Renato Aragão se emociona com homenagem na abertura da Comic-Con Experience
O ator, roteirista e produtor Renato Aragão foi aplaudido de pé durante o painel de abertura da Comic-Con Experience (CCXP), que começou nesta quinta-feira (1/12), em São Paulo. Os aplausos começaram com sua chegada e se estenderam após a apresentação do trailer de seu 50º filme como Didi, “Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood”, que marca a volta da grife “Os Trapalhões” aos cinemas, 18 anos após último filme em que Aragão filmou com o velho parceiro Dedé Santana, “Simão, o Fantasma Trapalhão” (1998). O filme é uma adaptação do musical “Os Saltimbancos Trapalhões” (2014) e uma espécie de continuação do filme homônimo de 1981, estrelado pelos quatro trapalhões: Didi, Dedé, Mussum (1941-1994) e Zacarias (1934-1990). Aragão torce por uma boa recepção do filme. “Se deus quiser, vai ser um sucesso como o filme de 1900 e… nem lembro mais!”, brincou, arrancando risadas da plateia. O longa conta a história da trupe do Grande Circo Sumatra que, juntos, tentam reverter a crise financeira da companhia, provocada pela lei que proíbe animais em espetáculos. A trupe vai em busca de uma saída para a crise e Didi acredita – por meio de seus sonhos mirabolantes com animais falantes – que encontrarão a solução. Um novo show começa a ser criado, mas a ganância do Barão, a vigarice do Satã e o poder manipulador do prefeito da cidade podem colocar tudo a perder. As cenas incluem números musicais e foram filmadas em fevereiro no circo de Marcos Frota, no Rio de Janeiro. O ator ainda falou brevemente sobre o revival que a série dos Trapalhões ganhará na rede Globo, com Lucas Veloso, filho do humorista Shaolin e uma das revelações da novela “Velho Chico”, no papel de Didi. Pedindo para o público receber bem os novos atores que interpretarão a trupe, ele frisou que os Trapalhões originais são insubstituíveis. “Eles não vão substituir, porque os Trapalhões são insubstituíveis. Eles vão ser imitadores dos Trapalhões. Quero que vocês recebem eles muito bem”, disse. “Vai ser eu, Dedé e mais quatro Trapalhões”, acrescentou. Na série, os velhos Trapalhões serão tios dos novos trapalhões. O saudosismo marcou o painel, em grande medida por ser também uma homenagem a Aragão por por sua carreira de mais de 50 anos de sucesso. Incansável, ele diz nem pensar em se aposentar. “Se eu parar, eu morro. Aposentadoria é uma morte, a não ser que você tenha um projeto”. Ao fim, ainda foi exibido um clipe especial com vários momentos da carreira do comediante, que foi novamente aplaudido de pé pelo público, aos gritos de “Renato! Renato!”. “Não tenho palavras, só tenho que dizer como é bom estar vocês, vocês são maravilhosos”.
Documentário deleita cinéfilos com a trajetória de Brian De Palma
De todos os cineastas da Nova Hollywood, Brian De Palma foi o que se manteve mais fiel às suas raízes, ainda produzindo um cinema com os mesmos interesses estéticos e temáticos sem que para isso precise se proibir de navegar por diferentes gêneros e estúdios. Ele não tem a estabilidade financeira de George Lucas ou está na posição confortável de Steven Spielberg, que tem seu próprio estúdio e dirige uma média de um filme a cada dois anos. Por outro lado, talvez seja muito mais influente do que seus colegas, algo que se reflete pelo interesse em refilmar a sua obra e os inúmeros cineastas inebriados por seu estilo. Realizadores do documentário “De Palma”, Jake Paltrow e Noah Baumbach são oriundos do cinema indie e têm em alta conta o cineasta norte-americano. Os constantes encontros entre os três renderam uma amizade que agora se traduz nesta contribuição no cinema, na qual De Palma traça uma linha do tempo de sua própria carreira, rememorando desde o seu interesse juvenil por tecnologia até “Paixão” (2012), seu filme mais recente. Quem é fã do cineasta sabe que a idade o tornou cada vez mais avesso a entrevistas, sendo por vezes monossilábico principalmente em questões sobre o seu passado. Não à toa, nos primeiros minutos do documentário, o vemos de braços cruzados, um tanto desinteressado ao tratar sobre si mesmo e a sua velha obsessão pelo cinema de Alfred Hitchcock. No entanto, o conforto em estar em um ambiente familiar e revendo a sua trajetória para amigos fazem toda a diferença, logo reavaliando os seus próprios altos e baixos com algum senso de humor. Trata-se de uma filmografia tão incrível e cheia de experiências para compartilhar que um documentário com quase duas horas de duração soa insuficiente. Após a realização de filmes experimentais (“Dionysus in ’69”, “Woton’s Wake”) e outros que flertavam sobre o anseio da juventude diante da guerra no Vietnã (“Saudações” e a sua continuação “Olá, Mamãe!”), De Palma quase viu o seu ofício de diretor ganhar um fim abrupto com a sua demissão durante a pós-produção de “O Homem de Duas Vidas” (1972), o seu primeiro filme para um grande estúdio, a Warner Bros. A sorte veio com “Carrie, a Estranha” (1976), o primeiro de quatro filmes que julga ter obtido uma harmonia entre o sucesso comercial, a liberdade artística e o êxito da crítica – os demais são “Vestida Para Matar” (1980), “Os Intocáveis” (1987) e “Missão: Impossível” (1996). Por outro lado, o fracasso esteve à espreita sempre que De Palma atingia o topo. Das sessões vazias de “O Fantasma do Paraíso” (1974) em Los Angeles aos comentários severos por “A Fogueira das Vaidades” (1990), o cineasta ainda assim encontra alguma satisfação ao reconhecer o status de cult que algumas de suas produções receberam, especialmente “Um Tiro na Noite” (1981), cujo fiasco à época fez o seu casamento com a atriz Nancy Allen chegar ao fim, bem como levou à falência a companhia Filmways. Hoje, o longa é considerado brilhante, um clássico. Mesmo dando conta de todos esses percalços, “De Palma” tem sido severamente criticado pela escolha de seu formato. Tendo somente Brian De Palma como testemunha e uma montagem bem astuta com a sua seleção de trechos de filmes e fotografias, houve quem taxasse Paltrow e Baumbach de preguiçosos, ao criarem basicamente um seleção de comentários para material extra de DVD. Não soa justo, pois De Palma não é um artista que precisa de comentários bajuladores de terceiros, sendo os seus depoimentos e as imagens antológicas que arquitetou as melhores defesas de seu próprio legado.
Shannen Doherty revela participação no piloto da série baseada no cult Heathers
A atriz Shannen Doherty, que atualmente luta contra um câncer agressivo, surpreendeu os fãs ao postar em seu Instagram uma foto de sua participação no set de uma nova produção. Trata-se do piloto da série baseada no cultuado filme “Heathers”, que aqui foi batizado de “Atração Mortal”. Veja abaixo seu post integral. Shannen estava no elenco do filme de 1988 como uma das Heathers do título. Originalmente, as Heathers eram três garotas ricas, bonitas e insuportáveis com o mesmo nome, que dominavam a pirâmide social de uma high school, praticando bullying com quem consideravam inferiores – gordos, gays, esquisitos, etc. Doherty interpretou Heather Duke, que acaba virando a líder do grupo quando Heather Chandler (a já falecida Kim Walker) se torna a primeira vítima de onda de “suicídios” provocados por um serial killer juvenil, J.D. (Christian Slater, hoje em “Mr. Robot”), e a única pessoa que sabe que ela não se suicidou de verdade é sua inimiga Veronica Sawyer (Winona Ryder, hoje em “Stranger Things”). A situação foge de controle quando J.D. começa a eliminar outros adolescentes horríveis da escola e Veronica, que é sua namorada, se vê obrigada a defender os babacas. A versão televisiva dessa história está sendo desenvolvida para o canal pago TV Land e é descrita como uma comédia no formato de antologia. A ideia é contar uma história diferente por ano. Grace Cox (a Melanie da série “Under the Dome”) será Veronica na nova versão e o estreante James Scully viverá JD. Mas as novas Heathers praticamente foram reinventadas, deixando de ser mulheres brancas para ganharem as formas de um ruivo (Brendan Scannell), uma gorda (Melanie Field) e uma negra (Jasmine Matthews). A produção não revelou qual personagem será interpretada por Shannen, mas na foto ela aparece com um laço de cabelo (no caso, peruca) similar ao que tinha no filme. Não há perspectiva de estreia da série, que ainda está em fase de piloto. Sneak peek from the #Heathers set….. jealous much? @tvland Uma foto publicada por ShannenDoherty (@theshando) em Nov 22, 2016 às 10:01 PST
David Hamilton (1933 – 2016)
Morreu David Hamilton, fotógrafo e cineasta inglês que se especializou em softcore e fotos de ninfetas nuas e, por conta disso, envolveu-se em muitas polêmicas. Indícios apontam que ele teria cometido suicídio em sua casa, em Paris, aos 83 anos. A polícia foi chamada por vizinhos, encontrando-o caído, ao lado de frascos de comprimidos. Em outubro passado, a apresentadora de televisão francesa Flavie Flament identificou-o como o fotógrafo mencionado em seu livro de memórias como estuprador. “O homem que me violentou quando eu tinha 13 anos é David Hamilton”, ela declarou em uma entrevista. A revelação deu início a uma avalanche de acusações por outras mulheres que tinham servido de modelo para o fotógrafo. Radicado em Paris desde os anos 1950, Hamilton foi designer gráfico da revista de moda Elle antes de mostrar interesse pela fotografia. A princípio um hobby, suas imagens, marcadas por grande granulação, logo chamaram a atenção de diversas publicações especializadas em fotografia artística. Vieram convites de galerias, editoras de livros de arte, e em pouco tempo ele se tornou célebre, um dos fotógrafos mais influentes dos anos 1960 e 1970. O detalhe é que ele tinha apenas um tema: garotas adolescentes. Que fotografava cada vez mais despidas. Usando filtros para criar atmosfera enevoada e luz natural para evocar a natureza, Hamilton mesclou sensualidade e onirismo num estilo marcante, que era chamado de “soft focus”, ficou conhecido como “Hamilton blur” e virou sinônimo de “fotografia de ninfetas”. Apesar de renderem exposições em galerias de prestígio, as fotografias de Hamilton foram banidas em vários países, nos quais seus livros foram taxados como pornografia infantil, figurando proeminentemente no debate sobre se pornografia poderia ser considerada arte. Com vários trabalhos publicados até no Brasil, Hamilton nunca fez fotos explícitas. Sua preferência era o erotismo, com mais alusões e fantasias que situações claras de sexo. A idade das modelos é que tornava o material controverso. Hamilton assumiu que se inspirava em “Lolita”, de Vladimir Nabokov, dizendo que compartilhava a “obsessão pela pureza” do escritor, e que sua arte buscava evocar “a candura de um paraíso perdido”. Com a revisão de sua obra, sob o olhar contemporâneo, esta candura tem parecido mais claramente uma perversão. Em 1977, ele filmou “Bilitis”, que levou a fotografia soft focus e suas ninfetas para o cinema. A trama acompanhava a personagem-título, uma colegial adolescente (Patti D’Arbanville, vista mais recentemente na série “Rescue Me”) que passava o verão com um casal em crise e desenvolvia uma paixão lésbica pela esposa, ao mesmo tempo em que provocava um adolescente local. Filmado na era de ouro do cinema erótico, “Bilitis” foi alçado à condição de cult pela fotografia impressionista e escapou de maior polêmica graças à idade real de sua atriz principal, 23 anos na época. Ironicamente, apenas um ano mais jovem que a intérprete da esposa, a modelo Mona Kristensen, com quem Hamilton acabou casando. A situação se tornou diferente em seu filme seguinte, “Laura, les Ombres de l’Été” (1979), que lançou a jovem Dawn Dunlap (“Rainha Guerreira”) com apenas 16 anos. De temática fetichista, a trama acompanhava um escultor que reencontra um antigo grande amor, apenas para ficar impressionado com sua filha adolescente. A jovem Laura também sente uma atração, mas a mãe (Maud Adams, de “007 Contra o Homem da Pistola de Ouro”) proíbe que os dois tenham qualquer contato. Quando o artista insiste em fazer uma escultura, ela só aceita que use como modelo fotos da menina. E é a deixa para a fotografia de Hamilton entrar em cena, explorando a “inocência sensual” de adolescentes vestidas em roupas de balé. O problema é que a estrelinha, fotografada completamente nua para o filme, era de fato menor de idade. E isso gerou muita polêmica na época, a ponto de “Laura” ser proibido ao redor do mundo, inclusive nos EUA, onde só chegou direto em vídeo na década de 1980. Por outro lado, nos países em que foi exibido, como França e Austrália, nem sequer recebeu censura máxima, atestando o caráter “suave” de seu erotismo. Aumentando o risco a cada filme, Hamilton lançou seu longa mais polêmico em 1980. “Tendres Cousines” era uma história de sexo adolescente, em que um jovem de 15 anos se apaixona pela prima. A alemã Anja Schüte tinha 16 anos quando encenou, nua, as cenas de sexo que culminam a trama. Mas o filme também continha diversas cenas sensuais de Valérie Dumas, ainda mais jovem, que interpretava sua irmã mais nova. Acabou banido em ainda mais países. Com “Un Été à Saint-Tropez” (1983), ele finalmente dispensou os garotos e as desculpas para se concentrar apenas nas ninfetas, filmando sete adolescentes que dividiam a mesma casa no litoral de Saint-Tropez. Durante dois dias, elas tinham suas rotinas enquadradas pelas câmeras: acordar, vestir-se, ir à praia, andar de bicicleta, colher flores, brigar com travesseiros, praticar balé, lavar-se umas às outras e rir muito, como felizes objetos sexuais. Não há quase diálogos, de modo que é praticamente um livro de fotos com movimentos. No mesmo ano, ele lançou seu último filme, que se diferenciou por apresentar foco normal, pela primeira e única vez em sua filmografia. Em “Primeiros Desejos” (1983), três garotas naufragam em diferentes partes de uma ilha e acabam transando com um homem, um adolescente e outra garota. Uma delas era Anja Schüte, então com 19 anos. Embora mais velhas, as jovens eram retratadas como sendo adolescentes, e isso incluía depilação completa. O advento da pornografia em vídeo acabou com o erotismo suave da geração de Hamilton. Mas ele continuou com fama de maldito, graças à contínua publicação de seus livros de fotografia. Em 2010, um homem foi condenado como pedófilo na Inglaterra por ter quatro livros do fotógrafo em sua biblioteca. O caso chamou atenção da mídia e levou à sua absolvição um ano depois, mas ajudou a lembrar o quanto o trabalho de Hamilton era polêmico. Poucos imaginavam, na época, que ele poderia ter feito mais do que apenas fotografar menores em situações impróprias. Ele jurava nunca ter feito nada além de fotografar as meninas. Chegou a soltar uma nota, após as acusações de Flament, dizendo que clicou inúmeras modelos e nunca nenhuma chegou sequer a reclamar de falta de respeito. Lembrou, ainda, jamais ter sofrido nenhum processo por seu trabalho. E que acusações do tipo só visavam sensacionalismo barato. “Claramente, a linchadora busca seus 15 minutos de fama para promover seu livro”, escreveu, apontando o que estaria por trás disso vir à tona apenas agora, 20 anos após tê-la fotografado, e lamentando o que isso poderia lhe custar, pelo tipo de obra que transformou em sua vida. Poucas horas após sua morte ser noticiada, Flament também emitiu um comunicado. Seco e brutal. “Acabei de saber da morte de David Hamilton, o homem que me estuprou quando eu tinha 13 anos. O homem que estuprou numerosas jovens, algumas dos quais vieram denunciá-lo com coragem e emoção nestas últimas semanas. Estou pensando nelas, na injustiça que nós estávamos tentando enfrentar juntas. Por sua covardia, ele nos condenou mais uma vez ao silêncio e à incapacidade de vê-lo ser condenado. O horror deste ato nunca vai acabar com o horror das nossas noites sem dormir.” Intitulado “A Consolação”, o livro de Flavie Flament tem como ilustração de capa uma foto de David Hamilton.
Repleto de lacunas, o filme Elis dá saudades da cantora Elis
Elis Regina (1945-1982) foi uma cantora perfeita. Voz, dicção, técnica e afinação impecáveis. E uma intérprete fabulosa, da dimensão de Edith Piaf, Amália Rodrigues ou Ella Fitzgerald. Um portento. Nada mais justo e razoável que uma carreira como essa seja objeto de uma cinebiografia. A questão é alcançar a qualidade artística necessária para fazer jus ao projeto. Isso, o filme “Elis”, de Hugo Prata, alcança parcialmente. Quando entra em cena Andréia Horta (da novela “Liberdade, Liberdade”), Elis realmente revive na tela. A atriz faz um trabalho notável, digno de muitos prêmios. A figura de Elis emerge em gestos, movimentos, risos de arreganhar a gengiva, coreografias que acompanham o canto, enfim, no seu conhecido estilo de ser, determinado, irônico e agressivo. As interpretações de Elis estão lá inteiras, com alta qualidade de som, já que não é Andréia quem canta, ela dubla Elis. Perfeito! Bem, nem tanto. O repertório escolhido é todo muito bom, como aliás era o repertório de Elis Regina em todas as fases de sua carreira. Mas há ausências inconcebíveis. Elis foi a principal intérprete de Milton Nascimento e Gilberto Gil. Nenhuma música deles está no filme. Como não está nada da antológica gravação que ela fez com Tom Jobim. Nem suas inovadoras interpretações de Adoniran Barbosa. Problemas com os direitos das músicas? Falha grave, do ponto de vista artístico. O começo real da carreira dela também foi deletado. Vendo o filme, tudo parece ter começado no Rio, com “Menino das Laranjas” (de Theo Barros), embora se faça referência à sua origem gaúcha e trabalho em Porto Alegre. Só que Elis Regina gravou 2 LPs na gravadora Continental: “Viva a Brotolândia”, em 1961, e “Poema”, em 1962. São 24 faixas gravadas, de discos escancaradamente comerciais, tentando lançar a cantora para concorrer com Celly Campello (1942-2003), que fazia muito sucesso na época. Elis renegou essa fase de sua carreira, rejeitou esses discos (que não são tão ruins assim), mas é algo que teria de ser registrado numa cinebiografia que deu relevo ao trabalho da cantora. Da vida pessoal de Elis, o casamento com Ronaldo Bôscoli durou pouco, uns cinco anos, foi muito conturbado, já que ele era mulherengo, infiel. Seu papel artístico junto a ela acrescentou pouco à arte de Elis. Pelo filme, ele foi o maior amor da vida dela e teve papel artístico muito relevante. Uma forma de romancear e fazer uma narrativa atraente? O fato é que o casamento com César Camargo Mariano foi mais longo e muitíssimo mais importante, do ponto de vista artístico. No filme, ele perde essa força. Mas nunca Elis foi tão brilhante como quando entoou canções arranjadas por César. Era algo de arrasar quarteirão de tão bom, tão sofisticado. Quem viveu esse período sabe disso. E as gravações estão aí para comprovar. Algumas no filme, também, claro. Os conflitos políticos que envolveram a ditadura militar, o canto de Elis na Olimpíada do Exército, a reação fulminante de Henfil no Pasquim, colocando-a no cemitério dos mortos-vivos, e a evolução que a levou a entoar o hino informal da anistia, “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, onde se pedia a volta do irmão do Henfil (Betinho), estão muito bem retratados. A cena em que ela aparece sendo vaiada em show ao vivo me parece excessiva para ser considerada real. Os espetáculos, muito bem produzidos para palco, com ênfase teatral, além do show, como “Transversal do Tempo” e “Saudade do Brasil”, não aparecem. E o grande sucesso, “Falso Brilhante”, um ano em cartaz, não é retratado, realmente. Apenas a música cantada surge e não o frenesi que foi aquela montagem teatralmente empolgante. Em suma, o filme está cheio de lacunas e falhas, que não vão passar despercebidas aos fãs de Elis, que conhecem a sua trajetória. Ainda assim, é um espetáculo bom de se ver, com uma atriz sensacional e uma música extraordinariamente bela. A produção serve mais é para dar muita saudade!
Hairspray Live: Especial televisivo revela número musical completo com Ariana Grande e Jennifer Hudson
A rede americana NBC divulgou um número musical completo de “Hairspray Live!”, com a participação das cantoras Ariana Grande e Jennifer Hudson. As duas fazem parte do elenco da produção, que será o quarto especial musical ao vivo da NBC, desde que a emissora inaugurou a mania desse tipo de atração de fim de ano com a montagem de “The Sound of Music Live” (A Noviça Rebelde Ao Vivo) em 2013. O “aperitivo” aconteceu nas ruas de Nova York, durante as festividades do Dia de Ação de Graças. O elenco inteiro participou do número, em que os artistas apresentaram “You Can’t Stop The Beat”, um dos grandes sucessos da versão da Broadway de “Hairspray”. A versão completa do especial só será vista daqui a duas semanas na TV americana. Vale lembrar que esta será a quarta encarnação diferente de “Hairspray”, que surgiu como uma comédia de cinema, baseada nas memórias de juventude do diretor underground John Waters. Até então considerado maldito, Waters conheceu o sucesso ao escrever e dirigir o filme em 1988. A história se tornou tão popular que ganhou adaptação musical na Broadway. A ironia é que a versão teatral fez ainda mais sucesso e rendeu uma nova adaptação cinematográfica em 2007, com muito mais música e dança. Agora, é a vez da versão televisiva, por sua vez baseada na montagem teatral. A trama permanece a mesma, evocando o começo dos anos 1960, época do programa “American Bandstand”, em que discos de sucesso eram dançados por adolescentes na TV. Fã do programa, a gordinha Tracy consegue ser aprovada para dançar ao lado dos jovens perfeitos que marcavam a TV da época e começa a se destacar, causando inveja na loirinha principal. Além de incluir uma subtrama romântica, o filme também abordava o racismo do programa e a diferença da música negra para a versão pop branquinha dos sucessos da época. Waters, que costumava trabalhar com a transexual Divine em filmes adultos, a escalou como a mãe de Tracy na produção voltada para adolescentes, e isso teve um impacto pouco mensurado na época. Desde então, o papel tem sido feito por homens, sem despertar polêmica. No cinema, até John Travolta viveu a personagem. A nova versão televisiva está a cargo da dupla Neil Meron e Craig Zadan, que assinou os três musicais anteriores – “The Sound of Music Live”, “Peter Pan Live” e “The Wiz Live”. A direção é de outra dupla: Kenny Leon (“The Wiz Live”) e Alex Rudzinski (que fez “Grease Live!” na Fox). E além de Jennifer Hudson (“Dreamgirls”) e Ariana Grande (série “Sam & Cat”), o elenco completo inclui Dove Cameron (“Descendentes”), Kristin Chenoweth (também de “Descendentes”), Garrett Clayton (série “The Fosters”), Martin Short (“O Pai da Noiva”), Harvey Fierstein reprisando o papel de Edna Turnblad, que lhe rendeu um Tony na montagem da Broadway, e a estreante Maddie Baillio como a protagonista Tracy Turnblad. “Hairspray Live!” será exibido em 7 de dezembro nos EUA.
Estúdio de Godzilla adquire a sci-fi clássica Duna para produzir novo filme ou série
A sci-fi clássica “Duna” deve ganhar nova versão. O estúdio Legendary, de “Godzilla” e do vindouro “Kong: Ilha da Caveira” comprou os direitos da franquia de ficção científica dos herdeiros do escritor Frank Herbert, mas, segundo o site The Hollywood Reporter, ainda não definiu se realizará uma série de televisão ou um novo filme. Até o momento, não há cronograma de produção ou equipe definida para a adaptação, além dos executivos da própria Legendary. Recentemente, o cineasta canadense Denis Villeneuve (“A Chegada”) revelou que pretende se especializar em filmes do gênero sci-fi e que gostaria de filmar, justamente, “Duna”. A trama se passa no futuro e em outro planeta, um local árido chamado Arrakis, mas conhecido como Duna, que produz uma matéria essencial às viagens interplanetárias: a Especiaria. Quem controla a Especiaria tem uma vantagem econômica significativa diante dos adversários, por isso a família real que supervisiona o local sofre um atentado, mas seu filho escapa e procura se vingar, usando a ecologia bizarra daquele mundo como sua principal arma. Em especial, os vermes gigantes que habitam as areias de Duna – e que são os verdadeiros responsáveis pela produção da Especiaria. Ao longo dos anos, muitos tentaram adaptar “Duna” no cinema. Um documentário sobre a primeira tentativa, a versão nunca realizada do diretor Alejandro Jodorowsky nos anos 1970, foi lançado em 2013 com detalhes espetaculares. O único filme produzido chegou aos cinemas na década de 1980, mas sofreu cortes que prejudicaram muito seu resultado, ainda assim com visuais fantásticos. Dirigido por ninguém menos que David Lynch, “Duna” foi lançado em 1984 com um elenco que tinha Kyle MacLachlan, Patrick Stewart, Linda Hunt, Max von Sydow e até o cantor Sting. Depois disso, ainda foram produzidas duas minisséries sobre o universo de “Duna”, em 2000 e 2003, pelo canal atualmente conhecido como SyFy.
Barry: Filme sobre a juventude de Barack Obama ganha trailer completo
A Netflix divulgou o trailer completo de “Barry”, longa sobre a juventude do Presidente dos Estados Unidos Barack Obama. A prévia recria a época em que Obama era um estudante universitário, entre o final dos anos 1970 e o início dos 1980, com figurino, grafite, clima de festa e música soul. O filme vai mostrar a vida de Obama, interpretado pelo estreante Devon Terrell, como um universitário em Nova York, que apesar de idealista enfrentou preconceito em seus primeiros passos rumo à conscientização política. O elenco também inclui Anya Taylor-Joy (“A Bruxa”), Ashley Judd (“Divergente”), Ellar Coltrane (“Boyhood”), Jenna Elfman (“A Eterna Namorada”), Annabelle Attanasio (série “The Knick”) e Linus Roache (série “Vikings”). Produção independente, o filme do diretor Vikram Gandhi (“Kumaré”) foi bastante elogiado no festival de Toronto e chega à plataforma de streaming em 16 de dezembro. Este é o segundo filme sobre a juventude de Obama lançado em 2016. O outro, “Southside with You”, mostrou o início do namoro com a Primeira Dama Michelle Obama, e também foi bastante elogiado.
Stranger Things: Veja as primeiras fotos das gravações da 2ª temporada
Surgiram as primeiras fotos da produção da 2ª temporada de “Stranger Things”. Os paparazzi do site Just Jared captaram parte do elenco juvenil da atração saindo dos trailers caracterizados com roupas dos anos 1980. As gravações estão acontecendo em Atlanta, na Georgia. As fotos incluem Gaten Matarazzo (Dustin), Caleb McLaughlin (Lucas), Finn Wolfhard (Mike), Noah Schnapp (Will), Charlie Heaton (Jonathan), Natalia Dyer (Nancy) e Joe Keery (Steve), integrantes do elenco original da 1ª temporada. Em entrevista recente, o cineasta Shawn Levy, que é produtor da série, afirmou que, apesar de novos personagens serem apresentados na nova temporada, o foco continuará sobre o grupo de crianças e adolescentes que conquistou público e crítica m 2016. “Stranger Things” voltará com nove episódios inéditos em 2017, em data ainda não determinada.
Volta dos Trapalhões aos cinemas ganha primeiras fotos oficiais
A produção de “Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood” divulgou as primeiras fotos oficiais do filme, que registra a volta dos Trapalhões aos cinemas, após hiato de nada menos que 25 anos. O último filme em que Renato Aragão usou o nome Trapalhão tinha sido “Didi, o Cupido Trapalhão”, de 2003. Mas Trapalhões no plural não rendia título desde “Os Trapalhões e a Árvore da Juventude”, de 1991, derradeiro filme de Mussum e único dos “Trapalhões” sem Zacarias. No filme, Renato volta a se juntar com seu velho parceiro Dedé Santana. Os dois sobreviventes da trupe de humoristas ainda são acompanhados por Roberto Guilherme, outro saudoso membro do programa “Os Trapalhões”, mais lembrado como o Sargento Pincel. A eles se une uma nova geração de atores, como Letícia Colin, Alinne Moraes, Emílio Dantas, Maria Clara Gueiros, Livian Aragão, Rafael Vitti, Nelson Freitas, Marcos Frota e Dan Stulbach. A produção é baseada na versão musical de “Os Saltimbancos Trapalhões”, peça montada em 2014 com a participação do eterno Didi, que foi inspirada no filme homônimo dos “Trapalhões” de 1981. O detalhe é que o filme original já era uma adaptação do musical infantil “Os Saltimbancos” (1977), com canções de Chico Buarque, que, por sua vez, também era uma adaptação de um espetáculo italiano. A nova versão não chega a ser exatamente um remake, pois inclui nova história e até uma música inédita de Chico Buarque. O longa conta a história da trupe do Grande Circo Sumatra que, juntos, tentam reverter a crise financeira da companhia, provocada pela lei que proíbe a participação de animais em espetáculos. A trupe vai em busca de uma saída para a crise e Didi acredita – por meio de seus sonhos mirabolantes com animais falantes – que encontrarão a solução. Um novo show começa a ser criado, mas a ganância do Barão, a vigarice do Satã e o poder manipulador do prefeito da cidade podem colocar tudo a perder. Em comunicado, Renato Aragão afirmou que o longa vai resgatar a memória afetiva daqueles que acompanharam Os Trapalhões: “Esse filme vai atingir duas ou três gerações. O pai, o filho e o neto. O pai vai induzir o filho e ele mesmo, com certeza, vai ter aquele saudosismo de relembrar o primeiro filme ao assistir o segundo”. Dirigido por João Daniel Tikhomiroff (“Besouro”), “Os Saltimbancos Trapalhões: Rumo a Hollywood” tem estreia marcada para 19 de janeiro.
Série de terror Dead of Summer é cancelada
O canal pago americano Freeform cancelou a série de terror “Dead of Summer”. Não adiantou ser bastante vista nas plataformas digitais. Concebida como uma antologia, a série foi recebida com críticas negativas e pouco público ao vivo, conquistando uma média de 410 mil telespectadores para os 10 episódios de sua 1ª temporada. Ironicamente, a 1ª temporada foi aprovada sem precisar passar por fase de piloto, apenas por seu roteiro. Desenvolvida por Adam Horowitz e Edward Kitsis, os criadores de “Once Upon a Time”, em parceria com o roteirista Ian B. Goldberg (também trabalhou da série das fábulas), a atração evocava os clichês da franquia “Sexta-Feira 13” e similares, como “Acampamento Sinistro” (1983) e “Chamas da Morte” (1981), especialmente por se passar na década de 1980. A história acontecia em Camp Clearwater, um acampamento de férias de verão do meio-oeste americano, onde jovens dos anos 1980 experimentam seus primeiros amores, seus primeiros beijos – e também suas mortes, graças a um antigo e sombrio mito da região. O elenco incluiu Elizabeth Mitchell (séries “Lost”, “Revolution”), Elizabeth Lail (série “Once Upon a Time”), Zelda Williams (série “Teen Wolf”), Mark Indelicato (série “Ugly Betty”), Alberto Frezza (“Resgate Impossível”), Eli Goree (série “The 100”), Ronen Rubenstein (série “Orange Is the New Black”), Paulina Singer (“Gotham”) e Amber Coney (série “Class”).
Autor de The Walking Dead vai produzir remake de Um Lobisomem Americano em Londres
O cultuado filme de terrir “Um Lobisomem Americano Em Londres” (1981) vai mesmo ganhar um remake. Segundo o site Deadline, a produtora Skybound Entertainment vai produzir a nova versão para a Universal. E um dos produtores responsáveis pela adaptação será ninguém menos que Robert Kirkman, o autor dos quadrinhos que originaram a série “The Walking Dead”. O roteiro, por sua vez, ficará a cargo de Max Landis (“Victor Frankenstein”), que é justamente filho de John Landis, o diretor do filme original. Landis, o filho, também deve estrear na direção com este projeto. Para quem não lembra, o filme de 1981 marcou época por trazer a transformação mais explícita e convincente de lobisomem que tinha sido mostrada até então no cinema – o que rendeu um Oscar ao maquiador Rick Baker. O sucesso foi tanto que Michael Jackson convocou Landis, o pai, para dirigir um de seus clipes. Um tal de “Thriller”. Em que o cantor vira lobisomem. Na trama do clássico, dois jovens americanos, de férias no Reino Unido, chegam à uma vila estranha e são atacados por um lobisomem. Enquanto um deles morre, o outro começa sua estranha transformação. Ainda não existe previsão de estreia para o remake.
Stranger Things: Um Goonie e um ator de Aliens entram na 2ª temporada
Com o começo da produção da 2ª temporada de “Stranger Things”, novos nomes estão sendo anunciados no elenco. E entre eles estão dois atores que marcaram época nos anos 1980, em produções referenciadas pela 1ª temporada da série: Sean Astin, um dos integrantes originais dos “Goonies” (além de hobbit em “O Senhor dos Anéis”) e Paul Reiser, o yuppie sinistro da sci-fi “Aliens – O Resgate” (além de astro da série “Mad About You”). Eles chegam acompanhados pela jovem atriz dinamarquesa Linnea Berthelsen (minissérie “The Desert”), que interpretará uma adolescente “emocionalmente danificada, que sofreu uma grande perde quando criança”. Segundo a descrição de sua personagem, ela não vive na cidadezinha de Hawkins, mas é misteriosamente ligado aos eventos sobrenaturais no laboratório secreto. Astin, por sua vez, interpretará um antigo colega de classe de Joyce Byers (Winona Ryder, outra criança notável na década de 1980), que atualmente trabalha numa loja da cidade. E Reiser revistará o papel de funcionário de grande corporação, que chega em Hawkins com a missão de sumir com as evidências dos fatos testemunhados na 1ª temporada. Eles vão se juntar aos novatos anteriormente anunciados, o adolescente Dacre Montgomery (um dos novos “Power Rangers”) e a menina Sadie Sink (série “American Odyssey”), além do elenco original da série, incluindo Millie Bobby Brown, confirmada de volta como Eleven (Onze). “Stranger Things” terá mais nove episódios inéditos em 2017, mas a data de estreia da 2ª temporada ainda não foi anunciada.












