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  • Filme

    Documentário sobre povo indígena vence Festival de Brasília

    21 de novembro de 2022 /

    O documentário “A Invenção do Outro” foi o grande vencedor da 55ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, conquistando quatro troféus, inclusive o principal, durante a cerimônia que aconteceu no domingo (20/11). O tradicional evento do cinema brasileiro consagrou a trama de Bruno Jorge (de “Natureza Morta”) como o Melhor Longa-Metragem na votação do júri oficial, além de Melhor Fotografia, Montagem e Som. A obra documental acompanha uma expedição humanitária na Amazônia em busca da etnia dos Korubos, conduzida por indigenista Bruno Pereira, que foi assassinado junto ao jornalista britânico Dom Phillips em junho deste ano. “Segundo a psicanálise, o nosso ‘eu’ não nasce pronto, ele é um processo de construção, que começa quando a gente nasce e começa a se identificar com os atributos do outro. Somos camadas de vários outros, que a gente vai tirando e no final não sobra nada. Queria agradecer ao júri por premiar um trabalho que tem um deslocamento do eu, da desterritorialização da autoimagem”, disse o diretor em seu agradecimento. Entre as obras de ficção, “Mato Seco em Chamas”, de Adirley Queirós e Joana Pimenta, foi disparado a mais premiada com sete Troféus Candangos, incluindo Melhor Direção e Atriz (um empate entre Lea Alves e Joana Darc). De temática bastante atual, o filme explora o impacto do surgimento de movimentos extremistas na periferia. Outro destaque da premiação, “Rumo”, de Bruno Victor e Marcus Azevedo, levou o prêmio de Melhor Longa pelo júri popular (votação do público) e um Prêmio Especial do júri oficial. O filme aborda a implementação da política de cotas raciais em universidades brasileiras a partir da experiência pioneira da UnB. E vale apontar que os diretores foram estudantes cotistas. O prêmio de Melhor Curta para “Escasso”, do coletivo carioca Encruza (Clara Anastácia e Gabriela Gaia Meirelles), também destacou o protagonismo de narrativas negras. Acompanhando uma passeadora profissional de pets em busca da casa própria, a obra também venceu o prêmio de Melhor Direção e Atriz (Clara Anastácia). A 55ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro teve duração de seis dias, com 42 exibições competitivas e mostras especiais. Confira abaixo a lista dos vencedores. LONGAS Melhor Longa-Metragem pelo Júri Oficial “A Invenção do Outro”, dirigido por Bruno Jorge. Melhor Longa-Metragem pelo Júri Popular “Rumo”, dirigido por Bruno Victor e Marcus Azevedo Melhor Direção Adirley Queirós e Joana Pimenta com a obra de “Mato Seco Em Chamas” Melhor Atriz Lea Alves e Joana Darc em “Mato Seco em Chamas” Melhor Atriz Coadjuvante Andreia Vieira também em “Mato Seco em chamas” Melhor Ator Carlos Francisco em “Canção ao Longe” Melhor Ator Coadjuvante O coro de motoqueiros de “Mato Seco em Chamas” Melhor Roteiro Adirley Queirós e Joana Pimenta com a obra de “Mato seco em chamas” Melhor Fotografia Bruno Jorge pela direção de “A Invenção do Outro” Melhor Direção de Arte Denise Vieira por “Mato seco em chamas” Melhor Trilha Sonora Muleka 100 Kalcinha pela canção de “Mato Seco em Chamas” Melhor Edição de Som Bruno Palazzo e Bruno Jorge em “A Invenção do Outro” Melhor Montagem Bruno Jorge em “A invenção do outro” Prêmio Especial do Júri “Rumo”, dirigido por Bruno Victor e Marcus Azevedo CURTAS Melhor Curta-Metragem pelo Júri Oficial “Escasso”, dirigido por Clara Anastácia e Gabriela Gaia Meirelles Melhor Curta-Metragem pelo Júri Popular “Calunga Maior”, dirigido por Thiago Costa Melhor Direção Clara Anastácia e Gabriela Gaia Meirelles, por “Escasso” Melhor Atriz Clara Anastácia em “Escasso” Melhor Ator Giovanni Venturini em “Big Bang”, dirigido por Carlos Segundo Melhor Roteiro Rogério Borges pela obra de “Lugar de Ladson” Melhor Fotografia Yuji Kodato em “Lugar de Ladson”, dirigido por Rogério Borges Melhor Direção de Arte Joana Claude, por “Capuchinhos” de Victor Laet Melhor Trilha Sonora Podeserdesligado, em “Calunga Maior” de Thiago Costa Melhor Edição de Som Som de Black Maria (Isadora Maria Torres e Léo Bortolin), em “Lugar de Ladson” Melhor Montagem Edson Lemos Akatoy por “Calunga Maior” e “Nem o Mar Tem Tanta Água” de Mayara Valentim Melhor Filme de Temática Afirmativa “Ave Maria”, de Pê Moreira

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  • Filme

    Festival de Brasília começa nesta segunda com filmes premiados

    14 de novembro de 2022 /

    A 55ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, um dos mais tradicionais festivais de cinema do país, começa nessa segunda (14/11) com uma programação diferente. Em vez de apresentar uma seleção de filmes inéditos, o evento vai contar com produções já exibidas e premiadas em outros festivais. Ao todo, serão exibidos 40 filmes, nos formatos de curta, média e longa-metragem, divididos em mostras competitivas, sessões especiais e homenagens. A Mostra Competitiva Nacional de Longas-Metragens terá seis filmes: “Mato Seco em Chamas”, “Espumas ao Vento”, “Rumo”, “Mandado”, “Canção ao Longe” e “A Invenção do Outro”. Dirigido por Adirley Queirós e Joana Pimenta, “Mato Seco em Chamas” já foi exibido no Festival do Rio, de onde saiu premiado com o Troféu Redentor de Melhor Fotografia e com o Prêmio Especial do Júri. O filme é uma ficção científica distópica passada na Ceilândia, em Brasília, e acompanha três mulheres que recolhem petróleo de oleodutos subterrâneos e o refinam para transformá-lo em gasolina. “Espumas ao Vento”, tem direção de Taciano Valério, e mostra a catástrofe ocorrida durante espetáculo de uma trupe artística, num evento que leva duas irmãs a redefinirem as suas vidas. Depois disso, as irmãs precisam conviver com as consequências e lembranças do acontecimento, ao mesmo tempo que se deparam com um pastor que planeja expandir o reino de Deus na Terra. Com direção da dupla Bruno Victor e Marcus Azevedo, “Rumo” é um retrato do Brasil da era Bolsonaro. Abordando temáticas sociais que foram suprimidas nos últimos anos, o filme fala sobre os programas de cotas raciais implantadas em diversas universidades nos últimos 20 anos. “Mandado”, de João Paulo Reys e Brenda Melo Moraes, é um documentário que narra os eventos ocorridos na favela alguns meses antes do início da Copa do Mundo de 2014 (que aconteceu no Brasil) e mostra as consequências do mandado de busca emitido pela Justiça, que autorizou a Polícia a entrar em todas as casas de duas favelas cariocas. O filme tem entrevistas com Marielle Franco, além de jornalistas e moradores do Complexo da Maré. Com direção de Clarissa Campolina, “Canção ao Longe” acompanha o dia-a-dia de Jimena, uma jovem em busca da sua identidade que reescreve suas relações familiares ao criar novas formas de estabelecer vínculos amorosos, de amizade e trabalho. E “A Invenção do Outro”, de Bruno Jorge, é um documentário sobre a morte do sertanista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, assassinados há alguns meses na Amazônia. O Festival de Brasília também contará com uma mostra de curtas (em que 12 filmes foram selecionados) e uma mostra competitiva Brasília (composta por mais quatro longas e oito curtas). Todos eles disputam o Troféu Candango. A programação ainda terá Sessões Especiais, a Mostra Reexistências, a Mostra Festival dos Festivais (dedicadas a filmes prestigiados do cinema brasileiro) e uma homenagem ao cineasta Jorge Bodanzky. Neste último caso, serão exibidos os filmes “Distopia Utopia” e “Amazônia, a Nova Minamata?”, ambos dirigidos por Bodanzky, além de “Compasso de espera”, dirigido por Antunes Filho e fotografado por Jorge Bodanzky. O 55º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro acontece até o dia 20 de novembro no Cine Brasília, em Brasília. O encerramento será com sessão especial do filme “Diálogos com Ruth de Souza”, de Juliana Vicente, uma homenagem à consagrada atriz (1921-2019). Confira abaixo a lista dos filmes selecionados. Mostra Competitiva Nacional – Longas “Mato Seco em Chamas” (DF), direção de Adirley Queirós e Joana Pimenta “Espumas ao Vento” (PE), direção de Taciano Valério “Rumo” (DF), direção de Bruno Victor e Marcus Azevedo “Mandado” (RJ), direção de João Paulo Reys e Brenda Melo Moraes “Canção ao Longe” (MG), direção de Clarissa Campolina “A Invenção do Outro” (SP/AM), direção de Bruno Jorge Mostra Competitiva Nacional – Curtas “Big Bang” (MG/RN), direção de Carlos Segundo “Ave Maria” (RJ), direção de Pê Moreira “Nossos Passos Seguirão os Seus…” (RJ), direção de Uilton Oliveira “Anticena” (DF), direção de Tom Motta e Marisa Arraes “Calunga Maior” (PB), direção de Thiago Costa “Sethico” (PE), direção de Wagner Montenegro “Escasso” (RJ), direção: Encruza – Clara Anastácia e Gabriela Gaia Meirelles “São Marino” (SP), direção de Leide Jacob “Capuchinhos” (PE), direção de Victor Laet “Nem o Mar tem Tanta Água” (PB), direção de Mayara Valentim “Um Tempo Para Mim” (RS), direção de Paola Mallmann de Oliveira “Lugar de Ladson” (SP), direção de Rogério Borges Mostra Brasília – Longas “Capitão Astúcia”, direção de Filipe Gontijo “Profissão Livreiro”, direção de Pedro Lacerda “Afeminadas”, direção de Wesley Godim “O Pastor e o Guerrilheiro”, direção de José Eduardo Belmonte Mostra Brasília – Curtas “Desamor”, direção de Herlon Kremer “Super-Heróis”, direção de Rafael de Andrade “Plutão Não É Tão Longe Daqui”, direção de Augusto Borges e Nathalya Brum “Manual da Pós-Verdade”, direção de Thiago Foresti “Tá Tudo Bem”, direção de Carolina Monte Rosa “Virada de Jogo”, direção de Juliana Corso “Levante pela Terra”, direção de Marcelo Cuhexê “Reviver”, direção de Vinícius Schuenquer Sessões Especiais “Quando a Coisa Vira Outra” (DF), direção de Marcio de Andrade “Diálogos com Ruth de Souza” (SP), direção de Juliana Vicente Mostra Reexistências “O Cangaceiro da Moviola” (MG/RJ), direção: de Luís Rocha Melo “Não É a Primeira Vez que Lutamos pelo Nosso Amor” (RJ), direção de Luis Carlos de Alencar “Uýra – A Retomada da Floresta” (AM), direção de Juliana Curi “Cordelina” (PB), direção de Jaime Guimarães Mostra Festival dos Festivais “A Filha do Palhaço” (CE), direção de Pedro Diógenes “Três Tigres Tristes” (SP), direção de Gustavo Vinagre “Fogaréu” (GO), direção de Flávia Neves Homenagem Jorge Bodanzky “Distopia Utopia”, direção de Jorge Bodanzky “Compasso de Espera”, direção de Antunes Filho “Amazônia, a Nova Minamata?”, direção de Jorge Bodanzky

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  • Filme

    Diretor de filme LGBTQIA+ atacado por Bolsonaro diz sofrer ameaças de morte

    14 de setembro de 2019 /

    O cineasta Bruno Victor Santos revelou que vem recebendo ataques nas redes sociais após seu filme “Afronte” ser mencionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) numa live. O projeto da adaptação do curta numa série foi citado entre por Bolsonaro numa live em agosto, em que o presidente se manifestou contra produções de temática LGBTQIA+, afirmando que não iria liberar verba para esse tipo de “filmes”. “Um discurso de ataque tão direto do presidente valida que outras pessoas façam o mesmo”, escreveu o diretor num desabafo publicado pelo site The Intercept Brasil. “E eu recebi ataques extremamente dolorosos, desde apoios à fala [de Bolsonaro] e à censura, até gente falando da cor da minha pele, da minha orientação sexual.” Bruno conta que ele foi chamado de “cosplay de Marielle Franco” em um dos ataques. Ele considera motivo de orgulho ser comparado à figura da vereadora assassinada em 2018, mas o motivo da associação é o pior possível. “O que eles estão falando que eu mereço ter uma morte parecida com a dela. E eu fiquei com medo, me retirei das redes sociais. E sei que essas pessoas são covardes e gostam de violência, e que elas querem que a população preta, principalmente LGBT, continue sendo massacrada”, declarou. Codirigdo por Bruno Victor e Marcus Azevedo, o curta “Afronte” mostra a realidade vivida por negros homossexuais no Distrito Federal. Exibido no Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade e no Festival de Brasília em 2017, a obra venceu o Prêmio Saruê, concedido pelo jornal Correio Braziliense no evento da capital – o nome é homenagem ao longa-metragem “O País de São Saruê”, de Vladimir Carvalho, retirado do Festival de Brasília em 1971 por conta da censura. “Confesso que não entendi nada. Olha, a vida particular de quem quer que seja, ninguém tem nada a ver com isso, mas fazer um filme mostrando a realidade vivida por negros homossexuais no DF, não dá para entender. Mais um filme que foi para o saco”, disse o Bolsonaro, deixando claro a ordem de impedir a produção do projeto. Seis dias depois, uma portaria do Ministério da Cidadania suspendeu o edital para a produção das séries atacadas pelo presidente – que, na ocasião da live, achava que eram filmes. Para não fazer as séries, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, encontrou uma brecha. Ele mandou suspender tudo alegando falta de nomeação dos membros do Comitê Gestor do FSA, responsável por direcionar as verbas arrecadadas com o Condecine (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional, taxa cobrada da indústria de cinema, TV e telefonia) para seus respectivos programas de fomento. O detalhe é que a formação do comitê depende das indicações do governo. E, passados nove meses de sua posse, Bolsonaro ainda não indicou nenhum representante. O decreto prevê a suspensão do edital por 180 dias, podendo prorrogar o prazo caso o comitê gestor continue sem as indicações dos membros do governo. Trata-se, portanto, de uma inação intencional, como estratégia para censurar obras, cujo efeito colateral, pela justificativa apresentada, travou o financiamento de todo o setor. Como (apenas) a Pipoca Moderna vem alertando, isto não afetou apenas as séries que tiveram seu edital suspenso. Todos os projetos audiovisuais estão impedidos de receber financiamento, com base na justificativa apresentada. E isso já traz consequências claras para o setor. Após a fala de Bolsonaro e a ação de Osmar Terra, entidades LGBTQIA+ denunciam o presidente na Procuradoria Geral da República por homofobia e o MPF (Ministério Público Federal) no Rio de Janeiro já instaurou um inquérito civil para apurar a suspensão do edital. A suspeita de homofobia também é uma das questões apuradas. Além disso, a suspensão do edital está enfrentando processos da entidades representantes da indústria audiovisual brasileira. Bolsonaro já foi condenado por declarações homofóbicas em 2011, tendo que pagar R$ 150 mil, por danos morais, ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDDD) do Ministério da Justiça. Isto porque na época o crime não era equiparado ao racismo, que contempla penas de reclusão. Isto mudou neste ano, em entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) que igualou as punições a todos os atos de intolerância.

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