Atacado pela Ancine, documentário sobre FHC deve ser lançado pela Globoplay
“Presidente Improvável”, documentário sobre o governo de Fernando Henrique Cardoso, está sendo negociado com a plataforma Globoplay, após ter sido atacado pela Ancine. O projeto é da produtora Giro Filmes e tinha sido aprovado para captação de incentivos em 2018 pela Ancine. Só que, depois que Jair Bolsonaro virou presidente, a nova diretoria reverteu a decisão. Na justificativa para a medida, os diretores da entidade atacaram a obra, dizendo que a aprovação de seu incentivo “dá margem a inegável promoção da imagem pessoal do ex-presidente da república homenageado no documentário, com o notório aproveitamento político, às custas dos cofres públicos”. Bolsonaro já disse que gostaria de matar FHC. Em 1999, ele adiantou seus planos de golpe e assassinato em massa, caso chegasse ao poder, com a seguinte frase histórica: “Através do voto você não vai mudar nada nesse país, nada, absolutamente nada. Você só vai mudar, infelizmente, quando um dia nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil. Começando com FHC, não deixando ir para fora, não. Matando! Se vai (sic) morrer alguns inocentes, tudo bem”. A mesma Ancine que vetou incentivos ao filme de FHC para não permitir “notório aproveitamento político, às custas dos cofres públicos” também aprovou um filme sobre a eleição de Bolsonaro, “Nem Tudo se Desfaz”, do cineasta Josias Teófilo, que antes tinha filmado um documentário bonzinho sobre o infame terraplanista Olavo de Carvalho, mentor do que de pior há no bolsonarismo. A decisão da Ancine contra “Presidente Improvável” foi considerada “indevida” pela associação de servidores da entidade. “Rechaçamos qualquer interferência política na análise e aprovação dos projetos audiovisuais apresentados à Ancine”, disse em nota. A Apaci (Associação Paulista de Cineastas) também pediu que essa decisão fosse anulada e, em nota enviada à Ancine e à Secretaria Especial da Cultura, se posicionou “contra toda e qualquer censura”. Apesar da tentativa de inviabilizar financeiramente sua produção, o documentário já está em desenvolvimento e conta com entrevistas com Gilberto Gil, Bill Clinton e Pedro Malan, entre outros. A direção é de Belisário Franca, responsável pelo premiadíssimo documentário “Menino 23: Infâncias Perdidas no Brasil” (2016). Em sua concepção, o projeto foi pensado para ser posteriormente desdobrado numa série de cinco episódios e este pode ser o formato em negociação com a Globoplay.
Clipe bloqueado de Luísa Sonza volta ao YouTube e fica entre os mais vistos
O YouTube desbloqueou a exibição do clipe de “Mulher do Ano”, da cantora Luísa Sonza. O vídeo ficou fora do ar e listado como indisponível após seu lançamento na noite de quinta-feira (5/8), mas ao voltar na tarde desta sexta imediatamente entrou entre os mais vistos da plataforma. Apresentado como lyric video (vídeo com letra de música), a produção de “Mulher do Ano” não segue o padrão do formato, assumindo linguagem de clipe mesmo, ao exibir a cantora em cenas quentes com o namorado Vitão no interior de um carro. Trata-se de um espetáculo voyeur, que ainda inclui fãs em torno do veículo, como testemunhas dos beijos e carícias quentes. A aparente censura do clipe foi exposta pela própria artista em suas redes sociais. “Acabaram de censurar e bloquear o lyric de ‘Mulher do Ano’ no YouTube”, ela contou durante a madrugada. “Censurar o Bolsonaro que só fala bosta ninguém faz. Vou subir essa p*rra no Xvideos até isso se resolver”, completou. No fim da tarde de sexta, ela ainda tentava desbloquear o vídeo. “Conversei com o YouTube e eles alegaram que não foram eles que censuraram. Sigo sem respostas e sem poder fazer meu trabalho em paz. Isso tem se tornado cada dia mais cansativo”, desabafou. Ela não explicou como o vídeo voltou. Antes da polêmica, a música já tinha cerca de 4 milhões de streams nas plataformas digitais, segundo a assessoria de imprensa de Luísa.
Luísa Sonza tem clipe supostamente censurado pelo YouTube
A cantora Luísa Sonza teve seu clipe mais recente, com a letra da música “Mulher do Ano”, supostamente censurado pelo YouTube. Após o vídeo com cenas quentes entre a cantora o namorado Vitão ser retirado da plataforma, ela resolveu protestar nas redes sociais e anunciar a disponibilização no Xvideos, site de vídeos pornôs. “Acabaram de censurar e bloquear o lyric de ‘Mulher do Ano’ no YouTube”, ela contou. “Censurar o Bolsonaro que só fala bosta ninguém faz. Vou subir essa p*rra no Xvideos até isso se resolver”, completou. Cumprindo o que disse, minutos depois de sua reclamação, Luisa subiu o vídeo no portal de produções adultas. O vídeo foi postado na tarde de quinta-feira (5/8) no YouTube e ficou menos de cinco horas no ar antes de passar a ser listado como indisponível. A música já possui cerca de 4 milhões de streams nas plataformas digitais, segundo a assessoria de imprensa de Luísa. Ela também publicou trechos do vídeo em três posts de seu Instagram. Veja abaixo. acabaram de censurar e bloquear o lyric de mulher do ano no YouTube. Censurar o Bolsonaro q só fala bosta ngm faz. Vou subir essa porra no xvideos até isso se resolver. — luísa SONZA (@luisasonza) August 6, 2021 Achei que a Luísa tava zoando dizendo que ia postar o vídeo da música dela no xvideos, aí fui entrar lá pra ver e num é que a mana não tava de zoas 😳 pic.twitter.com/iYdoisQSD0 — Gabriela, a perdida (@naoviajaneeunao) August 6, 2021 Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por luísa SONZA (@luisasonza) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por luísa SONZA (@luisasonza) Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por luísa SONZA (@luisasonza)
Filme sobre vida de Ney Matogrosso vai se chamar “Homem com H”
Em desenvolvimento pela Paris Filmes desde 2018, a cinebiografia do cantor Ney Matogrosso ganhou título e divulgou sua equipe criativa. Chamado de “Homem com H”, nome de uma canção de 1981, o longa-metragem sobre a vida e a obra de Ney Matogrosso terá direção de Esmir Filho, responsável por filmes como “Os Famosos e Os Duentes da Morte” e “Verlust”, e a série “Boca a Boca”, da Netflix. “Além de admirar Ney como pessoa e artista, me identifico muito com sua história de vida, sua postura frente ao mundo e seus pensamentos”, disse o diretor, em comunicado da Paris Filmes. “Meu desafio agora é traduzir a poesia de Ney para a linguagem do cinema, criando uma jornada sobre liberdade e afeto. Fiquei muito feliz quando o projeto chegou até mim por convite e iluminou meus últimos meses isolados, em que estive imerso nos discos de Ney e livros que contam sua trajetória. Ri, chorei, dancei”, completou. O filme deverá acompanhar a vida do artista desde a infância no Mato Grosso do Sul, incluindo o complicado relacionamento com o pai militar e sua vida no Rio de Janeiro vendendo artesanato, até chegar ao sucesso musical com o grupo Secos e Molhados, o lançamento de sua carreira solo e seus dias atuais. Como pano de fundo, a trama deve abordar a história do país, desde movimentos culturais como o Tropicalismo, até políticos como a luta contra a censura e a campanha Diretas Já. A produção é autorizada por Ney Matogrosso que participa ativamente do desenvolvimento e das decisões artísticas do projeto. A próxima etapa da produção é escolher o ator principal, visando começar as filmagens em 2022 e fazer a estreia em 2023.
Ancine de Bolsonaro censura filmes sobre FHC e Igreja Universal
Os diretores nomeados pelo governo Bolsonaro para a Ancine tem seguido a recomendação do presidente para usar “filtros” nos (pouquíssimos) projetos aprovados para captação de recursos. Na prática, verifica-se uma censura política e ideológica na entidade que deveria fomentar o cinema no Brasil, com a rejeição de um filme sobre o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que Bolsonaro já sugeriu matar (“Começando com FHC, não deixando ir para fora, não. Matando!”), e de um documentário sobre o avanço da Igreja Universal do Reino de Deus e de outras denominações evangélicas na política nacional – “Os Evangélicos”, em desenvolvimento pelos cineastas Helena Solberg e David Meyer. O avanço político dos pastores tem apoio explícito de Bolsonaro, que recentemente enviou o vice-presidente Mourão a Angola para defender interesses da Igreja Universal naquele país e vergonhosamente nomeou o pastor Marcelo Crivella – que é considerado suspeito de crimes e não pode viajar ao exterior – embaixador do Brasil na África do Sul. A censura política fica evidente na justificativa dada para o veto ao filme de FHC. Assinada por dois diretores da Ancine no dia 7 de julho, a decisão considera que o longa-metragem “dá margem a inegável promoção da imagem pessoal do ex-presidente da República homenageado no documentário, com notório aproveitamento político, às custas dos cofres públicos”. A mesma Ancine não lembrou destas justificativas ao aprovar um filme sobre a eleição de Bolsonaro, “Nem Tudo se Desfaz”, do cineasta Josias Teófilo, que antes tinha filmado um documentário bonzinho sobre o infame terraplanista Olavo de Carvalho, mentor do que de pior há no bolsonarismo. Com relação ao veto do documentário sobre a ambição política da Igreja Universal, a Ancine invocou um artigo que veda “o fomento de conteúdos religiosos ou políticos”. “Só que”, argumenta Meyer, diretor de “Os Evangélicos”, “o tal artigo foi revogado pela própria agência há tempos”.
Instagram de Samantha Schmütz é desativado e volta após protestos contra censura
A atriz Samantha Schmütz ficou cinco horas com sua conta do Instagram desativada na tarde deste domingo (13/6). Ela relatou o problema em seu Twitter logo após o almoço e imediatamente recebeu apoio de seguidores e artistas, que se posicionaram com protestos contra a censura. A conta teria sido alvo de denúncias de apoiadores do governo Bolsonaro. Desde a morte de Paulo Gustavo, Samantha tem se engajado na denúncia do negacionismo e descaso do governo em relação à vacinação da população contra o coronavírus. Ela também tem sido a maior crítica da isenção – que pode ser chamada de alienação – de artistas diante das dificuldades criadas por Bolsonaro no enfrentamento da covid-19, que já matou quase 500 mil brasileiros. Nenhum de seus posts contém fake news. “Querem me enterrar, mas esqueceram que sou semente!”, ela escreveu em seu desabafo no Twitter, após ver a conta desativada. O Instagram não deu explicações para o desativação nem para a volta da conta da atriz, que aconteceu assim que os protestos entraram nas principais tendências do Twitter. Ao anunciar a volta, às 18 horas, ela fez um apelo a seus seguidores: “Não vamos calar, combinado?!”. Desativaram minha conta do Instagram! — Samantha Schmütz (@samanthaschmutz) June 13, 2021 Querem me enterrar mas , esqueceram que sou semente !!!! #desativarammeuinstagra — Samantha Schmütz (@samanthaschmutz) June 13, 2021 Voltaram com minha conta do Instagram !!!!! Não vamos calar, combinado!?! — Samantha Schmütz (@samanthaschmutz) June 13, 2021
Bolsonarista tenta censurar festival de São Paulo contra censura
A vereadora bolsonarista Sonaira Fernandes, ex-funcionária de gabinete de Eduardo Bolsonaro, tentou impedir a realização do festival São Paulo Sem Censura, que será promovido pela Prefeitura da capital paulista nesta semana, entre 3 e 6 de junho. Ela protocolou uma ação popular na 14ª Vara da Fazenda Pública argumentando que se trata de um evento político, que visa “disseminar ódio e repúdio” ao governo federal, e não cultural. Mas na decisão proferida nesta terça-feira (1/6), o juiz José Eduardo Cordeiro Rocha apontou que, na verdade, a vereadora estava incorrendo em tentativa de censura ao buscar impedir uma manifestação contra censura. Ele indeferiu o pedido de liminar. “O acolhimento liminar da pretensão da autora é que seria temerário e poderia representar indevida ingerência do Judiciário em critérios discricionários de escolha da programação do evento cultural pelo Executivo ou ainda, o que seria pior, levar indiretamente à censura prévia do conteúdo da produção artística e à livre manifestação do pensamento, o que é vedado pela Constituição Federal”, escreveu o magistrado. Em sua primeira edição, no ano passado, o festival foi chamado de Verão Sem Censura e abrigou peças teatrais, exposições e outros eventos que sofreram represálias ou censura do governo federal. Um dos maiores entusiastas era o então prefeito Bruno Covas (PSDB), que morreu em decorrência de um câncer em maio. A nova edição, rebatizada de São Paulo Sem Censura, será um dos primeiros eventos de grande porte na cidade com Ricardo Nunes (MDB) como prefeito. Neste ano, o festival concebido pelo secretário da Cultura Alê Youssef será dividido em quatro eixos: Excluídos da Fundação Palmares, Censura Prévia na Lei Rouanet e Ancine, Liberdade de Imprensa e de Expressão e Políticas de Silenciamento. A programação terá atividades sediadas por equipamentos culturais da cidade, como o Theatro Municipal – que terá uma leitura dramatúrgica de “Santo Inquérito”, uma das mais importantes peças modernas do teatro brasileiro, com direção de Bete Coelho – , o Centro Cultural São Paulo (CCSP), o Centro Cultural da Juventude (CCJ), além de ações em ruas e avenidas, da Paulista até Itaquera. Adaptada aos protocolos de distanciamento social, o evento também prevê mostras de filmes na plataforma digital da SPCine, empresa municipal de fomento a cinema. A seleção destaca o trabalho de quatro coletivos independentes de cinema, Babado Periférico, Astúcia, Mbyá-Guarani de Cinema e Surto & Deslumbramento, com exibição de curtas, médias-metragens e webséries, além de debates transmitidos via redes sociais.
China censura BTS, Lady Gaga e Justin Bieber no especial de “Friends”
O especial de reencontro de “Friends” foi censurado na China, resultando na eliminação dos convidados musicais da atração, Lady Gaga, Justin Bieber e BTS. Eles não são bem-vistos pelos órgãos de controle chineses por diferentes razões. Justin Bieber, por exemplo, entrou na lista negra por ter postado em seu Instagram fotos do Santuário Yasukuni, em Tóquio, no Japão, em 2014. O local presta homenagem aos mortos da 2ª Guerra Mundial, incluindo os criminosos de guerra. A China achou ofensivo. Já Lady Gaga teve um encontro com o líder espiritual Dalai Lama, em 2016. Por sua campanha pela libertação do Tibet, o monge vive sob ataques do regime chinês. Esse encontro, inclusive, fez Gaga ser cortada da transmissão chinesa da cerimônia do Oscar 2019, em que cantou “Shallow” (do filme “Nasce Uma Estrela”), música que inclusive venceu o prêmio de Melhor Canção. cortada Por fim, o governo chinês detesta o BTS por dois motivos. Um deles é político. Os cantores se negaram a exaltar o sacrifício das tropas chinesas ao relembrar a Guerra da Coréia, em que os chineses ajudaram os norte-coreanos a lutar contra as forças democráticas. O outro motivo é considerar o uso ostensivo de maquiagem pelos garotos um mau exemplo para os jovens do país. Só que a censura teve um efeito colateral inesperado. Grande parte do público local preferiu prestigiar versões piratas de “Friends: The Reunion”, com a íntegra do programa. Versões sem cortes foram disponibilizadas na plataforma Bilibili, espécie de YouTube chinês, fazendo com que as empresas com direito à versão oficial – iQiyi, Tencent e Youku – protestassem nas redes sociais. Ao reclamarem que a pirataria “prejudicava os interesses dos criadores e dos detentores dos direitos”, as empresas tiveram que ouvir vários usuários questionarem se a censura também não era desrespeitosa com o trabalho dos criadores. Embora a pirataria já tenha sido mais disseminada na China, sua defesa como forma de rebelião contra a censura é novidade entre o público chinês, doutrinado a reagir de forma favorável às desculpas nacionalistas e patrióticas – como as listadas no começo do texto – que justificam uma guerra cultural pelos motivos mais obscuros.
Rússia “alerta” Disney contra conteúdos LGBTQIA+
Considerado um dos países mais homofóbicos do mundo, a Rússia, por meio de sua agência reguladora de comunicações, alertou a Disney nesta sexta-feira (28/5) para não distribuir conteúdos com personagens LGBTQIA+, dizendo que são prejudiciais às crianças do país. A agência de censura, Roskomnadzor, informou ter enviado uma carta à Disney observando que a lei russa proíbe a distribuição de informações que “negam valores familiares e promovem relacionamentos sexuais não tradicionais” para crianças. A iniciativa foi tomada diante da inclusão do curta-metragem “Out”, que tem um protagonista gay, na plataforma Disney+. A Disney ainda não se pronunciou. Relacionamentos homossexuais são legais na Rússia, mas uma lei de 2013 proíbe disseminar “propaganda de relacionamentos sexuais não tradicionais” entre jovens russos. Grupos de direitos humanos criticam a legislação, dizendo que ela ajuda a aumentar a hostilidade contra a comunidade LGBTQIA+. Na segunda-feira (204/5), um procurador russo pediu que anúncios da Dolce & Gabbana no Instagram que mostram casais homossexuais se beijando sejam proibidos no país. Além da censura nos meios de comunicação, a repressão se estende à proibição de paradas de orgulho LGBTQIA+. A Moscow Pride encontra-se banida há vários anos e as tentativas de realização são enfrentadas com violência por protestos de russos ultraconservadores e religiosos. O ex-prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov, chegou a justificar a proibição durante seu mandato dizendo que os eventos eram “satânicos”. Desde 2010, antes mesmo da legislação mais restritiva, a União Europeia multa a Rússia por desrespeitar os direitos LGBTQIA+.
John Cena pede desculpas à China por chamar Taiwan de país
O ator John Cena se submeteu nesta terça (25/5) à censura voluntária de Hollywood para agradar ao Partido Comunista Chinês, após cometer o “erro” de chamar Taiwan de país. As redes sociais chinesas descobriram uma entrevista em que Cena chamou Taiwan de país e começaram a planejar um boicote ao novo filme do ator, “Velozes e Furiosos 9”, que estourou nas bilheterias chinesas em seu lançamento no fim de semana. Por menos, o próprio governo de Pequim tirou filmes de cartaz. Os nacionalistas chineses consideram Taiwan, que tem governo próprio democrático, como uma província rebelde, que deve retornar ao controle do Partido Comunista – à força, se necessário. Qualquer tentativa diplomática de reconhecê-la como nação irrita o governo e também o público chinês, que costuma seguir cegamente a política estatal – na verdade, não há alternativa. Para evitar prejuízo e outras complicações ao estúdio Universal, Cena se desculpou no Weibo, o Twitter da China. E em mandarim! “Dei muitas entrevistas para ‘Velozes e Furiosos 9’ e cometi um erro durante uma delas”, reconheceu em vídeo. O chamado “erro” aconteceu quando deu uma entrevista à emissora taiwanesa TVBS e disse “Taiwan é o primeiro país que pode assistir [ao filme].” “Agora eu tenho que dizer uma coisa que é muito, muito, muito importante: eu amo e respeito a China e o povo chinês”, ele disse no novo vídeo. “Estou muito arrependido pelo meu erro. Sinto muito”, acrescentou o ator, sem repetir o polêmico termo. O vídeo com as desculpas já teve mais de 2,5 milhões de visualizações na rede social, que é estritamente controlada pelo governo. Muitos usuários consideram que a desculpa não foi sentida e permanece incompleta. “Por favor, diga ‘Taiwan faz parte da China’ em chinês. Caso contrário, não aceitaremos suas desculpas”, disse um internauta no Weibo. Cena tem a seu favor o fato de ter estudado mandarim por anos e costumar postar regularmente no Weibo. A interação atual não foi pontual, mas parte de uma campanha do ator e ex-campeão de luta livre para se tornar mais conhecido no país. “Velozes e Furiosos 9” estreou em 21 de maio na China, arrecadando US$ 148 milhões em seu primeiro fim de semana. Foi a segunda maior bilheteria de estreia da Universal no país, atrás apenas de “Velozes e Furiosos 8”. No filme, Cena interpreta o novo vilão, que também é o irmão (que nunca tinha sido citado) do protagonista Dominic Toretto, vivido por Vin Diesel. O lançamento de “Velozes e Furiosos 9” só vai acontecer no Brasil em 22 de julho.
Vitória de Chloé Zhao no Oscar 2021 é censurada na China
A vitória da cineasta chinesa Chloé Zhao no Oscar 2021 está sendo ignorada na China. Nascida em Pequim, ela venceu o Oscar de Melhor Direção e também o de Melhor Filme por “Nomadland”, mas nenhuma repercussão ao seu triunfo pode ser encontrada nesta segunda-feira (26/4) nas redes sociais chinesas. Zhao se tornou a primeira asiática e segunda mulher a vencer o Oscar na categoria de melhor direção, além da primeira cidadã chinesa premiada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos EUA. A ausência de comemorações é deliberada. O Oscar deste ano não foi transmitido em nenhum lugar da China – inclusive em duas grandes plataformas de streaming, onde a cerimônia havia sido exibida ao vivo em anos anteriores. Até em Hong Kong, onde supostamente há mais liberdade, uma emissora importante optou por não exibir o Oscar pela primeira vez em mais de meio século. O motivo não foi apenas a previsão de consagração de Zhao. O Oscar também irritou chineses nacionalistas por conta da indicação a “Do Not Split”, um filme de 35 minutos que narra os protestos pró-democracia de Hong Kong em 2019, que concorria ao prêmio de Melhor Documentário em Curta-metragem (acabou não ganhando). Mas existe sim uma reação contrária à cineasta, iniciada logo após sua vitória no Globo de Ouro, no começo de março. Na ocasião, ela chegou a ser comemorada nas redes sociais chinesas e até recebeu homenagem da mídia estatal oficial como um “motivo de orgulho para a China”. Além disso, o lançamento de seu filme, “Nomadland”, foi aprovado para exibição nos cinemas locais em 23 de abril, véspera do Oscar, quando deveria ser recebido com grande fanfarra. Entretanto, a consagração levou muitos a questionarem se ela era realmente chinesa e por qual motivo ela morava nos EUA. Blogueiros logo encontraram uma entrevista da cineasta à Filmmaker Magazine em 2013, onde ela descreveu sua criação na China como “um lugar onde há mentiras por toda parte”. A revista já tinha deletado essa entrevista de seu site em meados de fevereiro, dias antes do anúncio da data de lançamento de “Nomadland” na China, sem maiores explicações. Mas os equivalentes a bolsominions chineses encontraram os rastros da declaração e não perdoaram a diretora, protestando em massa contra ela. Quatro dias após Chloé Zhao vencer o Globo de Ouro já não era mais possível encontrar menções a seu nome e à “Nomadland” na internet chinesa. A reação nacionalista levou a um apagamento da diretora e de seu filme nas redes sociais e uma completa censura à suas conquistas posteriores, com os pôsteres promocionais de seu filme retirados do Douban (um Facebook cultural). Tudo indica que “Nomadland” não vai mais ser exibido no país. A rápida rejeição de Zhao demonstra como o sentimento nacionalista encontra-se difundido na China, um país em que as pessoas acreditam em tudo o que diz seu presidente, Xi Jinping, porque o contraditório é proibido. Zhao não fala criticamente da China desde que alcançou a fama, mas um único comentário feito há oito anos foi suficiente para destruir sua imagem e interromper o lançamento de seu filme em sua terra natal. O Partido Comunista da China também viu problemas na comemoração de Zhao por conta de sua educação ocidental e privilegiada. A cineasta frequentou escolas na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, antes de finalmente se matricular na escola de cinema da Universidade de Nova York, experiência fora do alcance da maioria dos chineses, que a descredenciaria, no manual populista, a ser apresentada como uma história de sucesso chinesa. Em toda a imprensa chinesa, apenas o Global Times, jornal nacionalista que expressa a opinião do Partido Comunista, manifestou-se em tom ameaçador sobre a conquista da diretora – em poucas linhas e sem destaque. Num artigo intitulado “’Nomadland’ lembra àqueles que foram pegos entre a rivalidade EUA-China para manter a fé”, o jornal descreve as vitórias de Zhao como “boas”, mas acrescenta: “Esperamos que ela [Zhao] possa se tornar mais e mais madura”. O texto também observa: “O agravamento dos laços bilaterais está diminuindo o espaço para intercâmbios culturais entre os povos dos dois países. As pessoas que estão tentando explorar oportunidades neste campo encontrarão problemas e protestos nunca vistos no passado. Eles descobrirão que é difícil agradar aos dois lados.” Para quem não entendeu a mensagem cifrada, ela foi direcionada à Disney, que neste ano pretende lançar na China sua próxima superprodução da Marvel, “Eternos”, dirigida justamente por Chloé Zhao. O PCC quer que a diretora “amadureça” (fale bem do governo chinês) para “agradar aos dois lados” (conseguir liberar o lançamento do filme no país).
Governador do DF indica filme para Bolsonaro aprender o que é Estado de Sítio
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, rebateu uma fala de Jair Bolsonaro com a sugestão de um filme. O político, que supostamente também é bolsonarista, não gostou de ouvir de Bolsonaro que tinha decretado um “estado de sítio” em Brasília e sugeriu que o presidente assistisse ao clássico “Estado de Sítio”, de Costa-Gavras, para aprender como é “o terror de viver sob repressão”. Bolsonaro comparou o toque de recolher decretado por Ibaneis, para conter a transmissão do coronavírus, a um Estado de Sítio durante sua live de quinta (11/3). “Uma medida extrema dessa, só eu, o presidente da República, e o Congresso Nacional, poderiam tomar”, disse Bolsonaro, antes de fazer alusões cifradas à quebra-quebras e tumulto social (até aqui inexistentes) por todo o Brasil. “O presidente da República, Jair Bolsonaro, por quem eu tenho respeito e apreço, disse que o Distrito Federal está sob estado de sítio. Desta vez eu discordo dele. O DF está sim com restrição na mobilidade das pessoas a partir de 22h por uma medida sanitária”, escreveu Ibaneis Rocha no Twitter. “O objetivo é claro, reduzir a disseminação do coronavírus”, acrescentou. Na sequência, Ibaneis indicou o filme de 1972, que retratou uma situação real. Em 1970, o cônsul brasileiro Aloysio Gomide e o agente da CIA Dan Mitrione foram sequestrados em Montevidéu, no Uruguai, pelo Movimento de Libertação Nacional Tupamaros, organização terrorista uruguaia. O americano foi executado e Gomide só foi libertado sete meses depois, após o governo uruguaio concordar em suspender um estado de sítio que tinha decretado no país. “Quem quiser saber o que é o terror de viver sob repressão, recomendo que veja o filme ‘Estado de Sítio’, de Costa Gravas, lançado em 1972”, afirmou Ibaneis, incluindo até um link para uma cópia (possivelmente pirata) da obra no YouTube. Apesar do uso como ferramenta pedagógica, há uma ironia histórica na citação ao longa, que foi proibido pela Ditadura no Brasil, assim como todos os longas de Costa-Gavras desde “Z” (1969), sobre censura e acobertamento de crimes políticos por militares. O cineasta grego foi o diretor mais censurado do regime que Bolsonaro costuma idolatrar. “Estado de Sítio” só foi exibido nos cinemas brasileiras quase uma década após seu lançamento e sob ameaça de bombas, após o último general-presidente, Figueiredo, anunciar a “abertura política” (“É pra abrir mesmo. Quem não quiser que abra, eu prendo e arrebento!”), em meio à vários atentados terroristas de grupos que não queriam abrir mão de dizer o que os brasileiros podiam ver, falar e fazer. O objetivo é claro, reduzir a disseminação do Coronavírus. Quem quiser saber o que é o terror de viver sob repressão, recomendo que veja o filme Estado de Sítio, de Costa Gravas, lançado em 1972, e que está na íntegra e com legendas no YouTube: https://t.co/GauTW3ToSj (2/2) — Ibaneis Oficial (@IbaneisOficial) March 12, 2021
Chloé Zhao, primeira diretora chinesa a vencer o Globo de Ouro, é censurada na China
A diretora Chloé Zhao foi de aclamada a censurada na China num espaço de poucos dias, após se tornar a primeira chinesa a vencer o Globo de Ouro de Melhor Direção. Celebrada nas redes sociais chinesas na segunda-feira (1/3) pela façanha, como uma inspiração por se tornar a primeira mulher asiática a ganhar o prêmio, ela recebeu até homenagem da mídia estatal oficial, como um motivo de orgulho para a China, e teve o lançamento de seu filme, “Nomadland”, aprovado para exibição nos cinemas locais em 23 de abril. Entretanto, a consagração levou muitos a questionarem se ela era realmente chinesa e por qual motivo ela morava nos EUA. Blogueiros logo encontraram uma entrevista da cineasta, que nasceu em Pequim, à Filmmaker Magazine em 2013, onde ela descreveu sua criação na China como “um lugar onde há mentiras por toda parte”. A revista já tinha deletado essa entrevista de seu site em meados de fevereiro, dias antes do anúncio da data de lançamento de “Nomadland” na China, sem maiores explicações. Mas os equivalentes a bolsominions chineses encontraram os rastros da declaração e não perdoaram a diretora, protestando contra ela. Na sexta-feira (5/3) já não era mais possível encontrar menções à Chloé Zhao e “Nomadland” na internet chinesa. A reação nacionalista levou a um apagamento da diretora e de seu filme nas redes sociais. Uma pesquisa no Weibo (o Twitter chinês) pela hashtag “#Nomadland” traz como resultado a indicação de que o tópico viola as “leis, regulamentos e políticas” da China. Além disso, os pôsteres promocionais do filme desapareceram do Douban (um Facebook cultural), assim como a data de lançamento. Uma conta do Wechat (espécie de Whatsapp/Messenger) muito vista postou uma captura de tela com duas mensagens de censores sobre conteúdo do filme, em que se lê que “após exame pela plataforma”, os posts tinham transgredido as “regras de desenvolvimento e gerenciamento para serviços de informação pública nas plataformas de mensagens” e, portanto, foram excluídas. Os artigos censurados tinham os seguintes títulos: “Esta pessoa da indústria cinematográfica provavelmente conhece Chloe Zhao melhor do que qualquer outra pessoa no mundo” e “’Nomadland’ será lançado em 23 de abril na China; Chloe Zhao se torna a primeira asiática a ganhar o Globo de Ouro de Melhor Direção.” Para completar, os principais sites de venda de ingressos online da China, Maoyan e Tao Piaopiao, removeram a data de lançamento do filme de suas listas. Além de dirigir “Nomadland”, Zhao é a diretora do próximo filme de super-heróis da Marvel, “Eternos”, que conta com o mercado da China para cobrir seu elevado orçamento de produção. Com um elenco de alto nível, incluindo Angelina Jolie e Salma Hayek, o lançamento está marcado para novembro. Um comentário ainda não censurado no site de resenhas Douban resume a situação: “No futuro, Hollywood não irá mais deixar que chineses façam seus filmes, nem mesmo tocará tópicos chineses, porque ninguém é capaz de adivinhar onde estão os campos minados”. Outro lamentou a postura dos nacionalistas radicais. “Eles questionam seu local de nascimento, sua família, sua nacionalidade e as coisas que ela disse. A única coisa que eles não discutem é seu filme”. E um usuário mais corajoso postou uma imagem em preto e branco de Zhao com uma barra de censura nos olhos, junto com o comentário: “Na China, eles não a consideram chinesa, e nos EUA eles não a consideram americana. Ela está realmente na ‘Nomadland’.”












