Tenet volta a lotar cinemas em plena pandemia no Brasil
O circuito cinematográfico brasileiro teve seu melhor de semana desde o começo da pandemia neste feriado de Finados. Entre quinta e segunda (2/11), 291,4 mil pessoas compraram ingressos para assistir aos filmes em cartaz, segundo levantamento da consultoria Comscore. O feriadão teve a estreia de “Tenet”, o maior candidato a blockbuster lançado desde março, que foi responsável por levar 107,9 mil pessoas aos cinemas. O thriller de ação e ficção científica da Warner arrecadou R$ 2,05 milhões nas bilheterias. Os valores deste fim de semana são 140% maiores do que os da semana anterior, em que os cinemas tiveram público de 119 mil espectadores. “Tenet” foi responsável por quase dobrar esse montante, mas também tiveram bons desempenhos o filme de super-heróis “Os Novos Mutantes” e o documentário musical “BTS Break the Silence”. Já pelos dados do site Ingresso.com, “Tenet” foi responsável por 56% dos ingressos de cinema vendidos no fim de semana prolongado. Mesmo assim, os valores estão bem abaixo do “antigo normal”. No último final de semana antes do fechamento das salas devido a covid-19 (entre os dias 12 e 15 de março), os cinemas arrecadaram R$ 8,4 milhões em venda de ingressos, com um dia a menos na conta e já em fase de esvaziamento pelo receio da pandemia. No exterior, o desempenho de “Tenet” decepcionou o mercado e foi responsável por assustar os estúdios de Hollywood, que suspenderam as estreias deste ano, passando seus principais lançamentos para 2021. Deste modo, o pretenso renascimento do negócio cinematográfico no Brasil, graças à estreia do filme, não tem como se sustentar pela falta de outros grandes lançamentos nos próximos meses. Uma opção seria dar mais espaço para produções nacionais. Infelizmente, a Ancine e o desgoverno têm criado dificuldades para a liberação de verbas, atrasando e inviabilizando diversas produções brasileiras, o que gera um efeito colateral de tempestade perfeita para o setor.
Bilheteria do Halloween é a mais assustadora desde a reabertura dos cinemas nos EUA
O filme de terror “Come Play” estreou em 1º lugar nas bilheterias da América do Norte durante o fim de semana de Halloween, faturando US$ 3,15 milhões entre sexta e domingo (1/11). O estúdio Focus comemorou, mas o desempenho do primeiro longa do diretor Jacob Chase dá a dimensão da crise em que se encontra o mercado exibidor nos EUA. A tendência é de queda na arrecadação geral, com “Come Play” obtendo um faturamento menor que a estreia dos dois líderes anteriores, “Guerra com o Vovô” (US$ 3,6 milhões) e “Legado Explosivo” (US$ 3,7 milhões). Os demais resultados são ainda mais sombrios, pois o 2ª lugar, “Legado Explosivo”, fez apenas US$ 1,3 milhão. Com isso, o Top 10 das bilheterias totalizou pouco mais de US$ 8 milhões, o que representa o pior resultado da América do Norte desde a reabertura dos cinemas no final de agosto e o faturamento mais baixo do ranking em quase meio século. Diante do aumento dos casos de infecção por coronavírus nos EUA e uma segunda onda de fechamento de cinemas na Europa, o mercado começa a perceber que as salas de Nova York e Los Angeles não devem ser reabertas tão cedo – o lockdown começou em março – e, pior, os locais de projeções atualmente em funcionamento podem precisar paralisar de novo suas atividades. Não é por acaso que Hollywood tem anunciado adiamentos em massa de suas produções. Ninguém mais acredita que a Warner vai manter “Mulher-Maravilha 1984” em sua data prevista para este Natal. E há poucos apostando que algum estúdio fará um grande lançamento antes de, pelo menos, março de 2021. Sinal dos tempos é que “Come Play” será lançado em PVOD para locação digital em 25 de novembro, com uma janela cinematográfica de apenas três semanas, e nenhum exibidor reclamou. O estúdio do filme, Focus, é uma divisão da Universal, que negociou uma janela de PVOD (VOD premium, mais caro) de 17 dias com a rede AMC no início deste ano. No entanto, esta é a primeira vez que outras grandes empresas exibidoras, lideradas pela terceira maior, Cinemark, aceitam exibir uma estreia sabendo que o filme estará disponível para ser visto em casa muito antes da janela tradicional, de cerca de 75 dias. (As estreias regulares de VOD, que vêm com preços muito mais baixos, obedecem uma janela de 90 dias). Com poucos filmes novos disponíveis, os exibidores consideram isso uma exceção por conta da pandemia. Pode até ser o caso, mas durante anos os cinemas resistiram à ideia de quaisquer exceções em sua primazia.
Demon Slayer: Animação faz US$ 100 milhões e bate recorde de bilheteria no Japão
Enquanto as bilheterias dos EUA experimentam uma crise sem precedentes, o longa animado “Demon Slayer”, baseado no mangá de mesmo nome, quebrou o recorde de arrecadação no Japão, superando os US$ 100 milhões em apenas 10 dias. A velocidade com que a marca foi atingida foi maior que a obtida pelo antigo recordista, que também foi uma animação, a clássica “A Viagem de Chihiro”, de Hayao Miyazaki, que levou 25 dias para atingir a marca em 2001. “A Viagem de Chihiro” acabou vencendo o Oscar de Melhor Animação. O novo filme, cujo título completo é “Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba the Movie – Mugen Train”, também quebrou o recorde de melhor fim de semana de estreia no Japão, registrado na semana passada. Segundo a empresa distribuidora Aniplex, 7,98 milhões de pessoas viram o filme até esta segunda-feira (26/10) no Japão. “Demon Slayer” é baseado em um mangá popular, escrito e ilustrado por Koyoharu Gotōge e serializado desde 15 de fevereiro de 2016 na revista semanal “Weekly Shōnen Jump”, com seus capítulos sendo reunidos em 18 volumes até o momento. A publicação também já tinha sido transformada num anime no ano passado, que se tornou campeão de audiência – e pode ser visto no Brasil na plataforma Crunchyroll. Por sinal, o diretor do filme é o mesmo da série animada, Haruo Sotozaki, que estreia no cinema. A trama é ambientada no Japão de 100 anos atrás e acompanha um menino que luta contra demônios devoradores de humanos, após quase toda sua família ser morta. Veja o trailer abaixo.
CEO da AT&T “não está otimista” sobre futuro do cinema
Quando lançou “Tenet” nos cinemas, há mais de 50 dias, a Warner tinha seu discurso afinado com os proprietários de cinema, acreditando que o filme seria o grande lançamento capaz de voltar a encher as salas e superar a crise da pandemia de coronavírus. Mas as salas não encheram e a crise se aprofundou após o desempenho do longa – orçado em mais de US$ 200 milhões – não dar o retorno esperado, levando outros estúdios a tirarem seus títulos do calendário de 2020. Agora, John Stankey, CEO da AT&T, empresa dona da WarnerMedia, diz que o lançamento de “Tenet” durante a pandemia foi um erro. Ou, em suas palavras: “Não posso dizer que saímos da experiência de ‘Tenet’ dizendo que foi um gol”. A fala aconteceu durante uma teleconferência com investidores na quinta-feira (22/10), onde Stankey confessou não saber o que vai acontecer com o mercado cinematográfico. “Essa ainda é uma das coisas sobre as quais não temos grande visibilidade”, ele afirmou. “Fizemos algumas experiências. Fizemos algumas coisas”, continuou. E foi quando fez a comparação esportiva sobre o desempenho de “Tenet” – na verdade, ele usou a expressão “home run”, uma analogia de beisebol, “traduzida” aqui para o gol do futebol visando facilitar a compreensão. O desempenho de “Tenet” deve afetar os próximos lançamentos do estúdio. A Warner tem a estreia de “Mulher-Maravilha 1984” prevista para dezembro, mas são grandes as apostas de que ela será adiada, já que mantê-la representaria uma nova aposta, enquanto outros estúdios adiam estreias em massa para evitar esse teste. Stankey deu a entender que a Warner não será responsável por novas apostas arriscadas. Ele demonstra que a ordem agora é ter cautela e esperar. “À medida que chegarmos a um ponto onde haja uma situação um pouco mais consistente, talvez possamos fazer um pouco mais”. “Eu diria que a temporada de férias será o próximo grande ponto de verificação para ver o que ocorre e se podemos ou não mover algum conteúdo de volta para a exibição cinematográfica. Teremos que tomar uma decisão com base nisso e no que estiver acontecendo em diferentes geografias e na contagem de infecções no país”, ele afirmou. “Mulher-Maravilha 1984” tem sua estreia marcada para o Natal, que marca o começo das férias de inverno nos EUA. Portanto, antes do “próximo grande ponto de verificação”. No entanto, a produção de conteúdo foi retomada. Stankey observou que existem atualmente 130 produções em andamento, entre filmes e séries da Warner. Normalmente, esse número seria cerca de 180. Em relação a isso, ele considera que “estamos fora de perigo”. Ou seja, o estúdio aprendeu a trabalhar sob as restrições impostas pela pandemia e não terá problemas com falta de material. A questão que se impõe agora, especialmente com o lançamento da plataforma HBO Max, prioridade da AT&T, é onde exatamente exibir esse conteúdo. “Ainda estamos empenhados em tentar colocar parte do conteúdo que consideramos mais importante nas salas de cinema, se isso fizer sentido”, continuou Stankey. Mas sua conclusão não passou uma mensagem muito positiva. “Esperamos que o mercado seja incrivelmente fatiado no próximo ano”, disse, acrescentando que “não está otimista” quanto a uma recuperação significativa nem no início de 2021. Por conta disso, a Warner está “considerando todas as opções”. “À medida que avançarmos e pudermos ter um quadro mais claro, vamos tomar as decisões”, concluiu. Vale observar que o remake de “Convenção das Bruxas”, originalmente previsto para os cinemas, estreou na HBO Max neste fim de semana.
Cinemas vazios nos EUA apontam que crise do setor está longe de passar
O desempenho das bilheterias de cinema nos EUA durante o fim de semana disparou alarmes por todo o mercado, deixando claro que o negócio cinematográfico corre risco de nunca mais se recuperar. O novo filme de ação de Liam Neeson, “Legado Explosivo” (Honest Thief), manteve-se na liderança das bilheterias da América do Norte pelo segundo fim de semana seguido com uma arrecadação de US$ 2,35 milhões. Mas esta arrecadação, que nem sequer entraria no Top 10 antes da pandemia, foi a única a superar os US$ 2 milhões entre sexta e domingo (25/10) nos EUA e Canadá. O Top 3 ainda inclui a comédia “Guerra com o Vovô”, estrelada por Robert DeNiro, com US$ 1,8 milhão, e o “blockbuster” da covid-19, “Tenet”, com US$ 1,3 milhão. Diante destes números, o site Deadline publicou um texto atacando a decisão de políticos que mantém os cinemas de Los Angeles e Nova York fechados, além de criticar a Disney por lançar seus principais títulos em streaming (“Hamilton”, “Mulan” e “Soul”) e despejar apenas refugos no circuito cinematográfico. A Disney distribuiu a única estreia de sexta (23/10), o terror “O Mensageiro do Último Dia” (The Empty Man), uma produção original de Fox, que chegou sem sessões para imprensa e pouco investimento em divulgação – apesar de incluir o queridinho da Netflix Joel Courtney (o Lee Flynn de “A Barraca do Beijo”) em seu elenco. Foi lançado em 2 mil telas, mas rendeu apenas US$ 1,2 milhão, ocupando o 4ª lugar com salas vazias. As poucas críticas publicadas afirmam que se trata realmente de um horror. Entretanto, a performance negativa de “O Mensageiro do Último Dia” não é exceção. Todas as salas de cinema dos EUA estão vazias e a reabertura de Los Angeles e Nova York não mudaria este quadro. Para completar, os sinais são ainda mais desanimadores em relação ao futuro, após a nova onda de coronavírus que varre a Europa. O fato incontornável é que o público está com medo dos cinemas. Os donos das redes não abrem mão de vender refrigerante e pipoca, e com isso o uso “obrigatório” de máscaras de proteção virou falácia nas salas de exibição. Devido a esses sinais contraditórios, os cinemas continuam a ser vistos como inseguros. E os estúdios não pretendem fazer grandes lançamentos enquanto essa visão não for alterada. O negócio cinematográfico mudou, e enquanto alguns buscam alternativas, como a rede AMC, que fechou um acordo com a Universal para diminuir a janela de exibição de filmes em troca de participação nos lucros de streaming, outros preferem simplesmente fechar as portas a negociar ou repensar seu modelo, como a Regal/Cineworld, acreditando que isso servirá de pressão para sensibilizar os estúdios ou os governos. Mas os cinemas voltaram a fechar na Europa. E John Stankey, CEO da AT&T, empresa dona da WarnerMedia, acaba de vocalizar que o lançamento de “Tenet” durante a pandemia foi um erro. Ou, em suas palavras: “Não posso dizer que saímos da experiência de ‘Tenet’ dizendo que foi um gol”. Ao mesmo tempo em que a Disney anuncia que seu negócio de streaming superou as expectativas, atingindo em meses o alcance previsto para cinco anos, a Sony se adianta aos demais estúdios para adiar um filme esperado para março (“Caça-Fantasmas: Mais Além”), passando-o para julho de 2021. Em outras palavras, são cada vez menores as chances de “Mulher-Maravilha 1984” ser visto nos cinemas em dezembro. Assim como as chances de os cinemas superarem sua maior crise sem uma grande mudança no setor.
Novo filme de ação de Liam Neeson lidera bilheterias em crise nos EUA
O novo filme de ação de Liam Neeson, “Legado Explosivo” (Honest Thief), liderou as bilheterias da América do Norte neste fim de semana, ao arrecadar US$ 3,7 milhões. O valor é US$ 100 mil maior que a estreia de “Guerra com o Vovô”, o “sucesso” da semana passada que se tornou o pior campeão de bilheteria norte-americano desde 1988. Com os cinemas ainda fechados em Los Angeles, Nova York e São Francisco, e a pandemia de coronavírus ainda longe do fim, o desempenho dos lançamentos continua pífio nos EUA. Não é à toa que os grandes estúdios estão desistindo de lançar seus blockbusters potenciais, passando seus principais títulos para 2021. De fato, já circulam rumores sobre nova leva de adiamentos, que cancelariam o vindouro Natal cinematográfico. Em entrevista nesta semana, a diretora Patty Jenkins afirmou ter dúvidas sobre a estreia de “Mulher-Maravilha 1984” em dezembro. O desempenho de “Tenet”, que a Warner considerou ser capaz de trazer o público de volta aos cinemas, acabou tendo efeito inverso do esperado, conduzindo a um grande apagão de estreias. Ironicamente, porém, a paranoia dos estúdios tem sido benéfica para o filme do diretor Christopher Nolan. Única produção orçada em mais de US$ 200 milhões em cartaz nos cinemas dos EUA, “Tenet” avança a conta-gotas, mas firme, graças à falta de concorrentes, e atingiu neste fim de semana a bilheteria doméstica de US$ 50,6 milhões. É muito pouco para seu custo de produção, mas ajudou o valor mundial da arrecadação a chegar a US$ 333 milhões. O efeito conta-gotas pode até servir de estímulo para a retomada de estreias de produções de orçamento modesto. Um dos primeiros títulos a chegar aos cinemas norte-americanos durante a pandemia, “Fúria Incontrolável” (Unhinged), estrelado por Russell Crowe, atingiu US$ 20 milhões na América do Norte neste domingo (18/10), após 10 semanas em cartaz. Em todo o mundo, o filme está com US$ 39 milhões. “Fúria Incontrolável” fez pouco menos que a superprodução “Os Novos Mutantes”, última herança da Fox distribuída pela Disney. A adaptação dos quadrinhos da Marvel rendeu US$ 22,7 milhões em sete semanas na América do Norte e US$ 43,7 milhões mundiais. Os cinemas americanos ainda receberam duas estreias neste fim de semana, “Amor e Monstros” (Love and Monsters) e “The Kid Detective”, mas os estúdios se entusiasmaram menos que a crítica com seus lançamentos, colocando-os em poucas telas para apostar numa distribuição simultânea em PVOD (VOD com preço de ingresso de cinema). Elogiadíssimos e com grande apelo comercial, os dois filmes tiveram que se contentar em fechar o Top 10, respectivamente com US$ 255 mil e US$ 135 mil, enquanto reprises de sucessos infantis dos anos 1990 (“Abracadabra” e “O Estranho Mundo de Jack”) ocuparam a maioria das salas disponíveis. Esta comparação de desempenhos e estratégias acaba passando a pior mensagem possível sobre o setor, que enfrenta uma crise capaz de mudar hábitos de forma permanente.
Cinemas brasileiros exibem Festival Christopher Nolan como esquenta de Tenet
Em antecipação à estreia de “Tenet” na próxima semana, os cinemas brasileiros começam a exibir um pequeno festival dedicado a seu diretor, Christopher Nolan, a partir desta quinta (15/10). A programação inclui quatro filmes do cineasta americano: “A Origem” (2010), que comemora seu aniversário de 10 anos, “Dunkirk” (2017), “Interestelar” (2014) e “Batman – O Cavaleiro das Trevas” (2008). Durante a projeção, também haverá a exibição de material especial e inédito de bastidores de “Tenet”, com 10 minutos de duração. Com estreia prevista para 29 de outubro no Brasil, “Tenet” foi a única produção orçada em mais de US$ 200 milhões a arriscar um lançamento nos cinemas durante a pandemia de coronavírus. O filme da Warner acabou faturando mais de US$ 320 milhões em todo o mundo, mas fracassou na América do Norte, onde sua bilheteria estacionou em US$ 48,3 milhões. O desempenho serviu de alerta para os estúdios rivais, que decidiram adiar todos seus grandes lançamentos para 2021 – ou, no caso da Disney, disponibilizá-los diretamente em streaming.
Comédia ruim de Robert De Niro supera Tenet nas bilheterias dos EUA
A comédia “Guerra com o Vovô”, estrelada por Robert De Niro (no papel do vovô), estava pronta desde 2018, mas acabou arquivada depois que seu produtor, um certo Harvey Weinstein, foi acusado por uma centena de mulheres de assédio, abuso e até estupro. Os responsáveis pelo filme compraram seus direitos de volta por US$ 2,5 milhões e esperaram o momento certo – uma pandemia de coronavírus – para arriscar seu lançamento, negociando sua distribuição com uma empresa independente. Em seu fim de semana de estreia, “Guerra com o Vovô” faturou US$ 3,6 milhões em 2.205 salas de cinema dos EUA e Canadá. Mas a crítica sugeriu que era melhor que tivesse ficado arquivado. O filme, que ainda conta com Uma Thurman e Christopher Walken em seu elenco, recebeu apenas 25% de aprovação no Rotten Tomatoes, sendo considerado um dos trabalhos mais vergonhosos da carreira de De Niro. Em tempos de pandemia, quando os maiores mercados de Nova York e Los Angeles seguem fechados, sua bilheteria bastou para encerrar o longo reinado de “Tenet” como filme mais visto da América do Norte. Para isso, precisou apenas se tornar o pior campeão de bilheteria norte-americano desde 1988. Em sua 6ª semana em cartaz, “Tenet” arrecadou apenas US$ 2,1 milhões no mercado interno, elevando sua receita para US$ 48,3 milhões. O thriller de ficção científica da Warner Bros. também somou cerca de US$ 9,8 milhões em mais 62 mercados no fim de semana, elevando seu total mundial para US$ 323,3 milhões. Parece muito, mas é muito pouco para uma produção orçada em mais de US$ 200 milhões. “Tenet” será, a seguir, lançado no Brasil. Com a reabertura dos cinemas no Rio e São Paulo, o filme dirigido por Christopher Nolan (“A Origem”) chegará na próxima quinta (15/10) ao circuito nacional, onde também deverá reinar por semanas, em salas semivazias, sem concorrência de outros grandes lançamentos programados. Até “Guerra com o Vovô” tem previsão de estreia somente para dezembro por aqui.
Tenet ultrapassa US$ 300 milhões de bilheteria mundial
Maior lançamento desde a reabertura das salas de exibição durante a pandemia de coronavírus, “Tenet” acaba de superar os US$ 300 milhões de bilheteria mundial – atingiu, mais exatamente, US$ 307 milhões, graças ao desempenho na Ásia e na Europa. Mas a Warner não está comemorando. E não apenas porque o orçamento da produção é de US$ 205 milhões e, portanto, precisaria render o dobro do que já faturou para empatar os custos. O problema é de perspectiva. Em seis semanas, o longa da Warner só somou US$ 45,1 milhões no mercado norte-americano e deve encerrar sua trajetória nos EUA com no máximo US$ 55 milhões. Foram apenas US$ 2,7 milhões no fim de semana, porque não há fluxo de público. Quem queria ver, já viu. De fato, “Tenet” quase perdeu a liderança das bilheterias para um relançamento de “Abracadabra”, comédia infantil de bruxas da Disney de 1993, que faturou US$ 2 milhões. Antes visto como salvação do mercado por exibidores preocupados em ter um grande lançamento para a volta das sessões de cinema, “Tenet” passou a ser lamentado como encorajador de uma reabertura apressada do circuito, que desde sua estreia não recebe novos títulos de peso para atrair público. Este problema ajuda a explicar a decisão da rede Cineworld/Regal de fechar seus cinemas, poucos dias após o anúncio do adiamento de “007 – Sem Tempo para Morrer”, última superprodução live-action que ainda estava marcada para estrear antes do Natal. O encerramento das atividades da Cineworld/Regal deve piorar ainda mais a expectativa de rendimentos de “Tenet”, especialmente porque impacta os mercados de Los Angeles e Nova York, que ainda não reabriram. “Tenet” também não chegou ainda ao Brasil e outros países da América Latina, onde a pandemia segue firme. Por aqui, a estreia está marcada para a próxima semana, no dia 15 de outubro. Entretanto, as salas de cinemas ainda não abriram em São Paulo, maior mercado cinematográfico nacional, e não está descartado um novo anúncio de adiamento.
O Rei Leão vai ganhar prólogo do diretor de Moonlight
A Disney anunciou que voltará à selva digital para fazer um novo filme de “O Rei Leão”. A produção será um prólogo do filme lançado no ano passado e terá direção de Barry Jenkins, diretor do filme vencedor do Oscar “Moonlight”. O roteirista Jeff Nathanson, que assinou o script do longa de 2019, retorna à função e a sequência será produzida com o mesmo estilo de animação fotorrealista do primeiro filme, dirigido por Jon Favreau. “Ajudando minha irmã a criar dois meninos durante os anos 1990, cresci com esses personagens. Ter a oportunidade de trabalhar com a Disney na expansão deste magnífico conto de amizade, amor e legado, enquanto continuo meu trabalho narrando a vida e a alma das pessoas na diáspora africana, é um sonho que se torna realidade ”, disse Jenkins em comunicado sobre o projeto. Embora o anúncio não tenha sido acompanhado por muitos detalhes, a revista Variety apurou com suas fontes que o novo filme se concentrará parcialmente nos primeiros anos de Mufasa, o pai de Simba, cuja morte forma o coração emocional da animação clássica e seu remake. A nova versão de “O Rei Leão” foi um grande sucesso de bilheteria para a Disney, arrecadando mais de US$ 1,6 bilhão ao redor do mundo e se tornando a maior bilheteria de uma produção do Walt Disney Studios (isto é, de uma produção que não é da Marvel, Pixar ou Lucasfilm). O elenco de vozes incluía a popstar Beyoncé, Donald Glover e Chiwetel Ejiofor. A data de estreia do prólogo não foi definida.
Bilheterias: Mulan implode e Tenet supera US$ 200 milhões
“Tenet” e “Mulan” são atualmente os principais lançamentos de Hollywood em cartaz no mercado internacional, nos países onde os cinemas já se encontram abertos. E ambos surpreenderam seus estúdios por conta de desempenhos inesperados, mas em sentidos contrários. A Disney fez tudo para agradar – ou, ao menos, não desagradar – o governo chinês para lançar “Mulan” naquele país. Sem se manifestar após declarações de Liu Yifei, a Mulan, contra o movimento pró-democracia de Hong Kong e ao incluir créditos finais que elogiam autoridades chinesas de uma região submetida à esterilização e reeducação forçadas, o estúdio viu se alastrarem campanhas de boicote ao filme em Taiwan, Hong Kong, Singapura e Tailândia. Mas a aposta de que a bilheteria chinesa compensaria tudo isso resultou equivocada. A verdade é que os esforços do estúdio para recuperar seu investimento foram sabotados em todas as etapas pelos poderosos de Pequim. “Mulan” só conseguiu liberar seu lançamento junto aos censores duas semanas antes da estreia prevista, ficando com pouco tempo para a divulgação. Além disso, segundo as agências de notícias, os principais meios de comunicação do país foram proibidos de cobrir a estreia e de fazer críticas independentes sobre o filme. Mas não ficou nisso. O Global Times, jornal do regime e único órgão de imprensa autorizado a criticar o longa, atacou o “baixo nível artístico” e “incompreensão da cultura chinesa” da produção, decretando que isso teria levado “ao fracasso de Mulan na China”. “O filme foi rejeitado devido à sua representação hipócrita, que falhou em ressoar com o público chinês”, afirmou a publicação antes das bilheterias abrirem na sexta (11/9), dia da estreia. O resultado anteclimático agora tem números. “Mulan” faturou US$ 23,2 milhões em seu fim de semana de estreia a China, abrindo em 2º lugar, atrás do blockbuster local “The Eight Hundred”. No resto do mundo, o filme fez só US$ 5,9 milhões. Assim, somando-se os locais em que o lançamento aconteceu na semana passada, o filme atingiu um total de US$ 37,6 milhões. Para recuperar os mais de US$ 200 milhões gastos em sua produção, a Disney está apostando no mercado digital, com distribuição em VOD premium (o estúdio chama de Premier Access) no Disney+ (Disney Plus) nos EUA. Entretanto, em três meses o longa estará disponível de graça para os assinantes da plataforma. “Tenet”, por outro lado, segue lotando cinemas. Ficou em 3º lugar em seu segundo fim de semana na China, mas já soma US$ 50,8 milhões no mercado local. Só nos últimos três dias, a produção da Warner faturou mais que a estreia de “Mulan”, com US$ 38,3 milhões mundiais – somando no montante US$ 6,7 milhões da América do Norte. Além da China, mais quatro países renderam bilheteria maior que a americana para “Tenet” entre sexta e domingo (13/9): Reino Unido (US$ 16,4 milhões), França (US$ 13,2 milhões), Alemanha (US$ 11,4 milhões) e Coréia do Sul (US$ 10,3 milhões). Na soma completa de suas bilheterias, desde o lançamento em 26 de agosto na Europa, “Tenet” já faturou US$ 207 milhões em todo o mundo. Em outros tempos, esses rendimentos representariam um fracasso colossal para uma produção com seu custo – também orçada em torno de US$ 200 milhões. Mas em tempos de covid-19, são números que o mercado comemora. A Warner espera lançar “Tenet” em 15 de outubro no Brasil, mas “Mulan” saiu do calendário de estreias nacionais, possivelmente porque deve chegar diretamente em streaming por aqui.
Bilheteria de Tenet mostra nova ordem mundial do cinema, com a China no topo
Depois de meses de adiamento, “Tenet” finalmente estreou nos EUA, gerando estimados US$ 20,2 milhões no fim de semana. Em outros tempos, essa abertura representaria um fracasso colossal para uma produção com seu custo – orçada em torno de US$ 200 milhões. Mas em tempos de covid-19, são números que o mercado começa a achar aceitáveis, enquanto pondera se um dia voltará a faturar as antigas fortunas. Com o público temeroso e salas ainda em processo de reabertura nos EUA, o desempenho de “Tenet” foi considerado razoável pelos analistas ouvidos pelas publicações americanas especializadas. É bem melhor, por exemplo, que a abertura de “Os Novos Mutantes”, que fez US$ 7 milhões em 2,4 mil telas na semana passada. Com os US$ 3,5 milhões deste fim de semana, o filme de super-heróis chegou a US$ 12,3 milhões de faturamento em dez dias, bem abaixo do que “Tenet” faturou em apenas quatro dias, entre quinta e este domingo (6/9). “Tenet” conseguiu chegar a 2,8 mil cinemas em todo o país, quantidade distante das 4 mil salas que costumam servir de base de lançamento para blockbusters na América do Norte. Isto porque, no momento, apenas 65% dos multiplexes estão em funcionamento e alguns dos principais mercados, como Nova York, Los Angeles, Seattle e São Francisco, continuam fechados. Mesmo as salas abertas enfrentam limitação no número de assentos como prevenção contra a pandemia, além de baixa procura por ingressos. Mais que nunca, isto significa que Hollywood se tornou dependente de sucessos internacionais. E, no exterior, o filme de Christopher Nolan está tendo um desempenho muito melhor. “Tenet” faturou US$ 78,3 milhões nos últimos três dias, graças principalmente à estreia na China, onde seu lançamento rendeu US$ 30 milhões desde sexta (4/9). A China está bem à frente dos EUA na reestruturação do mercado, com cinemas abertos e lotados na maioria das cidades, dentro da “nova normalidade”. Tanto que já rendeu um blockbuster local, o épico de guerra “The Eight Hundred”, que neste fim de semana superou os US$ 300 milhões de arrecadação. Com a soma da arrecadação global, “Tenet” também tem números de blockbuster, superando a marca de US$ 150 milhões em bilheteria ao redor do mundo desde seu lançamento europeu em 26 de agosto. É o melhor resultado para uma produção americana desde março, quando os cinemas fecharam devido à pandemia. Mas os números também retratam uma nova ordem mundial do mercado cinematográfico, em que os EUA perderam definitivamente sua primazia para a China. Uma situação em que filmes chineses, como “The Eight Hundred”, superam lançamentos hollywoodianos para assumir o topo das bilheterias como os maiores blockbusters do mundo. Não há previsão para “The Eight Hundred” chegar ao Brasil, mas o país será o último do mundo a receber “Tenet”. Em parte porque os cinemas ainda não reabriram nas principais capitais, mas também porque o país foi um dos mais afetados pela pandemia, graças a uma postura negacionista de desgoverno, que levou à falta de uma política sanitária federal e até mesmo de um Ministro da Saúde, no auge da crise. O último adiamento colocou a data de estreia nacional do filme da Warner em 15 de outubro.
Tenet e Mulher-Maravilha 1984 sofrem novos adiamentos no Brasil
Com os cinemas ainda fechados na maioria dos estados do Brasil, a Warner decidiu comunicar o adiamento oficial de suas próximas estreias, “Tenet” e “Mulher-Maravilha 1984”. O filme de Christopher Nolan, que já estreou em vários países e chega nesta quinta (3/8) aos cinemas americanos, sofreu novo adiamento, remarcado de 24 de setembro para 15 de outubro. Como esta era a data prevista para o lançamento nacional de “Mulher-Maravilha 1984”, o longa da heroína também precisou ser remanejado, sendo transferido para 5 de novembro. Os planos iniciais previam que “Tenet” chegaria em 23 de julho no Brasil. Desde então, a Warner já adiou quatro vezes a exibição, sempre atrasando a estreia em algumas semanas. Só que, de “pulinho” em “pulinho”, o filme vai estrear quase três meses depois da data originalmente prevista, devido à pandemia de coronavírus. Apesar da reação divisiva da crítica, o site Rotten Tomatoes colocou sua credibilidade em cheque por ignorar as resenhas negativas e considerar como positivas diversas críticas cheias de ressalvas, mantendo a nota do filme elevada até sua estreia internacional, quando faturou US$ 53 milhões em cerca de 40 países no fim de semana passado. Desde então, as opiniões negativas começaram a ser acrescentadas e a nota do filme despencou, de 83% para 77% de aprovação. Ainda assim, mantém-se elevada, considerando o tom geral. “O que diabos foi isso?”, sintetizou a resenha do New York Post, incluída nesta quarta (2/9). Promovido como um grande mistério, o filme é, aparentemente, daqueles que precisam de explicação mesmo depois do espectador terminar de assisti-lo. Confirmando comentários do próprio elenco de que o filme é difícil de entender, as resenhas apontam que o roteiro é o ponto fraco da produção. A trama foi mantida em segredo durante toda a divulgação, explicada apenas numa sinopse que afirma: “Armado com apenas uma palavra – Tenet – e lutando pela sobrevivência do mundo, o protagonista (John David Washington, de “Infiltrado na Klan”) precisa partir em uma missão dentro do mundo da espionagem internacional, que irá revelar algo além do tempo. Não é viagem no tempo. É inversão.” O texto nem se dá ao trabalho de nomear o personagem principal. Já as situações vistas no trailer incluem balas que disparam na direção contrária dos tiros e carros que capotam de trás pra frente, numa espécie de “efeito rewind”, que questiona a linearidade do tempo e lembra que o diretor responsável é o mesmo de “A Origem” (2010) e “Interestelar” (2014). O elenco também inclui Robert Pattinson (“Bom Comportamento”), Elizabeth Debicki (“As Viúvas”), Clémence Poésy (“The Tunnel”), Martin Donovan (“Big Little Lies”), Aaron Taylor-Johnson (“Vingadores: Era de Ultron”) e Dimple Kapadia (“Confinados”), atriz veterana de Bollywood em seu primeiro grande papel em Hollywood, além de dois velhos conhecidos dos filmes de Nolan, Michael Caine (trilogia “Batman”) e Kenneth Branagh (“Dunkirk”). Curiosamente, “Mulher-Maravilha 1984” deveria ter sido exibido antes de “Tenet” no Brasil. Originalmente previsto para 4 de junho, o lançamento sofreu três adiamentos e agora será lançado quatro meses depois do planejamento inicial. Nos EUA, o filme segue com previsão de estreia em 4 de outubro. A direção é novamente de Patty Jenkins e, além da volta a atriz Gal Gadot como a personagem-título, o longa ainda contará com o retorno de Chris Pine como o Capitão Steve Trevor. Apesar deste enredo também ter pouco detalhes revelados, os atores Kristen Wiig (“Caça-Fantasmas”) e Pedro Pascal (“Narcos”) vivem os vilões, nos papéis da Mulher-Leopardo e do milionário Maxwell “Max” Lord.










