Johnny Depp viverá o magnata maluco do antivirus McAfee no cinema
A vida de John McAfee, criador da famosa marca de software de segurança online, vai virar filme com Johnny Depp (“Piratas do Caribe”) no papel principal. Mas a história não terá nada a ver com o antivirus que leva o nome do empresário. Segundo o site Deadline, o projeto, intitulado “King of the Jungle” (O Rei da Selva), vai contar a história de McAfee já em sua fase “louca”, levando um jornalista da revista Wired para sua residência em Belize em um “tour de humor negro no estilo ‘Apocalypse Now'”. A promessa é de “paranoia, metralhadoras, sexo e assassinato”, mostrando como o magnata da informática vivia numa fortaleza com seu próprio exército particular e harém de mulheres, até ser acusado de assassinar um vizinho, fugir pelas florestas da América Central e se meter em alguns negócios obscuros, como a fabricação e o tráfico de medicamentos ilegais. Esta história já rendeu até documentário, “Gringo: The Dangerous Life of John McAfee” (2016). O roteiro é da dupla Scott Alexander e Larry Karaszewski, que trabalharam com Depp em outra cinebiografia, a deliciosa “Ed Wood” (1994). A direção está a cargo de outra dupla, Glenn Ficarra e John Requa (“Golpe Duplo”). Ainda não há previsão para o começo das filmagens ou data de estreia.
Vida do cantor Pharrell Williams vai virar musical de cinema
A 20th Century Fox vai transformar a vida do cantor Pharrell Williams num filme musical. Segundo o site Deadline, o diretor Michael Mayer (“Flicka”) estará atrás das câmaras do longa, que terá o nome de “Atlantis”. O projeto vai contar uma versão fictícia da infância de Pharrell em Virginia Beach. O roteiro está sendo escrito por Martin Hynes (“Promessa É Dívida”) e ainda não existem detalhes sobre o elenco ou data de inicio das filmagens. Vencedor de 10 Grammys, o cantor, compositor, rapper, produtor musical, baterista e estilista norte-americano Pharrell Williams tem estado cada vez mais presente no cinema, não só por meio de trilhas sonoras, mas também como produtor. Após ter sido indicado ao Oscar pela música “Happy”, de “Meu Malvado Favorito 2” (2013), ele concorreu este ano como produtor de “Estrelas Além do Tempo”.
Escândalos da banda Mötley Crüe vão virar filme da Netflix
A Netflix está desenvolvendo um filme sobre a banda de rock Mötley Crüe. Segundo o site Deadline, o filme será baseado na autobiografia da banda, “The Dirt: Confessions of the World’s Most Notorious Rock Band”, escrita pelo célebre jornalista de rock Neil Strauss em parceria com os próprios membros do grupo: Tommy Lee, Vince Neil, Mick Mars e Nikki Sixx. O livro relata a ascensão da lendária banda dos anos 1980, que vendeu mais de 100 milhões de discos enquanto seus integrantes levavam ao extremo o modo de vida roqueiro, em situações descontroladas de sexo e drogas, que os tornaram mais conhecidos por seus excessos do que por sua música, e eventualmente causaram a implosão do grupo. Depois de lotar estádios e protagonizar vídeos escandalosos com mulheres seminuas, os problemas começaram em 1984, quando Vince Neil destruiu seu carro numa colisão frontal e foi acusado de dirigir sob influência de drogas e de homicídio – seu passageiro, o baterista da banda Hanoi Rocks, Nicholas “Razzle” Dingley, morreu no acidente. Três anos depois, Nikki Sixx sofreu uma overdose de heroína e foi declarado legalmente morto por dois minutos. O paramédico, um fã de Motley Crue, o reanimou, gerando inspiração para o sucesso de 1989 “Kickstart My Heart”. Já Tommy Lee inaugurou o mercado de sex tapes de celebridades, com o vazamento do vídeo de sexo que ele gravou com sua mulher, a atriz Pamela Anderson, em 1998. E isto é só uma pequena mostra das confusões que os integrantes da banda aprontaram, antes e após a separação da banda, que ainda experimentou um retorno em 2005. O roteiro está sendo escrito por Rich Wilkes (“Triplo X”) e Tom Kapinos (criador das séries “Californication” e “Lucifer”) e a direção está a cargo de Jeff Tremaine, diretor dos filmes da franquia “Jackass”. Não há previsão para a estreia na plataforma de streaming. Julie Yorn, Erik Olsen e Allen Kovac permanecem associados ao projeto como produtores.
Brie Larson vai viver pioneira do feminismo que foi a primeira candidata à presidência dos EUA
Brie Larson, vencedora do Oscar 2016 de Melhor Atriz por “O Quarto de Jack”, vai viver a pioneira do feminismo Victoria Claflin Woodhull num filme da Amazon. Woodhull ficou conhecida no final do século 19 por defender o “amor livre”, liderar o movimento pelo direito das mulheres ao voto e se declarar a primeira candidata feminina à presidência dos Estados Unidos, em 1872 – 40 anos antes das mulheres conquistarem o direito de votar no país. Mesmo sem levar sua candidatura a sério, conservadores conseguiram sabotar suas pretensões ao prendê-la por “obscenidades”, após ela publicar a denúncia do caso de adultério entre o pastor Henry Ward Beecher (o mais influente porta-voz do conservadorismo na época) e Elizabeth Tilton, uma mulher casada da alta sociedade. Woodhull fez a denúncia para ilustrar a hipocrisia do pastor, que atacava sua posição em favor do amor livre, ao mesmo tempo em que tinha uma mulher casada como amante. Foi um escândalo que marcou época. O roteiro está sendo escrito por Ben Kopit (do vindouro “The Libertine”, com Johnny Depp) e a direção está a cargo de Brett Ratner (“Hércules”). Além de estrelar, Brie Larson também vai produzir o filme, que tem o título provisório de “Victoria Woodhull”. Não está claro se a produção será exibida nos cinemas. Ao contrário da Netflix, as produções originais da Amazon têm recebido distribuição em circuito cinematográfico, como, por exemplo, “Manchester à Beira-Mar”, que rendeu o Oscar 2017 de Melhor Ator a Casey Affleck, entregue pela própria Brie Larson – e isto rendeu outra polêmica, por sinal.
Ex-BBB Mayara Motti vai estrear no cinema em filme sobre Lampião
Segunda eliminada do “Big Brother Brasil” deste ano, Mayara Motti saiu do paredão direto para a carreira da atriz. A modelo, que tem carreira como dubladora e é formada em Direito, vai filmar ainda neste ano o seu primeiro longa-metragem, “Lampião – O Filme”, com direção e roteiro de Bruno Azevedo (diretor de esquetes do “Fala que Eu Te Escuto”). Na verdade, ela passou no teste para integrar o elenco antes de aparecer no “BBB”. O diretor Bruno Azevedo confirmou que escolheu Mayara por conta de seus trabalhos de dublagem, muito antes dela aparecer no reality show da Globo. As filmagens começam em setembro. “Será uma trilogia do Lampião, com um elenco incrível. Vai ser um sucesso”, ela contou, em entrevista ao site Ego. Mayara ainda não sabe o nome de sua personagem, mas revelou que ela será de personalidade forte. “Vou fazer o papel de uma cangaceira muito amiga da Maria Bonita. Uma mulher com personalidade, muito forte e guerreira”, disse ela, que completou empolgada: “Vamos gravar na casa que foi do Lampião mesmo. A direção teve acesso a parentes que informaram segredos do Lampião. Vai ser demais.” O elenco terá Paulo Goulart Filho (“As Mães de Chico Xavier”) como Lampião e Emanuelle Araújo (novela “A Lei do Amor”) como Maria Bonita, mas até Rodrigo Santoro (série “Westworld”) poderá atuar com a ex-BBB Mayara. “Só falta definir o roteiro de gravação para bater o martelo que o Rodrigo estará mesmo disponível. Ele já aceitou o convite e poderá ser o cangaceiro Corisco”, antecipou Bruno.
Melissa Leo é A Mulher Mais Odiada da América em trailer de drama baseado em crime real
A Netflix divulgou o trailer e 9 fotos de “A Mulher Mais Odiada da América”, mais um filme exclusivo da plataforma. Baseado numa história real, o drama traz Melissa Leo (“Snowden”) como Madalyn O’ Hair, que em 1964 ganhou a manchete da revista Life que dá título à produção. Tudo começou quando ela questionou a obrigatoriedade do Pai Nosso na escola de seu filho, levando o caso para a Suprema Corte americana, que considerou inconstitucional rezar e praticar a leitura da Bíblia nas escolas públicas dos EUA em 1963. Ateísta convicta, Madalyn O’ Hair levou adiante sua luta ao fundar uma organização para defender a separação completa do Estado e da Igreja. E cultivou o ódio de inúmeras associações cristãs em aparições na mídia, questionando a crença religiosa. Até que simplesmente desapareceu em 1995, junto do filho, da neta e de US$ 500 mil das contas de sua ONG. A polícia não se empenhou em investigar, acreditando numa nota deixada em sua residência comunicando que ela iria viajar. Mas a mulher mais odiada da América tinha sido sequestrada. Como os anos se passaram, a polícia retomou o caso e só foi descobrir que fim ela tinha levado em 2001. A produção é indie e de baixo orçamento, rodada em apenas 18 dias, e só saiu do papel porque a Netflix topou. Segundo o diretor e roteirista Tommy O’Haver ninguém queria financiar o projeto, tamanha é a rejeição do ateísmo nos EUA. Apesar de ter feito muito sucesso com a fábula cômica “Uma Garota Encantada” (2004), estrelada por Anne Hathaway, O’Haver não filmava há dez anos, desde que seu “Um Crime Americano” (2007) lembrou outra história real impactante, de uma jovem presa no porão de uma casa nos anos 1960, o caso verídico que inspirou diversos filmes de terror. O elenco de “A Mulher Mais Odiada da América” inclui ainda Juno Temple (série “Vinyl”), Adam Scott (série “Parks and Recreation”), Vincent Kartheiser (série “Mad Men”), Josh Lucas (série “Os Mistérios de Laura”), Michael Chernus (série “Orange Is the New Black”) e o veterano Peter Fonda (“Motoqueiro Fantasma”). A première aconteceu no Festival SXSW e a estreia está marcada para a próxima sexta (24/3) na plataforma de streaming.
Vida de refugiada síria que nadou na Olimpíada do Rio vai virar filme
A vida da atleta Yusra Mardini, refugiada síria que nadou na Olimpíada do Rio aos 18 anos de idade, será transformada num drama cinematográfico. Segundo o site da revista The Hollywood Reporter, o longa terá direção do inglês Stephen Daldry, diretor de “O Leitor” (2008) e da série “The Crown”, que deve filmar uma parte da trama no Brasil, três anos após a estreia de “Trash: A Esperança vem do Lixo” (2014), rodado justamente no Rio. Filha de um professor de natação, Yusra nada desde os três anos de idade. Em agosto de 2015, a jovem e sua irmã, Sarah, decidiram fugir da Síria devido à guerra. O destino era a Grécia e o transporte era um bote com capacidade para sete pessoas. No entanto, havia 20 no barco. Durante a travessia, o bote começou a encher de água. Ela e a irmã foram para o mar e nadaram, puxando a embarcação lotada por três horas, até chegarem à ilha de Lesbos, na Grécia. Na Olimpíada carioca, ela foi apenas a 41ª colocada e não conseguiu classificação nas eliminatórias dos 100 m borboleta, mas reação dela depois da prova não sugeria nada disso. “Eu me senti muito bem na água. Competir com grandes campeões é empolgante, e estar nos Jogos Olímpicos é tudo que eu quis na vida”, disse a atleta.
Atriz de Sex and the City vive a poeta Emily Dickinson em trailer legendado de cinebiografia
A Cineart Films divulgou a versão legendada do trailer de “Além das Palavras”, tradução em português de “A Quiet Passion”. O filme traz Cynthia Nixon (a Miranda da série “Sex and the City”) como a poeta Emily Dickinson, numa cinebiografia dirigida pelo veterano cineasta britânico Terence Davies (“Amor Profundo”, “Vozes Distantes”). A prévia mostra a evolução da escritora, desde seus dias de estudante num internato cristão até o amadurecimento como mulher independente, que rejeitou as principais normas de comportamento do século 19, para desgosto de seu pai (vivido por Keith Carradine, da série “Fargo”). A prévia ainda destaca sua relação próxima com a irmã mais nova Lavinia (interpretada por Jennifer Ehle, de “Cinquenta Tons de Cinza”). Conhecida como Vinnie, a caçula é também uma das principais razões pelas quais Emily é considerada um ícone literário moderno, pois foi ela quem descobriu centenas de poemas inéditos e conseguiu publicá-los após a morte prematura da escritora aos 55 anos, consagrando-a postumamente como um gênio literário. A estreia está marcada para 27 de abril, duas semanas após o lançamento nos EUA.
Hugh Jackman vai estrelar cinebiografia de Enzo Ferrari
A cinebiografia de Enzo Ferrari, que será dirigida por Michael Mann (“Inimigos Públicos”), definiu seu protagonista. Hugh Jackman viverá o fundador da escuderia mais famosa da Fórmula 1. A cinebiografia é o primeiro contrato fechado por Jackman após se aposentar do papel de Wolverine. Segundo o site da revista Variety, a produção também contará com a atriz sueca Noomi Rapace (“Prometheus”). Mann está desenvolvendo “Enzo Ferrari” há 17 anos, tanto que o projeto se originou como uma parceria com o cineasta Sydney Pollack, que morreu em 2008. Recentemente, a produção chegou a ter Christian Bale escalado para o papel, mas o ator precisou desistir por recomendações médicas, ao ter dificuldades para ganhar peso. “Enzo Ferrari” será ambientado no ano de 1957, o período mais tumultuado da vida de Ferrari, em que ele enfrentou um rivalidade dura com a Maserati e lidou com fracassos e um processo criminal, em decorrência de um acidente que levou à morte seu piloto e nove espectadores durante uma corrida. O próprio Michael Mann escreveu o roteiro, adaptando o livro escrito por Brock Yates, “Enzo Ferrari: The Man, the Cars, the Races”. Além deste filme, uma cinebiografia rival chegou a ser anunciada em 2015, com Robert De Niro no papel principal, mas, desde então, nenhuma outra novidade foi informado sobre este projeto.
Filme do Papa Francisco é rico, envolvente e evita a propaganda religiosa
O Papa Francisco é uma figura pública das mais admiráveis da atualidade. Por seu despojamento, sua simplicidade ao exercer o poder que tem, pela procura por ouvir, acolher e entender mais do que julgar ou restringir as pessoas e a diversidade humana. É um homem que pratica o que prega e o faz com humildade. Sua inserção neste nosso cada vez mais insensato mundo trouxe um sopro de tolerância e liberdade, que há muito se fazia necessário, sobretudo partindo da poderosa Igreja Católica. Chega a seu quarto ano de papado e ganha uma cinebiografia para celebrá-lo. O personagem é cativante e merece o apoio que tem recebido dos homens e mulheres de bem, sejam religiosos ou não. O problema que esse tipo de filme pode trazer é ser chapa-branca e servir apenas à propaganda ou propagação de uma religião. Ou só falar aos já convertidos. O título em português: “Papa Francisco: Conquistando Corações” só reforça essa impressão marqueteira. No entanto, o título original é outra coisa: “Francisco: El Padre Jorge” e corresponde muito melhor ao que é o filme e ao personagem que retrata. Jorge Bergoglio, o padre Jorge, que se tornou Papa, o primeiro da América Latina, é uma pessoa forjada no convívio com as questões sociais de uma região empobrecida. Sendo um homem de ir às ruas e ao contato com as pessoas, desenvolveu sensibilidade para ir muito além da doutrina e suas regras, o que seu antecessor Bento XVI, Joseph Ratzinger, não demonstrava. O filme mostra isso e coloca claramente os dois polos, o inovador e o conservador, mas evita qualquer crítica ao papa que renunciou. Ao contrário, até traz uma fala de Francisco, colocando como corajoso e revolucionário o seu ato surpreendente de renúncia. Certamente não convinha a crítica direta ou a comparação de estilos. Seria quase afrontoso fazê-lo, tão gritante é essa diferença. Da mesma maneira, o filme cita os escândalos da pedofilia na igreja e o do Banco do Vaticano, mas não lida com esses temas. Do casamento gay nem se fala. A questão do aborto aparece numa cena do papa, confortando uma fiel, que chorava e se dizia arrependida de ter tirado o feto. Terrível, mas algo passível de ser acolhido ou perdoado. A questão é mais complexa e pode dispensar essa culpa toda, mas já há algum avanço aí. De resto, o filme mostra a evolução do padre Jorge em cenas muito menos convincentes sobre a sua juventude, relações familiares e interesse por eventuais namoradas do que na sua vida adulta de padre, bispo, cardeal de Buenos Aires. Em parte, porque o ator que faz o jovem padre Jorge, Gabriel Gallicchio (novela “Entre Canibais”), não é muito expressivo no papel, enquanto o grande ator argentino Darío Grandinetti, bem conhecido do público brasileiro por filmes como “Fale Com Ela” (2002) e “Julieta” (2016), ambos de Pedro Almodóvar, ou “Relatos Selvagens” (2014), de Damián Szifron, encarna magistralmente o papa Francisco. A narrativa explora o período que envolve o conclave que elegeu Ratzinger e depois, o que elegeu Bergoglio, por meio do relacionamento do padre Jorge com a jornalista Ana, papel da ótima atriz espanhola Silvia Abascal (“O Lobo”), cuja parceria com Grandinetti resulta estupenda. O filme está longe de apresentar uma história simplificada ou adocicada. É uma boa produção, dirigida por Beda DoCampo Feijóo (“Amores Locos”), cineasta nascido em Vigo, na Espanha, mas radicado na Argentina desde que era bebê, e que se baseou em livro de uma jornalista argentina correspondente do Vaticano. Mostra os conflitos, as dificuldades e as questões que envolveram Bergoglio e a ditadura militar argentina, incluindo as denúncias feitas quando o atual papa assumiu. Explica e defende o papel que ele teve naquela ocasião, junto aos padres jesuítas sequestrados, além de outros atos de solidariedade que, como mostra o filme, parecem não só comuns como definidores da personalidade e da atuação do padre Jorge. Enfim, é um história rica e e envolvente e que não entra naquela categoria indesejável de filme religioso de propaganda.
Kong – A Ilha da Caveira é o único lançamento gigante em semana de 14 estreias
A semana registra 14 lançamentos de cinema, mas a maioria em circuito limitado. A única estreia de tamanho gigante é “Kong – A Ilha da Caveira”, o novo filme de King Kong, que chega em quase mil salas, ocupando todas as telas IMAX. Desembarca nos trópicos precedido por críticas entusiasmadas nos EUA a seus efeitos visuais, apesar das inconsistências em sua trama e erros de continuidade dignos de Ed Wood. A ação se passa nos anos 1970 e acompanha uma equipe militar perdida na ilha que dá título à produção – e que apareceu em todas as versões da origem de King Kong. Ao privilegiar o “prólogo” clássico, o filme resgata a tradição pulp das histórias de dinossauros no mundo contemporâneo e remixa este conceito centenário – de clássicos de Edgar Rice Burroughs (“A Terra que o Tempo Esqueceu”) e Arthur Conan Doyle (“O Mundo Perdido”) – com o delírio de “Apocalypse Now” (1979). Mais quatro filmes falados em inglês entram em cartaz. Todos de tom dramático e que tiveram desempenho de chorar nas bilheterias norte-americanas. Dois deles são dramas de tribunal. “Versões de um Crime” puxa mais para o suspense, com Keanu Reeves defendendo o filho de uma antiga conhecida da acusação de assassinato do próprio pai, numa história de reviravoltas previsíveis. Já o britânico “Negação” é quase um docudrama, que questiona a existência do Holocausto num julgamento midiático, com Rachel Weisz tendo que provar que os crimes nazistas não foram apenas propaganda judaica. Os outros dois lançamentos foram concebidos de olho no nicho dos filmes de prestígio, mas se frustraram ao não conseguir indicações ao Oscar 2017. “Fome de Poder” conta a história polêmica da origem da rede McDonald’s, com Michael Keaton no papel de Ray Kroc, o empresário visionário e vigarista que se apropriou do negócio dos irmãos que batizam as lanchonetes. E “Silêncio” é o épico que Martin Scorsese levou décadas para tirar do papel. O filme sobre padres jesuítas, martirizados ao tentar levar o evangelho ao Japão do século 17, lhe permitiu fazer as pazes com o Vaticano, superando as polêmicas de “A Última Tentação de Cristo” (1988). O catolicismo também é o tema central de “Papa Francisco, Conquistando Corações”, cinebiografia do atual Papa, que, ao contrário do esperado, não carrega na pregação ou edulcora a religião, mostrando um retrato humano do religioso desde sua juventude até sua sagração. Chama atenção ainda o fato de a obra não evitar temas polêmicos, como a ditadura argentina e os escândalos de pedofilia entre padres. Duas produções brasileiras lutam por espaço onde não há. O documentário “Olhar Instigado” aborda um tema urgente: a arte de rua em São Paulo. Bem fotografado, o filme acompanha grafiteiros e pichadores pela noite paulistana, e chega às telas em momento de tensão política, após a Prefeitura considerar as latas de spray tão perigosas quanto armas nas mãos de bandidos. Mesmo assim, não faz distinção entre arte e vandalismo, não leva a discussão onde ela já está. O drama policial “O Crime da Gávea” também rende debate, devido à disputa de bastidores entre o roteirista e o diretor para definir quem foi seu “autor”. O roteirista Marcílio Moraes vem do mundo das novelas, que define como autor quem escreve o texto. Mas cinema é outra coisa. E com o diretor André Warwar escanteado na pós-produção, a premissa noir, do marido suspeito que tenta desvendar o assassinato da esposa, em meio ao contexto da boemia moderninha carioca, implode num acabamento (voice-overs, por exemplo) que não combina com o que foi filmado. Tanto ego rendeu uma estreia em cinco míseras salas. Para quem sentir falta de besteirol, a semana reserva a comédia italiana “Paro Quando Quero”. Por um lado, a trama embute uma crítica adequada à crise econômica europeia, que reduz universitários formados a trabalhadores braçais. Por outro, é descarada sua apropriação de “Breaking Bad” num contexto de enriquecimento rápido digno de “Até que a Sorte nos Separe”. A trama gira em torno de um grupo de sub-empregados que decidem unir seus conhecimentos acadêmicos para lançar uma nova droga no mercado, surtando quando o negócio os torna milionários. Para completar, a programação vai receber nada menos que cinco filmes franceses. Esse fenômeno resulta da supervalorização do cinema francófono entre as distribuidoras nacionais, reflexo de uma era longínqua em que produtos do país eram ícones de status social e cultural – a palavra “chique” é um galicismo do século 19. Com melhor distribuição entre os lançamentos franceses, “Personal Shopper” volta a juntar a atriz americana Kristen Stewart com o diretor Olivier Assayas, após a bem-sucedida parceria em “Acima das Nuvens” (2014). Levou o troféu de Melhor Direção no Festival de Cannes, mas é a ótima performance de atriz que prende o espectador em sua história de fantasmas, de clara inspiração hitchcockiana. “Souvenir” também deve sua distribuição à fama de sua estrela, a atriz Isabelle Huppert, indicada ao Oscar 2017 por “Elle”. Desta vez, porém, ela estrela um romance leve, francamente comercial, como uma cantora que flertou com o sucesso nos anos 1970 e, inspirada pela paixão de um jovem que a reconhece no trabalho, tenta retomar a carreira. Na mesma linha, “Insubstituível” traz François Cluzet como um médico do interior que treina, relutantemente, uma substituta mais jovem. Sem ligação com esse cinema descartável, “Fátima” lembra “Que Horas Ela Volta?” ao acompanhar uma mãe pobre e imigrante, que trabalha como faxineira e luta para manter as filhas na escola. Enquanto a mais nova vive sua rebelião adolescente, sem respeito pela mãe “burra” que mal fala francês, a mulher do título sacrifica a própria saúde para dar à filha mais velha a chance de cursar a faculdade. A produção usa o recurso de uma carta, escrita pela mãe, para amarrar a história, que venceu o César 2016 (o Oscar francês) de Melhor Filme, Roteiro e Atriz Revelação. Mesmo assim, há quem ache que o cinema francês decaiu muito desde a nouvelle vague. E para estes o circuito reserva a chance de conferir o relançamento, em cópia restaurada, do clássico “Hiroshima Meu Amor” (1959), de Alain Resnais, uma das primeiras obras-primas do movimento e que destaca a recém-falecida Emmanuelle Riva no papel principal. Clique nos títulos dos filmes destacados para ver os trailers de todas as estreias da semana.
Petrônio Gontijo vai estrelar cinebiografia de Edir Macedo
A Paris Filmes confirmou Petrônio Gontijo no papel principal de “Nada a Perder”. O ator será Edir Macedo no filme dirigido por Alexandre Avancini (“Os Dez Mandamentos – O Filme”). Petrônio já atuou em alguns filmes, como “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (2001), “Boleiros 2” (2006) e “Os Dez Mandamentos – O Filme” (2016), mas será a primeira vez que terá papel de protagonista no cinema. “Nada a Perder” vai contar a história de Edir Macedo desde a infância até os dias de hoje. É baseado numa trilogia biográfica do bispo evangélico líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da rede Record. A produção iniciará uma trilogia cinematográfica, em que cada filme adaptará um dos volumes biográficos escritos por Douglas Tavolaro, vice-presidente de Jornalismo da TV Record. O primeiro filme será baseado no livro homônimo, “Nada a Perder”, lançado em 2012. Os demais são “Nada a Perder 2 – Meus Desafios Diante do Impossível” e “Nada a Perder 3 – Do Coreto ao Templo de Salomão: A Fé Que Transforma”. Tavolaro também foi produtor-executivo do longa “Os Dez Mandamentos”. O longa começa a ser rodado em abril em São Paulo, mas também terá locações no Rio, Nova York, Jerusalém e Joanesburgo. Com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2018, terá distribuição da Paris Filmes e Downtown Filmes.
Atriz de Sex and the City vive a poeta Emily Dickinson em trailer de cinebiografia
O primeiro trailer, o pôster e as fotos de “A Quiet Passion” trazem Cynthia Nixon (a Miranda da série “Sex and the City”) como a poeta Emily Dickinson, numa cinebiografia dirigida pelo veterano cineasta britânico Terence Davies (“Amor Profundo”, “Vozes Distantes”). A prévia mostra a evolução da escritora, desde seus dias de estudante num internato cristão até o amadurecimento como mulher independente, que rejeitou as principais normas de comportamento do século 19, para desgosto de seu pai (vivido por Keith Carradine (série “Fargo”). A prévia ainda destaca sua relação próxima com a irmã mais nova Lavinia (interpretada por Jennifer Ehle, de “Cinquenta Tons de Cinza”). Conhecida como Vinnie, a caçula é também uma das principais razões pelas quais Emily é considerada um ícone literário moderno, pois foi ela quem descobriu centenas de poemas inéditos e conseguiu publicá-los após a morte prematura da escritora aos 55 anos, consagrando-a postumamente como um gênio literário. A estreia está marcada para 14 de abril nos EUA, em circuito limitado, e não há previsão de lançamento no Brasil.












