7 Dias em Entebbe: Thriller histórico de José Padilha ganha cena inédita e novo pôster
A Focus Features divulgou um novo pôster e uma cena inédita de “7 Dias em Entebbe”, segundo filme internacional dirigido por José Padilha (“Tropa de Elite”) – após estrear em Hollywood com o remake de “RoboCop” (2014) e fazer sucesso com a série “Narcos”. A prévia destaca um dos momentos de tensão da produção, quando os terroristas alemães vividos por Daniel Bruhl (“Capitão América: Guerra Civil”) e Rosamund Pike (“Garota Exemplar”) assumem o controle de um avião vindo de Israel. Os dois também aparecem com destaque no cartaz. “7 Dias em Entebbe” é a quarta filmagem de uma das missões de resgate e combate ao terror mais famosas de todos os tempos: o salvamento dos passageiros de um voo da Air France vindo de Tel Aviv, que teve sua trajetória desviada para Entebbe, em Uganda, por quatro sequestradores (dois palestinos e dois alemães) em 1976. Ameaçando matar a tripulação e os israelenses presentes no voo, os terroristas exigiam a libertação de dezenas de palestinos aprisionados por Israel, e contavam com o apoio do ditador de Uganda, Idi Amin Dada. Em resposta, o governo israelense mobilizou uma tropa de elite, composta por 100 combatentes, que após sete dias de impasse invadiu o aeroporto, enfrentou o exército ugandense, matou os sequestradores e libertou os passageiros, deixando um saldo de 53 mortos. Entre as baixas, contam-se apenas três passageiros e um único militar israelense, justamente o comandante da invasão. Toda a ação durou menos que a metragem da produção: 90 minutos. A história já rendeu um filme israelense, “Operação Thunderbolt” (1977), com direção de Menahem Globus (dono do estúdio Cannon), além dos telefilmes americanos “Resgate Fantástico” (1976), estrelado por Charles Bronson (“Desejo de Matar”) e dirigido por Irvin Kershner (“O Império Contra-Ataca”), e “Vitória em Entebbe” (1976), com Kirk Douglas (“Spartacus”) e Linda Blair (“O Exorcista”). Exibido no Festival de Berlim, o filme de Padilha chamou atenção por enfatizar aspectos da política israelense e por diminuir a importância do comandante da operação, Yonatan Netanyahu, irmão do atual Primeiro Ministro de Israel Benjamin Netanyahu, contrapondo-se à versão chapa-branca da história. O roteiro foi escrito pelo britânico Gregory Burke (de “71: Esquecido em Belfast”) e o elenco ainda destaca Nonso Anozie (série “Zoo”) como Idi Amin, Angel Bonanni (série “Absentia”) como Netanyahu, Lior Ashkenazi (“Foxtrot”) como o Primeiro Ministro de Israel Yitzhak Rabin e Eddie Marsan (série “Ray Donovan”) como o líder da oposição israelense Shimon Peres. A estreia está marcada para 16 de março nos Estados Unidos e apenas em maio no Brasil.
Criadora de One Day at Time revela critério da Netflix para cancelar séries
A roteirista e produtora Gloria Calderón Kellett, criadora do reboot da sitcom “One Day at a Time”, acabou revelando o critério da Netflix para renovar ou cancelar séries, ao fazer um desabafo numa rede social, em que demonstrou preocupação com o destino de sua série, bem-vista pela crítica, mas, aparentemente, pouco vista pelo público. “Se você quer apoiar a série e a mim, POR FAVOR assista ao menos QUATRO episódios nos próximos dias”, escreveu a escritora no Twitter, usando letras maiúsculas para destacar determinadas palavras. “A Netflix decide qual série será renovada com base em visualizações [dos episódios]. Eu amo esta atração e amo escrever sobre esta família. POR FAVOR, ASSISTAM! Obrigada”, ela escreveu. O texto expõe que, assim como uma rede de TV convencional, a Netflix leva, sim, em consideração a audiência. Quatro episódios, assistidos durante determinado período, é a média que conta. E se não ficou claro, ela ainda repetiu: “Mamãe não é tão orgulhosa que não pode implorar. EU AMO esta família dentro e fora da tela. Representatividade importa. Mike Royce e eu tenho muitas histórias para contar! Os co-criadores de ‘One Day at a Time’ pedem aos fãs que vejam quatro episódios nos próximos dias”, Kellett escreveu no Twitter, linkando um artigo que fala sobre como o futuro da produção depende disso. A 2ª temporada do reboot de “One Day at a Time” estreou no dia 26 de janeiro e conquistou 100% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Mas, para demonstrar que qualidade não entra no algorítimo da Netflix, a 2ª temporada de “Lady Dynamite” também teve 100% de aprovação e foi cancelada assim mesmo – enquanto “Friends from College”, com 24% de aprovação, foi renovada. Gloria Calderón Kellett deve ter acesso aos números de visualizações dos episódios para ter feito um apelo em tom tão desesperado – aos gritos (que é o que representam letras maiúsculas no vocabulário online). Desde que o ano começou, a Netflix já cancelou “Lady Dynamite” e “Disjointed”. O “One Day at a Time” original foi criado por Norman Lear, um dos principais roteiristas-produtores de sitcoms de famílias americanas dos anos 1970 – que também criou “Os Jefferson”, “Maude”, “Tudo em Família” e “Good Times”. Na versão de 1975, a série acompanhava a mãe divorciada vivida por Bonnie Franklin, após ela se mudar com suas duas filhas (Mackenzie Phillips e Valerie Bertinelli) para um prédio de apartamentos em Indianápolis, onde a família contava com a ajuda do zelador Schneider (Pat Harrington) para lidar com os problemas do dia-a-dia. Na versão da Netflix, a família é latina. O reboot acompanha três gerações de uma família de origem cubana que vive sob um mesmo teto. A mãe e veterana militar Penélope (Justina Machado) alista a “ajuda” de sua mãe cubana Lydia (Rita Moreno) e do rico proprietário do imóvel Schneider (Todd Grinnell), enquanto cria dois adolescentes: sua filha radical Elena (Isabella Gomez) e o filho introvertido Alex (Marcel Ruiz). Sim, a produção mudou diversos detalhes, incluindo o sexo de um dos filhos. A atração recebeu elogios rasgados da imprensa norte-americana e se destaca por ser uma das poucas sobre família latina atualmente em produção nos Estados Unidos. A Netflix, por sinal, vai investir nesse filão em nova série ainda este ano: “On My Block”, prevista para 16 de março. HUGE favor: If you want to support me & the show then PLEASE watch & tell friends & family to watch at least FOUR episodes in the next few days. Netflix decides what gets picked up based on views. I love this show & love writing this relatable family. PLEASE WATCH! Thank you. — Gloria Calderón Kellett (@everythingloria) February 13, 2018 Momma Ain't Too Proud To Beg. I LOVE this family on screen & off. Representation matters @MikeRoyce & I have a lot of stories left to tell! 'One Day At A Time" Co-Creator Begs Fans To Watch "Four Episodes In The Next Few Days" https://t.co/z7lgBwpnBT Thanx @decider @OneDayAtATime — Gloria Calderón Kellett (@everythingloria) February 14, 2018
Vídeos de Legends of Tomorrow mostram os heróis na era das discotecas
A atriz Caity Lotz, intérprete de Sara Lance em “Legends of Tomorrow”, divulgou um divertido vídeo em seu Instagram, que mostra os heróis viajantes do tempo com o visual da era das discotecas. Não só isso. Eles também dançam – e muito bem – uma coreografia da época, ao som do clássico “Staying Alive”, dos Bee-Gees, música-tema do filme “Embalos de Sábado à Noite” (1977). Intitulado “Here I Go Again”, o próximo episódio da série vai mostrar os heróis presos num looping temporal e também ganhou um trailer oficial da rede CW. O próximo episódio de “Legends of Tomorrow” será exibido na segunda (19/2) nos Estados Unidos. A série faz parte da programação do canal pago Warner no Brasil. When your feeling the disco vibes and decide to shoot a music video on set #Legendsoftomorrow Uma publicação compartilhada por CAITY LOTZ (@caitylotz) em 14 de Fev, 2018 às 7:48 PST
Ator de The Walking Dead será pai conservador em piloto de série de comédia
O ator Michael Cudlitz, primeira vítima de Negan na série “The Walking Dead”, vai tentar estrelar uma nova série. Ele será o protagonista do piloto de uma comédia desenvolvida por Tim Doyle, roteirista veterano de “Família Dinossauros”, “The Big Bang Theory” e “The Last Man Standing”, para a rede ABC. Ainda sem título, a sitcom se passa na década de 1970 e acompanha uma família irlandesa católica, que tem um pai da classe trabalhadora, uma mãe tradicional e oito filhos barulhentos, que navegam as grandes mudanças de uma das décadas mais turbulentas da América. Cudlitz assumirá o papel de patriarca da família, Mike Doyle. O personagem é descrito como um homem da classe trabalhadora com valores conservadores dos anos 1950, totalmente fora de contato com a realidade do início da década de 1970. O pai de oito filhos confia em sua igreja e no governo para lidar com os protestos e o descontentamentos dos estudantes contra a Guerra do Vietnã. O papel marca uma ruptura para Cudlitz, mais acostumado a estrelar produções dramáticas, como a já citada “The Walking Dead”, além do drama policial “Southland”. Mas para o projeto virar a série, o piloto precisará ser aprovado pela ABC. No ano passado, Cudlitz estrelou o piloto de “The Trustee”, que foi reprovado pelo mesmo canal.
James Hetfield vai virar ator no filme sobre o serial killer Ted Bundy
James Hetfield vai estrear como ator de cinema aos 54 anos. O cantor e guitarrista da banda Metallica entrou no elenco de “Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile”, filme sobre o serial killer mais famoso dos EUA, Ted Bundy. O roqueiro interpretará o oficial Bob Hayward, um patrulheiro rodoviário veterano de Utah, que foi o primeiro policial a prender Bundy em 1975. Será a primeira vez que Hetfield terá um papel diferente de si mesmo numa produção live action. Ele já tinha aparecido anteriormente em séries, filmes e até animações como cantor do Metallica. Joe Berlinger, diretor do filme, já filmou Hetfield previamente nos documentários “Metallica: Some Kind of Monster” (2004) e “Metallica: This Monster Lives” (2014). Ele também é conhecido por realizar a trilogia de documentários “Paradise Lost”, que acabou ajudando a libertar três jovens presos injustamente após o assassinato ritual de crianças em West Memphis. O caso rendeu comoção nacional, porque eles foram condenados por serem fãs de heavy metal. Além destes e outros documentários, ele dirigiu apenas um filme de ficção há 17 anos, o terror “A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras” (2000), que, em retrospectiva e comparado ao novo “Bruxa de Blair” (2016), não era tão ruim assim. O roteiro de “Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile” é de Michael Werwie (do vindouro suspense “Lost Girls”, com Sarah Paulson) e a produção está a cargo de Nicolas Chartier, responsável pelos filmes premiados no Oscar “Guerra ao Terror” (2009) e “Clube de Compra Dallas” (2013). O elenco destaca Zac Efron (“Baywatch”), que tem o papel principal, além de Kaya Scodelario (“Maze Runner: A Cura Mortal”), Lily Collins (“O Mínimo para Viver”), John Malkovich (“Horizonte Profundo: Desastre no Golfo”), Terry Kinney (série “Billions”), Jim Parsons (série “Big Bang Theory”), Haley Joel Osment (o menino agora crescido de “O Sexto Sentido”) e Dylan Baker (série “The Good Wife”). A trama se concentrará na relação disfuncional entre Bundy (Efron) e sua namorada Liz Kloepfer (Collins), que durou sete anos. Os dois se conheceram em 1969 e por três vezes ela o denunciou à polícia por comportamento violento. Nos anos 1970, Bundy ficou famoso por raptar, violentar e assassinar mulheres jovens. Antes de ser executado na cadeira elétrica em 1989, aos 42 anos, Bundy confessou 30 assassinatos, ocorridos, segundo ele, entre 1974 e 1978. A vida de Bundy já inspirou alguns filmes, a maioria feita para a TV e nenhum particularmente memorável. O novo longa ainda não tem previsão de estreia.
Todo o Dinheiro do Mundo tem duas morais da história, após lidar com assédio sexual
A carreira de Ridley Scott é uma das mais interessantes dentre os cineastas veteranos em atividade. São quase 30 filmes para cinema, equilibrando-se entre ficções científicas, dramas contemporâneos, fantasias e filmes de época. Muita coisa parece interessar a Scott, seja a lenda de Robin Hood, a travessia do Mar Vermelho por Moisés, a descoberta da América por Cristóvão Colombo, além de histórias de monstros espaciais. Em “Todo o Dinheiro do Mundo”, Scott olha para o mundo real contemporâneo, mas para pessoas diferentes. Pessoas gananciosas, desesperadas e desesperançadas. A trama apresenta o homem mais rico do mundo na década de 1970, o magnata John Paul Getty (Christopher Plummer), uma espécie de Tio Patinhas mais sombrio. Para ele, nada era mais importante do que o seu dinheiro. Tirar de seus trilhões de dólares 17 milhões para pagar o resgate do seu neto, que foi sequestrado em 1973, quando tinha 16 anos de idade, era algo fora de cogitação. E é essa basicamente a história. Enquanto a mãe do garoto, vivida por Michelle Williams, tenta desesperadamente conseguir até mesmo conversar com o velho avarento, ele aciona um empregado (Mark Wahlberg) para tentar descobrir o paradeiro do menino sem que, com isso, precise gastar muito dinheiro. O filme apresenta algumas situações bem absurdas sobre até que ponto vai a doença daquele velho de quase 90 anos. Se o filme de Scott falha em criar uma atmosfera de suspense dentro desse situação de estresse do sequestro do rapaz, do jeito que o filme se encaminha dá até impressão de que o cineasta queria mesmo este tom. De certa maneira, isso tem o seu lado positivo, já que não transforma “Todo o Dinheiro do Mundo” em um thriller banal sobre sequestro e busca, coisa que já se viu tantas vezes no cinema. Scott prefere enfatizar a fábula moral que surge em meio àquela situação absurda. Por mais que possamos pensar que a moral da história é simples até demais, não há problema nenhum em lembrá-la de vez em quando. Lembrar que não se leva dinheiro para a sepultura. O que pode incomodar um pouco nesta narrativa – além da fotografia mais escura que o costume na filmografia do diretor – é a estranheza no modo como costura a trama sem personagens principais. A mais destacada é Michelle Williams, muito bem no papel da mãe desesperada, sem se descabelar ou transformar o filme em uma grande tragédia ou um grande melodrama. Até porque raramente Scott é apegado a sentimentalidades. Entretanto, “Todo o Dinheiro do Mundo” não lida apenas com a questão moral da avareza. Talvez o filme se torne até mais lembrado pela forma como abordou outra questão, fora das telas, envolvendo o escândalo sexual de Kevin Spacey, que forçou Scott a substituí-lo por Plummer, no papel de Getty, em um intervalo de tempo admiravelmente veloz. A tempo, inclusive, de participar da temporada de premiações. No caso do Oscar 2018, apenas Christopher Plummer recebeu a única indicação da obra, de Melhor Ator Coadjuvante. Não deixa de ser uma ironia.
The Post resgata espírito de contestação da Nova Hollywood dos anos 1970
Entre o final dos anos 1960 e início dos anos 1970, uma nova geração de cineastas tomou Hollywood de surpresa trazendo frescor para uma indústria que parecia desconectada com a nova geração. Em sua maioria influenciados pelo neorrealismo italiano e pela nouvelle vague francesa, estes diretores imprimiram uma tentativa de autoria em grandes produções e filmes de gênero, gerando clássicos como “O Poderoso Chefão” (1972), “O Exorcista” (1973), “Taxi Driver” (1976) e “A Conversação” (1974). O mais famoso expoente desta “Nova Hollywood” acabou sendo Steven Spielberg que, curiosamente, era o menos devedor aos franceses e italianos, fazendo produções que se inspiravam diretamente em clássicos do próprio cinema produzido nos Estados Unidos. Se na década de 1970 Spielberg poderia parecer um peixe fora d’água entre seus colegas, é interessante perceber como agora eles os referencia em “The Post: A Guerra Secreta”, fazendo um filme com cara dos thrillers políticos da época em que ele já era um diretor estabelecido, mas passava longe deste tipo de produção. Isso porque Spielberg parece compreender o cinema a partir do cinema. Se para contar histórias nos anos 1970 ele se voltava para diretores como John Ford, Alfred Hitchcock e outros tantos da chamada era de ouro de Hollywood, hoje ele remete a seus próprios colegas da época para contar uma história real passada em 1971. É por isso que “The Post” parece ser mais um filme sobre o cinema do período do que um drama realista. Não que isso seja de todo ruim. Acertando no elenco fabuloso, o filme usa Tom Hanks e Meryl Streep para ancorar seu drama político-jornalístico, em torno dos quais orbita um verdadeiro quem-é-quem das séries de TV. A dinâmica entre os atores funciona e o ritmo é bom, apesar de nunca conseguir atingir a mistura de urgência e informação do clássico do gênero “Todos os Homens do Presidente” (1976), para o qual “The Post” funciona como um prólogo (o jornal é o mesmo e os personagens de Hanks e Streep estão nos dois filmes). Contando os bastidores da denúncia que ficou conhecida como os “documentos do Pentágono”, o filme de Spielberg acompanha o vazamento de um relatório confidencial sobre aquilo que todo mundo sabia, mas não tinha como provar: o governo dos Estados Unidos, ao longo de diferentes presidentes e mandatos, tinha conhecimento de que a Guerra do Vietnã era uma empreitada destinada ao fracasso, mas mesmo assim insistiu no conflito, levando à morte de milhares de soldados e civis. Mas “The Post” não é sobre investigação jornalística (muito pelo contrário, já que os documentos literalmente caem nas mãos dos jornalistas), mas sobre escolhas morais. Quando o jornal The New York Times – que deu início às denúncias – é obrigado na justiça a parar de publicar suas matérias, sobra para o Washington Post a oportunidade de dar continuidade a algo que o governo chamava de “traição” e “crime de espionagem”. É aí que Tom Hanks, como o editor Ben Bradlee, e Meryl Streep, como a dona do jornal Kay Graham, brilham em seus dilemas humanos, que passam por medo, culpa e orgulho. “The Post” é sobre o dinheiro impedindo a verdade. Ou melhor, sobre como interesses comerciais se sobrepõem a interesses éticos. Quando se concentra nesta discussão, Spielberg consegue bons momentos de embate de ideias, e a escolha de emular seus colegas transgressores dos anos 1970 cai como uma luva no tema do filme que versa sobre assumir o risco de ser contra o sistema. Mas Spielberg é Spielberg e não resiste a alguns momentos melodramáticos no final, transformando Kay Graham e seu jornal em heróis grandiosos demais, figuras icônicas que não condizem com o realismo – ou estilo realista – que “The Post” parecia desesperadamente querer adotar. Um filme interessante, sobre uma história interessante, mas que pode ganhar interesse ainda maior se visto pelo filtro de uma alegoria metalinguística: Spielberg e George Lucas são comumente considerados os “traidores” da Nova Hollywood e responsáveis indiretos pelo seu fim, ao produzir blockbusters que teriam levado os estúdios a não mais se arriscarem em obras autorais. Um diretor que surgiu em um contexto de rebeldia, mas acabou se tornando um dos grandes representantes do mesmo sistema que sua geração desafiava. Assim como Kay Graham e seu The Washington Post, que veio a se tornar um dos jornais mais conhecidos do mundo. Talvez Spielberg se identifique com a mulher que conseguiu aliar risco com business – não que ele venha se arriscando tanto ultimamente…
Vítima de estupro de Polanski diz lamentar que usem seu nome para atacar Tarantino
Samantha Geimer, que foi estuprada por Roman Polanski em 1977, aos 13 anos de idade, deu uma entrevista ao site Indiewire em que deixa claro que não protestou ou quis bater em Quentin Tarantino após o ressurgimento de uma entrevista antiga em que ele defendeu Polanski, dizendo que o que ocorrera não era “estupro”, pois Geimer “estava a fim”. Ela disse que, ao contrário, lamenta que usem seu nome para atacar Tarantino ou qualquer outra pessoa, pois não deu autorização para nenhum paladino das redes sociais. “Estou ciente de que meu estupro está sendo usada para atacá-lo e eu realmente não gosto disso”, disse Geimer. “Eu sei o que aconteceu. Não preciso que outras pessoas reflitam sobre o que é ser estuprada aos 13 anos”, ela declarou. Geimer perdoou publicamente Polanski, que lhe deu comprimidos e álcool e depois teve sexo ilegal com ela em 1977 na casa de Jack Nicholson. Recentemente, ela reclamou da promotoria de Los Angeles, que insiste em manter o caso aberto para benefício próprio, apesar disso mantê-la ligada a algo que aconteceu há 40 anos e que preferiria esquecer. Na quinta-feira, foi a vez de Tarantino lhe pedir desculpas públicas por suas observações, dizendo: “Eu quero me desculpar publicamente com Samantha Geimer por meus comentários no ‘The Howard Stern Show’ especulando sobre ela e o crime que foi cometido contra ela. Eu percebi o quanto eu estava errado 15 anos atrás. Samantha foi estuprada por Roman Polanski. Quando Howard trouxe à tona o tema Polanski, eu incorretamente assumi a posição de advogado do diabo no debate para ser provocador. Eu não levei em consideração os sentimentos dela e por isso eu estou muito arrependido. Então, Samantha, eu fui ignorante e insensível. Acima de tudo, incorreto. Me desculpe”. Samantha contou que Tarantino lhe ligou pessoalmente, e embora não precisasse, considerou que foi muito “bacana” da parte dele. “Eu acho que ele percebeu que as coisas que ele disse para chocar envolvem uma pessoa real – eu – e ele não estava pensando nisso na época”, disse Geimer. “Ele se sentiu mal por isso”. Ela revelou que aproveitou a oportunidade para perguntar-lhe sobre seus filmes, especialmente sobre o próximo sobre Charles Manson e os assassinatos de Sharon Tate, uma premissa que “está me deixando louca”. Geimer acrescentou que não achava que precisasse de desculpas de Tarantino, “Mas, uma vez que eu vi por escrito no dia seguinte, percebi que isso me fez sentir melhor. Então, sobre desculpas, acho que você deve aceitá-las, mesmo se não as quer”. Vítima de assédio, abuso e estupro, Samantha Geimer também comentou o movimento #MeToo, dizendo que o mais importante é que a vítima de predador sexual fizesse sua escolha, sobre falar ou não de suas experiências, sem ser forçada a nada. “Eu acho que se você é uma vítima de agressão sexual, faça o que decidir fazer. Denuncie, não denuncie. Fale sobre isso, não fale sobre isso. É uma questão individual e ninguém deve ser pressionado ou forçado a ficar calado ou compartilhar”, disse ela.
Entrevista antiga traz Fergie acusando Tarantino de mordê-la em filmagem
Mais um dia, mais uma controvérsia. O site Jezebel, que desencavou a polêmica entrevista radiofônica em que Quentin Tarantino defendia o colega Roman Polanski do estupro de uma menor, publicou nesta quinta (8/2) um vídeo com outra entrevista antiga, em que Fergie diz ter sido mordida por Tarantino durante a filmagem de “Planeta Terror”, lançamento de 2007. Tarantino fez uma pequena participação como zumbi no filme, dirigido por Robert Rodriguez, e teria sido tão dedicado ao personagem que chegou a morder a cantora. A entrevista foi incluída como bônus no DVD de “Planeta Terror”, e traz Fergie brincando sobre o “método” de interpretação do cineasta. “Então eu estou fazendo a cena e ele começa a me morder”, disse ela. A declaração é acompanhada por imagens que mostram Tarantino prendendo a cantora-atriz no chão, enquanto ela ri e diz “F*, sai de cima de mim”. Na entrevista de bastidores sobre o incidente, Robert Rodriguez disse: “Não foi tão ruim. Não foi uma mordida, porque ela não estava sangrando nem nada. Certamente, ela sentiu alguns dentes na carne. Isso acontece, as pessoas entram no papel.” Em mais imagens incluídas no vídeo, Fergie mostrou uma hematoma visível em seu ombro direito. “Quentin me mordeu. E no final desta filmagem, eu vou mordê-lo de volta”, disse ela. A conduta de Tarantino nos sets de filmagens não saem das manchetes desde sábado, quando Uma Thurman revelou ter
Tarantino pede desculpas por defender Polanski de acusação de estupro há 15 anos
Depois de se dizer arrependido pelo acidente de Uma Thurman em “Kill Bill” (2003), o diretor Quentin Tarantino precisou fazer outro pedido de desculpas nesta semana, por algo acontecido na mesma época, há 15 anos. Tarantino emitiu um comunicado nesta quinta (8/2) em que se desculpa pelos comentários feitos durante uma entrevista ao radialista Howard Stern em 2003, em que defendeu o diretor francês Roman Polanski, considerado culpado em 1977 por estuprar Samantha Geimer, que na época tinha 13 anos. Polanski foi preso em 1977 e acusado de cinco crimes, incluindo estupro por uso de drogas, perversão, sodomia e atos lascivos com uma criança menor de 14 anos. Ele cumpriu menos de dois meses de detenção, fez um acordo com o advogado da jovem para reduzir as acusações a um crime de sexo com menor e serviria uma pena em liberdade condicional, mas após ser informado de que o juiz não aceitaria o acordo, fugiu dos Estados Unidos para a França, de onde não poderia ser extraditado por ser cidadão francês. Mas Tarantino afirmou que o caso deveria ter sido tratado como sexo consentido com menor de idade, e não estupro, já que a garota teria “consentido” com o ato, afirmando inclusive que ela “estava a fim”. “Ele não estuprou uma criança de 13 anos. Ele fez sexo consentido com uma menor de idade. Não é estupro. Para mim, quando você usa a palavra estupro, vocês está falando de violência, de jogar a pessoa no chão. É um dos tipos de crimes mais violentos do mundo”, comparou o diretor, A entrevista foi resgatada pelo site Jezebel e repercutiu em todo o mundo. A própria Samantha Geimer se manifestou. Em uma entrevista com o Daily News, ela disse que não se tratou de sexo consentido, mas não pegou em tochas e forcados. “Não estou chateada, mas provavelmente me sentirei melhor se ele perceber que estava errado, depois de 15 anos, depois de ouvir os fatos. Mas ninguém deve ficar irritada em meu nome. Eu estou bem.” Tarantino percebeu o equívoco de sua manifestação ao sentir a revolta da opinião pública e tratou de se desculpar. “Eu quero me desculpar publicamente com Samantha Geimer por meus comentários no ‘The Howard Stern Show’ especulando sobre ela e o crime que foi cometido contra ela. Eu percebi o quanto eu estava errado 15 anos atrás. Samantha foi estuprada por Roman Polanski. Quando Howard trouxe à tona o tema Polanski, eu incorretamente assumi a posição de advogado do diabo no debate para ser provocador. Eu não levei em consideração os sentimentos dela e por isso eu estou muito arrependido. Então, Samantha, eu fui ignorante e insensível. Acima de tudo, incorreto. Me desculpe”. O timing da polêmica coincide com a revelação de que Polanski será personagem do próximo filme de Tarantino, passado em 1969, sobre os crimes dos seguidores de Charles Manson. Uma das vítimas dos maníacos foi a atriz Sharon Tate, esposa de Polanski, que ao ser assassinada estava grávida.
Remake de Desejo de Matar ganha trailer com estética trash dos anos 1970
O remake de “Desejo de Matar”, estrelado por Bruce Willis (“Duro de Matar”) e dirigido por Eli Roth (“O Albergue”), ganhou um novo pôster e um trailer ao estilo dos filmes trash dos anos 1970, com narração dramática e cenas de ultraviolência. A estética retrô inclui imagens escuras e riscadas, como se o filme fosse muito antigo, e lembra a homenagem às sessões duplas de grindhouse de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino – que renderam os filmes “Planeta Terror” (2007) e “Machete” (2010), de Rodriguez, e “A Prova de Morte” (2007), de Tarantino. Por coincidência, o diretor Eli Roth participou do projeto Grindhouse da dupla, criando um trailer falso de filme de terror. O primeiro “Duro de Matar” não foi um filme trash, mas uma obra de grande estúdio, comandada por um diretor consagrado (Michael Winner), e justamente porque teve ampla distribuição comercial causou enorme impacto na cultura pop. Estrelado por Charles Bronson, transformou-se no maior representante dos filmes de justiceiros que se popularizaram a partir dos anos 1970, e teve mais quatro sequências, até “Desejo de Matar V”, em 1994. Sua influência persiste até hoje, em filmes como “Valente” (2007) e “Sentença de Morte” (2007) e, sim, nos quadrinhos de “O Justiceiro”, entre outras criações. A refilmagem levou vários anos para sair do papel, e esteve perto de ser rodada pelos diretores Joe Carnahan (“A Perseguição”) e Gerardo Naranjo (“Miss Bala”). Por sinal, o roteiro filmado é de Carnahan. Mas a direção acabou nas mãos de Eli Roth, que assina seu segundo remake consecutivo após “Bata Antes de Entrar” (2015). No remake, Bruce Willis vive Paul Kersey, um homem que busca justiça pela morte de sua esposa e ferimentos da filha. Frustrado pelos responsáveis não serem punidos, ele resolve fazer justiça com as próprias mãos. O elenco ainda inclui Vincent D’Onofrio (série “Demolidor”), Dean Norris (série “Breaking Bad”), Elisabeth Shue (série “CSI”), Jack Kesy (“Baywatch”), Mike Epps (“Se Beber, Não Case”), Beau Knapp (série “Shots Fired”), Kirby Bliss Blanton (“Canibais”) e Kimberly Elise (“Dope – Um Deslize Perigoso”). A estreia está marcada para 2 de março nos Estados Unidos e quase três meses depois no Brasil, em 31 de maio.
Atriz detona Quentin Tarantino por teste de shorts e chinelo
A atriz Busy Philipps (série “Cougar Town”) resolveu liberar seu repertório de palavrões para atacar Quentin Tarantino nas redes sociais, após mais uma polêmica envolvendo o nome do diretor. Ela aproveitou o resgate de uma entrevista em que o diretor defendeu Roman Polanski no caso de estupro de menor de 1977 e disparou: “f… esse cara”. “Lamento que vocês tenham de ouvir esse p… de Quentin Tarantino”, disse ela. Em seguida, aproveitou para revelar como foi seu contato com Tarantino, revelando que, certa vez, foi fazer um teste para um papel em filme do diretor e a produção exigiu que ela vestisse “shorts curtos” e chinelos. “Se cuspir em uma atriz e estrangulá-la não fosse suficiente. F… esse cara. F… todos que trabalham com ele. Eu tenho vergonha de já ter feito teste com ele. Eu tive de aparecer de shorts curtos e chinelos, como pedido, porque ‘eu queria o trabalho’. Esse negócio é horrível e dá oportunidade aos predadores”, acusou ela, antes de complementar. “Em tempo, isso foi há dez anos. Agora tenho certeza de que me considerariam velha para isso.” Busy Phillips terminou sua série de tuítes se despedindo e torcendo por uma mudança de postura após tantas revelações de abuso e comportamento inadequado. “Tenho de por minhas duas meninas para dormir e rezar para que elas possam crescer em um mundo em que drogar e estuprar uma criança de 13 anos não é motivo de risadas em um programa de rádio, sob a alegação de ‘foi porque ela quis’”, finalizou ela. Tarantino está no centro de polêmicas desde o fim de semana, quando o jornal The New York Times publicou uma longa entrevista de Uma Thurman em que ela denunciou situações de abuso, por parte de Harvey Weinstein, e um acidente nas filmagens de “Kill Bill”, que a levou a crer que o diretor queria matá-la. Dias depois, Thurman acabou defendendo Tarantino, dizendo que foi ele quem lhe conseguiu o vídeo do acidente – agora exposto ao público – e que ele sempre se arrependeu de tê-la pressionado a filmar a cena que acabou em acidente. Em resposta, Tarantino citou o caso como “um dos maiores erros da minha vida”. FUCK THIS GUY. https://t.co/ucjMfftBdO — Busy Philipps (@BusyPhilipps) February 6, 2018 SORRY YOU HAVE TO LISTEN TO THIS FUCK QUENTIN TARANTINO YOU ARE FUCKING CANCELLED. https://t.co/ucjMfftBdO — Busy Philipps (@BusyPhilipps) February 6, 2018 Like fucking spiting on an actresses face and choking her wasn't enough. Fuck this guy. Fuck anyone who works with him. I'm embarrassed that I ever auditioned for him. Fuck him. — Busy Philipps (@BusyPhilipps) February 6, 2018 That I fucking showed up in SHORT SHORTS AND FLIP FLOPS as requested because I WANTED THE JOB. This business sucks and enables predators and FUCKING ENOUGH. — Busy Philipps (@BusyPhilipps) February 6, 2018 Btw this was 10 year ago. I'm SURE IM TOO FUCKING OLD NOW. — Busy Philipps (@BusyPhilipps) February 6, 2018 Ok. Sorry. I have to go put my two girls to bed and pray that they they get to grow up in a world where drugging and raping a child at 13 isn't laughed off in a radio interview "because she wanted it". — Busy Philipps (@BusyPhilipps) February 6, 2018
Entrevista antiga em que Tarantino defende Polanski de estupro de menor “quebra a internet”
Uma antiga entrevista em que Quentin Tarantino defendeu Roman Polanski de estupro de menor voltou à tona, no rastro da entrevista em que Uma Thurman revelou um acidente grave sofrido no set de “Kill Bill” e após afirmações de que Polanski será personagem do próximo filme do diretor. O timing da entrevista coincide com a época em que Uma Thurman diz ter confidenciado a Tarantino que Harvey Weinstein a atacou sexualmente. Desencavada pelo site Jezebel, a entrevista traz o diretor conversando com o locutor Howard Stern sobre o filme “Kill Bill” em 2003. Em certo ponto da conversa, Tarantino defende o diretor francês, que confessou na justiça ter abusado em 1973 de Samantha Geimer, que na época tinha 13 anos. Tarantino diz que o caso não deveria ser tratada como “estupro de criança”. “Ele não estuprou uma criança de 13 anos”, disse o diretor. “Ele fez sexo consentido com uma menor de idade. Não é estupro. Para mim, quando você usa a palavra estupro, vocês está falando de violência, de jogar a pessoa no chão. É um dos tipos de crimes mais violentos do mundo. Você não pode sair jogando a palavra estupro assim. É como usar a palavra racista por aí. Não se aplica a todas as pessoas que a usam. Ele foi culpado de fazer sexo com uma menor”. Porém, de acordo com o entendimento da legislação americana, a criança não tem discernimento para consentir ou não o ato sexual e presume que nestes casos sempre há uma coerção do adulto. Vale lembrar que a condenação de Polanski diz que ele teria drogado a garota. A conversa segue, com Tarantino defendendo Polanski porque a menina “estava a fim”. “Ela esta a fim e já falou disto. Tenho certeza que ela mencionou isso em público, tipo: ‘Não, ele não fez nada de errado comigo, foi uma tecnicalidade porque eu tinha 13 anos…’. Agora ela é uma adulta e conta o outro lado da história”. Quando Howard Stern questiona que Polanski deveria procurar mulheres adultas, Tarantino proclama: “Ele gosta de meninas!”. Stern, então, pergunta o que Tarantino faria se fosse sua filha. “Poria uma bala na cabeça de Polanski”. “Você o mataria?”, quis saber o radialista. “Eu o encheria de porrada, mas a situação não é que ela tenha sido contra aquilo, ela estava disposta a farrear com Roman. Vamos chamar como de fato foi. Ela estava a fim de festa. Eu não acredito que é estupro com essas garotas festeiras de 13 anos”. A internet quebrou após a última frase, tamanha a repercussão nas redes sociais. Em seguida, o áudio foi retirado do ar. Diretor de filmes de sucesso como “O Bebê de Rosemary” (1968), “Chinatown” (1974) e “O Pianista” (2002), Polanski foi acusado de violentar Samantha Geimer em 1977, quando ela tinha 13 anos, após uma sessão de fotos em Los Angeles, na casa de Jack Nicholson. Ele tinha 43 anos. Embora tenha celebrado um acordo judicial, declarando-se culpado e cumprido pena de 42 dias na prisão, Polanski fugiu para a França ao obter liberdade condicional, antes de uma nova audiência em 1978, temendo que seu acordo original fosse revisto por outro juiz. Como é cidadão francês, ele não poderia ser extraditado do país, o que o tornou, desde então, foragido da justiça americana. Nos últimos anos, Polanski foi acusado de estupro por mais quatro mulheres, que eram menores quando teriam sido abusadas pelo diretor nas décadas de 1970 e 1980. Duas delas são atrizes: a alemã Renate Langer (“A Armadilha de Vênus”) e a britânica Charlote Lewis (“O Rapto do Menino Dourado”).












