no maior lançamento desta quinta (21/7) no Brasil. Acompanhado pelo ator Alexander Skarsgård (série “True Blood”), que veio ao país para entrevistas e première, “A Lenda de Tarzan” chega em 840 salas, incluindo 555 telas 3D e todo o circuito IMAX (12 salas). Com direção de David Yates, responsável pelos quatro últimos filmes de “Harry Potter”, o longa custou uma fortuna (US$ 180 milhões), mas teve apenas desempenho modesto nos EUA (levou 18 dias para superar os US$ 100 milhões). A crítica americana não gostou (36% de aprovação no site Rotten Tomatoes), mas o público aprovou (A- no CinemaScore). A Warner agora torce pelo sucesso internacional. A segunda maior estreia é uma comédia nacional. Apesar de ter Ingrid Guimarães (“De Pernas pro Ar”) no elenco, “Entre Idas e Vindas” não é um besteirol ululante. Trata-se de um romance com final e elenco de novela, sobre como Fabio Assunção (novela “Totalmente Demais”) e seu filho vão parar num motor home cheio de mulheres. A direção de José Eduardo Belmonte transmite mais seriedade ao projeto, que visivelmente possui baixo orçamento, mas, por outro lado, os cinéfilos talvez preferissem um trabalho menos ligeiro do grande cineasta brasiliense. Estreia em 283 salas. A melhor comédia da semana, na verdade, é americana: “Dois Caras Legais“, do cineasta Shane Black (“Homem de Ferro 3”). Passada nos anos 1970, com figurino, música e recriação até do espírito dos filmes da época, traz Russel Crowe (“Noé”) e Ryan Gosling (“A Grande Aposta”) como detetives investigando o sequestro de uma jovem em plena era das discotecas. Hilário, o filme tem 91% de aprovação no Rotten Tomatoes, feito raríssimo para comédias. Ocupa 215 salas. Em contraste, o principal lançamento da semana é restrito a 46 salas – sendo 12 CEUs, do circuito SPCine na capital paulista. Trata-se do novo drama de Anna Muylaert, diretora do aclamado “Que Horas Ela Volta?” (2015). Com tema diferente, mas núcleo similar, de mãe, filho e deslocamento da representação do lar, “Mãe Só Há Uma” parte de uma história real para contar a história de um adolescente que descobre ter sido roubado na maternidade e que, após tratar a ladra como mãe por toda a vida, precisa se readequar à família biológica. Para complicar, ele também atravessa crise de identidade sexual. O filme destaca o estreante Naomi Nero (sobrinho de Alexandre Nero) como protagonista, uma grata revelação com futuro brilhante, além de Daniela Nefussi (“É Proibido Fumar”) em dois papéis, como as mães (de criação e biológica) do menino, num artifício que visa destacar a confusão criada na cabeça do rapaz. Filmaço para poucos. O circuito limitado também recebe o drama francês “Chocolate” em 55 salas, mostrando Omar Sy (“Intocáveis”) como o primeiro palhaço negro de circo da França, no século 19. Em 32 salas, “Life – Um Retrato de James Dean”, traz Robert Pattinson (“Mapa para as Estrelas”) como o fotógrafo que ajudou a criar a aura de mito que acompanhou a curta carreira do astro de “Juventude Transviada” (1955). Por fim, a comédia espanhola “Um Dia Perfeito” mostra seu humor negro em quatro salas, com Benício Del Toro (“Sicario”) liderando um grupo de agentes humanitários em meio a uma zona de conflito armado.
Anna Muylaert está trabalhando em documentário sobre Impeachment de Dilma
A cineasta Anna Muylaert revelou que está trabalhando no roteiro de um documentário sobre o período de afastamento da presidente Dilma Rousseff, cujo mandato sofre um processo de impeachment. A direção é de Lô Politi (“Jonas”), Cesar Charlone (“Cidade de Deus”) é o diretor de fotografia e, segundo o jornal Folha de S. Paulo, a equipe está acompanhando Dilma há 20 dias. “A gente não está filmando o processo de impeachment, mas esse período de afastamento, em que o mandato está em suspenso. Ele será rodado até a decisão final”, disse ao jornal O Globo a diretora dos dramas “Que Horas Ela Volta?” e “Mãe Só Há Uma”, que estreia nesta quinta-feira (21/7). Durante o período da produção, a equipe viajou para Teresina e conversou com assessores e pessoas próximas a Dilma. Mas apesar de Muylaert ter participado ativamente de atos pró-Dilma e contra o “golpe”, ela disse que ainda é cedo para falar sobre o que será o filme. “A gente ainda está descobrindo o que é o filme”. A cada dia que passa, o país também tem descoberto melhor o que foi Dilma.
Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, vai abrir o Festival de Gramado
O filme “Aquarius”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, fará sua estreia nacional na abertura da 44ª edição do Festival de Gramado. O tradicional festival de cinema também vai homenagear a carreira de sua atriz, Sonia Braga, além de Tony Ramos. A ocasião deve suscitar lembranças do Festival de Cannes, onde a première mundial do filme permitiu ao diretor e seu elenco uma photo op de protesto contra o “golpe”. Em “Aquarius”, Sonia Braga vive uma crítica de música aposentada que vive sozinha em um edifício antigo de frente para a praia de Boa Viagem, no Recife. Alvo constante da especulação imobiliária, ela se recusa a vender seu apartamento, sofrendo pressões da construtora e dos próprios vizinhos. O drama de Kleber Mendonça Filho foi reverenciado pela crítica internacional após ser exibido em Cannes e já venceu alguns prêmios internacionais. Além do filme de abertura do evento, que acontece entre 26 de agosto a 3 de setembro na Serra Gaúcha, também foram divulgados os seis longas brasileiros e os sete estrangeiros que concorrerão aos prêmios do festival. Ao contrário do ano passado, quando metade da mostra competitiva já tinha sido exibida no Festival do Rio, desta vez a programação só terá premières nacionais. A lista dos filmes brasileiros inclui duas produções cariocas e quatro paulistas, entre elas os novos longas do veterano Domingos Oliveira (“Infância”), cineasta de presença constante em Gramado, Marcos Dutra, que ficou conhecido pelo terror psicológico “Trabalhar Cansa” (2011), e Matheus Souza (“Apenas o Fim”), especialista em filmes com adolescentes. Mas vem da lista de estreantes a obra mais esperada: a cinebiografia “Elis”, sobre a cantora Elis Regina, com direção de Hugo Prata e roteiro do premiado Luiz Bolognesi (“Uma História de Amor e Fúria”). O perfil da seleção, por sinal, é mais comercial que o visto nos anos anteriores, com comédias e até filmes de ação, além de elenco conhecido da televisão. A bela Sophie Charlotte, inclusive, poderá ser vista em dois longas, “Barata Ribeiro, 716”, de Domingos Oliveira, e “Tamo Junto”, de Matheus Souza. Confira, abaixo, a lista dos longas selecionados para o festival. Seleção competitiva do Festival de Gramado 2016 LONGAS-METRAGENS BRASILEIROS – “Barata Ribeiro, 716” (RJ), de Domingos Oliveira – “El Mate” (SP), de Bruno Kott – “Elis” (SP), de Hugo Prata – “O Roubo da Taça” (SP), de Caito Ortiz – “O Silêncio do Céu” (SP), de Marco Dutra – “Tamo Junto” (RJ), de Matheus Souza LONGAS-METRAGENS ESTRANGEIROS – “Campaña Antiargentina” (Argentina), de Ale Parysow – “Carga Sellada” (Bolívia/México/Venezuela/França), de Julia Vargas – “Espejuelos Oscuros” (Cuba), de Jessica Rodriguez – “Esteros” (Argentina/Brasil), de Papu Curotto – “Guaraní” (Paraguai/Argentina), de Luis Zorraquín – “Sin Norte” (Chile), de Fernando Lavanderos – “Las Toninas Van al Este” (Uruguai/Argentina), de Gonzalo Delgado e Verónica Perrotta
Bilheterias: Sucesso de Procurando Dory ignora Caça-Fantasmas e Carrossel 2 no Brasil
Apesar das estreias de “Caça-Fantasmas” e “Carrossel 2: O Sumiço de Maria Joaquina” ocuparem metade das salas de cinema disponíveis no Brasil, os filmes mais assistidos do fim de semana foram animações que já estavam em cartaz. A animação “Procurando Dory” se manteve líder das bilheterias brasileiras pela terceira semana consecutiva. O filme, que estreou no dia 30 de junho, arrecadou da última quinta-feira (14/7) a domingo (17/7) pouco mais de R$ 11 milhões, levando 715 mil pessoas aos cinemas. Ao todo, os peixinhos da Disney/Pixar já fisgaram 5,5 milhões de pessoas e faturaram quase R$ 78 milhões no país, segundo dados da ComScore. Comprovando que os filmes de bichos falantes são a tendência mais bem-sucedida do ano, o 2º lugar ficou com “A Era do Gelo: O Big Bang”. O quinto filme da franquia pré-histórica da Fox levou 692 mil pessoas aos cinemas, arrecadando cerca de R$ 10,5 milhões em quatro dias. Com isso, 2,5 milhões já assistiram ao filme, que está rendendo R$ 38 milhões no Brasil. As estreias da semana ocuparam o 3º e o 4º lugares, respectivamente. “Caça-Fantasmas” teve desempenho pior no Brasil que nos EUA, onde abriu em 2º lugar (atrás de outra animação de bichos falantes, “Pets – A Vida Secreta dos Bichos”, ainda inédita por aqui). O filme foi muito falado devido a sua concepção, idealizado pela Sony como uma versão feminina da comédia clássica de 1985. No final, a curiosidade despertada ficou abaixo do repúdio intuitivo dos fãs, que foram acusados de serem machistas pelos produtores, por reagirem como reagem fãs. Acabou atraindo 382 mil pessoas para uma arrecadação de R$ 6,7 milhões. Ironicamente, “Carrossel 2” teve mais público, 408 mil pessoas, mas, porque tinha ingressos mais baratos (sem o custo da exibição em 3D) rendeu menos, R$ 5,3 milhões. De todo modo, o desempenho ficou abaixo da estreia do primeiro filme da franquia infantil do SBT, visto por 467 mil espectadores em seu fim de semana de estreia. Na ocasião, o filme abriu em 3º lugar, mas acabou conquistando uma das maiores bilheterias do cinema nacional em 2015. Contando com a pré-estreia paga e “inflada”, que aconteceu uma semana antes do lançamento oficial, no dia 7 de julho, “Carrossel 2” já foi visto por mais de 1 milhão de pessoas e faturou R$ 12,2 milhões até o momento.
Filme sobre a banda Planet Hemp vai chegar aos cinemas em 2017
A história da banda Planet Hemp vai entrar em cartaz nos cinemas em 2017. Atualmente na reta final de suas filmagens, o longa, intitulado “Anjos da Lapa”, tem o ator Renato Góes (minissérie “Ligações Perigosas”) no papel do rapper Marcelo D2, roteiro de Felipe Braga (“Trash – A Esperança Vem do Lixo”) e direção da dupla Johnny Araújo (“Depois de Tudo”) e Gustavo Bonafé (assistente na série “Destino: São Paulo”). Com a produção, Araújo se consagra como um dos cineastas mais roqueiros do cinema brasileiro, tendo feito muitos clipes (inclusive de Marcelo D2) e estreado no cinema com “O Magnata” (2007), filme escrito por Chorão, o falecido vocalista da banda Charlie Brown Jr. O elenco também destaca Ícaro Silva (“O Inventor de Sonhos”) no papel de Skunk, co-fundador da banda, que morreu de Aids em 1994, antes do lançamento do primeiro disco. A trama terá a reconstituição dos primeiros shows da banda, no Rio e em São Paulo nos anos 1990, mas focará basicamente na história de amizade entre D2 e Skunk, que originou o Planet Hemp, com direito a perseguição policial e melodrama da vida real. A previsão é chegar aos cinemas no primeiro semestre de 2017.
Diretor de filmes da Xuxa fará documentário sobre Lula
O cineasta Moacyr Góes, que já fez filmes religiosos (“Maria, Mãe do Filho de Deus” e “Irmãos de Fé”), da Xuxa (três, incluindo “Xuxa Abracadabra”), comédia (“Trair e Coçar É Só Começar” e “O Homem Que Desafiou o Diabo”) e mais recentemente adaptou Nelson Rodrigues (“Bonitinha, Mas Ordinária”), vai dirigir seu primeiro documentário, uma obra ambiciosa que pretende cobrir toda a trajetória do ex-presidente Lula. Intitulado “Lula – Nunca Antes”, o filme irá examinar se o “mito corresponde ou não à realidade”, nas palavras do produtor Sérgio Sá Leitão, da Escarlate, que escreveu o roteiro com o escritor Guilherme Fiuza (“Meu Nome Não É Johnny”) e o humorista Marcelo Madureira (“As Aventuras de Agamenon, o Repórter”). Segundo Fiuza, será um documentário para mostrar como a “história se desvirtuou”. “O filme vai recuar para a militância do nacionalismo e como isso desaguou nesse super-esquema de corrupção”, explicou o escritor ao blog Sem Legenda, da Folha de S. Paulo. Ainda que nenhum deles seja vinculado a partido ou movimento, o trio tem uma postura política conhecida, de questionamento e crítica ao PT. Mas, segundo Fiuza, a ideia não é negar as realizações do ex-presidente. “O filme não nega que Lula seja um mito, que ele seja um elemento de unificação nacional. Mas parte da constatação de que existe uma frustração enorme com o rumo das coisas.” Na pior das hipóteses, “Lula – Nunca Antes” pode servir de antídoto para “Lula, o Filho do Brasil” (2009), melodrama triunfalista do produtor Luiz Carlos Barreto, que também recebeu dinheiro de José Dirceu para filmar uma obra sobre sua vida. Mas este projeto jamais saiu do papel devido à prisão por corrupção do ex-Ministro de Lula. Já o próximo projeto do produtor Sérgio Sá Leitão é uma obra ficção sobre Celso Daniel, o prefeito de São Bernardo que foi assassinado durante o surgimento do primeiro grande caso de corrupção envolvendo o PT.
Os Penetras 2: Pôsteres da comédia brasileira satirizam cartazes de sucessos americanos
A Universal divulgou um coleção de pôsteres da comédia nacional “Os Penetras – Quem Dá Mais?”, que recriam nove cartazes de sucessos do cinema americano. Ao contrário da execução mais focada de, por exemplo, “Inatividade Paranormal”, cuja divulgação satirizava pôsteres de terrores recentes, a seleção penetrada pelos atores brasileiros é totalmente aleatória, abrangendo desde produções dos anos 1990, como “Ace Ventura 2 – Um Maluco na África” (1995) e “Forrest Gump: O Contador de Histórias” (1994), até lançamentos deste ano, como “Warcraft” e “Casamento Grego 2”, recriados com fidelidade, exceto pelas caretas. A continuação traz de volta os protagonistas do primeiro longa. Além dos penetras do título, os comediantes televisivos Marcelo Adnet e Eduardo Sterblitch, isto também inclui Stepan Nercessian, a russa Elena Sopova e Mariana Ximenes, atriz que poderá ser vista em nada menos que sete filmes em 2016! Entre as novidades do elenco, destaca-se Danton Mello, em seu sexto besteirol consecutivo. A direção é novamente de Andrucha Waddington, que antes de submergir na onda besteirol do cinema brasileiro, tinha uma carreira promissora, com dramas premiados em festivais internacionais. A estreia está marcada para 19 de janeiro. Veja também o trailer anteriormente divulgado












