Carla Diaz vira Suzane von Richthofen na primeira foto do filme A Menina que Matou os Pais
A atriz Carla Diaz (da novelinha “Rebeldes”) foi escalada no papel de Suzane von Richthofen no filme “A Menina que Matou os Pais”. E a produção já divulgou sua primeira foto caracterizada como a criminosa. A imagem lembra o visual de Suzane na época de seu julgamento. De título auto-explicativo, o longa vai contar como Suzane planejou matar seus pais para ficar com a herança, com a ajuda de seu namorado em 2002. Presa até hoje, ela foi condenada a 39 anos de detenção em 2006, mas, com a progressão de sua pena, seu remime atual é semi-aberto, e ela alterna o período de reclusão com aulas numa faculdade de Administração. “A Menina que Matou os Pais” tem direção de Mauricio Eça (“Carrossel: O Filme”) e roteiro assinado por Raphael Montes (“Praça Paris”) em parceria com Ilana Casoy, criminóloga que é considerada a maior especialista em serial killers do Brasil. A previsão de estreia é para o primeiro semestre de 2020.
O Amor Dá Trabalho: Leandro Hassum morre, mas continua chato em trailer de nova comédia
A Downtown e a Paris Filmes divulgaram o trailer de “O Amor Dá Trabalho”, mais uma comédia brasileira estrelada por Leandro Hassum (“Até que a Sorte nos Separe”). O tom escrachado é o mesmo de todas as comédias protagonizadas pelo ator, mas com vários bônus: muito mais caretas, quedas gratuitas, absurdos generalizados e convidados especiais. A trama segue a tendência das comédias de temas mágicos e/ou sobrenaturais que está dominando a produção nacional do gênero. Como outras lançadas recentemente, a premissa vem de filmes americanos. A ideia já deu origem à trilogia “Topper” na década de 1930 e a “Dois no Céu” em 1943. Mas o cinema brasileiro atual não tem essas referências, apenas as versões delas exibidas na Sessão da Tarde. Assim, a trama escrita e dirigida por Ale McHaddo (“Bugigantes do Espaço”) parece combinar partes de vários filmes muito populares, de “O Céu Pode Esperar” (1978) a “Os Fantasmas se Divertem” (1988), remontadas num filme só. Hassum interpreta Anselmo, um funcionário preguiçoso de repartição pública que morre e, para não ir para o inferno, recebe a missão de bancar o cupido e unir um casal com gostos completamente diferentes. O desafio de Anselmo é juntar o ex-casal formado por um playboy (Bruno Garcia, de “De Pernas pro Ar”) e uma sonhadora (Flávia Alessandra, de “Polícia Federal: A Lei é para Todos”), com personalidades conflitantes e separados há 12 anos – o que é bem próximo da trama de “Marido Mal Assombrado” (1938), o segundo filme de Topper. A história ainda tem cenas de possessão, em que Hassum “incorpora” no corpo de Bruno Garcia, fazendo-o dançar (feito “Os Fantasmas se Divertem”) e influencia a personagem de Flávia Alessandra a enviar mensagens de Whatsapp comprometedoras. Ou seja, Anselmo morre, mas continua muito chato. O vasto elenco conta ainda com Monique Alfradique (“Chorar de Rir”), André Mattos (“Divórcio”), Tadeu Mello, Dani Calabresa (“Exterminadores do Além Contra a Loira do Banheiro”), Helio de La Peña (“Casseta & Planeta: A Taça do Mundo É Nossa”), Ludmilla (“Mister Brau”) e Falcão (“Cine Holliúdy”). A estreia está marcada para o dia 29 de agosto.
Novo Homens de Preto é a maior e a pior estreia de cinema da semana
Saturado de blockbusters, o circuito cinematográfico recebe apenas seis estreias nesta quinta (13/6). “MIB: Homens de Preto – Internacional” é a maior delas – chega em quase 600 cinemas. Mas todas as outras são melhores. O lançamento do novo “Homens de Preto” é simultâneo com os Estados Unidos, onde foi destruído pela crítica – apenas 31% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Enquanto os três primeiros longas se estabeleceram como comédias com elementos de ficção científica, o novo é um filme típico de ação com alienígenas genéricos e piadinhas pontuais. Sobram explosões. E falta Will Smith. Se aquele aparelhinho de apagar memórias funcionasse, até a dupla de “Thor: Ragnarok” (Chris Hemsworth e Tessa Thompson) ia querer apagar esse deslize de suas filmografias, que já se espera fracassar nas bilheterias. O suspense “Obsessão” (Greta, no original) saiu-se com 60% no RT, ao evocar os clones de Hitchcock dos anos 1980. Traz Chloë Grace Moretz como uma jovem ingênua que, ao cometer um ato altruísta, cai na armadilha de uma viúva solitária, interpretada pela francesa Isabelle Huppert (indicada ao Oscar por “Elle”). A direção é do irlandês Neil Jordan, com um Oscar por “Traídos pelo Desejo” (1992) – mas nos últimos dez anos só fez televisão. A metade americana da programação inclui ainda “Fora de Série” (Booksmart), uma comédia indie adolescente com 97% de aprovação e um bom desempenho nas bilheterias. Estreia da atriz Olivia Wilde (“Tron: O Legado”) na direção, surpreendeu a ponto de ser considerado uma espécie de “Superbad: É Hoje” (2007) feminino. A trama acompanha duas nerds que resolvem jogar tudo pra cima no último dia da escola, após passarem todo o Ensino Médio concentradas apenas nos estudos para entrar em boas faculdades. Com os mesmos 97%, “Eu Não Sou uma Bruxa” rendeu uma rara inscrição do Reino Unido na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar. Isto porque é falado em idioma nativo de Zâmbia, onde a trama se passa. A história dramática, contada com toques de humor desconcertante, acompanha uma menina de 8 anos acusada de ser bruxa e tirada da sua aldeia, sem nunca ter feito nada para merecer esse tratamento. Venceu vários festivais, foi premiado no BAFTA e no BIFA (equivalentes ao Oscar e ao Spirit britânicos) e consagrou a diretora estreante Rungano Nyoni. Mas o grande destaque do circuito limitado é o espanhol “Dor e Glória”, novo filme de Pedro Almodóvar, que rendeu o prêmio de Melhor Ator para Antonio Banderas no recente Festival Cannes. Ele vive um alter-ego do diretor, lidando com os sentimentos do título, evocados em lembranças, conquistas e ressentimentos. A obra atingiu 90% no Rotten Tomatoes – que preferiu a comédia teen e a tragédia da menina de Zâmbia. Para completar, até o terror da semana é muito bem cotado. “A Lenda de Golem” tem os mesmos 90% de aprovação de “Dor e Glória” no Rotten Tomatoes, algo raro para o gênero. A produção isralense é caprichada, com belíssima fotografia e clima arrepiante, sem se valer de sustos fáceis, mas das entranhas da cultura cabalística para arrepiar. Confira abaixo os trailers e as sinopses dos seis filmes que entram em cartaz. MIB: Homens de Preto – Internacional | EUA | Fantasia Quando criança, Molly (Tessa Thompson) presenciou a abordagem de dois agentes do MIB em seus pais, apagando a memória deles sobre a súbita aparição de um extraterrestre. Como estava escondida, a garota não foi atingida. Obcecada pelos mistérios do universo, ela cresceu com o sonho de ingressar no MIB. Após muita pesquisa, ela consegue descobrir a sede da agência e lá se candidata a uma vaga, sendo aceita por O (Emma Thompson). Ainda em experiência e renomeada como agente M, ela é enviada a Londres para investigar algo estranho que tem ocorrido na agência local. É quando conhece o agente H (Chris Hemsworth), de grande renome pelos seus feitos no passado, mas com uma certa arrogância e displicência na execução do trabalho. Obsessão | EUA | Suspense Frances (Chloë Grace Moretz) é uma jovem cuja mãe acaba de falecer. Recém-chegada em Manhattan e cheia de problemas com o pai, ela divide apartamento com a amiga Erica (Maika Monroe) e trabalha como garçonete de um luxuoso restaurante. Um dia, voltando para casa, Frances encontra uma bolsa abandonada em um dos assentos do metrô e, ao devolvê-la, acaba iniciando uma amizade improvável com a dona do acessório, uma senhora viúva chamada Greta (Isabelle Huppert). Os problemas começam a surgir quando Frances percebe que a necessidade de atenção de Greta é muito mais perigosa do que ela imaginava. Fora de Série | EUA | Comédia Duas grandes amigas conhecidas por serem os maiores prodígios da escola estão prestes a terminar o ensino médio. Faltando poucos dias para o grande momento, elas percebem que estão arrependidas por terem estudado tanto e se divertido tão pouco. Determinadas a não passar por todo esse tempo sem nenhuma diversão, elas decidem compensar os últimos quatro anos perdidos em apenas uma noite. Dor e Glória | Espanha | Drama Salvador Mallo (Antonio Banderas) é um melancólico cineasta em declínio que se vê obrigado a pensar sobre as escolhas que fez na vida quando seu passado retorna. Entre lembranças e reencontros, ele reflete sobre sua infância na década de 1960, seu processo de imigração para a Espanha, seu primeiro amor maduro e sua relação com a escrita e com o cinema. Eu Não Sou uma Bruxa | Reino Unido, Zâmbia | Drama Devido a um incidente banal em sua vila, a menina de 8 anos Shula (Maggie Mulubwa) é acusada de bruxaria. Depois de um rápido julgamento, a garota se torna culpada e é levada em custódia pelo Estado, sendo exilada para um campo de bruxas no meio do deserto. No local, ela passa por uma cerimônia de iniciação em que aprende as regras da sua nova vida como bruxa. Como as outras residentes, ela é amarrada em uma grande árvore, sendo ameaçada de ser amaldiçoada e de se transformar em uma cabra caso corte a fita. A Lenda de Golem | Israel | Terror Desde que perderam um bebê, o que Hanna (Hani Furstenberg) e seu marido Benjamin (Ishai Golan) mais querem é tentar ter outro filho. Para tal, ela conta com a fé que tem em Deus, e por isso estuda diariamente a Torá, mesmo que na comunidade aonde viva essa prática seja restrita aos homens. Quando uma epidemia assola a região e a culpa recai imediatamente sobre os judeus, Hanna tenta usar de seu misticismo para convocar um golem, sem saber que a criatura é muito mais perigosa do que pensa.
Nada a Perder 2: Vídeo anuncia pré-venda de ingressos do novo filme de Edir Macedo
A Paris Filmes divulgou o pôster e um novo vídeo de “Nada a Perder 2”, continuação da cinebiografia do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus. A prévia mostra o protagonista como um injustiçado, vítima de perseguição, e anuncia o início da venda antecipada de ingressos. Acusado de ser exibido para salas vazias de cinema, o primeiro filme vendeu 12 milhões de ingressos, o que representou metade do total de espectadores de todos os filmes brasileiros em 2018. A pré-venda do segundo longa começa oficialmente no sábado (15/6). A continuação vai cobrir os anos entre a saída do bispo da prisão, em 1992, e a inauguração do Templo de Salomão, em São Paulo, em 2014. Petrônio Gontijo volta ao papel de Macedo e o elenco também inclui Day Mesquita, Beth Goulart, Dalton Vigh, Eduardo Galvão e César Mello, entre outros. Muitos outros. Foram mais de 60 atores e 6 mil figurantes em locações no Brasil, África do Sul e Israel Novamente dirigido por Alexandre Avancini, “Nada a Perder 2” tem estreia marcada para 15 de agosto.
Victor Lamoglia vira Thati Lopes em vídeos de Socorro! Virei uma Garota
A Downtown e a Paris Filmes divulgaram o pôster, o trailer e uma cena de “Socorro! Virei uma Garota”, mais uma comédia brasileira com premissa mágica – como “Eu Sou Mais Eu” (2019), “Se Eu Fosse Você” (2006) e até a animação “Lino” (2017). São tantos lançamentos que já virou subgênero. E com subdivisões. Como diz o título, a produção pertence ao ramo cinematográfico das trocas de sexo, como os americanos “Switch: Trocaram meu Sexo” (1991) e “De Repente Ela” (2015). Mas o tom teen é mais próximo de “Garota Veneno” (2002). A boa notícia é que a produção não parece enveredar pelas piadas misóginas que costumam acompanhar as comédias de troca de sexo. “Garota Veneno”, por exemplo, é um horror nesse sentido. Em parte porque o protagonista (Victor Lamoglia, de “Tudo por um Pop Star”) parece um nerd saído de um filme de John Hughes, como “Mulher Nota 1000” (1985), antes de um desejo mal-interpretado gerar uma mudança inesperada em sua vida. Mas principalmente porque Tathi Lopes (“Ana e Vitória”) rouba as cenas a partir daí, como a moleca (tomboy) que pensa como homem. Cinéfilos vão lembrar de Debbie Reynolds em “Um Amor do Outro Mundo” (1964). Mas seu estilo despojadão está mais para a jovem Deborah Secco de “Confissões de Adolescente” (1994-1995), com um pé de sapato maior. Júlio (Lamoglia) desejava apenas ser notado por seu crush, Melina (Manu Gavassi, de “Malhação”). E foi com essa ideia na cabeça que ele pediu a uma estrela cadente, em meio a uma excursão escolar, que se tornasse a pessoa mais popular do colégio. O que ele não contava é que fosse se transformar em Júlia (Thati Lopes), sua versão feminina, patricinha YouTuber que dá dicas de beleza e é melhor amiga justamente de Melina. O curioso é que, quando Júlio acorda Júlia, em nada lembra a garota popular e afetadinha que deveria representar. Resta ver como o filme vai explorar esse contraste, entre a garota de comportamento masculino, apaixonada pela melhor amiga, em relação à sua imagem pública como uma princesinha cor-de-rosa e sua consciência interior como nerd frustrado. O que as prévias mostram é divertido o suficiente para atiçar a curiosidade – e inspirar torcida por um final feliz que não envolva o melhor amigo, nem citado até aqui, ou um simples acordar de sonho no dia seguinte. O filme tem roteiro de Paulo Cursino (“De Pernas Pro Ar”, “Até que a Sorte nos Separe”) e marca a estreia no cinema do diretor Leandro Neri (de novelas e séries da Globo). O lançamento está marcado para 22 de agosto.
Festival de Gramado vai homenagear Mauricio de Sousa
O Festival de Gramado vai homenagear o quadrinista Mauricio de Sousa com o Troféu Cidade de Gramado 2019. O criador da Turma da Mônica receberá o prêmio em 21 de agosto durante o festival, que acontece neste ano entre 16 e 24 de agosto. “Raros são os nomes que mantêm uma carreira por seis décadas, com o vigor e a criatividade dos primeiros dias. O Festival de Cinema de Gramado tem a honra de enaltecer essa trajetória e homenagear o profissional que elevou as histórias em quadrinhos e a animação brasileiras a patamares internacionais”, diz o comunicado que anuncia o homenageado deste ano. Além de séries e especiais da TV, as criações de Mauricio de Sousa já renderam quatro longa-metragens de animação – “As Aventuras da Turma da Mônica” (1982), “A Princesa e o Robô “(1983), “Cine Gibi” (2004) e “Uma Aventura no Tempo” (2007). A entrega do troféu será precedida pela exibição do primeiro longa live-action inspirado na obra do artista, “Turma da Mônica: Laços”, que será seguida por um bate-papo com Mauricio. “Turma da Mônica: Laços”, porém, já vai ter estreado nos cinemas, uma vez que o lançamento está marcado para 27 de junho. No ano passado, o ator Ney Latorraca foi quem recebeu o Troféu Cidade de Gramado. Antonio Pitanga e Tony Ramos são outras personalidades anteriormente homenageadas com o mesmo prêmio.
Marighella vai estrear no Brasil no Dia da Consciência Negra
O filme “Marighella”, dirigido por Wagner Moura, finalmente marcou sua data de estreia no Brasil: 20 de novembro, quando se comemora o Dia da Consciência Negra. A data foi inicialmente revelada no Twitter pelo cineasta Kleber Mendonça Filho (“Aquarius”), que acompanhou uma sessão de “Marighella” no Festival de Sydney, na Austrália, e posteriormente confirmada pela distribuidora do longa, a Paris Filmes. Na Austrália, onde acompanha a exibição do longa e participa como jurado do festival, Moura chegou a dizer que a distribuidora não tinha coragem de marcar a estreia. “Eu estava preparado para que o filme dividisse a população e para as críticas, mas não esperava que a distribuidora não tivesse coragem de lançá-lo”, disse ao jornal australiano Daily Telegraph. A obra é uma cinebiografia do escritor e guerrilheiro Carlos Marighella, morto em 1969 pela ditadura militar. Considerado herói pela esquerda e terrorista pela direita – lider da ALN, o grupo mais sanguinário da época, à exceção do próprio Estado – , o personagem é polêmico. Na época da exibição do filme no Festival de Berlim, em fevereiro, o longa recebeu críticas do presidente Jair Bolsonaro e foi alvo de trolls da internet, que o atacaram em sites de cinema americanos, embora o filme ainda permaneça inédito em circuito comercial. Para aumentar a controvérsia, o cantor Seu Jorge foi escalado no papel-título, fato que deverá ganhar ainda mais repercussão graças à escolha da data de lançamento. Já havia discussões, antes da definição da estreia no Dia da Consciência Negra, sobre a escalação de um artista negro para interpretar Marighella. O político baiano era “mulato” claro, como ensinavam as antigas aulas de geografia da época da ditadura, ou “pardo”, como prefere a polícia e o IBGE, filho de um italiano branco. Mas, além de comunista, Marighella surge retinto na ficção. Seria, portanto, caso pensado para aumentar a polarização em torno do filme. Polarização que a data de estreia deve radicalizar ainda mais. Em artigo publicado em fevereiro pelo jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, o professor Paulo Cruz, que é negro, antecipou-se à questão. “A caracterização de Carlos Marighella como preto – aqui uso a definição do IBGE, que divide negros em pretos e pardos (ou mestiços) –, convidando o cantor Seu Jorge para o papel, foi um truque para tornar o elemento racial, de menor influência na vida e luta de Marighella, um diferencial – falso, diga-se. O problema é que, diante de uma figura notoriamente controversa, nem todos os negros podem querer ver sua cor associada a tal personagem”, ele escreveu. “Por que as entidades do movimento negro não emitiram nem sequer uma nota sobre o caso flagrante de falsificação e caracterização de um terrorista como preto – quando a reclamação é quase sempre essa, de que pretos só fazem papel de bandidos? Certamente porque concordam com sua ideologia e seus atos terroristas, chamando-os de ‘luta pela democracia e justiça social’ – informação desmentida, inclusive, por ex-guerrilheiros como os políticos Eduardo Jorge e Fernando Gabeira”, concluiu Cruz.
Wagner Moura diz que corre risco de vida no Brasil
O ator Wagner Moura (“Narcos”), afirmou que está com medo de viver no Brasil. “Pela primeira vez na minha vida, eu sinto que estou correndo risco”, disse ele ao jornal australiano Daily Telegraph. “Sempre que vou para o Rio de Janeiro ou para São Paulo, preciso tomar muito cuidado. É de partir o coração”, desabafou o ator, referindo-se à ameaças derivadas da polarização política do país. Moura está na Austrália para participar do júri do Festival de Sydney, que começou na quarta-feira (5/6) e segue até o próximo domingo (16). Além disso, o festival vai apresentar, fora da disputa, sua estreia como diretor e roteirista de cinema: “Marighella”, sobre a vida do escritor e guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969), que continua inédito no Brasil. Na época da exibição do filme no Festival de Berlim, em fevereiro, o longa recebeu críticas do presidente Jair Bolsonaro e foi alvo de trolls da internet, que o atacaram em sites de cinema americanos, embora o filme não tivesse sido exibido nos Estados Unidos e ainda não possua lançamento previsto no Brasil. “Eu estava preparado para que o filme dividisse a população e para as críticas, mas não esperava que a distribuidora não tivesse coragem de lançá-lo”, comentou Moura ao jornal australiano. Os comentários do ator contrastam com declaração que ele deu em janeiro, durante entrevista ao programa “Cinejornal”, do Canal Brasil, em que repercutiu a decisão do ex-deputado Jean Wyllys de deixar o país após receber ameaças de morte. “Na minha frente ninguém nunca fez nada e eu não sei como reagiria se o fizessem. Mas eu não tenho medo não”, falou na ocasião, sobre supostas ameaças que estaria recebendo por “Marighella”. Apesar de sua preocupação, Moura ressaltou que isso não vai impedi-lo de voltar ao pais. Entretanto, sua agenda atual só contempla produções americanas, todas rodadas no exterior: a minissérie “Sergio”, da Netflix, sobre o diplomata brasileiro Sergio Moreira Mello, e os filmes “Wasp Network”, do francês Olivier Assayas, e “Sweet Vengeance”, de Brian De Palma.
Guitar Days: Documentário sobre rock indie brasileiro ganha trailer para estreia no In-Edit
Depois de ser exibido na Europa, Ásia, EUA e ser premiado na Espanha em setembro, o documentário “Guitar Days – An Unlikely Story of Brazilian Music” vai finalmente ter sua première no Brasil, na programação do Festival In-Edit. Em antecipação à exibição, a produção ganhou um novo trailer, que pode ser conferido abaixo. O filme o diretor paulistano Caio Augusto Braga traça as linhas do tempo das chamadas “guitar bands” e da construção do rock indie brasileiro cantado em inglês, desde seus primórdios, ali no final dos anos 1980, passando pelo boom nos anos 1990 e seguindo até a atualidade. O diretor colheu depoimentos de personagens centrais do indie rock nacional e gringo para tratar das grandes histórias (e também dos detalhes) de um cenário musical que mudou toda a estética do rock brasileiro. Entre os entrevistados estão músicos das bandas Maria Angélica, Pin Ups, Second Come, Killing Chainsaw, Mickey Junkies e PELVs, os saudosos Kid Vinil e Carlos Miranda, e os internacionais Thurston Moore (Sonic Youth), Mark Gardener (Ride), Stephen Lawrie (The Telescopes), além do jornalista que cunhou o termo “grunge”, Everett True. O festival In-Edit começa sua 11ª edição na quarta-feira (12/6) em São Paulo, e a exibição de “Guitar Days” vai acontecer em três datas, no Cinesesc (15), Cine Olido (18) e Centro Cultural São Paulo (22). Após a exibição do dia 22, haverá o show Guitar Days, com participação das bandas Pin Ups, Wry, Twinpine(s), Sky Down e convidados. Para total transparência: o editor da Pipoca Moderna é um dos entrevistados do filme.
X-Men: Fênix Negra é a maior estreia de cinema da semana
Os cinemas recebem três estreias amplas nesta quinta (5/6) e “X-Men: Fênix Negra” é a maior delas. A distribuição reflete a procura do público por obras de super-heróis e aproveita pontos em comum com o blockbuster “Vingadores: Ultimato”. Ambos são finais de uma saga. Mas as comparações cessam aí. Encerramento da franquia iniciada em 2000 pelo primeiro “X-Men”, “Fênix Negra” é uma espécie de remake da história mais fraca desses heróis, “X-Men: O Confronto Final” (2006). Foi escrito pelo mesmo roteirista, Simon Kinberg, que ainda faz sua estreia como diretor. Entretanto, a crítica norte-americana considerou o resultado inferior ao fiasco original. Com apenas 22% de aprovação no site Rotten Tomatoes, consagrou-se como “o pior de todos os filmes dos X-Men” (saiba mais sobre estas aspas aqui). Os outros dois filmes com distribuição nos shopping centers são “Juntos para Sempre”, que continua a jornada espiritual e metafísica do cãozinho de “Quatro Vidas de um Cachorro” (2017), e “Patrulha Canina: Super Filhotes”, um derivado da série animada infantil “Patrulha Canina” – que estreia no Brasil sem ter previsão de lançamento em outros países. No circuito limitado, o destaque é o documentário “Amazônia Groove”, de fotografia belíssima e fôlego ambicioso, sobre as músicas feita às margens do rio Amazonas, que embalam das festas tradicionais do boi bumbá ao bailes de tecnobrega. Dirigido por Bruno Murtinho, foi premiado no festival americano SXSW. Entre as demais opções, merece atenção o lançamento de “O Homem que Matou Dom Quixote”, cuja história de bastidores é muito mais atribulada que qualquer cena de ficção. O diretor Terry Gilliam levou 20 anos para concluir a obra, enfrentando enchentes, perda de financiamentos, doenças e até mortes no elenco, para finalmente… perder os direitos do filme num processo movido por um dos produtores. O final quixotesco ainda teve um anticlímax, quando a première cercada de expectativas no Festival de Cannes do ano passado frustrou quem esperava ver uma obra-prima. Mesmo assim, é melhor que qualquer das opções amplas da semana. “Memórias da Dor” representa mais uma alternativa. Embora não justifique sua seleção como representante francês ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, contempla uma história interessante sobre um período da vida da escritora Marguerite Duras. Baseando-se no livro de memórias de autora, “A Dor”, lembra sua luta para libertar o marido preso por integrar a Resistência, durante a ocupação alemã da França, e o que ela precisou fazer para evitar a morte dele, nas mãos de um simpatizante nazista que era seu fã. Confira abaixo todos as estreias (são nove), com suas respectivas sinopses e trailers. X-Men: Fênix Negra | EUA | Super-Heróis 1992. Os X-Men são considerados heróis nacionais e o professor Charles Xavier (James McAvoy) agora dispõe de contato direto com o presidente dos Estados Unidos. Quando uma missão espacial enfrenta problemas, o governo convoca a equipe mutante para ajudá-lo. Liderado por Mística (Jennifer Lawrence), os X-Men partem rumo ao espaço em uma equipe composta por Fera (Nicholas Hoult), Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan), Tempestade (Alexandra Shipp), Mercúrio (Evan Peters) e Noturno (Kodi Smit-McPhee). Ao tentar resgatar o comandante da missão, Jean Grey fica presa no ônibus espacial e é atingida por uma poderosa força cósmica, que acaba absorvida em seu corpo. Após ser resgatada e retornar à Terra, aos poucos ela percebe que há algo bem estranho dentro de si, o que desperta lembranças de um passado sombrio e, também, o interesse de seres extra-terrestres. Juntos para Sempre | EUA | Drama Depois de muitas vidas e aprendizados, Bailey vive tranquilamente com Hanna (Marg Helgenberger). Um dia, Gloria (Betty Gilpin), uma aspirante a cantora, aparece sem avisar na vida dos dois com uma notícia surpreendente: Hanna tem uma neta, chamada Clarity. Com o tempo, o cãozinho percebe como a menina é negligenciada pela mãe e decide que seu objetivo nesta vida é cuidar dela e protegê-la, incondicionalmente. Patrulha Canina: Super Filhotes | EUA | Animação Depois que um misterioso meteoro cai na Baía da Aventura, Chase, Marshall, Skye, Ryder e Rubble correm para tentar preservar o local, mas acabam passando por uma experiência muito mais louca. Ao presenciarem uma estranha energia verde emanando da cratera, eles ganham poderes. O Homem que Matou Dom Quixote | Espanha, Portugal, Reino Unido | Aventura Quando faz seu filme de conclusão de estudos, o jovem cineasta Toby (Adam Driver) viaja à Espanha para filmar uma versão independente de Dom Quixote. Para o ator principal, escala um sapateiro da região (Jonathan Pryce), que nunca trabalhou no cinema antes. Doze anos se passam e Toby, agora um renomado diretor de comerciais de televisão, tem a oportunidade de fazer uma superprodução também baseada no livro de Cervantes. Ele retorna à Espanha, começa as gravações, mas logo enfrenta uma crise criativa. Buscando inspiração, tenta reencontrar os atores do projeto anterior. Toby descobre que o sapateiro enlouqueceu e realmente acredita ser Dom Quixote. Pior ainda, o cavaleiro maluco confunde Toby com seu fiel escudeiro, Sancho Pança. Memórias da Dor | França | Drama Na França ocupada por nazistas, a escritora Marguerite Duras (Melanie Thierry) busca por pistas do paradeiro do marido preso por ações na resistência, se aproximando de um inimigo que é também fã. Reprovada por seus amigos, a decisão é a porta de entrada pra uma espiral de desespero que se estende por vários meses. Beatriz | Brasil, Portugal | Drama Marcelo (Sérgio Guizé), um escritor, e Beatriz (Marjorie Estiano), uma advogada, se mudam para Lisboa. A moça logo encontra um emprego em uma empresa portuguesa, mas seu marido não tem tanta sorte em começar a escrever o seu novo romance. Quando finalmente decide como tema da história o ciúme, tem como inspiração sua própria esposa. Para que o livro seja uma trama de sucesso, Beatriz resolve ajudá-lo: seu objetivo é construir uma personagem feminina que alimente a criatividade do escritor, só que ela vai longe demais, vivendo situações intensas e comprometedoras em uma vida dupla sem controle. Eu Acredito | EUA | Religião Brian (Rowan Smyth) é um menino de 9 anos de idade que tem um encontro sobrenatural com o poder de Deus. Porém seu pai, um apresentador de televisão ateu, não fica nem um pouco feliz com essa sua nova aventura. Tudo só fica mais complicado quando, com a ajuda de um pastor da igreja local e um veterano machucado, os milagres produzidos pela fé de Brian se transformam em notícia na cidade. Amazônia Groove | Brasil | Documentário Um retrato aprofundado, um mergulho apaixonado na música regional da Amazônia, especialmente a música característica do Pará, estruturado através da alternação entre as histórias dos músicos tradicionais da região – responsáveis pelo Boi Bumbá e por ritmos tradicionais das localidades, por exemplo – e a invasão da tecnologia que, recentemente, possibilitou o desenvolvimento de gêneros musicais como o tecnobrega. A História de um Sonho – Todas as Casas do Timão | Brasil | Documentário Fundado por um grupo de operários no bairro de Bom Retiro, o Sport Club Corinthians Paulista hoje é considerado um dos times mais importantes da história do futebol brasileiro: mas nem sempre foi assim. Visto com repúdio, devido a seu sucesso entre classes menos favorecidas, foi necessário muita luta para que o clube chegasse ao patamar que possui hoje.
Trailer do documentário Democracia em Vertigem reflete a queda do petismo
A Netflix divulgou o pôster e o trailer de “Democracia em Vertigem”, um dos muitos documentários gravados durante o processo de Impeachment de Dilma Rousseff. O diferencial é que a diretora Petra Costa se coloca na trama como narradora, assumindo o parcialismo da narrativa, ao mesmo tempo em que amplia a abordagem para além do Impeachment, mostrando a prisão de Lula e a ascensão de Bolsonaro. A prévia tem ótimas imagens, que confirmam o talento da ainda jovem Petra Costa como uma das melhores documentaristas brasileiras. Mas isso não significa que a verdade pessoal da narradora possa ser confundida com a verdade de uma apuração isenta. Documentários tendem a ser parciais, já que não seguem regras jornalísticas, e podem ser manipuladores quando adotam uma abordagem impressionista. A forma como Lula surge no vídeo, quase um santo milagreiro, e a forma como Petra narra a ascensão do petismo passam longe da isenção. A família da documentarista é muito ligada ao ex-presidente preso. Petra é herdeira da Andrade Gutierrez, uma das empresas enredadas na Lava-Jato, que teria pago despesas da eleição de Dilma. Um médico afirma que a família pagou uma cirurgia plástica para Lurian, filha de Lula, que morou com Marília Andrade, mãe de Petra, em Paris. Lurian diz que trabalhou como babysitter no período, possivelmente da própria cineasta, que era uma criança na época. Além disso, a mãe da cineasta também comprou um sítio ao lado do de Lula, em Atibaia. Frequentavam-se. A diretora pode ter explorado essa familiaridade para conseguir acesso exclusivo (uma das frases do pôster destaca o “acesso sem igual”), como nos registros das últimas horas de ‘Lula livre”. Uma das cenas do vídeo mostra Lula por volta deste momento, num carro, bem perto da câmera, dizendo que queria ter feito mais. O tom de mártir, sugerido pela montagem, contrasta com reportagens que revelaram o arrependimento de importantes petistas em não ter feito “mais” para aparelhar a máquina estatal, de modo a manter o partido no poder. Aparelhamento que acabou rendendo corrupção, a Lava-Jato, polarizou o país e culminou na eleição de Bolsonaro. A prévia de “Democracia em Vertigem” exalta uma parte importante da história recente do Brasil. E demonstra contar muito bem, de forma extremamente profissional e artística. Mas o próprio filme serve de exemplo para os motivos que levaram à queda do petismo – a narrativa mitológica, imbuída numa missão de salvação nacional, em tom de seita. É de extremo bom senso redobrar a atenção diante de narrativas que confundem democracia com um projeto de poder. Democracia não pertence a um partido – isto costuma ser outra coisa. Não acaba quando o rival vence uma eleição. Ao contrário, consiste em aceitar a alternância de poder, mesmo que o adversário seja… Bolsonaro. De fato, a falta de autocrítica do partido de Lula e a visão acrítica de seus seguidores, bem representada no trailer de “Democracia em Vertigem”, acabou sendo o maior responsável pela vitória da extrema direita ultraconservadora, eleita com o voto anti-petista. Vale lembrar que a empresa da família da documentarista fez a autocrítica que os petistas se recusam a formalizar: “Reconhecemos que erros graves foram cometidos nos últimos anos e, ao contrário de negá-los, estamos assumindo-os publicamente”, disse um anúncio da Andrade Gutierrez, publicado após firmar um acordo de leniência com o Ministério Público Federal, ao ser pega na operação Lava-Jato. O pôster diz que o filme já está disponível. O trailer revela que a estreia está marcada para 19 de junho em streaming. Até nisso, há duas “verdades” distintas.
Sônia Guedes (1932 – 2019)
A atriz Sônia Guedes, que trabalhou na série clássica “Malu Mulher”, morreu na segunda (3/6) aos 86 anos, em São Paulo, em decorrência de um câncer. A informação foi confirmada pela assessoria do SBT, emissora onde a atriz realizou o último trabalho na televisão. Com mais de 40 anos de carreira, Sonia teve importantes passagens pelo teatro, cinema e TV no Brasil, recebendo prêmios como o APCA e o Mambembe. Seu papel mais famoso foi Elza, a mãe de Malu (Regina Duarte), protagonista do icônico seriado “Malu Mulher” (1979), a primeira atração feminista da TV brasileira. Sônia teve passagens por diversas emissoras, tendo trabalhado em novelas como “Mulheres Apaixonadas” (2003), “Esmeralda” (2004), “Amor e Intrigas” (2008) e “Poder Paralelo” (2009). Seu último trabalho na televisão aberta foi na novela “Chiquititas”, exibida em 2013 pelo SBT, onde interpretou a personagem Nina Correia. Já a carreira cinematográfica foi iniciada com o drama “Noite em Chamas” (1977), de Jean Garret, e inclui alguns clássicos do cinema brasileiro, como “A Hora da Estrela” (1985), de Suzana Amaral, e o mais recente (e belo) “Histórias que Só Existem Quando Lembradas” (2011), primeiro longa de Júlia Murat. Ela também participou do drama “O Circo da Noite” (2013) e da comédia “O Amor no Divã” (2016). Personalidades do meio artístico lamentaram a morte da atriz pelas redes sociais. “Querida Sonia, boa viagem. Um beijo, estrela”, afirmou o ator Tuca Andrada. A atriz Tania Bondezan também lamentou: “Sonia Guedes nos deixou, grande atriz, amiga querida”.
Flora Diegues (1986 – 2019)
A atriz Flora Diegues, filha do cineasta Cacá Diegues, morreu neste domingo (2/6), aos 34 anos. Ela lutava há três anos contra um câncer no cérebro. Em 2016, chegou a ser operada às pressas por conta de um aneurisma e teve de ser afastada da novela “Além do Tempo”, exibida pela Globo. Flora começou sua carreira em 1996, como a versão mirim de Tieta no filme “Tieta do Agreste”, dirigido por seu pai. Mas só se dedicar à atuação após duas décadas, quando, em 2014, protagonizou a série “Só Garotas”, do Multishow. Depois disso, ela também apareceu em episódis das séries “Trair e Coçar É Só Começar” e “Sob Pressão”. Os últimos papéis foram na novela “Deus Salve o Rei” e no filme “O Grande Circo Místico”, também de seu pai. No ano passado, ela esteve no Festival de Cannes para divulgar a produção. Além de atuar, com passagens inclusive pelo teatro, Flora ensaiou seguir os passos do pai e comandou, como diretora e roteirista, dois curtas (“Sobe, Sofia” e “Assim Como Ela”) e um documentário (“No Meio do Caminho Tinha um Obstáculo”). “Flora viveu intensamente, sempre se divertiu, lutou com muita coragem e alegria. Fez de tudo, escreveu, atuou, dirigiu. Gostava muito de viver”, disse Cacá Diegues ao jornal O Globo.








