Festival de Havana premia Sônia Braga e thriller com vilão de The Walking Dead
O filme “Deserto”, do diretor mexicano Jonás Cuarón, venceu o Festival de Havana, em uma decisão que surpreendeu a crítica especializada neste fim de semana. O destaque brasileiro coube a Sônia Braga, que levou o prêmio Coral de Melhor Atriz por “Aquarius”. “Deserto” é o segundo longa dirigido pelo filho do premiado cineasta Alfonso Cuarón (“Gravidade”). A trama acompanha Gael Garcia Bernal (“Neruda”), um mexicano que cruza ilegalmente a fronteira do seu país com os Estados Unidos e se vê alvo, junto com seu grupo, de um americano (Jeffrey Dean Morgan, o Negan de “The Walking Dead”) determinado a assassinar todos os invasores. É fácil ver o apelo dessa metáfora sem sutilizas da vindoura era Trump. Além de Melhor Filme, o thriller de baixo orçamento também levou o Coral de Música original, com Woodkid (Yoann Lenoine). “Últimos Dias em Havana”, do experiente diretor Fernando Pérez, recebeu o Prêmio Especial do júri. Já o Melhor Ator foi o cubano Luis Alberto García, por “Ya No Es Antes”, enquanto o colombiano Víctor Gaviria venceu como Melhor Diretor por “La Mujer del Animal”. Para completar, um conhecido dos brasileiros, Inti Briones (que trabalhou em “Pequeno Segredo”) levou o Coral de Melhor Fotografia pelo chileno “Aquí No Ha Pasado Nada”, enquanto os profissionais de “Neruda” conquistaram os troféus de Edição e Direção Artística. Infelizmente, o festival também foi marcado pela censura a um filme: “Santa & Andres”, do cubano Carlos Lechuga, barrado do evento “por questão de princípio”, segundo os organizadores. É que o longa faz uma crítica contundente à intolerância histórica contra os homossexuais pelo regime dos Castros. Como não se pode criticar o governo de uma ditadura, ao menos se pode demonstrar, como vítima de repressão, o quanto ele é realmente intolerante.
Didi e Dedé voltam a se juntar no trailer de Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood
A Downtown Filmes divulgou o primeiro trailer de “Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood”, 50º filme de Renato Aragão como Didi e que ainda marca a volta da grife “Os Trapalhões” aos cinemas, 18 anos após último filme em que Aragão filmou com o velho parceiro Dedé Santana, “Simão, o Fantasma Trapalhão” (1998). Trata-se de uma adaptação do recente musical de teatro “Os Saltimbancos Trapalhões” (2014), por sua vez inspirado no filme homônimo de 1981, estrelado pelos quatro trapalhões: Didi, Dedé, Mussum (1941-1994) e Zacarias (1934-1990). O detalhe é que o longa dos anos 1980 já era uma adaptação do musical infantil “Os Saltimbancos” (1977), com canções de Chico Buarque, que, por sua vez, também não era original, mas uma adaptação de um espetáculo italiano. É, portanto, a adaptação da adaptação da adaptação da adaptação. Entendeu, ô da poltrona? O saudosismo deve ser o maior apelo da produção, porque a prévia não parece especialmente engraçada, nem as coreografias vistas sugerem algo mais elaborado. O elenco ainda inclui Roberto Guilherme, outro membro do programa original “Os Trapalhões”, mais lembrado como o Sargento Pincel. A eles se unem Letícia Colin, Alinne Moraes, Emílio Dantas, Maria Clara Gueiros, Livian Aragão, Rafael Vitti, Nelson Freitas, Marcos Frota e Dan Stulbach. O longa conta a história da trupe do Grande Circo Sumatra que, juntos, tentam reverter a crise financeira da companhia. A trupe vai em busca de uma saída para a crise e Didi acredita – por meio de seus sonhos mirabolantes com animais falantes – que encontrarão a solução. Um novo show começa a ser criado, mas a ganância do Barão (Roberto Guilherme), a vigarice do Satã (Marcos Frota) e o poder manipulador do prefeito da cidade (Nelson Freitas) podem colocar tudo a perder. Dirigido por João Daniel Tikhomiroff (“Besouro”), “Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood” tem estreia marcada para 19 de janeiro.
Rogue One, prólogo da saga Star Wars, chega a mais de 1,2 mil cinemas no Brasil
“Rogue One: Uma História Star Wars” é disparada a maior estreia da semana. Mais que isso, com lançamento em mais de 1,2 mil telas, é também uma das dez maiores estreias de todos os tempos no país – o recorde pertence a “Star Wars: O Despertar da Força”, distribuído em 1.504 salas há exatamente um ano – metade de todos os cinemas do Brasil. Bastante aguardado, o filme é um prólogo do clássico “Guerra nas Estrelas”, apresentando um grupo de rebeldes nunca visto antes na franquia, mas também o saudoso vilão Darth Vader. A trama gira em torno de uma missão para roubar os planos de construção da Estrela da Morte, a arma de destruição do Império que é derrotada no filme de 1977. Apesar de muitos relatos de problemas nos bastidores, o ritmo é empolgante e faz o longa escalar a lista dos melhores títulos da saga. Com 85% de aprovação no Rotten Tomatoes, também estreia neste fim de semana nos EUA – lá, em mais de 4 mil telas, isto é, em mais cinemas que todo o parque exibidor nacional. Adiado para não chegar aos cinemas tão próximo da tragédia da Chapecoense, “Sully – O Herói do Rio Hudson” também supera expectativas. Em cartaz em 261 salas, a produção conta a história real do piloto de avião que impediu um acidente de graves proporções ao realizar um pouso de emergência no Rio Hudson, em Nova York, salvando a vida de todos os passageiros. Mas mesmo considerado um herói pela mídia, ele precisou lidar com o escrutínio e acusações, durante a investigação de seus atos. Lembra “O Voo” (2012), mas consegue superar comparações, muito por conta da dobradinha formada pelo ator Tom Hanks e o diretor Clint Eastwood, dois veteranos que não enferrujam, apenas se aprimoram. Sucesso de bilheteria e crítica nos EUA (86% de aprovação), tem aparecido até em algumas listas importantes de Melhores Filmes do ano. Com ainda mais destaque na temporada de premiações, “Neruda” é a obra sul-americana mais celebrada do ano. Candidato do Chile ao Oscar, o novo filme de Pablo Larraín é uma delícia, que usa tom farsesco para contar fatos reais: a caçada policial ao poeta Pablo Neruda, “o comunista mais importante do mundo”, no final dos anos 1940. Sofisticado por um lado, no uso da metalinguagem, o longa também usa elementos de comédia maluca, evocando até a franquia “Pantera Cor-de-Rosa” na forma atrapalhada com que o inspetor vivido por Gael Garcia Bernal tenta prender aquele que é muito mais esperto que ele. Estreia em 34 telas. Sem muito espaço no circuito devido à guerra de blockbusters, a comédia brasileira “Magal e os Formigas” também tem seu jeito surreal de lidar com a realidade. O filme é praticamente uma homenagem ao cantor Sidney Magal, girando em torno de um fã mau-humorado que, em meio à crise financeira, resolve entrar num concurso para imitá-lo. No processo, acaba redescobrindo o bom humor. E tudo isso com uma ajuda do próprio Magal, que aparece apenas para ele, dando-lhe conselhos de vida. Há quem lembre de “Quero Ser John Malkovich” (1999), mas o tom abordado está mais para “A Procura de Eric” (2009), com direito à parábola moral de fábula encantada. Não que esteja neste nível ou seja tão engraçado quanto parece. As piadas fraquinhas renderam apenas 16 salas. O circuito limitado ainda recebe duas produções de perfil de festival. O romeno “Sieranevada” chegou a ser exibido em Cannes, e gira em torno do encontro de uma grande família num jantar para celebrar seu patriarca recém falecido. O diretor Cristi Puiu (“Aurora”) dá ao evento um tom de tragicomédia – em 13 salas. Bem mais ambicioso, o nepalês “Nas Estradas do Nepal” foi exibido em Veneza e usa a jornada de dois meninos, de castas e crenças diferentes, para retratar uma região belíssima, que ganha contornos horríficos por viver tantos anos mergulhada em guerra. Apesar do tema universal, o diretor estreante Min Bahadur Bham optou por uma filmagem de câmera parada, que não deixa o filme ser confundido com uma versão infantil de Hollywood sobre a barbárie. Por isso, a distribuição é confinada a apenas quatro salas do Rio e uma de Porto Alegre. Clique nos títulos de cada lançamento para ver seus trailers.
Versão minissérie de Aldo – Mais Forte que o Mundo terá lançamento antecipado no Globo Play
O filme “Aldo – Mais Forte que o Mundo” vai virar minissérie da Globo. E para valorizar a experiência do Globo Play (o aplicativo de streaming do canal), os episódios serão disponibilizados duas semanas antes na internet. Com quatro capítulos, a minissérie tem estreia marcada para 3 de janeiro na TV, mas chegará integralmente no Globo Play já no dia 26 de dezembro. A minissérie é uma versão estendida do filme homônimo, lançado no cinema em julho. Com direção de Afonso Poyart (“Presságios de um Crime”), a trama acompanha a trajetória do campeão brasileiro do UFC José Aldo, entre socos, tombos e baques da vida. O elenco destaca José Loreto (“Os Homens São de Marte… E é pra Lá que Eu Vou!”) no papel principal, além de Cleo Pires (“Operações Especiais”), Milhem Cortaz (“O Lobo Atrás da Porta”), Jackson Antunes (“O Concurso”), Claudia Ohana (“Zoom”), Romulo Neto (novela “Império”), Rafinha Bastos (“Mato sem Cachorro”) e Paulo Zulu (novela “Corações Feridos”). O mesmo esquema vai antecipar o revival de “Cidade dos Homens”, que trará as novas aventuras de Acerola e Laranjinha para o Globo Play em 2 de janeiro, duas semanas antes da estreia na Globo, prevista para o dia 17 de janeiro.
Animais Fantásticos e Onde Habitam completa um mês na liderança das bilheterias do Brasil
“Animais Fantásticos e Onde Habitam” completou seu reinado de um mês na liderança das bilheteria do Brasil. Desde seu lançamento, em 17 de novembro, o filme vem liderando o faturamento de cinema no país. Isto acaba nesta semana, com o lançamento de “Rogue One – Uma História Star Wars”. O mais impressionante é que, em relação à semana passada, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” só encolheu 37% em sua arrecadação. Foram R$ 4,8 milhões faturados e 282 mil ingressos vendidos apenas entre quinta (8/12) e domingo (11/12) passados. O 2º lugar também se manteve inalterado em relação ao ranking anterior, com a saga vampiresca “Anjos da Noite – Guerras de Sangue” rendendo R$ 3,4 milhões a partir de 727 mil ingressos vendidos. As novidades começam no 3º lugar, com o bom desempenho de um filme nacional que não é comédia. Mas também apela para o gosto popular. Baseado num best-seller do guru de auto-ajuda Augusto Cury, “O Vendedor de Sonhos” levou 167 mil pessoas ao cinema e arrecadou R$ 2,6 milhões. Considerando que o livro em que o filme se baseia vendeu mais de 2,5 milhões de exemplares no Brasil desde 2008, “O Vendedor de Sonhos” deve ter fôlego para enfrentar o ataque pesado de “Rogue One – Uma História Star Wars” nesta semana, além da animação “Sing – Quem Canta Seus Males Espanta” e o besteirol “Minha Mãe É uma Peça 2” na próxima. Outra estreia, o besteirol americano “A Última Ressaca do Ano” abriu em 4º lugar, com R$ 2,1 milhões. Ainda assim, bem melhor que “Fallen”. Fechando o Top 5, o romance sobrenatural juvenil abriu muito abaixo do esperado (para os fãs da franquia literária), faturando R$ 1,6 milhão. Considerando que o Brasil é o maior mercado em que os anjos românticos têm lançamento marcado, “Fallen” não deverá ter sequência e pode até sair direto em VOD nos EUA – onde nem sequer possui estreia agendada.
Estreia do diretor de Justiça no cinema, Redemoinho ganha trailer tenso
A Vitrine Filmes divulgou o pôster, fotos e o trailer de “Redemoinho”, que marca a estreia no cinema do diretor José Luiz Villamarim, das elogiadas minisséries “Nada Será Como Antes” e “Justiça”. A prévia é tensa, dramática e belamente fotografada, conjurando lembranças de um evento traumático, envolvendo uma ponte e um dia chuvoso. Vencedor do Prêmio Especial e o de Melhor Ator para Julio Andrade no Festival do Rio 2016, o filme gira em torno do reencontro de dois amigos de infância, Luzimar (Irandhir Santos) e Gildo (Júlio Andrade), após muitos anos afastados. Luzimar trabalha em uma fábrica de tecelagem e nunca saiu do interior. Gildo mora em São Paulo e acredita ter se tornado um homem mais bem sucedido. Na véspera do Natal, Gildo chega à Cataguases para ajudar a mãe, Dona Marta (Cássia Kis), a vender a casa da família. Já Luzimar, casado com Toninha (Dira Paes), por quem é apaixonado, tenta guardar de todos um segredo. Mas a volta do velho amigo pode mudar seus planos e lançá-lo em um arriscado acerto de contas. O filme é baseado no livro “Inferno Provisório – O Mundo Inimigo Vol. II”, do escritor mineiro Luiz Ruffato. A fotografia é de Walter Carvalho, responsável pelas imagens de “Central do Brasil” (1998), “Lavoura Arcaica” (2001), “Amarelo Manga” (2002), “Carandiru” (2003) e “Heleno” (2011), entre muitos outros. A direção de arte é de Marcos Pedroso (“Praia do Futuro”, “Que Horas Ela Volta?”) e a montagem de Quito Ribeiro (“Tim Maia”). O longa estreia no dia 9 de fevereiro.
Terror brasileiro O Rastro ganha trailer climático
A Imagem Filmes divulgou o pôster, fotos e o primeiro trailer de “O Rastro”, terror brasileiro estrelado por Rafael Cardoso (novela “Sol Nascente”). A prévia é bastante climática, mostrando o trabalho do médico vivido por Cardoso, até que portas que não deviam ser abertas o conduzem para lugares sombrios. A trama envolve o fechamento de um hospital público no Rio e acompanha o médico responsável por coordenar a transferência dos pacientes durante a noite. Quando uma paciente jovem desaparece, ele tenta localizá-la, e acaba gradualmente engolido pelo prédio em condições precárias. Coprodução entre o Brasil (Lupa Filmes) e Estados Unidos (Orion Pictures, da MGM), o filme foi escrito por André Pereira (“Mato Sem Cachorro”) e a estreante Beatrice Manela e também marca a estreia de João Caetano Feyer (assistente de “Filme de Amor”) na direção de longa-metragem. O elenco ainda conta com Leandra Leal (“O Lobo Atrás da Porta”), Felipe Camargo (“Ponte Aérea”), Alice Wegmann (“Tamo Junto”), Claudia Abreu (novela “A Lei do Amor”) e Jonas Bloch (série “#MeChamaDeBruna”). A estreia está marcada para 30 de março.
Cauã Reymond viverá Dom Pedro I em superprodução de cinema
O ator Cauã Reymond (“Alemão”) foi escalado para viver Dom Pedro I, o príncipe português que virou imperador do Brasil, ao proclamar a independência do país em 7 de setembro de 1822. Segundo o site Filme B, o projeto será uma superprodução tocada por quatro produtoras diferentes e com direção de Laís Bodanzky (“As Melhores Coisas do Mundo”). “Será um filme intimista, com o ponto de vista muito amarrado em Dom Pedro, e não nos eventos históricos – um pouco como na série ‘Downton Abbey’. Vamos nos aprofundar no lado pessoal, a boemia e o porquê desse vício no sexo – ele deixou muitos filhos bastardos no país. É uma figura muito rica, que tem um lado meio abolicionista, gostava dos escravos. Também era marceneiro, gostava muito de trabalhar com as mãos”, disse Bianca Villar, da produtora Biônica, ao site. Apesar desse conceito intimista, o filme está sendo apresentado com título de comédia: “Pedro, o Filme”. São “O Filme”, por exemplo, “Crô: O Filme” (2013), “Minha Mãe é uma Peça: O Filme” (2013), “Meu Passado Me Condena: O Filme” (2013), “Carrossel: O Filme” (2015), “Vai que Cola: O Filme” (2015), “Apaixonados: O Filme” (2016), etc. O roteiro deste novo “O Filme” é de Laís Bodanzky, seu marido e parceiro Luiz Bolognesi (“Uma História de Amor e a Fúria”) e do escritor Chico Mattoso. Com orçamento estimado em R$ 11 milhões, a produção tem 40% das filmagens previstas para acontecerem em Portugal. Atualmente, a equipe está na fase de busca das locações.
Sci-fi brasileira A Repartição do Tempo ganha trailer
A O2 Filmes divulgou o pôster, 41 fotos (clicadas por Luciana Melo) e o trailer de “A Repartição do Tempo”, primeiro longa do curtametragista brasiliense Santiago Dellape. A prévia tem inspiração sci-fi, clima de terror, tom farsesco e um clima meio trash dos anos 1980, que valoriza seu baixo orçamento. A trama se passa numa repartição pública de Brasília, mais precisamente na seção de Registro de Patentes e Invenções, e acompanha o que acontece após um chefe psicótico se apossar de uma invenção para clonar os funcionários, visando aumentar a produtividade. Há também muitos desenhos em estilo de história em quadrinhos (ao estilo de “Creepshow”), já que um dos personagens faz uma HQ nas horas de folga. Estes quadrinhos, por sinal, serão lançados comercialmente, como produto derivado. Vencedor de três categorias da Mostra Brasília da mais recente edição do Festival de Brasília, o filme traz nomes consagrados no humor, como Tonico Pereira (série “A Grande Família”) e Dedé Santana (série “Os Trapalhões”), além de Eucir de Souza (“Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”), Bianca Muller (“O Escaravelho do Diabo”), Selma Egrei (também de “O Escaravelho do Diabo”), Sérgio Hondjakoff (novela “Malhação”) e talentos brasilienses. Ainda não há previsão para a estreia comercial.
Nelson Xavier é assassino aposentado planejando Comeback em trailer dramático
A O2 Filmes divulgou o pôster e o trailer de “Comeback”, história de um assassino profissional aposentado, que coleciona recortes de jornal de antigas chacinas e planeja um retorno. O personagem é interpretado por Nelson Xavier (“Chico Xavier”), que venceu o prêmio de Melhor Ator no Festival do Rio 2016 pelo papel. Primeiro longa de ficção do documentarista Erico Rassi (“A Bicicleta e O Escuro”), o filme ainda não tem previsão de estreia.
Documentário do Sepultura ganha trailer pauleira
A O2 divulgou o trailer do documentário da banda Sepultura, que acompanha os músicos no palco, nos bastidores, em viagens, em estúdio e em suas casas. E além do “som pauleira” da banda, também traz depoimentos de lendas vivas do heavy metal, que expressam sua admiração pelos brasileiros. A prévia dá uma palhinha de Phil Anselmo (Pantera), Scott Ian (Anthrax), Phil Campbell (Motorhead), Corey Taylor (Slipknot), Dave Ellefson (Megadeath) e João Gordo (Ratos de Porão). Dirigido por Otávio Juliano (“A Árvore da Vida”), o documentário foi filmado ao longo de sete anos e rendeu mais de mil horas de imagens captadas. Intitulado “Sepultura Endurance”, tem previsão de estreia para junho de 2017.
O Filho Eterno evita a pieguice ao tratar de deficiência com uma narrativa dura e humanizadora
Tarefa complicada adaptar uma obra sobre um pai que não aceita a condição do filho, que tem Síndrome de Down, e não resvalar na pieguice, no dramalhão. O mérito está em toda a equipe envolvida, passando pelo roteiro adaptado de Leonardo Levis (“Canção da Volta”), pela produção sempre competente de Rodrigo Teixeira, que só este ano se mostrou atuante em quatro produções importantes, pela direção contida – mas sem perder o interesse na emoção – de Paulo Machline (“Trinta”), nos dois protagonistas, vividos por Marcos Veras (“Porta dos Fundos: Contrato Vitalício”) e Débora Falabella (minissérie “Nada Será Como Antes”), e também no trabalho comovente do garoto Pedro Vinícius, que empresta seu coração gigante para o último ato do filme, sem parecer se esforçar muito para isso. “O Filho Eterno” também tem recria fielmente as décadas de 1980 e 1990, já que a história se passa no intervalo entre duas Copas, a de 1982, quando a seleção brasileira de Zico e cia. perdeu naquele histórico 3×2 para a Itália e deixou um gosto amargo no país inteiro, e termina em 1994, com a conquista do título de tetracampeão, com a seleção de Romário e a memorável disputa por pênaltis. Percebemos não apenas o bom trabalho de direção de arte na reconstrução de época, mas também o próprio espírito desse período, exemplificado no próprio modo mais duro e até desumano como as coisas eram ditas. Naquela época, era natural chamar um garoto com Síndrome de Down de mongol, ou dizer coisas que não deveriam ser ditas para os próprios amigos, como se pode ver em um diálogo entre o personagem de Veras e um amigo, em uma festa regada a vinho em sua casa. Esse jeito duro de mostrar as coisas também se traduz na condução narrativa do filme, que evita, na maior parte do tempo, o caminho fácil da emoção. Afinal, trata-se de uma história de negação do próprio filho, que para o pai é um grande problema, um grande desgosto. Marcos Veras, em seu primeiro trabalho dramático para o cinema, confere verdade a seu personagem, embora sua performance seja apenas correta. Como ele é o condutor da narrativa, também não é fácil para o espectador acompanhar, ainda que com certo distanciamento, o modo como ele encara a situação, seja fugindo para a bebida ou para outras mulheres, seja tratando o filho de forma agressiva e impaciente, seja até mesmo ficando feliz ao saber que crianças com Down podem morrer cedo. O mais interessante é que o filme não transforma esse personagem em um monstro ou um sujeito odiável, mas apenas num ser humano. Apenas num homem que demora a enxergar o presente que lhe foi dado de maneira amorosa. Até ele chegar nesta conclusão, o amor aparece na figura da mãe, vivida por Débora Falabella. E é dela o grande momento do filme. Desses de fazer muito espectador chorar. Trata-se de um monólogo em que ela conta sobre um dia na vida dela com o filho. Percebemos que a emoção está ali de verdade, não apenas uma técnica de interpretação. É o tipo de cena que já eleva o filme a um outro patamar. Baseado na história real de Cristóvão Tezza, que desabafou em forma de romance sobre esse difícil processo de aceitação da condição do próprio filho, “O Filho Eterno” também já teve uma adaptação para os palcos na forma de monólogo. E, nas versões anteriores, a personagem da mãe aparecia ainda menos. Na adaptação cinematográfica, ela não só está mais presente, como também representa o amor incondicional, ajudando a tornar mais palatável as cenas duras de negação do diferente. Foi uma escolha muito feliz dos realizadores (roteirista e diretor), e por causa disso o filme ganhou uma força maior. Outro acerto foi a escalação do ótimo garoto que interpreta o Fabrício pré-adolescente, um amor de menino, que empresta sensibilidade e espontaneidade à obra.
Roberto Carlos vai ganhar filme ao estilo de 2 Filhos de Francisco
Depois de Elis, é a vez de Roberto Carlos ganhar uma cinebiografia oficial. O cineasta Breno Silveira, responsável por dirigir o longa, revelou ao UOL que a ideia é fazer um filme ao estilo de “2 Filhos de Francisco” (2005). Esta será a terceira cinebiografia musical de Silveira, que, além do filme de Zezé de Camargo & Luciano, dirigiu ainda “Gonzaga – de Pai pra Filho” (2012). Entre um e outro, ele filmou “À Beira do Caminho” (2012), drama de caminhoneiro inspirado pela música homônima de Roberto Carlos. O projeto aproximou diretor e cantor. Ainda sem previsão de lançamento, o longa será narrado pelo próprio Roberto Carlos, em uma estrutura semelhante à de “2 Filhos de Francisco”. O cantor também trabalhará na produção e supervisão do projeto, terá total controle sobre a obra, escolhendo elenco e aprovando o roteiro, que será escrito por Nelson Motta e Patrícia Andrade. Mesmo assim, Breno sonha em tocar em assuntos considerados tabus. Entre eles, o traumático acidente que causou a amputação de uma perna de Roberto Carlos na infância, além da morte da mulher Maria Rita e de seu conhecido TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), que o impede de vestir roupas coloridas e dizer certas palavras. Mas o mais provável é que, com tanto controle do cantor, dificilmente surgirão as histórias mais polêmicas, como aquela encenada em “Tim Maia” (2014), que foi limada, por motivos pouco claros, na exibição televisiva da obra. Meticuloso, Roberto exerce grande controle sobre sua imagem e em 2007 chegou a processar o escritor Paulo Cesar de Araújo, que escreveu uma biografia não autorizada, “Roberto Carlos em Detalhes”, lançada sem seu consentimento e retirada das livrarias por ordem judicial. Claro que Roberto pode surpreender, caso decida encarar o projeto como uma espécie de testamento para os fãs. É o que dá a entender o cineasta, que diz que o filme foi sugerido pelo próprio cantor. “Tivemos apenas as conversas iniciais, e ele foi muito carinhoso comigo. Mas ainda não decidimos os assuntos que vão ou não entrar. Mas, pelo que entendi, ele pretende relevar muita coisa que está guardada com ele”, Silveira contou ao UOL. Por sinal, o filme deverá ser lançado junto de uma biografia oficial, que vem sendo preparada há anos pelo cantor. A trama retratará as diversas fases da carreira do artista, interpretado por atores diferentes, inclusive pelo próprio Roberto – Christian Figueiredo fazendo escola. “O trabalho de escolha [de atores] tem que ser feito com muito cuidado. A gente tem alguns bons atores que tem um tipo parecido. Mas eu não descarto também procurar por pessoas desconhecidas. Tudo é teste”, adiantou o diretor. Procurado pelo portal para comentar o projeto, Roberto Carlos afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não existe ninguém melhor do que ele mesmo para a contar a própria história. Silveira faz eco. “É uma honra fazer uma biografia de alguém que sempre acompanhei, de quem sempre fui fã. Sempre tive vontade de filmar o Roberto. E, com a pessoa ainda viva e presente, fica ainda mais bonito.”












