De Pernas pro Ar 3 ganha novo trailer, que é uma versão menor e mais infantil do primeiro
A Paris Filmes distribuiu o que chama de “segundo trailer” de “De Pernas pro Ar 3”. Mas se trata apenas de uma versão reeditada do primeiro trailer, com 30 segundos a menos. Não há uma piada – ou cena – nova em todo o vídeo, que inclusive segue a mesma sequência do anterior, abrindo e fechando do mesmo jeito, e repetindo até o texto da locução entusiasmada de comercial de novela. A prévia também comprova que as novas comédias nacionais de sexo são absolutamente assexuadas, ao transformar qualquer resquício de sensualidade em palhaçada e enfatizar o lado “família” da protagonista. Não bastasse o Instagram ser mais liberal que as cenas de pegação sem nudez do trailer, a versão reeditada ainda some com os brinquedos sexuais que apareciam no primeiro vídeo. Isto, mais o destaque dado à filha criança da protagonista quase sugere que se trata de um lançamento infantil. No máximo, é uma novela das 19h. A trama é aquela viagem de sempre. Literalmente. Desta vez, Alice, a personagem de Ingrid Guimarães que foi para Nova York no segundo filme, vai a Paris e dá a volta ao mundo para abrir lojas da Sexy Delícia em diferentes países. Mas, após transformar sua empresa numa multinacional, decide se aposentar para ficar mais tempo com o marido e os filhos, que cresceram. Virar uma dona de casa, em resumo. Os filhos ocupam boa parte da prévia, mas logo surge uma novidade. Uma competidora no mercado sexual lança um visor de realidade virtual em que os usuários podem viver a fantasia de transar com Cauã Reymond (“Não Devore Meu Coração”) totalmente vestido (porque o filme é “família”) e ao som de Sidney Magal (porque o filme é brega). Não demora e as duas linhas narrativas se combinam para incomodar duplamente a protagonista: a competidora começa a namorar seu filho (porque é assim nas novelas). Lançado em 2010, “De Pernas pro Ar” foi um dos primeiros blockbusters de comédia brasileira a virar franquia, após o pioneiro “Se Eu Fosse Você” (2006). Seu sucesso acabou influenciando a produção do gênero, inaugurando a atual era de comédias nacionais sobre sexo sem nenhuma cena sensual. O terceiro capítulo reforça a fórmula, mesmo com mudança de comando. Roberto Santucci está fora do projeto, após dirigir os dois primeiros filmes. Em seu lugar, entrou Julia Rezende, que trabalhou com Ingrid Guimarães em “Um Namorado para Minha Mulher” (2016). Já o roteiro é assinado por Marcelo Saback (do primeiro “De Pernas pro Ar”) e Renê Belmonte (“Se Eu Fosse Você”), com participação de Ingrid. O elenco volta a incluir Bruno Garcia como o marido e Maria Paula, que já foi sócia da protagonista, num papel muito menor. Eduardo Melo, que foi o filho do segundo filme, também retorna, bem mais crescido, enquanto Duda Batista (“Os Farofeiros”) passa a roubar as cenas como a filha menor. Já a rival é vivida por Samya Pascotto (“Um Namorado para Minha Mulher”). A estreia está prevista para 11 de abril.
Hebe Camargo ressurge empoderada no trailer de sua cinebiografia
A Warner divulgou o trailer de “Hebe – A Estrela do Brasil”, cinebiografia da apresentadora Hebe Camargo. Bastante politizada, a prévia mostra a estrela da TV brasileira enfrentando preconceitos e fazendo revoluções comportamentais, da introdução de Roberta Close como “a mulher mais bonita do Brasil” à famosa “bicota” em Roberto Carlos. O detalhe é que isso acontece não numa suposta juventude rebelde, mas no apogeu de sua carreira, em plena meia-idade, sob o olhar fulminante de produtores, marido e representantes da censura federal. Além disso, chama muito atenção a interpretação de Andrea Beltrão, convincente no papel. A trama se passa na década de 1980, no final da ditadura militar, quando Hebe completa 40 anos de profissão, está madura e já não aceita ser apenas um produto televisivo para o que se acredita ser a família brasileira. Mais do que isso, já não suporta ser uma mulher submissa ao marido, ao salário baixo, ao governo de direita e aos costumes vigentes. A trama pretende mostrar a apresentadora lidando com o marido ciumento e preconceituoso, e abraçando comportamentos avançados para se transformar em uma das personalidades mais amadas do Brasil. O elenco ainda conta com Marco Ricca, Caio Horowicz, Danton Mello, Gabriel Braga Nunes, Danilo Grangheia, Otávio Augusto, Claudia Missura, Karine Teles e Daniel Boaventura – que vai viver outra personalidade famosa da TV brasileira, ninguém menos que Silvio Santos. Com roteiro de Carolina Kotscho (“2 Filhos de Francisco”) e direção de Maurício Farias (“Vai que Dá certo”), o filme tem estreia prevista para 26 de setembro.
Capitã Marvel é a única estreia ampla desta semana nos cinemas
Único lançamento amplo desta quinta (7/3), “Capitã Marvel” é o primeiro filme de super-herói do ano, e sua estreia vira a página do Oscar na programação dos cinemas. Com marketing intenso e distribuição ostensiva, o longa estrelado por Brie Larson deve se tornar um fenômeno cultural como “Pantera Negra” e “Mulher-Maravilha”. Não lhe faltam ação, diversão e efeitos em doses cavalares, além de ser exatamente o que se espera da Marvel. A jornada heroica que ecoa tantas outras, desta vez se diferencia por empoderar a primeira super-heroína do estúdio. Não se trata somente de um episódio intermediário, para se consumir entre “Vingadores: Guerra Infinita” e “Vingadores: Ultimato”, mas um capítulo vibrante da complexa “guerra cultural” travada no mundo real, entre defensores da diversidade e opressores. “Capitã Marvel” é também o único filme americano da programação desta semana, que tem até filme africano, “Yomeddine – Em Busca de um Lar”, representante do Egito na disputa por uma vaga no Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira. A lista de estreias ainda inclui o português “Raiva”, que contrasta uma fotografia belíssima em preto-e-branco com uma história sobre a miséria, o italiano “O Rei de Roma”, sátira à hipocrisia da classe política corrupta, o documentário “Diários de Classe”, sobre três mulheres – uma trans, uma ex-presidiária e uma doméstica – que tentam mudar de vida ao aprender a ler e escrever, e o drama brasileiro “O Último Trago”, vencedor de três troféus no Festival de Brasília. Dentre todos, o destaque do circuito limitado é o outra produção nacional, o suspense “Albatroz”. Não se trata de uma obra exatamente “fácil”. Mas foi escrita por Bráulio Mantovani, autor de “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite”, que consegue dar um mínimo de coerência ao emaranhado de questionamento moral, sentimento de culpa e delírio da trama. Alexandre Nero (“João, o Maestro”) vive um fotógrafo que flagra um ato terrorista em Jerusalém, mas em vez de ajudar a vítima, apenas fotografa, o que lhe rende fama e patrulhamento. O detalhe é que essa informação vem fragmentada, junto do sumiço de sua mulher após um acidente de carro, a volta da ex com desejo de vingança e até um flerte com a ficção científica. Totalmente inesperado, tende a dividir opiniões – e aplausos pela ousadia. A direção é de Daniel Augusto, de “Não Pare na Pista”, sobre o escritor Paulo Coelho. Para saber mais sobre os filmes, confira abaixo os trailers e as sinopses de todos os lançamentos. Capitã Marvel | EUA | Super-Heróis Aventura sobre Carol Danvers, que tem contato com uma raça alienígena e ganha poderes sobre-humanos, tornando-se a mais poderosa entre os super-heróis de todo o mundo. Albatroz | Brasil | Suspense O fotógrafo Simão (Alexandre Nero), casado com Catarina (Maria Flor), uma compositora de jingles publicitários, se apaixona pela atriz judia Renée (Camila Morgado), com quem viaja a Jerusalém. Lá ele acaba registrando um atentado terrorista, o que lhe torna mundialmente famoso. Mas, ao mesmo tempo, surgem críticas negativas por ele ter fotografado em vez de tentar evitar a tragédia. Simão entra em depressão e fica na fronteira entre realidade, sonho e delírio. O Último Trago | Brasil | Drama Uma mulher resgatada à beira da estrada incorpora o espírito de uma guerreira indígena desencadeando uma série de eventos que atravessam os tempos e os espaços. Do sertão nordestino ao litoral, séculos de lutas de dominação e resistência. O Rei de Roma | Itália | Comédia Numa Tempesta (Marco Giallini) é um focado e carismático empresário que, levado por uma gigante necessidade de ser bem sucedido, faz qualquer coisa para fechar um negócio, mesmo que isso o leve a infringir a lei. Depois de uma negociação dar errado, ele é pego pela polícia e condenado a cumprir um ano de serviço social, e fará qualquer coisa para voltar a trabalhar normalmente. Yomeddine – Em Busca de um Lar | Egito, França | Drama Beshay (Rady Gamal) é um coletor de lixo que decide sair do confinamento de uma colônia de leprosos pela primeira vez e embarca em uma jornada ao Egito para procurar sua família. Ele viaja com seu burro e seu aprendiz órfão ao longo do Nilo e, pela primeira vez, fica cara a cara com a maldição de ser um estranho. Raiva | Portugal | Drama Nos remotos campos do Baixo Alentejo, no sul de Portugal, a miséria e a fome assolam a população. Quando dois violentos assassinatos acontecem em uma só noite, um mistério toma o lugar: qual poderia ser a origem desses crimes? Diários de Classe | Brasil | Documentário O cotidiano de três mulheres – uma jovem trans, uma mãe encarcerada e uma empregada doméstica –, estudantes de centros de alfabetização para adultos em Salvador. Embora trilhem caminhos distintos, suas trajetórias coincidem nos preconceitos e injustiças sofridos cotidianamente.
Rotten Tomatoes muda seção de comentários após ataques a Capitã Marvel e Marighella
O site Rotten Tomatoes decidiu modificar o seu sistema de inclusão de opiniões do público. Após a repercussão de comentários negativos em massa sobre filmes inéditos, como “Capitã Marvel”, “Star Wars: Episódio IX” e até o brasileiro “Marighella”, o RT barrou a possibilidade de que fãs escrevam sobre um filme ou uma série antes da estreia oficial para o público geral. “Nós estamos desabilitando a função de comentários antes da data de lançamento dos filmes. Infelizmente, percebemos um aumento de críticas não construtivas — ocasionalmente beirando a ‘trollagem’ — o que acreditamos ser um desserviço à nossa audiência. Decidimos que desligar essa função, no momento, é o melhor a se fazer”, diz o anúncio do site. Paul Yanover, presidente do grupo Fandango, do qual o Rotten Tomatoes faz parte, contou ao portal CNET que “as mudanças não são uma simples reação do tipo ‘Ai meu Deus, existe ruído em torno de alguns filmes’”, mas ajustes necessários para impedir que opiniões que não tem nada a ver com cinema deem o tom do site. Os ataques de trolls são coordenados por meio do uso de redes sociais e robôs, e refletem uma agenda política conservadora de extrema direita, cujo objetivo é diminuir o impacto de filmes com protagonistas mulheres e/ou personagens não brancos – ou ainda, no caso nacional, que critiquem uma ditadura militar que muitos agora dizem que nem existiu. “Dizer que você não quer ver um filme não é uma resenha”, completou Yanover. “Não queremos que as pessoas usem os comentários como plataforma política”. Os trolls, claro, já retrucaram dizendo que essa alteração foi ordem da Disney, que seria dona do site. Mas, na verdade, o Rotten Tomatoes pertence ao conglomerado Warner, cujos filmes da DC são amados pelos trolls mais rabugentos. Claro que a verdade não impede uma boa fake news de virar teoria da conspiração. De todo modo, esta não foi a única mudança anunciada pelo site, que prepara uma nova identidade visual, com alterações no layout, novos conteúdos editoriais e novos critérios para a escolha de críticos que terão suas opiniões agregadas – e contabilizadas. A data de estreia dessas alterações não foi divulgada.
Estreias de cinema vão da diversão leve de Cinderela Pop ao drama pesado de um cineasta suicida
Entre os 11 filmes que estreiam nesta quinta (28/2), “Cinderela Pop” ganhou a maior distribuição. O segundo longa protagonizado por Maisa Silva, a adolescente mais popular do Brasil, também é (como “Tudo por um Pop Star”) adaptação de um best-seller infantil, no qual Cinderela é uma DJ. Nessa variação da fábula, ela deixa o ídolo teen chamado Prince apaixonado, enquanto enfrenta uma madrasta malvada. O diretor é o mesmo de “Tudo por um Pop Star”, Bruno Garotti, que começa a dominar o filão. O mesmo público infantil também é disputado pelo filme de cachorrinho “A Caminho de Casa”, que tem direção de um especialista em filmes de bichos fofinhos: Charles Martin Smith, ator do clássico “Os Intocáveis” (1987) que encontrou nova vocação com “Bud, o Cão Amigo” (1997) e “Winter, o Golfinho” (2011). A premissa é a mesma do clássico “A Força do Coração” (1943), em que Lassie tenta voltar para casa após ser separada de seus donos, cruzando um país. Os shoppings também recebem dois suspenses com atores famosos, que são alimentados por um mistério fora das telas: como eles toparam esses projetos? “Calmaria” volta a reunir os protagonistas de “Interestelar” (2014), Matthew McConaughey e Anne Hathaway, num pseudo-noir que só parece existir para dar vontade de ver um noir de verdade. “Crimes Obscuros” tem a curiosidade de trazer Jim Carrey num papel dramático e numa produção europeia. Ambos foram destruídos pela crítica americana – o primeiro com 21% e o segundo com impressionantes 0% no Rotten Tomatoes. Para encurtar, há uma estreia que merece maior atenção. Trata-se do drama chinês “Um Elefante Sentado Quieto”, que chega em circuito limitado após ser premiado no Festival de Berlim do ano passado. O primeiro e único longa do diretor Hu Bo tem 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, apesar de suas quase quatro horas de duração. É longo. E lento. E sem sorrisos. Uma jornada deprimente pelas margens da vida na China moderna, seguindo múltiplos personagens em uma cidade industrial, todos vítimas do egoísmo de outras pessoas. O tom sombrio reflete o estado de espírito do próprio diretor, que se matou após terminar o longa, aos 29 anos de idade. “Um Elefante Sentado Quieto” é seu epitáfio. A lista também inclui mais dois terrores ruins, duas comédias europeias medianas e dois documentários sobre ditaduras. Os trailers e as sinopses podem ser conferidos abaixo. Cinderela Pop | Brasil | Comédia Cintia Dorella (Maisa Silva) é uma adolescente que descobre uma traição no casamento dos pais. Descrente no amor, ela vai morar na casa da tia e passa a trabalhar como DJ, se tornando a Cinderela Pop. Mas ela não esperava que um príncipe encantado pudesse fazê-la se apaixonar. A Caminho de Casa | EUA | Aventura Bella é uma cadelinha especial que vive com Lucas, um estudante de medicina veterinária que trabalha como voluntário em um hospital local. Um dia ela é encontrada pelo Controle de Animais na rua e acaba sendo levada para um abrigo a 400 milhas de distância de seu dono. No entanto, Bella, uma cachorra extremamente leal e corajosa, decide iniciar sozinha uma longa jornada de volta para a casa, emocionando a todos que cruzam o seu caminho. Calmaria | EUA | Suspense O capitão de um barco de pesca (Matthew McConaughey) tem um passado misterioso que está prestes a vir à tona. Vivendo em uma pequena ilha do Caribe, sua vida assume um caminho que pode não ser tudo o que parece. Quando sua ex-mulher (Anne Hathaway) retorna e faz um pedido inusitado e perigoso, ele começa a questionar tudo à sua volta. Crimes Obscuros | EUA | Suspense O policial Tadek (Jim Carrey) investiga um caso de assassinato não resolvido e encontra semelhanças do crime em um livro do artista polonês Krystov Kozlow (Marton Csokas). Ele começa a investigar a vida do escritor e da sua namorada, uma mulher misteriosa (Charlotte Gainsbourg) que trabalha num sex club. Sua obsessão aumenta e Tadek fica cada vez mais atormentado, adentrando num submundo de sexo, mentiras e corrupção. Não Olhe | Reino Unido | Terror Uma jovem solitária de 18 anos não encontra suporte familiar e nem amigos para que possa desabafar sobre os problemas de sua vida. Cansada, ela começa a conversar com o próprio reflexo no espelho apenas para externalizar sua angústia, mas rapidamente descobre que está trocando de lugar com uma espécie de clone que tenta convencê-la a tomar atitudes vingativas. A Maldição da Freira | Reino Unido | Terror O capitão de um barco de pesca (Matthew McConaughey) tem um passado misterioso que está prestes a vir à tona. Vivendo em uma pequena ilha do Caribe, sua vida assume um caminho que pode não ser tudo o que parece. Quando sua ex-mulher (Anne Hathaway) retorna e faz um pedido inusitado e perigoso, ele começa a questionar tudo à sua volta. Um Elefante Sentado Quieto | China | Drama Sob o céu escuro de uma pequena cidade no norte da China, o individualismo marca várias histórias paralelas. Wei Bu, um garoto de 16 anos, envolve-se numa briga na escola que provoca o acidente de um colega, filho de uma família poderosa. Logo, ele precisa descobrir um meio de fugir. A melhor amiga dele, Huang Ling, está em apuros após o vazamento de um vídeo íntimo envolvendo o vice-diretor da escola. O avô de Wei Bu mora com a filha, mas sofre pressão para abandonar o seu próprio apartamento e se mudar para um asilo, deixando mais espaço aos outros moradores. Yu Cheng dorme com a esposa de seu melhor amigo, mas quando o caso é descoberto, este se joga de uma janela e se mata. À medida que as histórias se cruzam em um único dia, eles ouvem falar da cidade vizinha de Manzhouli, onde haveria um elefante sentado, imóvel, por algum motivo misterioso. A Casa de Veraneio | França | Comédia Após a morte de seu irmão, a cineasta Anna (Valeria Bruni Tedeschi) decide unir-se ao restante de sua família para passar férias em uma mansão de verão na Côte d’Azur. Apesar da linda paisagem, a mulher precisa lidar com um término recente e com os desafios de seu novo filme enquanto o isolamento das pessoas ao seu redor as leva a externalizar uma série de sentimentos até então reprimidos. Made in Italy | Itália | Comédia Riko (Stefano Accorsi) é um homem sem sorte que, insatisfeito com seu trabalho e com uma sociedade que não o representa, está passando por dificuldades em manter sua família. A única coisa que salva os seus dias são seus amigos, que propõem uma viagem para Roma para tirá-lo da pressão dessa pequena crise existencial. O Silêncio dos Outros | Espanha | Documentário Em 1977, o parlamento espanhol aprovou uma Lei de Anistia que garantia a liberdade de todos os presos políticos e a proibição do julgamento de qualquer ato criminoso ocorrido durante a ditadura de Francisco Franco no país. O Franquismo assombrou a Espanha durante 38 anos deixando um imenso número de vítimas e parentes sem respostas. Os cineastas Almudena Carracedo e Robert Bahar foram atrás desses sobreviventes e, durante um período de 6 anos, entrevistaram pessoas como José Galantes, que hoje em dia vive muito próximo de seu torturador, e Maria Martín, que até hoje não conseguiu ter acesso aos restos mortais de seu pai, morto durante o regime. Tá Rindo de Quê? | Espanha | Documentário Mesmo diante de toda a brutalidade e truculência da ditadura militar no Brasil, muitos artistas apresentavam-se como resistência utilizando do talento e da criatividade para driblar as imposições da censura na época. Fornecendo para a população uma espécie de válvula de escape, diversos humoristas foram ameaçados e perseguidos em detrimento de piadas e quadros televisivos.
Trailer de Cine Holliúdy 2 mostra cangaceiros contra discos voadores
A Downtown Filmes divulgou o pôster e o trailer de “Cine Holliúdy 2: A Chibata Sideral!”, continuação do sucesso inesperado de 2013. Desta vez, Francisgleydisson pretende filmar uma sci-fi no sertão, com direito a luta entre cangaceiros e discos voadores. O resultado é uma verdadeira festa da Kiti, como diz no vídeo o cantor brega – e agora ator brega – Falcão. Dirigido por Halder Gomes, “Cine Holliúdy” começou como fenômeno cearense, exibido em apenas nove salas do estado, para virar uma das maiores bilheterias de 2013 e vencer o prêmio de Melhor Comédia, conferido pela Academia Brasileira de Cinema. Mistura de “Os Trapalhões” e “Cinema Paradiso”, o filme contava as peripécias de um cineclubista – ou melhor, “cinemista” – para exibir filmes de kung fu no único cinema de sua cidadezinha do interior cearense, durante os anos 1970. Na continuação, o ator Edmilson Filho retoma o papel do idealista Francisgleydisson e ainda assina o roteiro com Halder Gomes e o maior fabricante de roteiros brasileiros, L.G. Bayão. O elenco também traz de volta Miriam Freeland como sua esposa, o mencionado Falcão e Roberto Bomtempo como o prefeito, mas mudou a maioria dos coadjuvantes. Entre as novidades, destacam-se Milhem Cortaz (“O Lobo Atrás da Porta”), Chico Díaz (“Em Nome da Lei”) e Samantha Schmütz (“Tô Ryca!”). A estreia está marcada para 21 de março nos cinemas brasileiros.
Spirit Awards 2019: Confira os vídeos dos melhores momentos da premiação do cinema indie dos EUA
A consagração de “Se a Rua Beale Falasse” no Spirit Awards 2019 não foi transmitida para o Brasil. Mas o Film Independent, organização responsável pela premiação que é considerada o “Oscar do cinema independente”, disponibilizou os principais momentos do evento no YouTube. Sem preocupação com limite de tempo para os agradecimentos, já que foi exibido por um canal pago indie (IFC) nos Estados Unidos, a cerimônia teve de tudo, de vencedor agradecendo por carta (Ethan Hawke, Melhor Ator, ausente) até cachorro no palco, levado pela atriz Glenn Close. Mas os destaques foram mesmo os discursos. E o melhor deles pertenceu ao cineasta Barry Jenkins, vencedor do troféu de Melhor Direção pelo grande campeão da tarde. Ao subir no palco para agradecer o reconhecimento por seu trabalho em “Se a Rua Beale Falasse”, ele soltou um inacreditável “Eu não vou mentir, não queria ter vencido este prêmio”. Após revelar que torcia pela vitória de uma das três cineastas femininas com quem disputava, disse que gostaria que mais mulheres fosse contratadas para equipes técnicas de filmes, e passou a agradecer e elogiar todos os membros femininos de sua equipe. Lembrou, ainda, que uma de suas concorrentes, Tamara Jenkins (“Mais uma Chance”), lhe deu muito atenção e orientação quando ele era apenas um cineasta aspirante sem nada para mostrar, e isso o ajudou muito a começar. O agradecimento final foi para a produtora Megan Ellison, do estúdio Annapurna, lembrando que são poucos os produtores que investem em filmes de cineastas negros, e que eles eram capazes de fazer grandes obras se encontrassem maior apoio financeiro. Confira abaixo os principais momentos da premiação, que aconteceu na tarde deste sábado (23/2), com apresentação da atriz Aubrey Plaza (“Legion”), numa tenda montada na praia de Santa Monica, na Califórnia. Abertura: Film Independent Spirit Awards 2019 Monólogo de Abertura: Aubrey Plaza Melhor Filme: “Se a Rua Beale Falasse” Melhor Direção: Barry Jenkins (“Se a Rua Beale Falasse”) Melhor Atriz: Glenn Close (“A Esposa”) Melhor Ator: Ethan Hawke (“No Coração da Escuridão”) Melhor Atriz Coadjuvante: Regina King (“Se a Rua Beale Falasse”) Melhor Ator Coadjuvante: Richard E. Grant (“Poderia Me Perdoar?”) Melhor Roteiro: Nicole Holofcener e Jeff Whitty (“Poderia me Perdoar?”) Melhor Fotografia: Sayombhu Mukdeeprom (“Suspiria”) Melhor Edição: Joe Bini (“Você Nunca Esteve Realmente Aqui”) Melhor Documentário: “Won’t You Be My Neighbor?” Prêmio Robert Altman (melhor conjunto de elenco e diretor): “Suspiria” Melhor Filme Internacional: “Roma” (México) Melhor Filme de Estreia: “Sorry to Bother You” Roteirista Revelação: Bo Burnham (“Oitava Série”) Prêmio John Cassavetes (melhor filme feito por menos de US$ 500 mil): “En el Séptimo Día” Prêmio Bonnie de Cineasta Feminina: Debra Granik (“Não Deixe Rastros”) Número Musical: Shangela
Spirit Awards 2019: Se a Rua Beale Falasse é o grande vencedor do “Oscar indie”
O Spirit Awards 2019 consagrou o filme “Se a Rua Beale Falasse”, do cineasta Barry Jenkins. Considerado o “Oscar do cinema independente”, o evento da premiação aconteceu durante a tarde de sábado (23/2), com apresentação da atriz Aubrey Plaza (“Legion”), em tendas montadas na praia de Santa Monica, na Califórnia. Descontraída, graças ao clima de praia, a festa premiou até diretor brasileiro. O grande vencedor da cerimônia, “Se a Rua Beale Falasse”, amealhou três Spirit Awards, mais que qualquer outro longa. Além de ser considerado o Melhor Filme independente do ano, rendeu troféus de Melhor Direção para Jenkins e de Melhor Atriz Coadjuvante para Regina King. A conquista aconteceu dois anos após Jenkins levar uma coleção de Spirit Awards por “Moonlight” – melhor filme, direção, roteiro, etc. Na ocasião, o Spirit serviu de esquenta para o Oscar, vencido por “Moonlight”. Mas isto não se repetirá em 2019. A comparação demonstra como tudo mudou rápido em dois anos. Desde a vitória de “Moonlight”, a rede ABC reclamou que sua transmissão do Oscar estava com cada vez menos audiência e pressionou a Academia por mudanças na premiação. Em 2019, os filmes independentes das cerimônias anteriores foram substituídos por indicações a blockbusters. Por conta disso, “Se a Rua Beale Falasse” nem sequer foi indicado ao Oscar de Melhor Filme – disputa apenas as estatuetas de Roteiro Adaptado (de Jenkins), Trilha Sonora (Nicholas Britell) e Atriz Coadjuvante (King). Jenkins tampouco foi indicado por sua direção. O vencedor do Spirit de Melhor Ator foi outro esnobado pela Academia. Ethan Hawke recebeu o troféu por “No Coração da Escuridão”, em que vive um padre atormentado, mas não está entre os indicados ao Oscar. Por outro lado, a Melhor Atriz, Glenn Close, é favorita ao prêmio da Academia por “A Esposa”. A premiação de intérpretes do Spirit Awards ainda destacou Richard E. Grant como Melhor Ator Coadjuvante por “Poderia Me Perdoar?”. Favorito ao Oscar 2019, “Roma”, de Alfonso Cuarón, só disputava um prêmio. E venceu na categoria de Melhor Filme Internacional. Já a vitória brasileira aconteceu na categoria de “Someone to Watch” (alguém para prestar atenção), prêmio equivalente a Diretor Revelação do ano, que reconheceu Alex Moratto por seu longa de estreia, “Sócrates”. Moratto superou a romena Ioana Uricaru (por “Lemonade”) e o americano Jeremiah Zagar (“We the Animals”) com sua obra sobre um jovem negro homossexual de 15 anos, morador da periferia de Santos, que precisa sobreviver sozinho após a morte da mãe. Rodado por apenas US$ 20 mil, “Sócrates” impressionou a crítica norte-americana ao passar por festivais como Los Angeles e Montreal, e acabou premiado no Festival do Rio, Mostra de São Paulo, Woodstock (EUA) e Thessaloniki (Grécia). O filme ainda disputava os troféus John Cassavetes, dedicado a produções com orçamento inferior a US$ 500 mil – vencido por “En el Séptimo Día”, de Jim McKay – e de Melhor Ator, graças à interpretação do adolescente Christian Malheiro. Outros longas indies com destaque ao longo do ano passado, como “Oitava Série”, “Você Nunca Esteve Realmente Aqui”, “Não Deixe Rastros”, “Sorry to Bother You” e “Suspiria”, também compensaram o esquecimento da Academia com o reconhecimento do Spirit Awards. Confira abaixo a lista completa dos vencedores da principal premiação do cinema indie dos Estados Unidos. Melhor Filme “Se a Rua Beale Falasse” Melhor Direção Barry Jenkins (“Se a Rua Beale Falasse”) Melhor Roteiro Nicole Holofcener e Jeff Whitty (“Poderia me Perdoar?”) Melhor Atriz Glenn Close (“A Esposa”) Melhor Ator Ethan Hawke (“No Coração da Escuridão”) Melhor Atriz Coadjuvante Regina King (“Se a Rua Beale Falasse”) Melhor Ator Coadjuvante Richard E. Grant (“Poderia Me Perdoar?”) Melhor Filme de Estreia “Sorry to Bother You” Diretor Revelação Alex Moratto (“Sócrates”) Roteirista Revelação Bo Burnham (“Oitava Série”) Melhor Fotografia Sayombhu Mukdeeprom (“Suspiria”) Melhor Edição Joe Bini (“Você Nunca Esteve Realmente Aqui”) Melhor Filme Internacional “Roma” (México) Melhor Documentário “Won’t You Be My Neighbor?” Prêmio John Cassavetes (melhor filme com orçamento inferior a US$ 500 mil) “En el Séptimo Día” Prêmio Robert Altman (melhor conjunto de elenco e diretor) “Suspiria” Prêmio Mais Verdade que a Ficção Bing Liu (“Minding the Gap”) Prêmio de Produtor Emergente Shrihari Sathe (“Ratos de Praia”) Prêmio Bonnie de Cineasta Feminina Debra Granik (“Não Deixe Rastros”)
Spirit Awards 2019: Diretor brasileiro é premiado no “Oscar do cinema independente”
O Spirit Awards, principal prêmio do cinema independente americano, considerado o “Oscar indie”, premiou o diretor brasileiro Alex Moratto neste sábado (23/2), em cerimônia realizada na praia de Santa Monica, na Califórnia. Ele venceu na categoria de “Someone to Watch” (alguém para prestar atenção), prêmio equivalente a Diretor Revelação do ano, por seu longa de estreia “Sócrates”. Moratto superou a romena Ioana Uricaru (por “Lemonade”) e o americano Jeremiah Zagar (“We the Animals”). “Sócrates” chamou muita atenção dos organizadores do prêmio indie americano, obtendo indicações em mais duas categorias, incluindo o prêmio de Melhor Ator para o jovem Christian Malheiro. Apesar de também ser estreante, o adolescente brasileiro concorreu com os famosos Ethan Hawke (“First Reformed”), Joaquin Phoenix (“Você Nunca Esteve Realmente Aqui”), John Cho (“Buscando”) e Daveed Diggs (“Ponto Cego”). Hawke venceu. O terceiro prêmio a que “Sócrates” concorria era o troféu John Cassavetes, dedicado a produções com orçamento inferior a US$ 500 mil. Nesta categoria, o premiado foi “En el Séptimo Día”, de Jim McKay, sobre imigrantes mexicanos ilegais em Nova York. Focado num jovem negro homossexual de 15 anos, morador da periferia de Santos, que precisa sobreviver sozinho após a morte da mãe, “Sócrates” foi rodado por apenas US$ 20 mil, mas impressionou a crítica norte-americana ao passar por festivais como Los Angeles e Montreal, e acabou premiado no Festival do Rio, Mostra de São Paulo, Woodstock (EUA) e Thessaloniki (Grécia). “É um filme muito pessoal para mim. Escrevi o roteiro após a morte da minha mãe. Foi algo muito importante para mim, algo que precisei expressar muito”, afirmou Moratto em entrevista durante a Mostra de São Paulo. O longa ainda não tem previsão de estreia comercial no Brasil.
Minha Vida em Marte é visto por mais de 5 milhões de brasileiros
A comédia brasileira “Minha Vida em Marte” superou nessa semana a marca de 5 milhões de ingressos vendidos. Com isso, tornou-se a 15ª produção nacional mais vista nos cinemas em todos os tempos. O número também é mais do que o dobro do total de público de “Os Homens São de Marte… E É Pra Lá Que Eu Vou”, primeiro filme da franquia, que alcançou 1,7 milhão de espectadores. Grande público representa bilheteria milionária. O filme já vendeu mais de R$ 76 milhões em ingressos. E, apesar de estar há oito semanas em exibição, “Minha Vida em Marte” ainda continua lotando os cinemas. No fim de semana passado, ainda era o 3º filme mais visto no país – atrás apenas da estreia de “Alita: Anjo de Combate” e da animação “Como Treinar Seu Dragão 3”. O sucesso vai render, inevitavelmente, nova continuação. Primeiro filme dirigido por Susana Garcia, irmã da protagonista Mônica Martelli, que estreou na função após ser co-roteirista do primeiro filme, “Minha Vida em Marte” deu mais destaque para o papel – originalmente secundário – de Paulo Gustavo e incluiu a inevitável viagem aos Estados Unidos de toda continuação de comédia brasileira que queira virar blockbuster – repetindo “De Pernas pro Ar 2”, “Até que a Sorte nos Separe 2” e “S.O.S.: Mulheres ao Mar 2”. O elenco se completa com Marcos Palmeira, com quem Mônica tinha ficado na história original, além do português Ricardo Pereira (da novela “Deus Salve o Rei”), Heitor Martinez (“Os Dez Mandamentos”), Fiorella Mattheis (“Vai que Cola”) e a ubíqua Anitta (“Meus Quinze Anos”).
Lembro Mais dos Corvos traz monólogo de atriz transexual
“Lembro Mais dos Corvos” é um documentário em forma de monólogo, estimulado por perguntas, realizado da forma mais simples possível. Uma conversa filmada no apartamento de uma pessoa trans. No caso, a atriz e diretora Júlia Katharine. Ela vai falando de si, dirigida por Gustavo Vinagre, num roteiro construído pelos dois. Conta as suas experiências, suas histórias, e como ela preenche suas noites de insônia. O que resulta daí é um retrato corajoso da vida difícil dos transexuais, dos transgêneros, a partir de uma situação particular. Que deve ter muito a ver com a de grande parte de seus pares. O filme é uma oportunidade de penetrar no mundo íntimo de alguém que se apresenta ao espectador com uma experiência de vida bem diferente da habitual, da esperada. Sem medo de parecer ridícula, superficial ou esquisita. Ou melhor, driblando esse medo de modo muito competente, Júlia se expõe e conquista o respeito dos que a assistem. Na mesma sessão que exibe “Lembro Mais dos Corvos”, de 82 minutos de duração, é exibido o curta de 25 minutos “Tea for Two”. Realizado por Júlia Katharine, com Gilda Nomacce, a própria Júlia e Amanda Lyra. Uma ficção concebida e dirigida por uma pessoa trans não deixa de ser uma boa novidade no cinema brasileiro. Merece ser conferida.
Estreias: A Morte Te Dá Parabéns 2 enfrenta Sai de Baixo nos cinemas brasileiros
Oito filmes novos chegam aos cinemas nesta quinta (21/2), mas a disputa pelo grande público vai se resumir a “Sai de Baixo – O Filme” e “A Morte Te Dá Parabéns 2”. A comédia nacional tem a distribuição mais ampla da semana, contando com o público da televisão para tentar lotar os cinemas, já que volta a reunir o elenco original da série que foi sucesso na Globo dos anos 1990. Mas é fraquíssima. “A Morte Te Dá Parabéns 2” sai-se um pouco melhor, ainda que não supere o primeiro filme. A sensação é de déjà vu, repetindo situações, o que até é apropriado ao tema – 67& no Rotten Tomatoes. A lista de Hollywood ainda inclui um drama deprimente, “Querido Menino”, em que Timothée Chalamet vive um adolescente viciado em drogas para desespero de seu pai, interpretado por Steve Carell. Os produtores esperavam repercussão na temporada de premiações, mas, apesar de indicações para Chalamet no Globo de Ouro, SAG Awards, BAFTA e Critics Choice, nem a crítica se empolgou – 69% no Rotten Tomatoes. A dica de melhor programa da semana é o suspense dramático italiano “Dogman”. Dirigido por Matteo Garrone (“Gomorra”), acompanha um frágil cuidador de cachorros arrastado para cima e para baixo por um ex-boxeador brutamontes, que diz ser seu amigo enquanto o aterroriza, brutaliza e o faz testemunhar crimes. É uma porrada. Por seu desempenho no papel-título, Marcello Fonte foi considerado o Melhor Ator no Festival de Cannes e o Melhor Ator Europeu de 2018 pela Academia Europeia de Cinema – 78% no Rotten Tomatoes. Também vale conferir o novo filme do iraniano Asghar Farhadi, vencedor de dois Oscars de Melhor Filme em Língua Estrangeira – por “A Separação” (2011) e “O Apartamento” (2016). Diferente de todas as obras de sua carreira, “Todos Já Sabem” foi filmado na Espanha com o casal espanhol Penélope Cruz (“Assassinato no Expresso do Oriente”) e Javier Bardem (“Mãe!”), além do argentino Ricardo Darín (“Truman”). A trama gira em torno da personagem de Cruz, que retorna a sua cidadezinha natal durante um período festivo, apenas para testemunhar uma série de eventos inesperados que trazem vários segredos à tona. Foi o filme de abertura do Festival de Cannes do ano passado, onde não repetiu a empolgação das obras anteriores do cineasta – 71% no Rotten Tomatoes. Há mais dois filmes brasileiros: “Homem Livre”, primeiro longa de Alvaro Furloni, que envereda pelo suspense psicológico ao acompanhar a paranoia de um ex-presidiário célebre convertido em evangélico (Armando Babaioff, de “Prova de Coragem”), e o documentário “Lembro Mais dos Corvos”, monólogo de uma atriz transexual. Veja abaixo os trailers e as sinopses das estreias, que inclui ainda uma comédia francesa. Sai de Baixo – O Filme | Brasil | Comédia É a volta dos personagens icônicos da série de sucesso da Rede Globo, como Caco (Miguel Falabella), Magda (Marisa Orth) e Ribamar (Tom Cavalcante), assim como novos personagens que vão acrescentar à bagunça. A Morte Te Dá Parabéns 2 | EUA | Terror Depois de morrer diversas vezes para quebrar a maldição temporal que a mantinha presa no dia de seu aniversário, Tree (Jessica Rothe) olha para o futuro, tentando escrever uma nova história ao lado de Carter (Israel Broussard). No entanto, o colega de Carter revela que está revivendo sempre o mesmo dia, retomando com outra vítima o fluxo de repetição. E esta não é a única diferença. Desta vez, morrer não será o suficiente para escapar. Querido Menino | EUA | Drama David Sheff (Steve Carell) é um conceituado jornalista e escritor que vive com a segunda esposa e os filhos. O filho mais velho, Nic Sheff (Timothée Chalamet), é viciado em metanfetamina e abala completamente a rotina da família e daquele lar. David tenta entender o que acontece com o filho, que teve uma infância de carinho e suporte, ao mesmo tempo em que estuda a droga e sua dependência. Nic, por sua vez, passa por diversos ciclos da vida de um dependente químico, lutando para se recuperar, mas volta e meia se entregando ao vício. Dogman | Itália | Suspense Marcello (Marcello Fonte), um humilde funcionário da pet shop Dogman, localizada na periferia de Roma, se envolveu em um dos piores crimes já registrados na história da Itália. Dominado por um sentimento de vingança incontrolável, ele decidiu torturar, durante horas, um ex-boxeador que atormentava todos os moradores do bairro em que vivia. Todos Já Sabem | Espanha, França | Suspense Quando sua irmã se casa, Laura (Penélope Cruz) retorna à Espanha natal para acompanhar a cerimônia. Por motivos de trabalho, o marido argentino (Ricardo Darín) não pode ir com ela. Chegando no local, Laura reencontra o ex-namorado, Paco (Javier Bardem), que não via há muitos anos. Durante a festa de casamento, uma tragédia acontece. Toda a família precisa se unir diante de um possível crime de grandes proporções, enquanto se questionam se o culpado não está entre eles. Na busca por uma solução, segredos e mentiras são revelados sobre o passado de cada um. Homem Livre | Brasil | Drama Hélio Lotte (Armando Babaioff) já foi rodeado de fama e dinheiro, e esteve por muito tempo no centro dos holofotes. Hoje, livre da cadeia após anos preso por um crime brutal, o ex-ídolo do rock só tem uma intenção: ser esquecido. O que ele não imagina é que, ao se abrigar em uma pequena igreja evangélica, partes do seu passado voltarão à tona trazendo mais um acontecimento ruim. Normandia Nua | França | Comédia Georges Balbuzard (François Cluzet) é o prefeito da pequena cidade de Mêle sur Sarthe, na Normandia, onde os agricultores vêm sofrendo cada vez mais por conta de uma crise econômica. Quando o fotógrafo Blake Newman (Toby Jones), conhecido por deixar multidões nuas em suas obras, está passando pela região, Balbuzard enxerga nisso uma oportunidade perfeita para salvar seu povo. Só falta convencer os cidadãos a tirarem a roupa. Lembro Mais dos Corvos | Brasil | Documentário Durante uma crise de insônia, a atriz Julia Katharine, uma mulher transexual, conta a história de sua vida através de um monólogo. A intimidade da personagem central é exposta através de relatos reais de resistência e autoaceitação.
Minha Fama de Mau celebra importância de Erasmo Carlos para o rock brasileiro
Erasmo Carlos, roqueiro e romântico, cantor e compositor, foi um dos pilares do programa “Jovem Guarda”, um megasucesso televisivo dos anos 1960, que se tornou um movimento de música jovem brasileira, sempre relembrado desde então. Roberto Carlos, o amigo e parceiro de Erasmo, manteve-se em alta sempre, mudando estilo, prioridades e público. Wanderléa, o terceiro pilar da Jovem Guarda, e Erasmo Carlos não conseguiram o mesmo resultado, mas são lembrados por seu pioneirismo que conseguiu incorporar o rock, então nascente, à música brasileira, compondo, vertendo e cantando em português (antes deles houve Celly Campello). Eles comandaram um time de artistas jovens, que se tornaram ídolos da brotolândia, como se dizia na época. Erasmo manteve uma carreira mais discreta como cantor, ao longo do tempo, mas dividindo com Roberto a grande maioria das composições que este lançava ao sucesso. Como acontece até hoje. “Minha Fama de Mau”, o filme de Lui Farias, é uma adaptação do livro escrito por Erasmo Carlos, contando parte de sua vida e carreira, da juventude pobre na Tijuca, vivendo em casa de cômodos, o popular cortiço, ao sucesso retumbante da Jovem Guarda e o posterior declínio. Passa pelo tempo do conjunto The Snakes e pelo conhecimento de Tião, depois Tim Maia, que lhe ensinou três acordes no violão, que lhe valeram muito, e também pelo período de afastamento de Roberto Carlos e a retomada da amizade e da parceria. Lá estão as muitas mulheres que passaram pela vida dele, inclusive a esposa Narinha. O filme optou por escolher uma única atriz para representar todas elas, Bianca Comparato. Uma opção interessante que, na prática, nivela as parceiras amorosas e sexuais por baixo. Todas valem pouco, pelo menos, até o aparecimento de Narinha. É o que deve ter sido captado pelos roteiristas Lui Farias, L. G. Bayão e Letícia Mey, do texto original, suponho. O filme é contado na primeira pessoa, é a visão de Erasmo Carlos sobre sua vida e carreira. O personagem chega a falar diretamente para a câmera, ou seja, contar para o público o que se passava ou o que era sentido por ele. O ator protagonista é Chay Suede, que não se parece fisicamente com Erasmo, mas convence pela entrega ao papel e porque canta bem as canções que marcaram o Tremendão. Gabriel Leone, que faz Roberto, e Malu Rodrigues, que faz Wanderléa, também cantam bem e compõem um bom elenco, assim como Bruno Luca, que faz Carlos Imperial, o empresário pilantra e pretensioso que, de qualquer modo, abriu muitas portas para Erasmo. O filme tem uma boa caracterização de época, incluindo signos muito claros da Jovem Guarda, como ambientes, vestuário, cartazes, instrumentos. Tem também achados interessantes, como a interação entre a interpretação de hoje e as imagens da plateia da época. Os elementos políticos da ditadura militar estão ausentes, mas estavam também ausentes na visão dos brotos e desses ídolos, no período. Algum tempo atrás, vi uma entrevista com Erasmo Carlos, em que ele dizia que estava na hora de se mostrar novamente. E contava que sua neta, na escola, informava às amiguinhas que Erasmo era amigo e parceiro de Roberto Carlos e muito famoso, mas elas relutavam em acreditar. As gerações passam e a história pode se perder. Daí a importância de filmes como “Minha Fama de Mau”. iframe width=”650″ height=”365″ src=”https://www.youtube.com/watch?v=8yh0GHxs8Ns” frameborder=”0″ allowfullscreen>









