Southside With You: Romance indie sobre Michelle e Barack Obama ganha primeiro trailer
A Roadside Attractions divulgou o trailer de “Southside With You”, romance indie sobre o início do namoro dos jovens Michelle Robinson e Barack Obama. A prévia é fofa de doer, acompanhando o primeiro encontro do casal, que começa com a resistência de Michelle, mas termina como um dia perfeito. A trama se passa em 1989, quando Barack trabalhava como associado numa empresa de advocacia em Chicago e tomou coragem de convidar a outra única advogada negra da firma, Michelle Robinson, para um encontro. Os dois visitaram o Instituto de Arte e assistiram ao filme “Faça a Coisa Certa”, de Spike Lee (“Oldboy – Dias de Vingança”), antes de encerrarem o dia com um jantar romântico. “Southside With You” foi escrito e dirigido pelo estreante Richard Tanne e destaca em seu elenco Tika Sumpter (“Policial em Apuros”) como Michelle e Parker Sawyers (“Monstros 2: Continente Sombrio”) como Barack Obama. Exibido no Festival de Sundance, o filme estreia em 26 de agosto nos EUA. Não há previsão para seu lançamento no Brasil.
Nova foto de X-Men: Apocalipse referencia heroína inédita nos cinemas
A atriz Sophie Turner (série “Game of Thrones”) divulgou em seu Twitter uma nova foto de “X-Men: Apocalipse”, que faz referência a uma heroína mutante que ainda não apareceu no cinema. A imagem traz sua personagem, Jean Grey, numa loja de discos dos anos 1980, diante de Scott Summers/Cíclope (Tye Sheridan), que segura um LP de Dazzler, artista pop da Marvel, que no Brasil teve o nome traduzido como Cristal. A conexão é curiosa, porque Cristal, que é capaz de manipular as luzes e criar hologramas, surgiu pela primeira vez numa revista dos “X-Men” de 1980, durante a célebre saga da “Fênix Negra”. Jean Grey, claro, vira a Fênix nos quadrinhos. Como “X-Men: Apocalipse” se passa em 1983, a citação também é uma homenagem aos quadrinhos da época, especialmente ao universo dos mutantes da Marvel. Novamente dirigido por Bryan Singer (“X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”), o filme estreia no dia 19 de maio.
Após repercussão negativa, Will Ferrell desiste de viver Ronald Reagan no cinema
Após protestos da família de Ronald Reagan, o ator Will Ferrell desistiu de participar de uma comédia que mostraria o ex-presidente dos EUA com demência. Escrita por Mike Rosolio (série “Sean Saves the World”), a comédia pretendia focar o segundo mandato do presidente, quando Reagan começa a manifestar os primeiros sintomas de Alzheimer e um estagiário tenta convencê-lo que ele é um ator interpretando o papel do presidente em uma obra de ficção. O roteiro chegou a ter tanta popularidade dentro da famosa “lista negra” de Hollywood – um catálogo anual dos melhores roteiros ainda não produzidos na indústria – que em março inspirou uma leitura pública por Lena Dunham, James Brolin, Nathan Fillion e John Cho. Ferrell já havia satirizado anteriormente políticos americanos, tendo feito várias paródias de George W. Bush na época em que integrava o elenco do programa humorístico “Saturday Night Live”. A caracterização foi levada, inclusive, ao teatro, na peça “You’re Welcome America”. Mas ficou sensibilizado com as críticas da família de Reagan, que alegaram que Alzheimer e demência não eram tema para comédia. Patti Davis, e Michael Regan, filhos do ex-presidente, assim como a Fundação Presidencial Ronald Reagan e a Associação de Alzheimer, lamentaram a ideia de fazer humor com uma desordem cerebral progressiva que destrói a memória. “Eu vi quando o medo invadiu os olhos do meu pai, esse homem que nunca havia temido nada. Eu ouvi a sua voz tremer quando ele estava na sala de estar e disse: ‘Eu não sei onde estou’”, escreveu Patti Davis numa carta aberta para Ferrell. Diante da reação, a United Talent Agency, que representa o ator, emitiu um comunicado dissociando Ferrell da produção. “O roteiro de ‘Reagan’ é um dos vários que foram submetidos a Will Ferrell e que ele havia considerado. Embora não se trate de uma ‘comédia sobre Alzheimer’ como foi sugerido, Ferrell não está buscando esse projeto”, afirma o texto. Anteriormente, ele estava até cogitando produzir o longa. Não se sabe agora se o projeto sairá do papel.
Will Ferrell vai viver o Presidente Reagan em comédia biográfica
O ator Will Ferrell (“Pai em Dose Dupla”) vai viver o ex-presidente dos EUA Ronald Reagan no cinema, informou o site da revista Variety. A cinebiografia, que tem título provisório de “Reagan”, terá tom de comédia. Escrita por Mike Rosolio (série “Sean Saves the World”), o filme vai se focar no segundo mandato do presidente, quando Reagan começa a manifestar os primeiros sintomas de Alzheimer e um estagiário tenta convencê-lo que ele é um ator interpretando o papel do presidente em uma obra de ficção. O roteiro chegou a ter tanta popularidade dentro da famosa “lista negra” de Hollywood – um catálogo anual dos melhores roteiros ainda não produzidos na indústria – que em março inspirou uma leitura pública do texto por Lena Dunham, James Brolin, Nathan Fillion e John Cho. Ferrell será um dos produtores do filme. Ele já tem experiência em satirizar políticos americanos, tendo feito várias paródias de George W. Bush na época em que integrava o elenco do programa humorístico “Saturday Night Live”. A caracterização foi levada, inclusive, ao teatro, na peça “You’re Welcome America”. “Reagan” ainda não possui diretor definido nem previsão de estreia.
Atriz cubana de Bata Antes de Entrar vai estrelar continuação de Blade Runner
A atriz cubana Ana de Armas, uma das gatas sádicas de “Bata Antes de Entrar” (2015), entrou na continuação de “Blade Runner”, informou o site da revista Variety. Outras fontes sustentam que ela terá um dos principais papeis femininos da produção. Ela vai se juntar no elenco aos atores Harrison Ford, reprisando o papel do protagonista Rick Deckard, Ryan Gosling (“A Grande Aposta”), Robin Wright (série “House of Cards”) e Dave Bautista (“Guardiões da Galáxia”). Com direção de Denis Villeneuve (“Sicario”), o novo “Blade Runner” será ambientado décadas após os eventos da trama original. A história foi desenvolvida por Ridley Scott e Hampton Fancher, respectivamente diretor e roteirista do filme de 1982. As filmagens vão começar em julho para uma estreia em outubro de 2017.
Playlist (Superfly): 35 clipes do funk sintetizado dos anos 1980
O funk de sintetizadores new wave e batida sincopada marcou a sonoridade dos anos 1980 graças a Prince. Infelizmente, a preservação dessa história foi comprometida pelo próprio artista, que proibiu seus clipes no YouTube, vetou homenagens, como a série “Glee”, e barrou o compartilhamento dos registros de seus shows feitos por fãs. Após sua morte na quinta (21/4), dois clipes apareceram de forma não autorizada no portal de vídeos do Google. Eles abrem e fecham a lista abaixo, que junta 35 vídeos de artistas do R&B e da new wave para evocar o complô de influências que prosperou durante o reinado do funk sintético de Prince.
Prince (1958 – 2014)
O cantor, músico e compositor Prince foi encontrado morto em seu estúdio de gravação no Minnesota, nos Estados Unidos, na quinta-feira (21/4), aos 57 anos. Ainda não se sabe a causa da morte, mas na semana passada um problema de saúde do artista, que não foi revelado, obrigou seu avião particular a fazer um pouso de emergência para levá-lo a um hospital no Illinois, quando ele voltava de um show em Atlanta. Além de gravar sucessos que marcaram gerações, Prince desenvolveu uma breve carreira cinematográfica, trabalhando como ator, diretor e compositor de trilhas sonoras. Ele inclusive venceu um Oscar e dois Globos de Ouro. Prince Rogers Nelson nasceu em 7 de junho de 1958 em Minneapolis, e desde cedo demonstrou interesse pela música. Isto o levou a participar ativamente da cena musical da cidade, que acabou crescendo junto de seu sucesso. Ele lançou o primeiro disco aos 19 anos de idade, em 1978. Seu disco seguinte se tornou platina, revelando seus primeiros hits. Mas foram seus três álbuns seguintes, “Dirty Mind” (1980), “Controversy” (1981) e “1999” (1982) que estabeleceram sua persona como um artista genial, excêntrico e multifacetado, capaz de cantar, compor, tocar diversos instrumentos e produzir sucessos, além de originar um novo estilo de funk, influenciado por sintetizadores e batidas da new wave, sem perder de vista a sensualidade do bom e velho rock’n’roll. Seus discos continuaram se tornando cada vez melhores ao longo da década, mas o reconhecimento de seu talento também alimentou sua ambição. Em 1984, ele fez sua estreia no cinema, estrelando “Purple Rain”, um musical escrito e dirigido pelo estreante Albert Magnoli. O diretor só fez mais três filmes medíocres no resto de sua carreira, mas “Purple Rain” é lembrado até hoje. Virou cult. Não porque Prince tenha se revelar um excelente ator, mas pelas músicas que ele compôs para a trilha sonora. O álbum com a trilha fez muito mais sucesso que o filme, vendendo 13 milhões de cópias. Celebrado como um dos melhores trabalhos da carreira do cantor, “Purple Rain” rendeu a canção-síntese de Prince, “When Doves Cry”, com solo de guitarra roqueiro, batida new wave e letra sensual. Foi também a sua primeira música a atingir o 1º lugar da parada de sucessos da Billboard. “When Doves Cry” ainda ganhou o Globo de Ouro de Melhor Canção Original. Mas o Oscar foi para o disco inteiro: Melhor Trilha de Canções de 1985, um prêmio da época dos grandes musicais de Hollywood, que já não existe mais. O filme, por sua vez, apresentou ao mundo a cena de Minneapolis, com participações de Morris Day e da banda The Time, projeto paralelo do cantor, além de introduzir sua banda de apoio, The Revolution, e lançar Apollonia 6, uma das muitas estrelas-namoradas de seu laboratório pop. Ao contribuir para o roteiro e o casting sem receber créditos, Prince resolveu que não faria mais filmes com outros cineastas. Ele ensaiou seus primeiros passos como diretor ao assumir o comando de seus próprios videoclipes. O primeiro que assinou por conta própria foi justamente “When Doves Cry”. No ano seguinte, bisou a dose com “Raspberry Beret”, que virou outro sucesso retumbante de sua carreira. O disco “Around the World in a Day” (1985) foi concebido para ser o seu “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (1967), incorporando psicodelia em seu funk sintetizado. E não por acaso. Prince queria ser reconhecido como um artista tão talentoso quanto os Beatles. Seu disco seguinte, “Parade” (1986), fez ainda mais sucesso, graças ao fenômeno popular da música “Kiss”. Mas, como os Beatles, ele resolveu desmanchar a banda. The Revolution, que ficou conhecida pelas instrumentistas gatas de sua formação (a guitarrista Wendy Melvoin e a tecladista Lisa Coleman), deu lugar a uma explosão de megalomania. Prince virou diretor, ator e artista solo. O cantor se lançou como cineasta com “Sob o Luar da Primavera” (1986), filmado em preto e branco e estrelado por ele próprio, como um gigolô que tenta dar um golpe numa herdeira francesa (Kristin Scott Thomas, em sua estreia no cinema). Mas apesar da trilha, que consistia basicamente do disco “Parade”, o filme não repetiu o sucesso de “Purple Rain”. Não bastasse o fiasco de público, Prince ainda virou piada, tornando-se o grande vencedor do troféu Framboesa de Ouro. “Sob o Luar da Primavera” não só foi considerado o Pior Filme do ano, como ainda conquistou as framboesas de Pior Direção, Roteiro e Canção (“Love or Money”). Prince respondeu às críticas negativas com um surto de criatividade, concebendo um disco duplo, “Sign o’ the Times” (1987), e um documentário sobre sua gravação. Alguns críticos o chamaram, na época, de melhor disco da década. E após outro álbum, “Lovesexy” (1988), ele foi convidado a compôr músicas para a trilha do filme mais esperado de 1989: “Batman”, dirigido por Tim Burton. O enorme sucesso do filme rendeu um de seus maiores hits, “Batdance”, e acabou convenceu-o a voltar à ficção cinematográfica. Segundo longa de ficção dirigido pelo cantor, “Graffiti Bridge” (1990) foi concebido como um projeto da banda The Time, mas acabou virando uma sequência de “Purple Rain”, com Prince retomando seu personagem daquele filme, The Kid. A estratégia de lançar um disco com o mesmo título do filme também foi seguida. Assim como a ideia de mostrar Morris Day e The Time como vilões e introduzir uma novo grupo de apoio para o cantor, The New Power Generation. Não deu outra: “Graffiti Bridge” entrou nas listas dos piores filmes do ano, sendo indicado a cinco troféus no Framboesa de Ouro, inclusive Pior Filme, Ator (Prince), Diretor (Prince) e Roteiro (Prince). Por sorte, não venceu nenhum, mas a péssima recepção serviu para o cantor perceber que jamais teria um futuro cinematográfico à altura de sua discografia. Foi o fim da trajetória de Prince como cineasta e o começo da jornada rumo à implosão de sua carreira. Três anos depois, em 1993, ele abandonou sua própria identidade, ao adotar, como novo nome, um símbolo impronunciável, descrito como o “símbolo do amor”. Virou o Artista Antigamente Conhecido como Prince. A mudança fazia parte de uma estratégia calculada, visando livrá-lo de seu contrato com a Warner Music, que ele acreditava estar limitando sua criatividade. Prince não se conformava em ter permissão para lançar apenas um disco por ano. A Warner demonstrou como ele estava equivocado ao lhe dar corda, deixando-o produzir dois discos em 1994. Ambos fracassaram. Mas seu plano de lançar mais discos simultaneamente também visava apressar o final de seu contrato (por discos lançados), o que aconteceu em 1996, com pouca fanfarra, após seu álbum menos popular na gravadora, “Chaos and Desorder”, implodir nas paradas. O Artista Antigamente Conhecido como Prince se tornou um cantor independente com “Emancipation” (1996), um CD triplo com 36 faixas. Não satisfeito, deu sequência à egotrip com “Crystal Ball” (1998), desta vez composto por cinco CDs e 53 faixas. Além do excesso musical, o disco marcou outra faceta extrema do artista: sua obsessão pelo controle completo de sua obra. Querendo eliminar atravessadores, ele concentrou a distribuição em seu site oficial, o que se provou caótico e gerou revolta em fãs que não conseguiram encontrar o disco. Foi um desastre. Em busca dos fãs perdidos em seu desastrado começo independente, ele retomou o nome Prince em 2000. Um ano depois, abraçou a religião, virando Testemunha de Jeová, o que representou um choque para quem cresceu ouvindo suas letras libidinosas. Ao continuar lançando suas músicas novas pela internet, ele também se afastou das rádios e da TV. O que o fez privilegiar o contato direto com o público por meio de shows, situação em que se descobriu, inesperadamente, um artista de antigos sucessos, como se pode constatar pelo lançamento de seu primeiro disco “ao vivo” – triplo, claro – , em 2002. Mas Prince ainda tinha fôlego para novos hits. Sua carreira musical foi reabilitada graças à estratégia ousada de lançamento do disco “Musicology” (2004), distribuído de graça para quem comprasse os ingressos de sua nova turnê. Prince fez milhões como o artista de maior bilheteria de shows daquele ano. E “Musicology” o colocou de volta nas paradas de sucesso. A própria indústria musical se espantou, conferindo-lhe prêmios (dois Grammy). Suas iniciativas pioneiras no uso da internet como plataforma de vendas e divulgação lhe renderam o prêmio Webby de maior inovador da web em 2006. E daí, um mês depois da cerimônia, ele decidiu fechar seu site. Além disso, vetou a exibição de suas clipes na internet, que permanecem proibidos até hoje, comprovando que só Prince entende Prince. 2006 também marcou seu último trabalho cinematográfico: a composição da música “The Song of the Heart” para a animação “Happy Feet – O Pinguim”, de George Miller. Pela composição, ele ganhou o Globo de Ouro de Melhor Canção Original. Mesmo mantendo o ritmo de composição e lançamento de discos, Prince se destacou mais, nos últimos anos, sobre o palco, como artista de shows grandiosos, incluindo o concerto do Super Bowl de 2007, a Earth Tour, a 20Ten Tour e a Live Out Loud Tour, entre diversas outras apresentações e participações em festivais. Mas Prince também ficou conhecido por outros feitos menos nobres, ao processar fãs, que postavam gravações piratas de seus shows, e proibir a circulação de vídeos amadores com suas músicas ou apresentações. Ele comprou briga até com a banda Radiohead, sobre o direito dos fãs de registrarem seu cover de “Creep” no YouTube. A banda tentou intervir, mas o artista antigamente adorado não quis deixar quem não comprou ingresso ouvir sua versão. Por conta dessas atitudes, em 2013 a Electronic Frontier Foundation lhe deu um prêmio infame, inspirado numa de suas canções, o Raspberry Beret Lifetime Aggrievement Award, em reconhecimento a seus esforços para processar, perseguir e espezinhar seus próprios fãs, impedindo-os de se manifestarem com suas músicas na internet. Ele também proibiu a série “Glee” de lhe prestar homenagem, em 2011. Madonna, Britney Spears e os Beatles receberam o tributo que ele não quis. Pouco antes de morrer, Prince anunciou que estava escrevendo um livro de memórias, intitulado “The Beautiful Ones”, nome de uma música de “Purple Rain”.
Voando Alto acerta o tom ao evocar os filmes esportivos dos anos 1980
Um dos méritos de “Voando Alto” (2016) é que se trata de um drama esportivo sobre superação à moda antiga, ou pelo menos como se costumava fazer na década de 1980. Nesse ponto, o ator e diretor de apenas três filmes, Dexter Fletcher, foi feliz em evocar aquela década, tanto na dramaturgia, quanto na música, com direito a “Jump”, do Van Halen, tocando em determinado momento. Por isso, há quem vá achar o filme cafona ou muito Sessão da Tarde – ele tem sido comparado bastante com “Jamaica Abaixo de Zero” (1993). Mas muito do sucesso de crítica que o filme tem obtido vem justamente de não se esperar muito de uma obra desse tipo. Fletcher e seus dois atores principais são bem-sucedidos em encontrar o ponto certo diante, apesar da linha tênue que condua a história de um rapaz, com um pouco de deficiência mental, cujo maior sonho é participar das Olimpíadas, não importando o esporte. A história real de Michael “Eddie” Edwards parece saída das mãos de algum roteirista sem-noção, de tão absurda que parece. Mas é só mais um caso da vida real que supera a ficção. O sonho de Eddie vem desde a infância, quando, apesar das quedas, dos vários óculos quebrados, do problema no joelho e da total falta de estímulo do pai e de quem quer que seja, o menino cresce com a ideia fixa de se tornar atleta olímpico. Até que, aos 22 anos, resolve partir para a Alemanha sozinho, em 1987, encontrando uma brecha nas regras para que possa competir nas Olimpíadas de Inverno no Canadá, em 1988. O esporte que ele escolhe é o perigoso salto de ski. O filme apresenta ao público esse esporte pouco conhecido (ao menos no Brasil), que traz grandes riscos de vida – os acidentes não são incomuns. Por isso, imaginar que alguém que nunca praticou ski conseguisse saltar após alguns poucos treinos expõe toda a loucura por trás da obsessão do jovem. Do mesmo modo, o fato dele conseguir, também prova-se um feito e tanto. Quem interpreta Eddie é Taron Egerton (o protagonista de “Kingsman – Serviço Secreto”), que no começo passa a impressão de estar exagerando no tom cartunesco do personagem. Mas essa impressão logo se dissipa quando se confere os registros do verdadeiro Eddie. Por sua vez, Hugh Jackman, que vive seu treinador beberrão, já havia feito um trabalho semelhante em “Gigantes de Aço” e não se esforçou tanto para essa espécie de reprise. “Voando Alto” ainda acerta o tom ao tratar a história com muito bom humor, mostrando os adversários ou obstáculos de Eddie como caricaturas, sejam os esportistas que zombam dele, sejam os seus próprios pais, ou mesmo os locutores esportivos, quando o protagonista vai finalmente para o Canadá – impossível não ficar encantado com a simpatia de Jim Broadbent (“A Viagem”). Por isso, o filme encanta e emociona como poucos do subgênero. Talvez até seja esquecido no futuro, mas quem se dispor a vê-lo encontrá uma verdadeira raridade: uma história de superação que não deprime ninguém. Ao contrário, é pura diversão.
Playlist (Vapour Trail): 15 clipes que inauguraram o indie rock nos anos 1980
Existem várias teorias para explicar como surgiu o rock indie. Há quem prefira apontar os primeiros discos (EPs e singles) independentes, lançados pelas próprias bandas a partir de 1977, durante o auge da estética DIY (Do It Yourself) do punk rock. Em 1980, já havia tantos compactos de gravadoras independentes circulando que o semanário britânico Record Week criou a primeira parada de sucessos voltada apenas para refletir os hits com distribuição alternativa, influenciando outras publicações a seguirem a iniciativa. Mas foi só na metade daquela década que o termo “indie” passou a ser usado como definição musical e não apenas econômica. Em novembro de 1985, o primeiro álbum radicalmente diferente do que havia surgido no pós-punk chegou às lojas: “Psychocandy”, de The Jesus and Mary Chain. Sem saber direito como lidar com a banda, a crítica a rotulou como “o novo Sex Pistols”, tecendo uma analogia entre seu som barulhento e os tumultos que marcavam seus primeiros shows. Mas havia sinais que aquele barulho não era isolado. O empresário do Jesus and Mary Chain, Alan McGee, lotava seu clube londrino, The Living Room, com bandas novas. Ele mesmo era integrante de uma delas (Biff Bang Pow) e dava os primeiros passos com sua própria gravadora, a Creation Records, por onde lançaria a banda paralela do baterista do Jesus, chamada Primal Scream. A verdade é que desde 1984 as bandas se multiplicavam, alimentando, por sua vez, o surgimento de diversas gravadoras pequenas. E foi um movimento tão súbito e intenso que deixou até a imprensa musical perdida, sem conseguir identificar para seus leitores os inúmeros artistas que pareciam surgir de uma só vez. Para cumprir essa tarefa, o semanário NME (New Musical Express) teve a ideia de lançar uma amostragem desses novatos, disponibilizando uma fita K7 junto de uma de suas edições. A iniciativa rendeu a primeira coletânea indie de todos os tempos, a “C86”, assim batizada em homenagem à “classe de 1986”. A “C86”, que completa 30 anos, acabou simbolizando o ponto de virada da música indie. Além de reunir diversos artistas diferentes, ela foi acompanhada por uma longa reportagem da publicação, contextualizando sua representatividade. O objetivo de seus idealizadores era demonstrar como a nova música britânica independente tinha evoluído nos últimos anos, afastando-se do pós-punk, de forma quase desapercebida, enquanto o pop com sintetizadores e influenciado pelo R&B americano dominava as paradas de sucesso. Em contraste, a nova geração priorizava guitarras sobre os sons eletrônicos do período, o que também rendeu a definição genérica “guitar bands” para definir aquela geração no Brasil. O impacto do lançamento do “C86” uniu a imprensa musical britânica em torno da bandeira indie. As publicações rivais da NME, como Melody Maker e Sounds, passaram a incluir novas reflexões sobre a revolução em andamento, nem que fosse para declarar que aquele K7 não era, assim, tão representativo. De fato, se lá havia Primal Scream, The Pastels, Close Lobsters e The Wedding Present, por exemplo, sobravam bandas que não foram a lugar algum, enquanto as ausências de The Jesus and Mary Chain, Spaceman 3 e The Loft, entre outros, gritavam. Aproveitando a discussão, a Creation Records passou a lançar suas próprias coletâneas, revelando My Bloody Valentine, House of Love, Jasmine Minks, The Weather Prophets (sucessor de The Loft) e a geração shoegazer. O fato é que 1986 representou uma grande virada. Ainda havia muitos artistas interessados em levar adiante a sonoridade pós-punk, influenciados por PIL e até Echo and the Bunnymen, por exemplo. Mas os talentos que passaram a monopolizar a atenção da crítica citavam influências mais antigas, incomuns até então, de artistas dos anos 1960: o jangle pop de bandas como The Byrds e outros artistas com guitarras de 12 cordas, o wall of sound dos girl groups como Shangri-Las e The Ronettes e a explosão de microfonia entronizada no clássico “Sister Ray”, do Velvet Underground, banda que também contava com os vocais “frágeis” de Lou Reed e “gélidos” de Nico. Essas sementes, que renderam as primeiras bandas da música indie, acabaram frutificando em novas ramificações musicais na década seguinte, o twee pop e o shoegazer. Em suma, foi assim que tudo começou. Relembre, abaixo, os sons mais distorcidos dessa era, responsáveis por tirar o Velvet Underground da obscuridade para transformá-la na banda mais influente do mundo – como atestam as microfonias, as melodias murmuradas e os kits minimalistas de bateria (tocada em pé) que, desde então, se tornaram indissociáveis da cena indie.
Chus Lampreave (1930 – 2016)
Morreu a atriz espanhola Chus Lampreave, a mais velha das “meninas” do diretor Pedro Almodóvar, cuja presença marcante era facilmente reconhecida pela voz aguda e os óculos de lentes grossas (fundo de garrafa). Ela faleceu na segunda-feira (4/4) aos 85 anos de idade. María Jesús Lampreave nasceu em 11 de dezembro de 1930 em Madri e teve uma carreira extensa no cinema espanhol, iniciada pelo curta-metragem “Se Vende un Tranvía” (1959), roteirizado por Luis García Berlanga, com quem trabalharia em diversos longas. Mas sua estreia em longa-metragem, curiosamente, deu-se pelas mãos de um diretor italiano, o mestre Marco Ferreri (“Crônica do Amor Louco”), que a escalou como figurante em “El Pisito (1959) e coadjuvante em “El Cochecito” (1960). Ela participou de poucos filmes durante o período franquista, como “O Carrasco” (1963), dirigido por Berlanga. Por isso, só foi deslanchar a partir de 1970, quando coadjuvou cinco filmes consecutivos de Jaime de Armiñán – inclusive o clássico “Mi Querida Señorita” (1972) – e a trilogia “Nacional” de Berlanga, inciada por “La Escopeta Nacional (1978) e encerrada em “Nacional III” (1982). A parceria que marcaria sua carreira, porém, só teve início em 1980, quando o então jovem Pedro Almodóvar rodou seu segundo longa, “Pepi, Luci, Bom e Outras Garotas de Montão”. O encontro frutificaria em várias outras colaborações, até render um de seus papeis mais lembrados em “Maus Hábitos” (1983). A atriz se consagrou como ladra de cenas ao aparecer, no longa, como a irmã Rata, uma freira atípica, que escrevia livros sensacionalistas sob pseudônimo num convento. Chus Lampreave fez uma dezena de filmes com Almodóvar, tornando-se a atriz mais fiel da carreira do cineasta. Entre as produções que participou estão alguns dos maiores sucessos da carreira do diretor, como “Que Fiz Eu Para Merecer Isto?” (1984), “Matador” (1986), “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos” (1988), “A Flor do Meu Segredo” (1995), “Fale com Ela” (2002) e “Volver” (2006). Por este filme, ela foi, inclusive, premiada no Festival de Cannes – junto com as demais atrizes que co-protagonizaram o longa: Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Duenas, Blanca Portillo e Yohana Cobo. O último filme que fez para Almodóvar foi “Abraços Partidos” (2009), mas Lampreave continuou requisitada por Fernando Trueba, com quem também trabalhou em diversas obras desde os anos 1980, como “El Año de las Luces” (1986), “Sedução” (1992) e o recente “O Artista e a Modelo” (2012). “Sedução”, por sinal, rendeu-lhe o único Goya (o Oscar espanhol) de sua carreira, como Atriz Coadjuvante. Ela ainda estrelou outras comédias espanholas bem-sucedidas, como “Miss Caribe” (1988), de Fernando Colomo, “Mátame Mucho” (1998), de José Ángel Bohollo, e “À Moda da Casa” (2008), de Nacho G. Velilla. Mas seu maior sucesso foi uma franquia cômica escrita, dirigida e estrelada por Santiago Segura, “Torrente”, da qual participou em cinco longa-metragens entre 1998 e 2014. O capítulo mais recente, “Torrente V: Misión Eurovegas”, foi também seu último trabalho no cinema. “Chus Lampreave foi esse tipo de artista que fazia parte da nossa vida, reconhecida e amada por todos que faziam parte da grande família que é a cultura”, afirmou o ministro da Cultura espanhol, Inigo Mendez de Vigo, ao despedir-se da “menina”.
Ator de Guardiões da Galáxia entra no elenco da continuação de Blade Runner
O ator Dave Bautista, intérprete do grandalhão Drax em “Guardiões da Galáxia” (2014), entrou no elenco da sequência de “Blade Runner – O Caçador de Andróides” (1982). O próprio ator deu a dica ao postar em seu Instagram uma foto em que aparece segurando o origami de unicórnio, elemento icônico do clássico dos anos 1980. Na legenda, Bautista deu o teaser: “Eu mal posso esperar para dividir algumas notícias realmente empolgantes”. A Warner Bros. acabou confirmando sua participação no longa e horas depois ele divulgou um vídeo oficializando a notícia. Confira abaixo. Ele vai se juntar no elenco aos atores Harrison Ford, reprisando o papel do protagonista Rick Deckard, Ryan Gosling (“A Grande Aposta”) e Robin Wright (série “House of Cards”). Ainda sem um título definido, a sequência terá direção de Denis Villeneuve (“Sicario”), o roteiro foi escrito por Michael Green (“Lanterna Verde”) e Hampton Fancher (autor da primeira adaptação de “Blade Runner”), e a produção está a cargo de Ridley Scott, diretor do longa original. As filmagens vão começar em julho para uma estreia prevista para 12 de janeiro de 2018. I'm so excited to be able to share this news! Thank you for your support in everything I do. It's humbling. Um vídeo publicado por David Bautista (@davebautista) em Abr 4, 2016 às 9:35 PDT
Everybody Wants Some: Trailer e cenas do novo filme de Richard Linklater celebram os anos 1980
A Paramount Pictures divulgou o novo trailer e seis cenas do novo filme do cineasta Richard Linklater (“Boyhood”), “Everybody Wants Some!!”. Apresentado como sucessor espiritual de “Jovens, Loucos e Rebeldes”, o longa que projetou o diretor em 1993, o trailer destaca os elogios e a aprovação unânime da crítica (atualmente com 90% no site Rotten Tomatoes). Já as cenas remetem a filmes mais antigos, como “Porky’s” (1981), “O Clube dos Cafajestes” (1978) e “O Último Americano Virgem” (1982). Assim como “Jovens, Loucos e Rebeldes”, que se passava numa high school dos anos 1970, o novo filme acompanha calouros universitários dos anos 1980. Eles podem ser mais velhos e a época mais avançada, mas todos os personagens continuam imaturos. Estão de volta os trotes, as drogas, a descoberta do sexo, a busca da identidade, a integração em grupo e outros elementos que marcam os melhores filmes do diretor, incluindo “Boyhood” (2014), além de uma recriação precisa de época – ao som de “My Sharona”, da banda The Knack, e do rock do Van Halen que dá título à produção. Assim como “Jovens, Loucos e Rebeldes”, o filme é baseado nas memórias da juventude do diretor e traz um elenco repleto de atores jovens, como Blake Jenner (série “Glee”), Glen Powell (série “Scream Queens”), Tyler Hoechlin (série “Teen Wolf”), Ryan Guzman (minissérie “Heroes Reborn”), Wyatt Russell (“Anjos da Lei 2”) e Zoey Deutch (“Academia de Vampiros: O Beijo das Sombras”). Distribuído antecipadamente em 19 cinemas americanos no fim de semana passado, “Everybody Wants Some” terá lançamento amplo na sexta (8/4) nos EUA e não tem previsão de estreia no Brasil.
Tereza Rachel (1935 – 2016)
Morreu a atriz Tereza Rachel, que marcou o teatro brasileiro, criou vilãs inesquecíveis de novelas e fez obras importantes do cinema nacional. Ela faleceu no sábado (2/4), aos 82 anos, após um quadro agudo de obstrução intestinal que a deixou quatro meses internada na CTI (Centro de Tratamento Intensivo) do Hospital São Lucas. Batizada Teresinha Malka Brandwain Taiba de La Sierra, ela nasceu em 19 de agosto de 1935 na cidade de Nilópolis, na Baixada Fluminense, e começou a atuar na década de 1950, já com trabalhos na TV, no cinema e no teatro. A primeira peça foi “Os Elegantes”, de Aurimar Rocha, em 1955. A estreia no cinema aconteceu no ano seguinte, na comédia “Genival É de Morte” (1956), de Aloísio T. de Carvalho, e logo em seguida veio a carreira televisiva, a partir da série “O Jovem Dr. Ricardo” na TV Tupi em 1958. A primeira metade dos anos 1960 viu multiplicar sua presença no cinema. Foram cinco filmes no período de dois anos, entre 1963 e 1965, com destaque para o clássico “Ganga Zumba” (1963), primeiro longa-metragem de Cacá Diegues, sobre escravos fugitivos e a fundação do Quilombo de Palmares, na qual viveu a senhora de uma fazenda. Participou também do drama “Sol sobre a Lama” (1963), do cineasta e crítico de cinema Alex Viany, “Procura-se uma Rosa” (1964), estreia na direção do ator Jesse Valadão, e “Canalha em Crise” (1965), do cinemanovista Miguel Borges, além de “Manaus, Glória de Uma Época” (1963), produção alemã passada na “selva brasileira”. Mas foi no teatro, na segunda metade da década, que obteve maior projeção, ao participar de peças históricas, como a montagem de “Liberdade, Liberdade”, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, com o Grupo Opinião em 1965, um marco do teatro de protesto. Dois anos depois, interpretou Jocasta em “Édipo Rei”, com Paulo Autran, novamente sob direção de Flavio Rangel. Em 1969, integrou o elenco da histórica encenação brasileira de “O Balcão” (1969), de Jean Genet, dirigida pelo argentino Victor Garcia. Sua relação com o teatro foi além do papel desempenhado nos palcos. Determinada a encenar cada vez mais peças de qualidade, assumiu a condição de produtora, trazendo vários textos de vanguarda para serem montados no Brasil pela primeira vez, como “A Mãe” (1971), do polonês Stanislaw Witkiewicz, que ela descobriu ao assistir a uma montagem em Paris. Empolgada, convenceu o diretor francês Claude Régy a vir ao Brasil supervisionar a montagem nacional, e o resultado lhe rendeu o prêmio Molière de melhor atriz. A vontade de manter peças ousadas por mais tempo em cartaz a levou a fundar seu próprio teatro. Aberto provisoriamente em 1971 e inaugurado em 1972, o Teatro Tereza Rachel acabou se tornando um importante polo cultural durante a década. E não apenas para montagens teatrais. Em seu palco, Gal Costa fez o cultuado show “Gal Fatal” (1971), e os cantores Luiz Gonzaga, Clementina de Jesus e Dalva de Oliveira realizaram suas últimas apresentações. O reconhecimento por seus trabalhos também se estenderam ao cinema, rendendo-lhe o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Gramado pelo papel-título de “Amante muito Louca” (1973), comédia sexual que marcou a estreia na direção de Denoy de Oliveira. Ela também estrelou o marcante “Feminino Plural” (1976), de Vera de Figueiredo, obra pioneira do feminismo brasileiro, além de “Revólver de Brinquedo” (1977), de Antônio Calmon, e “A Volta do Filho Pródigo” (1978), do marido Ipojuca Pontes. Entretanto, apesar de sua relevância cultural, o grande público só passou a acompanhar melhor sua carreira quando ela começou a aparecer nas novelas da rede Globo. Sua estreia no canal aconteceu na versão original de “O Rebu” (1974), um marco da teledramaturgia nacional, exibido no “horário adulto” da emissora, às 22 horas. Enquanto as novelas populares da emissora exploravam conflitos geracionais, a trama de “O Rebu” se passava inteiramente ao longo de dois dias, em torno de suspeitos de um assassinato cometido durante uma festa. Ela também participou de “O Grito”, outra novela ousada das 22 horas, que girava em torno dos moradores de um prédio desvalorizado pela construção do Minhocão em São Paulo. Mas foram os papeis mais populares que a consagraram na telinha. Especialmente Clô Hayalla, sua primeira grande vilã, que se materializou na novela das 20 horas “O Astro” (1977). Um dos maiores sucessos da escritora Janete Clair, “O Astro” quebrou recordes de audiência e entronizou Tereza Rachel no imaginário popular como uma perua fútil e vingativa. Ela se tornou uma das mulheres mais odiadas do Brasil ao colocar a mocinha da história, Lili Paranhos (Elizabeth Savalas), na cadeia. Além disso, era infiel (característica de mulheres malvadas da televisão), e seu amante acabou se revelando o culpado pela pergunta que mobilizou o país durante quase um ano: “Quem matou Salomão Hayalla?”, seu marido na trama. Tereza apareceu em outras novelas com menor impacto, como “Marrom-Glacê” (1978), “Baila Comigo” (1981) e “Paraíso” (1982), antes de retornar a fazer maldades em “Louco Amor” (1983), como a ricaça preconceituosa Renata Dumont, que tenta impedir o romance entre sua filha e o filho da cozinheira – e, de lambuja, entre o cunhado e uma manicure. Ainda teve seus dias de mocinha, como a Princesa Isabel na minissérie de época “Abolição” (1988), sobre o fim da escravatura no Brasil, papel que repetiu na continuação, “República” (1989), exibida no ano seguinte. Por ironia, ela não foi nada nobre quando se tornou rainha, roubando, com suas malvadezas, as cenas de “Que Rei Sou Eu?” (1988), uma das mais divertidas novelas já realizadas pela Globo. O texto de Cassiano Gabus Mendes partia dos clichês dos folhetins franceses, com direito à aventura de capa e espada e intrigas da corte de um reino imaginário, para parodiar a situação política do país. Na pele da Rainha Valentine, ela se mostrava uma governante histérica, no estilo da Rainha de Copas de “Alice no País das Maravilhas”. Mas seu despotismo era facilmente manipulado por seus conselheiros reais, que eram quem realmente mandavam no reino de Avillan, a ponto de colocarem um mendigo no trono (Tato Gabus Mendes, o filho do autor), mentindo ser um filho bastardo do falecido rei. Em contraste com essa fase de popularidade, a parceria com o marido Ipojuca Pontes lhe rendeu algumas polêmicas. No segundo filme que estrelou para o cineasta, “Pedro Mico” (1985), ela tinha uma cena de sexo com Pelé. A repercussão negativa da produção – Pelé teve muitas dificuldades nas filmagens e, no final, precisou ser dublado pelo ator Milton Gonçalves – marcou o fim de sua carreira cinematográfica. E não ajudou o fato de, logo depois, Ipojuca virar secretário nacional da Cultura do governo Collor, durante uma fase desastrosa para o cinema brasileiro, com a implosão da Embrafilme, que gerou confronto com a classe artística. O período político tumultuado levou Tereza a se afastar das telas. Ela nunca mais voltou ao cinema e só retomou as novelas em 1995, como Francesca Ferreto, uma das primeiras vítimas de “A Próxima Vítima”. Teve ainda um pequeno papel em “Era Uma Vez…” (1998), mas suas aparições seguintes aconteceram apenas como artista convidada, em capítulos de “Caras e bocas” (2009), “Tititi” (2010) e a recente “Babilônia” (2015), além da série “Alice” (2008), do canal pago HBO, com direção dos cineastas Karim Aïnouz (“Praia do Futuro”) e Sérgio Machado (“Tudo o que Aprendemos Juntos”). Entre 2001 e 2008, o Teatro Tereza Rachel foi alugado para a Igreja Universal do Reino de Deus e deixou de receber produções culturais. Felizmente, o desfecho dessa história teve uma reviravolta. O local acabou tombado pelo município e reabriu como casa de espetáculos em 2012, ainda que sem o nome da atriz – virou Net Rio, mas com uma Sala Tereza Rachel. O nome de Tereza Rachel, porém, não precisa de placa para ser lembrado pela História.












